Academia, a idéia por trás, a teoria da prática e vice-versa
ACADEMIA, A IDÉIA POR TRÁS,
A TEORIA DA PRÁTICA E
VICE-VERSA
(Estudante da PUC) Eu pessoalmente não consigo associar essa coisa de teoria e prática. Por Exemplo: Se você pega um livro, é teoria ou é prática? Livro não é fruto de uma prática? Eu não consigo fazer essa associação, mas aí cada um pode...
(Pajé) ... acho que o mais importante é o que está por trás disso, que é muito louco na história. Não é nem tanto a prática, não é nem tanto você aprender a mexer, não é nem tanto a linha de comando, é a idéia por trás disso, ai a gente conecta com o que a gente propôs aqui nesta mesa. Quer dizer: o cristianismo, Jesus e os doze amigos dele lá, eles tinham uma grande idéia para publicizar. O capitalismo é uma grande idéia, clube de futebol é uma grande idéia, quer dizer: onde é que está esse embasamento que não é material, que não pode ser mexido e remexido, mas ele é trocado, ele é intercambiado, ele é editado e reeditado, etc.
(Antonio Albuquerque) Eu acho que o desenvolvimento da sociedade está muito marcado pela questão da acumulação capitalista, do dinheiro. Todo processo desenvolvimento tecnológico tem na questão do capital, no processo da mais-valia de produção capitalista, a essência. Quer dizer, a fronteira tecnológica, o caminho, a trajetória tecnológica está sendo determinada hoje pelos grandes grupos econômicos, que detêm 70% do comércio internacional. O que estamos pensando com a questão do software livre é fazer o processo de contra-revolução, no sentido de colocar a ética em primeiro lugar, dizendo o seguinte: olha, a tecnologia que está se produzindo não está atendendo e não está resolvendo os graves problemas sociais do nosso povo. Muito da tecnologia que é produzida, da ciência que é produzida nos países de terceiro mundo tem muito pouco a ver, se aproveita muito pouco socialmente dos seus resultados.
(Ruiz) Realmente. Como pode rolar uma aproximação, por exemplo, da academia com questões sociais ou então de, sei lá, políticas públicas com questões sociais?
(Pajé) Isso talvez seja o ponto mais importante. Onde entra a academia nesta história? Há uma idéia como no Iluminismo, ou como A Indústria Cultural, ou como... saca? Todos esses chavões e etc, são idéias, o cara pegou e fez um trabalho de escrever um livro, dois livros e isso passou a ser um idéia intercambiada por todos ao mesmo tempo. E aí? Se a gente trabalhar com os conceitos de distribuição e colaboração, a gente está misturando de uma forma muito ambiciosa essa relação entre prática e teoria. Essa separação já é uma coisa que, na minha opinião, é difícil de ser feita, mas se você pensar que o que está por trás desta história é uma idéia muito forte e de que é um aprendizado, uma cognição muito forte ai eu acho que começa a ficar interessante.
(FF) Que idéia é essa?
(Pajé) As idéias são muito fortes por trás de uma coisa, se você tem, por exemplo, a gente começou a falar de software livre. Por que a gente começou a pensar “tive uma idéia, vou dar uma mordida nesta maçã e passar aqui pra trás em vez de comê-la inteira , se essa pessoa também pegar a mesma idéia que eu assim vai e vai”. Quer dizer, eu estou falando da importância que a idéia tem...
(FF) Como se explica essa idéia, de colaboração, de conhecimento livre, o que é essa idéia, o que passa por isso?
(Pajé) Então, eu acho que isso é um dos pontos mais difíceis e espinhoso para nós aqui. A gente meio que tem muita certeza do que a gente faz, saca? Eu sei o que eu estou fazendo, eu sei que isso que eu estou fazendo é bacana, eu sei que eu vou conseguir atingir algumas outras pessoas. Mas eu não consegui chegar numa conclusão com o Cris Scabello sobre mapeamento ou não mapeamento, nem o conceito de mapeamento para ele é o mesmo que pra mim, entendeu? Esse é o ponto mais espinhoso, acho que eu gostaria muito de conhecer...
(CP) Pô, mas você vai passar o resto da vida assim, eu garanto que depois do sessenta você aprende que você não sabe mais porra nenhuma mesmo, de verdade. Mas tudo bem, cara. Pra que que você precisa desta resposta? Este é o problema da academia, precisa de respostas, deixa rolar cara, manda ver...
(Pajé) Por isso que a minha pergunta foi, o que a gente está fazendo aqui. Então a gente nem precisava estar aqui, manda todo mundo ir embora.
(CP) Tudo bem, mas é que nós estamos enganchados em uma ratoeirazinha. Aliás, eu acho que esta questão da academia passa muito por isso, de estar presa dentro de uma ratoeira, de que tem que explicar as coisas, tem que entender o que está acontecendo por um prisma teórico. O que está acontecendo agora vai eventualmente ser explicado, alguem vai ter a pachorra de escrever, de explicar isso, de falar sobre, de fazer avaliação critica, etc. Se a gente ficar muito preocupado com isso a gente pára de fazer, eu acho que o que está acontecendo aqui é efetivamente a apropriação de um momento, de uma oportunidade extraordinária de avançar e foda-se se está certo, se esta errado, se deveria ser assim ou assado. Eu acho que tem uma coisa muita em cima disso.
(Dalton) Eu acho que, na verdade, o que a gente está falando em termos de reapropriação tem a ver com novas práticas e aí sim entra essa história da teoria, novas práticas amparadas em uma ética e novas práticas que vão interferir em toda a minha relação com a sociedade, com aquele grupo do qual eu faço parte, a minha colaboração, a forma como eu colaboro, a forma como eu interfiro. E sem dúvida nenhuma os limites do software já foram extrapolados e estão sendo extrapolados cada vez mais em outras posições, mas eu acho que interfere sim nas práticas do nosso dia a dia. Quer dizer: como que eu me relaciono dentro da comunidade? Isso resgata um espírito tribal.
(Thiago Novaes) Eu queria primeiro retomar a pergunta do Pajé, sobre o que que nós estamos fazendo, considerando que a gente está em um momento que é esta passagem do digital, novas possibilidades... Este momento, historicamente colocado, esta passagem que o pessoal coloca aí como um atropelo da prática, vindo e atropelando todo a questão do pensamento. Queria colocar que tem que ter um pouco de cuidado ao colocar nestes termos, especialmente dentro de uma Academia, dentro da Unicamp, que é uma entidade em que as pessoas páram para estudar, para pensar, que tem um papel fundamental dentro do que a gente está fazendo, e que a prática em si muitas vezes não resolve. É boa parte dos problemas que a gente vai vivendo. A tomada de consciência sobre esse processo é uma das propostas de a gente ter vindo aqui, estar reunido, debatendo esses temas. Que o software livre é uma novidade, que é uma coisa que está vindo com força, que é legal fazer, eu acho que boa parte das pessoas aqui está engajada nisso e já entendeu.
(Thiago Novaes) O que está faltando é o que é teoria... O que significa isso do ponto de vista prático do comportamento? E do ponto de vista histórico até, em que vivemos um momento super atropelado. A pergunta que a gente faz enfim, lendo os textos que estão por aqui, é o quê nós estamos ajudando a fazer em nós mesmos? Muitas vezes a gente não pára pra pensar nisso justamente por termos uma prática imposta e uma necessidade de se solidarizar em vários movimentos. Tentar retomar o que talvez seja uma das propostas desse debate que é a tomada de consciência sobre esse processo, pra onde nós estamos indo, o que estamos fazendo a respeito disso.
(Antônio Albuquerque) Eu só queria completar o que o Thiago falou que não existe devolução se a gente não tem a tomada da consciência. É absolutamente necessário porque senão a gente vai fazer idealizadores e seguidores, seguidores que não têm também a consciência. Cada seguidor tem que ser também um líder. Isso mostra que a tomada de consciência é um fator fundamental para o processo de revolução. E qual é o processo de revolução? O processo de revolução que a gente está querendo fazer é resgatar um pouco do que existia antes da consolidação da era do grande capitalismo no final do século XIX seguindo a revolução industrial. O conhecimento é socialmente produzido. Que conhecimento? Conhecimento que é muito mais apropriado para resolver problemas locais do que certas soluções que são feitas em grandes empresas nos Estados Unidos ou na Europa.
(Estudante da PUC) Eu pessoalmente não consigo associar essa coisa de teoria e prática. Por Exemplo: Se você pega um livro, é teoria ou é prática? Livro não é fruto de uma prática? Eu não consigo fazer essa associação, mas aí cada um pode...
(Pajé) ... acho que o mais importante é o que está por trás disso, que é muito louco na história. Não é nem tanto a prática, não é nem tanto você aprender a mexer, não é nem tanto a linha de comando, é a idéia por trás disso, ai a gente conecta com o que a gente propôs aqui nesta mesa. Quer dizer: o cristianismo, Jesus e os doze amigos dele lá, eles tinham uma grande idéia para publicizar. O capitalismo é uma grande idéia, clube de futebol é uma grande idéia, quer dizer: onde é que está esse embasamento que não é material, que não pode ser mexido e remexido, mas ele é trocado, ele é intercambiado, ele é editado e reeditado, etc.
(Antonio Albuquerque) Eu acho que o desenvolvimento da sociedade está muito marcado pela questão da acumulação capitalista, do dinheiro. Todo processo desenvolvimento tecnológico tem na questão do capital, no processo da mais-valia de produção capitalista, a essência. Quer dizer, a fronteira tecnológica, o caminho, a trajetória tecnológica está sendo determinada hoje pelos grandes grupos econômicos, que detêm 70% do comércio internacional. O que estamos pensando com a questão do software livre é fazer o processo de contra-revolução, no sentido de colocar a ética em primeiro lugar, dizendo o seguinte: olha, a tecnologia que está se produzindo não está atendendo e não está resolvendo os graves problemas sociais do nosso povo. Muito da tecnologia que é produzida, da ciência que é produzida nos países de terceiro mundo tem muito pouco a ver, se aproveita muito pouco socialmente dos seus resultados.
(Ruiz) Realmente. Como pode rolar uma aproximação, por exemplo, da academia com questões sociais ou então de, sei lá, políticas públicas com questões sociais?
(Pajé) Isso talvez seja o ponto mais importante. Onde entra a academia nesta história? Há uma idéia como no Iluminismo, ou como A Indústria Cultural, ou como... saca? Todos esses chavões e etc, são idéias, o cara pegou e fez um trabalho de escrever um livro, dois livros e isso passou a ser um idéia intercambiada por todos ao mesmo tempo. E aí? Se a gente trabalhar com os conceitos de distribuição e colaboração, a gente está misturando de uma forma muito ambiciosa essa relação entre prática e teoria. Essa separação já é uma coisa que, na minha opinião, é difícil de ser feita, mas se você pensar que o que está por trás desta história é uma idéia muito forte e de que é um aprendizado, uma cognição muito forte ai eu acho que começa a ficar interessante.
(FF) Que idéia é essa?
(Pajé) As idéias são muito fortes por trás de uma coisa, se você tem, por exemplo, a gente começou a falar de software livre. Por que a gente começou a pensar “tive uma idéia, vou dar uma mordida nesta maçã e passar aqui pra trás em vez de comê-la inteira , se essa pessoa também pegar a mesma idéia que eu assim vai e vai”. Quer dizer, eu estou falando da importância que a idéia tem...
(FF) Como se explica essa idéia, de colaboração, de conhecimento livre, o que é essa idéia, o que passa por isso?
(Pajé) Então, eu acho que isso é um dos pontos mais difíceis e espinhoso para nós aqui. A gente meio que tem muita certeza do que a gente faz, saca? Eu sei o que eu estou fazendo, eu sei que isso que eu estou fazendo é bacana, eu sei que eu vou conseguir atingir algumas outras pessoas. Mas eu não consegui chegar numa conclusão com o Cris Scabello sobre mapeamento ou não mapeamento, nem o conceito de mapeamento para ele é o mesmo que pra mim, entendeu? Esse é o ponto mais espinhoso, acho que eu gostaria muito de conhecer...
(CP) Pô, mas você vai passar o resto da vida assim, eu garanto que depois do sessenta você aprende que você não sabe mais porra nenhuma mesmo, de verdade. Mas tudo bem, cara. Pra que que você precisa desta resposta? Este é o problema da academia, precisa de respostas, deixa rolar cara, manda ver...
(Pajé) Por isso que a minha pergunta foi, o que a gente está fazendo aqui. Então a gente nem precisava estar aqui, manda todo mundo ir embora.
(CP) Tudo bem, mas é que nós estamos enganchados em uma ratoeirazinha. Aliás, eu acho que esta questão da academia passa muito por isso, de estar presa dentro de uma ratoeira, de que tem que explicar as coisas, tem que entender o que está acontecendo por um prisma teórico. O que está acontecendo agora vai eventualmente ser explicado, alguem vai ter a pachorra de escrever, de explicar isso, de falar sobre, de fazer avaliação critica, etc. Se a gente ficar muito preocupado com isso a gente pára de fazer, eu acho que o que está acontecendo aqui é efetivamente a apropriação de um momento, de uma oportunidade extraordinária de avançar e foda-se se está certo, se esta errado, se deveria ser assim ou assado. Eu acho que tem uma coisa muita em cima disso.
(Dalton) Eu acho que, na verdade, o que a gente está falando em termos de reapropriação tem a ver com novas práticas e aí sim entra essa história da teoria, novas práticas amparadas em uma ética e novas práticas que vão interferir em toda a minha relação com a sociedade, com aquele grupo do qual eu faço parte, a minha colaboração, a forma como eu colaboro, a forma como eu interfiro. E sem dúvida nenhuma os limites do software já foram extrapolados e estão sendo extrapolados cada vez mais em outras posições, mas eu acho que interfere sim nas práticas do nosso dia a dia. Quer dizer: como que eu me relaciono dentro da comunidade? Isso resgata um espírito tribal.
(Thiago Novaes) Eu queria primeiro retomar a pergunta do Pajé, sobre o que que nós estamos fazendo, considerando que a gente está em um momento que é esta passagem do digital, novas possibilidades... Este momento, historicamente colocado, esta passagem que o pessoal coloca aí como um atropelo da prática, vindo e atropelando todo a questão do pensamento. Queria colocar que tem que ter um pouco de cuidado ao colocar nestes termos, especialmente dentro de uma Academia, dentro da Unicamp, que é uma entidade em que as pessoas páram para estudar, para pensar, que tem um papel fundamental dentro do que a gente está fazendo, e que a prática em si muitas vezes não resolve. É boa parte dos problemas que a gente vai vivendo. A tomada de consciência sobre esse processo é uma das propostas de a gente ter vindo aqui, estar reunido, debatendo esses temas. Que o software livre é uma novidade, que é uma coisa que está vindo com força, que é legal fazer, eu acho que boa parte das pessoas aqui está engajada nisso e já entendeu.
(Thiago Novaes) O que está faltando é o que é teoria... O que significa isso do ponto de vista prático do comportamento? E do ponto de vista histórico até, em que vivemos um momento super atropelado. A pergunta que a gente faz enfim, lendo os textos que estão por aqui, é o quê nós estamos ajudando a fazer em nós mesmos? Muitas vezes a gente não pára pra pensar nisso justamente por termos uma prática imposta e uma necessidade de se solidarizar em vários movimentos. Tentar retomar o que talvez seja uma das propostas desse debate que é a tomada de consciência sobre esse processo, pra onde nós estamos indo, o que estamos fazendo a respeito disso.
(Antônio Albuquerque) Eu só queria completar o que o Thiago falou que não existe devolução se a gente não tem a tomada da consciência. É absolutamente necessário porque senão a gente vai fazer idealizadores e seguidores, seguidores que não têm também a consciência. Cada seguidor tem que ser também um líder. Isso mostra que a tomada de consciência é um fator fundamental para o processo de revolução. E qual é o processo de revolução? O processo de revolução que a gente está querendo fazer é resgatar um pouco do que existia antes da consolidação da era do grande capitalismo no final do século XIX seguindo a revolução industrial. O conhecimento é socialmente produzido. Que conhecimento? Conhecimento que é muito mais apropriado para resolver problemas locais do que certas soluções que são feitas em grandes empresas nos Estados Unidos ou na Europa.
Resumindo a idéia por
FelipeFonseca
http://fff.hipercortex.com
tomada de consciência
Faltou o ponto final que é a tomada de consciência, por se ela existe a pergunda 'o que estamosa fazendo aqui?' não ecoaria tanto.
No submidialogia 2 também parecia que não havia uma consciência do que estava sendo feito coletivamente. Só da festa da galera, isso sim todo mundo tinha plena consciência, mesmo chapad@ :-)
Portanto bato nessa tecla sobre qual é a conciência, ou o consenso sobre o que estamos fazendo. Não acho que a resposta seja cultura livre. Isso já existia e era chamado de outro nome. Não estamos fazendo só isso. Mas o importante é que estamos fazendo algo juntxs, que mesmo sem a consciência completa do que seja exatamente, existe e é palpável, logo pode serteoria prática.
cultura livre ??
Então tem que ter o significado desse termo por aí... pra gente discutir.... cultura livre de quê ?? livre o quê ?? etc...
A cultura por definição, não é livre. É uma mistura de tradição, técnicas e fórmulas. De qual liberdade estamos falando? da cultura, para a cultura, a partir da cultura, na cultura.....
etc de novo,
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