Ciclo de Palestras, seminários, apresetações musicais e audiovisuais em diferentes cidades do brasil, buscando a intervenção da prática no mundo das idéias e das idéias no mundo das práticas.

submidialogia #1 +Festival Internacional+
SUBMIDIALOGIA O ESTUDO SOBRE A INVERSÃO DA INTELIGIBILIDADE E DA RAZÃO NAS TEORIAS DE MIDIA. O que é submidialogia? A ARTE DE RE:VOLVER O LOGOS DO CONHECIMENTO PELAS PRÁTICAS E DESORDENAR AS PRÁTICAS PELA IMERSÃO NO SUB CONHECIMENTO Toda grande prática ou ação caminha com uma idéia. A manipulação de instrumentos tecnológicos enfraquece este elo na medida em que o utilitarismo e a racionalidade técnica vão tomando o espaço das manifestações humanas espontâneas, artísticas e improvisadas.
As teorias sobre mídia, informação e comunicação pouco respondem se refletidas nas novas experiências e atuações sociais e culturais, e estas por sua vez embaralham-se em contestação, experimentação, utilitarismo e mercado. As experiências podem dizer muito à teoria, inclusive precede-las. Porém o risco de práticas se alienarem é constante e o conhecimento de perspectivas e visões quanto às questões sobre tecnologia, cultura e meios de transmissão de informação é fundamental para a solidificação das práticas sociais. Por de ponta cabeça os princípios disciplinares da midialogia e articular idéias de modo a fazer-nas perigosas. A idéia da conferência é: Trazer diferentes experiências – teóricas e práticas –para contatarem-se Jogar, de um novo ponto de vista, articulações entre teoria e prática nos meios tecnológicos Incentivar a teoria sobre as práticas, para que estas não se anulem tornando-se utilitarismo Incentivar práticas sobre a teoria, aplicando experiências em prol de uma (sub) concepção do aparato tecnológico midiático Criar um espaço tempo de subversão das práticas e teorias sobre tecnologia Enfim, qual a IDÉIA que se têm sobre atuação nos meios mecânicos / eletrônicos / digitais? sub#1 em campinas Visite o site do projeto!

O resultado da conferência foi publicado nos cadernos submidiáticos!
Estes são por enquanto os convidados que virão para um só dia da conferência. Que dia eles virão, mando depois:
Convidados (um dia)
Arlindo Machado – PUC São Paulo
Alejandra Ana Rotaina - Rio de Janeiro
Magaly Pazello – Rede DAWN
Tori Holmes – openknlowdge/ UK
Luciana Fleishman - UFF/ RJ
André Lemos – UFBA / Salvador
Ronaldo Lemos – FGV / Rio de Janeiro
André Parente – UFRJ / Rio de Janeiro
Mauro Almeida – Unicamp / Campinas
Claudio Prado - MinC
Heloísa Buarque de Holanda – UFRJ / Rio de Janeiro
Janice Caiafa – UFRJ / Rio de Janeiro
Enrico Zimbres - UERJ/Rio de Janeiro
Beth Costa – Federação Nacional do Jornalistas
Giselle Beighelman – PUC São Paulo
Pablo Ortellado – Filosofia USP / São Paulo
Giselle B. (PUC SP)
aqui vai pra vcs o convite, dêem opiniões e qundo estiver pronto e aprovado, começamos a mandar:
Olá,
Gostaríamos de convidá-lo a participar da lista de discussão Submidialogia, relativa a vindoura conferência de mídia tática, teoria e ação em midia, que acontecerá em Campinas do dia 28 a 31 de outubro de 2005, bem como tomar parte do evento. O festival acontecerá na UNICAMP (Universidade de Campinas, Barão Geraldo), um lugar central para as atividades acadêmicas do estado de São Paulo. A intenção principal da conferência é:
- Trazer diferentes experiências nacionais – teóricas e práticas –para conhecerem-se
- Jogar, de um novo ponto de vista, articulações entre teoria e prática nos meios tecnológicos
- Incentivar a teoria sobre as práticas, para que estas não se anulem tornando-se utilitárias
- Incentivar práticas sobre a teoria, aplicando experiências em prol de uma (sub) concepção do aparato tecnológico midiático
- Criar um espaço tempo de subversão das práticas e teorias sobre tecnologia
Em suma, por de ponta cabeça os princípios disciplinares do estudo das midias e articular idéias de modo a re:fazê-las perigosas.
A ARTE DE RE:VOLVER O LOGOS DO CONHECIMENTO PELAS PRÁTICAS E DESORDENAR AS PRÁTICAS PELA IMERSÃO NO SUB CONHECIMENTO
Os contrastes observados nos países que estão fora do capitalismo central são notados não só em números, estatísticas, sensos ou balanças comerciais. Eles são subjetivos e estão intrínsecos nos processos e práticas cotidianas. São causas – e não só conseqüência - da escravidão sem correntes que se tornou o mundo regido pelas regras técnicas do capital.
A discrepância observa-se no abismo entre realidade material e realidade social, idéia e prática, ação e organização etc. Os números mais ocultam do que mostram. Os debates e idéias ainda não suprem a necessidade de uma visão contemporânea que abarque as possibilidades e experiências nas mídias. A convergência de temas e assuntos ainda não se situa de modo a refletir sobre a questão tecnológica e sua relação com o mundo do trabalho, as ciências humanas, artes, técnica e cultura.
Apesar da grande transformação e da abertura de possibilidades, concentração e dominação ainda são as principais metas das indústrias e dos poderes sobre as tecnologias e comunicações.
Porém, já se observa a exploração das potencialidades das forças produtivas atuais somadas as produções e conhecimentos locais. O diálogo entre o notório saber e o especialista pode gerar frutos para uma nova idéia sobre inclusão, acesso, colaboração, produção, comunicação e política em midia.
A mistura, o cruzamento, as encruzilhadas, as mestiçagens, as adaptações, as resignificações etc. são emblemas que determinadas práxis humanas impõem aos processos de individuação. Tratar deste tema exige compreensão dos processos tecnológicos atuais, e ao mesmo tempo das práticas sociais, políticas e culturais diversas.
A conferência pretende trazer para o debate pessoas, grupos e idéias que articulem esta problemática de um ponto de vista inovador e de acordo com as realidades cotidianas de diversas partes da Brasil. Procurando colocar pontos e contrapontos num mesmo momento, a idéia é realizar um espaço-tempo de reflexão e prática que dê início a uma percepção crítica e uma realidade criativa nos modelos de pensamento sobre questões que envolvem cultura eletrônica, tecnologia, etnias e práticas culturais contemporâneas.
SUBMIDIALOGIA: A ARTE DE SUBVERTER O LOGOS DA MIDIA. O ESTUDO SOBRE A INVERSÃO DA INTELIGIBILIDADE E DA RAZÃO. ESPAÇO TEMPO DE SUBVERSÃO DAS PRÁTICAS E TEORIAS SOBRE TECNOLOGIA, CULTURA E COLABORAÇÃO NOS MEIOS ELETRÔNICOS BRASILEIROS
28, 29, 30 e 31 de Outubro de 2005
Ciclo Básico da Universidade Estadual de Campinas
– Barão Geraldo, Campinas, SP
Como co-laborar?
1) O primeiro passo é entrar em nossa lista de discussão -> submidialogia@lists.riseup.net
2) O segundo é responder aos questionário que darão origem ao: 1) Diretório de
movimentos de Mídia e 2) Registro na conferência -> (abaixo)
3) Agregar temas e debates a serem discutidos durante a conferência pela lista de discussão.
QUESTIONÁRIO PUBLICAÇÃO
- Nome de seu projeto?
- Denomine a sua atividade principal e/ou sua/s área/s de atuação
- Pequeno descritivo
- Formas de colaborar
- Como contactar
- Imagem
- Você tem algum outro projeto a indicar?
QUESTIONÁRIO REGISTRO
nome:
endereço:
e-mail:
você tem como se deslocar até o local da conferência (Campinas/SP)?
precisará de hospedagem?
caso sim, para quantos dias?
vc tem que chegar antes para algum trabalho logístico?
caso sim, quando virá?
como será a sua participação:
observador [ ]
apresentação paper [ ]
exibição [ ]
mostra de filmes [ ]
oficina [ ]
visita [ ]
descreva (com especificações necessárias):
vc precisa de algum tipo de assistência especial para participar das atividades?
caso sim, especifique:
vc precisará de cuidados com crianças?
se sim, diga as idades del@s:
comentários:
FITA 90
zera o counter depois de uns 15 minutos
começa programa na muda com cris e jean e queops e balbino
2:27 "baixa tecnologia, invadindo a alta sociedade"
2:50 entram palhaços na rádio
6:48 muda mas ainda na muda, mostrando posters e adesivos...
10:33 poster do submidialogia e sombras na rádio...
11:16 rhatto e juba bombando na rádio com aparelhagem de belem
13:30 cristopher lovver making the session, submidialogia no ar. com muito barulho de galera "aspirando" no fundo.
não é comédia não, dub-revolução agita o baile!
16:40 linha de comando na rádio muda
17:09 começa a fala do dalton.
37:30 fim da fala do dalton
38: ruiz falando, apresenta o antonio albuquerque
38:35 antonio albuquerque falando do gesac
1:02:31 takashi falando
1:06:53 cp falando
FITA 91->
0:0 começa cp falando ainda
4:57 novaes falando
10:30 takashi
15:30 antonio albuquerque
20:00 cp
24:00 ruiz falando
25:25 ff
falas de kiki, novaes, leo, ale, no papo .gov
43:49 - começa fala da bia e do fernando e da monica
monica começa falando do cybermohala
1:02:19 slave falando da india
1:02:59 bia falando
1:14:15 show do expresso 411 e apresentação do matema, orquestra de impressoras
montagem do palo
1:16:30 - começa o show
FITA 92 ->
continua o show alguma hora entra o bnegao na jam
29:20 bnegao abraçando o TC, fala do pajé no encerramento do show.
31:00 fala do TC depois do show
34:40 glerm em cima da arvore com um megafone
show do matema
1:05:45 começa fala dos artistas no último dia, rosas falando, vai até o fim da fita.
Relato Submidialogia ff
Foi meio sem querer que eu me envolvi com a produção da submidialogia.
Cheguei à plataforma waag/sarai por outro lado, articulando pra
MetaReciclagem. Nossa parte seria não mais que uma residência de duas
pessoas por dois meses na Índia. Eu não seria uma delas, ficaria só
agitando à distância. Mas rolou que me envolvi, não me lembro exatamente
como. Acho que foi um dia que o Pajé me ligou e começamos a conversar.
Quando vi, já tava dando aquela forza. E é bem assim que funciona:
de repente, sem perceber, já estava colaborando.
Um evento brasileiro dedicado ao ativismo midiático e suas variantes não
poderia deixar de ter uma grande dose de improvisação, informalidade e
ação coletiva. Foi assim nos eventos anteriores que começaram a
construir essa rede: o Mídia Tática Brasil, o FindeTático, o
Digitofagia. Mas dessa vez, tínhamos mais algumas hipóteses a
testar. Havíamos saído do círculo cultural alternativo, aos espaços reservados
àqueles mesmos de sempre fazendo suas repetitivas apresentações de sempre.
Dentro de uma universidade, poderíamos fazer um evento que buscasse a
teoria que existe em toda prática, a prática que apóia toda a teoria.
Acabar com essa divisão imbecil que ainda perdura por aí entre o teórico
e o praticante, entre o conceito e a ação.
À parte todo o aspecto de protesto (tão divertido quanto pouco eficaz,
a meu ver), as redes e grupos que estiveram presentes mostram cada vez
mais ter um comportamento emergente (auto-organizado, de baixo para cima)
que pede um pouco mais de atenção. Foi, outra vez, a exposição
dessa movimentação o principal foco da conferência. É muito satisfatório
perceber que a colaboração em rede, a auto-gestão e a mutabilidade
constante estão presentes, em maior ou menos intensidade, em todos esses
grupos.
A submidialogia foi menos uma oportunidade de identificar novas redes do
que de estreitar laços e aprofundar, ainda que muito aquém do
necessário, o debate sobre a atuação delas. Algumas propostas de
encaminhamento, entretanto, caíram no vazio. Talvez pela falta de um
foco específico pré-definido, a conferência teve uma tal multiplicidade
de atuações paralelas que nenhuma delas foi muito pra frente. A falta de
compromisso com horários foi vergonhosamente além do que normalmente se
espera nesse tipo de evento. A tentativa conceitual de abstrair todo
tipo de hierarquia sobre as conversas também levou a uma desorganização
e falta de objetividade muito grandes durante os painéis. Deixamos de
ouvir opiniões valiosas por falta de planejamento, nesse sentido.
Fotos do primeiro encontro em Campinas (SP)
veja todas aqui, na galeria do descentro
salas de aula para conferência (3 dias) - R$ 900,00 (R$600 de apoio)
Captação, edição e transmissão em tv livre dos 3 dias - R$4.000,00
Transcrição do conteúdo sonoro editado - R$ 210,00
Quartos do Hotel da Unicamp (5 quartos/ 3noites) - R$ 1.500,00
Streaming de áudio dos 3 dias - R$ 900,00
ônibus transporte durante a conferência - ????
Auditório para exibição de filmes e salas de aula para alojamento - apoio
Passagens aéreas - ????
falta decidir:
monitores/mediadores
passagens
publicação pós conferência
folder pré conferência
trabalhar por prazer - não tem preço
Os que são chamados para os 3 dias de debates:
Participantes (todos os dias)
Re:Combo - Mabuse eTchuna (Recife / São Paulo)
Coletivo de recombinação musical digital
Daniel Lima (São Paulo)
A revolução não será televisionada
Coletivo de intervenção áudio-visual
Sabotagem - Dr. Gorilla (Porto Alegre)
Coletivo de plagio editorial
GTA - arnaldo (AM / PA)
ONG meio ambiente e comunicação
Tulio Tavares (Sao Paulo)
Coletivo de coletivos de arte Zaratruta
Fabianne Borges (Sao Paulo)
Integrante do grupo Catadores de Historia
Metareciclagem (Fernando e Bia) - São Paulo
metodologia descentralizada de reapropriação tecnológica para a transformação social.
Media Sana – Igor e Gabriel (Recife)
Coletivo de produção audiovisual
Nos do Morro - Caetano (Rio de Janeiro)
producao audiovisual no morro do vidigal
CMI-Mulheres - Goa, Ma, Toya (Brasília, Goiânia, São Paulo)
Grupo de mulheres do Centro de Midia Independente
Centro de Midia Independente - Vitor (RJ, Campinas, SP)
Coletivo internacional de producao de midia independente
Estúdio Livre/Fabiane Balvedi, Cris Scabello e leo Germani (Curitiba)
mdia e software livre
Banto (Campinas)
Coletivo Palmarino
Patricia Canneti - Canal Contemporaneo (Rio de Janeiro)
Site/blog de arte contemporanea
Grupo Eco/Ismael Santos (Rio de Janeiro)
telecentro e reciclagem de computadores do morro dona marta, rio de janeiro
Radiolivre.org - Rhatto, Troia e Radio Interferencia (Sao Paulo, Florianopolis, Rio de Janeiro, Ju Pagul)
rede de rádios livre
Hip Hop da Floresta - Rondônia
Javier Bustamante – Unicamp / Universidade Complutense de Madri (UCM)
GESAC - Elaine
programa do ministerio das telecomunicacoes de antenas satelites
Alexandre Freire, Uira – Pontos de Cultura
projeto .gov de producao de midia em software livre
CEMINA - Rio de Janeiro
ong feminista que tarbalha com mulheres, radio e TICs
Casa de Cultura Taina (Campinas)
Etyele e Marcinha (Sao Palo)
Joinha Filmes
Rodrigo Belem -Ubuntu BR (Manaus)
Orlando Lopes (Espirito Santo)
Associacao Salvamar
Etienne Delacroix – MIT / São Paulo
Thiago Novaes – MinC / Brasília
Armando Coelho Neto – Delegado da Polícia federal / São Paulo
Francisca Marques – Univ. Jorge Amado Salvador
Camilo - Unicamp
Romano – Rio de Janeiro
Oinusitado
Hernani Dimantas - São Paulo
Metrareciclagem e Marketing Hacker
Felipe Fonseca, Fernando Henrique sl4v3 e Bia - São Paulo
Metrareciclagem
Caio Mariano (KCP advogados / Propriedade Intelectual)
Marcio Pielkie (MT)
GTA-lucas do Rio Verde
Thiago Figueiredo (Tefé-AM)
Instituto Mamirauá
Alex Alegre (RR)
GTA
Caburé (AC)
Reserva Extrativista do Alto do Juruá
André (CIR-RR)
Amazoner Okaba (RR)
Fidelis (Rondom do Pará-PA)
GTA/Ponto de Cultura
Ponto de Cultura-AP
David Garcia (diretor do programa de mestrado em disign interativo na Utrecht School of Arts de Amsterdam)
Paul Keller (Waag Society)
Vera Franz (Open Society Institute)
Fran Illich (Pesquisador do Centro Nacional de las Artes da Cidade do México - multimidia)
yuwei {at} ylin {dot} org
Volker Grassmuck (Wisards of OS)
http://www.free2air.org/∞∞; (wireless da alemanha!)
Ravi, Namita e Mônica Narula (sarai)
Crictical Art Ensemble (EUA)
Sara Kolster e Derek Holzer (umatic – Holanda)
Richard Barbrook (Coordenador do Hypermedia Research Centre da Universidade de Westminster de Londres)
Garbriele Consentino www.d-i-n-a.net
DJ Dolores - Recife
Cláudio Manoel D. de Souza (pragatecno) - Norte-Nordeste / Salvador
B Negão - Rio de Janeiro
Quinto Andar - Rio de Janeiro
Enraizados/Dinho K2 - Rio de Janeiro
mateus subverso-SUAT [sindicato urbano de atitude] – São Paulo
Games em Linux – Bruno Grago (bsdrago@ig.com.br)
Flavio Pirex (Documentario GamerBR, CC) - São Paulo
Palavra: resistência – Luis Duva
Rogério Borovik
Lucas Bambozzi/ grupo COBAIA
Boa Companhia - Campinas
Rota Brasil Oeste
Camelôs e Pirataria
http://webartenobrasil.vilabol.uol.com.br/biblio4.htm∞∞∞;
wawrwt – unicamp - Luisa Paraguai Donati luisa@iar.unicamp.br
cachaça
é umaTAZ, um espaço-tempo de alienação a fuga do logos tradicional para a busca de uma sensação de prazer. Um sentimento de embriagez sem fim, e de re:novação psicocorporal. Tudo pode acontecer na cachaça.
Programaçãoo
Dia I :: 27 de outubro, quinta feira
12h00 - Quiosque Ciclo Básico
recepção, credenciamento e atividade de RE:Conhecimento
Chegue, diga alô, pegue seu mapa, seu kit de sobrevivência na Academia, almoçe e descanse da chegada!
<+>
15:00hs - Teatro de Arena e Rádio Muda
cachaça e apresentação da conferência
Aproveita-se o momento para a apresentação dos grupos e pessoas e conversações entre os participantes. a idéia é de reconhecimento mútuo e uma aproximação antes do início dos painéis. Aproveite os vales-cachaça que ganharam no cadastramento para provar uma dose da legítima aguardente de alambique. Mas não se esqueça: beba com moderação! Hora feliz com som, transmissão e cervejinha. Discotecagem de Cláudio Manoel e DJ Xloresz
Paulo Lara - Submidia
Paul Keller - Waag
Monica Narula - Sarai
IP: / /
Metareciclagem
<+>
17h00 - Casa do Lago
abertura da mostra-lab
A mostra-lab é um espaço que conta com equipamento de projeção e som que ficará à disposição para apresentação dos trabalhos de pessoas e grupos convidados à conferência. É o melhor espaço-tempo para mostrar seu trabalho antigo, ou, o que é melhor, apresentar futuros projetos e conseguir parcerias para os mesmos. Leve DVD, CD com apresentação, laptop... aproveite para conhecer um pouco do trabalho e dos projetos dos outros participantes.
+ som
Subradio/Glaubicos * oInusitado * Tainã * Media Sana
+ TRAGA E FAÇA SEU SOM!
+ videos
contratv.net * estudiolivre * pirex
+ TRAGA E FAÇA SEU VÍDEO!
+ arte em geral
metareciclagem * a revolução não será televisionada * IP: / / * lucas bambozzi
+ TRAGA E FAÇA SUA GAMBIARRA!
(+)
Dia II :: 28 de outubro, sexta feira
10h02 Encontrar-se na sala do ciclo básico IH01 para partir
Visita Tainã + almoço
<+>
14h07 Sala do Ciclo Básico IH01
Teoria, cadê?
Aonde vai a teoria que perpassa as idéias e ações, qual o papel das idéias no período tecnofóbico e de especialismos ? Trata-se, com efeito, de uma questão premente, visto que existe, de fato, uma aparente dissociação entre prática e teoria, como se a "gente que faz" não tivesse tempo, interesse ou inclinação para pensar e a "gente que pensa" simplesmente não conhecesse a realidade prática daquilo sobre o que pensa. Mas seria mesmo o caso de opor os dois grupos de pessoas, como se o Submidialogia fosse colocar a prática de uns em contato com a teoria dos outros? Será que não existe, na própria teoria, uma prática ainda pouco percebida, e na prática, uma teoria que merece mais atenção?
Tati Wells - IP:/ / moderadora
Paulo José Lara - Submídia -
Pedro Ferreira - Subrádio - CTeMe
Paul Keller - Waag
Hernani Dimantas - Metarecicagem
Renato Ortiz - UNICAMP
<+>
15h33
cachaça
<+>
15h46 Sala do Ciclo Básico IH01
Quando meus amigos se tornaram .gov – problemas e soluções:
Após a explosão da dita bolha da internet, muitos teóricos buscaram quais seriam os novos rumos da internet. No Brasil, terra de samba, pandeiro e desigualdade, a passagem da falência das empresas extrangeiras às novas tendências da sociedade compartilhada na prática é um fenômeno com menos de três anos de existência. Em um curto período de tempo, dezenas de iniciativas e centenas de pessoas que participavam de movimentos de comunicação independente, mídia tática, software livre e movimentos de base foram, direta ou indiretamente, incorporados nas agendas e contratos governamentais. Qual o motivo dessa rápida incorporação? Como direcionar tais ações em um governo como o brasileiro? quais as consequências? E como o governo tem lidado com os projetos e ideologias dos envolvidos com as pesquisas e implantações? Qual a atual situação de projetos como o da TV Digital e GESAC (Ministério das Telecomunicações) e Pontos de Cultura (Ministério da Cultura)
Pablo Ortellado - USP - CMI moderador
Takashi Tomei - CPq D
Cláudia Schmidt - CPq D
Antônio Albuquerque - GESAC
Elaine Silva - GESAC
Thiago Novaes - Min C
Cláudio Prado - Cultura Digital/Min C - Pontos de Cultura
Rádio de Tróia
<+>
18h11 - IFCH
jantar na cantina + som
Media [umatic] Sana não é possível
dj xlores
(+)
Dia III :: 29 de outubro, sábado
09h09 Sala do Ciclo Básico IH01
oxalá shiva!
Como é possível operacionalizar e quais os caminhos a serem percorridos em um plano de colaboração entre os países do sul? E seriam só os países do sul?
Mônica Narula - Sarai
Fernado Henrique - xsl4v3
Bia - Metareciclagem
<+>
9h53 Sala do Ciclo Básico IH01
O balanço das redes:
Felipe Fonseca - metareciclagem moderador
Rhatto - radiolivre.org
Rafael Juba Diniz - Submídia
Dalton Martins - metareciclagem
Toya - CMI
Vera Franz - osi - open society institute
Patrícia Canetti - canal contemporâneo
<+>
12h38
Almoço
<+>
14h02 Sala do Ciclo Básico IH01
populações diferentes e tecnologias similares:
Como a cultura - práxis diversa e única - se situa perante a unidade dos mecanismos e formas de transmissão de conteúdo? Brasil significa práticas e vidas diferentes e modos -improvisos de sobreviver. As tecnologias proporcionam o quê, potencializam o quê e atrofiam o quê, quando relacionadas a culturas específicas e como trabalhar com isso?
Chico Caminati - suBRádio moderador
Conexão Norte
Arnaldão - GTA Grupo de Trabalho Amazônico
TC - Casa de Cultura Tainã
Banto - Coletivo Palmarino
Atiely e Marcinha - Joinha Filmes
Orlando Lopes - Associação Salvamar
Tori Holmes - openknowledge
Alexandre Freire - Cultura Digital/Min C - Pontos de Cultura
Fabianne Borges
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15h44
cachaça
<+>
15h57 Sala do Ciclo Básico IH01
Licenças, propriedade, patentes e repressão – copyleft, cc e conhecimento aberto:
Thiago Novaes - Submídia moderador
Glerm - OrganismoBR moderador
Caio Mariano - KFC Advogados
Armando Coelho Neto - Polícia Federal
Ronaldo Lemos - FGV
Rubens Queiróz - UNICAMP
Volker Grassmutt - Wizards of OS
<+>
17h42
cachaça
<+>
18h29 MediaLab - Casa do Lago
Conteúdo – é dar para receber:
Cris Scabello - Estúdio Livre moderador
Tchuna - RE:Combo
Goa - CMI Mulheres
Igor Medeiros - Media Sana
Gabriel Furtado - Media Sana
Dr. Gorilla - Sabotagem
Cláudio Manoel - Pragatecno
Dinho k2 - movimento do hip hop organizado no brasil
BNegão
<+>
20h32
Jantar na Borda de Ouro,
Como preparação para a noite que desponta, nada melhor que uma gorda pizza na tradicional taberna do chorinho, mpb e metal. Com clima aconchegante, decoração semi-rústica e aparência de germinado quintal-garagem, o Borda de Ouro é, em Barão Geraldo, a sua segunda casa!
<+>
22h00 KRAFT
+ som::: SÓ DÁ MALUCO
liberte os maus espíritos nos braços do que há de melhor no xamanismo colaborativo!
Somos todos loucos
Expresso 411
Dinho k2
Media Sana Out of Control
B Negao * DJ Castro * De Leve
DJ Xlores
(+)
Dia III :: 30 de outubro, domingo
10h37
Café da manhã sobre o dia anterior com rádio-arte
<+>
11h48 Sala do Ciclo Básico IH01
RE:Apropriação do Natural: do corpo à sociobiodiversidade. Tecnologia, ética, produção local e arte. E o velho terceiro mundo?
Ricardo Ruiz - IP: / / moderador
Patrícia Canetti - Canal Contemporâneo moderadora
Pedro Ferreira - Subradio - CTeMe moderador
Alejandra Ana Rotaina - Comissão Nacional de ética em pesquisas do CNS
Mauro Almeida - Unicamp
Rogério Borovik -
Má - CMI Mulheres
André Parente - UFRJ
Giselle Beighelman - PUC/SP
Daniel Lima - A revolução não será televisionada
José Balbino - Casa da Alegria
Lucas Bambozzi - COBAIA
<+>
13hs36
Almoço com molho de devir
Lunch with becoming-sauce
esporros, gritos e silêncios -
sem hora pra acabar...
Deleite-se em 101 paginas de puro debate e apresentacoes:
Dia 1
tarde de apresentações e filmes e cachaça
dia II
28 de outubro 2005
visita a cada de cultura tainã. depoimento de perna.
CASA EM OBRA
hoje, esse processo que vocês estão vendo aqui era para ter acontecido semana passada. a gente até que pensou abortar a missão mas decidiu por continuar porque esse é parte do processo e porque na submidialogia a gente imagina que ninguém é tonto. a placa lá fora diz que a obra será entregue em 90 dias, mas já faz um ano e agora estamos nós mesmos finalizando, colocando concreto, re-inaugurando a casa com nossas próprias forças, montar a biblioteca e deixar a casa organizada para poder atender a comunidade. e mesmo aos trancos e barrancos continuamos com as atividades como maracatu de baque virado - pesquisa em cultura popular, oficina de tambores de aço. E essa é a espinha dorsal da casa - orquestra tambores de aço. Pra aquem não conhece é um instrumento de trinidad tobago, proibido pela marinha inglesa. só que os habitantes já conheciam a escala cromática, malafom e marimba, e viram os tambores de óleo na praia e começaram a bater de um lado e de outro e por fim desenvolveram esse instrumento, o tambor de aço e aqui na tainã TC teve contato com a orquestra em 79 e teve a idéia de construir esse instrumento. recentemente compramos mais tambores, porque apesar de TC saber construí-los, demora muito, são muitas marteladas para afinar e com recursos da lei rouanet, a primeira que usamos, podemos captar mais recursos para a orquestra tambores de aço. e mesmo assim os tambores ficaram 4 meses na alfândega, rolou um processo e só conseguimos reaver os tambores quando pagamos bem abaixo do valor que eles queriam.
nós somos a única casa independente, é a sobrevivente de 13 outras casas de cultura que existam há 15 anos atrás. os projetos é a gente mesmo que escreve, entra em editais, faz parcerias com prefeitura e governo, tem parceiros, mas a autonomia é da comunidade. e como isso aconteceu? aqui no fundo tinha uma piscina, quer dizer, cavaram um buraco, e fizeram uma praça, mas isso foi construido por conta da eleição, e já no segundo dia já tinha o apelido de pinicão pois nem inaugurou direito e a piscina estava cheia de gente, a grama tava solta. pisaram na grama pularam na água a má fama já começou aí. em 89 teve uma mulher aqui na comunidade, tuninha, que foi a pessoa que iniciou o projeto na casa de cultura, antonia fortuoza filisbino, que
participava de um grupo de mulheres, e começou a montar o centro da castelo branco, que é um bairro aqui em cima, onde elas faziam algumas atividades. o tc, que era músico em são paulo, morou sempre aqui na comunidade, e passando por aqui um dia ela chamou ele: "você nao quer dar aula de violão aqui?", até que o centro saiu do castelo e foi para a cobal. a cobal é uma espécie de subprefeitura, corta grama, faz calçada, encanamento. e quando a casa saiu da castelo branco e foi para a cobal, e era um puta espaço, mas a real é que : esse é o primeiro banheiro cultural da américa latina. iam transformar o local em depósito de alimentos da cidade - e hoje é arquivo morto. e quiseram colocar a gente numa casinha, iam alugar uma casa para a gente, para sermos subsidiados pela prefeitura para casa de cultura sobreviver. mas tc brigou com isso pra caramba, falou que ia morrer ali dentro, causar um b.o., mas que não queria uma casinha e sim um espaço nosso. nesse tempo, em 95, tuninha faleceu e tc ficou sozinho por um tempo. e então, aqui era a piscina e aqui o vestário, e os caras deram o banheiro para casa de cultura funcionar. um banheiro! e tc disse: esse é o primeiro banheiro cultural da américa latina. quando a casa veio para cá, para o que era um banheiro, em 21 de dezembro de 96, época em que eu também vim para cá, tocar com banda, e aí já não era mais piscina pois ela afundou, virou esse campo aí, e utilizamos o banheiro, que também foi mudando, ficou deste tamanho. e como conseguimos isso? via orçamento participativo da cidade, e através da coordenadoria de negros
tb entramos num edital e fomos beneficiados. mas como várias obras da última gestão em campinas também está parada. e somos nós que estamos acabando. por um lado é ruim e aí vc vê a caduquice do governo, dos projetos que vem de cima, mas de outro a gente vê que não é isso que vai parar a gente. porque se o prédio está com essa cara que vamos parar de fazer atividades que fazíamos num banheiro. agora com mais espaço é mnelhor. a história da cada é essa.
tainã significa caminho das estrelas, em tupy-guarani porque esse bairro se chama padre manoel da nobrega e atraves de um sorteiro virou casa de cultura tainã, prevalecendo um nome indígena, que foi ato de resistência, pois aqui é praticamente o centro de um bairro, de um lado nóbrega, garcia, aurelia, londres, do outro lado castelo branco. e periferia em campinas tem nomes lindos como vila rica, vila bela mas é tudo periferia feia, onde a criminalidade impera. repesentamos 40 mil habitantes. da aranquera para cá é o outro lado da cidade. em campinas temos uma história que é trágica. no arquivo de garden hall, na unicamp, tem algumas pesquisas que foram feitas na época da escravidão e o massacre aqui foi forte. então temos vários problemas para a comunidade se apropriar do que é dela. a própria história do samba no brasil tem uma participação grande de campinas, aqui é onde existia o samba de bumbo, que juntava a região de piracicaba, tietê, capivari, toda a região aqui de campinas, e o próprio samba em são paulo, geraldo firmo fala desse samba de bumbo aqui de campinas e a azabumba, que foi recuperada aqui na tainã telo tc que depois de 20 anos, começou a tocar samba de bumba de vinhedo, voltou a exsistir, tocar o samba lá, em função dessa recuperação dessa azambumba. então nosso papel é um pouco esse, interferir nessa realidade em que a gente vive aqui. temos praticamente 17 anos de história dentro da comunidade, tudo que a gente vê aqui foi montado com o esforço da galera mesmo, criamos barba, chegou aqui quando tinha 15 anos.
tem um projeto que está acontecendo agora, que ganhamos como ponto de cultura. é o projeto mocambos, uma rede de vários parceiros, como o pessoal do herbert de souza que é um cursinho pré-vestibular aqui perto, que tem uma antena gesac e que não conseguiu se candidatar como pdc, porém eles entraram na rede mocambos. e o que eh? troca de informacao tudo que passa aqui vai passar lá também. tem tambem o sao bernardo, o que eh? eh um dos primeiro bairro de negros aqui em campinas, a intenção é que a rede tambem chegue ate lá. tem em americana um projeto chamado tambor menino - vontade de vencer, que tambem tem uma antena gesac la e eh um ponto de informacoes la, e faz parte dessa rede que vai trocar conteudos e experiencias entre a comunidade, e abrir cada vez mais. entao tem um garoto que vinha aqui quando tinha 15 anos, que eh o deco, eh do 411, eh parceiro, trabalhando em hortolândia. em hortolandia a intencao e tambem conectar a comunidade na rede. entao a rede mocambo vai servir pra isso: sao trocas de informacao e trocas de conteudo. E aí eu vou falar pra voces, porque a gente toca tambor e fala de internet? e o TC vai falar pra voces, o TC foi o cara que lancou essa ideia, e essa idéia é a idéia roots mesmo: tambor, africa tocava-se tambor, certo? dai tinha uma tribo distante da outra que tinha um problema, e na outra tribo, do lado de la, tinha um curandeiro. dai essa tribo de ca precisava falar com a tribo de lah. e o que ela fazia? tocava. tocava, alguém ouvia, interpretava o som: tá precisando de ajuda. então o que é isso? a primeira internet! o tambor era a primeira internet, tá ligado? mas a diferença é que o tambor comunica a alma. essa é a diferença da internet para a internet-tambor. então a gente procura associar nossos trabalhos com o a experiência que a gente tem do ponto de vista africano, do olhar quilombola, por isso se chama rede mocambos, aproximar a comunidade neste sentido, recuperar nossa história, ter uma identidade cultural, racial e usar as ferramentas que temos à mão, internet, tambor de aço, biblioteca, ferramentas usadas para desperetar a consicência trabalhar essa filosofia que herdamos de nossos avós. o tc mesmo foi um cara que vivou num quilombo até os 9 anos, e a experiencia dele hoje chegou para a gente. eu nunca vivi a experiência de passar um tempo em um quilombo, eu conheço os quilombos mais urbanizados, então não conheço um quilombo. então vejo a tradição oral de um mestre, um griô, e tc é um griô muito em função disso, que é um pouco isso, possibilitar que caras de periferia, caras como eu, e outros que moram por aqui, ter acesso à sua própria história e isso ser multiplicado amanhã.
sempre tivemos a intenção de ter um estúdio nosso. agora lá em baixo vamos ter um estúdio, com uma sala enorme para captação e uma sala separada para bateria, em cima a técnica. a idéia é trabalhar com software livre, trabalhar com programa de tv, com rádio e gravar nosssa próprias coisas, ter um estúdio na comunidade. dentro dessa histórioa de orçamento participativo, tinha essa idéia de se criar um estúdio público. mas estudio publico nao e estudio livre*. quem vai controlar é a prefeitura. e a gente falou: nao, nao associo nesse projeto. pode participar da dsicussoes, por que é publico, mas a nossa história é ter o nosso estudio coma nossa cara, a cara da comunidade. o projeto fabrica de musica, entao quando a gente pensou no projeto da casa a gente colocou o estudio pra ser essa alternativa para fazer o nosso trabalho.
E em hortolândia estamos tentando levar computadores pra imagina uma galera cabeluda, tocando tambor?lá e manter contato com a galera. eles ja estiveram aqui. Foi massa... quando voltamos do Primeiro encontros de conhecimentos livres do piauí, voltamos com o maior gás, o tc numa viagem: vamo fazer esse evento chamado pajelancia-quilombolica-digital! entao o que é isso? é tudo ao mesmo tempo agora: é oficina grafiti, o que é hardware, o que é software livre, streaming, banda tocando, papel machê, e veio uma galera de hortolandia pra ca, e o que fizemos? gravamos, documentamos e fizemos os tambores deles aqui, para poder reproduzir para uma outra galera.
é isso. desculpa por não estar fazendo uma batucadadona, tá rolando uma batucada de cimento. a casa não tem horário para funcionar, mas a galera tá aí todo o dia, durante o dia. tá
alguém tem alguam dúvida?
- em quantas pessoas vocês são?
15, agora 15. a gente agora tem salário, via lei rouanet. é o projeto tambores de aço.
BARULHO DE BETONEIRA
[...]
a gente é independente mesmo. mas sempre tem uma galera que não gosta né? imagina uma galera cabeluda, tocando tambor, incomoda a vizinhança de vez em quando... os caras vêm sendo chatos mesmo, mas vai trabalhando com o tempo, tentando aproximar a galera, tentando criar os projetos e eles vêm, apoiam, mas vamos construindo historia, e isso não se pode negar. a verdade é a verdade. como e que os caras criam mentira?
- e a relação de vocês com a unicamp?
a unicamp, olha.. (risos), a gente conhece um brothers. a relação mais sincera que temos com eles, sem interesse politico, sem ser do lado negativo, sao as pessoas com quem temos a mesma fé, a mesma ideia, a rádio muda e tal. teve varios projetos que ja tentamos, mas que não são efetivos. hoje mesmo teve um pessoal da linguística, eles vão construir um site para a gente e iam fazer em ruwindows, mas vamos ensinar eles a usar software livre para fazer nosso site. e a galera topou. os alunos que vem aqui, menos os laranjas, os roots mesmo, os que sabem daonde vem, porque estão lá dentro, têm uma troca legal, mas sempre tem o cara que vem aqui como pesquisador. planilha, bota o oclinhos e fica pesquisando... não. tira o sapato e cai no samba. pára!então pegamos pesado. o cara que vem aqui filmar, aí filma e some com o vídeo. daí eu sou o chato a ir lá e enquadrar: então dom, cadê o filme? cadê a fita? então a relação com a unicamp não está escrita, é com as pessoas. eles estão muito trancados. a academia não está muito preparada para entender o que é o trabalho de comunidade. sinto muito mas a academia não vai me ensinar os 12 anos que estou aqui dentro. pode contribuir alguma coisa, mas não existe essa aliança. fica muito o conhecimento técnico, a teorização, e a prática mesmo é outra. e ao mesmo tempo não estamos fechados, procuramos nos relacionar com a unicamp, ter parcerias, mas nunca teve efetividade. sempre vem gente da unicamp aqui, faz anos, mas vai embora, e tem muitas pessoas que são de fora que passam um tempo aqui, 5 anos, e depois vão embora, então uma relação mesmo com a unicamp não existe. uma: tá escrita vc faz isso eu aquilo, não existe.
quando precisamos importar os tambores prá cá, nos procuramos os caras várias vezes, tá ligado? o pessoal da extensão... mas não funcionou. atualmente na formação da orquestra existe uma negra, a sonura, de trinidad e tobago, toca numa orquestra lá, que veio para cá com o instrumento dela, e ela também está no projeto. só que ela é uma aluna da unicamp mas não existe nenhum incentivo na vida acadêmica dela para que ela mantenha essa extensão aqui. imagina... que uma negra que vem lá de trinidad e tobago, vai parar na unicamp, encontra uma comunidade... não somos banda, não somos artistas da globo, não somos artistas.. o trabalho é simplesmente uma comunidade. mas a unicamp não chegou assim: nega vai lá abre sua cultura para aquela comunidade! em trinidad e tobago os caras são muito eruditos, de colonização inglesa, e aqui ela se sentiu em casa, tocamos salsa, merengue, calipso, uma coisa que é mais popular, para tocar a galera...
- já tiveram horta?
quem corta a grama é a cobal. e eles chegam às 7 da manhã e se não tiver ninguém, não rola.
casa de cultura é a nossa casa. me toca, e eu toco ela. para a gente sobreviver aqui dentro foi com show, apresentração e até hoje ainda fazemos isso.
- e sobre a pesquisa em cultura popular?
a nossa cultura, de fato mesmo, cultura de raiz, ela não chega para gente. conhece-se aqui o pagode mas não sabe o que é samba de raiz, conhece aqui o maracatu de chico science, mas não o maracatu na base, dentro do candomblé por exemplo. então quando falamos em pesquisar, falamos de pesquisa de uma forma não acadêmica, mas de conviver com a comunidade
que realiza aquela atividade. então pesquisar é isso, ir e conviver. para manter o projeto de maracatu aqui, tivemos oficinas com vários grupos, passaram aqui lá do recife, mestre ivaldo com maracatu nação estrela brilhante, mestre afonso do maracatu nação leão dourado, mestre chacon do maracatu nação porto rico. para entender o significado do tambor conversamos muito com o tc, falamos também com o nubumba, um cara que construía tambor com amarração de cordas, aprendemos com jassá, que deu aula de capoeira. então quando falamos de pesquisar cultura popular, isso nem representa o significado da coisa, pois o que a gente quer mesmo é saber o que está por trás daquilo que está ali, onde está a identidade, qual minha conexão com a áfrica, onde estão meus ancestrais... e hoje em dia a midia nao te diz isso. a mídia, se depender dela, tenho cabelo alisado, faço barba, bebo cerveja, janto, acordo às 8 e eu não sou xx, nãom preciso saber nada de mim, e o nosso trabalho é esse.
com as crianças que vem aqui, a gente teve um impasse, pois tem muitas delas que vêm aqui da igreja evangélica, católica.
e você vai falar de maracatu, e aí tem que falar de candomblé e temos que falar de religião final maracatu é religião, mas como vamos fazer esse link?
mas existe o respeito da igreja e a família. e por mais que não esteja escrito isso, quanto tocamos o tambor aqui, isso movimenta outras esferas, e por isso tem que ter um jeito de chegar no garoto, desmistificar aquilo para ele, de tentar fazer compreender que aquilo não é exatamente sua religião, mas que faz parte da história dele. pesquisa em cultura popular é basicamente isso. por isso trazer os mestres... há menos de 2 semanas atrás teve um cara aqui, do méxico que apareceu com um jambé e uma negra que dançava muito, passaram uma tarde inteira dando oficina aqui e voltarão em fevereiro. então várias histórias se acoplam, que as pessoas trazem, se somam à molecada...
parte da tarde
pajé
rádio interferência, thiago, meta pessoas que chegaram hoje e não recebeu boas vindas, pessoas que leram o cartaz, alunos do professor sérgio silva, pessoas que ficaram sabendo, boas vindas.
eu estou bastante animado e feliz com o que está começando hoje. e as pessoas que acabaram vindo e participando. ontem foi uma abertura muito calorosa e informal. no sentido estrito da palavra caloroso. pois então a galera ficou mais fresca da estufa da casa do lago. e o que a gente deve pretender fazer aqui hoje é falar e escutar muito. ontem os momentos mais eloquentes foram quando começamos a tomar cerveja, na balada, quando muitas coisas surgiram, nos instantes de festa, quando trocamos muitas idéias. e se for possípara abrir vel replicar isso aqui ouvindo e falando, que participassemos bastante. a idéia era não fazer uma mesa com 5 ou 6 pessoas mas que as pessoas ficassem aí e quando quisessem falar, levantar a mão e ir falando. gostaria de chamar o dalton, para abrir essa conversa barata e fácil. gostaria também da intervenção de vocês. o professor sérgio silva também vai chegar para falar um pouco. a idéia dessa mesa é uma que resume um pouco a idéia da conferência que é trabalhar as relações escondidas e intersexas entre teoria e porática e acho que dalton e metareciclagem tem muito a acrescentar sobre isso, mas deixo para falar mais tarde. orbigado por sua sua presença e bem vindo à unicamp
a idéia quando a gente estava discutindo o tema, e pensando sobre como vamos abordar essa questão a respeito da teoria e prática se há prática dentro da teoria se há prática dentro teoria dentro da prática, o que metareciclagem tem a ver com isso e como a gente se posiciona em relação a isso. vou dar um apanhado bem rápido do que temos feito com o nome de metareciclagem. metareciclagem hoje é o que se pode chamar de um conceito, que tem muito a ver com apropriação ou reapropriação tecnológica. por reapropriação tecnológica, a gente vem sempre tentando construir esse conceito, tentar entender o que é o que chamamos de reapropriação tecnológica e porque o metareciclagem faz isso. começamos o metareciclagem dentro de uma lista de discussão, o projeto metáfora, e dentro dela começamos a identificar algumas necessidades, conceitos e emergências em termos de práticas em relação a projetos sociais, comunitários no campo da inclusão digital. e a gente sentia um problema muito sério que era quando as pessoas chegavam e falavam assim: nós vamos construir um projeto de inclusão digital, ou vamos construir um laboratório de informática, vamos dar cursos, abrir um telecentro, dar acesso à informação. mas e a apropriação tecnológica? como que eu me aproprio dessas ferramentas? ou melhor, estou me apropriando dessas ferramentas ou simplesmente ampliando um mercado de acesso à mídia de massa? ou ampliando um mercado de acesso à um campo de consumo que tecnologia de informação tava me trazendo? aí num dado momento chegamos na idéia de trabalhar com a apropriação de tecnologia dentro das máquinas, como se apropriar do hardware. porque não abrir o hardware, porque não reinventar esse hardware, porque não adaptar, reintepretar esse hardware? então metareciclagem surge dentro de um contexto aonde a gente queria construir o conceito do hardware livre. quando o meta recebe uma doação de computadores, eles podem ser abertos, as máquinas podem ser desmontadas, podemos buscar elementariedades dentro dos computadores, sejam de placas, de peças, sejam de cabos, circuitos, motores etc. e o metareciclagem comereapropriação tecnológicaçou como uma comunidade de prática, como um grupo de pessoas que se reuniam em torno interessses comuns, que basicamente eram descontruir hardware, montar novos computadores, bolar novas idéias com aquela tecnologia que a gente estava desconstruindo, tentar bolar novos sistemas computacionais, novos usos para aquela eletrônica das peças e como que a gente podia traduzir isso dentro do cotidiano e tambem como podíamos construir projetos que pudessem se apropriar dessa tecnologia como mecanismo de geração de trabalho e renda. então começamos praticando isso, recebendo doação de máquinas, desconstruindo máquinas, tentando bolar novos mecanismos, nos apropriamos do software livre como metodologia de camada lógica para operacionalizar aquele hardware que estavamos tentando desconstruir. isso foi no final de 2002 começo de 2003 e de lá para cá os projetos começaram a acontecer, seja dentro de escolas de ciência, telecentros, seja dentro de governos, entidades privadas.. e a idéia começou a ser trabalhada. neste ponto, quero chamar a atenção para um lado teórico dessa história. caiu na minha mão um artigo de um texto que o ricardo rosas estava lendo e ele é bem próprio, e se chamava apropriação da tecnolreapropriação tecnológicaogia ou tecnologia reaproprida, que divide o conceito de apropriação tecnológica em três momentos. e aí foi muito interessante pois tambem pudemos reinterpretar aquilo que chamamos como metareciclagem e também tentar conceituar isso dentro dos três momentos. e esse artigo diz o seguinte: a apropriação tecnológica, em um primeiro grau, se dá com a reinterpretação da tecnologia. e o que é reinterpretação da tecnologia? eu posso pegar um computador e pintar essa máquina, ou eu posso fazer um grafite numa parede, um desenho, ou mexer esteticamente nesta tecnologia, eu estou reinterpretando essa tecnologia, apesar de que o uso dela continua sendo o mesmo para o qual ela foi proposta. ou seja, o computador continua sendo usado como uma máquina de digitar texto, acessar a internet, enviar e-mail. esse é o primeiro grau, reinterpretar a tecnologia. então eu posso me reapropriar, através desse processo de reinterpretação. um segundo grau de apropriação tecnológica se daria quando eu começo a adpatar a tecnologia. então neste momento eu consigo partir do conceito constitutivo da tecnologia como objeto de uso para determinadas tarefas, e adaptar aquela tecnologia para contextos que fazem sentido dentro da minha realidade cultural. neste ponto, eu posso imaginar por exemplo o software livre. posso imaginar que eu pego elementos de um software, elementos de um outro software, e adapto aquele software para minha necessidade. e aí eu trabalho dentro de um conceito aonde eu coloco minhas necessidades específicas, sejam elas pessoais, de um grupo, coletivo, de uma comunidade. esse é o segundo grau de apropriação tecnológica. o terceiro grau de apropriação tecnológica é a chamada reinvenção. então eu pego uma tecnologia existente para um determinado fim. um exemplo que estamos fazendo hoje dentro do metareciclagem, eu pego um floppy de computador. esse floppy foi criado, projetado, desenhado para ler disquetes. dentro da cabeça das pessoas que projetaram o floppy, o uso dele era esse. a partir do momento em que pego esse floppy, desconstruo esse floppy, eu estudo a elementariedade pela qual ele funciona e através do qual se dá a integração de suas partes, eu invento por exemplo um carrinho. e através desse carrinho eu crio movimentos, eu controlo os motores de passo, eu desenvolvo um software para reinventar aquela tecnologia, e aí eu extrapolo os limites conceituais pelos quais aquela tecnologia foi concebida. esse é o terceiro grau de apropriação tecnológica. então, quando a gente tá falando de se apropriar de tecnologia, e até antes dessa palestra eu fiz essa pergunta para algumas pessoas: o que você entende por apropriação tecnológica? a gente tá falando de algum, ou talvez existam outros níveis de apropriação tecnológica, que a gente também pode estar discutundo aqui, mas dentro de minha compreenssão, a gente está falando de um desses níveis. e o que acontece? quando eu me aproprio da tecnologia estou de uma certa forma reinterpretando, adaptando ou reinventando. e dentro do que a gente faz no metareciclagem, e esse é o lado teórico da coisa, a gente começou a perceber que esse processo, seja ele de reinterpretação, adaptação ou reinvenção tem um lado econômico, que tem um grande potencial de reverberar para o lado financeiro, aonde eu começo a construir um caminho de aproprioação tecnologíca que efetivamente pode ser levado, em alguns casos, em contextos especificos, para geração de renda, autonomia e aquilo que podemos chamar de sustenção dentro de um projeto que desenvolve tecnologia. quando a gente sacou isso dentro do metareciclagem, a gente percebeu que para que a gente conseguisse imaginar
MICROFONIA
eles estão ligando o microfone sem fio aqui para que a gente possa falar andando pela platéia.
então quando você começa a perceber que a questão da apropriação tecnológica como sendo um elemento que pode derivar para um projeto ou uma circunstância de construção cultural que leve à essa integração econômica, financeira, e que isso pode levar para a sustentabilidade, você também começa a pensar em como construir políticas públicas, em como construir pesquisa e desenvolvimento, apropriação tecnológica, em cima dessa idéia de apropriação tecnológica. então você passa a sair de um modelo aonde as pessoas que pesquisam e as pessoas que desenvolvem a tecnologia são efetivamente os designers daquela tecnologia, ou seja, fazem parte do time de desenvolvimento da empresa, de concepção tecnológica daquele produto para reintegrar esse produto e essa tecnologia numa nova escala. ao fazer isso, o que acontece? a gente começou a perceber que esse processo também derivada de necessidade dos usuários daquela tecnologia de extrapolarem seus limites e muitas vezes essas necessidades também tinham um cunho econômico, financeiro, no sentido de que uma série de circunstâncias sociais e culturais eu não tinha condição de financiar determinadas idéias e projetos. e a partir das possibilidades de construção e apropriação tecnológica eu criei novos mecanismos. isso se traduz, dentro do metareciclagem, do que chamamos de apropriação tecnológica, de uma prática de você, ao momento de montar qualquer estrutura tecnológica você partir da desconstrução dela primeiro. por exemplo, se a gente vai montar, o que hoje pode ser conhecido como um telecentro, a última coisa que vamos fazer é colocar os computadores nos lugares para os quais eles são designados e a ultima coisa que vamos fazer é operacional esse computadir para acessar a internet, construir um texto ou editar uma imagem. a primeira coisa que vamos fazer é descontruir a tecnologia, é desmontar essas máquinas, perceber que dentro delas há uma série de tecnologias embarcadas que a gente dá o macro-nome de computador, mas isso é apenas um conceito. e que essas tecnologias embarcadas podem ser desconstruidas isoladamente. então no momento onde você abre uma caixa de uma doação, você separa teclado para um lado, mouse para o outro, computador para um lado, monitor para o outro, voce integra os computadores dentro de uma escala de teste aonde voce precisa abrir esse computador, tirar um floppy, trocar uma fonte, mexer na memória, abrir o floppy, mostrar o uso de um microprocessador que está dentro do floppy, que você nao concebia ele pra outra coisa, pra movimentar o motor, você mostrou o caminho de apropriação tecnológia. que parte dos três principios. por quê? porque eu posso reinterpretar essa tecnologia a partir do momento que eu me aproprio esteticamente dela, seja pintando essas maquinas, seja imaginando uma disposicao diferente para essas maquinas, seja locando essas máquinas numa outra condição estrutural fisica. eu adapto essa tecnologia a partir do momento que eu construo rede com thin clients ou que eu customizo o software que vai entrar no computador, ou eu tiro o HD da minha máquina e posso operar essa maquina como um terminal leve, e posso fazer ela funcionar dentro de uma outra topologia de rede diferente do qual ela foi concebida, eu estou adaptando, eu estou reinventando a partir do momento que de um computador eu construo um jogo, ou eu construo ou uma máquina que vai operar um tabuleiro, ou eu construo carrinhos que podem entrar em uma outra dimensão de interacao tecnologia. então, resumindo aquilo que eu queria colocar: quando a gente estiver dentro de um contexto de pensar em apropriação tecnológia, primeiro pensar dentro de qual nível a gente está interagindo, como eu estou me apropriando tecnologicamente de tal recurso,
ou será que o meu grau de interferência naquela tecnologia está se dá no limite pelo qual eu conheço? será que não existe um grau além? será que eu não consigo buscar uma elementariedade além? e sem, é claro, imaginar que eu vou chegar na elementaridade básica? por que isso é um/CORTE/
o que a gente consegue perceber hoje é todo um movimento da indústria tecnológica
de também apropriação da interferência dos usuários, quer dizer, aquilo que os usuários criam como design, aquilo que os usuários criam como conceito tecnológico passa a incorporar o próprio produto, e passa também a ser uma relação dual com a indústria. quer dizer, a criatividade, a invenção, entra dentro do circuito da concepção tecnológica, e entra no conceito de apropriação do design, né? então esse é um movimento que ele tem, hoje, uma evidência muito forte naquilo que a gente vê acontecer dentro das comunidades de software livre, evidentemente, porque conceber o design de um software é muito mais simples, muito mais imediato do que conceber o design de um robô, e ele se dá de uma forma totalmente digital, e eu consigo compartilhar ele mais facilmente, mas o que eu coloco como sendo fundamental para nossa prática tecnológica é extrapolar essa apropriação tecnológica, é entrar dentro desses três níveis profundamente e radicalmente na nossa prática de uso da tecnologia. quer dizer, quando eu sento para usar meu laptop, para ver o meu computador, será que aquela disposição física é a disposição física que eu concebo como a minha prática de uso da tecnologia? será que a construção espacial do local aonde estou pensando para a prática da minha construção de conhecimento através da tecnologia é um espaço que efetivamente estou me apropriando dele? então levar esse conceito da apropriação um pouco mais a fundo, um pouco além dentro de nossas práticas. porque senão a gente senta naquelas baias de computador que parecem cochos, a gente não vê as pessoas estão ao lado, manda emails uns para outros, constroem todo um processo colaborativo que se dá no espaço online, e a gente não consegue se olhar um nos olhos do outro, que estamos sentados um do lado do outro. e o processo imersivo se dá ali, dentro do espaço aonde estou ocupando e é onde eu ocupo com a minha construção tecnológica. então o que eu quero deixar como discussão e lançar isso como idéia é o que a gente tenta fazer hoje dentro do metareciclagem é praticar isso, praticar a apropriação tecnológica efetiva e não apenas construir espaços para acesso à tecnologia. isso é muito aquém das possibilidades que nós temos hoje como prática. e eu diria mais,
usando como exemplo o que se faz hoje no projeto pontos de cultura, do ministério da cultura, isso também pode ser política pública. apropriação tecnológica pode ser e é política pública dentro de uma compreensão um pouco mais ampla da apropriação tecnológica e da inserção da tecnologia dentro dos campos de difusão cultural que nos vemos hoje acontecer no Brasil. então nós temos de uma certa forma uma intensa responsabilidade sobre essa prática pois somos atores em algum sentido desse processo, e temos também uma intensa responsabilidade em mostrar isso aqui dentro da universidade, da academia em como esse processo pode interferir em outras áreas, inclusive difundindo eixos de apropriação tecnológica para uma grande interferência dentro do mercado econômico, financeiro, corporativo que existe hoje à beira de todo esse processo. então faz parte do nosso processo integrar isso dentro do pensamento teórico que era o que motivou esse encontro, o teórico e a prática, mas sim radicalizar a nossa prática em termos reflexivos de como estamos nos apropriando da tecnologia senão caímos na situação de usar o debian e o firefox na nossa máquina mas quando aparece um bug a gente dá cancel por que dá trabalho reportar o bug no bugzilla, porque dá trabalho entrar na comunidade e mostrar o ponto falho daquela tecnologia da qual estamos participando. pensar isso sobre a nossa prática. qual é a nossa prática de apropriação tecnológica? efetiva, no dia a dia, no uso do hardware do software, e da colaboração em rede, e como podemos transferir isso no campo teórico para construir essa ligação entre as pessoas e entre esses atores. então acho que é isso. não sei se a gente abre para perguntas agora...
- só uma localização, você usou uma expressão que é metodologia de camada lógica? poderia especificar?
essa história é uma história antiga. é um papo que vem lá de pierre levy, século XIX, um conceito quer se originou dele, que falava que para que você tenha a liberdade de informação você precisa construir a tríade da informação livre. para construí-la você precisa de uma camada estrutural aonde você tem que ter computadores, cabos, máquinas e laptops, e tudo aquilo que for estutural, que é a camada física. você precisa ter uma camada lógica, que é um software operando em cima da camada física, e num terceiro momento, uma camada de circulação e colaboração em cima da informação. e aí você construiria a tríade da informação livre. seria isso aí.
- O: o artigo que você mencionou sobre reinterpretação, adaptação e reinvenção que menciona as três apropriações, qual o autor do texto?
- D: você lembra rosas?
- R: Brown Herbish
- D: eu tenho a url do artigo depois eu posso jogar aí...
- O: você falou em outros níveis de reapropriaçao. vocês estão pensando a partir de uma base, a base do Hackler, o primeiro momento, o primeiro experimento que vocês estão fazendo de como ele funciona. Agora, a partir do momento que você tem essa imagem da uma sensação, que nem você falou de a partir dali você vai replicar o que são essas três etapas, esses três conceitos que são da metareciclagem... vocês trabalhando com o conceito de apropriação mataforica junto com a ideia de reapropriacao? Como e que vocês jogam?
Dalton: Sim, eu diria que sim. Na verdade o seguinte, você so consegue fazer uma reinterpretacao da tecnologia como primeiro grau de apropriação tecnológica se você invadir o campa da metáfora. Se vocês entrar no campo da metáfora você constrói todo um simbologismo, ne? E, se vocve levar no limite uma semiótica em cima da historia, que permite eu me identificar com aquilo de uma outra forma, então eu construo um significado diferente para aquilo. Entao sim, eh... inclusive uma discussão que a gente tem intensa dentro do metareciclagem eh, por exemplo, são as metáforas de explicação quando eu vou falar da tecnologia. Pó, pega um computador “ah um computador eh como se fosse uma maquina de escrever”, ou o notebook, porque tem esse nome notebook? O mouse... como eh que eu dou novos nomes para aquilo, neh? Como que eu chamo, como que eu explico o que eh um HD dentro de um computador sem ter que usar a velha metáfora de um fichário de arquivos, que eh uma puta coisa que vem de uma metáfora de desktop, de escritório e que muitas vezes a pessoa nem conhece aquilo, nunca nem viu um fichário de arquivo, neh? Então sim, a gente tem um trabalho quer eh lento, que eh delicado, mas que eh de repensar as metáforas, tanto que o metareciclagem se originol do projeto metáfora.
-O: ultima perguntinha assim. Quando você fala “a gente faz um processo de desconstrução tecnológica”, ha uma construção de referencial teórico a partir de um conceito de desconstrucao? Como eh que vocês lidam com os discursos sobre desconstrucao que não são os discursos apoiados na tecnologia. Vocês fazem a conexao disso ou essa idéia de ter uma comunidade de pratica vai direta da interação para a construção de conceitos?
Dalton: o processo de desconstrucao ele surgiu de uma necessidade pratica. Para montar novos computadores era necessário canibalizar outros, então a gente tinha que sacar muitas vezes um transistor de placa para colocar em outra para que aquele transistor pudesse suprir uma necessidade. Então ela começou de uma pratica, o fato de eu ter que pegar doações das mais diversas possíveis e a partir destas doações, que tem realidades tecnicas das mais diversas, eu poder construir novas maquinas, me levou a partir para a desconstrucao, depois, a gente começou a perceber que este processo de desconstrucao estava na pedagogia, esta lah em Paulo Freire, e os caras jah estão falando isso ha décadas e tem tudo a ver com isso. Quer dizer, como eh que eu trago esse processo do Paulo Freire, como eh que eu trago as idéias do Piaget, e por ai vai embora. Como eh que eu entro com isso dentro deste processo? Mas o que a gente acha muito bacana eh que a metáfora surgiu na pratica neh? O canibalizar, o desconstruir... enfim, tropicalizar que seja, em homenagem ao Cláudio que esta aqui do lado. Como que eu posso fazer isso surgiu da pratica, da experiência de um dia a dia de um laboratório de metareciclagem, que eh uma coisa maluca porque cada dia chega um equipamento novo, e muitas vezes você pega três quatros técnicos olhando para um hardware e se perguntando “o que eh isso?”. A gente nunca viu aquele hardware, então eh como você imaginar um cara de Jupter e dar para ele um computador onde ele nunca viu um computador, ele vai falar assim e agora, onde eh que liga? O que que eh isso aqui?”. Então você parte desta pratica.
Ruiz: então beleza Dalton, vamos botar você na fogueira meu caro. Eu queria saber o que vem sendo escrito, realmente teorizado a respeito de galeras que estão trampando nisso que vai da relação maluca que o Pajé estah levantando ali. O Cláudio chegou e falou assim “Pó eh uma conferencia onde se estah falando o que a gente jah conhece pra quem jah conhece”, não eh uma conferencia que eu quero saber de quem a gente conhece o que eles estão sabendo saca? Então eu queria saber o que realmente esta sendo feito a respeito disso, tipo de mesclar todas as ações praticas, não soh de meta mas de reapropriacao que teve disso, o que estah sendo realmente produzido e quanto estah sendo produzido e porque não estah sendo produzido?
D: em termos teóricos?
R: sim.
D: aquele cara ali, que talvez você deva conhecer chamado Felipe Fonseca, o tal do FF. Na verdade o seguinte, dentro daquilo que a gente chama de metareciclagem a gente sempre teve uma grande tendência a ignorar a construção teórica, porque a gente sempre achava que a universidade era um saco, que os acadêmicos eram extremamente sacais e que se a gente parece o nosso tempo de produção em laboratório e ficasse escrevendo artigo, isso ia ser extremamente brochante. Então, durante algum tempo a gente evitou fazer isso, apesar de que as discussões de boteco eram extremamente teóricas e dentro da lista a gente entrava com vários caras que pudessem influenciar a pratica do processo. De um tempo pra ca, eu diria mais ou menos de um ano para ca, isso vem se invertendo e eu diria mais, ateh tem u pessoal da Índia que estah aqui, isso vem sendo influenciado muito por causa deles, porque quando o Felipe foi pra lah, e você acho que inclusive estava junto, a fala do Felipe quando ele voltou foi marcante para mim no seguinte sentido “cara eles são muito profundos” e a gente estah mutio centrado na pratica, então a gente tinha muito um xemele, a gente conseguia catalisar o processo, fazer eventos, festas, laboratorios, etc. Mas quando o Felipe esteve na Índia ele se sentiu acoado em termos teoricos, então a gente sentiu que era o momento de parar e começar a escrever. Bom, sendo pratico, onde estah isso? Dentro do nosso wiki, ou seja, www.metareciclagem.org, estah começando a brotar uma serie de artigos que tem cara de artigo acadêmico para ser submetido para congresso e etc. Parte por influencia do IPTI, o que eh super positivo e parte por influencia deste processo que se originou na Índia com a ida do Felipe no ano passado. Então, dentro do wiki você acha, por exemplo, um artigo que eu e o Cláudio começamos a escrever, que eu passei o inicio deste artigo para o Cláudio que eh a respeito da construção de designe colaborativo, tem um outro artigo sendo produzido que fala de todo este processo de apropriação tecnológica que eu vim falar aqui. Então tudo isso a gente estah começando a construir artigo que podem entrar em capítulos de livros, tem um artigo que foi enviado para o Rosas para o livro da Submidiologia. Então a gente jah começou também a mesclar este processo de pratica, ou seja, tah, tudo bem, ir para o lab todo dia trampar eh fundamental, articular a rede eh fundamental, mas também para um tempo para escrever eh fundamental. Eu puxo a minha orelha particularmente neste processo porque eu demorei muito tempo para sacar isso, quando alguém falava assim pra mim “tem um cara da universidade...”, pó meu eu vim da universidade, os caras são muito chatos, eles estão falando de Pierre Levy jah faz vinte anos e ai neh?. Então eu acho que foi ate uma certa arrogância nossa ao não reconhecer este caminho, mas que agora vem sendo remixado.
Tati: Ao mesmo tempo tem uma documentação supere tensa neh? Muita foto, muito relato de tudo o que aconteceu. Então mesmo que não tenha esta reflexão critica tem um documento, tem uma historia ali sendo escrita.
Dalton: eh, se alguém entrar no site e se lançar sobre o que estah ali escrito, ele vai achar muita informação, mas muitas vezes desconexas, tem historia que não estah concluída, tem foto que não fica claro de onde eh, mas tem informação lah, tem alguns elementos neh? O que falta eh o processo de integração disto, que acho que eh costurar isso e dar um arcabolso mais teórico para isso.
Ruiz: eu lembro que você falou que o Felipe so conseguia fazer o xemele, não eh todo mundo que entende, eu queria que voce explicasse o que eh xemele. E depois a Tori que se aprofundou ali no wiki do meta ai durante uma semana pra escrever um artigo dela e tal. Então eu queria que você falasse o que eh xemele pra quem não sabe e depois a Tori falasse a respeito do que foi que houve no meu disso no wiki pra ela escrever o artigo.
FF: Tah, soh voltando um pouquinho no tempo assim no projeto metáfora ainda. O Xemele começou como uma bronca, uma vez estávamos pensando em tecnologia, pensando em novas maneiras da tecnologia, enfim, se falava sobre RSS sobre Feed, sobre, enfim assuntos técnicos de RSS, XML, protocolos e esse tipo de conversa, e de repente, chega um cara que era um engenheiro que estava fazendo mestrado na UNICAMP e começa a falar sobre criar robôs e distribuir e coisas assim, soh que o pessoal que estava no metáfora, tinha programadores, tinha desenvolvedores, mas tambem tinha jornalista, educadores, designers. Então era uma galera que tinha repertórios bastante diferenciados e ai alguém chaga pra esse cara e fala “oh Xemele esta conversa”, ou seja, fala de uma maneira que todo mundo entenda. Então tem essa coisa assim que eh XML, que eh protocolo de conversa de diferentes sistemas e xemelizar conversas eh dizer fale de uma maneira que não soh técnico entenda. Então o Xemele surgiu desta idéia de conversar coletivamente mantendo um nível de conversa que não fique restrita a especialistas, pra quem sabe o jargao.
Ruiz: Agora a Tori.
Tori: eu não entendi o que você me perguntou!
Ruiz: O Dalton falou que agora estah sendo produzido um material no wiki do meta e que tem muita coisa lah que jah tem uns formatos semi acadêmicos, teóricos e que se a pessoa mergulha naquilo um tempo consegue ter um feedback das coisas. E você se enfiou no wiki ali a umas três quatros semanas para escrever um texto e sair um texto. Então sua experiência no wiki tem a ver com o que ele estava falando, então...
Tori: então, eu li assim a parte de perguntas e respostas assim: o que eh a metareciclagem? E eu achei bem claro. E depois eu mergulhei um pouco na parte de replicação, o que que são as terminologias e eu fiz um remix, foi assim, eu juntei informações de diferentes partes e organizei um pouco e foi isso, não teve mistério.mas foi muita coisa sobre a experiência então misturando os novos conceitos que tem sido criados dentro do projeto, tipo não vamos falar de TV digital, vamos falar disso, não vamos falar de telecentro mas de outra coisa e foi isso, não sei mais o que falar agora, desculpe eu não estava preparada.
Dalton: Você perguntou se Xemele eh utópico? Xemele eh um grau de evolução. Ele falou que Xemele eh utópico e eu diria que Xemele eh um grau de evolução.
FF: sei lah cara eu acho que não eh utópico a medida que eh uma coisa que acontece no dia a dia, não eh uma coisa aonde se quer chegar, n ao eh um estado avançado, enfim não eh utópico porque não eh objetivo, não eh onde você quer chegar, o que seria ideal, eh uma coisa que se processa no dia a dia, eh mais uma pratica do que utopia.
Pajé: mas onde voces querem chegar com tudo isso? Eu quero saber aonde vocês querem chagar com tudo isso...
CP: reinventando a felicidade, este eh o barato.
Pajé: então a reinvenção eh onde a gente quer chagar e a felicidade também. Eu quero saber assim onde que a gente vai acabar. Vocês estavam falando essa coisa assim de reapropriacao e tal e... vamos pensar uma coisa: tem, sei lah, dois três, quatro laptops abertos aqui, todos eles estão usando software livre [provavelmente, ali eh Mac (discussão sobre o software adotado). O que que... qual eh a idéia por trás disso? Qual eh o seu processador?
R: motorola.
Pajé: processador motorola no mais novo kernel. Qual eh a idéia por trás disso? Vocês não vêem? Não cai nada pra vocês assim de “estou usando um processador motorola, um cd da sony e uso um software livre com trabalho colaborativo!”, isso não desperta nada em ninguém? E ai? O que que h? O que significa estar de portas abertas com o software livre? O que que significa fazer soh um softaware livre por exemplo? O que que eh isso? Isso que eu queria ouvir um pouco de vocês assim, se existe uma idéia por trás do software livre qual eh a pratica a ser levada a cabo pra isso?
Ruiz: eu acho que tem o que o Dalton falou de como se da sua participação entendeu? Então o que você esta fazendo, como se da sua participação e não o que você estah fazendo, então eu estou usando isso aqui porque? Eu estou compilando o kernel pata ter um melhor kernel? Não porque ai os powerspcs poderiam ter um kernel habil a fazer stremming de vídeo o quer eh complicado saca? Então o que o Dalton falou: como você contribui nesta historia saca? Você aperta o report do bugzilla toda vez que da pau no seu firefox? Se não aperta porque? Se você não aperta então você não entendeu a relação? Então eu acho que muito mais do que responder o que que quer eh muito mais como voce3 esta dentro do processo e xemelizar o software livre ou qualquer tipo de reaproveitacao tecnológica.
X: você esta satisfeito com a sua parte?
Ruiz: olha eu não chego a estar satisfeito, por exemplo, agora eu gostaria de compilar meu wifi que não esta sendo nada fácil não, mas e ai? Eu to fazendo a minha parte, são meus dois centavos.
FF: mas tem uma conversa que rolou ha uns dois anos no SENAI. Uma palestra sei lah de quem, mas uma conversa que era sobre o software livre, sobre como assim, o que existe de revolucionário no software livre acontece de maneira descentralizada, quer dizer, não são pessoas que tem o objetivo de fazer o melhor browser do mundo, o melhor software do mundo, mas são pessoas resolvendo seus problemas locais, o próprio objetivo da evolução do software livre ela eh um bando de pessoas que quer resolver pequenos problemas e isso de uma maneira emergente acaba criando um contexto que eh revolucionário, mas eu acho que eh uma outra maneira, uma maneira emergente de enfrentar as coisas que varias pessoas tem em comum. Então isso que você falou de quero compilar meu wifi, isso eh uma coisa que eh grande, tem varias pessoas com o mesmo problema e essa forma de organizar que eh diferente.
CP: Software livre! Eu pensei que isso não ia ser discutido aqui mais. Software livre eh uma coisa que eh a ponta de um iceberg, a gente tem que sair deste papo e entrar para o que efetivamente esta acontecendo. Ha uma mudança da ética no planeta, esta eh a questão que esta por trás disso. Software livre eh o resultado de uma nova postura ética das pessoas trabalharem de forma colaborativa, o que vem por trás disso não tem a ver com software, tem a ver com uma mudança que acontece no planeta, isso aqui eh a ponta do iceberg mais nada.
Ruiz: isso aqui não, o software livre.
CP: eh, tudo isso também!
Dalton: eu acho que quando você fala de onde a gente quer chegar com tudo isso e o Cláudio trouxe agora esta questão ética. Eu acho que, na verdade, o que a gente esta falando em termos de reapropriacao tem a ver com novas praticas e ai sim entra essa historia da teoria, novas praticas amparadas em uma ética e novas praticas que vao interferir em toda a minha relação com a sociedade, com aquele grupo do qual eu faço parte, a minha colaboração, a forma como eu colaboro, a forma como eu interfiro. E eu acho que isso extrapola e , sem duvida nenhuma os limites do software jah foram extrapolados e estão sendo extrapolados cada vez mais em outras posições, mas eu acho que interfere sim as praticas do nosso dia a dia, quer dizer: como que eu me relaciono dentro da comunidade? Resgata um espírito tribal, resgata um espírito... tanto que você pega hoje pessoas que estudam questões de direitos autorais etc, e aonde que os caras começam a estudar o roots disso? Nas tribos da Austrália e nos índios norteamericanos de como eles se referenciavam aos seus mitos, por exemplo, você vai para tribos da Australia e eles construíam totens de forma coletiva e aquele totem era um meio de acesso a espíritos e soh quem detinham o uso daquele totem podia acessar a esses espíritos e as pessoas trocavam totens para acessar espíritos diferentes. Cara, isso eh creative communs!
Pois eh então acho que tem tudo a ver essa historia da ética.
Peje: por gentileza vamos nos apresentar e tal!
Antonio Abulquerque: eu sou o Antonio Abulquerque trabalho no ministério do planejamento em Brasília no Distrito Federal. Eu acho que o desenvolvimento da sociedade, ela estah muito marcada pela questão da acumulacao capitalista, do dinheiro. Todo processo hoje de desenvolvimento tecnológico, ela tem na questão do capital, no processo da mais valia de produção capitalista a essência. Que dizer, a fronteira tecnológica, o caminho, a trajetoria tecnológica ela esta sendo determinada hoje pelos grandes grupos econômicos que detem 70% do comercio internacional. A gente viu recentemente o governo Lula quebrar a patente do remédio para AIDS porque a industria nacional tinha as condições de produzir o remédio, existe uma necessidade social de se produzir este remédio, não se tem esse remédio na oferta e no preço da necessidade da sociedade brasileira e porque isso? Porque ha o patentiamento do fornecimento o que foge a uma questão ética, porque a questão econômica esta a frente da questão social. O que estamos pensando com a questão do software livre eh fazer i processo de contra revolucao no sentido de colocar a ética em primeiro lugar, dizendo o seguinte: olha a tecnologia que esta se produzindo não esta atendendo e não esta resolvendo os graves problemas sociais do nosso povo. Muito da tecnologia que eh produzida, da ciência que eh produzida nos paises de terceiro mundo tem muito pouco a ver, se aproveita muito pouco socialmente dos seus resultados. Foi como o Dalton colocou na sua palestra dizendo olha o pessoal da academia, pessoal chato... porque que eh chato? Eh chato porque esta distante da realidade social, eh chato porque não tem uma ligação próxima, esta muito distante, se torna chato... ou chato porque não entende, ou chato porque ... CORTE NA GRAVACAO!
Ruiz: realmente. Como se pode rolar uma aproximação, por exemplo, de academia com questões sociais ou então de, sei lah, políticas publicas com questões sociais. Mas vamos falar da academia que eh a primeira questão ai. Eu não sou acadêmico, tem algum acadêmico de plantão ai? Por favor quebre essa.
Pajé: tem uma coisa. Acho que a gente chegou em um ponto interessante jah que a gente considerou. Jah que tirou um pouco o software livre um pouco do centro da coisa assim, e eu concordo com o Cláudio Prado, acho que temos que dar um passo a frente, mas acho que o mais importante eh o que que esta por trás disso que eh muito loco na historia não eh nem tanto a pratica, não eh nem tanto você aprender a mexer, não eh nem tanto a linha de comando eh a idéia por trás disso, ai a gente conecta com o que a gente propôs aqui nesta mesa, quer dizer: o cristianismo, Jesus e os doze amigos dele lah, eles tinham uma grande idéia para publicizar. O capitalismo eh uma grande idéia, clube de futebol eh uma grande idéia, quer dizer: onde he que esta esse embazamento que não eh material, que não pode ser mexido e remexido, mas ele eh trocado, ele eh intercambiado, ele eh editado e reeditado, etc. Isso talvez seja o ponto mais importante. Onde entra a academia nesta historia? Ha uma idéia como o Iluminismo, ou como A Industria Cultural, ou como saca? Todos esses chavões e etc, são idéias, o cara pegou e fez um trabalho de escrever um livro, dois livros e isso passou a ser um idéia intercambiada por todos ao mesmo tempo, e ai? Se a gente trabalhar com o conceito de distribuição, colaboração; a gente esta misturando de uma forma muito ambiciosa essa relação entre pratica e teoria. Essa separação jah eh uma coisa que, na minha opinião, eh difícil de ser feita, mas se você pensar que o que esta por trás desta historia eh uma idéia muito forte e de que eh um aprendizado, uma cognição muito forte ai eu acho que começa a ficar interessante.
FF: que idéia eh essa?
Pajé: idéia qual que eu falei? Da industria cultural ou do clube de futebol?
FF: você falou que por trás tem uma idéia muito forte, que idéia eh essa?
Pajé: as idéias são muito fortes por trás de uma coisa, se você tem, por exemplo, a gente começou a falar de software livre..porque que a gente começou a pensar “ poxa tive uma idéia, vou dar uma mordida nesta maca e passar aqui pra trás ao invés de eu comer ela inteira ” , se essa pessoa também pegar a mesma idéia que eu assim vai e vai. Quer dizer, eu estou falando da importância que a idéia tem...
FF: como se explica essa idéia, de colaboração, de conhecimento livre, o que que é essa idéia, o que passa por isso?
Peje: então eu acho que isso é um dos pontos mais difíceis e espinhoso para nos aqui. A gente meio que tem muita certeza do que a gente faz saca? Eu sei o que eu estou fazendo, eu sei que isso que eu estou fazendo é bacana, eu sei que eu vou conseguir atingir algumas outras pessoas. Mas pó, eu não consegui chegar numa conclusão com o Cris Scabello sobre mapeamento ou não mapeamento , nem o conceito de mapeamento para ele eh o mesmo que pra mim, entendeu? Ai estava eu o Cris e o Thiago conversando ontem, eu não sei qual é a idéia das pessoas sobre isso saca? Esse é o ponto mais espinhoso, acho que eu gostaria muito de conhecer...
CP: Você sabe a tua?
Pajé: não eu estou atrás dela...
CP: Pó, mas você vai passar o resto da vida assim, eu garanto pra tu que depois do sessenta você aprende que você não sabe mais porra nenhuma mesmo, de verdade, mas tudo bem cara, pra que que você precisa desta resposta? Este é o problema da academia, precisa de respostas, deixa rolar cara, manda ver...
Pajé: mas por isso que a minha pergunta foi, o que que a gente estava fazendo aqui. Então a gente não precisava estar aqui, manda todo mundo ir embora.
CP: tudo bem, mas eh que nos estamos enganchados em uma ratoeirazinha. Alias, eu acho que esta questão da academia ela passa muito por isso, de estar presa dentro de uma ratoeira, de que tem que explicar as coisas, tem que entender o que esta acontecendo por um prisma teórico. O que esta acontecendo agora vai eventualmente ser explicado, alguem vai ter a pachorra de escrever, de explicar isso, de falar sobre, de fazer avaliação critica, etc. Se a gente ficar muito preocupado com isso a gente para de fazer ,eu acho que o que esta acontecendo aqui é efetivamente a apropriação de um momento, de uma oportunidade extraordinária de avançar e foda-se se esta certo, se esta errado, se deveria ser assim ou assado. Eu acho que tem uma coisa muita em cima disso.
Dalton: eu queria entrar em um ponto chave aqui que é o seguinte...
FIM DA FITA
Submidialogia
Campinas 27-30 Outubro de 2005
Dia II
Dalton:
-Quando a gente fala desta questão da academia, quando a gente fala desta questão das certezas, eu quero me remeter a um momento da história da ciência, mais ou menos no início do século passado, quando brotou aquilo que a gente hoje chama de física quântica ou física moderna. Quando aqueles pesquisadores, se a gente pegar a fala de Niels Bohr, de Heisenberg, Planck e por ai vai, esses caras eles tinham embates dentro de laboratórios que duravam semanas, aonde eles chegavam a surtos muito semelhantes aos quais nós chegamos em oficinas e processos, onde eles diziam assim... Einstein, frase de Einstein, dizia assim: “Perdemos o chão. Estamos caminhando sobre o completo desconhecido.”. Porque aquilo que se brotava no cenário para eles era completamente desestruturante com base naquilo que eles conheciam como o seu arcabouço conceitual anterior que era física Newtoniana e o cartesianismo, então eles conseguiam estruturar tudo a partir de elementaridades que se interconectavam e explicavam o resto. Ai, de repente surge todo um padrão comportamental da matéria dual, ai “fudeu”; ora o eletron é matéria, ora o eletron é luz, é onda, como é que isso pode acontecer? E o que que é pior, se você faz uma pergunta para um eletron do ponto de vista óptico, ele te responde do ponto de vista ótico; se você faz uma pergunta pro eletron do ponto de vista da matéria, ele te responde como matéria. Então, os caras tiveram que aprender uma coisa em 1920 que eles tem que conviver até hoje, que é conviver com a incerteza, tanto que existe uma coisa que chama Princípio da Incerteza de Heisenberg, é uma lei matemática que se chama Princípio da Incerteza. E isso ta lá, nos arcabouços da física, então quer dizer, a gente parte de um momento aonde as redes começam a emergir... tá lá o Barabási quando escreveu Linked traçando esse perfil das redes emergentes em tudo e a gente começa a perceber que essas redes emergentes trazem como conseqüência de seu processo de interconexão das pessoas novas práticas, essa novas práticas começam a puxar atitudes ousadas de grupos que conseguem assimilar esses conceitos no seu cotidiano mais fácil, e ai a gente se depara com esse ponto chave que nós estamos chegando hoje. E ai entra o que o Cláudio colocou: a questão ética. São novos comportamentos, são novos comportamentos sim, mas eu vou além...são novos comportamentos porque vem de novas formas de relacionamento, vem de novas formas que estruturam o relacionamento e é isso que é importante trazer para o dia-dia.
Barulho...
Estudante da PUC:
-Posso... tem uma coisa que vocês estão... Primeiro: eu pessoalmente não consigo associar essa coisa de teoria e prática. Por Exemplo: Se você pega um livro, é teoria ou é prática? Livro não é fruto de uma prática? Eu não consigo fazer essa associação, mas ai cada um pode... Se eu penso no espaço político como espaço de embate ou de força, se eu penso o software livre, ele aparece pra que? Pra dar conta de uma demanda da comunidade local onde pessoas, por exemplo, que são soterradas de verdades e de forças, são soterradas seja pelo estado, seja pelas corporações, é... eu acho que quando o Pajé estava falando: “o que que a gente está fazendo aqui?” Eu achei também, por exemplo, é o Dalton falando do metareciclagem, quais foram as funções que se encontraram, quais são as ações que estão sendo feitas, quais são as soluçoes que estão buscando e pensando nisso tudo colaborativamente. Então, se o software livre aparece como uma resistência, e é resistência política, com relações as corporações alguma forma não está sendo... Primeiro, eu acho que não vale a pena ficar discutindo o que a academia faz ou não faz, quando ela está ai a anos e anos e sempre as pessoas perdem muito tempo discutindo isso. A questão qual é a minha prática e o que ela evoca em relação a isso... Qual é a minha posição e tomar essa posição efetivamente. Segundo; se o software livre aparece como resistência ao estadoo Dalton falando da metarecicleegamaç verdade que?toe chegando hoje e as corporações, trabalhar com o estado e trabalhar com as corporações não cria um ruído ai? Não cria um ruído no software livre, no software livre ou na metareciclagem, seja qual for essa ação comunitária, não cria um ruído?
Resposta Dalton:
-Vamos voltar um pouco: Quando você coloca assim: o software livre como resistência as corporações; Eu discordo. Eu não acho que o software livre é uma resistência a corporação até porque o software livre só existe como existe graças as corporações, graças a Redhat, graças a IBM, graças a Suzy e por ai vai, são eles que deram (só deixa eu concluir que depois a gente entra desta troca), foram ele que deram possibilidades e corporações que emergiram da prática do software livre que deram a possibilidades para que ele se constituísse da forma que ele é. Então eu não vejo essa “resistência” as corporações, eu não acho que é por ai a maneira de compreender isso, até porque se você entra em uma comunidade de software livre, um monte de gente trabalha em empresa e constrói o kernel do Linux porque tem uma empresa que paga o salário do cara,e por ai vai. Então eu acho que assim, pra ser mais ousado, a gente não tem que ver as corporações no sentido de resistência, no sentido de embate, a gente tem que ver a forma como as corporações se organizam como um campo fluídico onde a gente pode penetrar e interagir lá dentro, e rearticular o sistema produtivo, e não ver como um embate.
Comentários da platéia:
-eu gostei dessa
-tem que entrar e interagir
Negro barbudo estudante da PUC-sp:
-Você acha que é possível isso então? Fazer com que a empresa abrir mão de uma parte do lucro dela pra poder incorporar essas soluções que a metarecilagem dá ou tras? Ou ela não vai se apropriar disso, capturar isso daí para, lógico, gerar lucro; eu não conheço empresa que não queira lucro.
Resposta Dalton:
-Dentro do que a gente concebe como colaboração entra em uma outra linha aqui, mas que é legal a gente discutir isso. O que que acontece, quando você pensa na dimensão econômica da colaboração, esta dimensão se efetiva no seguinte ponto: a colaboração, ela se dá numa troca e numa organização modular e elementar, então, por exemplo, quando eu produzo um pedaço de código eu estou jogando granularidades na rede, quando eu divido e subdivido um trabalho, estou colocando modularidades a disposição, isso não tem valor financeiro, tem valor econômico mas não financeiro porque eu estou contribuindo com a rede. O que tem valor financeiro é o processo de integração das modularidades; o que que acontece? Chega uma empresa no site do metareciclagem, ela vai lá e fala assim: “Pó esses caras tem um monte de idéia legal!” Ela pega aquilo, integra aquilo de uma certa forma e chama aquilo de um produto. E vende! E faz lucro! E eu não to nem ai pra isso! Isso é muito legal,no meu ponto de vista. Ela conseguiu fazer uma leitura da elementaridade que está dentro do wiki, e conseguiu dar um valor financeiro para aquela elementariedade. Para mim beleza! Isso é o que fez o Debian ser o que é, a Redhat ser o que é, a Suzy ser o que é, porque eles integraram o software, as elementaridades do software numa dimensão que deu uma cara financeira. Isso não abalou a comunidade, isso não abalou a rede, isso fortaleceu a rede porque de uma certa forma- ai nós vamos entrar nas patentes dos direitos autorais- esses caras deram subsidio pra que a apropriação e a integração que a empresa fez fosse o ciclo de realimentação negativo, fosse o feedback, falando de concepção sistêmica, no próprio sistema da rede. Então, olha que coisa maluca, a gente coloca através da emergência na rede uma corporação para colaborar com você. A corporação se torna parte da rede.
Negro barbudo estudante da PUC-sp:
-Não é você que está colocando a corporação para colaborar com você. É ela que está se apropriando do seu trabalho.
Dalton:
-Não!É o sistema da rede, ela não tem como se inserir neste sistema se ela não for mais um nó!
Thiago Novaes:
Alo. Eu estou querendo falar faz um tempinho, eu e o Antônio aqui.
-Olha eu queria fazer umas ponderações: Primeiro retomar a pergunta do Pajé sobre, o que que nós estamos fazendo, considerando o seguinte que a gente está em um momento muito, muito...que é está passagem do digital, novas possibilidades... Este momento realmente muito especial único, historicamente colocado, que é está passagem que o pessoal coloca ai como um atropelo da prática, vindo e atropelando todo a questão do pensamento. Queria colocar que tem que ter um pouco de cuidado ao colocar nestes termos porque, especialmente estando dentro de uma Academia, dentro da Unicamp, que é uma entidade que as pessoas param para estudar, para pensar, que tem um papel fundamental dentro do que a gente está fazendo e que a pratica em si muitas vezes não resolve por ela só, é um lance, bom boa parte dos problemas que a gente vai vivendo. Enfim, a tomada de consciência sobre esse processo é o que eu acho que é uma das propostas de a gente ter vindo aqui, estar reunido, estar debatendo esses temas, que o software livre é uma novidade, que é uma coisa que está vindo com força, que é legal fazer, eu acho que boa parte das pessoas aqui está engajada nisso e já entendeu. Agora o que está faltando que é onde pegou as pessoas que é o que é teoria né? O que significa isso do ponto de vista prático do comportamento?! Sim, sem dúvida! E do ponto de vista histórico até, em que vivemos um momento super atropelado e tal, e o que que a gente está fazendo.. A pergunta que a gente faz enfim, lendo os textos que estão por aqui, é o que que nós estamos ajudando a fazer em nós mesmos. Acho que é mais ou menos essa pergunta, com o momento histórico dado, acho que muitas vezes a gente não para pra pensar nisso justamente por termos uma pratica imposta e uma necessidade de a gente se soliedarizar em vários movimentos, em várias coisas que são super importantes, mas tentar retomar que eu acho que o debate acabou e todo mundo vai ter muitas opiniões, muitos pontos de partida de onde colocar seu ponto de vista, mas tentar retomar o que talvez seja uma das propostas desse debate que é a tomada de consciência sobre esse processo, pra onde nós estamos indo, o que estamos fazendo a respeito disso. Enfim, essa é uma das minhas ponderações.
Antônio Abulquerque:
-Eu só queria completar o que o Tiago falou que não existe devolução se agente não tem a tomada da consciência, é absolutamente necessário por que senão a gente vai fazer aqueles idealisadores e seguidores, seguidores que não tem também a consciência. Cadê seguidor tem que ser também um líder. Isso mostra que a tomada de consciência é um fator fundamental para o processo de revolução, e qual é o processo de revolução? O processo de revolução que a gente está querendo fazer é resgatar um pouco do que existia antes da consolidação da era do grande capitalismo no final do século XIX seguindo a revolução industrial. O conhecimento ele é socialmente produzido, o conhecimento não está dentro da empresa, a empresa que se apropriou ...
CORTE
Cláudio Prado:
-Quando a Física Quântica começa a ser pensada, a instituição acadêmica da época, os físicos, presidentes das associações, o povo sentado em cima das cátedras dizia: “Você não precisa mais estudar física, a física já praticamente resolveu o problema de todo mundo,ta tudo pronto, faltam algumas leizinhas ai e a gente vai matar a charada da humanidade”. Essa era a postura da academia, física quântica, até hoje professor de escola não tem idéia do que seja, ele ensina que o caminho mais curto entre dois pontos é uma reta como fato absoluto e isso ai é um absurdo, na verdade precisava começar a ensinar para as crianças as abstrações e depois ensinar as linearidades e você precisa na academia chegar... primeiro aprender que a terra é chata para depois, na pós-graduação, aprender que ela é redonda... é uma coisa meia maluca isso.
Dalton:
- Você constrói um conjunto de metáforas completamente caducas pra pensar a sua vida e é um processo em que você está construindo a sua relação com o mundo e você tem essa relação baseada no cartesianismo, depois você, se por acaso você chegar a estudar alguma coisa ai que vai para o mundo das exatas, você vai perceber que o tempo não é linear, você vai perceber que o espaço é curvo e você começa a perceber um monte de coisas ...
Antônio Albuquerque:
- Conhecimento? Que conhecimento? Financiado com dinheiro publico. Conhecimento que está na sociedade espalhado por todos os povos, por todos os encontros. Conhecimento que é muito mais apropriado para resolver problemas locais do que certas soluçoes que são feitas em grandes empresas nos Estados Unidos ou na Europa. Os Estados Unidos ele aparece no cenário mundial a partir da segunda revolução industrial e do processo de maturação do processo do capitalismo. Para os Estados unidos é canalizado todo o fluxo de capital do mundo. Esse processo de capitalização de dinheiro dos Estados Unidos no século XX, ele se faz também com a grande apropriação do conhecimento todo, se faz também com a propriedade intelectual, com a lei de patentes, com a formação das grandes empresas multinacionais, com seus ramos pela sociedade global em outros paises, capitalizando para os Estados Unidos conhecimento e riqueza e dinheiro e bens de capital. O conhecimento das partes é colocado na sociedade. O que nós estamos querendo colocar é: qual é a resistência do Brasil? Na verdade as grandes empresas eh que vão ter que resistir ao processo de reestabelecimento de um processo social de produção coletiva de conhecimento, que já existia antes da formação do capitalismo. Esta é a questão, a resistência é deles e não nossa, o que nós estamos fazendo na verdade é caminhar no processo do capital, é o processo mais fácil, é o processo de colaboração, é resgatar esse processo, que é o processo natural. Eles que vão ter que resistir para manter esse processo, que é antiético, que faz com que a população seja cada vez mais pobre, três quintos da população mundial hoje já vive na faixa de miséria, o globo terrestre não suporta esse modelo, ta destruindo as águas, destruindo as florestas, destruindo o ar. È um modelo insustentável! E o que está acontecendo? Com o software livre e com o processo que vai além do software livre, essa tomada de consciência resgata uma produção social e coletiva do conhecimento que está espalhado por todas as partes, por todos os pólos do mundo.
Cara de óculos barbudo magro braquelo em portunhol:
-Queria fazer uma pergunta, mas meu português não é muito bom...
Eu sou um observador aqui e estou achando na verdade que todas as coisas que vocês falam extremamente interessantes, extremamente complexas, não? E tem também uma coisa quase artistica, uma sensibilidade, uma coisa muito graciosa, não? Mas também entra essa complexidade, acho uma coisa muito difícil você discutir, muito difícil entrar no discurso, no vosso diálogo, tem uma linguagem muito específica, eu acho que é uma comunidade que é muito complexa, muito excêntrica, uma coisa muito complicada para dedicar sua vida não? Então, falando da teoria e da prática, eu estou achando que tem uma prática muito sofisticada-não sei se é essa a palavra-, mas na teoria eu tenho uma pergunta que é muito simples mas acho que não se falou ainda: Eu não consegui entender no teu discurso, como se faz, através dessa práticas muito complexas, para inserir, quando se diz inserir na verdade dentro dos problemas ou das saias da sociedade onde vocês se sentem inconformados, sim? Eu acho que vocês poderiam criar uma rede incrível, mundial e global de pessoas com conhecimentos muito complexos que fazem reinvenção do que vocês querem mas, onde que está o elo que vai unir isso com uma incidência real e necessária com as quais, eu suspeito vocês estão inconformados? As grandes corporações, esse sistema global de neoliberalismo. Gostaria de entender isso porque até agora não vi, mas pode ser que como o discurso é muito técnico eu não... Assim, eu sou sociólogo, então estou procurando esse elo que não estou conseguindo perceber até agora. Par todos vocês que estão neste meio... Eu gostaria de entender isso, porque acho que também seria importante pra vocês, não uma coisa de teoria mas é necessário pra uma prática que esteja transcendendo, ou seja, além do discurso muito complexo, muito fechado né?
Resposta Dalton
-Assim, eu vejo da seguinte forma, dentro daquilo que eu estava falando em termos de apropriação tecnológica. A idéia de falar a respeito de apropriação tecnológica foi de trazer um discurso pra gente debater, um discurso teórico pra gente debater em cima de práticas daquilo que a gente chama de metareciclagem, de um projeto de desconstrução e apropriação tecnológica. Isso foi conceitos que a gente vem elaborando, vem interpretando, vem tentando traduzir dentro das teorias que a gente vem circulando por ai que como você viu vão pra áreas das mais variadas. A prática disso, dentro dos campos sociais, tentando se aproximar um pouco mais daquilo que você trouxe, se dá na dimensão aonde várias áreas, você consegue indentificar diversas localidades que produzem cultura, que tem todo um trabalho seja musical, visual, seja dançando, seja fazendo, seja cantando, seja organizando; aonde este trabalho se dá numa dinâmica de rede mas localizado pontual, geograficamente falando. Quando a gente tenta chegar com a tecnologia da informação, chegar com esse processo de apropriação tecnológica dentro dessa comunidade e, através do processo, que essa comunidade se aproprie da tecnologia da forma como ela bem entender mas, se aproprie na tecnologia em rede, podendo trocar esse processo de apropriação com outras pessoas, a gente está criando um mecanismo de difusão, de interação que sai da localidade e começa articular esses pontos em rede. È isso que a gente vem fazendo, criando espaço de ocupação, entrando nesses espaços e construindo esses espaços junto com as pessoas, dentro daquilo que elas já fazem sem interferir no fazer mas criar condições de que elas se apropriem de novas tecnologias nas três dimensões que eu mencionei aqui, seja reinterpretando, seja adaptando, seja reinventando, mas pensando esse processo de apropriação numa lógica em rede, aonde a imersão disso crie estruturas sociais, mecanismos sociais, para que elas possam romper ciclos ao qual estão inseridos historicamente. È esse processo que a gente vem fazendo. Eu não sei se fui claro em relação ao que você perguntou?!
Cara magrelo de óculos continua:
-Ainda fica um pouco teórico...
Ruiz:
- É que é a primeira mesa, é a primeira mesa. Só um negócio: um dos lugares de ocupação, por exemplo, é o governo.
(...) reorganização
Chico:
-Primeira coisa eu quero discordar de tudo o que o Pajé falou, por que o Pajé ta insistindo em um lance que tem uma idéia por trás, o que está por trás? Ele está obcecado no que está por trás das coisas ne eu acho que a gente vive justamente um momento que as idéias não estão dando conta das coisas que estão acontecendo. Outro dia eu estava conversando com o rato ali que é o rato ne´? E ele estava falando que na faculdade de meterologia que ele estuda lá, é um pluster com sessenta processadores que não existe ninguém que consegue programar pra esses computadores, entendeu? Porque o computador ta lá fudido e assim, o pessoal ta ainda tentando conseguir fazer, desenvolver programas pra esse... que consigam explorara toda a potencialidade desse objeto técnico, dessa configuração que os caras criaram. Então, acho que assim, tem uma aceleração do desenvolvimento técnico que é a aceleração da aceleração e a gente está tentando entender e assim nem sempre tem uma idéia que está por trás que consegue determinar pra que aquele objeto técnico vai servir, pra que ele vai servir, como ele vai ser utilizado, quais vão ser as conseqüências, os desdobramentos da inserção desse objeto técnico nas redes sociais e tal. Então eu gostaria de chamar atenção pra isso. Eu quero descordar também do Antônio, e acho que assim eu consigo responder a primeira questão do Palm que ele, num tom provocativo, que ele falou: “ Ah, e ai? Vocês estão usando ai o processador Pentium e não sei o que, e ai como é que fica? E o software livre? Pra que que serve então?” Que eu acho um discurso fácil e muito simples de tentar esgotar as possibilidades criativas do software livre ou de qualquer forma de resistência porque o fundamento do argumento do Pajé é o fundamento da negação entendeu? Você não está negando o Pentium usando software livre, então você não está combatendo o Pentium. Mais ou menos isso. E o Antônio estava com um referencial marxista querendo colocar do determinismo econômico, mas não basta a gente mudar os proprietários dos meios de produção que a gente muda a estrutura de produção, o caso da união Soviética está ai pra, estava ai, esteve ai pra nos mostrar isso, em que mudaram-se os patrões, as pessoas continuaram trabalhando da mesma maneira e não mudou nada, continuou tendo produção de mais valia, as pessoas eram exploradas e continuou a mesma coisa e depois o negócio acabou. A minha viagem é que assim: o tipo de resistência, e quando o Dalton fala: “ah se uma empresa pegar eu acho que eu não to nem ai, eu vou achar legal, se o Debian conseguiu se estabelecer porque o pessoal foi usando” é mais uma estratégias da contaminação, o pessoal começa utilizar o software livre, começa utilizar o Debian, a o camarada colocou:”É, mas ai está se apropriando do seu trabalho!” Entendeu? Mas não, mas ele está usando o Debian e daqui a pouco vai ter um mais monte de gente usando o Debian e vai abrir espaço pra mais pessoas conhecerem e utilizarem um software que é produzido dentro de uma outra ecologia de produção de conhecimento, dentro de uma outra ética, como algumas pessoas falaram, então eu quero citar aqui o acadêmico “fortinho”, porque a partir de suas leituras de Deleuse e Guatarri ele me ensinou uma outra maneira de utilizar o conceito de resistência. A resistência, segundo Guatarri seria a negação, então eu vou resistir. A resistência baseada na negação ela está fundada em um paradigma da física mecânica, da ação e reação. E o outro tipo de resistência que ele propõe é a re-existência que é a construção de novos espaços de existência. Então, não é que eu sou contra as coisas, que eu quero destruir o Pentium e tal, não, eu quero construir novos espaços de existência porque não dá pra simplesmente pra gente fazer revolução e derrubar as coisa e tal, porque a lógica é outro e o barato é outro.
Barulho
Continuando: Então mas esse é o paradigma da física mecânica e ai a gente está falando de física quântica mas pensando: existe uma empresa, existe o trabalhador, existe o indivíduo, enfim, cada um é vários, não existe um eu como o grande professor aqui estava dizendo, e eu acho que a gente tem que quebrar com essas coisas também da maneira como a gente pensa e ai tem essa coisas da teoria e da prática que a gente também tem que mudar como pensa. Não adianta ver o novo, que são essas coisas que estão acontecendo, com as categorias do velho, pensar o novo a partir do velho que você não vai entender, entendeu?
Eu vou passar a bola pro bodinho que ele tem um negocio interessante pra falar. É o seguinte ele quer falar um negocio sobre a academia, um desvio de função da academia interessante.
Bodinho:
-Falaram da academia em vários momentos e sempre se tem a imagem que a academia, ela sempre teve essa divisão do cara sisudo, do cara com vários livros, com roupas escuras e dialogando com o estabelecido. O Jubinha é um acadêmico, olha pro Jubinha, olha o perfil do Jubinha, ele faz um novo uso da academia e academia como um espaço publico, garantido pelo estado, possibilita uma produção intelectual livre, e existem pessoas aqui dentro que conseguem talvez traçar umas linhas mais marginais, ou uma linhas mais criativas, que não passam por esse sistema quadrado e fechado, são pessoas que tentam relançar, tentam também intervir de alguma maneira e o Canário falou que a gente é acadêmico, a gente aqui até faz uma brincadeira que é possível que hoje a noite a gente vai apresentar o C. vai apresentar lá, que é uma brincadeira neste sentido inclusive é uma brincadeira que começou no cineclube de exibição e foi virando várias outras coisas, ou seja, eram os acadêmicos fazendo um cineclube. Então, enquanto espaço público, garantido pelo estado com uma relativa tecnologia, com um relativo acesso a tecnologia, na academia cabe a gente achar professores que orientem tese mais alternativos, o C. está ai, eu também estou fazendo. O Novaes citou um texto que estamos ajudando a fazer nos mesmos que é do professor Luis Orlando? aqui do “FICH”, ou seja a possibilidade, a “peneira”, aqui tem buracos muito largos e aqui é um lugar onde a gente pode emplacar uma coisa que a gente diz muito que é o 171, da pra você fazer vários 171, uma gambiarra acadêmica, é possível também. Então talvez este seja o depoimento de um acadêmico, e existem acadêmicos que não são uns sisudo, não são uns chatos como esses acadêmicos que estão desfrutando das benefices do estado.
Rapaz mulato de óculos e barba rala, estudante da Unicamp:
-Oi, eu morro de medo de microfone...
-Ruiz: Pare com isso, não tem público..
rapaz continuação:
-É o seguinte, sobre o tópico academia. Embora eu por exemplo acho que até prefiro “prática do que academia”, embora eu esteja nela, eu já estou saindo, mas assim... a academia me ajudou bastante e acho que tem coisa para ajudar bastante...
32:00 à 34:45 PAU!!!! SEM Áudio
Antonio Abulqueruqe:
- (...) e pessoas de fora da câmara dos deputados e outras instancias com relação aos processos decisórios. Eu, quando cheguei no governo federal em janeiro de 2003, a minha percepção do que era a máquina pública é que era uma máquina desprofissionalizada e , no caso específico do ministério das comunicações tem duas grandes razoes: a primeira é que o ministério está fresquinho?, o projeto de Sergio Motta e FHC para a distinção do ministério das comunicações é que tudo passasse para a Anatel e ai o mercado faria sua auto-regulação, quer dizer, não precisava neste setor de informação, tecnologia, telecomunicações, redes, né?! Ter o papel do estado, para que o estado se regule coloca um órgão fiscalizador e deixa correr... importa tudo quanto é equipamentos, fecha a industria nacional, não tem problema!? Isso ai é... Então o que acontece? O ministério das comunicações ia ser fechado, então havia o processo de esvaziamento. Segunda coisa: (e ai acho que é um problema também genérico), o estado brasileiro hoje tem nos cargos de confiança depositado todo o processo de decisão, isso significa que quando muda de um governo para o outro, praticamente, todo o acumulo, toda a história, toda a trajetória ela se esvai com a chegada do novo governo que muitas vezes nem vira governo. O ministério das comunicações em dois anos e nove meses de governo Lula teve três ministros, ministro Hemílio Teixeira, ministro Eunício Oliveira e agora o ministro Hélio Costa, né? Três ministros em dois anos e nove meses e cada mudança de ministro do próprio governo se esvai todo o pessoal, todo o acumulo e se muda a política. Evidentemente, quando o processo decisório está na mão de alguns que são cargos de confiança, não há necessidade de seguir um plano de carreira e de formação de um pessoal técnico profissionalizado dentro dos ministérios, basta uma burocracia , porque quem vaidecidir é quem chega. Não existe decisão critéria, existe uma politização de toda a maquina do estado e ai quem está na cadeira de ministro coloca todo o seu staff que vai gerir os processos decisórios, o que faz com que esse processo seja extremamente politizado, né? Então agora no ministério das comunicações em particular nós temos o Hélio Costa, a gente sabe que foi um cara que morou em Nova Iorque na época da ditadura, foi chefe da surcussal da Globo em Nova Iorque, e várias outras coisas, dono de rádio, então a gente sabe então, é uma das perguntas que está ai no livrozinho do evento quer dizer: qual o futuro de projetos tão importantes, e é citado dois que nesta mesa aqui os nossos colegas vão falar logo em seguida, que é o projeto TVdigital, que tem uma participação muito grande do CPQD, ai a Cláudia e o Takachi, o Gesac que está também no ministério das comunicações, mas que tem uma interface, todos os programas de inclusão digital: o Casa Brasil, os Pontos de Cultura e uma série de outros, da fundação Banco do Brasil e também de vários outros ministérios, né? E o próprio Ponto de Cultura que depende também fortemente na questão do Gesac. Há um processo de hierarquia dentro da máquina pública muito forte, uma centralização do processo decisório na mão de alguns cargos de confiança, e particularmente no governo, do ministro. E esses dois fatores na minha avaliação são inibidores do processo de inovação, né? Quer dizer: poucos vão decidir e vão dizer como são os programas e prescinde de todo o corpo técnico do ministério e também da sociedade. A condição não se torna mais grave porque o governo Lula, pegando essa máquina que funcionava assim há décadas, ela trás no movimento social pessoas com vivencia e experiência e com sensibilidade às necessidades que tem ao governo. Este é o processo diferente que tem particularmente nos ministérios mais democráticos e populares, porque o governo Lula é um governo de coalisão, é um governo de vários partidos, então, naqueles partidos mais democráticos, isso é o que dá o diferencial, né? Na execução de política pública. Há uma ausência de planejamento, a pouca racionalidade dos processos decisórios, então, por exemplo, pra começar a falar de alguns casos concretos para materializar, particularmente a questão do Gesac que eu vivi demais. O Gesac tem 3200 pontos que foram instalados desde junho de 2003 até maio de 2004, são 3200 pontos de inclusão digital no Brasil em funcionamento, né? Como se faz um processo decisório da escolha desses pontos? A minha proposição na época é que nos fizéssemos uma chamada pública de comunidades como agora nós estamos com mais 1200 pontos para expansão do programa, novamente foi colocado uma chamada pública de pontos. Isso até hoje não foi realizado no ministério das comunicações, porque? Porque o ministro tem suas prioridades e, coisas estratégicas que o ministro deveria decidir, por exemplo, quais são os resultados macros, o que que ele quer com esse programa, quais são os resultados... Não, ele fica decidindo, do gabinete do ministro, pra onde vai ponto? Pra rua tal, ou pra rua tal? Pra cidade tal ou pro estado tal? Onde vai colocar, quem é que está pedindo... É isso que o ministro fica decidindo em termos práticos, né?
Outra dificuldade muito grande do governo é que existe programas de ministério e não existe programa de governo. Eu costumava dizer o seguinte: Não há sentido de você colocar maquinaria, conexões, aparatos tecnológicos; fazer inclusão digital pela tecnologia, pela tecnologia, ele tem que estar associado a um processo produtivo, seja um processo de produção de cultura, seja um processo de desenvolvimento econômico, seja um processo de desenvolvimento pedagógico. Tem que estar associado a outras iniciativas sociais articulando programas, essa questão é muito difícil, é difícil por parte de quem está executando uma política digital como também é difícil para outros ministérios, porque os outros ministérios, ministérios sociais, por exemplo, não estão preparados no seu corpo interno do ministério, como também nas comunidades, de entender a inclusão digital e de ter grupos trabalhando com inclusão digital dentro desses ministérios, inclusive no orçamento alocando verba, porque não pode só a verba ser, por exemplo, do ministério da infra-estrutura, né? Inclusive o ministério da cultura da um exemplo onde ele tem verba para fazer programas de inclusão digital... Então, os ministérios sociais, em seus programas também tem que prever questão da inclusão digital, mas não, a inclusão digital ela é questão do ITI, dos ministério das comunicações... e deixa tudo para o outro lado, “eu aqui vou cuidar do meu curriculo social”, então também é difícil pelo lado dos outros ministérios de articular programas de governo, porque o que existe na prática hoje são programas de ministérios.
É importante também colocar qual rumo que eu estou vendo com a mudança de ministro do que vai acontecer no programa Gesac. Bom, eu acho que primeiro: vai haver uma tendência de eliminação da preocupação com os esforços na questão do conteúdo, tanto do ponto de vista da capacitação e do portal de serviços existentes no programa a serviço das comunidades, então o Gesac, na visão mais atual do ministro, vai ser um serviço de conexão, o que na minha opinião é um desastre, é um retrocesso. Outra coisa é a eliminação dos serviços avançados em mídia, notadamente aqueles que tem a convergência tecnológica como a televisão IP, o rádio IP, a educação a distancia, a teleconferência. Todos esses serviços mais avançados do programa Gesac que está disponível para as comunidades, mas que ainda está sendo muito pouco utilizado. Esses serviços tende a ter uma retração de interesses no programa, o desinteresse pelo portal do programa é outro, porque o portal dá transparência ao programa, então toda essa parte de transparência de conteúdo vai sobre uma tendência de diminuição de interesse e uma busca de maior controle do programa dentro do ministério, porque, o programa hoje, foi formado com várias parcerias dos estados, municípios, ongs, enfim, com outros ministérios para fazer um processo de coogestão do programa na sociedade. Então o programa está atendendo 4 milhões de pessoas hoje, e esses processo está totalmente distribuído na sua gestão. Então para o processo, por exemplo, de mudança de pontos, ou o processo de direcionamento do programa. O programa está muito mais amarrado nas comunidades, então isso torna uma dificuldade, de uma maneira centralizada, de desfazer a gestão de uma maneira tradicional, ortodoxa, centralizada, então vai haver uma tendência de trazer de volta para o ministério o controle sobre o programa.
Bom, existe um conjunto de outros problemas internos que eu gostaria de citar além dos já mencionados. Há excessiva burocratização da máquina pública desnecessariamente, quer dizer a atenção do gestor publico do programa em vez de ser na ação finalista ela é muito mais nos processos meios que vão levar àquela ação finalista, então a gente gasta mais de 80% do tempo para gerar papel, respostas, justificativas, conversas com advogados, conversas com outros administradores, com aparte orçamentária, com vencimentos, com isso e com aquilo para se executar o programa. Quer dizer, no limite, o programa fica quase sem gestão, porque todo o esforço do pequeno grupo que faz a gestão é centralizado na questão dos processos e, porque que que é centralizado na questão dos processos? Porque a máquina pública, ela tem nos órgãos de controle uma ortodoxia na questão da observação do programa, é muito difícil, muito raro você ter dos órgãos de controle( que fazem a avaliação do governo...)nos processos dele, nos documentos, papel... então o custo que fica associado no processo é muito alto em relação a efetividade do dinheiro que chega lá na ponta, no interior do Pará, no interior do Amazonas, de Pernambuco, de Goias... Eu costumo dizer que o seguinte: as leis brasileiras deste estado, ela é tão perversa que todo aquele administrador, que quando sai da máquina pública, ele diz: “eu não tive nenhuma observação. Passei três anos na maqu9ina publica e olha tirei 10, não sou corrupto, não tive nenhum problema...” Esse cara não fez foi nada dentro do ministério, porque é absolutamente impossível para aqueles que toma decisão, para aqueles que tem projeto, que querem executar um projeto e chegar no limite da lei, na discussão da lei, sair sem ter uma discussão de um processo que se arraste por mais três ou quatro anos sobre a sua gestão, né? Quer dizer, é perverso para o administrador que trabalha com a pressão dos órgãos de controle sobre essa questão dos meios no sentido dos órgãos de controles serem punitivos e não de premiação, o administrador publico nunca é premiado, o máximo que pode acontecer é não ter observação e se ele faz alguma coisa contra a decisão ele vai ser punido com certeza. Na minha opinião porque que o estado brasileiro é dado até hoje, é dado no governo Lula? Porque foi feito para não funcionar, porque ele foi feito para servir a uma classe que não tinha necessidade de serviços públicos, foi feito para uma classe que se apropriou do estado e pra usufruir da máquina do estado não precisava ter políticas publicas, porque é muito fácil usufruir da máquina pública desonestamente. A gente está vendo no governo federal essa coisa toda ai de mensalão, por exemplo, que delatou o mensalão, não foi os orégão de controle, não foi o tribunal de contas, não foi a controladoria geral da união, não foi o TSE. Quem delatou isso ai foi o Araponga, que fez aqueles processo irregulares com aquele rapaz dos correios, foi o Roberto Jefferson, o pessoal do Fernando Collor de Mello, que fez outras atrocidades da época de oitenta que sempre esteve no poder, seja lá que poder for. Quem delatou foi essa turma ai que sempre esteve no poder, os órgãos de controle não pegam essas situações, essa irregularidades; não foi os órgãos de controle, então os órgãos de controle são inócuos. Ai então quando a gente pega, por exemplo, o programa Gesac, e o programa Gesac inicialmente, não esse agora que foi feito pela nova licitação, mas o programa Gesac que foi feito lá em 2002 pela licitação que teve o contrato em outubro de 2002 quando nos chegamos em janeiro de 2003 para executar o programa, nós interrompemos o programa por problemas administrativos, jurídicos e técnicos que tinha o programa Gesac, a gente interrompeu em janeiro só começando a executar depois de um reestruturação em junho de 2003. Quando nós passamos lá cinco meses, de quatro a cinco meses discutindo com a empresa e discutindo internamente com o ministério publico como resolver aqueles problemas, a empresa que tinha ganho a licitação, ganha licitamente, não tem nada de ilícito na empresa foi um problema administrativo da gestão do ministério de 2002 na hora de fazer os contratos, fizeram uns contratos errados... tinham um montam de irregularidade, o ministro Teixeira estava para cancelar definitivamente o programa e pediu particularmente para mim que eu estudasse e verificasse como solucionar o problema, era muito fácil. E nas diversas reuniões que fazíamos a empresa fazia assim: “ Antônio, vamos resolver isso, a gente tem aqui este projeto de um ano e meio e 78 milhões, o que que precisa para resolver? Vamos resolver isso aqui rápido, você está precisando...” Então é muito fácil a gente chegar numa hora dessa e falar rapaz: “é uma questão de 25%, sabe como é que é né?”Porque? porque o processo está na mão de uma pessoa, estava na minha mão, e todo mundo sabe que no governo federal de maneira tradicional como nos governos outros, comissões de 5, 10% é normal, e tudo se resolve assim. Então, a forma burocrática da administração publica brasileira, é uma forma para o governo não funcionar, não pega na dureza, o que impede da máquina pública ser eficaz e impede que o gestor tenha uma concentração na ação finalística e não nas atividades do meio, é muito energia para colocar um projeto na rua, é antinatural. E ai vem uma frustração -e eu vou encerrar que meu tempo está chegando no final. Gera uma frustração na gente pois a gente vai para o ministérios das comunicações e tem radio comunitária para cuidar, a gente tem inclusão digital, a gente tem rádio digital e televisão digital, tem a questão do CPQD, da política industrial do setor, quer dizer é um conjunto de temas tão relevantes e o governo Lula pouco atenção dá a área de desenvolvimento tecnológico, a área da sociedade da informação. Se vê que no ministério das comunicações teve três ministros em dois anos e meio e os três não são do PT; o ministério da ciência e tecnologia: também é o terceiro ministro, todos os três também não são do PT; o ministério do Desenvolvimento da industria e do Comércio, que é importante na área desenvolventista, industrial, não mudou o ministro, mas não é do PT; Finep, agora está na mão do PT, mas antes estava na mão de outros partidos. Eu sei que, eu não quero politizar aqui, aqui pode ter gente de todas as matizes, é lógico, mas ´so quero dizer o seguinte: Primeiro: No governo Lula as dificuldades têm sido imensas nesta área tecnológica, e não é por acaso, por exemplo, que o Sergio Amadeu deixou o ITI, por várias dificuldades associadas ao processo do avanço do software livre dentro do governo, é verdade que houve um papel importante do Sergio Amadeu com o software livre no governo federal? É! Como nunca houve no Brasil um avanço tão grande mas, em matéria de sensibilização e discussão. Em matéria de migração e de estabelecimento de fato de uma quantidade, tanto de servidores como de desktops em software livre, ainda as estatísticas são muito pífias de evolução, embora se criou toda uma base para se evoluir essa questão. Então, as dificuldades são imensas, tanto do ponto de vista político como do ponto de vista burocrático, como do ponto de vista legal de se tornar um programa pelo governo federal. Qual a solução para isso? Eu entendo que a solução parte de uma forte pressão social. Não tem outra forma, nós temos que mudar a máquina pública, temos que mudar os processos internos, temos que repensar o estado, temos que repensar as leis, a forma de fazer política pública, porque a máquina que está ai não serve aos propósitos de uma modelo de governo, de um modelo do povo que quer ser democrático e ter políticas públicas com eficiência. A máquina não serve para isso, ela é emperrada e foi feita propositalmente, não é por acaso, para não funcionar. Realmente é um processo de transformação social que a sociedade brasileira precisa.
Ruiz:
-Valeu Antonio... eu vou jogar lenha na tua fogueira daqui a pouco, mas só daqui a pouco.
-Tem a Elaine, e eu queria que ela falasse já que ela esteve na administração passada e agora está na nova. Elaine: nosso saco de pancadas do ministério...
Mas antes tem a galera aqui do CPQD que vem trabalhando com a história ai da tv digital pelos últimos sei lá 4 anos, 6 anos, não sei, e que também receberam um enorme “tapa” ai do nosso amigo Helio. Então o que vocês preferem? Falar ai? Falar aqui?...
Takachi do CPQD:
-Obrigada por convidar a gente.
-Vou tentar ser bem rapidinho pra dar mais tempo pro debate, né?
-Vou explicar então o que é o projeto TV digital: A gente da CPQD tem trabalhado neste projeto da TV digital desde de 1999, junto a Anatel, e, em 2003 quando o ministro Hemilio assumiu é, o negócio ainda estava embolado e o ministro Teixeira fez a seguinte proposta: Ele disse “o negócio é o seguinte: esse negocio de escolher entre padrão A, B ou C está muito enrolado, porque que a gente não desenvolve um padrão próprio e vamos embarcar nessa. E entramos neste projeto ai. Existem vários... O projeto é composto por um consórcio, são vários consórcios né? Dá um total de 77 instituições, tem mais de mil pesquisadores e lá no CPQD somos em 36 pessoas, o Cláudio é da nossa equipe, o Chagas participou deste projeto desde o começo, agora ele resolveu sair. Bom, explicando rapidamente o que que é TV digital: TV digital não é exatamente uma digitalização da televisão analógica, é uma plataforma de transmissão; você vai pegar qualquer coisa em forma de bits? e fazer uma difusão através dessa plataforma de transmissão. Então, a partir do momento em que você faz a difusão de bits você pode transmitir qualquer coisa, você pode transmitir programas de televisão em alta definição, como as emissoras querem, você pode transmitir vários programas de televisão alternativos, como as pequenas emissoras com poucos comerciais e também as emissoras comunitárias gostariam que fossem. Você também poderia transmitir vários programas de rádio, você pode transmitir qualquer coisa que seja com bits. Como que a gente está trabalhando? A gente está trabalhando em diversos elementos tecnológicos, mas o que interessa para vocês é que nós procuramos fazer toda a parte de software com software livre. É uma pequena inverdade, a gente fez em software livre a pesquisa, mas a gente ainda não conseguiu disponibilizar isso para o público. A gente até usou uma parte deles que é da PUC do Rio de janeiro de sincronização de miias que está disponível e eu queria até pedir para vocês acessarem no site da PUC que está esse software: http://www.telemidia.puc-rio.br/portugues/pesquisas/smh/projetos/atuais/hyperprop/descricao_contexto.htm
-Acho que fui ultra breve porque vocês já conhecem alguma coisa do TV digital então eu prefira deixar mais espaço para os debates.
Novaes:
-Bom, enquanto o Claudio termina a ligação dele eu vou contando um pouco sobre a história dos Pontos de Cultura. E aproveitando para fazer a ponte, eu trabalhei no CPQD também no projeto TV digital com o Takachi e lá no ministério em relação aos dos pontos de cultura a gente tem trabalhando com avanços tecnológicos também, software livre, tv digital, rádio digital também. Eu tenho uma apresentação do meu computador mas enfim o Cláudio está voltando...
Cláudio Prado:
-Eu queria pegar pelo tema que está no programa, como que é a frase? “quando nossos amigos se tornaram governo?” .gov. Quero dizer que eu não me tornei porra nenhuma para começar. Eu tenho um sentimento muito interessante a respeito deste projeto que nós estamos fazendo, da forma como ele foi feito que é uma coisa curiosa. Na verdade nós estamos conseguindo criar uma nova forma, criar um projeto que vai servir mais para frente como parâmetro do que é uma nova forma de governar. Não que seja um parâmetro definitivo, mas um parâmetro de como é que se faz uma mudança. A história nossa é muito diferente da história que o Antônio contou porque ele foi parar em um ministério que na verdade nunca quis fazer o que o Antônio queria fazer, então isso é diferente. Nós no ministério da cultura, existe um espaço pensado, existe um ministro dizendo “eu sou hacker”, embora tenham alguns hacker nervosos que digam que isso é uma apropriação indébita, mas existe uma atitude totalmente diferente que abre a possibilidade de se criar um projeto perene. Eu estou convencido de que nós rumamos para, a partir de uma base que é cinergicamente da sociedade e é do governo, que o nosso projeto ele é totalmente do governo sim, mas também é da sociedade sim e não existe... é uma relação quântica, ora é uma coisa ora é outra, é muito interessante, mas nós estamos caminhando para construir uma maneira de colocar, de como que se entra no governo e vê as coisas de perna para o ar, porque se for esperar, como o Antonio estava colocando aqui, “repensar o governo”: fudeu, acho que repensar governo... Acho que o governo na verdade, as instituições, academias e as instituições como um todo são as últimas que vão mudar uma grande virada de paradigma que nem esta que nós estamos vivendo. O último lugar no planeta em que vai acontecer alguma coisa nova, dentro de novos paradigmas, são as instituições. Então, o que nós estamos conseguindo fazer lá é estabelecer um caminho totalmente inverso; o programa Cultura Viva, onde está inserido o aspecto prático, de ação da cultura digital no ministério da cultura, ele é revolucionário pela natureza digital que estamos trabalhando, mas ele é também revolucionário em si no sentido em que ele virou de pernas para o ar a máquina burocrática do ministério, de uma forma que é inacreditável o que está acontecendo lá; aprovam-se os projetos não pela burocracia mas pelo mérito cultural que tem o projeto. Eu não sei se alguns de vocês que não estão vivendo isso de perto tem idéia do que que é isso na prática: olhar para um projeto e foda-se na verdade se ele tem a papelada em ordem, se ele não estiver a gente julga o projeto pelo mérito do projeto e depois vai ver a papelada, ajudar, inclusive, a moçada a ver papel, porque quando a gente aceita o processo burocrático quem ganha a licitação sempre é a instituição que sabe mamar dinheiro do governo, ela é competente profissional para ganhar licitação, depois o serviço tanto faz. Isso serve para lanchonete de aeroporto, e provavelmente a lanchonete aqui da Unicamp é a mesma coisa, né? Acaba que o cara ganha, ele estabelece monopólio, ganha fralda... e foda-se o pão de queijo que ele serve, uma bosta de pão de queijo deste tamanho que custo o dobro do que qualquer outro canto e na verdade acaba sendo uma...
O Sequira Rey, o Antonio me disse uma coisa boa: O cara que não faz nada, o cara que não teve um processo ou uma inquietação, não fez porra nenhuma no governo, isso é uma forma brahma?...
Governar... eu conseguiu já uma dúzia de pessoas graúdas na administração governamental que fecharam a idéia de mais para frente escrever um livro comigo: “Governar é driblar 8666”. 8666 é uma fatídica lei que serve para fraude. Essa é a verdade da lei, fraudar, dentro do sistema burocrático é a coisa mais fácil do mundo. O caso dos Pontos de Cultura, por exemplo, dos kits multimídias que a gente entrega lá: o cara que faz tudo certinho, se a gente não estiver de olho, rouba o equipamento e a gente jamais vai saber disso, jamais. Então, nós agora estamos querendo fazer aqui um seminário, aliás deixa eu anunciar aqui para os meus colegas, o pessoal que trabalha com a gente lá que o Juca Ferreira topou fazer o seminário no PSU?, para propor que ele fiscalizem os Pontos de Cultura tendo o kit multimídia lá dentro. Quer saber o que nós vamos fazer com o kit multimídia em Taquaritinga? Liga a TV, fala com os caras, entra no converse, vai lá conversar, olha o que está rolando, fala com aquele moleque, pergunta o que está acontecendo para as pessoas na ponta, ao invés de olhar papel, burocracia, pegar papel... Se vai acontecer eu não sei, mas que esse seminário que a gente vai gravar vai ser uma coisa divertida e que vai rolar uma coisa e vai botar a pulga atrás da orelha de meia dúzia de... Porque deve ter gente de boa fé, até lá, porque o que esses caras fazem é ficar reforçando no jornal: “não houve licitação...” Como se licitação fosse alguma merda que ia ajudar a não ter fraude, é ridículo, a licitação é uma coisa totalmente idiota, imbecil. Se fosse legal, se valesse alguma coisa, fora do governo alguém fari e é impossível você pensar em fazer uma licitação fora do governo. A idéia, o conceito pode até beirara alguma coisa interessante mas na prática é uma absoluta babozeira que não funciona. Nós temos que , obviamente, lidar com essa realidade, agora dá para andar com ela e virar tudo de pernas para o ar, primeiro se a gente tiver culhão; segundo, obviamente, tem que ter alguém no ministério, tem que ter vontade política do ministro senão não adianta nada esse tipo de coisa, mas, mesmo assim, mesmo além da vontade política a agente conseguiu coisas extraordinárias, nós estamos fazendo um projeto que efetivamente conseguirá gerar uma coisa autônoma nas comunidades e, sobre tudo, o knowhow de construção desse projeto não está sendo perdido a cargo do governo Lula, hoje, agora, ou amanhã, ou quando é que seja. Nós estamos construindo uma maneira de construir esse knowhow e que esse knowhow continue aberto e que possa ser usado, tanto para outras instância de governo como para outros tipos de parcerias e possibilidades de acordos e parcerias e sinergias com outras eventuais fontes de receita. Então eu queria só terminar aqui, depois se alguém quiser falar ai dos pontos mais especificamente...
O que eu queria dizer é que esse projeto gerou no começo grande celeola? entre várias áreas, inclusive entre algumas organizações da sociedade civil que achavam que era porraloquice total fazer um projeto sem por no papel. NUNCA foi posto no papel porra nenhuma deste projeto, não houve planejamento, não teve coisa nenhuma feito com numerozinho no fim e ele foi todinho construído na medida de prestar atenção nos espaços que haviam, ocupando espaços, realizando, fazendo, aperfeiçoando o jeito e avançando dentro do que era possível avançar e entendendo o próximo passo a partir do passo anterior e sem nenhum tipo de planejamento, sem nenhum tipo de orçamento, sem ter que botar no papel, sem nenhum tipo de teoria, sem nenhum tipo de arcabouço acadêmico sem nada dessa coisa. Então isso, em um momento de virada de paradigma, qualquer teoria é espelho retrovisor, quando isso virar tese já é velho, neste sentido que eu falo aquilo: claro que existe produção em academia, mas academia é profundamente crítica da academia, cada vez mais; vestibular é a coisa mais imbecil do mundo, elimina uma quantidade de gente interessante que poderia estar fazendo coisas muito legais aqui, quer dizer, só o cara que consegue passar por aquela máquina de triturar possibilidades, que entra na academia ou então o cara que consegue sobreviver àquilo, é ridículo, o processo é ridículo, é claro que tem gente que consegue, né Juba?
Novaes:
-Eu vou falar duas palavrinhas sobre os pontos de cultura e depois eu vou segui a provocação tanto da parte do Cláudio como do Antônio. Sobre os Pontos de Cultura, só para esclarecer porque as vezes a gente vai falando dos projetos e não deixa claro. Os pontos de cultura são entidades comunitárias, associação de moradores ONGs, existe no Brasil inteiro e agora até fora do país, está se investindo em pontos de cultura fora do país, que tem uma atividade cultural e que está sendo fomentado, está sendo impulsionado pelo ministério da cultura com o parco recurso que tem e em torno de 150 a 185 mil reis em parcelas semestrais que vão durar dois anos e meio, depois de findado este prazo o governo sai do projeto. Então todo o nosso trabalho de oitenta pessoas quase é de gerar a tal da autonomia, protagonismo e tudo para que esses projetos não morram depois que não tiver mais a graninha do governo lá pingando. Então toda a tentativa nossa é de dar a sustentabilidade desses projetos e de estabelecer a formação da rede, a comunicação entre esses projetos é o que vai ajudar muito a gerar esta autonomia e a sustentabilidade desses projetos depois. Os pontos de cultura foram, no primeiro edital, selecionados 274 pontos, 251 conveniados, todos esses pontos de cultura vão receber pelo primeiro edital o tal do kit multimídia que é composto de câmera, dois computadores para edição, um servidor, népra você pendurar terminais burros, estes computadores são descartados na lógica do metarrecilagem e tudo. E agora teve um outro edital, foram selecionados mais 328 entidades, então a gente tem para o ano que vem um universo de cerca de 500, 600 pontos para trabalhar que dá um pouco o alcance do que este projeto está sendo no pais e tem demanda pra fora também.
Bom, com relação a TV digital, rádio digital, eu vou citar o rádio digital também porque, eu entendo, quer dizer aprendi um pouco assim, que esse nome da digitalização ele não restringe ao vídeo, é um processo que passa também para o áudio é um processo de transformar a informação, codificar, transformar em string, né? Em feixes de informação e isso facilita muito, isso otimiza o uso do espectro bastante.
Então minha pergunta para o Takachi e eventualmente para o Antonio. Uma pergunta mais prática a respeito de qual é a importância de ter um estúdio sobre TV digital no Brasil e como vocês entende essa questão do rádio também que deveria ter sido junto. TV digital é hoje um projeto ligado ao governo brasileiro que havia decreto presidencial então o presidente instaurou um grupo de trabalho e tal; e o mesmo não aconteceu com o rádio. Hoje está sendo testado o tal do padrão tecnológico de rádio, que está sendo testado no Rio de janeiro, etc. E, enfim, a gente tem um caminho seguindo para o rádio e outro caminho seguindo para a TV, então eu queria perguntar qual era essa incongruência?porque isso está acontecendo? E qual o prejuízo que isso pode acarretar no futuro e tal. E a pergunta mais de fundo, para o Antonio também: é como que vocês vêem, quer dizer, eu tendo trabalhado com a TV digital, ter me aprofundado nisso, tenho sofrido bastante com esses retrocessos muito grandes que a gente tem visto no ministério das comunicações. Mas de outro lado tenho visto um avanço muito grande na questão da internet, da possibilidade de entrar na rede?, na possibilidade de comunicação bidirecional, a questão da banda larga, a questão de você ter muito mais autonomia sobre a infra-estrutura tecnológica que diz respeito a internet do que propriamente ao que a gente tem hoje em radio – tv, quer dizer, as tvs comunitárias hoje legalmente estão restritas basicamente ao cabo, as rádios comunitárias hoje são 8 mil pedidos sem sequer avaliação do ministério das comunicações, a gente tem uma rádio livre instalada dentro do campus universitário que é pré-desobediência civil a mais de uma década. Quer dizer, este cenário da digitalização não está mudando isso como poderia mudar se a gente radicalizar a idéia de que o espectro poderia ser utilizado e a gente pode dar vazão a pluralidade brasileira a diversidade...
Foi cotada a fala do Novaes
Takachi:
-Quando o governo autorizou para testar opadrão americano, que é o IBOC, ele tem um pequeno sério problema: pega canal FM, por exemplo, no caso da rádio muda, a FM que é uma rádio de 200khz; eu vou dizer o que que ele faz: ele bota sinal digital nas duas janelas laterais que teoricamente contém emissoras, então quando você tem um sinal analógico de 200khz, você passará a ter um sinal de 400 khz com o analógico transformado em digital. Até ai tudo bem, onde é que está o problema? No momento em que você remolda o sinal analógico, daqui a cinco anos, dez anos, essa raia de 400khz ela não volta a ser de 200khz, então, o grande problema é que o espectro original de cada emissora de 200khz passa a ser de 400khz no modo digital, isso tira o novo surgimento de novas emissoras com a interface totalmente digital. Bom, isso fora as interferências que ela provoca, então se você tiver, por exemplo, uma emissora de alta potência comercial e do lado uma emissora pequena, a emissora pequena ela vai começar a sofrer interferência do digital da emissora grande, então há uma série de problemas desse tipo que não estão bem solucionados e, infelizmente, o risco é mesmo ir por esse caminho e o problema deste caminho é que tem complicações deste tipo.
Em relação a TV digital o Thiago colocou bem a questão de qual é a importância do estudo da TV digital no Brasil. Bom, eu como sou técnico eu diria que para os técnicos isso foi muito bom, porque é uma oportunidade de trabalho que a gente tem, não é sempre que a gente tem a oportunidade de fazer um projeto que a gente ganhe no Brasil. Mas, na sociedade lê tem uma importância muito grande porque na hora em que você constroi uma tecnologia você embute nela uma série de regras e valores sociais, então, as tecnologias que existem ai no mundo a TSC, o DVB e SDB, elas foram construídas visando seu país de origem. Então o sistema norteamericano, por exemplo, que é muito preocupado com a imagem de alta definição é clatro assim porque nas mansões americanas você TVs de tela grande, aparelhos de hometheater, aqueles aparelhos são industriais por definição. Quando a gente pergunta: será que isso reflete a realidade brasileira? Em primeiro lugar um monitor de tela grande, embora esteja disponível em shoppings, é extremamente caro, mas esse não é o único problema. O problema é o seguinte, eu até fui ver o preço para comprar um, dividir em prestações e tal, ai eu fui ver lá o canto da minha sala onde ficaria esse aparelho e não cabe, uma tv de tela grande não cabe na minha salinha e isso é a realidade da maioria da população brasileira. Então, a gente construiu uma tecnologia no caso que seja uma tv digital ou seja qualquer coisa dentro deste cenário digital com relação aos pontos de cultura, como o Thiago apresentou, que vai refletir nossos valores, as nossas necessidades. Eu acho que infelizmente eu, no caso do projeto da TV digital, a gente não conseguiu abrir para toda a sociedade como nós gostaríamos, o Thiago é testemunha de que estamos fazendo muito esforço neste sentido, mas que por uma série de razoes isso não foi possível no começo. Agora, caminhando para a reta final eu acho vai muito nisso, para a sociedade participar deste debate ai e a razão de nós estarmos aqui é exatamente isso, de alguma forma a gente precisa abrir esse debate para vocês e receber as contribuições de vocês, antes que a caixa preta da tecnologia seja fechada.
Antônio:
-Bom, é, acho que o Takachi colocou os pontos fundamentais: não se trata de um produto, TV digital e rádio digital, se trata de um sistema, se trata de um framework, né?Ao contrario deste sistema, tem toda uma cadeia produtiva industrial, de conhecimento e de possibilidade de educação, de interatividade. A gente tem que pensar que a gente tem 180 mil escolas públicas no Brasil, 30 mil dessas não tem energia elétrica ainda, são 180 mil escola e não chega a 20 mil que tenha internet, né? Não chega ai a 11 mil as que tenham um laboratório de informática para as crianças trabalharem. Isso é completamente diferente em uma sociedade, como o Takachi colocou, americana ou européia você vê que a tv dos Estados Unidos majoritariamente é tv a cabo, no Brasil não chega ai a 5 milhoes de lares que tem tv a cabo e a taxa não cresce, está estagnada, né? O usuário brasileiro tem uma televisãozinha de 14 polegadas, este é o padrão no Brasil, e tem tv aberta, no máximo ele coloca uma parabólica ali para pegar o sinal porque onde ele mora não adianta colocar a escama de peixe que fica tudo chamuscado, né? Este é o padrão e este é o desafio social que nós temos que pensar e nós temos que acabar de pensar só no serviço, porque atrás de cada serviço tem industria, nós temos fabricado uma inteligência e uma tecnologia industrial no pais. Temos que fazer um mercado interno brasileiro de produção, se a gente for simplesmente importar vamos jogar serviço para fora novamente, nós vamos ficar mais burros e as escola de engenharia elétrica, de computação e tudo o mais aqui no Brasil vão formar engenheiros de marketing e não engenheiros de desenvolvimento, ou engenharia de sistema. Então, o que está em jogo na verdade é o desenvolvimento futuro, o que está em jogo é adequação social é rollet?, é dinheiro, é propriedade. O Takachi colocou aqui que praticamente todo o software que está sendo desenvolvido é em software livre, dificilmente a industria americana vai seguir essa linha. Então é essa a questão que foi colocada na importância.
Agora só para fechar nesta reta com o Thiago: eu queria colocar o seguinte: o plano de metas de universalização que a gente cumpre, as empresas cumpriram em 2002. Ai uma empresa pode fazer interurbano, a Telefônica aqui em São Paulo pode fazer DDI, que antes só era da Embratel, né? E telecomunicações no Brasil, pasmem os senhores, que pela lei novíssima, Lei geral de telecomunicações é de 1997, julho de 97, era só para telecomunicações até 64K, quer dizer a universalização que se pensa no Brasil e o novo plano de meta, que o governo Lula fez, que vai até o ano 2025 para as empresas operadoras manteve o entendimento de telecomunicações em 64K, internet não é considerado telecomunicações, conteúdo está fora, não é meta para as empresas, isto está largado ao mercado. Então está é a questão, estou exemplificando agora com o plano geral de universalização, que nós temos que repensar isso, não dá pra ficar assim, temos que nos indignar, que está colocado também sobre a questão da TV digital. O movimento social, e o Takachi já colocou um pouco isso, agente não conseguiu fazer essa discussão de uma forma suficiente, nem com o publico que está próximo de vocês aqui, um público privilegiado, de alguma forma nós aqui temos uma sensibilidade e estamos próximos a essa temática, senão não estávamos aqui. Quer dizer, nem nós mesmo que estamos próximos ao tema temos ainda não temos um acumulo suficiente e não temos muito claro de como interferir neste processo e temos que interferir porque está em jogo o futuro do país, da sociedade da informação que nos queremos para o nosso país e eu diria que não é só para o nosso país, eu diria que temos que ter um framework para a América do Sul, porque o problema dos bolivianos, o problema dos argentinos são muito semelhantes aos problemas dos outros países da América do Sul e também do Brasil.
Dia II cont..
Submidialogia 3
Campinas 27-30 de Outubro de 2005
Vídeo Volker Grassmuck
Cláudio Prado:
-Eu participei muito intensamente do começo das discussões da TV digital e criei algumas discussões homéricas, a questão do conteúdo, quando falava com os engenheiros era uma loucura e eu ficava obstinadamente falando: “não é nada disso, não é nada disso”. Foi uma epopéia interessante, foi uma experiência interessante. Depois eu me afastei porque a coisa estava ficando tensa do outro lado e na verdade hoje eu olho para prestar atenção para o que nós estamos fazendo com o kit multimídia e é efetivamente pegar essa frente de batalha de lá e colocar em outro canto e batalhar de uma outra maneira, de uma outra forma em um espaço que a gente consegue construir com a idéia do que o que que pode acontecer a partir de uma câmara e na possibilidade de transmitir isso e na possibilidade de se pensar tv local e na possibilidade de se construir uma tv no local... eu não quero usar a palavra comunitária, porque rádio comunitária virou uma coisa que não é nem radio, nem comunitário, nem porra nenhuma. O que que uma coisa local pode, como pode acontecer a tomada de consciência efetiva do que que é isso a partir de uma coisa que, como é da cultura é meio inocente, é meio bonitinha.. a cultura tem a possibilidade de passar invisível as coisas ai, e tem o ministro, as pessoas são meio malucas, mas vai passando, nós estamos fazendo a revolução e efetivamente criando uma consciência do que que vai ser, do que que poderia ser um outro modelo de inverte a mão do progresso. Então, não acho que..., é claro que aplica pelas questões legais, pelos modelos pelas coisas todas, pelo o que o Takachi está fazendo, o que está acontecendo por trás disso é sumamente importante, mas na verdade a gente tem como brigar com isso de forma transversal e é isso que a gente está fazendo e isso vai criar massa crítica mais para frente com certeza.
Ruiz:
-Daí essa massa crítica quando chegar em uma tv que ele não pode alterar o padrão que vai deixar só mais bacana o que que vai acontecer?
Cláudio:
- Como é que é?
Ruiz:
-Você monta uma massa crítica mas ai você tem, por exemplo, uma tv digital que...
Cláudio:
- Mas o cara desliga a TV pó, ele não assiste essa merda e pronto, ele vai fazer outra coisa, ele vai entrar em outro lugar. È obviamente que a TV, o poder que a TV tem de hipnotizar é uma coisa que precisa... mas eu tenho franca convicção de que o sistema está se destruindo a si mesmo, eu não acredito que o sistema estava avançando, dominando tudo, eles estão mesmo é perdidos, o Bush é um grande aliado, é um acelerador fantástico da queda do império. Eu que tenho 60 anos vou ver o império caindo.
Comentário: finalmente uma menina vai falar...
Kiki:
- É que a Elaine fugiu aqui do meu lado. Essa história que vocês falam de “.gov”, eu também sou, sou do planejamento de braços abertos lá recebendo o Antonio lá e tal. Trabalho em um negócio que chamam de programa inclusão digital que na verdade é uma tentativa de organizar o que todo mundo chama de inclusão digital e que, não existe esse conceito entendeu?! Vocês acham que está lá uns cabeças pensando no governo:” não agora vamos fazer a inclusão digital..”.Dai o cara do TCU acha que inclusão digital é uma coisa, o Hélio Costa acha que acha que é uma coisa. Então é na verdade, o que eu acho importante do debate aqui é o seguinte: sem governo é muito mais difícil né? Pra quem vê lá da ponta e olha para aquela burocracia e acha que ela faz algum sentido, que ela tem alguma razão de ser, e ela não tem mesmo, pra mim ela foi criada para que as empresas ganhem. A primeira coisa que a minha consultoria jurídica fala quando eu apresento um projeto de convênio é assim: “mas isso aqui vai interferir na concorrência das empresas de computador?” Da vontade de falar assim: “Meu você já ouviu falar de inclusão social? No artigo quinto da constituição fala alguma coisa de que as pessoas são mais importantes do que as empresas, mas só pra te lembrar viu?”. E a gente acaba tendo que ter o apoio de muitas áreas diferentes; eu sou jornalista agora tem um cara que é advogado que veio lá no Rio Grande do Sul que está trabalhando com a gente e que ele fico puto, ele fala:”Pó, eu era da procuradoria lá do Rio Grande do Sul e lá não tinha essa, no carnaval de Porto Alegre a gente liberado 5 milhões na mão das escolas de samba e o cara só tinha que apresentar uns recibinhos lá entendeu... eu não vou ficar pedindo pro cara fazer licitação, pro cara fazer as coisas que a máquina pública acha que é correta.”
Ai tem uma proposta de alterar a lei 8666, eu ouvi isso no corredor essa semana. É lógico que não vai alterar para aquilo que a gente acha que é o ideal, mas enfim, acho que todos esses espaços que todo mundo estava discutindo aqui antes: a academia, se é governo, se é sociedade civil... a idéia dos esporos é a única forma que vai resolver isso. Não vai ter um grande processo sincronizado em que tudo vai ser disseminado e vai passar a ser de outro jeito e, como o Cláudio falou, eu concordo plenamente: o último lugar que vamos conseguir mexer é no processo burocrático. Mas a gente fica lá tentando, como estaríamos tentando fazer se estivéssemos na sociedade civil.
O que eu queria provocar um pouco neste debate é que assim: tem determinadas coisas, a gente estava falando de TV digital, o Antonio falou do Gesac, que a infra-estrutura que permite que a gente chegue no aeroporto e tenha um pontinho wi-fi lá e permite que você fique conectando a internet depende altamente da industria, da regulação e de tudo isso, então, obviamente que a gente vai rackeando isso aos poucos mas, falta muito né? Como o Antônio lembrou as escolas não tem energia elétrica. A gente montou casa de cultura com acesso a internet no Amazonas com energia solar caréssima, então: Como é que a gente consegue fazer isso ganhar o espaço e a disseminação que a gente gostaria se não temos um ponto Gesac prometido lá atrás para colocar nos ponto de cultura? E a única resposta que eu consigo dar é que a gente vai ali formigando, explorando e fazendo as coisas que estando no meio do caminho pra tentar resolver isso. Mas em todos os espaços a gente tem que fazer a prática andar com a teoria o tempo todo senão a gente não avança.
Elaine:
-Bom, eu acho que essa questão é enquanto... Hoje o ministério, a gente vive uma dificuldade no ministério das comunicações, com a saída do Antônio tem uma ditadura lá dentro a gente nunca sabe... há uma desorganização, a gente está burlando a desorganização e hoje o que está fazendo a diferença é o trabalho dos emplementadores, é uma equipe de 25 pessoas, aqui a gente tem a Tati, o Perna, a Karina e algumas outras que estão por ai. E é o que está fazendo contato direto com a comunidade na sociedade organizada, então isso que está nos alimentando e nos dando resistência até saber o que que a gente vai fazer com esses programa.
E eu acho que pra resolver essa questão das antenas dos pontos de cultura tem que fazer uma ocupação lá no ministério porque fica essa discussão entre os gestores, eu não sei se vai, porque cada hora um fala uma coisa, cada hora está um de plantão. Eu não sei eu acho que a gente tem que fazer uma mobilização que é o que faz a diferença, e ai intensificar essa parceria dos emplementadores com os articuladores pra gente continuar rackeando ai onde dá, porque do jeito que está não tem perspectiva, ora vai expandir o programa, ora não vai, ora tem diretor, ora não tem, ai tem toda a estrutura burocrática. Enquanto isso a gente está de uma certa forma multiplicando. Estamos chegando ai de Recife, multiplicamos 111 pessoas a gente está com tudo aqui de tv digital, de rádio e tudo o mais e ai na realidade ainda tem pessoas que nunca tiveram acesso ao computador, não sabem pegar o mouse e temos que levar essa discussão ainda de TV digital, o que que é isso? Como usar um vocabulário que seja acessível para todo mundo, sair um pouco dessa concepção de cidadão comum que a gente tem falado.
Acho que é isso que eu queria compartilhar com vocês da vivência de quem está resistindo no Gesac.
Antônio:
-Eu acho que as soluções do ponto de vista técnico, as soluções técnicas, elas existem, só acho que devem ser evoluidas em uma direção que a gente ache melhor. Outra coisa que eu acho e que eu tenho vivido é que as coisas são fáceis, as coisas não são difíceis. Agora precisa de uma concepção nova a respeito das coisas. Por exemplo, no ministério da cultura a gente tem um ministro que é hacker, né? O ponto de cultura é algo profundamente radical, é algo novo, que inova, que anima, é algo que você vê o resultado apesar de pouco tempo você é capaz de ver os resultados. O próprio Gesac, em muitas comunidades você vê o resultado. Agora o que que acontece na verdade, as escolas publicas é administrada pelo município das crianças menores e a das crianças maiores pelo estado. Na sua grande maioria dos 27 estados brasileiros tem uma visão arcaica de tratar com tecnologia, você bota o programa, conexão, computadores, está lá tudo, mas se limita dentro da escola a usar aquele aparto que se colocou, mesmo depois de uma certa capacitação, apenas para fazer edição de texto, uma planilha, para fazer um desenho, que se usa muito... e parou por ai e mais: a criança vai ao laboratório, passa 45 minutos para escrever 15 linhas e ela vai ao laboratório para ter aula didática, ela não vai ao laboratório para ter uma experiência libertadora, para navegar, para descobrir coisas, para interagir com pessoas. Nas escolas brasileiras ela vai ter aula pedagógica. O rico, o filho do rico, que tem laptop em casa, ele joga, ele interage, ele faz blog, ele navega, ele passa quatro horas por dia, nem vai jogar bola. O filho do preto, do pobre, ele vai ao laboratório quando tem nas poucas escolas e tem aula pedagógica no editor de texto de um sofwarezinho ruim pedagógico que tem lá... Quer dizer a pessoa perde a semana inteira tendo aquela lavagem cerebral de português, história e geografia e agora também de word, quer dizer é mais um aprisionamento que se dá. Então, nós temos que na verdade, neste processo de inclusão, parece que a gente está em uma encruzilhada, como é que a gente sai disso? É um país continental, 180 mil escolas públicas, milhões de crianças... pó, as coisas são simples, a experiência tem mostrado que a gente chega a uma maneira diferente, de uma forma diferente, de uma mediação diferente, em um projeto muito de muito mais vanguarda, ele vai usar editor, ele vai usar planilha mas em um projeto muito mais transformador; isto realmente transforma, já muda, já abre já tem toda uma descoberta, nem que ele não chegou a usar, mas só aquilo já é uma profunda descoberta de um processo de mudança.
Eu acho que a gente precisa pensar nas nossas redes de processos sociais. É impressionante o processo de privatização realizado pelo governo de FHC em 98, no sistema de telecomunicações no Brasil. A privatização de fatiamento e internacionalização, não é privatização para o mercado brasileiro, é internacionalização, a única que sobrou ai foi a Telemar, né? O resto está tudo internacionalizado...
Veja: além de TV a cabo, nós colocamos cinco canais “gratuitos” sociais para serem usados na TV, TV senado, TV câmara, TV comunitária, a TV educativa, inclusive o próprio pessoal do CPqD, o próprio Takashi foi um dos caras que cabecearam essa luta lá na primeira metade da década de 90. Porque que a gente também não tem na TV digital os canais também sociais? Porque que a gente não tem, nas infra-estruturas de rede, que está sobrando rede, está tudo apagado, ai... porque que não tem conteúdo pra passar nas infra-estruturas de rede de fibras óticas espalhadas pelo Brasil; como é que a gente não tem lá a obrigação da empresa de ceder 5 fibras, 6 fibras, 10 fibras para os projetos sociais? De conteúdo, de cultura digital de inclusão digital, para as redes hospitalares, para as 180 mil escolas públicas, etc. Porque não? Porque que a gente não tem aqui nos satélites que nós temos aqui em cima que estão todos internacionalizados, tem um recurso que diz para as estações gestacionais que estão sobre os solos brasileiros, ali na região do Pará... Porque que nós não temos, para quem quer lançar um satélite ali, a obrigação de que ali vai ter um tanto de banda para projetos sociais comunitários, um tanto de banda que um percentual tem que ser reservado para as políticas publicas de inclusão digital. Porque não? porque a população tem que ficar no escuro? Daí a importância dos movimentos sociais, das comunidades, da academia para participar dessa discussão. E a TV digital está diretamente associada as essas questões, a questão da conformação da sociedade de informação, senão a sociedade da informação vai se excluir da gente; vai fazer quem tem dinheiro ficar mais poderoso em termos de informação, de poder decisório, de velocidade, de vanguarda, de articulação; e aquele que não tem dinheiro, que não tem acesso vai ficar mais pobre, mais distância, com menos informação. A sociedade da informação é profundamente dialética, ela pode caminhar no sentido da exclusão, e é essa a questão da TV digital, da rádio digital, das redes todas instaladas, da lei geral da telecomunicações. Agora está se fazendo a lei geral das comunicações de massa, O startado, um grupo que tem até março/abril de 2006 para apresentar um pré-projeto, um resultado. O que é profundamente importante, nós temos que mexer na lei de rádio comunitária, é muito importante esse momento das leis de comunicação em geral.
Então todos esses temas eles perpassão uma gama muito grande da sociedade de preocupações de todos esses temas que estamos discutindo aqui.
Só para encerrar: Sobre o Fust?. Quer dizer, vocês vêem a incompetência de pessoas que não conseguem liberar o Fust. Estamos indo para o quarto ano do governo Lula, tem mais de 4 bilhões de reais acumulados dentro do Fust, as empresas já estão dizendo que o Fust não é necessário porque não se usa... é de ? e até por um lado eles tem razão, porque está pago e não tem resultado social. Ninguém fica feliz de ter pago uma coisa e não ter retorno, na verdade não é nem a empresa que paga, quem paga é a gente. Mas é a empresa que recorre, né?
Então quer dizer está lá e... só deveria ir para o governo, só deveria ir para o governo federal quem tem projeto na cabeça, aquele que vai para a máquina pública para arrumar emprego, para ficar lá fazendo empuleiramente, para ficar fazendo aparelhamento, este tipo de coisa não deveriam ir para o governo federal, ou para estadual, ou qualquer outra coisa. Tem que ter um projeto, tem que ter uma história, tem que ter um vinculo social, tem que ter um acumulo anterior para ir para o governo, senão fazem feito esses hipócritas, ou acadêmicos, seja o que for, que vão para o governo e chegam lá, passa o tempo e não conseguem nem liberar uma coisa como o Fust, (que tem um problema burocrático, eu admito...) e resolver esse problema, porque não sabe. Recebe a bola no pé, pode chutar e chuta e faz um gol contra e a sociedade como um todo é quem paga e fica achando difícil e a gente é vítima de um monte de gente enrolam que está no governo, e fica sendo enrolado com discursos alfalaciosos que são deslocados do ponto focal da discussão. E acho que esse é um desafio da gente de estar participando realmente, conscientizando as pessoas de qual é o projeto que está sendo discutido e interferir efetivamente porque a solução está na nossa mão, esses pessoal que está no governo não vai andar, a coisa está emperrada mesmo.
Ruiz:
- É isso ai. A galera que está fazendo gol contra ai vamos voltar a favor. Galera que está fazendo gol positivo...E vamos lá... Caralho Kiki, só pra você não ficar tão mal ficou mais fácil fazer as coisas depois que eu entrei no governo.
E de certa forma o Antônio falou de um monte de incompetentes em altos escalões brasiliais e a Elaine soltou: Pô, quem está fazendo mesmo é a galera que está implementando os pontos Gesac que está... a galera ver alagando ai, ta fazendo, tá indo no ponto, mostrando tal que é uma galera mais social e vinha trabalhando com a coisa e tal, tal, e tem a galera que também trabalha no Cultura Digital, que já trabalhou com a galera que trabalha no Gesac que já trabalhou no Cultura Digital, tal, tal, tal... E de repente todos os meus amigos viraram .gov. E daí a gente tem uma mega escala de galeras não fazendo coisas e uma renca de indivíduos não muito aceitáveis socialmente fazendo coisas no mínimo interessantes com tecnologia e com administração pública.
Ai chega na mesa: como é que isso pode acontecer? Saca? Não, não saca né?
Bom, por exemplo, o Thiago está e ele fala e ele se veste bem, quando ele se fantasia... Tem um futuro político! E quando um rapaz tipo o Thiago cai para tomar conta de: “vamos falar de rádio, oficialmente”. E se por acaso o Rhato cai em: “vamos falar de gestão da internet”. Ou o Léo falar de “Cultura e Sabonete”, ou o Pajé e Tati. Ou o Perna: “não, agora o perna controla o Ministério das Telecomunicações”.
E ai? Agente vai liberar tudo? Será que a gente chega a uma hora de liberar tudo? Ou é igual ao que o C.P falou: “Não velho, tá ruído, não é que a gente vai liberar tudo.” É que chegou no momento em que a coisa vai liberar geral e não é por conta nossa ou motivo nosso, ou como diz nossa amiga Renata, que o Saulo não está aqui,: o universo conspira ao nosso favor. O universo conspira ao nosso favor ou é a era de aquário? Ou a era de aquário é uma grande bobagem e a gente só está trabalhando forte mesmo?
Alguém que trabalha comigo ou que já trabalhou e que trabalha no projeto de um outro ministério quer responder?
Ali o Otávio que não trabalha com ninguém...
Orlando Lopes : Nós os despossuídos...
Bom, gente, acho que a grande pergunta para começar, a grande questão é essa história de ter amigo .gov. Vou falar rapidinho em como eu cheguei a ter algum amigo .gov. Na verdade eu sou um professor, sou um acadêmico, queria ter falado um pouquinho mais sobre a academia mas a gente pode pegar um outro espaço ai. E, eu sou um acadêmico que teve que sair de dentro da academia para continuar sendo um acadêmico. É uma coisa que eu gosto, eu acho legal, é uma maneira de viver, é uma maneira de encarar a vida também e que fica presa dentro de certas estruturas que são as estruturas institucionais que vão moldando a vida da gente, vão encaminhando, vão apresentando modelos de viver, e se a gente não para pra analisar a origem deles a gente passa a reproduzir, pura e simplesmente, passa a ficar preso, passa a ser pressionado pelos pontos em que essa instituição não nos considera humanos. Daí da uma série de discussões e que cada universidade da federação deve considerar a partir de sua localidade. Em cada lugar existe uma maneira de se viver e o modelo da universidade é um modelo federativo, um modelo nacional, que reproduz um modelo europeu etc, etc, etc.
Mas, como é que a gente atualiza o modelo da universidade no Brasil é que é uma das grandes questões.
A gente tem muita liberdade para falar, a gente tem muita liberdade para propor. Ontem aqui por acaso, começando a conhecer a UNICAMP, eu vi pelo menos umas três ou quatro situações que eu estava presente, que eu teria medo, se eu estivesse na minha universidade, eu teria receio de tomar certas posturas e as pessoas aqui tem uma tranqüilidade muito grande para se manifestar e, de uma forma geral, as universidades tem essa liberdade no Brasil. Uma série de questões para uma outra hora gerar uma discussão sobre o histórico da universidade no Brasil, em um outro evento, um outro submidialogia de repente para gerar essas discussões mais específicas.
Bom, como eu estava falando, eu tive que abrir mão do meu vínculo com a universidade. Passei seis anos na iniciativa privada, dando aula paga no ensino superior privado, que me levou até o ponto em que eu descobri que eu poderia devorar o próprio ensino superior privado também. Mas para isso primeiro eu tinha que criar um pouquinho e sair de dentro de lá. E eu estou... O Clovis estava falando aqui a questão de sentar e começar a fazer, eu acho que estou com um problema inverso, eu estou ha quatro anos com um projeto pronto e não pretendo trabalhar com ele. Para não surtar de novo eu tive que ficar quatro anos depurando esse projeto na minha cabeça. Então a única maneira de fazer isso foi elaborar um pouco o teórico que eu tinha disponível. Sem estrutura para trabalhar a única coisa que eu tinha eram os conceitos e com os conceitos eu fiquei formulando e reformulando, fazendo uma versão do projeto, chegava no meio do caminho eu encaminhava para alguém e alguém me negava, necessariamente; as pessoas não estão atentas para este estratégico todo. Nós estamos aqui, os tais sincronizados, os tais privilegiados, a gente conhece um tipo de discurso todo para colocar e que a massa das pessoas, aquele corpo social que precisa ser mobilizado ainda está começando a traduzir, ta começando a digerir, está começando a ser colocado para eles.
Bom, até um certo momento eu fiquei imaginando aquele pessoal de antropologia lá, o Roberto Da Mata... Fala-se muito do jeitinho brasileiro. Vamos então pensar lá qual é a característica do Brasil. O jeitinho brasileiro é visto de uma maneira negativa, mas, via de regras, a gente parte do princípio de que se a gente conhecer que está no lugar essa pessoa pode ajudar a encaminhar aquilo que a gente tem necessidade. Essa é uma forma geral das pessoas.
Bom, a primeira grande questão é superar o limite de que com a ajuda de um amigo passa a ser dentro da lei ou fora da lei. Vou dar um exemplo muito rápido aqui de cheger na camaradagem. Eu cheguei aqui, aliás, antes de chegar aqui eu já fiquei sabendo que eu tinha duas passagens de avião, uma que o meu estado me forneceu para eu vir pra cá, mas no meio do caminho a galera se mobilizou ai e me mandou uma passagem de avião por email para eu vir pra cá. Meu primeiro raciocínio, sendo extremamente honestos com vocês, foi: Como que eu pego essa passagem pra mim? Vim pra cá duro, estou esperando minha diária que ainda não bateu e não sei o que, e alguém fala que vai me dar uma passagem de 500 reais que eu posso ir na agencia e pegar esse dinheiro e, pelo tipo de controle que está rolando, pelo tipo de confiança que está rolando eu não precisava declarar isso par ninguém. Então cheguei, parei pra pensar e, quando eu vi que a galera estava levando a sério o evento eu falei: “Poxa, são 500 paus, 600 paus que poderiam estar ajudando alguma coisa pra gente colocar ai e tal esse dinheiro desta passagem de volta”. Ai você vê um pouco o limite do que é ter amigo .gov, você pode estar botando os outros em roubada sem nem perceber, começa um pouco daí. E ao achar essa coisa do .gov eu fui descobrindo, faz um ano que eu já tenho contato com o Ricardo, a Tati eu conheci quando estive no Rio semestre passado, que é sentar com as pessoas e começar a conversar com elas desarmados. Passa um pouco de pensar em ter amigo .gov por ai, é você começar a sentar com as pessoas, trocar uma idéia, saber onde vai por essa idéia ou não partindo do princípio que o outro não quer te detonar, o outro não quer te sacanear. Isso pra mim é obrigado em amigo.gov . E depois começou a rolar o seguinte: ter amigo .gov não resolveu minha vida em nada nesse um ano, meu projeto continuou lá, a única coisa que eu tenho certeza é que as pessoas que eu estou em contato, quando elas estão tendo oportunidades, elas estão me ajudando a fazer eu passar o projeto que eu tenho. Mas, em um ano que eu tenho contato, em nenhum momento, a gente não infringiu nada que moralmente pudesse ser condenado. Então, para a minha grande experiência, que eu acho muito legal, de estar tendo alguns amigos .gov e ver as pessoas virando .gov, é poder ver que é possível conversar honestamente com as pessoas.
Eu acho que a proposta do evento é a gente sentar, localizar os interesses de cada um e começar a dividir um pouco os frutos, não existe totalidade acho que não tem 100% de pessoas aqui presentes interessadas no que a gente está falando. Tinha que ter mais dois dias pra gente se localizar de quais são os interesses que a gente pode mapear nas pessoas e subdividir minimamente os grupo para que a gente possa se conhecer e pensar uma pauta pra que da próxima vez que a gente vai poder se concentrar em algum lugar para aproveitar melhor o tempo.
Ruiz:
A gente podia até pensar um lance a mais ai, que vai até para os objetivos gerais dessa pataquada toda. Ai leva mais ou menos para a história de qual o sentido disso. O C.P. virou e falou assim: “Pô mais daqui a dois anos, não tem mais o governo, não tem mais nada” E agora que tem a oportunidade de trabalhar com o Felipe em um projeto governamental, com a Tati em um projeto mais ou menos governamental, com o Rhato que nem se fala, com o Gabriel, que não trabalho com ele diretamente, mas ele é companheiro de trabalho..
Então, o que que a gente está fazendo neste últimos três anos, o que a gente vem fazendo e como a gente pode continuar fazendo coisas para além deste três anos que possam vir a frente e como a gente pode ir seguindo desta rede e como a gente pode ter o Gabriel no Recife pirando junto com o Dalton no sul, ou com o Vitor em Brasília ou alguém como o Paulo, que nunca está em lugar nenhum, nunca ninguém tem o email dele, e esse cara nunca sai da nossa bota. Então como a gente consegue estruturar esta rede minimamente ineficaz/eficaz para continuar trabalhando futuramente. Então a intensão nossa ai o que que é? É colocar todo mundo que está sentado ai... (brincadeiras) E dai realmente ver como a que a gente veio trabalhar, o que que a gente tem feito, como que a gente pode re-desorganizar nossa rede que está sendo organizada, ou não, e pensar como a gente pode continuar trabalhando em conjunto com o Felipe com o Gabriel, com o C.P., com o Antônio e tal. E daí vem o C.P. e fala: “Pó, é um lance que a galera vai falar o que a galera já conhece” Pode crer mais a galera não sabe o que vai virar e como vai conhecer, e como vai continuar fazendo e como manter mais cinco, seis, dez, doze anos de piração mil e com rock-n-roll sem parar
FF:
- Bom, é, só querendo dar uma geral!
Acho que uma coisa fundamental destes amigos .gov. Acho que esses amigos.gov, se você falar em outro contexto, sei lá, há cinco anos atrás usando outras pessoas. Amigo.gov geralmente é sinal de privilégio né? Eu tenho amigo.gov então estou acima do resto da população e tenho acesso a alguma coisa. E ai que a gente está vendo uma coisa que é diferente que é: uma galera que já trampava junto, uma galera que já estava junto, conversando e fazendo coisa junto há, sei lá, três, quatro anos e de repente surgiu a oportunidade, nem surgiu a oportunidade, foi construída a oportunidade dessas pessoas terem uma estratégia macro de possibilitar o trabalho junto; não todas, mas um grande número delas, e continuando a trocar com outras pessoas que fazem parte desta rede.
É, uma coisa que eu me pergunto as vezes é se encerrado o governo; se acabou a possibilidade de trabalhar para governo, se faz sentido a gente continuar pensando em uma estratégia macro, se é possível a gente em uma articulação incluindo todas essas pessoas e que tenha um direcionamento, ou se na verdade isso continua correndo de uma maneira descentralizada de qualquer forma. Tem uma coisa assim: essas pessoas que viram .gov, elas não são só .gov. Então assim, não são pessoas que são só governo, ou são pessoas que a partir de agora “não, agora eu estou no governo então agora eu tenho poder” e sei lá o que e que vão começar a agir como é a imagem normal que a gente tem de quem é .gov.
Então, acho que assim, a maioria das pessoas aqui, tenho certeza que o Dalton, o Ruiz, o Ale, o Novaes, todas essas pessoas que trabalham que eu conheço, pelo menos os mais próximos, uma vez que não tiver mais apoio .gov, essas pessoas vão continuar trabalhando juntas.
Então assim: a minha pergunta para todo mundo, não sei se existe uma resposta para isso, é: É viável uma estratégia macro para ajudar essas pessoas uma vez que este governo tenha acabado e que o Enéas seja presidente? Ou se na verdade essas coisas continuam e na verdade não é necessário a gente pensar nesta estratégia e em ter uma estruturação disso e ter esses diálogo e querendo assim: com o objetivo de fazer coisas junto uma vez que não tem mais este apoio.
Kiki:
-Eu quero, não tem nada a ver com o planejamento... Todo o lugar que eu vendo as pessoas que manjam desta história do estado, da gestão pública não sei o que lá. Todo mundo que eu leio que não concorda com esse modelo que está colocado eles só estão falando assim: que o planejamento é uma peça de ficção, que não adianta nada planejar o estado enquanto existe o superaft. Então acho que assim essa é um discussão, não é uma discussão gov não.
Mas eu queria falar um pouco do que eu vi acontecer em um evento que eu tive um certo incomodo de ajudar a organizar, que aconteceu na semana passada no Rio de Janeiro. Que é um evento que desde de 2002, ou seja nem era governo Lula, no lugar que eu trabalho hoje eu organizava com duas ONGs e a primeira vez aconteceu em Brasília, a segunda vez eu não sei e a terceira vez aconteceu em São Paulo, que foi o ano passado e essa vez foi no Rio. E o ano passado teve uma rede de telecentros da prefeitura de São Paulo então teve um monte de participantes assim, os caras que eram do telecentro, ou que eram monitores... e os gestores e gente que veio da américa latina ai de uma rede de telecentros (site: somos@telecentro). Só que ai esse pessoal no ano passado estava lá bombando, discutindo, fazendo grupos de trabalho, de discussão, encaminhando coisas para compor uma coisa sula americana, caribenha, latino americana, sei lá o nome que deram. Chegou esse ano o evento rolou, sei lá, tinha muito poucas pessoas, foi mal divulgado, sei lá... Eu consegui colocar na programação o Thiago, o Léo já estava por outro canal, ai a gente puxou o Ruiz, depois de encontrar com ele no bondinho de Santa Tereza. É e o legal de o CP ter feito isso é que o pessoal que estava lá nunca tinha ouvido falar dessa história entendeu? Então um monte de gente se encantou com o negócio e procurou, principalmente fora da palestra, discutiu lá o assunto e depois foi procurar os caras depois da palestra pra conversar e foi o que foi possível fazer. Mas o grande incomodo do evento foi justamente que esse povo todo que estava achando que estava lá representando a sociedade civil e não sei o que lá, sentiu que não existia, que eles não faziam parte de movimento nenhum, que eles estão tentando agora institucionalizar um Fórum Nacional Permanente de Inclusão Digital com três organizações que sabem e que fazem até auto-crítica de que não representam a sociedade civil porra nenhuma, representam, os seus grupos. Tem muita gente ali que nunca nem foi sociedade civil, sempre foi .gov e que ficou órfão lá em São Paulo que perdeu a prefeitura e que teve que se organizar, né? E que não é ruim isso, os caras querem agora fazer um confronto com que está lá entendeu? Enfim, então acho assim que é difícil, falando um pouco do que você estava falando, enquanto a gente é .gov, de alguma forma a gente tem mais infra, verba, forma de se articular que dificilmente quando a gente vai para um repertorio? novo a gente vai ter, mas o que você já tinham neste movimento que tem construído aqui é essa rede construída previamente que ela aproveitou esses gás que o .gov pode dar e foi se esparramando e foi conquistando gente mais além dessas fronteiras assim, e isso vocês não vão perder... vocês, nós, sei lá, entendeu? É isso!
Perna:
-Eu queria declarar só que eu entrei agora lá no projeto Gesac, como emplementedor, e ai chaguei lá novato na comunidade com os malucos ai os caras falaram: O, agora você é .gov... Ai eu falei não. Antes de ser .gov eu sou África, ai depois eu sou casa de Cultura da Tainá, ai eu sou expresso 411, ai depois eu sou o Perna, ai depois eu sou o Dick que é meu pai na minha vila, ai depois eu sou da galera do Gesac. Porque? Porque eu sei da onde eu venho, então acredito que essas coisas vão acontecer a partir do momento que gente se identificar com as nossas raízes. E esse encontro, esse macro, vai acontecer quando a gente se identifica com alguma coisa, vai na música, eu conheci o Cris Sccabelo do som, uma galera eu conheci agora do digital. Existe outros vínculos de conexão que não são .gov. Então, quando a gente consegue descobrir essa essência que é a essência sincera mesmo, é disso que o .gov se alimenta também ta ligado? Ai as coisas vão continuar.
Era isso que eu queria falar.
Novaes:
-Então, eu quero fazer só um pequeno comentário: a história do .gov, eu acho que a gente vive muito isso hoje. Enfim, é uma novidade muito grande a história de a gente ter mais interesse público dentro de um governo. Para situar eu acho que assim: existe uma crise muito grande em relação ao que o governo do PT tem feito, que que foi essa conquista, muita decepção. Enfim, uma coisa muito colocada em cima desta crise política, que a gente sabe que é muita falácia e tal. Mas o que eu queria colocar é que é de fato uma conquista essa coisa histórica mesmo de ter um governo de esquerda colocado e que isso abriu vários espaços que a gente está ocupando. Então, assim, não desconsiderar que existe um espaço público, que será apropriado pelo interesse público e que nós somos os defensores do interesse público.
Quando se fala em .gov hoje, pelo menos para quem está aqui dentro, se traduz muito mais em defesa do interesse coletivo, em defesa de um debate público, em defesa de um monte de coisas que não estão presentes na sociedade brasileira que não existiam antes no governo, com o espaço que esse governo abriu. Então, eu não tenho o menor problema em, claro reconhecendo da onde eu venho, mas de me identificar como .gov, mas não no sentido de privilegiado, mas no sentido de responsabilidade que a gente tem sim. Enfim,muita gente que compra isso que está afim de cuidar desta parte, de interesse público, de projeto público, política pública. E que a gente tem um espaço que está sendo ocupado hoje e que a gente está, de alguma maneira, ocupando sem muito medo, sem muito salto alto digamos assim. Enfim da galera que fica brincando de fato... Tenho sim que usar um terno em Brasília senão ninguém bota para minha cara e bota fé de que eu estou defendendo os interesses do ministério da cultura, e olhe lá.
Então assim, são coisas que são importante para relação.
Não, é só para situar isso: que a gente não descole essa história do .gov do momento político que a gente vive, do espaço que a gente está conquistando e que a gente tem que traduzir, na medida do possível, esse .gov no sentido mais de responsabilidade social, no sentido de interesse coletivo do que própria mente de privilégio individual.
Ruiz: Passa para o Léo, o autor da famosa frase: Cultura não é sabonete...
Léo:
- Bom eu vou falar muito parecido com o que o Thiago falou, apesar de eu parar para pensar agora e parece um discurso político, mas... Ontem a polícia federal pegou o meu passaporte ai eu fiquei na fila do lado de fora assim... ai de repente passa o guardinha com uma cara: “de bermuda não pode entrar heim?”
E eu fiquei pensando como toda a relação do Brasil com o governo, qualquer hora com o público, é uma relação que não é amistosa, pelo contrário, o governo, que teria que servir o cidadão, pelo contrário, está sempre para atrapalhar, o governo é sempre uma peça que está ali paras encher o saco e o público não é público, é de ninguém. E acho que esse negócio de a gente estar lá .gov é muito... Nosso trabalho, quando a gente chega lá com o Ponto de Cultura, e acho que com o Gesac deve ser a mesma coisa, quando a gente chega lá os caras: “ não, porque o governo, cadê o meu não sei o que...” Estão sempre esperando uma coisa e culpando uma coisa externa e superior e no nosso trabalho a gente fala: “meu, esquece isso, vamos fazer, vamos falar vamos ver o quanto a gente pode fazer aqui e tal e resolver essa situação na hora.”
Então é uma coisa de servir, de fazer um serviço de fato ao público. E metade do nosso trabalho, todo mundo que trabalhou nestes dois projetos com certeza sabe disso, metade do trabalho é driblar as pessoas que estão no governo falando: “Esperai, vocês estão querendo trabalhar? Como assim? Vocês estão querendo fazer alguma coisa? Não, não, esperai, não pode fazer!” O Cláudio deve poder contar um monte de história sobre isso. E, então o lance deste pessoal em específico poder virar .gov tem muito uma coisa de subverter essa imagem do governo, subverter esse papel do governo. Não, vamos fazer o que é para ser feito, vamos fazer alguma coisa de fato.
E é essa a minha sensação, esse é o meu sentimento.
Cláudio:
-Eu acho que nós estamos abrindo esperança de pessoas que tinham perdido a esperança em governo...
Ruiz: alguém quer colocar mais alguma coisa...
Ale:
-Eu queria colocar uma coisa antes do jantar:
Eu, quando vi no site lá o título desta mesa, eu fiquei bastante feliz. Achei bastante criativo: “quando os meus amigos se tornaram .gov” . Eu comecei a ficar... comecei a pirar neste história porque eu não acho que meus amigos viraram .gov né? Os meus amigos eles não falam de inclusão digital, eles não estão a mercê da estrutura que está lá. E eu, particularmente, usei o .gov. Eu tenho o cartãozinho do MinC que eu fiz no Gimp, eu mesmo, não tem mistério, aprendi isso com o Cláudio. E o lance na real é que os meus amigos hackearam o .gov, eles usam isso como uma bandeira. E pô eu já estive em uma situação que me chamaram até de sta de puteiro. Porque “porra como é que você está aqui no meio destes coletivos todos falando em nome do governo, falando como governo e tal?!”. E aquilo me deixou muito chateado, vê pessoas que são os meus amigos falando “ esse cara era meu amigo, ele virou .gov”. Tem várias maneiras de encarar essa situação.
O que eu queria na real era no sentido de... Eu gostei do jeito que esse debate começou. Começou falando de TV digital ai a gente cai na ação da infra-estrutura, né? Então, a TV digital ela nada mais é do que: vamos determinar uma plataforma que é a infra-estrutura de telecomunicações do país. A gente fala de fibra ótica como infra-estrutura também né? A gente fala de coisas que não conseguimos fazer se não formos .gov. Ainda mais no Brasil, ainda mais em um país do tamanho do Brasil, tem coisas que você não consegue, se você não tiver esse link.gov você não consegue realizar. A gente não vai, por mais que a gente queira, eu posso até dominar a tecnologia mas, se o gov quiser colocar a WTV como prioridade e escolher um padrão americano para a TV digital a gente não vai conseguir fazer a nossa rede de TV digital no padrão brasileiro ai. O governo que regulamenta, o governo que determina e, na verdade a gente está a mercê do governo e das corporações e da economia, porque eles que vão determinar essa infra-estrutura. Eu não tenho muita ilusão de conseguir mudar essa realidade, inclusive com bastante tristeza porque, poxa, acho que ninguém aqui tem dúvida de que TV digital tem que ter interatividade... não tem que ser uma puta TV de 15 mil polegadas que não cabe na sua sala. Acho que isso não faz o mínimo sentido, ao mesmo tempo que acho que faz porque isso serve outros interesses, interesses econômicos e tal, da grande mídia.
Enfim, acho que a gente pode pontuar nossa ação para ter um pouco de impacto nisso, mas eu não vejo pessoalmente, ou mesmo nesta rede de amigos .gov... a gente não vai conseguir determinar essa questão que está muito a mercê da infra-estrutura.
Mas, então, voltando ai. O discurso começou na infra-estrutura e a gente segue com os amigos .gov, né? E como eles estão hackeando, como eles estão trabalhando junto, como eles estão na ponta: são os implementadores... e ai sim, eu acho que a gente tem muita força, porque a gente chega e a gente chega lá, por mais que tenha a bandeirinha .gov, a primeira coisa que a gente faz é rasgar e mostrar a camiseta da rádio muda por baixo e dizer: “ não eu que fiz o cartãozinho do MinC, quer um?”. “olha aqui o software livre, você pode usar e pode distribuir”
Se o governo for lá e colocar a infra-estrutura da TV digital em um padrão que não é legal eu vou falar para a galera “olha tem IPTV velho, com a internet você faz TV também”. É uma puta oportunidade a gente deveria lutar para ter essa infra-estrutura servindo o bem público, mas se não puder a gente pode hackear por outros caminhos entendeu?
TV digital nada mais é, se você for pensar, uma grande rede wireless, né? Que você está transmitindo dados digital, que você faz também na rede wireless, você está montando ali uma rede, tem a possibilidade da interface.
Se eles optaram por boicotar seis anos de pesquisa e instalar um sistema que vai atender os interesses comerciais, a gente tem essa alternativa porque eles não vão conseguir boicotar a internet. O governo, nem as corporações, entendeu? O negócio já está lá, ta funcionando e ai, a gente continua a mercê da infra-estrutura, a mercê dos donos da fibra ótica, dos donos do satélite, mas enfim, eles vendem esses serviços, a gente pode falar para as pessoas que: olha você se posicionar como cliente, obter esse serviço que ai sim, tendo acesso a essa rede, eventualmente nosso trabalho pode levar a algum lugar e construir alguma coisa.
Tentando amarrar então, o que eu queria falar é que os meu amigos que viraram .gov, nunca vão virar .gov, porque eu sei dizer entendeu, as pessoas que elas são e que acho que a gente na verdade deve encarar essa oportunidade de estar usando o .gov, está no governo e tal. Ter a infra-estrutura que é muito legal, ter o meio de poder sobreviver fazendo esse trampo. Eu sempre fiz esse trampo, a maioria das pessoas aqui também sempre fizeram, mas era bico né? E agora com a oportunidade .gov é o meu trampo de fato.
Eu acho que a gente tem que encara esses ano que vem, que é o único que a gente sabe que vai estar lá que eventualmente depois pode mudar tudo, como uma janela de oportunidade para: conseguir levar esse trampo que a gente fez para uma escala que é a escala que só é possível através do .gov.
E, porra, eu fico puto cara quando vem me falar de 600 pontos de cultura, ou então 6000 pontos de cultura. Porque o gov é a escala e a escala é voto e então para a galera está interessada em estar reeleita, quanto mais melhor. E a gente que está lá na ponta, que estamos fazendo, a gente sabe que isso não necessariamente é verdade, a gente sabe que, eventualmente, 600 não é melhor do que 15, mas 15 bem feitos.
O lance é que eu acho que a gente tem que encarar esse nosso trampo agora como fazer bem feito o que a gente conseguir, eu não tenho ilusões de que a gente vai conseguir fazer os 600 pontos de cultura, a gente não vai. Não vai, são muitos ! e ai, porque a gente não vai, porque o .gov está interessado nos 600 pontos de cultura mas não tem a grana para 600 pessoas para trabalhar, para fazer esses pontos de cultura serem o que eles realmente podem ser no seu potencial. Eles tem um pouco de grana para bancar uma equipe que são os meus amigos .gov, a gente esta hackeando, estamos fazendo associações com os outros emplementadores , a galera que está na ponta. Então, porra, a galera do Gesac vai ajudar nas oficinas, vamos se articular pela ponta para tentar consertar as cagadas do governo, eles estão interessados em milhões de ponto e obviamente a gente não vai conseguir fazer, mas vamos juntar forças, vamos juntar equipes. Eu to muito feliz de vários amigos .gov no Gesac, porque eles tem projetor, celular...
Eu acho então que a gente tem que pensar em como se articular para agora aproveitar essa oportunidade, mesmo debilitado, mesmo sem...
Cláudio:
-Eu .gov.
Agora o há dois anos atrás quando eu dizia que ia ter 80 pessoas, você dizia o que pra mim?
Alguém: que era mentira!!!
Cláudio:
- Então nos vamos fazer os 600 pontos e você vai ver o que vai acontecer...
Leo: vamos fazer uma vaquinha e comprar um satélite...
Takashi:
-Acho que eu vou falar sem microfone pra não poder (...).
Risos.
-eu nem sou .gov, sou .com
-Bom eu ia falar da TV digital: eu não sei quantos de vocês ao hackers, porque eu gostaria de instigar os hackers, por causa da mentalidade hacker, por causa do que tem de ruim na mentalidade hacker.
Qual é o problema aqui? É, sem querer desmerecer, nem nenhum hacker, mas eu acho assim, quando ele começou a falar... tem uma coisa de hacker, né? Que é o seguinte: é aquela vontade, aquela idéia de ver uma coisa que já está pronta e querer subverter ela. O hacker está a tento a isso: “se não existe rádio, como é que eu vou construir?” Isso é um pouco do que o ponto de cultura faz.
Quer dizer eu estou simplificando um pouco o processo, vocês podem criticar essa simplificação, pode ser que eu esteja 100% errado. Mas o ponto que eu estou querendo chegar é o seguinte: a TV digital ela está em construção. Na semana passada eu participei de um debate lá com o pessoal da intervozez, que aliás é um pessoal muito legal, que o pessoal do intervozes eles eram estudantes de comunicações e eles, depois que eles se formaram, um pessoal militante, estudante de comunicações. Eles... “pô gente o que que a gente faz depois que está formado?” eles falaram vamos criar a Intervozes que é uma ONG, e continuaram fazendo a mesma coisa que eles faziam no centro acadêmico. então é uma galera jóia. E eu tinha participado de um debate com eles exatamente sobre o que que é possível fazer na TV digital em termos sociais? E um deles fez a seguinte pergunta: mas o projeto da rádio digital já está definido, em relação a tv digital tbm, o ministro Hélio Costa já disse que vai usar os padrões japoneses, então já esta fechado. Ai eu falei: “Não, olha, isso aqui não é jogo de vôlei, enquanto o cronômetro não marcar zero a bola está rolando e o jogo está valendo e se o jogo está valendo ainda, tem chance de a gente virar a mesa.” Então, a idéia é exatamente esta: existe um prazo dos meados de dezembro pra gente finalizar a parte técnica, existe um prazo de meados de fevereiro para bater o martelo. Mas, enquanto não bater o martelo está aberta a discussão para a sociedade participar. Como é que vocês podem participar? De várias formas: é a gente está conversando com alguns deputados para ver se a câmara elabora ai um projeto de lei na área de TV digital. Dentro das complicações que o Antônio já tinha feito de porque que uma TV digital não pode carregar uma TV comunitária, ser mais uma TV comunitária e coisas desse tipo. Todas essas idéias são possíveis e todas essas idéias estão abertas para serem incluídas no projeto de lei que é para ser discutido.
Então, existem muito espaço de discussão antes que essa tecnologia esteja fechada. Depois que a tecnologia estiver fechada, que a galera já estiver feito, ai sim eles podem levar para ver como é que participa dentro dessa meleca. Agora, antes disso vamos tentar trabalhar para fazer uma coisa mais democrática.
Era mais ou menos isso que eu queria falar.
Ruiz: acho que a gente pode fechar o dia com a frase do Juba, nosso garoto prodígio do dia: “pó, se zoarem a TV digital a gente transmite com UHF!”
Risos
Informes para o jantar...
Dia III
20 de Outubro de 2005
Mesa: Oxalá Shiva!
Bia:
- Isso tudo é verdade mas e ai? E ai? Então a gente fala puxa vamos lá mas não tem nada a ver a gente por que eles vivem uma realidade diferente.
Então quando eu falo isso eu procuro tentar ver, as diferenças que a gente tem, as diferenças culturais, as posições que eles tem nos projetos deles, que são muito específicos, não vai adiantar a gente tentar transportar o cybermohala pra cá que não vai funcionar, não vai mesmo. Mas tenta entende...
58:28 O SOM PAROU DE FUNCIONAR..
Voltou a funcionar 1:08:00
Continuação de uma fala do Ale:
-Ele está perguntando da pessoa juridica que está por trás disso, se é um instituto de pesquisa?
Mônica: Si!! Sarai and sybermohala started at the same time because Sarai started. And when started Sarai, it was by saying that, there is always the imagination that in countries like Índia and Brazil, I imagine, you have to think LIKE the country, you need to do things in behalf of the country to get a name and so on and so far. And we said Sarai is not going to be like that because we beleive in conversation, research, making things, doing things, is an important way of intervening in society, it’s not only importantly what in the world are we going to do there, that’s of course very important, but equally impotant is the world of the mind, and the world of sharing and the world of creativity, so Saria totally started with that imagination, and cybermohala is part of that, so it is not a separate thing. So public domain was an important category thinking about our role in life, how we meet and share things, and the reproduction of material goods. It’s a big spectrum and the spectrum is continuous.
Ale:
-O Sarai começou então, ao mesmo tempo que o cybermohala, são projetos que nasceram juntos né? E ela começou a desenvolver a idéia de que tem sempre a imaginação das pessoas sobre os paises, o Brasil, a Índia, né? E alguns dos projetos assumem que você tem que pensar como o país, você tem que se adaptar ao país para conseguir fazer a sua coisa. O Sarai, não vai ser um lugar assim, a idéia desde o inicio é que o Sarai não pensasse neste contexto, porque eles acham que conversar, fazer, pesquisa, refletir é muito importante. É um puta de um trampo e é tão importante quanto o trampo de infra-estrutura, entendeu? De colocar fibra ótica, colocar saneamento básico, né? Intervir no mundo da mente, refletir sobre o urbano, sobre essa cultura, todas essas coisas, mas fazer esse trabalho na cabeça das pessoas. E ai ela falou então que o trabalho que eles fazem é mais de um espectro muito amplo e esse espectro está mais para parte difusa...
Cara da PUC-SP:
Pelas falas deu pra pegar que há diferença entre o escopo social no Brasil e na Índia. Mas como a Bia falou não dá pra ficar “ai nos somos mais violentos, somos menos violentos” Acho que a coisa do consumo também. Como ela mesmo falou é uma coisa que demandou um tempo, não apareceu logo de cara: quer dizer, as pessoas vão construindo isso só que... teve uma coisa na fala dela que eu achei muito bacana que o foi o momento que ela falou da coragem para falar e também da coragem para ouvir, que acho que o que falta talvez aqui é a coisa da coragem; das pessoas tomarem esses projetos, esses empreendimentos, seja lá o que for, e não abandonar, porque é fácil falar que neguinho vai lá com uma perspectiva de que quer comprar um tênis ou de que aqui o corpo social é mais violento, não sei o que; só que as pessoas que começam a trabalhar com isso elas perdem essa perspectiva de que isso é uma coisa micro, feita no local, na comunidade e, pensam sempre o poder de uma forma genérica. Então tem uma perspectiva do poder sempre descendente e não ascendente de que todos são produtores e difusores e retransmissores de poder. Então a gente abandona essa tabulação micro, começa a pensar o macro e no macro tem o estado. Então uma boa parte das pessoas que trabalham com isso, ou vão para o estado e ai acaba esvaziando essa ação, esta atuação no micro, ou então vão para a corporação e esvaziam essa ação no micro. Então acho que falta... não sei, a coisa da coragem pra mim é de encarar e tocar realmente essa coisa mesmo no micro. Porque este tipo de ação é uma ação assim: você está criando espaço de sociabilidade, entendeu? E que é pra ele... não tem muito... No final o Vitor falou uma coisa bacana também, mas eu só quero completar com isso: de que este recorte que ela falou da coragem de falar e de ouvir é essencial, até porque quando você está sentado com a molecada você vai ouvir um monte coisas que você não quer ouvir e eles também tem essa coragem de ouvir o que você tem a dizer para eles, e sempre de uma maneira todo mundo igual, não sou eu que estou levando a política ou... ta todo mundo ali sentado no tapete conversando de igual para igual, e todo mundo tem que estar disposto a ouvir também. Acho que é mais ou menos por ai...
Ale:
-Eu queria fazer uma pergunta para Mônica e depois uma pergunta para Bia.
A minha pergunta para a Mônica é: eu acho muito interessante a idéia deste espaço e eu queria entender ele um pouco melhor, porque as pessoas vão lá pelo seu próprio interesse não estão recebendo... não sei se a maioria dos jovens. Mas vocês dois no caso estavam recebendo né? Tinham bolsa e tal... então vocês dois lá, não é que vocês estavam recebendo pelo que vocês estavam fazendo lá, mas vocês estavam podendo ficar lá; tinha lugar pra ficar, tinha o que comer, e tal... então isso foi uma ajuda que de alguma maneira chegou e que eu queria saber da posição de vocês ali se as outras pessoas também tinham algum auxílio para estar lá e eu queria saber da Mônica se tem gente que recebe para estar lá, para fazer, engajar nessas conversas, começar a pegar o menino que ficou três dias jogando no KDE e falar: “ E ai? Mas quando a sua sombra bate no fotografo, a imagem é de quem? É sua, é dele é outra imagem, né?
Enfim, eu queria entender o espaço em si, o espaço físico; ele é de quem? É um espaço público? É a casa de um brother que abriu? É um lugar que foi ocupado, ou foi comprado, ou paga aluguel, né? Ir no cybermooha? E tipo: como você chega em um investidor e diz “então, o que importa são as idéias por trás, me dá a grana” e eles dão... eu quero fazer isso também.
Mônica:
Like i said in the begging this was an colaboration with Ankur, an NGO that’s been working for more than 15 years with alternatives in education, so it became, they’ve already been working in these neigbourhoods for a very long time, so it was possible for us to start with this confidence, because they know the people they spend a long time there, people thurst them. The most important thing is thurst.
Ale:
- Ela esta falando que na verdade a história do Cybermohala é que uma colaboração com a Ankur Essa instituição que já tem 15 anos, é uma instituição de educação alternativa, então os espaços acho que são deles mesmo... vou perguntar. Mas acho que a idéia é que eles já trabalham na comunidade há muito tempo, então eles são respeitados, tem esse trabalho de 15 anos. O mais importante é esse respeito que a comunidade tem.
Mônica:
Cybermohala is a colaboration between sarai and ankur, ankur hás worked with education, never with technology before, that was not their área of work, they were in alternative pedagogy, so when we initiated this conversation we went to ankur and said we would research the possibility of using technology as a starting point for reflection and creativity. And they said, let’s try this experiment, we have not donne it before. So they had in this neighborhood which is a favela i guess, a busti (another word for slum in indi) in the middle of the city, there is a small community center, i think the room for cybermohala is really small. It’s like a really big center which hás been in that neighborhood for a really long time. You know what i see when i drive trough in brazil and i see, what is called, periferia, even favelas, i think they look very open and bright, because the ones in Dehli are much more tight, the streets are very narrow, it’s all squated area...
Ale: -Então, ela falou que na verdade esse trabalho com o ankour nunca foi um trabalho de tecnologia, eles trabalham com educação mesmo, ela nunca tinha trabalhado com tecnologia antes. Então a parceria do Sarai com o ankur era fazer o Cybermoha, né? E eles chegaram para conversar com o pessoal do ankur sobre a possibilidade do que seria experimentar a tecnologia para gerar reflexão e incentivar a criatividade, né?
Então eles acabaram fazendo isso no meio da cidade, em um quartinho pequeno que fica dentro de um centro comunitário que existia faz tempo. Ai ela começou a falar que quando ela viaja aqui para o Brasil olhando pela janela e tal, ela vê as favelas e vê a periferia e ela percebeu que as favelas aqui , elas são grandes, abertas, tem bastante espaço, iluminadas, e isso é muito diferente lá de Deli, em Deli é tudo muito mais apertado, tem muito mais gente todo espaço é invadido e tal.
Mônica:
So we raised the money for setting up the labs and people from ankur provided a space. In the beggining people from ankur went to the neighborhood and said, does anyone want to join this new experiment, do you want to try what is like to use computers? We’re going to be talking and writting, so in the begging we did one month workshop in sarai, all of us who work together we looked at pictures, so for example, this small issue of áudio. It’s very easy to say ok, here’s a microfone, here’s a recorder, please go and record sounds. What we did was for one month we said, let’s talk about listening. Let’s write down what we hear, let’s pay attention to what we listen. Recording is the easy part. Anyone can record, but the question is, what in a recording, what can you hear. So that’s how we worked, we spend a long time talking about this, writting about it. So if you look at the texts in the first book they would be alot about sound, because people would think “oh i can hear this i never realized, at night in my neighborhood, i can hear this sound, i can hear that sound” if i hear a sound, what are the stories behind that sound, what does it say about the city, about my neighborhood, that this sound is there at 2 o’clock in the morning. So that’s how we started, and in the begining noone was paid, everyone was coming voluntarily. But after some people had spent a long time and they’ve taken a responsability for regulating the place or maintaining the archive or making sure that things are running properly. Those people it’s like a job for them because they spend much more time after having been there for 2 or 3 years, they are paid a small sallary, and the smaller kids have, it’s a sallary that they spend to carry on over there. Not everyone is paid ordinarium, just some people that have taken a responsability are paid an ordinary.
Corte
F.F.: No meio da fala:
-...no sentido de querer melhorar as coisas sabe? Desobediência civil por desobediência civil. O que o Maluf faz também é uma desobediência civil também sabe? O que o Lalau faz é desobediência civil. O objetivo é outro.
Na verdade o que caracteriza o que o Sabotagem faz, por exemplo, não é desobediência civil cara; o que caracteriza é o que está por trás, o objetivo que está por trás daquilo.
Desobediência civil é uma das ferramentas possíveis assim como tecnologia é uma das ferramentas possíveis, assim como outras coisas. Então...
Vamos falar agora dentro desses objetivos a gente puxar um pouco da tecnologia que é possível. Então acho que se o Rhato puder falar um pouco mais sobre isso...
Rhato:
-Eu queria também poder puxar para um outro lado porque a gente está com muita discussão do que é, do que não é. Então eu acho que é uma puta oportunidade da gente aqui, de vários grupos diferentes, da gente tentar pensar em atuar melhor em rede ta! Porque, sei lá, todo mundo sabe que é importante e tal, só que a gente nunca conseguiu fazer direito com que esses grupos, todos eles conseguissem trocar coisas, seja por exemplo, o Sabotagem com o CMI, ou sei lá, o próprio ponto de cultura com radio livre e tal, assim, não uma coisa pensando em enriquecer cada um dos projetos e tal, mas dum modo de a gente pegar o que a gente faz em comum, por exemplo, documentação eu estava falando com o Pajé e com o Cris Scabello, que porra cada um faz a documentação do seu projeto e , de repente aquilo fica restrito em um lugar e um outro cara de um outro projeto que precisa daquilo de repente olha o que um outro cara fez mas esta em um formato para aquele projeto, não existe um formato comum de documentação por exemplo. Então, eu sei que eu vou descolar um pouco sugerindo isso, mas acho que é o momento certo da gente aproveitar e tentar encaixar esse tipo de coisa assim. Pegar o que é comum de todos os projetos, o que serve em comum e tentar colocar em um lugar, porque rede, assim, a gente não precisa de mais um portal, a gente não precisa demais uma lista de discussão, a gente já tem tudo ta? O que eu acho é que a gente precisa saber como se organizar para essas coisas saírem, ta?
Eu até peço desculpas por quebrar as discussões e tal, mas é que eu tenho esse problema de ter que ser meio prático.
Juba:
-Bom é isso ai...
Só pra falar o que está acontecendo, o que está rolando. Está rolando estreming de vídeo e áudio daqui. Então se alguém, em qualquer lugar quiser ver a gente, ou só ouvir, se tiver uma conexão meio tosca tal, ai ouvi só o estreming, porque para ver isso ai deve precisar ter uma banda larga. Então divulgue: está sendo transmitido pelo radiolivre.org, que é o nosso portal de troca de informação de rizoma da rede rádio livre.
O endereço para ver é radiolivre.org, a i na coluna da direita vai ter a lista dos estremings, o de radio chama submidialogia e o de TV é tv/submidialogia. É só clicar par ouvir o estreming de radio.
Mostra para todos...
Ruiz:
-Po todas essas coisa e todos essas redes e não sei-oq então vamo pegar o exemplo da rádio livre e mesmo. Eu estava conversando com o Juba ontem do rádio livre portal saca? Porra e quantas rádio livre a gente já tem agora? Sei lá umas 15, 20. É sei lá né velho, o movimento de rádio livre sempre foi um negócio meio solto e tal e é bom que seja assim meio solto e tal. Foi mais ou menos assim que acabou minha conversa com o Juba ali. Mas de certa forma o movimento de rádio livre, e, porra, depois que pintou o portal e vocês começaram a fazer os encontros não sei o que... deu uma pilhada maior tá ligado? Então beleza, então daí é o pause 1 e vira assim e : como pode. Pó eu também já cansei de concordar e discordar e fui botar fé no que o Ratho tinha falado.
Sugestões assim, sugestões mesmo tipo pilhando em rádio livre, pirando em CMI, saca? E pirando em sugestões, mas quem quiser discordar e destoar está valendo tudo, vocês estão ligados volta a concordar e você destoa e sei lá...
Submidiologia dia III2
Rhato:
-Ah, ta! Por exemplo o caso... inclusive você mencionou o CMI e a rádio livre também. Elas são duas redes também, só que elas operam de formas completamente diferentes. O CMI, ele tem uma certa burocracia, ele exige que exista uma mutua confiança entre coletivos, ele pressupõe uma tomada de decisões, então existe a sua autonomia local como coletivo; eu posso fazer o que eu quiser desde que a minha decisão seja local, se eu quiser fazer alguma coisa que não seja só local eu tenho que pedir autorização para uma rede e tal. Isso é uma rede bem monolítica, só que para o CMI funciona muito bem, ta?! Eu acho que não é exatamente o tipo de rede quem a gente está buscando e que eu gostaria de propor, que é mais parecido com o rizoma de rádios livres, porque no caso do CMI existe o CMI ai depois surge um coletivo que quer entrar no CMI. No caso do rádio livre e de todos os nossos projetos, os projetos da gente já existem. Então a gente quer criar a rede depois de os projetos já existirem, então a gente não vai ter tomada de decisão, a gente não vai ter, de repente, nem consenso, de repente a rede em termos de trocas, né? Eu acho que isso a gente até sugeriu; a proposta da rede de rádios livres é de uma rede de trocas. No radiolivre.org a gente nunca conseguiu decidir nada, se o portal vai ser assim, assado, o que que vai estar lá, quem vai ter direito a transmitir... é uma coisa que a gente nunca... é sempre uma coisa pessoal. É bem esse tipo de rede que eu acho interessante; do cara chegar para mim, chegar para o Juca e fala: “arranja lá pra gente transmitir...” A gente faz isso entendeu? Então a gente está, tipo... é aquela história inclusive que o Dalton falou ontem quando ele estava falando de camadas: você tem uma camada estrutural, que é, por exemplo, o servidor assim, que é uma infra-estrutura comum, que é um poder a ser distribuído. E a rede em si ela está acima, é uma camada lógica de você pegar esses recursos e distribuir para todo mundo. (Eu não sei se eu viajei demais... não! Então ta beleza.) Então é tipo uma rede que ela não precisa ter um estatuto, ter uma diretriz, a gente não precisa tirar nada... nosso objetivo é esse: a rede é rede!! É um meio por onde passa as informações de você contar para um nó que estar interessado em fazer o que você quer.
Ruídos...
Balbino:
-Então, eu queria falar bem rápido que eu concordo com o Rhato também de viabilizar, sacou? Assim, propostas, o que que vai fazer e tal. Mas, um lance da grande mídia assim é que a troca pode ser... lógico que compartilhamento de conhecimento também, no sentido de você formar pessoas em habilidades que você domine e que elas precisem, saco? Partindo para um entendimento que muita gente fica atrelando a elementos de fora... quando na verdade a gente tem está coisa bem clara deste tipo de funcionamento horizontal aqui dentro do Brasil, sacou? Por exemplo, a galera fala dentro dos projetos dos pontos de cultura de tchaua... Os índios tinham velho... quando um cara tinha um conhecimento ele era o Paje, o cara que tinha outro conhecimento era o guerreiro, o cara que tinha outro conhecimento era não sei o que . e todo mundo trabalhava pouco, todo mundo vivia bem, e todo mundo estava tranqüilo. Só agora eu queria ...
Orlando Lopes:
-Primeiro eu queria começar a me localizar aqui: eu sou um da população diferente. Então eu vou falar um pouquinho do que está rolando de conversar também...(discussão sobre a organização).
Olha só o que eu estou querendo encaminhar aqui; em princípio eu estava pensando em falar 10 minutos porque era a mesa lá... Me identificando um pouquinho mais, eu sou um dos tais acadêmicos, eu sou um cara de fora do tal do eixo; qualquer eixo que vocês quiserem classificar ai eu to fora... sério, eu juro pra vocês. Eu venho do Espírito Santo, que é o estado apagado na federação, quem for especialista no Espírito Santo levante a mão por favor... Tradicionalmente o Espírito é a praia de Minas, o quintal do Rio e da Bahia, é o Portugal do Brasil, é tudo que vocês pensarem... Eu estou cansado de ser a diferença e acabar reduzido a semelhança no meio de tanta diferença.
Bom, o que acontece aqui? Eu vim pra cá como professor também, né? Que é uma coisa que dá um conflito de discussão enorme e que eu acho que há um desgaste brutal. Se vocês pensarem que toda a população brasileira precisa passar por dentro de uma escola e que quem controla a escola -eu sou um professor, estive dentro, sei mais ou menos como funciona-, quem manda em uma escola são os diretores e os professores que estão ali articulados. São seres humanos que as pessoas podem abordar, podem conhecer, podem dialogar, isso é bastante possível. E ai a gente fica nesta história de abstrair o pais em diversas direções, ou de singularizar demais, eu acho que, de repente, uma das questões para se colocar aqui: que é, por exemplo, nós estamos desde ontem discutindo que não queremos discutir um instrumento de tecnologia. Não quero discutir o cabo, não quero discutir a rede e tal. Mas, todos os exemplos oscilam em cima disso, porque? Porque a gente ainda não achou uma outra maneira de discussão, outros jargões, outras disciplinas para poder olhar para a mesma coisa e poder falar dela de diversos ângulos. Não vai ter uma reunião que vai ter 100% dos presentes interessados na mesma forma de discutir, acho que ta todo mundo plenamente consciente disso, ta certo?
Voltando a questão de se pensar um pouco como diferença dentro desse conjunto todo. Ontem consegui bater papo com gente pra caramba, de lugares pra caramba. Todo mundo fazendo alguma coisa, mesmo o que parece maluquice é interessante, sempre tem o cara que você fala “pô, o cara pode ter não achado a veia ainda mas está brigando por alguma coisa”. E na hora que as pessoas começam a se manifestar notam-se as diferenças e se diferença fosse alguma coisa resolvida o Brasil era um país resolvido. A gente sabe que dentro deste espaço que a gente está aqui, está cheio de diferenças, se tiver 100 pessoas aqui, tem 100 espaços de diferenças. Então a história do ouvir, que foi falado hoje de manhã, pô, sacar o cara falando, qual é a freqüência ele está falando, em que direção ele está falando, sem parecer um inimigo. Eu sou um professor, tive que me acostumar a ver as pessoas desta maneira, o cara entra na sala de aula, ele pode falar a besteira que ele quiser, eu tenho que ouvir o cara e não ficar pito com ele. Então, eu acho que isso precisa ser absorvido por mais gente, mais gente precisa de paciência para fazer isso, então a gente precisa estar aqui caminhando nesta direção.
Bom, eu vou falar um pouquinho só para localizar o que é meu ponto de cultura, acho que isso a gente podia puxar de hoje para amanhã: saber quem são os representantes de pontos de cultura, quem são os emplementadores Gesac que estão aqui. Para gente ter pontos de referência dentro dos estados e saber quem a gente pode procurar para fazer a articulação local. Nem todo mundo aqui está em ponto de cultura, nem todo mundo está ativo em ponto de cultura, o pessoal da implementação está precisando de ajuda para fazer o movimento. Quando que alguém vai sentar para sentar com esta pauta específica? São questões... vocês podem ficar esperando o governo oficial fazer isso, mas acho que tem está dentro já percebeu que esta pauta não vai aparecer de lugar nenhum. Tem escola por ai, tem voluntário, tem outros lugares, tem outras... Como articular esse povo? Sentar e fazer calendário, e ligar para as pessoas. Quem vai sentar e se organizar para fazer isso? Se os emplementadores não tem isso como vai pedir a ajuda a quem? É necessário sentar e fazer planejamento, me desculpem. Acho que esse negócio de sentar e fazer gera uma série de ansiedades, ansiedades geram tensões e as pessoas se colocam em situação de instabilidade. Planejar e tal, não é nenhum grande absurdo. A grande questão é que o modelo tradicional de planejamento, como já falaram ontem, está baseada na tal da mecânica newtoniana. Então quer dizer, o cara senta lá, da graduação até o doutorado, ele aprende a formatar um projeto,a fazer uma antecipação de alguma coisa usando uma lógica que a gente sabe que é furada. Que outras maneiras que eu tenho de representar a projeção das coisas se não for este modelo? Quem tem um disponível? Vamos sentar, vamos conversar um pouco sobre isso né?
E o que a gente chama de técnica, para retomar um ponto aqui que é esta história da rede, a gente está falando sobre instrumentos, aparelhos, modalidade de tecnologia específicas, mas o que que é técnica? A gente preparou um dia para discutir. Passamos duas, três horas tentando negociar para a gente uma definição do que que é técnica, o que que é tecnologia. Mas, de uma coisa que vá do mais concreto ao mais abstrato, porque daí você consegue pegar todo o raio de ação daquele fenômeno que esta acontecendo. Então , para mim tecnica hoje, quer dizer eu sou uma população diferente que tem uma tecnologia similar. Tecnologia pra mim, tentando chegar o mais próximo possível de filosofia, sem querer complicar, sem querer evocar uma discussão pesada, é um controle sobre um processo. Tecnologia é apenas isso. Então a informática faz isso em um nível fazer um tacape para matar alguém com uma porrada faz isso. A técnica está ali nas duas coisas, só que a técnica vem de onde? Ela vem da observação do mundo natural, você faz metáforas de coisas importantes ai: A metáfora da biologia, a metáfora da física... para isso as pessoas estão aprendendo essas metáforas. Os cientistas originalmente observam a natureza para poder entender como o pensamento espelha a natureza. A gente perdeu um pouco esta noção ai, a histórias de pensar a era moderna, como funciona a modernidade,a gente fica tentando ver que não afeta a nossa cabeça e afeta. Ficaram ai 100 anos inventando o consciente e o inconsciente, quais são os níveis de consciente e quais são os níveis de inconsciente. A tecnologia está manipulando isso, ela está agindo sobre isso, a gente não está parando para criar discursos sobre isso. Sobre o que não se fala não se pode entender, se não se falar de uma coisa ela não se torna visível. Então a gente tem processo físico e processo simbólico. O processo físico é o recurso finito, o recurso natural; o processo simbólico é o processo infinito. Se eu quero metareciclar as coisas, se eu quero inventar as coisas eu quero criar uma infinidade de coisas. Onde é que está a natureza nesta criação do infinito? Não é naquilo que a gente chama de propriedade privada, são limitados, são finitos. Onde é que a gente explora isso? Deve ter uns quinhentos mil livros na biblioteca da UNICAMP. Sentar, fazer listas de livros, listas de textos, catar onde é que tem coisa na internet ai e botar na mão das pessoas; traduzir o que precisa jogar ai nas escolas. Não se gasta dinheiro, o orçamento para educação é um orçamento monstruoso. Gasta-se dinheiro com isso, não se pode deixar de gastar, a gente tem que fazer guerrilha lá dentro. Lá dentro que você tem que entrar; agora, como que se entra lá dentro e não sai ferido? Eu não sou um homem-bomba, eu não vou entrar explodindo em lugar nenhum.
Bom, parando um pouco isso e só pra dar uma luz na historia lá do ponto de cultura em Guarapari, que a gente está tentando começar lá. A nossa grande questão, e falando sobre ele, abrindo uma proposta para quem estiver interessado e quiser crescer, quiser participar... A nossa grande idéia lá é usar o equipamento que o ministério vai oferecer pra gente, criar uma base permanente de produção de mídia, de difusão cultural na região e usar esse recurso de tecnologia pra promover, usar e promover uma rede de intercâmbio nacional e internacional, usando o equipamento turistico da cidade que fica ocioso nove meses por ano. Então a gente tem uma capacidade de levar pessoas para essa cidade, com uma capacidade de atendimento de qualidade e inserir essas pessoas coma comunidade, para fazer trabalhos comunitários. No Brasil são 1000 cidades que podem fazer a mesma coisa, mil cidades tem equipamento turístico, o turismo no Brasil é sazonal, então fica um enorme período vazio, ocioso. Então, se a gente chega lá, turismo tem rede de informação, todas as cidades de médio porte turístico tem internet tem estrutura disponível, tem agencia de comunicação na cidade, você consegue fazer uma série de promoções, as pessoas estão acostumadas a fazer eventos. Então a gente tem que identificar onde os lugares não estão sendo usados e propor ocupação. Agora, as pessoas tem que aprender a conversar porque cada um tem um interesse.
Eu to falando, eu estou há quatro anos esperando alguém em dar uma oportunidade de fazer esse trabalho. Já tive patrão, já tive que conversar com o governo, tive que voltar a trabalhar agora dentro de uma estrutura de governo, que era a última coisa que eu queria; eu sei exatamente o quanto que pesa no pescoço das pessoas que assumem está responsabilidade, se o cara estiver assumido alguma responsabilidade.
Então acho que a gente está aqui pra ver, quem está comprometido com o negocio, tentar garantir a viabilidade do compromisso que as pessoas estabeleceram e tentar ver o que que tem de potencial para o Brasil inteiro. Agora pra isso gente, precisa de mapa na mão, precisa de agenda na mão, precisa de quadro, precisa de mural, precisa de lista de discussão. Este é o caminho que acho que vocês dominam tranquilamente, as pessoas se mobilizam, se deslocam 50, 100, 200 pessoas, né? Mas o que que você imprime do lugar que você ficou? Vocês ficam três dias na UNICAMP. Agente imprimiu alguma coisa de fato aqui? A gente vai voltar para imprimir alguma coisa aqui? Vai ser outro grupo que vai ter aqui? A gente não pode ter vergonha de pensar esse tipo de coisa não. Eu acho que precisa... é o que eu estava falando, isso gera conversa, isso gera papo se eu ficar falando sobre isso aqui... Eu sou um professor, sou acostumado a falar horas mas, não é o caso. Quanto tempo a gente vai ficar aqui e quanto tempo a gente vai ter até amanhã para se conhecer em grupos menores? Acho que é o meu encaminhamento...
Rhato:
- Eu discordo um pouco que não tem gente, de repente, com o mesmo interesse que o seu projeto. Eu acho inclusive que dá pra tirar coisas comuns, interesses comuns, ta? E eu não acho que a gente precisa de planejamento, um mapa, um não sei o que... De repente uma lista, mas tanto, eu acho que assim, o que a gente tem que investir é uma rede, que uma rede ad-hoc, assim, ela se faz, entendeu? Ela, você não precisa criar...
Orlando Lopes:
-só um adendo: quando eu estou falando... é a coisa do ajuste mesmo.
Eu concordo com você. Este movimento que foi feito de hoje, este evento aqui. To falando, eu chego com uma pilha de camaradas organizados pra falar, é minha profissão. Mas eu sei que vocês não precisam disso e tal. Agora, por exemplo, eu tenho um projeto que vai pegar até 2008 25 mil pessoas. Eu estou há dois anos observando pela janela essas 25 mil pessoas e, para esse tipo de trabalho não tem como não ter agenda, não ter mapa, não ter gráficos...
Rahto: exato
Orlando Lopes: Essa necessidade é minha, não são todas as necessidades...
Rhato: você quer , por exemplo, pegar uma tecnologia similar a essa que você está usando e usar isso em rede, saber como é que usa? É o que eu estava falando pro Slave antes do almoço: “Poxa, o projeto dos pontos de cultura são trocentos pontos de cultura que tem que ser montados e não é só montar, olha você liga aqui o botão e já está funcionando.” É pior porque daqui há um tempo vai acabar o convênio com o ministério, não vai poder o técnico pra lá, para cada um dos pontos pra consertar as coisas. Os caras tem que saber fazer o negócio funcionar por conta, entendeu? Então se não começar uma rede de pontos de cultura, ou uma rede genérica de conseguir informação, os caras estão lascados; vai queimar placa de rede lá no negocinho e ai?
Então, o que eu queria insistir é que a gente não precisa de planejamento para uma rede que é troca de informação, só isso, entendeu?
Então, para o seu projeto sim, você planeja e tal. Agora para uma rede mesmo, de repente, é só a gente se organizar para como uma pessoa acha a outra ou como um conhecimento pode ser achado facilmente. Por isso que eu falei assim, sem de repente eu começar a levar para o técnico demais, um formato comum de documentação. Você vai escrever uma coisa, como fazer tal coisa, um documento, você já escreve em um formato padrão para todos esses projetos, e ai, quando uma cara for escrever o projeto dele, ele vai pegar aquele projeto padrão, mudar o logotipo pro bagulho dele, coloca tudo em creative communs, sei lá que licença a gente escolhe, entendeu? Uma coisa desse tipo, eu acho que dá pra fazer simples...
Felipe Fonseca:
-Eu acho que isso é uma coisa que a gente pode conversar, talvez até não com todo mundo. Talvez isso nem,interesse todo mundo, mas acho que é uma necessidade sim que é ver o que que tem de coisa comum, e trocar, documentação, enfim...rss, fluxo de coisas que é um pouco o que o Rhato falou: tem lista, tem site, tem não sei o que. Cada um já tem trampo pra fazer, mas todos esses sistemas eles podem conversar entre si e eu acho que a gente tem que ver que tendo essa coisa por trás, tem uma estratégia maior que eu acho que todo mundo está mais ou menos assim querendo ira para um caminho. Enfim, isso é meio genérico demais, mas dá pra gente armar alguns espaços de convergência sabe. Não é dizer que “não, agora para de escrever no seu blog e vai escrever no converse”, não é isso, é ver como que a gente faz para esses sistemas se integrarem, o que que é interessante de trocar, o que que a gente tem que a gente quer trocar com os outros e o que que os outros tem que interessa pra gente. Pô, dar dados de mapeamento do Gesac interessa bastante para os pontos de cultura, ou não, não sei, mas tem que começar a checar essas interações assim. Parar de trabalhar só, com a mesma galera, cinco pessoas trabalhando aqui enquanto tem cinco pessoas do, lado, na sala do lado, trabalhando a mesma coisa. Acho que pensa: tem algumas coisas que a gente tenta fazer da história do Converse, dos pontos de cultura- Converse é um site que foi feito para ser um meio de conversa entre os pontos de cultura, mas na verdade assim, o domínio está na nossa mão e o servidor não está no ministério. Então o seguinte, acabou o projeto, o converse continua lá sabe? Continua na nossa mão, tem 1330 pessoas, vamos compactura também, mas não é chamar “olha este é o site ideal, vamos todo mundo escrever lá”. É integrar, é ver como que esses sistemas interagem entre si.
Rhato:
-Essa parte da interação, só pra deixar esclarecida, é que determinado portal com seu blog, ele tem um esqueminha de acessar outro blog e o que foi escrito né? Agora, aquela história assim, dificuldade técnica e todas essas coisa meu, a gente se vira. Eu acho que é importante a gente ver que não existe um limite neste sentido para fazer as coisas funcionarem, eu acho que o grande problema é aquela história: saber o que uma pessoas está fazendo, que é a grande questão da rede né? A rede não é aquela coisa parada, silenciosa que quando você precisar você vai lá e pergunta para todo mundo. É legal uma rede tipo: olha, eu to fazendo isso, to fazendo isso aqui. Todo mundo jogar na roda e falar o que tem; que é a própria idéia deste evento que é cada um, de repente, falar o que sabe.
Orlando Lopes:
- Não, olha só. Eu acho genial isso, essa consideração de vocês que a seguinte: eu tenho uma atividade, minha atividade se processa desse jeito, acho que é melhor gerir a minha atividade, guiar a minha atividade desse jeito.
Quando vocês falam em rede, vocês estão pensando em rede com uma estrutura lógica, com equipamento de informática e tal...
Rhato: Não, não é só isso. É assim..
Orlando Lopes: não, se vocês estão pensando em rede de pessoas, então nosso interesse é discutir rede de pessoas...
Rhato: Exato, é rede de pessoas...
Orlando Lopes: Se a gente for discutir rede de pessoas uma das questões que vai entrar ai é o seguinte: cada agrupamento de pessoas, tem uma galera hoje que gosta de chamar de tribo, acha que todo mundo aceita a idéia de tribo como um agrupamentos, ou em espaços urbano, ou em espaços rurais. Um grupo de pessoas que se aproximam porque tem o que? Um conjunto de práticas, um conjunto de valores em comum; isso faz com que as pessoas façam a mediação da comunicação delas seguindo protocolos diferentes. Então, se vocês pretendem ter uma capacidade de intervenção dentro do tecido social brasileiro, vocês vão ter que distinguir as características de diversas redes e se preparara para fazer interface com elas, porque ainda a interface é a semelhança encontrando a diferença e a rede vai se compor por interfaces. Vocês não querem ter uma rede totalitária, com uma tecnologia totalitária. Como que vocês vão equiparar as diferenças ai dentro?
Jahjah: - Então, assim, eu queria dizer que esse papel de tentar... se falou de uma maneira como se a gente fosse ser o articulador de toda essa, de se formar essa rede, sacou? Mas eu acho que as redes estão ai, estão funcionando totalmente e sublocalmente e está na hora de juntar essas redes sacou?
Orlando Lopes: Mas olha só. A minha grande questão é a seguinte: a gente fica com uma coisa.... a gente anuncia; existe uma teoria do discurso, existe uma análise do discurso, existe aquilo que a gente fala e, aquilo que a gente fala, na verdade é um composto de valores. Então a minha intensao ela não necessariamente acompanha a minha prognição. O simples fato de você estar falando sobre rede: olha só no seu caso a rede é assim, ...
Quer dizer, você está posicionando o registro. Eu sei qual é a intensão que você esta falando...
Rhato: eu sei, acho que o que você está dizendo é que: como é que pessoas que falam idiomas diferentes vão se comunicar em uma rede. Mas acho que a rede, se ela se auto-organizar, uma hora vai virar uma zona, ninguém vai entender nada e o pessoal vai ter que começar a se entender. Acho que a vontade, de repente a vontade que eu estou de te entender agora é o mesmo esforço que você está fazendo de me entender.
Orlando Lopes: Mas a minha grande questão é que mesmo assim, vocês tem que prevê...
Rhato: Eu acho que e gente tem que prever sim, senão eu fico como um arquiteto de uma rede social que eu quero construir. Não!
Orlando Lopes: Você só estaria fazendo isso se você estivesse demarcando estruturas dentro da rede. Mas olha só?! Quando você desenvolve uma rede o que que você faz? Você estabelece um plano de parâmetros, dentro qualquer rede, eu vejo vocês falando de parâmetros o tempo inteiro, vocês estão configurando parâmetros o tempo todo, não são as metáforas que está todo mundo querendo discutir ai? Então se eu colocar isso para uma rede social, o que que acontece? Para eu dimensionar uma rede social, para que ela resista a um certo padrão de estruturação, não é uma forma de estruturação, ela vai ter um certo grau de resistência. A partir de um certo grau de descarga em cima...
Rhato: você fala resistência do que? De alguns pontos ou o que?
Orlando Lopes: não, quais são eu não sou especialista....
Rhato: não eu estou falando pontos de rede. Vamos supor que isso aqui é uma rede...
O.L.: Por exemplo há uma capacidade de experiência entre sistemas. Vamos pegar uma questão que eu acho... tem uns que são suficientemente simples para todo mundo acompanhar. Sistemas operacionais: de linux para windows. Entendeu? Para vocês trocarem dados que estão ali. E, eu não sou windows, não sou a onda tribo e tal, mas para poder fazer a transição de um dado para o outro... eu não tenho que antecipar o que que vai ser recebido lá? Para poder estabelecer o protocolo? Entendeu?
São questões que assim, se você for falar isso friamente parece que você é um cara que é calculista, mas não gente. Porra, o cara atravessou a rua, cumprimentou o outro, se o cara olhou com cara feia, da próxima vez você não avalia antes de conversar com ele? A gente precisa parar pra pensar um pouco nisso do ser humano. É uma diferença dentro da cabeça dele e há uma diferença dentro da minha cabeça. Só que ela é diferente agora e vai ser diferente daqui a cinco minutos e dele também.
Rhato: Ta. Mas eu acho que, por exemplo, no caso de você andar na rua e, sei lá, trocar um olhar estranho com alguém pressupõe que, de repente, rola uma hostilidade e tal. Mas acho que no nosso caso, por mais que cada um fale uma coisa e tenho seus parâmetros diferentes, a gente está tentando se entender.
O.L.: Vou jogar mais uma questãozinha teórica: como você falou, você encontra o cara na rua e de repente tem uma possibilidade de hostilização... Isso. Essa hostilização, ela é o que? Ela é um signo, e ai vamos lá. A base da história toda é linguagem. Então na verdade o que que acontece? Um interpretante, um interpretador pega o sinal e faz uma interpretação. Isso vai desde o sistema que está lá jogando bits dentro da máquina, até um grupo de paises que vai e se altera. O cara ganhou um prêmio Nobel agora com a teoria dos jogos. Então o que que aquela historia de teoria dos jogos lá com uma historia de uma casa Tainã?
Rhato: A própria história da teoria dos jogos é o seguinte: que a gente junto tem mais chance.
O.L.: Isso ai é o que você está colocando. Como essa teoria se constrói? Todo jogo precisa ter um objeto, precisa ter um objetivo, por tanto se estabelece estratégias... então você vai complexificando o jogo a medida que você quer. Da mesma maneira que se faz aquilo, segundo esses tais teóricos, isso acontece dentro de uma sala de aula, isso acontece dentro de um hospital, acontece dentro de uma família. Porque que não vai acontecer na ONG onde eu trabalho? Qual é o modelo? Como que eu represento isso? Entendeu?
Acho que são questões que se a gente quer se aprofundar, se a gente quer realmente acompanhar esse movimento que está acontecendo ai. Algumas pessoas que tem essa questão... não é todo mundo que quer acompanhar isso. Eu só estou marcando isso, tem mais de um ano que eu estou puxando conversa sobre isso. Já enchi muito o saco do Ricardo, já fui pentelhar os outros. E até agora não abriu o canal para alguém sentar e discutir isso. Se todo mundo vai discutir isso ou não????
Rhato: Eu não sei se a gente está ai muito atrás para começar a discutir isso.
Felipe F.: Eu queria colocar só uma coisa e acho que a idéia que eu vou estar colocando cabe assim nas duas mesas ai.
Eu quero colocar uma coisa que acho que assim: apesar, além da tecnologia que é simples, que está dominada, a tecnologia pra promover essa interação, promover essa conversa, fazer essa interface, fazer essa interferência. O que que é preciso além disso? Acho que tem uma história que é assim: uma disposição de querer colaborar de querer que o outro... e assim, ter uma perspectiva de quem, é que vai estar na outra ponta. Só que assim cara: minha visão específica: não tem como fazer um sistema que vá contornar esses problemas. Isso é um processo que é totalmente subjetivo, é totalmente pessoal. Ele parte de uma disposição que eu tenho de falar de uma maneira que aquelas pessoas que estão naquela mesa possam entender. Ou que estão aqui no espaço entre eles vão entender e elas vão aproveitar aquilo para elas, mas não tem sistema que vá prever isso. Isso é uma coisa que é totalmente impessoal e subjetivo e vai ter um monte de gente que não vai querer trabalhar assim, e não dá pra culpar essas pessoas. Eu trabalho, eu decido trabalhar dessa forma, eu decido trabalhar de uma forma que as pessoas que estão do outro lado dessa tecnologia seja feito uma rede. Eu escolho trabalhar de uma forma que vai ser entendida do outro lado, então assim, eu acho que é isso. Não tem como fazer um sistema que preveja essas coisas, que corrija essas situações.
Ruiz: Perai que eu vou falar agora.
De mídia, em um laboratório de mídia produzindo metareciclagem que não é mais um centro de mídia, entendeu? Tem milhares de centros de mídias que podem vir a ocorrer. E depois de um ano e meio eles meio que deram o braço a torcer e falaram “ Porra, não é: vocês fizeram, saca? Caralho, além de ter razão vocês fizeram”. e daí, a gente já estava neste processo do que que era? Pô, então vocês vão construir para gente. Vamos continuar essa parceria que a gente tem e vocês me mandam, manda alguém do metarreciclagem para ficar um tempo na Índia, que foi tipo, sei la´? O metarreciclagem já não era mais grupo, não sabiam mais como lidar como que o Felipe tinha na cabeça. Falaram vocês mandem duas pessoas pra cá porque a gente quer sacar desta experiência que tem. Este Knowhow que tem ai de metareciclagem e vocês, por favor, organizem ai pra gente uma conferencio uma publicação. A publicação não ficou pronta, não deu, ia cair uma grana que não caiu, caiu errado xx. Eu fiquei afastado da publicação mesmo, não sei o que rolou e a conferencia a gente montou para isso aqui. E ai veio em uma hora muito massa essa pergunta do Pedro, que não está ai e que não falou na mesa dele de ontem porque ele esqueceu, mas, velho, o Pedro tem papel fundamental na conferência, mesmo ouvindo a mesa dele que é: pra que estamos organizando este evento, saca?
Então, a gente está organizando este evento porque é uma plataforma que a gente tem mais ou menos estabelecido com essa galera e que eu não me sinto confortável para, pelo menos, nos próximos dois anos fazer parte desta plataforma como: eu, Tatiana, Felipe, Chico, saca? Porque não? Porque o meu trabalho que se dá neste país não se dá sozinho, saca? E eu não teria como trabalhar e manter uma coisa funcionando se eu não tivesse você, bla, bla bla, bla...
Então, a idéia desta conferência ainda é o que eu falei ontem de tipo, ok? Como que a gente pode continuar trabalhando quando acaba governo, quando acaba ponto, quando acaba computador... como que a gente consegue se organizar como rede mesmo. E ai é por isso que eu pirei na hora que o Rhato falou isso daí saca? Tipo “Pô, então, como vamos organizar a gente para um trabalho? Como vamos trabalhar junto? E a gente não trabalhou junto com o Sabotagem porque? Porque não sei, mas é exatamente o que o Rhato falou: nosso trabalho é intrinsecamente ligado com o seu. O CH que está aqui também e que não era um convidado oficialmente, isso era um outro lance saca? Isso foi um outro lance que você falou de porque que não foi mais publicitado. Porque desde o primeiro modelo que esta plataforma vem se dado alguns formatos que foram ficados nela não são funcionais neste pais. Neste pais no qual a gente vive. Então, por exemplo, a conferencia foi uma conferencia fechada, então na teoria teria muito menos gente do que tem aqui nesta sala, na teoria é menos mesmo, é uma conferencia fechada e porque que a gente está fazendo estreming de radio, vídeo tv, web não sei o que? Esta bem é fechado, mas é aberto. E porque que a inscrição está lá no site, tipo você tinha que ser convidado para se inscrever, mas a inscrição está lá no site, saca? É fechada, mas é aberta. Então a gente não publicizou porque é uma conferencia fechada, mas está lá velho, o Paulo está ai, aquele português maluco que não foi convidado, mas está ai saca? E nem por isso eu não quero trabalhar com ele e , mesmo por que ele está presente em todas as histórias malucas que a gente tem feito. Então eu deixo a bola pingando...
Felipe Fonseca: Eu só queria dizer uma coisa: é sobre o Paulo também, ele vai em muito reunião do metareciclagem, é impressionante, de repente, o cara aparece lá e ninguém sabe como que ele sabe que era aquela reunião naquele lugar.
Ruiz: pó muitas vezes ninguém foi avisado mas o Paulo sabia. O Paulo estava lá...
Felipe F.: Mas eu acho que assim, das suas perguntas ficaram uma coisa que... “ Como que a gente vai fazer isso?” Mas cara, a gente já está fazendo. É tipo, um ano e meio atrás um amiga meu me mandou um email dizendo que tem um cara do mestrado fazendo um trampo do caralho e tal. E eu falei para ele chamar para a lista dos articuladores, ai chegou o Orlando na lista de articuladores mandando um email de duas páginas assim que quase ninguém tinha paciência de ler ai eu peguei um fim de semana e falei “vou ler esse cara”. Ele falava vamos fazer um blog e tal, e eu disse já tem blog, a gente já está trabalhando junto. A gente não tem que planejar como trabalhar junto, a gente já está trabalhando junto. Toda essa galera que está na lista de convidados é que a gente já está trabalhando junto.
Antônio Albuquerque:
-Meu interesse de estar aqui, ele pra mim é muito definido. Acho que talvez eu esteja fugindo um pouco a realidade geral, mas eu sei muito bem o que eu estou buscando aqui e eu vou colocar isso aqui do ponto de vista situando-me na condição de funcionário do governo. Este governo Lula que tem uma peculiaridade no projeto diferente dos anteriores, né?
O que eu estou procurando aqui é primeiro usar a mão de obra que está disponível no Brasil para fazer as transformações que a gente precisa, quem são as pessoas preparadas para ajudar neste processo, e pra conhecer mais... pra que? Para poder circular a rede. E poder fazer o que? Ser o facilitador deste processo. No Gesac, dos 25 emplementadores, a gente tentou criar um perfil e aproveitar dentro das ONGs, das iniciativas de movimentos sociais já existentes. Assim foi que pegamos o pessoal do movimento empatia, do movimento do CMI, do movimento de rádios... que mais? Outros atores existentes. Pra que? Pra profissionalizar o pessoal e fazer com que eles executem trabalhos que tinham sonhos de realizar e possam articular suas redes e seus trabalhos com outros estados de uma maneira mais abrangente.
Evidentemente que os atores que a gente tem hoje na sociedade são poucos para a transformação social que a gente precisa, o exército é pequeno ainda para a transformação. Quem tem trabalhado em campo, e eu viajei pra caramba em todos os estados do Brasil nos últimos 18 meses... A gente sente que a sociedade brasileira, ela não está preparada para um processo de produção cultural local de uma maneira transformadora. Não há uma própria identificação, em um primeiro momento, de uma própria pessoa com sua própria cultura. Então ela se sente, até talvez por uma questão de baixa estima, incapaz de produzir algo que seja a seu realização,a sua identidade de ela ver a si própria.
Outro dia eu estava lá conversando com o Vitor, e o Célio falou para mim “Olha: nós temos uma seleção do ano passado, de 2004, de 260 projetos e agora em 2005 mais 350 projetos.” Parece que a gente no Brasil chegou no limite, né? Porque os projetos começaram a ficar agora com uma baixa qualidade. Não que não tivesse projeto bom, há milhares de projetos enviados, mas já começou a sentir que chegou no limite ali, não tem como crescer muito para fazer projetos de boa qualidade. Então, chegamos ai a 500, 600 projetos que seriam uma nata de todos os estados do Brasil em termos de pontos de cultura. Quer dizer isso eu acho uma pobreza. O país tem 180 milhões de pessoas, 27 estados, e a gente tem 500, 600 projetos e já não consegue avançar muito, tem que dar outros estímulos, outros processos para obter novos projetos, pode ser que a gente tenha ai uma dificuldade imensa. Isso mostra, na verdade uma destruição da cultura, do processo educacional errado que não estimula a inovação, que não estimula a criação, a evolução, há uma hierarquia dentro da escola, uma pedagogia que é avassaladora do ponto de vista intelectual, que gera essa pobreza que é fruto destes anos todos de ditadura militar no nosso pais e de decisões equivocadas.
Quando a gente coloca como é que vamos no unir e, quando você coloca que já tem as tecnologias, já tem isso... Veja, então eu pergunto assim: “Então o que é que está faltando para efetivar, o que está faltando?”. Porque as vezes a gente começa a colocar a culpa em um fato, a culpa em outro e na verdade é culpa não é nada disso. Sempre nos aparenta a primeira vista para jogar culpa naquele processo lá, e na verdade falta outras coisas.
Eu andei vendo os movimentos sociais, as organizações que partem da sociedade durante décadas no nosso país se vê escamoteada ao que não presta, né? baixos incentivos, falta de financiamentos, falta de estruturas de articulação, né?
Enfim, eu acho que a gente precisa é de ter uma melhor estrutura e incentivo a essa articulação. E você vejam que, se a gente faz ao programa Gesac, que já tem ai 3200 e vão para 4000, 5000 pontos, a gente falou dos pontos de cultura, que vai baixar ai para 600 pontos. Se mesmo assim a gente não consegue causar nenhuma transformação na sociedade, se mesmo assim, a gente não consegue causar nenhuma articulação melhor na sociedade, se mesmo assim a gente não consegue fazer nenhum processo criativo e transformador neste país inteiro acho que a noção de política pública do governo Lula está equivocada. Então a gente não sabe para onde está indo, então a gente tem que repensar o que a gente está fazendo e nós estamos gastando dinheiro e não é dinheiro pouco, são milhões e milhões de reais que estão sendo gastados por a no né?
Eu acho que o papel do estado é organizar a sociedade. Isto para mim é o papel do estado, nós temos que fazer políticas públicas e programas que articulem a sociedade. Se nos tivermos condições de articular a sociedade e de financiar esses movimentos, essa coisa vai embora. Se a gente escrever uma nova maneira da escola ter uma pedagogia para os alunos e criar grupos de trabalho em cada escola. Vocês vejam o seguinte: nós temos presentes ai o ponto de cultura, Gesac... hoje funcionando em 3500, 3600 localidades. Se a gente tiver, em cada um destes pontos, onde o governo federal está jogando dinheiro, cinco pessoas: três garotos, um professor um outro membro que faz parte do movimento ambientalista, movimento de rádio, seja lá o que for... que gravita todo aquele ponto...Cinco, e olha que um ponto, quando a gente coloca dentro de uma escola, dentro de um telecentro, tem ali pelo menos 1000, 2000, 3000 pessoas né? Estou falando de cinco pessoas só. Se nós tivermos cinco pessoas para cada ponto que possam ter metas, possam ter trabalho, possa articular essas cinco pessoas me rede para que ela possa se desenvolver, são de 3600, da ordem 8000 pessoas a mais. 8000 militantes a mais, 8000 transformadores sociais a mais. É essa questão que eu estou preocupado e que é o nosso papel que é de fazer uma multiplicação dentro deste processo, é de estar estruturando isso. Agora se a gente fizer um processo que esteja articulando, que esteja dando condições para que o movimento jovem se trabalhe, se articule melhor, se articule em uma sociedade mal organizada e que organize essa sociedade não estamos errados. Que tem dinheiro, vocês vejam que no ano passado e neste ano de 2005 nos temos, no ministério das comunicações, 180 milhões de reais para gastar com projetos de inclusão digital, o Gesac consome 42, então sobra 130 milhões, ta´? Então, é muito dinheiro. O que que a gente vai fazer com esses 130 milhões? O que o governo Costa está fazendo agora, o ministro Costa das Telecomunicações, chamou as prefeituras do PMDB e está repassando o dinheiro para as prefeituras do PMDB, da ordem de milhões. Só agora foi empenhado, através do diário oficial da união, e está em processo de repassar o dinheiro na faixa de 46 milhões de reais para as prefeituras. É claro que, a grande maioria deste dinheiro é pra ser usado como fundo de campanha, não é pra ser usado em fundo social, não vai chegar na ponta este dinheiro, a gente sabe disso.
Comentário: eu acho que a gente está sendo muito...
Antônio: não eu estou colocando aqui o que eu pretendo fazer. O que eu estou procurando fazer é pedir desejosas ações de política pública do governo para conseguir melhor articular a sociedade. E , segunda coisa é conhecer melhor o que já existe para poder então articular mais e fazer as transformações que a gente quer para a sociedade que a gente imagina que é uma sociedade feliz, é isso. Como articular em rede e como fomentar essa rede, é isso que nós estamos procurando fazer.
Felipe Fonseca: Eu vou assumir aqui a função de moderador ai porque parece que a conversa está meio descambando ai. E também porque aconteceu uma coisa chata que uma das pessoas que vieram para falar teve que sair fora por causa do horário e tal, que a gente atrasou, ela ia falar as duas e meia e já cinco e ela tinha outro compromisso e tal. E eu acho que são pessoas interessantes porque elas vem de outro circuito, que não são desta galera que todo mundo se conhece pelo nome. Eu acho que seria muito interessante, no caso a Jaqueline que foi embora, apresentar o projeto que ela participa entendeu? De um outro contexto para a gente remeter tudo o que a gente está falando aqui, por exemplo, para comparar qual a nossa experiência com a experiência dela e isso poderia possibilitar novos, novas possibilidades de pensar por que eu acho que a diferença não é um problema a ser solucionado, pelo contrário, a diferença é a solução; a diferença é o que possibilita a criação de coisas novas, porque quando eu conheço uma coisa diferente da minha eu posso ver que podem existir coisas novas além do meu. E, para dizer a verdade eu não sei como encaminhar agora, entendeu? Porque são 5 da tarde, tem o pessoal do Acre pra falar...
CORTE
Augusto:
-... é assim é ante meio surreal pra gente. Até quando eu falei para eles qual era o assunto eles ficaram meio confusos de porque eles estariam vindo para uma reunião como essa sobre submidiologia. É meio complexo o nome, o pessoal, eles são das reservas ativistas do alto Chuá, no oeste do estado do Acre, e a gente trabalha juntos há mais ou menos uns dez anos, eles trabalham até há um pouco antes do que eu lá no projeto de monitoramento sócio-ambiental da região, que na verdade, este nome monitoramento sócio-ambiental, o que se consegue com este trabalho é muito mais do que isso, o que a gente está tentando fazer lá é um diálogo entre duas formas diferentes de conhecer as coisas e uma forma de produzir o conhecimento com vários instrumentos; livros, diálogos, teses de doutorado, visitas, conversas... Enfim, vários tipos de produções, de publicações e que a gente tenta colocar o resultado de uma experiência de convício entre duas formas de conhecer. Então, no fim das contas, a nossa estada lá, o nosso diálogo, ele tem por objetivo produzir um conhecimento hibrido a partir de duas formas de conhecer muito distintas que é uma forma acadêmica e uma forma de conhecer que é próprio dos seringueiros dessa região. E como que isso aconteceu? Isso aconteceu quase que por acaso esse inicio deste trabalho e olha que acho que tem muito a ver com o que a Mônica e o pessoal do Sarai está colocando. Acho que quando eu perguntei o que que quer dizer aquele termo indiano Gohala, eu estava preocupado justamente em entender como que eles estavam... porque que este termo vizinhança estava lá, porque existe um termos equivalente na reserva e que para mim é um exemplo de uma rede já feita, para mim é um exemplo de coisas que já acontecem e que as redes, elas tem que estar situadas e .... se a gente está pensando em conectar pessoas,a gente tem quem parar um pouco, o computador vem depois. Da pra fazer isso com outros meios e, esse negócio, essa maquinaria toda que está aqui, que está tomando um espaço grande na reunião, ela está ai para potencializar essas coisas e não para reduzir essas coisas, não para reduzir essas relações. Então, o que eu quero com a vinda deles aqui é que eles, o Caburé e o Goxo, vão falar um pouco desta experiência de convívio, porque eu acho os dois, entre as 50 pessoas mais ou menos que a gente conviveu fazendo este monitoramento sócio-ambiental, os dois são pioneiros nesta atividade, o que na verdade significa ser pioneiro em um diálogo permanente entre pesquisador acadêmico e pesquisador local, moradores da reserva de ativistas, que hoje estão se formando com os pesquisadores e que publicaram junto com a gente dois livros, vários na verdade, mas dois livros literários, de caráter mais literário, que um é As está história de matuto da floresta de comunicação do Caburé, e este aqui que é A mitologia dos escritores da floresta, que é um compendio de vários escritos que estão presentes nesta metodologia que a gente usou que é das pessoas da reserva, mais de 50 moradores, qual que é a comunicacão que eles tem com a gente? São diários que eles anotam cotidianamente aspectos da vida deles. Então, na verdade, a gente começou pedindo que eles anotassem... o Goxo vai explicar melhor porque ele foi o primeiro monitor. Mas, aspectos da vida, por exemplo, sobre a atividade de caça, sobre a alimentação... só que esses diários nunca ficaram presos à regras, a gente nunca chegou lá e falou “escrevam sobre isso”, a gente dava um tema e as pessoas começavam a escrever e na nossa ausência, criativamente, as pessoas começaram a escrever outras coisas: poesia, fazer relatos sobre sonhos... e essa produção, resultado deste diálogo a gente tentou colocar, primeiramente, nesta forma de livro. Então, na minha cabeça, o que que esses caras vem fazer aqui? Eu vim aqui brigar por uma antena do Gesac, mas essa não é a questão. A questão que eu acho que está se colocando aqui é esse conhecimento, esta reprodução... colocar na mídia o conhecimento significa respeitar outras formas de conhecer, como essas outras forma de conhecer conseguem organizar o seu pensamento não sendo em livros, não sendo em páginas na verdade, mas pode ser. Agora, eu acho que p essencial é não chegar com projetos prontos, é partir do pressuposto que construção do conhecimento é diálogo entre diferenças e é isso que a gente está tentando fazer. Então eu vou passar a palavra talvez aqui para o Roxo que está mais perto.
Roxo:
- Boa tarde todo mundo. Como seringueiro e índio hoje eu estou aqui muito satisfeito com o que está acontecendo hoje. Quando a gente conheceu esse pessoal da Unicamp, primeiro o doutor Mauro, né? Então a minha experiência foi de aprender uma coisa que eu nunca chegava algum dia imaginar chegar lá, eu vou participar de um convite feito pelo Chico e feito pelo Pajé. Então, o que eu acho que está acontecendo aqui que é uma coisa muito importante mesmo, muito bonita que eu to achando que o que a gente ta falando aqui hoje quase não tem nenhuma diferença com o que a gente convive. É muito bonito a pessoa vir aqui e trocar idéia do que a gente é, do conhecimento que a pessoa vive, de nascer em um lugar e chegar, sem ter contato com escola, ele conseguir levar uma informação não só para o Brasil mas para o mundo inteiro que é esse livro que igualmente a uma internet. Então, isso eu acho muito bonito e eu to vendo que é isso que o Pajé e o Chico está discutindo aqui, então com as idéias minhas e as de várias pessoas aqui é que vão chegar no que se chama de planeta terra de ter outras comunicações muito importantes... e pra mim é isso! Muito obrigado!
Peje:-Achei que você ia falar do igarapé lá, da imagem do igarapé como um fluxo.
Roxo: É que é muito pouco tempo...
Caburé:
- Boa tarde a todos vocês.
A gente está aqui a convite do companheiro Augusto que está sempre na reserva, com o trabalho de pesquisador. E a gente que fazia o papel de fazer diário, escrever diário, fazia o papel de monitoramento. Então, o que eu percebi nestes dois dias já de palestra é que o povo quer formar uma rede de comunicação até os últimos pontos mais distantes do nosso país. Esse nosso Brasil ele é cheio de riquezas, ele é cheio de novidades, mas eu fico separando ele assim em quase três partes: uma parte ele chega com tudo, chega com comunicação, chega com transporte, chega com o que tem feito para a população; na outra parte já chega mais ou menos esse tipo de coisa e na outra já não chega nada disso que é o ponto mais isolado, que exatamente foi o que a gente nasceu, o que a gente criou-se, fora de escola, fora de muitos tipos de comunicação e de desenvolvimento. Então, a gente, quando se encontra num meio desse que está ouvindo são os professores e os alunos da universidade, e a gente fica lá, nascido e criado no meio da mata... quer dizer, sabe falar, mas não sabe conversar. Então a gente fica, como se dizem, em um beco sem saída né? Fico como sem saber explicar o que é que a gente sente, o que é que a gente faz para esse povo.
Muito obrigado
Pajé: algum comentário ou pergunta que alguém gostaria de fazer para o Caburé e o Roxo?
Dr Gorila:
Eu sou da universidade federal do Rio Grande do Sul e trabalho com os guarani
- Conheci um cara de uma universidade federal que me contou dos guarani, e eles estão em uma situação bem parecida: porque eles nasceram nesta parte, eles não estão tão isolados no espaço, mas estão isolados em um outro sentido que é de um estigma muito forte: o índio não pode, o índio não é capaz em um estado que é colonizado por eurodescentes, europeus, alemão,italiano... levaram as terras dos guarani-... e agora eles estão isolados, alguns grupos na beira de estradas, outros em reservas, tem reservas muito pequenas nada comparado com as reservas grandes do norte. É um pedacinho de terra onde essas populações estão confinadas e eles vivem em um mundo que muitas vezes é o da aldeia urbana também, isolados nesta parte que eu estou falando, então, não é uma instância sói espacial, é uma instância que é cultural e muitas vezes está ligado com a questão forte de estigma, hoje em dia começam a ter tvs, se interessam muito pela mídia, mídia no sentido de novos meios de comunicação, câmara, computador... meu camarada disse que eles sempre que iam na casa dele, ele fez vários amigos, ele fazia pesquisa mas eles viram amigos, que entram na internet e ficam procurando as coisas. Então são pessoas que elas não estão conectadas, não tem o conhecimento mas elas querem possuir este conhecimento, elas acham que este é um meio para se atingir um objetivo: lutas por terra, lutas pela própria diferença, reconhecimento da diversidade cultural e eles são diferentes, eles querem ter este direito e acho que a gente podia fazer alguma coisa neste sentido também e essas pessoas pudessem talvez estar aqui...
É isso ai.
Roxo: o que eu queria colocar é que uma pessoa quer saber como é que ela recebeu...
Se alguma pessoa tiver alguma dúvida?
Este livro a gente tem uma esperança que o que a gente quer é que todo mundoem todo canto que ele chegue o povo leia muito e passe para os amigos e diga também para os amigos o que a gente escreveu aqui, porque o que a gente espera na vida, é que esses livros, tanto sirva para um filho meu como o filho de qualquer outra pessoa, pro meu neto, pro meu bisneto, porque vai chegar um dia de, mesmo eu, não saber a história do meu pai, entendeu? Então, como a gente é de uma reserva extrativista, e como hoje está tendo muita educação, vejo muito gente estudando coisa de outras época,s outro tempo. Então é muito bonito qualquer pessoa chega e dizer assim “ a reserva extrativista de alto do juruá, como é que eles vivem lá, se eles comem caça, oq é q eles come, como é que eles vão mata, q é o mesmo ponto que o pajé pediu pra explicar. Pra vê, como é a comunicação, como ela é lá. Nóis lá mora numa terra que é divisor, então como faz pra chegar na terra que chama divisor que é as águas que dividem o brasil do peru. E como é que nóis sabe, tem uma parede que separa a terra, duma água, dum lugar pra outro, e pra isso foi que nós tamo se esforçando. Ninguém ganha nada pra isso, e ninguém nem vende isso também, oq a gente escreve, pra quem participar com a gente nestes livros, eles tem amor de ler muito bem.
Mediador: quem quiser ai pode pegar o livro com o sabotagem...
Chico: vamos passar para a Poly, que ela tem que apresentar também...
Tori:
-Bom, primeiro eu quero dizer que fico muito feliz que essa mesa esteja na programação, mesmo tarde, porque é um outro contexto de certa forma das coisas que tem sido conversadas aqui, mas é uma coisa que tem muito a ver, mesmo este timing diferente, o diálogo de discussão que eu, como uma pessoa que trabalho no projeto, tenho tido com alguns de vocês durante dois anos tem sido muito boas, muitos interessantes eu tenho muitas coisa na cabeça e a introdução que o Augusto fez para o trabalho do Caburé e do Roxo serviu também para uma introdução geral ao tema, a mesa: conhecimento local, cultura local. E até tinha muitas coisas que eu estava aqui anotando para colocar que ele falou, ótimo.
Eu não vou apresentar em muito detalhe o projeto que eu trabalho, mas vou só dizer brevemente o que que é para vocês saberem da onde eu estou falando. Eu trabalho para, uma das coisas que eu faço... eu trabalho como coordenadora da américa latina para uma projeto que chama Open knowledge network, não existe tradução oficial mas seria rede de conhecimentos livres, rede de conhecimentos abertos, rede aberta de conhecimentos, não sei. É um projeto que está trabalhando com organizações em diferentes países da África e da Índia, já foi colocado aqui por diferentes pessoas a importância de trabalhar com experiência, com projetos, com atividades que já existem e é assim que a gente trabalha também. A gente está trabalhando com organizações que já tem essa relação de confiança, tem anos de trabalho com as mesmas comunidades, mesmo não sendo atividades com telecomunicação e tecnologia, mas de certa forma intercâmbio de conhecimento, trocas de informações, redes, esses sistemas. E eu considero que por estar aqui falando em rede e trocando idéias com vocês e outras pessoas que de certa forma é o que existe na américa latina, de atividades concretas com comunidades. INTERFERÊNCIA..
Posso continuar? Então, eu vou só falar rapidamente quais são os princípios da rede, essa rede ela tem um framework, uma metodologia que junta idéias de diferentes áreas e coisas que foram surgindo no campo do desenvolvimento comunitário em software, de movimentos de software, de redes de propriedades intelectuais ou o contrário, conteúdo aberto: coisas como xml, evento de sustentabilidade, de novas formas de conseguir sustentabilidade, de pensar isso de forma ampla diferentes dimensões. Então vou falar rapidamente os princípios são, primeiramente, construir novas experiências e fortalecer as experiências que já existem; criar uma rede entre agentes de conhecimentos, pessoas, organizações e indivíduos que trabalhem, ou seja, estimular trocas de conhecimentos, de compartilhamento de conhecimentos, que tem sido falado muito aqui, construir, fortalecer ou estimular capacidades ou condições para este tipo de compartilhamento de conhecimentos locais. Uma coisa importante que eu vou falar um pouco mais é trabalhar offline, trabalhar a comunicação não digital, offline, conteúdo local que não é tão visível se você vai procurar na internet, mas que está ai, mas também trabalhar com uma rede de computadores como uma forma de sincronizar de intercambiar entre diferentes lugares, de organizar, catalogar, documentar e classificar o conteúdo, metadados, no mesmo sentido de classificação de informação usando XML, conteúdo aberto e estudo de sustentabilidade, de sempre estar pensando em como este tipo de atividades pode continuar, se manter sem recursos financeiros de financiadores como... bom vocês sabem.
Então eu fui, quando estava pensando no que eu ia falar aqui, eu voltei para um trabalho que foi realizado em 2002 por alguém chamado Peter Valentine que foi um documento muito importante para quem faz área de conteúdos locais e novas tecnologias da informação e comunicação, foi ótimo porque as coisas que ele colocou em 2002 a gente, depois de alguns anos de trabalho, está chegando às coisas que ele colocou neste documento. Primeiro que conteúdo local é a expressão do conhecimento próprio que você falou e o conhecimento adaptado de uma comunidade, esta comunidade pode ser definida por um lugar, localização, a cultura, o idioma, o tema de interesse comum, mas que este conteúdo local ele não flui sozinho, se você vai montar um site não necessariamente isso vai acontecer sozinho, tem que ter incentivo, estímulos, pessoas, principalmente, principalmente pessoas. Conteúdo não é conteúdo para comunidade, é conteúdo das comunidades, como eu disse, muitos dos conteúdos estão offline, o que as novas tecnologias podem fazer é dar visibilidade, dar acesso a esse conteúdo.
Bom, acho que eu vou repetir um pouco mas...
Pensar conteúdo local como uma rede integrada de comunicação não computadores primeiro mas, teatro vídeo, reuniões, quadros de cortiça, pessoas, rádios, gravações. Tudo isso são as formas de fazer circular a produção de conteúdo local e depois os computadores podem facilitar isso, mas eu acho que para muitas pessoas os computadores nunca vão ser o meio principal de acessar ou de criar informações de conteúdo de conhecimento. A gente pensou que teria uma forma de vincular comunidades offline, comunidades sem conexão com outras comunidades offline, que poderia ter um intercambio internacional de conteúdos locais entre um Grancanion e um Zimbábue, entre Senegal e Índia. E na realidade o que tem acontecido nessas primeiras experiências é de muitas redes locais, que o local é o principal interesse das pessoas, que tem muitos conteúdos que não existe interesse tão grande para colocar na internet para outras pessoas verem, elas circulam localmente, existe uma rede muito forte, muito ativa no nível local e que se existe um interesse de fazer essa troca internacional isso vem depois de conhecer as pessoas com que você vai trocar internacionalmente. Bom, tem isso do idioma também que é bem complicado a tradução, é uma coisa escrita em um idioma local, a gente trabalha com muitos idiomas locais talvez teria que passar para um idioma internacional para depois ser traduzido em outro idioma local e sabemos que as coisas se perdem na tradução.
É eu acho que não tenho muito mais para falar , é isso. Se alguém quiser perguntar...
Ruiz: então na verdade tem um lance assim, que eu ainda fico...
Eu concordo com isso e você sabe disso , mas já teve um ou dois lances que você falou “porra mas vocês estão focando ali na tecnologia, vocês estão ai na...” Não, não vi isso mesmo, a gente não falou de tecnologia mesmo a não ser quando ela se vem como ferramenta para gente ai eu acho que não tem como não falar dela, mas é um lance de discussão geral, eu concordo contigo que você está ligado...
Cássio:
-bom, eu queria só colocar algumas coisas que eu fiquei pensando aqui e eu acho que isso pode ter sido discutido ontem já porque eu acho que assim, acho que foi um pouco central a fala dele que eu não sei o nome, as pessoas até ficaram um pouco incomodados com o fato de ele estar falando de uma questão que é o papel do estado na realização da sociedade e foi isso que ele estava falando e algumas pessoas...
Então eu acho que assim, essas duas conversas foram até interessantes no meu ponto de vista, para o planejamento, que essas duas mesas tenham calhado de serem feitas no mesmo momento porque eu fiquei aqui com uma questão que é o que une esta rede que a gente está falando, que rede é está né? Por exemplo, o Brasil do tamanho que ´[e pela experiência que a gente está vendo aqui, a gente não está definindo um uso ideal das tecnologias que propõe, que possibilitam esta rede né? Quer dizer qual é o uso ideal da rede? Quais coisas a gente deve compartilhar nesta rede, de todas essas que a gente esta falando ai que questões que a gente tem que usar na rede, empurra e tal. A gente tem os instrumentos, mas que tipo de organização da sociedade que essa rede deve organizar ou que tipo de questões ela deve compartilhar, o que que é respeitar o objetivo de cada pessoa, de cada ponto do Brasil que está aqui, né? Então, esta questão ficou bem no ar pra mim assim. Talvez a gente deva compartilhar a possibilidade que a gente tem de fazer desobediência civil, de bater de frente com a questão da propriedade intelectual que o Gustavo estava colocando na questão do Sabotagem. Mas, pra que que a gente vai fazer isso? Eu penso que não é uma questão de organizar a sociedade no sentido de dizer o que as comunidades diferentes, o que as localidades... que conteúdo, não é um conteúdo para comunidade com a Tori estava falando, mas um conteúdo da comunidade, pra que usar a rede neste sentido, entendeu? Então acho que essa discussão é que questões devem ser compartilhadas, talvez a gente tenha que compartilhar a possibilidade de se usar a tecnologia, a possibilidade de usar a tecnologia não só na questão que a tecnologia chegue como acesso, mas na possibilidade das pessoas saberem que elas podem usar produtivamente para produzir conteúdo da comunidade nesta tecnologia da comunicação que a gente tem. Eu acho que esta questão toda da rede ficou um pouco confusa neste sentido aqui, que questões devem ser compartilhadas? Pra que se usa a rede? Que rede é essa? O que que une a nossa rede aqui? A rede dos rádios livres, a gente tem um exemplo que , por exemplo, você pegando site, que estava ali na tela o tempo todo, você não vê uma união de conteudo, um objetivo final de transformação social na rede de rádios livres, a não ser que a gente pode usar a tecnologia de rádio pra alguma coisa. O que? Pra que o pessoal da radio de tróia lá em Florianópolis usa a radio? Pra que que a radio interferencia usa a r[adio, usa a tecnologia de radio?
Então eu estava até dizendo ai, esse exemplo de radiolivre.org é um portal que algumas pessoas se interessam e pouquíssimas, que pedem ajuda a todo momento, fazem, agora não é uma rede livre que compartilha um objetivo final. Então eu acho que talvez a gente tenha a rede para compartilhar possibilidades de ter a rede, entendeu? Que questões que essa rede coloca pra gente? É uma dúvida, uma questão que fica no ar que não tem respostas, talvez a gente esteja falando aquela coisa do playboy lá, porque é papo de playboy falar que eu posso usar meu transmissor de rádio, é papo de playboy falar que eu posso usar a internet né? Ou é papo de playboy eu chegar e falar assim “olha, não usa a internet só para acessar a globo.com, ou usar o orkut, ou o msn, ta?” então acho que essa é a questão calhou, eu só queria dizer que eu achei bom que calhou as duas mesas, porque me suscitou essas questões.
Kiki:
-Eu acho que é bem rápido. Eu acho que o que acabou criando a confusão que a gente estava incomodado antes é que quando se começa a falar em redes e as misturas das redes, essa mistura das redes com relações sociais se perdeu um pouco desta noção do que que une essas pessoas que estão aqui e que, mais do que alguma vontade de transformar o mundo é que tem um monte de gente querendo transformar o mundo em várias outras áreas e devem estar fazendo discussões como essas em outros lugares. Agora o que que conectou essas pessoas aqui? A questão de trabalhar com a forma diferente de se apropriar das mídias e ai gera um monte de confusão porque tem convergência pra caramba, a gente está falando de vídeo, esta falando de blog, esta falando de wifi, ao mesmo tempo que tem essas relações humanas todas que essas redes envolvem. Então é difícil a gente absolutilizar, fazer uma coisa absoluta né? Nós não vamos ter uma rede que une todas as redes de pessoas bacanas do mundo etc. mas aqui, as redes que estão representadas aqui e o movimento de relações de pessoas o que une é um incomodo que em algum momento a gente ouviu falar. A gente tem que pensar uma relação diferente com este aparto que é tecnológico, que é midiático e é a forma como... é uma coisa que surgiu diferente na humanidade e a gente está tendo que lidar com isso na cidade, no alto juruá e em todos os,lugares. Então, acho que é incômodo porque cada um trabalha aparentemente com um objetivo e parece que não tem muito a ver, mas eu vejo claramente que o que une é isso e ai conseguir conquistar pessoas e números, que é um pouco do incomodo que eu tenho que eu compartilho com o Antônio assim. Acho que chegou o momento que faltava, por exemplo, quando eu estava trabalhando, alguém que trabalhava com software livre. Não tinha ninguém em Santarém no ano de 2003 que sabia o que que era isso e aos poucos as redes vão se esparramando e esparramando e, nesta questão o que que a gente já fazia lá? Já procurava trabalhar produção de rádio e alto falante e jornalzinho em mimeografo e ai quando chega a conexão e outras formas de lidar com tecnologia foi acrescentando a isso. E é isso...
Ruiz:
-bom, nariz de palhaço na cabeça. Não acabou embora tenha finalizado ao máximo.
Outro detalhe é tipo: Pô, valeu a rapaziada do Juruá que percebeu que não é sobre tecnologia, que é sobre comunicação é isso ai mesmo. E ai a história de rede maluca a gente realmente não acabou porque a nossa intensão é descobrir todas as perguntas que muita gente perguntou e que não teve resposta. É uma pena que a Gi e o Rosas não estavam ai na mesa porque a gente conversou muito sobre isso.
Pajé: agora o bate papo que a a gente tem que fazer está escrito aqui como: Licença de propriedades, patentes, repressão, copyleft, createvecommuns e conhecimento aberto...
Ainda temos aqui para falar o Caio Mariano, dr. Caio marinao para os mais íntimos, o Queiroz do CCUEC, que o Juba falou que é o homem do software livre da Unicamp, temos o Gustavo do Sabotagem também, e temos o Volker, que eu vou pedir também pra finalizarmos com a idéia dele.
Sub dia III 3
Caio Mariano:
Boa tarde a todos eu sou o Caio Mariano, sou advogado e trabalho com propriedade intelectual mais precisamente com direito autoral, sou membro do Recongo, sou consultor de mídia do ministério da cultura, sou sócio de um escritório de advocacia voltado para questão de desenvolvimento de conhecimentos livres, de software livre, propriedade intelectual relacionada a novas tecnologias e to aqui pra bater essa bola com vocês neste evento com muita gente bacana e muita discussão bacana e muito discussão que chega um pouco aquela coisa do cachorro querendo morder o próprio rabo. Uma coisa que me preocupa, e eu conversei com algumas pessoas ontem a noite durante a festa ali, depois da apresentação do mídia sana, num evento como este, no meio de tanta discussão é o seguinte: hoje me dia a gente esta aqui pensando, discutindo a semana inteira, dois, três dias, meios de comunicação livre, ferramentas de troca de conhecimento... mas pouco se falou em conteúdo livre, em conteúdo efetivamente livre. O que eu estou querendo dizer com isso? A gente está vendo que existe tecnologia favorável para a produção de conteúdo livre, de tecnologia livre, existe o estado fornecendo subsídios para pesquisa e para os projetos de inclusão digital, existem cabeças pensando ...
ALVOROÇO
Agora voltando um pouco: existe gente pensando,comunicação em rede, existe o estado por trás fornecendo subsídios para pesquisa e para projetos de inclusão digital, existe tecnologia favorável, existem instrumentos jurídicos, que são as licenças de uso livre, que são ferramentas que viabilizam a produção colaborativa e livre, sem violar direitos de terceiros, mas pouco se fala de conteúdo efetivamente livre. Eu não vi aqui gente falando, citando exemplos práticos ou reais de conteúdo efetivamente livre. O que que é um conteúdo efetivamente livre? Todo mundo sabe que conteúdo protegido por copyright não é conteúdo livre, você coloca na mão do autor uma responsabilidade muito grande que é a dele dar um destino, a destinação final do uso patrimonial da sua obra, o autor é a ponta inicial da história toda, é o cara que cria, que produz conteúdo protegido por direitos autorais. Eu acho que não é qualquer conteúdo que é protegido por propriedade intelectual que não deixa claro isso. Então no momento em que você, que a legislação brasileira no caso, deixa na mão do autor essa bola, que por você, que cabe a você autorizar ou não todos os usos de todas as legislações desta obra, você passa esta bola para ele. Eu queria usar como exemplo este trabalho que eu estou fazendo junto com o pessoal do MINC, dos pontos de cultura. “Não vou citar nada do que eu faço nos pontos de cultura” mas é que é muito importante para ilustrar esta minha preocupação de conteúdo efetivamente livre. A gente está ai viajando o Brasil inteiro, tendo contato com diversas culturas diferentes, diversas comunidades diferentes e eu , no papel de consultor jurídico e responsável pelos conceitos de generosidade intelectual estar passando isso para as comunidades que vão ter acesso aos kits multimídia, vão ter a possibilidade de produzir conteúdo e vão ter a possibilidade de conhecer as alternativas de produção e de licenciamento livre; eu tenho a preocupação de como isso vai ser passado e de como as pessoas vão começar a produzir conteúdo efetivamente livre. Isto significa o seguinte, tudo que você produz, pela regra, é proibido de você usar alguma coisa, então você tem que dizer ao autor primeiro o que é uma obra e quais são as possibilidades dele permitir que terceiros utilize sua obra licenciada ou não. A questão ai que me preocupa é cultural, a figura do autor como criador intelectual que manifesta, como diz a lei dos doutrinadores de direito autoral, uma criação de espírito que pode ser considerada como imaterial, ele tem um aspecto muito intrínseco, muito ligado ao ego do autor, o que é uma coisa que dificulta um pouco para as pessoas entenderem essas possibilidades de licenciamento de conteúdo como livre. Hoje em dia eu vejo em papos de produtores com gente que cria e que todo mundo tem conhecimento das obras, uma certa resistência quanto a questão do licenciamento livre sobretudo por uma questão de ignorância das possibilidades, as pessoas falam “ah, mas se for licenciado livre eu vou estar andando na rua e um cara vai falar ‘sua bunda é minha, você licenciou’”, a gente escuta muito isso, tenho escutado isso diversas vezes me vários lugares. Uma coisa que ninguém se perguntou aqui ate agora é o que cada um esta fazendo para chegar junto de alguém que produz efetivamente alguma coisa e falar: “porque você não licencia isso?”, “porque você não se deixa ser reutilizado?”, porque o discurso é muito bom, é válido, é interessante, mas a gente não vai precisar só de discurso, a gente vai precisar de gente produzindo na ponta de lá, produzindo, efetivamente colocando conteúdo como livre. Um dos problemas que a gente vê hoje é que todo conteúdo, oitenta porcento do conteúdo que a gente tem acesso nas mídias, seja qualquer mídia, seja mídias tradicional sejam mídias independentes, são conteúdos protegidos por direitos autorais. Por mais que a gente queira usar ou por mais que a gente use, via de regra, a gente tem sempre que estar violando em um limite muito próximo a violação do direito de terceiros, este é um problema que precisa ser resolvido; então, eu queria colocar em discussão isso: o que cada um aqui está fazendo para ajudar a humanidade a andar um degralzinho acima e apertar aquela botão na cabeça do autor e falar “cara, você já pensou na possibilidade de você licenciar sua obra e garantir uma cadeia de conteúdo livre daqui pra frente:”. Porque eu vejo com duas lógicas essa, eu vejo esta duvida nossa de duas lógicas diferentes: passado e futuro. Há dez, quinze anos atrás, talvez ate menos anos atrás, todo conteúdo e todo forma com conteúdo intelectual seja livro, musica, filme, era uma coisa de ordem única, quem tinha acesso a um mega estúdio ou então acesso à ferramentas, possibilidades de você interferir e mexer naquele conteúdo e refazer aquele conteúdo, era uma coisa a principio cara e que pouca gente tinha acesso. Hoje a gente está em uma divisão de águas, de uns cinco pra cá, que todo mundo tem acesso a um editor de vídeo, de áudio, de foto, a um blog a um site que tenha conteúdo por direitos autorais e que tenha acesso a eles, mas que pela lei e pela realidade dura do direito autoral hoje em dia a gente não poderia fazer isso sem pedir autorização, sem correr atrás de todo um processo burocrático para estar reutilizando. O que é ridículo e o que é totalmente burro do ponto de vista pratico, todo mundo produz, sabe a facilidade de se pegar uma foto que está ali no site mudar, recortar a cara de alguém, desenhar um palhaço e criar uma animação com aquilo.
Então é isso que eu queria eu vocês pensassem, com essa discussão, com este papo: onde é que está o conteúdo livre, o que que a gente pode fazer para em vez de ficar só discutindo em meios de formas de transmissão de conteúdo e de conhecimento, mas também estar produzindo um conteúdo efetivamente livre, o que cada um está fazendo para que isso seja uma realidade. Porque a gente corre o risco de ter uma barragem, está todo mundo aqui construindo uma mega barragem, barragem que eu falo é uma barragem de água, uma estrutura muito bem feita, mas uma barragem que fique vazia, que não tenha nunca água para ser escoada, entendeu? É uma coisa que a gente tem que pensar nisso, como a gente vai encher esta barragem de água e como a gente vai fazer essa barragem escoar e fazer gerar energia e gerar vários conhecimentos a partir disso ai.
ALGUÉM DA PLATÉIA:
Eu tenho uma sugestão prática para atura nisso que você está dizendo que é tipo, nós temos um monte de gente que produz conteúdo, que é isso que você está chamando de conteúdo, que são as universidades, um monte de gente que está cursando universidade, que faz parte, freqüenta, está em contato com isso. Eu acho que se a gente incentivar esse pessoal que faz produção acadêmica ... CORTADO
QUEIROZ
É isso. Bom então isso ai é a biblioteca digital da UNICAMP, é toda feia com software livre, é um sistema normal, este sistema se não me engano começou em 2003 e aqui você tem, a idéia é que você tenha a totalidade das teses e dissertações defendidas na UNICAMP. Hoje já tem cerca de cinco mil documentos e mais, o conteúdo é indexável, quer dizer você... isso é uma coisa que também não existia, eu não conheço sistema parecida que você possa pesquisar, não só para achar mas para colocar, que dizer a produção dos estudantes aqui de pós-graduação está toda ai, não só isso, como diversos outros arquivos, hoje são vinte gigabits de documentos estão disponíveis. Este sistema é usado pela UNESP também que foi um convênio de universidade, com a Universidade Estadual de Londrina e é um software livre, qualquer pessoa pode usar. Isto daí, foi criado também para disseminar o software livre porque, como foi dito anteriormente é dificil as vezes você achar, hoje talvez não, mas é difícil você achar pessoas capacitadas em software livre. Então foi feito uma biblioteca de digital, não vou falar como ele é porque vai ser muito complicado, mas a gente começou a agregar documentos dentro do software original para poder capacitar as pessoas, era com este objetivo. A direção da biblioteca daqui viu o trabalho e achou muito bom, embora não tivesse sido feito para biblioteca em um dos trabalhos subseqüentes ai foi desenvolvido né. Tem um outro sistema que é o www.rautu.unicamp.br./linux , esta é a página principal que você baixa o software etc. Bom, então aqui tem também um sistema de perguntas e resposta com o intuito de ajudar a comunidade, então não é só Linux ta. Isso ai foi desenvolvido para, bom, nunca foi usado com a finalidade original que era de ter um sistema em que os professores da UNICAMP pudessem responder duvidas de professores da rede pública de Campinas etc. É, como ninguém usava isso para o que foi desenvolvido, eu comecei a colocar linux ali. Se alguém pede, tem um assunto, quer dizer mesmo que não tenha vínculo com a UNICAMP, seja de uma área de conhecimento que ele queira montar uma comunidade para responder perguntas, etc... Então, a gente tem de fotografia, tem radioamadorismo, tem pelo menos uns vinte, os mais bem sucedidos são esses daí ta. São todos voluntários, os voluntários respondem perguntas e randonizam o sistema. Quer dizer a máquina está no ar já, com linux, tem quase 500 dias no ar sem para, isto foi criado em 2002 mais ou menos. Então é um sistema bem interessante de como a comunidade se estrutura... Bom, como eu disse, eu sou da informática, eu raramente tenho contato com outras pessoas alem daquelas que trabalham em volta de mim. Então, quer dizer, as vezes as coisas que a gente faz tem desdobramentos que a gente nem imagina. Esta comunidade ai , por exemplo, já passou por ela mais de 5 mil voluntários fazendo perguntas, nós temos hoje quase 30 mil perguntas armazenadas no banco de dados. É uma comunidade que anda sozinha, tem um computador lá e ninguém olha pra ele e ele vai fazendo as coisas.
Outro exemplo é um código livre. Então este projeto é um projeto muito interessante, isto não é coisa que foi na UNICAMP, foi criada na UNIVAS no Ro Grande do SUL, mas foi um sucesso tão grande que a universidade não agüentou mais em termos de banda, a banda da universidade não sei se era um giga, cinco gigas, dez gigas. Então esta máquina foi trazida para cá e hoje na rede da UNICAMP são 150 megabites, esta maquina ai, não conta pra ninguém mas ela chega a 50 mega bits por segundo, é uma das grandes responsáveis pelo consumo de banda da UNICAMP, é claro que até hoje não chegou no topo senão eles tinham cortados as linhas.
Neste caso ai, este é um projeto também da comunidade que está dando super certo tem um monte de coisas em software livre, nas estatísticas deles são mais de mil projetos.
Tem uma coisa interessantes nestes projetos assim de rau-tu, biblioteca digital, esse próprio ai, é que as coisas... a comunidade se estrutura ao redor disso ai praticamente sozinha né? Então, eu acho que tem que ter um pouco de pensamento no começo ta? Eu não tenho condição de pegar um trabalho, de acompanhar tudo isso, mas é a receptividade para estes projetos é muito boa, a questão é como manter, porque tem uma preocupação né? A banda da UNICAMP está dando, que é uma banda tremenda, quem agüentaria cuidar disso dai…a gente está vendo a USP já vai ter uma cópia disso ai, a UNB também, mas chaga a um ponto que é a máquina né? O computador, este computador foi montado com doações, a Intel doou placa mãe etc, teve uma outra empresa que doou o gabinete e o HD, mas a máquina que a gente montou não tem um mês já não está agüentando o trampo. Quer dizer, estes projetos eu não sei como fazer e é até interessante que tem uma lista aqui que chama PSL, Pró-Software-Livre Brasil né? É uma lista que eu só fico olhando que é assim; você manda um pedido assim: “pô pessoal preciso de 10 para um projeto...” e ninguém fala nada, ai chega outro cara dizendo alguma coisa e alguém xinga a mãe dele e ai o negócio pega fogo né? É uma lista bem ativa... Então às vezes eu sinto falta disso, de coisas mais construtivas dentro da comunidade, por exemplo, eu mandei um pedido de doação, ninguém falou nada, ai eu sai correndo atrás de um e de outro pedindo esmola e tal e consegui montar a máquina, mas às vezes as comunidades, eu não sei, na internet todo mundo é valente, xinga todo mundo né? É ofendendo sem base nenhuma etc. ai as vezes a gente quer fazer um trabalho parecido e fica até com medo de perguntar : “.... precisa de um wiki pra que?”
Enfim, eu dei estes exemplos ai porque é um trabalho com software livre que deu bastante certo, como eu disse eu sou da área da informática e as vezes as coisas que a gente coloca lá, não sou só eu é um monte de gente, a gente coloca no ar e eu fico muito feliz de ver os desdobramentos que tem. Por exemplo, aqui na UNICAMP uma coisa que a gente faz também, a segunda máquina que mais usa a banda da UNICAMP é o FTP da UNICAMP, a gente coloca linux ? e um monte de outras coisa ai ta? Ela tem, ela chega a picos de 40 KB por segundo dos 150 ai. E é um projeto que dá super certo, quer dizer, são coisas que a gente não vê. Eu fui no Rio de Janeiro outro dia ai um cara falou pra mim que usa bastante, que em nenhum lugar do Brasil conseguia pegar, como se diz, distribuições livre e ia no site da UNICAMP. Então a internet tem isso é uma impessoalidade, você não vê o efeito que a coisa está tendo, mas ao mesmo tempo acho que as comunidades são fáceis de encontrar, pra você ter um idéia como esta daí. A outra coisa é se... como eu disso este projeto não nasceu aqui ta, é um projeto muito legal, se ele continuasse lá sem o apoio ele ia morrer, hoje ele está.... Aquela propaganda da empresa ali que deu o HD e o gabinete está lá, então a gente deu uma retribuiçãozinha ai ta...
Bom, basicamente era isso!
SABOTAGEM
Bom, primeiro eu queria dizer que acho fantástico esta iniciativa tanto do Enecom quanto destas páginas ai que estão disponibilizando várias oportunidades de fazer alguma coisa diferente. Mas eu queria lembrara também que a gente tem 300 anos de cultura gráfica que estão ai né? E queria recordar também um acontecimento de pouco tempo ai; o google resolveu digitalizar acho que foram as cinco maiores bibliotecas dos EUA com todos os livros, a grande maioria de autores que não tem mais direitos autorais por já estarem inspirados. O que que aconteceu? As grandes editoras se mexeram e, no conselho de advogados, conseguiu impedir que o google disponibilizasse todos estes livros na internet, ou seja, a gente não está falando de... Em teoria é tudo muito legal, muito bonito, a gente acha que vai chegar lá, mas eles tem poderes e tem interesses muito grandes e muito fortes que tem capital para mexer, tem advogados e tem... não tem rosto muitas vezes e estão ai aturando e a gente... bom, a gente é só um politicozinho, a gente não quer mudar o mundo, a gente não vai mudar o mundo, a gente tento só duzentos livros, a maioria de autores mortos, e a gente até já incomodou demais assim, tem gente achando que é hora de parar. A idéia era realmente mostrar que se a gente então não neutralizar tanto as redes, o estado, o mercado, quem sabe de repente alternativas via rede de autores que troquem livros que possam oferecer os próprios livros sem atravessadores, sem empresas, sem editores, sem distribuidores, de repente a gente tem uma outra oportunidade que não passa por ai que é na real assim garantir certo status quo que é um papel que historicamente, apesar de estar em
um campo de disputa, o campo jurídico está incumbindo e assim como o estado também infelizmente, apesar de que tem muita gente legal hoje em dia lutando dentro do estado para fazer coisas novas e possibilitar alternativas, mas ainda assim é uma disputa que a gente está, é um combate, e acho que a gente não pode esquecer esse lado do combate.
Era esse o meu comentário!
Ale:
Fala o endereço ai.
SABOTAGEM
Bom, a página não está no ar, depois do décimo oitavo hacker que tentou entrar lá a gente resolveu tirar. Tem muita gente procurando então, a gente está meio que na moita assim pra depois... bom, vai sair logo uma pagina ai e a gente divulga como sempre.
QUEIROZ
É super rápido, só esqueci de falar que o portal que você está perguntando ele integrado com um sistema chamado oficina de saber também que usa o Teleduc que é um software livre para educação à distância. Então o que acontece? Esse portal, o material que ele trabalha, neste ponto de vista está sobre a licença de Creative Communs, aquela que você pode usar para fins não comerciais. E, está começando ai cerca de vinte e cinco disciplinas de graduação da UNICAMP e algumas de pós-graduação que nós estamos terminando um sistema automatizado, um professor direto do Teleduc pode publicar o material dele, se ele quiser, não é obrigatório, diretamente no portal pra quem estiver interessado.
VGRASS
Goodafternoon, i’m happy to be here. I have the very unpleasent task to the the last talk after a long conference day. I hope you’ll bear with me. There are 3 short thing that i would like to do, i’ll start with a short personal remark
That i would like to say something on the diferences between public domaind and commons, we can adress that while i talked about it, i am interested in how to translate commons. Next thing i would like to passo n to someone who was supossed to be here today, ronal lemos, who hás also a project that is directly linked to cultural hotspots and things i will say today.
Personal remark, i’ve had a long affair with brasil from a distance. Finally in june of this year i managed to visit this country, and travelling troughout the country and reflecting and reading a lot of things i realized that there is not one american dream, but there are actually 2 american dreams. One north american obvisouly and one brazilian, from the history,m the ocupation, the waves of imigration, northen europe as a source for north american, and the mediteranean parts as a source for south américa. So in terms of religion in the north you have protestantism, churchnialnsm and the fundamentalist protestants, like george.. and in brazil there is basically catlic and also very strong african including camdonble as a live parto f the culture as we have seen when we visited pontos de cultura in the 1st day of the conference. Jazz, and samba, actually promotes at the same time and from the same roots, that is african musica and european military music. But in a very different setting, in new orleans when jazz started to be recorded is it was recorded on so-called race records, so black musicians recording music for black audiences, and in brazil when the first samba was coyrighted it was recorded by a white man and a black man together. The final part of the comparison i would like to make of course concerns intelectual property rights where the us is pushing in international forums for extension and expansion of international intelectual property rights. Where as brazil again, in international forums like WSIS and WIPO, is pushing to strengthen free software and free knowledge. One of the situations that finally made me decide that i have to go to brasil and see where this is coming from was something i heard in a plenary session in wipo. With all the national delegates in a big hall, usually it’s very boring formalistic talks and then you have this word fights between the north american delegates and the brazilian delegates. It was just to beautifull to see. So my point here of course is that what you are doing here in grassroots level hás repercusions on a global level where the global rules for the information society are being made and without the position of brazil the whole world would be poorer.
That was my personal remark, and now i am coming to the two terms, public domain and commons, which are often used interchangeably. Technacly works in the public domain are not copyrighted any more or were not copyrighted to begin with, but works in the commons are property, and are therefore also protected and licensed. So knowledge freedom is the default, the public domain is were all works come from and were they will eventually go. But freedom needs defences, so originally the term commons reffered to natural resources, a meadow, a lake or a fountain, that were owned by a group of pepople and managed by a group of people. It was not a free for all, so if someone that does not belong to the group he cannot fish on the comunal lake. There were external rules how those resource could be accessed by external people, and internal rules to make it managed in sustainable way.
But Information and knowledge is not exaustible like natural resources. So why do we neeed rules? The answer lies in the history of unix. Unix was developed as a inner house tool by At&T at a time were it was still a legal monopoly. Which prevented at&t to move into other markest, for example the operating system markets. Therefore at&t did not mind giving away copies for a nominal price, $50, for universities. Many people form the academic community liked that OS, started to contribut fixes and add software to that system. In 1972 the legal monopoly was split up, it was not a monopoly any more, so a parto f at&t started to sell Unix, first for $10000 and then the price rose. So this company privatized a community effort, and then come richard stallman, who didn’t like the idea and started 2 things, the first is GNU, a project to remake unix in a free form. And the other one was the GPL, a license that ensures that this new version of unix would remain free forever. GPL contains the freedom to redistribute, to modify, and to distribute the modified versions under the same conditions of course. And to defend this freedom is absolutely necessary because it happens all the time that companies take GPL code and put it in proprietary products of their own. FSF then usually talks to these companies out of court and usually they understand that they will have to comply with the license. Since last year there is the first court decission that came down in germany in munich. The author of iptables went after a dutch company and won the case so the GPL is now court tested. The GPL is specific to software products. Lawrence Lesig took this idea and created the Creative Commons licenses that take the same protection that GPL hás for software to other contents. I don’t see the need to explain all the licenses in detail, the essence is the freedom to redistribute and the freedom to modigy. After a year from the time it was launched in december 2002 it had one million linkbacks. That means that 1 million sites have used this license. The most recent call was 24 million. So that shows 3 things, to conclude:
We arte not alone in wanting to freely share our work with others
Freedom in an unfree word needs fences otherwise its not freedom for long
The rules of freedom should be compatible, a sugestion, so instead of writing your own license for content, think of using the GPL for software or Creative Commons for content, because then a compatible universe emerges. Now, if i still have your attention for a few minutes i would like to switch to ronaldo lemos, with the project canto livre.
TORI HOLMES
Me pediram para anunciar que, não sei se estava no livrinho, mas estava na programação no site, que vale até uma outra discussão que não foi programada como mesa mas, é muito importante, que é a discussão sobre gênero em tecnologia. Então, a gente não vai tomar o espaço, a gente vai tomar a festa em algum momento, então eu acho que quem quiser participar da discussão de gênero vamos achar um espaço e vamos sentar e conversar um pouco... é isso.
ALGUÉM:
Vamos fazer na rádio.
TORI
Mas a gente tem que ir pra festa...
CONFUSÃO
Bom, a gente vai achar um espaço, quem quiser participar a gente vai conversar...é isso.
RUIZ
Podia chamar a Sara e a Mônica também
TORI
Elas sabem, eu acho que quase todas as meninas estão sabendo, mas não contam, é outra chamada: Pra quem ainda não sabe vocês estão convidadas.
RUIZ
O pessoal também sugeriu outras histórias, então, paralelo amanhã também vai acontecer a reunião de meta, vai acontecer a outra história do pessoal que está montando o vídeo e tal, então amanhã vão rolar esses eventos paralelos ai. Se vocês estiverem por ai durante amanhã vocês fiquem a vontade para escolher seus grupos para trabalhar.
RONALDO LEMOS
Canto Livre is a project that we work with the ministry of culture. The idea of canto livre, is to fight, or provide and alternative to the power of the catalog, because if you think about it, it’s very complicated for people to deal in the information age, to find things, to the without the power of the catalog. For instance, we have a huge celular telephone network. And if you want to provide content for people in this network, you have to strike deals with the owners of the catalog. And then, trough the catalog you will also be forced to implement DRM, you will also be forced to pay their fees, you will also be forced to distribute this content over that content, you have all sorts of exclusivity agreements. With this inovative technology we can create a whole new catalog. So canto livre is a seminal layer for the points of culture. First you have all these people working on producing songs and vídeos, etc, etc, and then you have canto livre as a huge aggregator, organizator, a huge service that will organize and distribute all sorts of internet content. Content taylor made for the communities interested in it. So if i like samba, or choro, i can go to canto livre and browse only shoro, and i can go further and see how else likes choro, and i can coordinate with these people, these artistis, new, alternative compensation systems. So canto livre would be this huge flexible platform to aggregate content produced by pontos de cultura, but not only, anyone in brasil interested in producing culture. There are also 2 types of content. Number 1 is public domain, because there is no single place where i can go get public domain musica, very valueable music in brasil is in public domain, samba music and carnaval music, we are going to aggregate that in canto livre. And also the huge collections that are in the hands of publico r private institutions. We have huge bodies of government, they have lot’s of works, and if you want to access that work you go to a small room with two computers and have to apply to get to see what content you are abble to find. But we’ll be abble to put all of this in canto livre, it will all be licensed in creative commons and you will be abble to listen to it in your cell phone. For example, if you like techno brega, what is it you want to play in your cell phone? Technobrega or MTV. In Para, a big parto f the population would like technobrega in their cell phone.
Volker:
So he talked about new possible business models. Like filtering and community building. He talks about the choro community in rio that informally already supports the choro musicians, by going to very special book and music stores that sell their cds, and of course live places were you pay an entrance fee that go to these musicians. But that is a very fragile system, and inside canto livre a more stable relationship between musicians and their public can emerge.
CACHAÇA
Cris: cadê a cahaça ai
caio: cachaaaaça
ruiz: vale lembra que tem cachaça ai, vale lembra que tem uma lista de discussão também e que o papo continua por la
Começo do último dia
ROSAS-
(...) Ideais e políticas e não havia XXX e a cena de mídia tática lá fora é uma cena que
mistura arte, tecnologia e tudo mais, mas também tem toda uma questão de problemática política e social e quando rolou o festival foi bem a impressão que isso viesse a ser discutido e tudo o mais e que houvesse uma aproximação da turma de arte e tecnologia com esse movimento dos ativistas, com ações e, esse contato, essa aproximação, ela está acontecendo muito lentamente, mas, assim, em um festival como o Digitofagia , uma mesa que foi pensada para discussão foi justamente uma mesa sobre paralisação da mídia-arte, justamente tentando discutir essa questão: porque que a mídia arte ela esta tão afastada desta realidade, e foi a mesa que eu acho que deu mais ibope, que mais encheu lá no MIS, parou o bar do MIS, todo mundo discutindo, porque era um assunto que interessava muito teve muita gente legal lá presente, e essa é uma das questões: porque essa distância da mídia arte em relação à questão política?
Agora, uma coisa que eu percebo também, em nosso meio, nesta mídia aqui, e várias outras vezes, eu acho que é um problema meio constante mundialmente, é um afastamento da turma dos ativistas da parte de arte, um certo desprezo pela arte, um certo desprezo pela prática artística, não no sentido de prática como prática, mas como “vai é a arte...”, sabe? E, eu acho que seria legal a gente discutir isso porque o meio da arte ele tem muito a oferecer, por mais que haja todo um sistema e toda uma instituição que autofagiza, que engole uma série de manifestações é interessante discutir essa questão porque eu acho que quanto mais próximos eles estiverem tanto de um grupo quanto o outro é interessante a troca e as produções que podem surgir daí. Era isso!
GISELE VASCONCELOS
Na realidade, a reflexão assim, são algumas reflexões tardias para a sugestão do tema desta mesa aqui e, no meu ponto de vista eu percebo que, uma questão pertinente no nosso contexto brasileiro, que é também dentro de um contexto mundial, a gente precisava discutir a arte que se dá na nossa realidade, que está se mobilizando, utilizando-se das ruas, utilizando de meios que não mais institucionais, né? Ela não depende mais da galeria, de museu, né? Ela não despreza, ela não sublima isso, ela não cria repulsa mas, ela não depende disso para se discernir, para provocar, para questionar, para colocar a tona as idéias e, é necessário neste momento discutir esses vieses, essas interferência, por exemplo, da arte hoje de coletivos financiados por sistemas de telefonia, da mídia arte. Como é que essa arte se coloca de forma muito próxima do ativismo, muito próxima dos questionamentos sociais ela adquire esses aspectos; vivo, telemar... todas essas instituições que começam a ganhar força em apoios culturais no Brasil e estão financiando artistas. Mas, eu coloquei isso pra mesa e tal mas, a questão que eu gostaria de colocar dentro desta conferencia aqui, nessa discussão era o distanciamento da rede e dos artistas. Quer dizer tentar não falar só: são artistas e a rede, ativismo e tecnologia e discutir mídia e tecnologia. Mas, a discussão, ela não poderia... eu não acho, em certo ponto de vista, eu não acho interessante discutir sobre quais os processos e quais meios esses artistas brasileiros grupos ou indivíduos, eu não acho confortável falar coletivo, mas grupos ou indivíduos que estão pensando a arte, questionando mídia, informação, comunicação, esses meios de informação. E como eles estão processando isso? Se eles processam isso e isso não é um fenômeno novo no Brasil, isto acontece desde a década de setenta, a relação dos artistas com mídia, com informação,com uso de processos tecnológicos, isso já acontecia né? A gente não pode encarar como repulsa ou tempo novo. pode ate ser que a disseminação do tempo coletivo até caiu num jargão comercial na TV, nesta área Nokia... mas é uso que essa máquina, a super máquina faz, a super ma´quina também se apropria entendeu? Não é só os ativistas e quem tenta se apropriar, ela se apropria de tudo, ela vende, ela comercializa, ela cria formas de consumo. Então, na realidade essa relação do artista, do que pensa, que tenta transformar imagens, conceitos e pensamentos e expor isso para ou uma multidão ou indivíduos, ele já tem essa relação no Brasil que vem... não é de agora, não é um fenômeno mídia tática, não é um fenômeno telefonia celular, não é um fenômeno... não, ele já vem explorado de várias formas. Eu estava falando de uma revista a Artéria, não sei se todo mundo conhece, mas a Artéria ela tem vinte anos, mais de vinte anos até, ela sempre foi publicada de forma completamente independente, sem texto nenhum, através de um meio sem gráficos e numa esfera de experimentar com a tecnologia da selografia pô! Isso é um meio né... e distribuirão essa revista com poetas, Haroldo de Campos, Décio, Arnaldo Antunes, todo mundo publicava alguma coisa e de questionamento também, e outros tantos artistas. Então na verdade essa relação não é nova, da sociedade pensando a sociedade de informação, esses processos, esses meios, essa tecnologia dentro do nosso atual contexto brasileiro mas dentro de uma cena que dá pra você se desdobrar, que dá pra circular e tal. Então eu vejo, por exemplo, as redes criando sistemas, as redes de ativismo que pensam questões de software criando sistemas de comunicação muito bem adaptados, tem toda uma linguagem , tem todo um mecanismo de funcionamento que está se formando, é um mecanismo que integra muita gente, muitas formas de pensamento, mas que a arte, eu sinto, não se sente confortável, justamente porque ainda se pensa na Arte e não nos meios de informação que perpassam a arte ou o ativismo... é um processo de informação, também é uma linguagem.
Gagos não se integram conversando?? Pessoas de outras regiões nao conseguem se comunicar, pessoas de outros paises surdos e mudos não se comunicam? Porque então esses processos não se comunicariam, isto é, na formação até de uma linguagem. Eu acho que está dentro da linguistica não sei, eu não posso falar muito disso, eu acho que é a formação de uma linguagem e precisa criar não uma identidade, mas um pensamento, vamos pensar sobre isso, de que forma estes processos se dão, há uma ajuda mutua, entendeu?, ou colaboração, ou parceria, qual que é a palavra né? Ou apropriação, se existem esses sistemas que já estão disponíveis porque tal grupo não se sente, tal como um individuo não se sente suficientemente tranqüila e confortável de se apropriar destes sistemas e interferir e tal.
A outra coisa que eu queria colocar é que dentro das regiões brasileiras é uma fortaleza começa a se perceber, eu não sei muito isso, talvez o Ricardo e outras pessoas que estão aqui, o lucas, pudessem falar sobre grupos, coletivos, indivíduos que estam criando outro processos de disceminação dos seus conteúdos via arte, né? Em regiões esparsas, você vê no norte, no sul, em todas as regiões brasileiras né? Não em todas mas em regiões distantes que você não tem acesso, você tem um acesso institucional, entrando em uma super galeria de São Paulo você sabe aquele artista reconhecido que vende aquela obra que é institucionalizada daquela região vendendo aquele produto ali, ok? Você tem essa relação com a lógica das regiões brasileiras, você não... hoje se tem sim esses grupos que eles perpassam, eles não se fixam mais em São Paulo, eles passam por São Paulo e voltam ao seu destino e criam suas configurações dentro das suas origens entendeu? E outra coisa é que dentro dessas origens em fenômenos de massa você também vê artistas se formando que não são esses artistas que pensam na teoria ou discutem com outros artistas a criação desses ambientes de imersão ou de imagem ou de som, do trabalho, do processo, mas eu sei por exemplo, da aparelhagem que é o que eu estou adentrando mais e que foi fantástico perceber o ambiente de imersão que a aparelhagem conseguiu produzir ao longo desses anos, durante 30, 40 anos, e que assim foi colocado como referencia de uma única pessoa, que eu posso considerar artista, um cara que cria naves espaciais, sistemas hidráulicos, um cara que interfere na sugestão de cor e posição das coisas naquele espaço, ele está criando ambientes imersivos, um cara que tem a possibiidade de interferir e dizer é ele quem diz onde a luz estará, onde a luz, onde a nave, por onde a nave mecherá, é, que raio laser, que sistema de tv vai usar, o cara que determina essa cor, essa ambiência, toda ambiência visual né de imersão do thecnobrega o grande lance na realidade não é o technobrega, o grance lance é o ambiente onde o technobrega é tocado. É um abiente de imersão mesmo visual, e é o cara que faz, o cara que pensa ele é um cara que influenciou uma multidão de pessoas imaginaticamente. Eu posso pensar ele como artista, ele não está, eu não posso dizer que ele não está tratando de informação, de processos mídiaticos de tecnologia, e é um cara que vive no meio do mato cara. Um cara que usa corel draw pirata. Então essas questões eu gostaria de colocar aqui pras pessoas, pra gente discutir e ver caminhos pra isso, quais são essas realidades, como elas podem interferir, como elas podem se juntar, como elas podem se articula, quais são as saídas né, pra esses questionamentos, é isso.
LUCAS BAMBOZZI
Meu nome é Lucas, eu não vim aqui fazer nenhum discurso, eu não preparei nenhum discurso, nenhuma espécie de linha, nenhum condutor muito linear pra nenhum pensamento, e queria de alguma forma discutir, suscitar algumas discussões que são mais ou menos as que já foram levantadas pela Gisele e um pouco pelo Ricardo também e talvez algum desmembramento destas questões que estão de alguma forma interconectadas. Acho que a Fabi e o Antunes vão falar de um outro aspecto também que é bastante interessante. Então, peguei o microfone aqui pra fazer mais ou menos uma ponte entre esses universos ai, que o Ricardo levantou e a Gisele também.
Bom, eu participei deste debate que o Ricardo mencionou sobre esta suposta apatia da mídia arte, esta é uma visão quase que microtécnica do Ricardo de que a mídia arte não se debruça sobre questões sociais e políticas, acho que ficou batente naquela discussão que a gente is falar de um certo tipo de mídia arte ou de um certo circuito de mídia arte, e que essa é uma questão fundamental, existem vários circuitos, existem várias formas de abordar a mesma coisa. Mas, acho que um dos pontos que eu queria levantar, eles não usaram esta palavra mas é, e nem sei muito como traduzi-la para o inglês, vamos ver como eles fazem, mas é a idéia de cooptação, é, vamos dizer, idéias libertárias que em um determinado momento são libertárias, ou idéias que tem algo de subversivo, trabalhos, projetos, artistas que tem algo de visceral ali acaba, de alguma maneira, sendo cooptados por algum mecanismo né? Então, se existe isso, se isso se passa com relação ao circuito da arte, eu queria lembrar o quanto isso vem acontecer em outras esferas também né? O ativismo, ele vem sendo incorporado, por exemplo, por games, você tem vídeo-games, games interativos que utiliza, que utiliza, que plagiam o ativismo né? O que que está acontecendo neste mecanismo? Estão banalizando a idéia do ativismo?estão suscitando o ativismo? Isto é produtivo ou não? Eu queria lançar isso como questão: que tipo de pensamento que vem quando o ativismo está implícito até em vídeo-games né? No momento, por exemplo, a Gisele lançou a idéia da telefonia né ? e eu em sinto um pouco, gostaria até mais oportunamente falar um pouco porque eu estou, fiz parte de dois eventos ligados à Nokia e tentei de alguma forma trabalhar, tentar ser uma interface com relação à alguns artistas, tentar potencializar alguns trabalhos diante de um circuito, de uma tecnologia que esses artistas não tem acesso, mas também sabendo dos riscos que estava correndo de isso virar salsicha, de isso virar sabonete né?
Então isso é algo que está implícito nesta minha vontade de discussão aqui. Outros exemplos de cooptação: banco, atualmente, vem utilizando da linguagem ou ativista, ou bancos que vem utilizando de uma linguagem do sistema da arte né? Então tudo, de alguma forma, se permeia e quem se apropria do que é uma questão que a gente deve de alguma forma enfrentar. Quanto aos bancos é nitidamente o banco Itaú que se apropriou do trabalho do grupo Contra Filé, por dentro de um evento chamado Zona de ação; toda aquela história da catraca e o banco foi lá e colocou um outdoor falando: “Estudante descatracalize sua vida, abra uma conta no Itaú” né? Então é toda uma tecnologia criada para um projeto de arte, mas um projeto cuja principal ação não era se quer o circuito de arte, mas produzir algum deslocamento na trama social, urbana da cidade, acabou sendo apropriado por um banco né? É, então isso é uma questão que permeia esta idéia de cooptação.
Dentro do sistema da arte eu participei a pouco tempo de um debate na Argentina onde havia uma discussão entre o Marcelo Spozito do grupo Biomango e o Daniel Garcia do grupo tecnology to the people, e o Daniel acusando o Marcelo e o próprio grupo Biomango de ser um projeto financiado e encomendo pelo MACBA, o museu de arte contemporânea de Barcelona. Então, até que ponto um projeto que tem um apoio institucional, ele consegue se inserir dentro do circuito social e político de forma efetiva, ele deixa de ser ativismo e passa a ser uma estratégia da arte? Então ele é estratégia de que? Ele é uma estratégia de mudança social e política ou ele é uma estratégia de inserção do circuito da arte né?
Isso foi discutido em uma discussão bastante tensa e não se chegou a conclusão nenhuma. Mais recentemente eu estive no meio de um mesmo debate, um debate agora recente de um mês e pouco atrás, no vídeo Brasil em uma mesa na qual a Cocofusco, Cocofusco é uma das mais radicais pensadoras das novas mídias com relação ao contexto social e político. E o projeto da Cocofusco de uma performance em São Paulo, onde ela regimentou uma série de voluntários para usar um macacão e fazer uma performance fora totalmente, a principio, do circuito da arte na frente da embaixada norteamericana de São Paulo e as pessoas, no final, que participaram começaram a perguntar “eu posso ficar com o macacão?”, como uma espécie de suvenir, como uma espécie de “lembrança” da minha participação nesta performance. Isto gerou uma discussão da seguinte ordem: bom, este macacão vai acabar sendo coomodificado, vai virar uma coomoted, vai virar como um fetiche de um projeto artístico e vai acabar tendo um valor enquanto objeto resultante deste fetiche artístico, ou seja, Cocofusco, que é representada por galerias de arte comerciais, acaba também se sujeitando a deixar que um subproduto deste projeto de arte dela possa acabar sendo incorporado pelo sistema da arte como um objeto de fetichização né?
Então, é um contexto super complexo, é difícil ficar demonizando assim uma coisa ou outra sendo que esta perversidade está em todo o lugar né?
Eu venho desenvolvendo alguns projetos onde é independente de ficar tentando colocar as coisas de um lado ou de outro de uma maneira maniqueísta. Tentar, sobretudo, independente do contexto, independente do que está em questão, assumir uma responsabilidade sobre o contexto em torno do qual o projeto gira. Isso é algo que me faz me sentir de alguma forma condizente com o trabalho, condizente com este ambiente, na verdade este ambiente, este contexto ele se sobrepõe a obra, ele é mais importante do que a obra, ele é mais importante do que o artista, ele é mais importante do que o discurso em torno da obra. O que que eu chamo está questão de responsabilidade sobre o contexto né? Se der eu gostaria de passar aqui um trecho de um projeto chamado de Cubo, tem algumas pessoas que estão aqui que participaram ativamente dele que é o Rogério, a Mariana. Que é um projeto que é, se por um lado os resultados podem ter invadido,ter sido bastante incomodo para um determinado contexto, houve, no decorrer de todo o processo um cuidado extremo para que isso não acontecesse e um cuidado extremo para se modificar as estratégias para que esta relação acontecesse de uma maneira mais próxima, mais no mesmo plano assim. Um outro projeto, eu vou mostra só o Cubo, mas deixa eu colocar o outro na frente. Eu comecei há um tempo atrás produzindo um trabalho, até com uma produção da Gisele Vasconcelos aqui, que é um projeto que se chamava Desmediados, que era uma tentativa de abordar grupos ou artistas que faziam alguma subversão com alguma tecnologia, transformava alguma tecnologia, um uso preponderante que vem de alguma tecnologia e disseminavam esta tecnologia para grupos menos favorecidos ou para o uso de uma comunidade que não teria acesso à essas tecnologias. Então comecei gravando, por exemplo, com um eletricista que fez a conexão elétrica de uma ocupação do movimento sem teto lá na Prestes Maia. Então este eletricista, de alguma forma, ele nem era eletricista, era uma pessoa que aprendeu o oficio do eletricismo por uma necessidade né, e utilizou este conhecimento para proporcionar para um prédio inteiro, mais de 450 famílias vivendo num prédio ali. Bom, a seqüência deste projeto era buscar pessoas que estariam trabalhando com... desviando o uso da internet, por exemplo, pessoas que faziam um grampo, hackeavam um telefone público e criavam uma espécie de lanhouse para um tipo de uso mais coletivo, ou , por exemplo, pessoas que começavam a ... por exemplo, a rádio muda, vim aqui e falei com o pessoal da rádio muda, que usa uma tecnologia bastante conhecida no meio de transmissão de rádio e acaba furando o esquema, a imposição das leis e da dificuldade de auto-expressão fazendo um trabalho de anos ai e um trabalho de fusão de pensamento através da arte, de que, a principio, qualquer um poderia chegar la e propor um programa e no momento em que eu vim aqui tinha mais de duzentos programas sendo colocados no ar. Bom, a radio muda é conhecida por todos aqui muito mais até do que eu a conheço. Mas então era um projeto que ia um pouco nesta linha e em determinado momento eu comecei a me perguntar o porque, qual seria a função, o quanto os resultados deste trabalho, deste documentário eles poderiam se voltar contra essas pessoas que estariam, de alguma forma, fazendo esta subversão, a sua vida, seu trabalho e a sua existência poderia ser comprometida pela difusão, pela divulgação desta subversão, né?
Então, eu acabei, de alguma forma, entrando em crise com o projeto, segurei o projeto em um determinado momento para conseguir achar soluções para que o projeto não avançasse este sinal, não se colocasse como projeto, meu pessoal, quase que de denuncia destas atividades mais subversivas, né? Lógico que a idéia de denuncia eu estava evitando a todo custo, mas em algum momento ela poderia ser considerada desta forma. A gente teve uma conversa com um sujeito que fazia (...interferência) de não se interferir neste contexto, né? E o grupo surgiu, de uma forma até curiosa, dentro da ocupação do projeto feito, coordenado pela Fabiana e pelo Antunes, que estão aqui, dentro deste prédio em MSTC. Enquanto muitos artistas foram neste movimento, foram neste prédio levar sua obra para o publico, pro publico não, para os fundadores do prédio, como se fosse uma espécie de intervenção dentro deste espaço, espaço privado ali da habitação do prédio, deste prédio que foi tomado em MSTC. O grupo, nos tivemos um determinado cuidado de “olha, será que são eles que precisam ser intervidos?, né?, ou será que a gente não precisa contextualizar a intervenção deles na trama da cidade né?” Então, optamos por não levar nada para dentro do prédio, não tendo a intenção de mostrar a arte como esta arte emprementadora, iluminadora mas, tentar funcionar exatamente como esta interface,produzimos uma obra, um trabalho, uma intervenção que era nos espaços publicitários que rodeiam o prédio, que são espaços, estes espaços publicitários, geridos ate hoje pelo dono, o suposto dono, do prédio, suposto é um cara que não paga IPTU há vinte e tantos anos, então, a principio ele não teria nem mais direito sobre este espaço publicitário através do qual ele continua ganhando dinheiro ate hoje, né? Bom, eu ate trouxe uma documentação disso, talvez quando eles mostrarem mais alguma coisa do MSTC eu mostro lá.
Agora eu voou mostrar um trecho do Cubo, porque é um projeto que teve muitos erros né? O Daniel Lima, que era para estar nesta conversa hoje, ele era o coordenador deste projeto e recebeu um convite para discutir o Cubo de uma forma geral, então, eu vou aproveitar para falar deste projeto...
FIM
Vídeo 6;6 CONT
LUCAS BAMBOZZI
Bom, o Cubo é uma proposta, um dispositivo áudio visual formado por cinco telas de projeção formando um cubo de setes metros, ou seja, um cubo de sete, por sets por sete, e com vários grupos envolvidos, cinco grupos ligados à imagem, um grupo ligado à som; os grupos eram Bijari, A revolução não será televisionada, o meu grupo que é o Cobaia, o Contra Filé, o grupo Perda Total, que é o grupo de áudio e o grupo Cia Cachorra. E esse... então a idéia era produzir um objeto que funcionasse como diálogo com a população do centro de São Paulo e, o fato dele ser um objeto muito volumoso e com um grande impacto, ele se tornou em um primeiro momento, um grande trambolho no centro da cidade, um grande objeto de intervenção e cuja a existência, cuja a instalação dele promoveu muito mais um distanciamento com a população do centro do que uma proximidade, né?
Essa critica que eu faço, ela foi percebida de imediato por todos os participantes e o desafio maior do projeto foi tentar vencer essa... tentar conseguir dispositivos em que isso fosse amenizado, que a gente pudesse reverter esse objeto áudio visual para um outro fim que era um fim de objeto de interesse nosso mesmo.
Então vamos ver um trechinho que ai da para eu ir comentando...
PROJEÇAÕ DO PROJETO NO TELÃO
COMENTÁRIO DO LUCAS SOBRE A PROJEÇÃO
Então, eu vou fazer uns comentários aqui: quando o Cubo foi instalado pela primeira vez na praça Patriarca havia uma quantidade de pessoas, moradores de rua que, de alguma forma... de alguma forma não, é muito nítido o quanto eles ficaram inibidos com a situação, mesmo que em alguns momentos eles estavam sendo representados no cubo como imagem, como participantes e atuantes ali do contexto, eles ficavam... o cubo inclusive atrapalhava eles dormirem, eles queriam dormir e o cubo estava ali fazendo barulho, e o cubo estava ali iluminando, então isso foi... parecia que havia uma celebração, mas que acontecia somente dentro do cubo e não fora, ou seja, dava pra perceber que pra quem estava fora, as pessoas que estavam dentro do cubo estava fazendo uma festa para qual a população não havia sido convidada. Então essa foi a minha impressão imediata. O que aconteceu é que a gente foi tentando disponibilizar no segundo dia, na segunda semana, dispositivos de interação, câmeras e microfones fora do cubo e teve momentos também que a gente convidou pessoas para entrarem dentro do cubo.
Então nesta situação, por exemplo, na praça do Patriarca a gente falou de computação, uma coisa curiosa é que esse projeto teve apoio do CCBB e o Unibanco que vocês estão vendo ali no canto, que já estava praticamente apagado no centro, como todas as megalópoles ficam vazias no centro a noite, o Unibanco acendeu as luzes como forma de se utilizar daquela rede, daquela audiência, daquele público ali para se posicionar também, ou seja, o Unibanco se utilizou da estrutura criada como forma de produção de merchandaise, de marketing. Então foi só uma situação bastante curiosa no dia em que a gente chamou pessoas lá pra dentro, pedestres que circulam no centro e talvez tivessem tanto a cantar e a dizer até mesmo mais que a gente, né? E a gente tinha essa pretensão de, como artistas, nós chegamos e temos que dizer.
Então, a idéia de intervenção, pelo menos a que move grande parte do grupo Cobaia, é a idéia de ser intervido, de funcionar com conexão com a realidade e não de fazer interferência na realidade. Pouca gente, pouco artista, que fala que trabalha com intervenção urbana se pergunta “será que esta comunidade, desta realidade eles querem ser intervidos de fato?”, “será que eles precisam desta intervenção artística?”, “que tipo de arte eles precisam, né?”. Por exemplo, a minha critica ao primeiro projeto de ocupação junto ao MSTC é que os projetos de arte que mais funcionaram eram os projetos que tem um caráter assistencialista como teatro e música, de produção coletiva, de uma celebração, mas isso como projeto de arte contemporânea, eles eram vistos muito mais como arrogância, eu falo pela critica e falo pelos moradores inclusive- que eu ouvi bastante os moradores- do que como um projeto que potencializa a existência e a dignidade das pessoas ali. Então é esse o tipo de cuidado que eu acho que, de alguma forma, norteou o projeto Cubo ao longo do processo, não que a gente tenha conseguido; talvez no final, nas ultimas apresentações finais, que foram na praça da Sé, a gente conseguiu uma celebração, uma confluência, uma troca, uma permeabilidade de situações muito maior do que no inicio, mas ele ainda ficou faltando essa relação no mesmo plano né?, no plano mais cara-cara e de uma forma que fosse menos ostensiva. Por mais que houvesse essa tentativa de celebração e de incorporação das manifestações mais espontâneas...
MAIS UM TRECHO DA PROJEÇÃO
Os mecanismos de mediação eles começaram a funcionar só a partir do momento em que eles começaram a ser mais transparentes, menos ostensivos e que estavam mais ali a disposição do publico, porque eles eram... no começo a gente iniciou uma programação ali que tinha praticamente quatro horas, duas horas que eram repetidas, e com espaço para improviso, com espaço para a participação pública; no final a gente acabou tendo uma meia hora, quarenta minutos, de programação pré-definida e muito mais espaço de improviso, muito mais espaço de participação das pessoas, do público ali.
Então, a idéia que eu faço de critica aqui, não sei bem se ao projeto ou a tudo, é mais como o modelo de algo que foi surpreendente, de algo que foi um marco neste tipo de pensamento, só por isso ele é um ponto de partida para crítica, não porque ele herdou essa idéia de critica, essa critica que eu faço é como um projeto de intervenção como um todo, como havendo o mínimo de distanciamento é algo que, de alguma forma, falta a gente injetar esse tipo de pensamento nos projetos de intervenção, né? E eu estou falando aqui de projetos que já partem do pressuposto que se relacionam com a realidade, que se relacionam com o contexto político social, os outros é melhor nem referir aqui.
Obrigado!
20:37
FABIANA BORGES
(...) pra pensar acido no movimento sem teto do centro, e já que combina com arte contemporânea, também ficou arte contemporanea no movimento sem teto do centro, e foi um movimento bem loco porque apareceu tudo em três semanas, nos fomos la conhecer o prédio e em três semanas tinha 150, 160 artistas que a gente sabe que estava e fora mais de 600 pessoas que foram. E o ACMSTC foi um evento de três semanas que não parou de dar resultado ate agora, e foi uma parada muito subjetiva também porque foi ousado, neste sentido de abrir as portas de uma ocupação de quase três mil pessoas para esse monte de gente de artistas e de coletivos, interventivos, artropologos, teve de tudo. E as pessoas estiveram la e a única exigência da coordenação era entrar em contato com as pessoas e a partir disso colocar isso em obra. E eu não concordo muito com a visão de que a maioria das intervenções da arte contemporânea foram aceita e tal talvez porque eu não seja artista e não tenha assim um critério de critica de arte para pensar as coisas, então eu vejo muito mais com uma visão da psicologia, que eu venho, e da filosofia da diferença, enfim, e, o que eu vi acontecer assim é que foi um momento de transbordamento em que as pessoas se sentiam completamente perdidas e fizeram o que podiam, todo mundo fez o que podia, os moradores exigiram que eram artistas também, virou uma nomeação importante dentro da ocupação e feiras nestas três semanas em que as pessoas colocavam o que elas produziam e rolou varias coisas econômicas também... hoje o Tulho estava me dizendo, eu nem sabia desta, de uma artista que ensinou a fazer tapete e hoje virou uma economia local, onde ela esta levando para dentro do Prestes Maia, para dentro das favelas, virou ela mesmo uma estrutura de tapetes que vende por 150 reais cada um, bom e assim vai. E sobre o Integração sem posse, isso é outro dado interessante, pois depois que aconteceu essas três semanas no Prestes Maia todo mundo sumiu, foi uma espécie de overdose, foi o primeiro ato de intervenção urbana onde os coletivos agiram sem nenhum tipo de curadoria, nenhum tipo de demarcação, as pessoas foram convidadas e vinham, a idéia era ocupar a ocupação e depois que isso aconteceu acabou numa briga enorme. No ultimo dia onde a gente fez uma avaliação dentro deste espaço, estava sem teto e artistas, todo mundo numa reunião, 300, 400 pessoas e as pessoas começaram a brigar muito, principalmente os artistas entre si, porque uns são mais trotskistas, outros são mais ativistas, outros são mais conceituais, outros são mais midiáticos enfim... acabou que as pessoas se pegaram no pau, o Tulho foi um que... eu e ele teve essa diferença, eu nem fiquei pra assistir a briga, estava mais preocupada em fazer o desfile de moda com a estilista de la e ele ficou irritado, mandou as pessoas tomarem no cu, e as pessoas se pegaram no pau e foi assim que acabou. Varias ações foram feitas neste tempo de desligamento com a ocupação, as pessoas se reconheceram, vários projetos aconteceram e agora este ano, de novembro de 2003 a julho de 2005, todo este tempo de afastamento da ocupação, esta mesma ocupação recebe reintegração de posse maracada e, devido a urgência e ao caráter virótico que o evento conseguiu fazer, os artistas todos voltaram no dia 2 de julho, praticamente o mesmo numero de pessoas, e fizemos um outro ato que se chamou integração sem posse pra fazer o (verso) reintegração de posse que é o nome dado ao despejo e, bom, só o futuro vai avaliar o que isso representou mas, quando a gente senta e avalia acha que conseguiu uma espécie de blindagem ao prédio porque ele não foi despejado ate agora, esta acontecendo um monte coisa la dentro e depois o Tulho vai falar, tem uma parte interna em que ele esta tocando desta Universidade autônoma, nômade, louca que esta acontecendo la dentro, onde os moradores estão dando aula de gambiarra, de custura, de cabelo e até artista da aula tbm, e a biblioteca está sendo feita, só tive vontade de falar dos caminhos que esse evento foi tomando e que acabou maior que nós todos, e com certeza a gente ta aqui tbm pra pensar no que a gisele falou de como conectar essas ações com ações do software livre de metareciclagem da criação de pontos lá dentro, por que a gente não tem nem como da vasao ao numero de produção que a gente tem feito, o CMI tem dado um apoio grande, tem levado vídeos pra mostrar, tem filmado coisas, tem posto no site, porem a gente reconhece uma certa ignorância e um certo despreparo de lidar com as novas mídias e o movimento todo que vcs tão produzindo e a criação de programas que de fato a gente não tem isso, gostaria muito de ta conectando com isso pra isso acontecer. Fiquei com vontade tbm de falar sobre o cubo, eu fiquei chateada de não ter participado do cubo, me perturba muito esse papo de cooptação pq eu não consigo ver assim, os puristas e os cooptadores terríveis, na minha visão essa polaridade é muito trotiskista, muito dialética, hegeliana, tipo, to meio mais pensamento pós estruturalista e mesmo que eu saiba que continuam ai as polaridades eu imagino que o mundo é feito de tensões onde se abrem espaços e o capital vai introduzindo isso mas a gente vai criando o capital, então tem essa separação toda, não consigo ver os coletivos como algo que está sendo cooptado por esse monstro que é o capitalismo, muito pelo contrario to mais afim que cooptem de uma vez pq ta foda de sustentar a quantidade de coisa que a gente faz sem nenhum tipo de apoio financeiro e quando eu penso em dinheiro público penso também na grande coorporação pq a gente sabe que os grandes ministérios tem captado grande parte do seu dinheiro de grandes cooporaçãoes, nesse sentido não me vejo como alguém que está criando algo que vai ser cooptado logo ali, qdo alguém faz um trabalho no SESC ou consegue um patrocionio do BB é tudo a mesma coisa. Oq eu queria falar do cubo é que fui no ministério da saúde esta semana e eles vão bancar um projeto nosso que é muito próximo ao cubo, q eu não conhecia, acho incrível essa aproximação, qdo falei q fiquei triste de não participar do cubo é que os catadores de historia que é o meu coletivo, ficamos um ano imerso no mundo dos moradores de rua e não conseguiu dar vazão como incompetentes que a gente é pra essa monstruosa experiência que a gente teve, ficamos drogados e alcoólatras durante um ano, e agora recente, depois de dois anos e pouco, é que a gente consegue via ministério implanta as ações que a gente chamava de ritual de intervenções e celebração? a vida que é com projeções, vídeos e coletivos de arte e morador de rua mas não aberto ao público, moradores de rua e coletivos, e algumas pessoas que estão aqui participaram, o túlio o bijari tbm, e a gente fez essa noite de imersão ambiental sonora e áudio visual performática acima de tudo pensando em como é que a gente consegue legitimar um discurso que não é lógico, que é anarcotizado, que é alcolatra, e que todas as políticas publicas voltadas a ele são na tentativa ou de trazer pro albergue ou traze pra alguma organização política, e isso é interesante de pensa quando a gente pensa no ministério da saúde que a grande questão deles é que a travesti consegue se organiza, se mobiliza, as putas conseguem, os caras da favela conseguem, o morador de rua não consegue nunca, exatamente pq existe esse abismo lingüístico compreensivo narativo, esse narativo que é quase incomprensivel, inaudível e ai eu fico me perguntando uma coisa que de repente vcs podem me ajudar, como a tecnologia que ainda trabalha com o um e o zero poderia olhar pra esse invisivel que não cabe no um ou no zero e sim na constelação que existe entre esse um e esse zero que sei la, de repente com a computação quântica vcs devem saber melhor que eu isso, será q a tecnologia funciona pra da vazão, eu vejo o cubo, q q eu posso varia pra alem da interação social que foi notório e pra alem da tomada do microfone e da vazão pra expresabilidade, da vazão pra essa coisa que ta antes disso, q é talvez corporiedades demasiadas que não cabem nem no vídeo....
Túlio falando: então esse caso se torna mais forte, quem aqui se considera artista, nós, eu que me vejo artista, que vem de uma escola da arte pra então partir pra a ação social pra política e pra sociologia, pra implementa sociologia por meio da arte, então pra fala do código da sociologia, é a escola da arte, de um estudo do que eu vim pensando ela me leva q a gente tem que tomar o mundo como um lugar de criação, a gente tem que falar de estrutura social mesmo, a gente tem q ta ali, querendo criar no mundo, transformar o mundo, e não mais transformar a tela, q essa é o grande paradigma da comtemporaniedade do que agente ta fazendo. A gente tanto se aprimoro de criar um espaço, um vídeo, uma tela, agora a gente cria um outro mundo, e qual a diferença da gente e dos católicos e do pessoal de pastoral que ta querendo cria um novo mundo, eu acho que a gente quer criar um mundo a partir da experiência, da experimentação de linguagens e eu acredito muito, da não certeza, só que agente realmente ta lá e a nossa não certeza e outras certezas faz a gente não ter certeza dos movimentos populares, e experimentar dentro junto dos movimentos populares, a gente não sabe pra onde é, queremos potencializar os caras lá de todas as formas, e de que lá saiam realidades, mas que a partir da experimentação que a gente pode leva, muitas vezes de experimentações visuais, outras não. Pq a gente não pode esquecer que a arte já não é mais visual, é sensitiva, é psicológica é mídiatica, são conhecimentos sensoriais né, e eu não vejo de forma alguma essa distancia que foi colocada ai, não sei se pq a gente não tem muito contato, parece que tem dois mundos aqui, os artistas e o pessoal da cybermidia, pirata, né, não sei se existe isso. De qualquer forma oq a gente ta fazendo, ta fazendo, ta agindo, e tem toda uma classe no pais inteiro, dos artistas, que caiu nesse lugar, e hoje existe um espaço da arte totalmente engajado e tomara que ela se mantenha por todo pais tbm libertaria, e não códigos fechados, onde plenárias, precisa se fala, precisa se dá, acho que minha relação com o ruiz, acho que ta ligado muito nisso, por ser os dois muito loucos, libertários, e foda-se e pau no cú de todo mundo, a gente fuma maconha antes de falar, né, e isso muitas vezes choca, mas muitas vezes um cigarro diferente, então é isso que eu queria falar. Outro dia tava dando um curso perto da Unicamp, curso de arte engajada e tinha pessoas estudando comigo a gente ensinou o pessoal, não, trocou com eles idéias e eles trouxeram projetos, invadimos o banco itaú e fez um manifesto contra a privatização e teve um cara que chegou pro gerente e perguntou “qual q é o juros” ai o cara falou “tanto” ai ele disse “isso é um asalto” e levantou a mão e a gente entrou levantou a mão tbm, e começou a falar q é um absurdo do banco itaú e ai os clientes tbm levantaram a mão, e tava todo mundo de mão pra cima e quem olhava de fora achava que era um asalto, e a gente tinha que fala q era uma manifestação pacifica, estamos manifestando contra o asalto do sistema financeiro, tinha essa questão da imagem. E outro pedaço do curso foi um passeio aqui pelo centro de campinas, invadindo lugares, e propondo o descontrole, a gente foi botando terror em tudo que é canto que a gente passava com megafones, faixas, até curso de arte comunista, brincadeira. Ai o ruiz era isso, ele era o palestrante do dia final, e ai eu como professor e produtor tive que descola um beque pra ele fuma senão ele não conseguia da palestra, foi mó tensão, pq tinha q te microfone, som, e um beque pra ele fuma pq senão fudeu tudo, RUIZ “mas fala ai se a galera curtiu” o pessoal não entendeu muito, pq ele falaca de 12 assuntos ao mesmo tempo, lembra do akira, da mídia digital, dos arquivos piratas, e ele custurava tudo e fizemos um espetáculo multimídia com ele falandovamos tentar passar as imagens ainda.
RUIZ: estão nos boicotando
Flávia 40:24
Meu nome é flávia eu queria na verdade complementar um pouco oque falaram sobre o integração (sem posse). Eu acho que existem questões muito interessantes, muito legais que aconteceram na integração que foi que um dos grandes problemas do SMDSDC foi que saiu na mídia página inteira, fotos de artistas da parte de arte, éééé na coluna social da folha, então teve-se uma crititca muito grande que todo aquele processo foi um processo auto-promocional dos artistas interessados em ganha mídia e não um trabalho consciente dentro de um contexto social com uma postura política e assim por diante. Então quando o intergração sem posse foi acontece de alguma maneira também dentro do MSTCLSD e também naquele mesmo contexto então houve toda uma preocupação de ta pensando a inserção da mídia não no caderno de cultura mas no caderno social, então pensando no cotidiano, na cidade, e não com o discurso dos artistas dentro das ocupações, mas das ocupacoes em si né, pq? Pra se reverte, a imagem do marginal, a imagem de pessoas que não trabalham, então houve todo um esforço nesse sentido e a idéia de dar uma assesoria pro movimento tbm na parte de direito, então a gente tinha gente de direito envolvidas, entrando em contato pra ver qual a situação da ocupação em relação a reintregracao, enfim gente ligada a educação, ligada a grande mídia, e assim por diante, e esse trabalho continua ainda hoje, é importante a gente ter falado isso pq logo depois vai passa, se tudo de certo, o cd da plínio ramos, que é uma ocupação muito próxima do MSTC onde há enfrentamento com a policia, forte, de pessoas serem presas, leva bala de borracha e assim por diante.
FF:
Eu quero fala então, bom, eu sou bom de cama sei fazer café, artista não é oque eu sou. Suavizou, eu vejo uma coisa assim, tava vendo o making of do cubo, e no começo uma coisa incomodou bastante e a medida que foi passando eu fiquei mais feliz com oq eu tava vendo. Aquele 1a apresentação na praça patriarca, me pareceu bem a visão que eu tenho, como uma pessoa que não se intitula artista até o ponto que qq um pode ser artista, eu posso ser também, então eu não me intitulo como uma pessoa diferente dos outros no que concerne a arte. Muito do que eu vejo do mundo artístico, do circuito artístico, é aquele cubo, uma celebração fechada pras pessoas que estão ali dentro, que é uma coisa um pouco auto-referente, buscar mais uma nova maneira de exibir a sua própria obra, é mais interessante eu contar pros meus amigos artistas que eu montei uma intervenção no patriarca do que efetivamente eu me dispor, eu estar disposto a me transformar tbm. Eu vi e concordo com o comentário do lucas, e lá na praça da sé eu acho du caralho, a galera na rua, mas a primeira coisa que eu vi do vídeo me incomodou profundamente pq é oq eu vejo assim, é muito esse coisa de “existe uma idéia pré concebida do que eu quero transformar naquela paissagem e quais vão ser as reações das pessoas” as pessoas vão ficar ali vão acha o máximo, vão dizer que não vêem isso na sua televisão em casa, mas o artista, a pessoa que ta fazendo aqulilo, pra mim vendo de fora, não parece que a principio ela ta aberta a oque que é que ela pode aprender com as pessoas que estão na rua. Então isso me incomoda bastante, esse é o ponto. Mas eu acho que a maioria das coisas que eu vejo começam com o cubo fechado, e esse processo de aprendizado que aconteceu com o cubo, com a 3a montagem ali na praça da sé, a impressão que eu tenho é que na próxima intervenção que for planejada aquele aprendizado todo vai ser esquecido. E vai começar do zero, com aquela coisa, vamos fazer, vamos exibir, vamos montar um timeline pra ver como vamos causar um impacto na vida das pessoas mas eu não to disposto a ter impacto na minha vida, eu já tenho uma recionalização do que eu acho q vai acontecer e quais vão ser os resultados e oque a gente vai faze com isso e pra quem q eu vou contar depois.
A fabiane, a gente já conversou um pouco, ela apareceu no olido, o pessoal fez oficinas com o leo de vídeo, a gente já pensou em fazer metareciclagem mas o pessoal acabou não indo, mas eu vejo uma coisa que a fabiane falou tbm, um incomodo e um processo, de repente tava todo mundo perdido, e eu acho que isso é bastante interessante, isso cria uma dinâmica que pode gerar uma criatividade extrema. Enfim, eu não tava aqui, eu cheguei atrasado, peguei uns minutos do rosas falando que normalmente os ativistas estão distantes da realidade, o mundo da arte tal não-sei-oq eu não consigo muito ver essas divisões sabe, eu não sei quem que é um mundo, enfim, a realidade em si, e ta fazendo coisas com um objetivo social, e as pessoas no mundo da arte, os ativistas, eu não sei, não vejo muito essa diferença entre um lado e o outro, tem uma área cinza onde todo mundo acaba se involvendo, tem muita gente que fala “a não” no discurso ele se exime de política, ele é a-politico, não existe discurso político num certo sentido. Então essas coisas acabam sendo muito... sempre tem um posicionamento nessas coisas, enfim, me perdi tbm, sei lá quem vai, o glerm podia falar, a gente teve umas discussões profundas sobre arte e cartesianismo, matemática e o juba tbm
NEO TAO (52:57)
Eu sou ???? . Bom, esse papo de artistas e não artistas eu lembrei de um amigo meu que uma vez falou assim, ele achava que “artista” deveria ser considerada uma profissão como outra qualquer, que o erro tava em diferenciar.
Enfim, eu participei de diversos coletivos, da muda nos anos 90, eu to meio baleado ai, o discurso talvez fique meio baleado também, ai qq coisa, dúvidas é só perguntar. Uma coisa que me chamou a atenção nas várias falas é que a fabi falou uma coisa da computação e tal. Participei de um outro coletivo, antes era grupo, não tinha esse nome de coletivo ainda, a idéia era assim, se chamava como grupo, foi o Neo Tão, que era um coletivo, é um coletivo, um grupo, que não teve uma preocupação política explicita, a idéia é assim, um grupo que saiu das artes plásticas na unicamp, e o mote era trabalhar com colagem e performance, então embora não tivesse uma premissa política explicita já tinha isso dentro da linguagem, a política do corpo, essa coisa da bodyart, de testar os limites do corpo, oque que é o corpo etc... e a idéia da colagem, que é uma idéia extremamente contemporenea em voga, que é a história da reciclagem. E um dos manifestos do NeoTao a gente falava exatamente isso que os artistas desde sempre trabalhavam com materiais e agora o nosso material era a cultura, ou era o lixo da cultura que a gente usava de matéria prima, então eu acho que acaba, mesmo que você não queria, “meu tem que ser político, não sei que lá”, vc acaba entrando em outros universos quando vc quer se expressar enfim. E, mas uma coisa que eu sinto, tendo participado de diversos coletivos, to agora com o pessoal da rádio chiado da puc, é uma dificuldade enorme de conseguir perdurar e vingar os projetos, opondo, de um lado vc faz uma coisa por um ideal, pelo amor a arte, e de outro lado vc não pode se dedicar exclusivamente a isso pq vc tem que sobreviver. Então acho que a coisa não pode ser assim tão preto no branco entendeu? porque se vc consegue um patrocínio, um apoio, é claro que é complexo né, complicado. A que medida que este apoio não vai implicar em vc estar fazendo uma espécie de propaganda para alguma coorporação etc. Mas por outro lado acho que tem meios, acho que a muda, embora não seja apoiada pela reitoria da unicamp, ela conseguiu usar a estrutura da unicamp, pelo menos a estrutura “concreto-armado”, se não tivesse aquela caixa d’agua lá a muda não teria o alcance que tem. Foi uma coisa de chegar lá e tomar o espaço mas ao mesmo tempo, se usou, não sei exatamente como ta agora, agora sés tão até, nossa, muito mais articulados, mas isso o pessoal da muda pode falar, mas eu acho que o negócio e não ficar assim, tem a corporação e tem os artistas sabe, tem que te um jogo ai, que é um jogo muitas vezes perigoso mas acho que é por ai. Eu trouxe um DVD do Neo Tão que ai tem várias coisas que eu posso passar, e trouxe muitos vídeos de outros grupos, uma coisa mais de grupos de vjs internacionais, era mais uma coisa ligada a vídeo mesmo embora tenha vários vídeos que tratam de questões, costumes, políticas, e tal. Esse primeiro “primórdios” era quando o Neo Tão era completamente analógico, depois ele foi entrando na tecnologia.
DVD DO NEO TAO ROLANDO:
O Neo Tao é engraçado que é um grupo q se espalhou, surgiu em campinas e depois uma boa parte mirgou pra são paulo, alguns ficaram, um em jundiaí, é um grupo meio espalhado, mas a gente tem uma dificuldade de agregação por conta disso, por uma parte. Tem que gente que assim trabalha programando software e tem quem nem lê email. É um grupo paradoxal dentro de si mesmo.
Quando começamos com tecnologia no teatro do centro da terra em são paulo, a gente tava trabalhando com um software, o keyworks, que faz uma fusão entre imagens ao vivo e banco de dados, começando a trabalhar com isso, e mas pra frente a gente desmontou um teclado de computador e pos numa performer, tinha um aplicativo em flash, era o “neo tão tabajara presentator” que ao tocar no teclado que tava na performer ia alterando os áudios e o vídeo, e a platéia não percerbeu claramente. Tínhamos uma intenção que não ficou muito claro pro público, a tela no canto, o público meio enviesado e enfim, só descobrimos depois de fazer
Nesse outro a idéia era criar a partir de um filme, cada grupo de artistas convidados, montar um banco dados de imagens para todos os outros grupos usufruírem e criarem obras novas, discutia essa questão do que é imagem, não é imagem, teve um artista que pegou uma fita VHS e amassou ela, o trabalho dele era o ruído da fita vhs no vídeo, usamos imagens do speto, q fez toda uma coisa de trabalhar com cultura pop, seu madruga, chaves, fitas basf e tal
CARA DO MATEMA
A arte vem do organismo do homem, como manter essa organicidade? tem essa questão, oq aconteceu ontem por exemplo foi um ex interessante disso, a gente tenta desmontrar esta estrutura industrial que existe, o computador que vem naquela caixa de isopor enfim e a gente cria aquele fetiche, tentar desmonta essas coisas, pq oq que tem por trás né? Oq q foi construído pelo homem? Como q podemos desmontar isso? Nessa desconstrução, utilizando tecnologia, não desmerecendo ela, mas como encontrar ali oq q tem de mais orgânico em tudo isso e a partir disso, produzir, criar produção simbólica.
GLERM
O ideal disso q ele falou, eu queria cita o fato de que ontem, a gente ficou se envolvendo com umas coisas que são buscas, vou usar o termo metareciclagem, pois tem que tá em rede, mas de certa forma existe uma rede, eles foram falar da pizza então a gente fez o ping, mas tava acontecendo uma movimentação de pessoas, e um fazer, q pelo menos pra mim e pra algumas pessoas tbm já era o fazer. Então quando você cria uma memememerizacão, que é bonita ao mesmo tempo que é muito instilmel, que enfim, cumpre vários papeis, mas ali tava acontecendo alguma coisa que é muito mais difícil da pessoa perceber aquele momento real, é a questão do espetáculo, uma questão impressionista mesmo, me engendrando em livros sei lá. Oq a gente tava fazendo era uma coisa q era a coisa em si, experimentando, fazendo microfonia, mechendo na impressora e a poética é a gente conseguir fazer aquilo funciona, do barulho q tava acontecendo, das microfonias também serem som, isso é muito menos espetucularizado, vou cita um exemplo com a garota que tava atrás, isso já me incomoda, pessoas que sentam atrás, a separação entre quem faz e quem vê. Uma menina chegou pra simone “mas não ia tocar o b-negão?” eu só vi acontece essa passagem de som. Na verdade eu não participei da produção, mas oq tava acontecendo é que algumas pessoas paradas observando, esperando uma movimentação, não percebem que a estão participando quando estão observando, e não sei se estavam perdidas no mundo delas, mas eu queria questionar bastante isso, o papel do espectador nesse espetáculo inevitável, inventável ou não, mas essa busca pelo real, se eu desligar o microfone é mais real (com microfone desligado) por que q ta me filmando? O tempo inteiro eu to sendo filmado pra mim eu não, colaboro com esse metiê e essa questão, performance, essa maçonaria, q o ff tava falando. Sei lá, acho que a coisa é interagir, tentar interagir. E esse lance das câmeras sempre apontadas, te coloca no lugar, se o cara não tivesse documentado toda aquela movimentação que eles fizeram, o prejuízo todo q tiveram, não sei se você falou em nome da metareciclagem ou do felipe
Ff: em nome do contexto artista
Não sei, vc falou um negocio “to pensando no impacto social que eu vou causar”, bastante pragmático, eu questiono se é possível ser tão objetivo assim.
Ff: a gente tava criticando isso, não no pargmatismo, mas já ter a concepção e qual vai ser o impacto daquela coisa
Glerm: eu ouvi uma coisa interessante no seu discruso que é a proposta estética, dar a pessoas a oportunidade de mostrar uma reflexão do ego dela, “não, eu pertenço ao mundo! Eu comunico! Eu tenho linguagem própria” que também é importante. Acho que não falei nada na verdade, não sei se é bom ou ruim, não é nada, não vai mudar nada, essas coisas aqui não vão mudar nada, algumas pessoas vão se conhecer, outras se re-conhecer, outras vão ter uma imagem de uma outra pessoa, e enfim, vai seguir,o importante é continuar, e dai a questão das redes, não, é, isso muda, as pessoas se conheceram, a transformação acontece com o tempo.
Mas acho que o grande problema é a espetacularização das coisas que a gente faz, “Estamos aqui em uma mesa, no mesmo formato adotado pela ONU” dai a gente “Ah, vamos resolver várias questões aqui! Vão ficar resolvidas”. Em contraste acho que esse movimento vai acontecendo, é importante como ele falou, e é um salto quântico. Mas cada dia, duas pessoas conversando, é um salto quântico tão importante quanto esse”.
DR GORILLA
Quanto a sala, acho que a sala ta sendo ocupada de um jeito muito massa, tinha uma criança ali, uns caras ali comendo pão, a bancadinha, os caras em pé passando manteiga. Acho que assim, a gente já ta modificando o espaço de repente, não to descosiderando que isso aqui remete a uma estrutura de poder, nada disso, mas a gente ta conversando aqui entre nós, e estamos sentados numa platéia, só faltava derruba essas paredes e ia ter mais platéia pra lá e mais pra cá. Pelo menos é a impressão que eu tenho.
Quanto aos lances que a gente viu hoje, to achando muito massa, são apropriaçõoes e possibilidades que ao mesmo tempo, eu admiro, e as vezes me assusto, pq mídia é um meio, tática de repente é uma tentativa ou formulação de algo que está buscando mudança seja ela, não precisa ser uma coisa permanente, enfim, qq mudança
Acho q essas imagens impactuam, provocam uma reflexão só que eu tenho um pouco de medo quando entra por ex o papo da corporação, ou da grana que não se sabe direito de onde vem, ou se vem de repente não é mais que ta fazendo marketing pro cara sem sabe e ele ta te utilizando por mais que a sua intenção seja du caralho, por mais que o teu lance tenha tudo ha vê pra causar um incomodo positivo.
Não quero me extender, é um debate que podia xemele-a, é o termo assim, e ai a gente de repente, poderia talvez não discutir tanto a arte, mas discutir pq q a gente ta aqui pensando a arte hoje. Se estamos aqui pensando a arte é pq são formas de linguagem possíveis e legais e vamos trabalhar então esses pontos que não estão entrando em dialogo. Existe choques aqui q se ficar PÁ – Pá –Pá – PÁ. Não sei se vai avançar, tem divergências, mas vamos dialogar, sei que é um lance meio idiota, mas sei lá, “é um esforço”, mais nada, só isso.
RUIZ:
Ta pra fechar o restaurante, se quiserem continuar a porradaria lá ou o dialogo lá fiquem a vontade.
VISITA A RÁDIO MUDA
PAJÉ NO ENCERRAMENTO
Nem todo mundo colaborou com todo mundo, mas todo mundo colaborou comigo. HAHAHAHA (da galera) Esse negocio, então queria agradecer, acho que a melhor coisa dessa brincadeira toda que a gente fez foi a possibilidade da gente se conhecer, formar um grupo, e saber que as pessoas estão interessadas em debater isso, e aquilo, o outro, etc... eu realmente espero que a gente aprenda com oq rolou aqui.
E sou estou acreditando acabado, estou tão feliz, pq foi du caralho enquanto durou. Eu só queria então pedir uma grande salva de palmas proooooo Pixel!
CLAPCLAPCLAP
E pra Rádio Muda tbm CLAPCLAPCLAP
transcricao: priscila arcuri, x, tw
6.Participantes
Pretende-se trazer convidados de diferentes experiências, conhecimentos, e locais. A idéia é promover um diálogo entre a prática e a teoria e as diversas concepções de manipulação tecnológica dispersas nas experiências locais. Articular um reconhecimento de pessoas de modo a colocar em pauta as concepções e práticas contemporâneas em torno da utilização das tecnologias de informação (novas e tradicionais). Os participantes têm experiência em vários temas relacionados a ações sociais, teoria a midia. Desde membros de rádios livres até desenvolvedores de games, passando por professores, coletivos de artistas e ONGs da região Norte do país.
Re:Combo - Recife / São Paulo
Coletivo de recombinação musical digital
A revolução não será televisionada - São Paulo
Coletivo de intervenção áudio-visual
Sabotagem - Porto Alegre
Coletivo promotor de livros on-line de graça
GTA - AM / PA
ONG meio ambiente e comunicação
Metareciclagem (Fernando e Bia) - São Paulo
metodologia descentralizada de reapropriação tecnológica para a transformação social.
Media Sana – Recife
Coletivo de produção audiovisual
CMI-Mulheres - Brasília, Goiânia, São Paulo
Centro de Midia Independente
Estúdio Livre
Grupo Eco -
Radiolivre.org
rede de rádios livre
Hip Hop da Floresta - Rondônia
Arlindo Machado – PUC São Paulo
Javier Bustamante – Unicamp / Universidade Complutense de Madri (UCM)
Alejandra Ana Rotaina - Rio de Janeiro
Mauro Almeida – Unicamp / Campinas
Ivana Bentes – UFRJ / Rio de Janeiro
André Lemos – UFBA / Salvador
Ronaldo Lemos – FGV / Rio de Janeiro
André Parente – UFRJ / Rio de Janeiro
Hermano Vianna - Rio de Janeiro
GESAC - Elaine ou Antonio Albuquerque
Cláudio Prado – MinC
Alex – Pontos de Cultura
CEMINA - Rio de Janeiro
Etienne Delacroix – MIT / São Paulo
Leandro Konder – UERJ / Rio de Janeiro
Heloísa Buarque de Holanda – UFRJ / Rio de Janeiro
Muniz Sodré – UFRJ / Rio de Janeiro
Janice Caiafa – UFRJ / Rio de Janeiro
Thiago Novaes – MinC / Brasília
Armando Coelho Neto – Delegado da Polícia federal / São Paulo
Enrico Zimbres - Rio de Janeiro
Beth Costa – Federação Nacional do Jornalistas
Rádio Arte (Francisca Marques – Univ. Jorge Amado Salvador /Camilo - Unicamp/Romano – Rio de Janeiro)
Giselle Beighelman – PUC São Paulo
Pablo Ortellado – Filosofia USP / São Paulo
Hernani Dimantas - São Paulo
Felipe Fonseca - São Paulo
Caio Mariano (KCP advogados / Propriedade Intelectual)
Marcio Pielkie (GTA-lucas do Rio Verde - MT)
Thiago Figueiredo (Tefé-AM, Instituto Mamirauá) + 1
Alex Alegre (GTA- RR)
Caburé (Reserva Extrativista do Alto do Juruá - AC)
André (CIR-RR)
Amazoner Okaba (RR)
Fidelis (GTA/Ponto de Cultura, Rondom do Pará-PA)
Ponto de Cultura-AP
Comitiva Internacional
David Garcia (diretor do programa de mestrado em disign interativo na Utrecht School of Arts de Amsterdam)
Paul Keller (Waag Society)
Vera Franz (Open Society Institute)
Fran Illich (Pesquisador do Centro Nacional de las Artes da Cidade do México - multimidia)
Ravi (sarai)
Namita (sarai)
Mônica Narula (sarai)
Crictical Art Ensemble (EUA)
Sara Kolster (umatic – Holanda)
Derek Holzer (umatic – Holanda)
Richard Barbrook (Coordenador do Hypermedia Research Centre da Universidade de Westminster de Londres)
DJ Dolores - Recife
Cláudio Manoel D. de Souza (pragatecno) - Norte-Nordeste / Salvador
B Negão - Rio de Janeiro
Quinto Andar - Rio de Janeiro
HIPHOP
Enraizados - Rio de Janeiro
mateus subverso-SUAT [sindicato urbano de atitude] – São Paulo
Games em Linux – Bruno Grago (bsdrago@ig.com.br)
Flavio Pirex (Documentario GamerBR, CC) - São Paulo
Palavra: resistência – Luis Duva
Rogério Borovik
Lucas Bambozzi/ grupo COBAIA
Michel Mallamed - São Paulo
Boa Companhia - Campinas
Rota Brasil Oeste
Camelôs e Pirataria
http://webartenobrasil.vilabol.uol.com.br/biblio4.htm∞∞;
wawrwt – unicamp - Luisa Paraguai Donati luisa@iar.unicamp.br
December 29th, 2005
The four-day conference on the campus of the Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) brought together many key persons from the tactical media movement of Brazil and some of their counterparts in the Brasilian government.
The movement is converging from roots in free radio, free software, hardware hacking, art and social movements. It is currently focussed around a large-scale project master-minded by Claudio Prado and supported by the Ministry of Culture: ‘Pontos de Cultura’ (Culture Spots) which is aiming to empower up to 600 cultural projects with free software-based multimedia production and publication facilities.
One of the main purposes of the meeting, aside from taking stock of where the movement stands, was to discuss a proposal by the Sarai / Waag Exchange to set up a media center in Brazil as a new node in their exchange network.
at casa de cultura taina
There is a video documentation of the conference available. Transcripts of the discussions are currently being prepared. Submidialogia #2 is planned for October 2006 in Recife.
Mídia Tática started after a call in June 2002 from Next 5 Minutes to hold a tactical media lab in Latin America. Three Paulistas (Giseli Vasconcelos, Tatiana Wells and Ricardo Rosas) replied. A network formed bringing together various branches of of media research and practice, including media art, alternative journalism, a strong computer recycling movement and a free radio movement. Radio Muda located in the central tower of Unicamp having started in 1990, is the oldest and arguably the most influential of them, getting generations of students involved in media theory and practice, spreading the experience after their graduation to all parts of Brazil. Submidia / Radio Muda, namely activist Paulo Lara, was hosting the Submidialogia conference.
The call from the Netherlands resulted in a group of more than 300 people, mostly from São Paulo, working together to organise the first Tactical Media Lab (TML) in Latin America. It took place on a shoe-string budget in the alternative cultural space Casa das Rosas, on Paulista Avenue in São Paulo in March 2003. Under the theme of ‘Digital Inclusion and Networked Communities’ it drew 6,000 participants and a strong echo in the press.
The TML was followed by three Autolab workshops in the suburbs of São Paulo. From January to July 2004 partly funded by Unesco, about 300 young people from the favelas were taught computers, web technologies, sound and video editing, all based on free software and recycled hardware. The Autolabs were concluded by two festivals: findEtático in November 2004 for discussing the experiences in the labs and in autonomous media production, and Digitofagia in October 2004, the largest festival on media, arts and technology so far that took place in Rio de Janeiro and São Paulo (at the Museum of Image and Sound), Recife, Salvador and Belo Horizonte.
In early 2003, the media movement really entered a new phase. One focal point bringing together diverse groups and communities was the TML, another one was Claudio Prado. The close friend of Minister of Culture Gilberto Gil, and his self-styled Coordinator of Digital Policy realised that something was going on with a strong free software movement and the arts and activism going digital. With the blessing of Gil he went around and approached many of the groups about a third generation digital inclusion project to be proposed to the Ministry of Culture under the name ‘Pontos de Cultura.’
What most of the world knows as ‘digital divide’, in Brazil is reformulated as ‘digital inclusion.’ The first generation digital inclusion projects were about getting computers to the people. The second were about access to the Internet. A success story here are the Telecentros, free public Internet access centers running on GNU/Linux platforms, that were initiated by Sergio Amadeu, then working at the Governo Eletronico of São Paulo. The third generation according to Prado is now about empowering people to produce their own digital cultural expressions and share them with the world. Because the PMDB-run Ministry of Communications is trying to get any digital inclusion project under its wings, the Pontos de Cultura are not actually labeled as ‘digital inclusion’ but as a ‘cultural diffusion’ project. This is not the only reason why the term ‘digital inclusion’ is disliked by everyone in the Mídia Tática movement. Another line of argument is: Felipe Fonseca, O fantasma da inclusão digital, Nov 20th, 2004
Based on the experience of the Autolabs, together with people like Alexandre Freire, then with the free software development group Arca, and visual communications people like Tatiana Wells and Ricardo Ruiz, Prado developed the project. There was an open call to cultural institutions and NGOs that could apply to become one of the Culture Spots. Schools, community centers, libraries, cities, samba schools, video groups etc. are all eligible to apply. When selected by a large advisory board under the auspicies of the Ministry of Culture, each of them receives a multimedia kit that includes a computer for editing, a server, photo and video cameras, microphones, a mixer, scanner and printer worth about 25,000 R$ (~9,000 €). Along with it they receive a suite of free software programs for editing, serving and streaming. The core team is developing a series of workshops to teach the people at the Points how to recycle computers, how to operate the software environment, how to create websites, music and video in order to produce their own media content and distribute it. In addition, each Culture Point gets a budget of 5,000 R$ (~1,800 €) per month over a period of two years.
The project team under the coordination of Freiere developed an online structure with five different platforms: Conversé, a Drupal-base open forum in wich the Points are exchanging their experiences, Estúdio Livre, a collection of links and context for free multimedia software, Xemelê, a repository for photographs, an internal server for mapping all the Points, and Cigar, a BitTorrent network for distributing the content that the Points produce that is currently being developed.
Claudio Prado reported at the conference that there are currently 85 people working for the project. Many of the ca. 50 participants at the conference are involved in it. Some like Thiago Novaes are employed directly at the Ministry. Others like Felipe Fonseca from MetaReciclagem work for the Information Technology Research Institute (IPTI), the formal interface between the Ministry and the grassroots movement. 270 Points were awarded in the first call. The plan was recently upped to make it look better in the election campaign next year, to 600 Points all together, incl. Points abroad (three in US, one in France, one in Tunis, more in Italy, one in Germany). Prado complained about much bureaucratic red tape that leads to a situation where it is always organisations with professionals who win public tenders. Therefore the board at the Ministry of Culture is disregarding formalities, looking at what the applicants are actually doing, and if selected, help them with the bureaucratic requirements.
Some of those selected to become a Culture Point were present at the Submidialogia conference, like Casa de Cultura Tainã where workshops on drum-making, drumming and other music are being taught to kids from the local community. There was also a small delegation from the Grupo de Trabalho Amazônico, Amazon Indians, living in remote villages, extracting rubber. They are collecting stories about every-day life, history, dreams, primarily to convey them to their children. Today they publish them as books. Once they have become a Culture Spot, they will also be able to make them available on the Internet.
The third generation of digital inclusion continues to be based on the previous two. The prime grassroots example for the first generation of getting computers to the people is the MetaReciclagem movement. Its founder Dalton Martins talked at the conference about his ideas on the three levels of approaching technology: from appropriating it as is via adapting it to tasks in a given reality to re-inventing it.
MetaReciclagem started in 2002. The groups get donations from banks and others companies that are renewing their PC pool. They refurbish these machines for use in social projects like Telecentros, and, more important, teach people how to do this themselves.
It turned out that it is easiest to get donations in the South-East of Brazil. Dalton is therefore planning to establish an exchange network for parts so initiatives in other locations can ask for network cards, harddiks, keyboards etc. and have them send from groups that have them. He sees selling refurbished computers as a possible business model for the Pontos de Cultura. Dalton does not see it as a problem if companies take up the recycling concept in order to make money with it. It only strengthens the network.
A top-down approach to the access-to-computers issue that recently made waves is the $100 laptop project by MIT MediaLab. Brazil committed itself to buying two million of those, but the project was not discussed at the conference.
The Telecentros are a successful approach to the second generation digital inclusion, the issue of access to the Internet. Today there are 120 Telecentros in São Paulo and some in other parts of Brazil, typically located in favelas in big cities. In order to reach people in the poor rural areas especially in the North and North-East of Brazil and in remote places e.g. in Amazonia, the Ministry of Communications initiated the program GESAC (Governo Eletrônico - Serviço de Atendimento ao Cidadão - Electronic Government - Service of Attendance to the Citizen). Its goal it to provide up to 5,000 points of satellite access.
At the conference, Antônio Albuquerque reported on the project. He had been with the Ministry of Communications since November 2002, and was Director of Services of Digital Inclusion of the Secretariat of Telecommunications and head of GESAC since January 2005. He was the last official from PT inside the ministry before he was fired in August 2005.
The ministry sees it as a connectivity service which should include tele-education and be rooted in the local community. On GESAC it is working together with the ministries for education, strategic planning and defense.
In October 2002, the contract for implementing the first phase was awared to Gilat, a company that provides telecommunications solutions based on Very Small Aperture Terminal (VSAT) satellites. Albuquerque said that in 2003 there was a five-months struggle inside the ministry until June when the project finally got started. Gilat established 3,200 sites, 2,200 of which are in schools. Others connect institutions ranging from NGOs via public buildings to military bases in the Amazon. Currently the public tender for the second phase has been issued. Albuquerque feared that if the Minister of Communications changes again, GESAC might get trashed.
While GESAC and Pontos de Cultra are projects from competing ministries, there are links between them. Some of the people in the Mídia Tática movement are working for GESAC, like Tatiana Wells who helped establish stattlite-connected telecentros is the Northern states of Piauí and Natal. Some of the Culture Points might get access through the GESAC network.
Another project of the Ministry of Communications is the digitisation of TV and radio. It seems that everything digital in Brazil, indcluding these undertakings, is supposed to interconnect with all the other digital inclusion projects.
At Submidialogia, Takashi Tomei from CPqD Telecom & IT Solutions, the company that manages the Digital TV project for the Ministry of Communications was presenting the current state of discussion. So was Claudio Prado who is on the project team, doing his best to have the whole digital TV infrastructure implemented in free software.
The current Minister of Communcations, Hélio Costa, the third in two years, affiliated with the media empire Globo, used to be a newscaster during the dictatorship, then lived in N.Y., is driving the digitisation of televitsion and radio, but without any public debate, and favoring the US American standard. The US vision is HDTV for big screens in home theaters. But, asked Tomei, is that really appropriate for the Brasilian reality? He would rather see the digitisation of the electromagnetic spectrum used in order to increase the number of channels.
In the digital radio project, again the US American format was approved. Standardization of DAB technology is promoted by the World DAB Forum, which represents more than 30 countries excluding the United States which has opted for its own system. It uses a bandwidth of 400 kHz for both analog and digital channels. But, criticised Tomei, when the analog service is switched off in a few years, the channels will still be 400 kHz wide rather than the 200 kHz of the alternative standard, which will be limitting the number of stations.
Copyright was another issue at the conference, raised by lawyers who advise the media activists and by artists who are trying alternative licensing like Creative Commons or take a rather playful stance towards intellectual property.
Caio Mariano from the law firm KFC Advogados in São Paulo has developed an open content license for Re:combo, a collective of musicians, software developers, DJs, teachers, journalists and artists set up in 2001. They use sampling and peertopeer software as a means of expression through software, installations and live events. The group has about 40 members, spread throughout Brazil but also abroad, with a high concentration in Recife. The work of Re:combo is guided by the three principles of a) encouragement of ‘intellectual generosity’ b) the redefinition of the role of the artist within industry, and c) a dialogue with the audience as the creative agent for the work. The need for a licence in the copyleft spirit of the GNU GPL and suitable for the use in audiovisual production was felt from the beginning. After a series of studies, the collective and lawyer Mariano together developed the “Licença de Uso Completo Re:combo” or LUCR (Re:combo Complete Use Licence) published in August 2003. It expresses Re:combo’s idea of intellectual generosity, rather than intellectual property. It is more radical than Creative Commons in that it does not give authors the option to exclude commercial use.
Mariano works closely together with Ronaldo Lemos who is director of the Center for Technology & Society at the Law School of the private university Fundação Getulio Vargas in Rio de Janeiro and project lead Creative Commons Brazil. Lemos was not able to attend the conference.
OrganismoBR is another diverse collective similar to Re:combo. Glerm Soares presented their work at Submidialogia. Activities include video, web-art, photography, music (among others by the band Matema and the Printer’s Orchestra) and publications, many of which are issued under the names Vitoriamario and Apodrece. Vitoriamario, a collective personality composed of several hundred persons, kind of a Luther Blisset, was active during 13 years before he announced his suicide in 1999. In his decomposing state, Vitoriamario, now also called Apodrece, became free for appropriation by the next generation of communications guerilla, issuing manifestos, proposing a new global currency and denouncing all property.
The anti-copyright plagiarist publishing collective Sabotagem was presented by Dr. Gorilla from Recife. The group was founded in 2002, has about ten members, and puts books and texts by authors like Foucault and Chomsky online, which are essential reading for a critical media discours.
The fourth day of the conference was dedicated to the state of media art in Brazil. Especially the system of art funding by foundations of the oil, telecommunications and banking industry, and funding through tax incentives was questioned.
Ricardo Rosas, the founder of Rizoma.net lamented the crisis of media art that he characterized as apathy and paralysis, not getting involved with social issues. He reported that the panel on the crisis of media art at the Digitofagia event drew the largest crowd, concluding that there is strong interest in the question.
Giseli Vasconcelos, who after co-founding Mídia Tática moved back to here native town of Belem in the North, complained that the art world is strongly centered in São Paulo, and that art from the North can only be sold through the galeries in São Paulo.
Artist Lucas Bambozzi belongs to C.O.B.A.I.A., a group formed during a squat with 3,000 people in São Paulo in November 2003 where artists joined hands with people from the landless people’s movement MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). The purpose of C.O.B.A.I.A., according to Bambozzi, is to interfer with reality. He presented a number of projects, including CUBE, a large interactive multimedia installation that seven groups errected on a square on Av. Paulista in São Paulo. The translucent walls of the cube were projected onto from the inside. Various DJs and VJs were participating in the event. People with wireless microphones involved passers-by. The cube created a disturbance in public space. At first there was irritation, but soon people played along, and it turned into a big happening.
Fabianne Borges, is from the group Catadores de Histórias (history collectors), collecting stories from people in the streets, an idea that now has been taken up by the Ministry of Health. Borges also had been involved in the huge São Paulo squat. She told the conference that coordination among that many people was not a problem. The economics worked out well. There was a free university inside the squat. But at the end everybody was fighting and the group split. They met again this year and formed the ‘group without property.’
submidialogia #2
+Festival Internacional+

[ ] Cultura
[ ] Comunicação
[ ] Mídia
[ ] Tecnologia
[ ] Arte
[ ] Táticas
Há alguns anos, os elementos (idéias, concepções, práticas, pessoas) que compõem a hoje difundida Cultura Livre, foram apropriados tanto pelo burocrata quanto pelo capitalista. Os que antes fizeram uso das tecnologias e meios disponíveis para criação de ações que proporcionassem o debate sobre novas perspectivas de arranjos sociais possíveis (conseguidas por ferramentas como licenças livres, redes de comunicação, softwares de código aberto), hoje são digeridos pelos velhos aparatos e mecanismos sociais que uma vez utilizavam e questionavam, participando, muitas vezes inconscientemente, apenas de um "treinamento sócio-profissional" para que venham a ocupar as mesmas funções estabelecidas pelos até então mantenedores de um sistema que está distante do que imaginamos como um agrupamento humano possível, muito menos livre.
Além disso essa “classe do novo” apresenta-se com dificuldades para difundir práticas e idéias quando este trabalho se distancia de elementos urbanos, tecnológicos, contemporâneos e de concepção metropolitana, deixando uma lacuna na possibilidade e uma superficialidade na potencialidade transformadora dos meios disponíveis. Este fato liquidifica a força das idéias, fazendo-as servis também àqueles que elas combatem. As dinâmicas se tornam mais banais, fáceis de serem absorvidas pela escravidão do trabalho e da racionalidade.



Não são as técnicas que submetem a produção à lógica utilitarista, burocrática ou excludente, mas a falta da concepção transgressora das ações no processo de produção. O questionamento pouco se aprofunda no âmbito do mundo do trabalho – como crítica a essência da exploração no processo de produção. O desenvolvimento técnico não livra; pelo contrário, intensifica a dependência e a submissão de homens e mulheres a uma lógica que deveria liquidar. A tecnologia não retoma o debate ao direito à preguiça. Não aponta claramente a contradição no mundo da produção... mas sim, coloca a magia do utilitarismo em um patamar de santidade elevada, de ciência pura, e faz da fantasia do capitalismo o brado de contestação daqueles que deveriam criticá-lo.
A crítica a sociedade do trabalho requer aprender a ser rápido, afiar e direcionar críticas e ações; ser mutante no sentido de fugir das regulações das quais o capitalismo é mestre em fazer. O poder é diferente da força. E quando coletivizado e distribuído perde a característica de (o)pressão e torna-se direção de vontades múltiplas. Surgindo daí a crítica transformadora e a ação das idéias.
Desta forma, muitos dos formatos pregados e utilizados pelos citados propriadores tecnológicos e de meios - os submidiáticos [1] - estão hoje em plena utilização.
Pelo menos aos números: 3.000 pontos de presença de inclusão digital, 600 pontos de produção de cultura, 200 grupos independentes de produção de mídia, 3.000 pessoas compareceram. Aonde mesmo? Esta súbita apropriação pelas esferas governamentais, artísticas, acadêmicas e institucionais (associações, instituições de ensino, oscips etc) procuram, mais uma vez, desarticular as idéias e práticas que possibilitaram a autonomia de todos os submidiáticos.
O capitalismo, ágil e poderoso, atua como remodelador de críticas e práticas fazendo de práticas de oposição maneiras de renascimento e ressurreição. Pensar que o que está em crise é antes o capitalismo do que a crítica a ele, pode levar-nos a incursão em erro recorrente, dando ainda mais elementos para sua sobrevida. As críticas de 68 se transformaram em manuais de empresas, as saias indianas se transformaram em fetiche de passarela, o software livre se transforma em mais valia para empresas de tecnologia.


Políticas públicas pensadas para a produção do conhecimento coletivo, acesso à informação, distribuição dos meios de produção e desmarginalização de excluídos sociais desvirtuaram de seus programas ministeriais e, certamente, muito mais da metade de todos os pontos de produção, acesso, construção coletiva de saberes e sociabilidade cultural estão longe de funcionarem como reais locais de troca, aprendizado e discussão. Instituições sociais, na grande maioria, descobrem palavras-chaves nos discursos, desconstroem-nas de seus significantes e a re-utilizam como conteúdos de projetos mirabolantes e slogans de material promocional. Instituições artísticas buscam saídas para o descaso dos cidadãos e cidadãs comuns para com a cultura da elite - cada vez menor - com a adaptação de arte popular, arte do povo. Ou com a construção de pequenos espetáculos tecnocientificos onde tudo é atração e fetiche: transistores, lentes, monitores, cabelos, luzes.
É necessário pensar contra os slogans e fetiches rapidamente consumíveis e entender como os conceitos devem suplantá-los. A utilização do slogan é parte do processo de desinteligência da parte das instituições e seus braços e pessoas. E torna-se parte do discurso vazio e receptivo. Cultura livre, conhecimento aberto se tornam propaganda em centros de compra. A descrição e os efeitos apagam a compreensão e a crítica.
Mais uma vez, práticas culturais com gosto de subversão esparramam-se na ilha do dr. moreau, e, como no livro, são caçadas com redes de arrastão e dominadas até o seu condicionamento. e por que não dizer, estimação. Para depois tornar-se o cão de guarda. A cultura do oprimido, oprimindo. Não foi assim com o samba? os modernistas? a tropicália? O que uma vez foi uma insurreição de ações e ideais para a realização coletiva podem tornar-se ferramentas de acessos individuais a patamares da já putrefe a hierarquia social para inovar - e juvenescer - a sua manutenção.

Desta forma, perguntamos: como movimentar-se? quais as idéias e práticas para a manutenção de uma construção colaborativa de conhecimento e participação social cada vez maior? Como planejar futuras ações? E, principalmente, como continuar a memetização da cultura da colaboração além dos cifrões, sem a patifaria da propaganda governamental e institucional? Você conhece o seu inimigo?
Para debater essas e outras questões, Submidialogia#2, um laboratório para a prática radical de construção de ambientes colaborativos na cidade do Recife. Palestras, laboratórios de produção, transmissão de rádio fm, televisão e Internet e a o delicioso bate-papo com cachaça entre tod@s submidiátic@s.
a idéia
+trazer diferentes experiências - teóricas e práticas - para contatarem-se;
+jogar, de um novo ponto de vista, articulações entre teoria e prática nos meios tecnológicos;
+incentivar teoria sobre as práticas para que estas não anulem-se tornando-se utilitarismo;
+incentivar práticas sobre teoria, aplicando experiências em prol de uma (sub) concepção do aparato tecnológico midiático;
+criar um espaço tempo de subversão das práticas e teorias sobre tecnologia.
Enfim, qual a IDÉIA que se têm sobre atuação nos meios mecânicos / eletrônicos / digitais brasileiros e internacionais?
"o que queremos, de fato, é que as idéias voltem a ser perigosas"

A primeira conferência Submidialogia, que aconteceu em outubro do ano passado em Campinas - SP, é oriunda de uma cooperação entre Índia, Holanda e diversos grupos do Brasil, juntando projetos independentes, do terceiro setor, governamentais, artísticos e experimentais a uma rede internacional de colaboradores, buscando sobretudo trazer essas diferentes experiências para reconhecerem-se. Este ano, torna-se um festival aberto, com palestras, laboratórios de produção, transmissão de rádio fm, televisão e Internet e o delicioso bate-papo com cachaça entre tod@s submidiatic@s.
Submidialogia vai agregar conversas, produção e aprendizado colaborativo, assim como música, rádio livre, vj e mídia independente. Estes são alguns dos gostinhos típicos que poderão ser apreciados - sem moderação - durante a segunda edição da conferência. Outra característica deste festival é investigar as possibilidades sociais, culturais e políticas da mídia digital, além de fomentar o diálogo (in)existente entre teoria - o âmbito das idéias, e a pratica - o âmbito das ações.
Tanto tema quanto formato ainda em construção, mas pairam na convergência entre cultura, comunicação, resistência, re-significação, mídia, tecnologia, arte e táticas. Na página de construção, e pela lista de discussão vocês poderão tomar parte e contribuir. @s convidamos para ajudar a organizar essa subversão e assim compartilharmos nossas idéias em diferentes contextos e tempos visando perspectivas futuras, troca de experiências, conceitos, produção crítica e, principalmente, diversão.
Se desejarem tomar parte dessa bagunça, inscrevam-se na lista de discussão! Não se acanhem em encaminhar este convite para outr@s possíveis interessad@s.
12 -15 OUT 2006, Olinda, Pernambuco +tema: cultura livre, mídia tática, arte e tecnologia, escolha seu sabor...
+links: http://submidialogia.descentro.org∞
+convite (inglês e português): http://www.midiatatica.org/conferencia/convites.zip∞
+lugares:
Mercado da Ribeira
Rua Bernardo Vieira de Melo s/nº, Cidade Alta
Centro Luiz Freire
Rua 27 de janeiro n.181, Cidade Alta
Casa do Turista
Quatro Cantos, Cidade Alta
Cais do Parto
Rua Maria Ramos n.1212, Bairro Novo
Programação
de 9 a 12 de outubro, confira o Encontro de Radios Livres∞, tambem em Recife.
Ha tambem a Semana de democratizacao da midia!
Dia I :: 12 de outubro, quinta feira
Atividade Implementador@s Gesac
10h00 - Cais do Parto - Rua Maria Ramos n.1212, Bairro Novo, Olinda/PE
oficina de rádio
<+>
A partir das 14h01 - Casa do Turista- Quatro Cantos, Cidade Alta, Olinda/PE
+ Projecao de fotografias de comunidades indígenas da Bahia e Paraíba
+ Imagens do anti-leviatã
+ Mural ilustrativo de arte eletrônica, eventos de copyfight e ativismo
+ Publicacoes de festivais de midia tatica nacionais e internacionais
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Abertura
A partir das 14h04 - Centro Luiz Freire - Rua 27 de janeiro n.181, Cidade Alta, Olinda/PE
Apresentação e ritual de abertura da conferência. Chegue, diga alô, pegue seu mapa e descanse da chegada!
Aproveita-se o momento para a apresentação dos grupos e pessoas e conversações entre os participantes. a idéia é de reconhecimento mútuo e uma aproximação antes do início dos painéis, assim como a construção coletiva da programação das oficinas e da mostra de videos.
16h30 - Centro Luis Freire - Sala de conversas - Rua 27 de janeiro n.181, Cidade Alta, Olinda/PE
Grupos e coletivos de arte de Recife
proponente: H.D.Mabuse
17h46 - Centro Luis Freire - Sala de conversas - Rua 27 de janeiro n.181, Cidade Alta, Olinda/PE
Emulando o circuito-cinematográfico
proponente: Cine Falcatrua
<+>
19h00 - Mercado da Ribeira - Rua Bernardo Vieira de Melo s/nº, Cidade Alta, Olinda/PE
Show com Zé cafofinho e suas correntes
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a partir das 23h00 - Casa da sogra - Rua 27 de janeiro n. 65, Cidade Alta, Olinda/PE
Pela desabrigatoriedade do voto!
Vamos separar o joio do trigo!
VoteNulo ! - Traga panfletos, camisetas, bebidas e etc do seu canditado!
Seja criativo-- Recicle1Politico
a partir das 23h00 - Casa da sogra - Rua 27 de janeiro n. 65, Cidade Alta, Olinda/PE
Organizacao da oficina de voodoo global
+ som
(+)
Dia II :: 13 de outubro, sexta feira
Atividade Implementador@s Gesac
10h02 - Cais do Parto - Rua Maria Ramos n.1212, Bairro Novo, Olinda/PE
oficina de rádio
<+>
10h03 - Centro Luiz Freire - Jardin de Volts - Rua 27 de janeiro n.181, Cidade Alta, Olinda/PE
Oficinas
Laboratórios para cultivar nossos ingredientes num grande pomar, uma poética para conexão de nossos rizomas de redes de "seivas" em expansão: trocaremos sementes, plantaremos manifestos, colheremos frutos de simulacros, onde as pessoas poderao produzir midias livres. Muito mais que um espaco fisico, e um espaco de troca de conhecimentos em video, radio vandalismo, sons, depoimentos, barulhos, meios e logicas de programacao. Construa mimoSas∞, cozinhe dados crus∞, faca voce mesmo∞. É o local ideal também para a aragem coletiva e o semear de ações futuras entre meninas∞.
saiba mais sobre jardin de volts no site do estudiolivre∞
<+>
10h04 - Centro Luiz Freire - Sala de conversas - Rua 27 de janeiro n.181, Cidade Alta, Olinda/PE
Subjetividades e imaginários
Ativismo na mídia alternativa: institucionais X independentes
O memorável encontro sigiloso de Luther Blissett com Sub Marcos
Imagem e Política - morte e persistências do Leviatã. Imagens contra-hegemônicas ou anti-sistêmicas?
proponentes: Skarnio - (SC), TipuRi (SP) e Henrique Parra - Polart (SP)
INTERVALO
14h07 - Centro Luiz Freire - Sala de conversas - Rua 27 de janeiro n.181, Cidade Alta, Olinda/PE
des).(centro
Tática de colaboração e vizinhança intergaláctica.
proponentes: Ricardo Ruiz (cidadao comum/ RN), Felipe Fonseca (metareciclagem / SP), Alexandre Freire (estúdio livre / SP), Chico Caminati (Subrádio / Campinas), Djahjah (Rádio Interferência, IP:/ / / RJ), Pajé Lara (Radio Muda / Campinas), Tatiana Wells (Midiatatica.org)
16h00 - Centro Luiz Freire - Sala de conversas - Rua 27 de janeiro n.181, Cidade Alta, Olinda/PE
Pensando e fazendo cinema
Convivendo com um Cinema Livre (expandido e aos pedaços).
Exibição e propagação da informação produzida pelos movimentos populares: outras alternativas. Proponentes: Cine Falcatrua (ES) e Frame (Movimento Salve o VHS/ MG)
18h00 - Centro Luiz Freire - Sala de Conversas - Rua 27 de janeiro n.181, Cidade Alta, Olinda/PE
The read and write society
Em ingles.
Lawrence Lessig (icommons)
<+>
18h08 - Casa do Turista - Quatro Cantos, Cidade Alta, Olinda/PE
Mostra de vídeo auto-organizada
+ videos conversa
+ TRAGA E MOSTRE SEU VÍDEO!
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17h00 - Mercado da Ribeira - Rua Bernardo Vieira de Melo s/nº, Cidade Alta, Olinda/PE
Apresentacao musical
- Naurêa
- Originais do Sample versus Chambaril
Apresentacao audiovisual
- Media Sana
(+)
Dia III :: 14 de outubro, sábado
10h03 - Centro Luiz Freire - Jardin de Volts - Rua 27 de janeiro n.181, Cidade Alta, Olinda/PE
Oficinas
a partir das 10h03 - Centro Luiz Freire - Sala de conversas - Rua 27 de janeiro n.181, Cidade Alta, Olinda/PE
Licenças livres
Generosidade intelectual, autoria e patentes. O que mais está envolvido? Relações entre global x local, produção cultural, biodiversidade e patentes farmaceuticas.
Proponente: H.D. Mabuse (re:combo/ PE)
Ronaldo Lemos (FGV/Creative Commons/ RJ) -confirmando
Djahjah (Rádio Interferência/ RJ)
Pajé (midiatatica.org/ Rádio Muda Campinas)
Caio Mariano (KCP Advogados/SP/Cultura Digital MinC) -confirmando
Thiago Novaes (radiolivre.org/ITI)
12h00 - Centro Luiz Freire - Sala de conversas - Rua 27 de janeiro n.181, Cidade Alta, Olinda/PE
Sustentabilidade?
Conversa livre sobre a manutencao de espacos, acoes e vida saudavel. A participacao de tod@s e necessaria para a mesa se realizar.
INTERVALO
16h05 - Centro Luiz Freire - Sala de conversas - Rua 27 de janeiro n.181, Cidade Alta, Olinda/PE
O futuro depois do Software Livre
Pirataria, plataformas abertas, aplicativos web, usabilidade, códigos, economia
Proponente: H.D. Mabuse (re:combo/ PE)
Felipe Fonseca (Metareciclagem / SP)
Alexandre Freire (Estúdio Livre/ SP)
Pixies (CMI/DebianPE)
Felipe Machado (Estúdio Livre/ PE)
Birosca
18h06 - Centro Luiz Freire - Sala de conversas - Rua 27 de janeiro n.181, Cidade Alta, Olinda/PE
Linux@PE
Proponente: Felipe Machado (Estúdio Livre/ PE)
Pixies (CMI/DebianPE)
<+>
17h00 - Mercado da Ribeira - Rua Bernardo Vieira de Melo s/nº, Cidade Alta, Olinda/PE
Apresentacao musical
- Bongar
- Matema
Apresentacao audiovisual
- Jean Habib vs Vj Palm vs Vj OS
- Processos imersivos: happening, performance, corpo e tecnologia. uma festa singular de viagens low tech subjetivas.
Fabiane Borges (Catadores de Historias/ SP), Ricardo Palmiere (Midia Kala/ SP) e quem mais quizer.
<+>
a partir das 23h00 - Casa da sogra - Rua 27 de janeiro n. 65, Cidade Alta, Olinda/PE
voodoo global - pelo fim do monopolio da midia, magia negra pra cima dos globais!
(+)
Dia IV :: 15 de outubro, domingo
10h03 - Centro Luiz Freire - Jardin de Volts - Rua 27 de janeiro n.181, Cidade Alta, Olinda/PE
Oficinas
Os frutos e as flores de um jardim. O que foi colhido durante os tres dias de encontros.
<+>
10h37 - Centro Luiz Freire - Sala de conversas - Rua 27 de janeiro n.181, Cidade Alta, Olinda/PE
Colaboração em projetos em rede
Proponente: Karla S. Brunet (BA)
Luciana Rabelo (Ventilador Cultural/ PE)
Jubinha (Sarava.org/ Campinas)
<+>
11h00 - Casa do Turista - Quatro Cantos, Cidade Alta, Olinda/PE
Festival CortaCurtas
<+>
12h15 - Centro Luiz Freire - Sala de conversas - Rua 27 de janeiro n.181, Cidade Alta, Olinda/PE
Tecnologias de informação e comunicação em comunidades indígenas
Proponentes: Thaís Ribeiro (Intervozes/GESAC/ BA) e Renata Lourenco (GESAC/ BA)
Sergio Melo (GESAC/ BA)
Iranildo (Aldeia Cumaru/ PB)
INTERVALO
15h02 Centro Luiz Freire - Sala de conversas - Rua 27 de janeiro n.181, Cidade Alta, Olinda/PE
Um panorama de politicas publicas de acesso e producao digital no Brasil
Relevância, estado das coisas, experiências em campo e como dar certo.
Chico Caminati (subradio - Campinas)
Sérgio Melo (GESAC/ NE)
Ronaldo (Casas Brasil/ SE)
Thaís (GESAC/ BA)
Josiene Nascimento (Telecentro Educa Pipa/ RN)
Alê (Cultura Digital/ SP)
Wille (CMI/ SE)
Thiago Novaes (ITI/ BSB)
<+>
17h00 - Mercado da Ribeira - Quatro Cantos, Cidade Alta, Olinda/PE
Apresentacao musical
- Alexmono
- Christopher 'the' Lover
Apresentacao audiovisual
- Ruindow$ Media Player
<+>
21h00 - Casa da Sogra - Rua 27 de janeiro n. 65, Cidade Alta, Olinda/PE/
Limpeza da casa. Xêros e defumadores!
Pessoas confirmadas
# Alex Freire - Cultura Digita/MinC - São Paulo
# Andréia Carmo - GESAC - MinCom - Brasília
# Caio Mariano - Re: Combo - São Paulo
# Cais do Parto - Olinda
# Capivara Etheriel - CIENTi/Muda - Campinas
# CHGP - Cozinheiro de crus dados - Belo Horizonte
# Chico Caminati - Submidia - Campinas
# Cine Falcatrua - Vitória
# Clarice Andrade - Recife
# Comunidades indígenas da Paraíba e Bahia
# Cris Scabello / Cristopher 'the' lover - Estúdio Livre - São Paulo
# Cyberelas - Recife
# Djahjah - IP:/ Radiolivre.org
# Drica - Estúdio livre / drica.org/online/
# Fabiane Borges - Catadores de histórias
# Felipe Fonseca - Metareciclagem
# Felipe Machado - Originais do Sample - Recife
# Frame - Movimento Salve o VHS - Belo Horizonte
# Gabriel Furtado - Media Sana - Recife
# Glerm Soares - organismo.art.br - Curitiba
# Haina Castro - Cultura Digital - Brasília
# H.D Mabuse- RE: Combo - Recife
# Henrique Parra - polart - São Paulo
# Igor Medeiros - Media Sana
# José Balbino Rádio Cidadão Comum - Salvador
# Karla Brunet - Salvador
# Kelly Lima - Mediasana - Recife
# Leo Germani - Estúdio Livre
# Letícia Canelas - g2g - Campinas
# Luciana Rabelo - Ventilador Cultural - Recife
# Moabe Filho - Cultura Digital - Recife
# Otávio Savietto - Brasília
# Paulo Lara - midiatatica.org
# Perna - Casa de cultura tainã
# Piksel 06 - Noruega (com participação de Fabianne Balvedi da Espanha - Estúdio Livre)
# Pixies - DebianPE / Implementador GESAC - Recife
# Quéops - Mediasana
# Rafael Diniz - Submidia
# Renata Lourenço - Implementadora GESAC
# Ricardo Palmieri - Cozinheiro de crus dados - São Paulo
# Ricardo Ruiz - jardin de volts
# Ronaldo Lemos - FGV - Rio de Janeiro
# Romano - oinusitado - Rio de Janeiro
# Skárnio - Sarcástico - Florianópolis
# Sérgio melo - Intervozes/ Implementador GESAC
# Tati Wells - g2g - Tibau do Sul
# Thaís Brito - Intervozes/ Implementadora GESAC
# Tiago Bugarin (lixeira) - Cultura Digital - Salvador
# Tipuri - São Paulo
# Tininha Llanos - Upgrade! Salvador - Salvador
# Thiago Novaes - ITI - Mar adriático - Brasília
# Uirá Maia - Cultura Digital - São Paulo
# Vanessa Santos - Cultura Digital - Belo Horizonte
# Vitoriamario - Brasil
# Volker Grassmuck - Wizards of OS - aAlemanha
# Wille - estudio livre - Aracaju
====RELATOS< FOTOS< VÍDEOS ! !====

fotos no flickr tag submidialogia2
mais flickr tag submidialogia#2
mais flickr tag submidialogiadois
fotos da karla brunet
fotos, relato e vídeos em Estúdio Livre
relatos felipe fonseca:
Primeira parte
Segunda parte
Síntese


submidialogia
"O sistema capitalista, patriarcal e espetacular, não funciona a base de encontros, sejam eles ministeriais ou de dignitários. O coração da sociedade espetacular-mercantil é feito de cristal, de vidros polidos que ao mesmo tempo refletem o retrato do consumidor, da consumidora, e lhes apresentam a mercadoria deificada. Quebrando os símbolos da opressão, o envitrinamento e o domínio sobre bens que poderiam ser úteis de outro modo, o Black Block alcançava a primeira vitória que abriria o novo milênio"
Nicolas Phebus
Quais são as máscaras e máquinas que a dominação capitalista veste? Onde elas estão?
A dominação cultural se efetua de longa data, de forma subterrânea. Antes mesmo do capitalismo, já existiam os problemas relativos às raças, às castas, ao sexo, determinantes e perpetuados na formação da sociedade tal qual ela é hoje. Valores que são introjetados e reproduzidos, consciente ou inconscientemente.
O estado é, sem dúvida, um dos principais meios de dominação política do capitalismo, através de exércitos, polícias, escolas, legislaturas, geração de empregos, construções faraônicas, cooptação de ativistas e militantes, manutenção de sistemas corporativos etc. Obviamente este não é o único, nem o maior ou mais eficiente meio de dominação do capital, que também é fortificado por instituições como as igrejas e a família, autônomas em relação ao primeiro, com seus próprios sistemas e mecanismos de decisão e controle, onde cabe ao patriarcalismo gestionar as normas entre os macro-sistemas. Ubíquo, o capital neoliberal global é conjurado em sistemas e instituições como a Organização Mundial para a Propriedade Intelectual (OMPI), a Organização Mundial do Comércio (OMC), os Tratados de Livre Comércio (TLC), como a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), o Convênio de Diversidade Biológica ou a CNTBio, no Brasil, dentre muitas outras.
Os meios de comunicação são também parte constituitiva do poder capitalista neoliberal. Estes detêm hegemonia na produção, manipulação, circulação e difusão das informações. Têm o poder de determinar a opinião pública e, quando em discordância com o estado, subordina-o a seus próprios interesses. Constroem as regras do jogo. E o jogo. Têm autonomia sagrada de funcionamento e funcionam de acordo com o lucro e poder. Operam a dominação a partir de duas coordenadas: a cultural, na reprodução dos valores, modos de vida, preconceitos; e a política, cotidianamente alterada através da informação.
Atualmente o capital, tendo quase exaurido as possibilidades para uma expansão colonial geográfica, bem como ampliadas as limitações ao espaço virtual, apresenta sua invasão de uma nova fronteira – o espaço molecular orgânico vital. O capitalismo pós-industrial, como o próprio nome sugere, já não possui mais bens materiais para se apropriar, mas um punhado de outras coisas: os bens imateriais. O conhecimento, a transmissão dos mesmos, as expressões artísticas, as expressões culturais em geral e até mesmo a vida se converteram em matéria desejável e apropriável. Esta apropriação também tira dos nossos corpos o direito à escolha reprodutiva, coibe-nos com sistemas alimentares industrializados genocidas, prende-nos a meios de transportes automotores, varre-nos a apartamentos em grandes metrópoles ou salas em subúrbios de pequenas cidades. E assistimos sentados à apropriação do conhecimento comum.
Investigar quais os diferentes formatos de apropriações capitalistas, sobre quais termos, sob quais circustâncias e quais as reais consequências destas. Táticas de resistência (sobrevivência) consistentes só poderão se formar quando questões culturais forem trabalhadas ao lado das questões políticas, por não se tratarem de diferentes naturezas. Será preciso, ainda que precariamente, desdobrar esta ampla dominação, para conhecer pontos fortes e fracos e traçar estratégias de uma convivência em busca de autonomia, não só de sistemas estatais, mas de toda a complexa malha que mobiliza a atual formação do Capital e suas diversas táticas de apropriação.
Consideramos essencial que se aprofunde esta discussão de forma inesgotável.
Wanderllyne Selva, cartas vindas do Acre, 18 de outubro de 2004
Submidialogia #3: a arte de re:volver o logos do conhecimento pelas práticas e desorientar as práticas pela imersão no sub-conhecimento
"O mundo está em dicotomia convergente, mas vai mudar."
José Abelardo Barbosa de Medeiros
Mais do que nunca se torna complicado resolver o que prejudica e o que acrescenta aos movimentos que se apresentam como alternativa aos processos de criação da arte, da cultura, da linguagem, que a cada dia distanciam as pessoas umas das outras por criarem privilégios pra alguns exploradores. O contexto de ativismo midiático, artístico, ou de resistência cultural é cada vez mais tratado por regras exteriores e a vida do leblon da novela das 8 vira cada vez mais a sua própria vida.
Nesse sentido fica óbvio que a autencidade dos movimentos e seu poder de mobilização estão ligados essencialmente à autonomia que exercem na promoção de atividades e processos de elaboração e remix cultural, seja este qual for. Em todas as partes fica cada vez mais delicada a autonomia de pensamento e prática de grupos e redes que pretendem uma aproximação entre teoria crítica, arte, cultura e "re-(e)laboração" da mídia e seus meios de produção e controle.
Para discutir e aprofundar essa discussão comemoremos o Submidialogia #3, conferência que será sediada em Lençóis, estado da Bahia. É para esse encontro que estamos convidando você, abrindo também uma chamada para apresentação de *rituais de celebração do imaginário* e *exposições permanentes de experiências pseudo-intelectuais* relacionadas aos temas. Se existe um grupo, um ser, uma performance coerente ou expressões de discordância criativa em relação ao festival, estas poderão ser incluídas na programação através desta chamada.
"Os Cães Ladram, mas a Carruagem não passa"
Uma proposta de integração através de debates submidiáticos.
A iniciativa tem o objetivo de estimular uma reflexão crítica a respeito das transformações sociopolíticoculturais pelas quais a sociedade contemporânea pensa que passa e dos efeitos nos sujeitos que dela participam (o planeta é um sujeito).
A dignidade de cada pessoa baseia-se, entre outras tantas coisas, no fato de que só ela vê o mundo como ela o vê, só ela guarda em seu olhar e em sua voz uma história única. Por isso é preciso encontrar o outro, ouvir o outro, ser também outro.
Submidialogia é um projeto crítico multidisciplinar de arte, mídia e tecnologia participativas, de cujo processo artístico todos os agentes envolvidos, comunidade, teóricos, artistas ativistas e público, tomam parte. Através da realização de diferentes formas de oficinas e interações (convivências filosóficas, choques elétricos, intervenções cotidianas), do resgate de relatos orais e da criação de mecanismos de exposições dentro e fora das comunidades, o projeto busca equipar seus participantes com recursos para que falem de suas especulações, estudos avançados, práticas e que reflitam, através da experiência criativa, um pouco desta identidade conturbada pela velocidade da transformação econômico-social.
O ponto de partida do projeto é sempre o convívio, partilhar o dia-a-dia das comunidades e pessoas, impregnando-se pouco a pouco de suas histórias.
O segundo passo é a realização de integrações multimídia - fotografia-vídeo e som, momento de troca que busca inspirar processos criativos individuais e coletivos, assim como definir os temas a serem priorizados nas exposições a serem realizadas.
O terceiro passo é a montagem das exposições, momento em que se dá uma comunicação intensiva e integradora em dois sentidos. Ao transportar as vozes e as criações dos participantes para o espaço artístico, as reinserimos dentro da malha social de onde elas estão muitas vezes isoladas. Ao recontar, muitas vezes num tom desprovido de emoção, sua experiência , ao enumerar suas perdas e esperanças, estas vozes buscam ecoar no espaço do sensível de cada um de seus interlocutores. E é esta troca de
sensibilidades que aproxima o indivíduo e o coletivo. Público e Protagonistas confundem-se em um espaço que instiga a troca e a atenção, um espaço onde histórias pessoais conduzem para uma compreensão maior do fato social, sem distanciamentos, sem estereótipos.
*Nome do projeto:
submidialogia#3
*Sinopse:
Submidialogia é um projeto crítico multidisciplinar de arte, mídia e tecnologia participativas, de cujo processo artístico todos os agentes envolvidos, comunidade, teóricos, artistas ativistas e público, tomam parte. Através da realização de diferentes formas de oficinas e interações (convivências filosóficas, choques elétricos, intervenções cotidianas), do resgate de relatos orais e da criação de mecanismos de exposições dentro e fora das comunidades, o projeto busca equipar seus participantes com recursos para que falem de suas especulações, estudos avançados, práticas e que reflitam, através da experiência criativa, um pouco desta identidade conturbada pela velocidade da transformação econômico-social.
* Link externo:
http://submidialogia.descentro.org/
http://www.midiatatica.org/wakka/wakka.php?wakka=SubmidialogiA3
*Prazo de execução
SET-DEZ 2007
*Plano de execução
SET-OUT - formatação de projeto e apoios
NOV - pre-produção
DEZ - festejos
*Orçamento descritivo
r$5 mil para passagens, alimentação e estadia
*Responsável
Tatiana Wells
José Balbino
*Parceiros
SECTUR Lençóis
Secretaria de Cultura de Lençóis
programação
de 2 a 5 de dezembro, confira o /ETC-BR, que acontecerá em Salvador.
paralelo 1
::PRODUÇÃO MUSICAL BRASILEIRA::
Música como produção autônoma é uma invenção recente, surgida no final do século XVIII. Ambígua e frágil, ostensivamente secundária, a música invadiu a vida cotidiana (já permeada pelos seus sons rituais x culturais). Desde os primórdios, foi profética em determinar a essência dos tempos por vir. Hoje, onde quer que haja música pode existir o dinheiro. A produção musical sendo suplantada pela troca de signos. Show business, o sistema de estrelato, e as paradas de sucesso são sinais de uma profunda institucionalização e colonização cultural. Ao mesmo tempo, atuais iniciativas para a produção musical buscam ferramentas tecnológicas e de difusão condizentes com uma nova organização do silêncio.
chgp, convida: ÿ's
Fernando Catatau - Cidadão Istigado
Robson Véio - Casa MUV
Felipe Machado - Originais do Sample
B Negão - Seletores de Frequência
Carlinhos - Rádio Cipó (a confirmar)
Gil - MHHOB (a confirmar)
KL-Jay (a confirmar)
Marcinha e Atyelle
nosklo - y
gui bizarro - y
stalker - y
Quem mais? Convide-se!
Palavras não foram suficientes?
-- Integre-se..Estúdio-Livro de Gravação!
Faça um som, traga seu som.. som... gravando... semuSSum em Lençóis!
http://estudiolivre.org/semussum∞
paralelo 2
::AUTONOMIA 0.1 - COOPERATIVAS ALTERNATIVAS & ALTERNATIVAS DE COOPERAÇÂO::
Pensar formas de como aliar a autonomia das nossas ideias, com a sustentabilidade na urbanidade ou fora dela. já até pensei junto c uns amigos de dar um golpe coletivo nas financeiras e comprar um terreno na vale do capão, no jalapão, e começar uma vida diferente lá. e deixar o nome pendurado no SPC/SERASA p mais nunca... é a lição do desprendimento! acho que o caminho passa um pouco por aí: pelo espaço que a gente ocupa! a gente paga o preço de morar aqui ou alí, uns mais caros, outros tantos mais baratos. e as nossas necesidades de comer e de morar não é pra amanhã, é já! se não tivermos isso minimamente, como vamos ter saúde para colocar nossas idéias em prática, e transformar nossos sonhos em realidade??? como vamos comer sem plantar???
Letícia Canelas - Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares (ITCP-Unicamp) convida:
Aurélio Heckert - Colivre http://www.colivre.coop.br/
Luciana Véio - Cooperativa de rango vegan
http://compartiendocapital.org.ar
/ /
Shanti Primala - Bio-construção (a confirmar)
Tomás de Olinda (a confirmar)
/ /
TV Livre (a confirmar)
Saravá.org - Redes Informacionais Livres (a confirmar)
Rádio Livre-se (a confirmar)
Movimento Campesino / MST (a confirmar)
Quem mais? Convide-se!
::AUTONOMIA 0.2 - TRAGA A SUA!
Mesa sobre autonomia mais pro bicho pegar mesmo, sem ser tanto apresentação de projeto e mais do circo pegar fogo, buscando alternativas. Palavras de honra: auto-gestão vs. financiamentos, apropriação vs. ecologias, autonomia vs. dependência, livre-se!
Convidados de honra: VOCÊ! pessoas que participaram de iniciativas que buscaram alguma forma de autonomia.
Todxs convidadxs!
paralelo 3 (inclinado, multi-focalT)
::BANG! - BITS, ÁTOMOS, NEURÔNIOS E GENES: DA PRIVATIZAÇÃO DA VIDA E DO CONHECIMENTO::
"Se contestar só pode ser compreendido num sentido radical, é preciso dar as costas aos que sonham adaptar os homens ao inferno moderno, ao artificialismo, alterando a natureza dos genomas, e aos que desejam discutir democraticamente o modalidades dessa adaptação, ao cientificismo utilitarista e redutor, que só admite quando domina, que não sabe imaginar nada que seja gratuito, não patenteável, não manipulável, que tenta suplantar a natureza (externa e interna ao homem), eliminar a última resistência à dominação do racionalismo tecnológico." - Vitória Mário, 1985
(Uma mesa sem especialistas)
Fabiana Goa convida:
Beatriz Busaniche - Fundación Via Libre
Grupo Etc - Canadá (a confirmar)
Laymert Garcia dos Santos - UNICAMP (a confirmar)
Critical Art Ensemble - Estados Unidos (a confirmar)
Ricardo Ruiz - Cidadão Comum
Quem mais? Convide-se!
paralelo 4 (de volta ao eixo)
::ENSINANDO FAZENDO E APRENDENDO::
De pedagogias extra-institucionais a novas formas de produzir e transmitir conhecimento, bem como lugares de multi-práticas, como traduzimos as diversas percepções educacionais para contextos locais?
Alexandre Freire - Descentro ).( convida:
Alessandra Assis - Faced/UFBA
Nelma Rasta - Rádio Lausa FM
Sérgio Melo - Rádio Amnésia
Vera Santana - Conexão Felipe Camarão
Thiago Novaes - Da coletividade à resingularização
Tiago Bugarin - Metareciclagem
Etienne Delacrois - Ateliêr Labs
Quem mais? Convide-se!
::ARTE-CULTURA-TECNOLOGIAS LIVRES::
Arte colaborativa e aberta como crítica cultural.
Tininha Llanos - mimoSa convida:
Yael Kanarek - upgrade!International
Ruth Catlow e Mark Garreth - Furtherfield.org
Fabi Borges - Cassandra (confirmado)
Lúcio Araújo - Organismo.BR
Giseli Vasconcelos - Aparelho (a confirmar)
Lila Pagola - Liminar (Argentina) (a confirmar)
Marcelo Terça-Nada - Poro (a confirmar)
Planeta x - (Rosário/Argentina) (a confirmar)
http://hacklab.planetax.org.ar/doku.php∞
Copiar o Compartir (Chile) (a confirmar)
http://www.ccespana.cl/copiarocompartir∞
Jorge Alban, (Costa Rica) (a confirmar)
http://ayerestabaaqui.blogspot.com∞.
Laurence Rassel, colectivo constant de Bruselas (www.constantvzw.com/) que trabaja con mujeres, tecnologia y software libre.
natxo rodriguez
Quem mais? Convide-se!
::PERFORMANCE::
Uma mostra de vídeos sobre performance de vários paises das américas, e debates sobre a linguagem da performance - TRAGAM SEUS VÍDEOS E DE SEUS AMIGOS DE PERFORMANCE ARTE, PERFORMANCE E TECNOLOGIA
Porque pensar performance? Porque é gesto manifesto e expresso... para que os hackers não esqueçam do corpo, para a promoção de linguagens além da linguagem falada, para insistir na ritualização de certos acontecimentos ordinários, para ampliar as potências do corpo, para descobrir o corpo, para introduzir outras discussões sobre a arte da performatização que não sejam somente as trazidas por galerias e críticos de arte, para pensar memória e ontologia, para expandir os modos de expressão, para brincar com o espaço tempo, pra amplificar os sinais da incomunicabilidade, para não comunicar, desorientar, para ativar devires novos pra pensar as operacionalidades das maquinas. Para endossar a discussão acima trazida pela Tininha, tem esse texto lá no hemisférica:
http://hemi-server.ps.tsoa.nyu.edu/fmi/xsl/4_1/secondary.xsl?-lay=innerPage&content::contentSerialNumber=12&-find∞
Fabi borges convida:
Marc Etlin dos EUA, de New York University, com um acervo bom de vídeos de performance - http://hemi.nyu.edu/por/about/
Claudia Washington
::: PAINÉIS IMPOSSÍVEIS :::
^^ Cadernos Submidiáticos
Como funciona o periódico mais imprevisível da sociedade brasileira?
Felipe Fonseca, Giuliano Djahdjah, Maíra Brandão
^^ Novas bases da personalidade
Você já lhe olhou no espelho hoje?
organismoBR
^^ Objetos tecnológicos para educação
Só há esperança na criança?
Letícia - g2g, Maria Helena Bonilla - Faced/UFBA
^^ Processos de Aprendizagem Avante!
Nelma Rasta - Rádio Lauza
^^ A-PROPRIAÇÂO DE CONCEITOS
De como idéias, conceitos e experiências de contestação e resistência transformam-se em aceitação e ampliação das idéias dominantes no capitalismo. O capitalismo se afirma hoje como única forma possível de sociedade e amplia suas ações para os espaços de resistência. E, ao mesmo tempo em que premia iniciativas de responsabilidade social e transforma em projeto social diversas iniciativas de grupos, pessoas, organizações que pretendem questionar a lógica da exploração e opressão, que se reproduz enquanto relação material de exploração, mas que se sustenta também pela difusão de ideologias diversas, contraditórias, mas que tem um sentido concreto de abarcar o máximo de representações da vida para que se insiram também na lógica do capitalismo, transformando em vendáveis e lucrativas as iniciativas das resistências.
Thais Brito
Ronaldo Eli
^^ /ETC
carnaval eclético tech - apropriação tecnológica feminina - questões, conceitos e práticas
Tininha, Tati, Celinha, Tai
^^ Dorkbot Salvador
Pessoas fazendo coisas estranhas com eletricidade
Karla Brunet
^^ A Incrível máquina de fazer moedas
O velho ri. Seu sorriso banguela me lembra o de 7, apesar de 7 ter dentes. É um sorriso amigável e enigmático. Achou minha história estranha, mas parece que gostou das moedas. Realmente tem porque, afinal elas são lindas. Vejo em seus olhos que as moedas lembram antigas histórias de piratas, ou as antigas histórias de lampião saqueando vilas no sertão pernambucano. O velho aceita as moedas. Fala que troca 3 por um real. - Produção cinematográfica em vídeo made-in-organismo
Glerm Soares
^^Net Labels
Miguel Caetano convida (desde o sub#2):
para participar em palestras, oficinas, shows ou DJ sets
Eletrocooperativa∞, Salvador - Bahia: http://www.eletrocooperativa.art.br/modules/contact/∞
Fronha Records∞, Rio de Janeiro: fronharecords@yahoo.com.br
Conteúdo Records∞, Belo Horizonte - Minas Gerais: info@conteudorecords.com.br
Senhor F∞, Brasília: senhorf@senhorf.com.br
RecifeRock∞, Recife - Pernambuco: http://www.reciferock.com.br/contato.php∞
Antena∞, Rio Grande do Sul: diretoria@antena.art.br
Container Inc∞, Curitiba - Paraná: contato@container-inc.org
^^Cartografia de Contextos
Oficina mãos-à-obra para construção de uma geografia visual do cenário midiático brasileiro. Investigação, análise de dados, desenho, publicação. Um estudo aplicado para o mapeamento do poder, suas raízes e desdobramentos apresentado pela sua contratv.
^^Caminhada 5 dias
movendo-se pra fora da babilônia, após o festival, pra qualquer lugar da chapada.
::: EXIMPOSIÇÕES PERMANENTES POSSÍVEIS :::
-- Descartógrafos
.. vc quiz dizer..?
http://www.google.com/search?hl=pt-BR&safe=off&q=descartografos&btnG=Pesquisar&lr∞=
-- Performances ao vivo usando PD, Processing,...
Novas ferramentas para interfaces multimídias em tempo real
Vj. Palm, Guilherme Soares, Alexandre Freire, Ricardo Brazileiro, Lúcio de Araújo, Lucida Sans
Quem mais? Convide-se!
-- Vivência - Fazendo barulhos estranhos
circuit bending e eletronica faça você mesmo.
leve suas tralhas, chaves de fenda, ferros de solda e tecladinhos de criança,
brinquedinhos eltronicos que fazem barulho...
quem sabe misturar com pd esonzeiras acústicas
-- Fotografia
implementação tecnológica nas aldeias
Renata Lourenço Thaís Brito
implementação tecnológica raizeira
Sérgio Melo
- Mostras de vídeos
besos, lele
um sobre o acampamento juventude FSM e outro sobre iraque, meses anteas da invasão norte americana... além de outros que ainda não passei prá dvd, estão em vhs ou beta can europeu.
sessões de curtas-metragens por aqui
posso disponibilizar as paradas que tenho - ficções bacanas - e fico de correr atrás de outros vídeos, mais documentais e ativistas. adoraria!!! mandem sugestões, beijos e abraços, Maria Rita
sessão Jan Švankmajer
mostra dos curtas-metragens-animações-surrelistas de Jan Švankmajer, artista tcheco.
dvd pirata conseguido na gringa. Mais sobre o autor em http://en.wikipedia.org/wiki/Svankmajer∞
a mostra posso tomar conta
'fizemos lá no mercado de outra vez e foi bem legal', mostra Renata Lourenço
mostra submidialogiazinha
Para a criançada curtir a mil
balbinizou geral
Mostra de vídeos cultura negra na década de 70 e um pouco mais.
Circuitos em Vídeo
Mostra com 130 vídeos de 56 circuitos autodependentes das Artes Visuais (Arte Contemporânea).
Organização: Newton Goto + epa!
http://www.rizoma.net/interna.php?id=250&secao=artefato
-- VJzagem
enquanto, antes ou depois
-- Carlos Latuff
o traço-bomba da rede
-- Legislação, quebradeira e hermitões
que poder que a gente tem para criar leis? alguém aqui pode compartilhar a experiência? como é que é? será que vale a pena o esforço?
-- Prostituição, o que é mesmo? (painel-esc-fala-foto-)
sustentabilidade é uma questão central e essa putaria toda que a gente sente na alma todo dia também. precisamos mesmo nos vender no trabalho para viver dia após dia? como aliar a autonomia das nossas ideias e almas, mas com a sustentabilidade material minimamente necessária? quantos estão se prostituindo para manter seu status quo? relação social, a idéia de que prostituta é criminosa... o que é crime é obrigar explorar alguém a práticas sexuais mediante pagmento!
-- Rádio Cidadão Comum
Todo cidadão tem direito à sua rádio, nem que ela seja uma pedrada na orelha do ouvinte. Dub + Alegria. À tarde e à noite!
:::: AVALIAÇÃO E NOTAS ::::
-- Gamb+i
Primeira Colação de Grau do grupo interdisciplinar de estudos mais inteligentes Gamb+i:
Apresente sua tese e comemore sua formatura!
:::: ONDE ::::
/ / rádio amnésia
/ / mercado cultural de lençois - Praça Nagô - Centro - Lençóis
/ / avante lençois/rádio lausa - Praça Domingos Ferreira - Lençóis
/ / Bar Reggae Roots (no alto da rua das pedras, vire à esquerda)
/ / Praça do Quiosque
+
Ocorrem a todo momento atualizações na programação. Por favor confira no wakka a última versão desta.
convidados e participantes
Alessandra Assis - Faced/UFBA
Alexandre Freire – Descentro
Aurélio Heckert – Colivre
B Negão - (a confirmar)
Beatriz Busaniche - Fundación Via Libre
Carlinhos - Rádio Cipó (a confirmar)
Celinha
Copiar o Compartir (Chile) (a confirmar)
Criscabello
Critical Art Ensemble - Estados Unidos (a confirmar)
Fabi Borges – Cassandra
Fabiana Goa
Felipe Fonseca
Felipe Machado
Fernando Catatau
Gil - MHHOB (a confirmar)
Giseli Vasconcelos - Aparelho (a confirmar)
Giuliano Djahjah
Grupo Etc - Canadá (a confirmar)
Guilherme Soares – organismoBR
Heloísa Buarque de Hollanda - UFRJ
http://ayerestabaaqui.blogspot.com
http://compartiendocapital.org.ar
http://hacklab.planetax.org.ar/doku.php
http://www.ccespana.cl/copiarocompartir
Jorge Alban, (Costa Rica) (a confirmar)
Karla Brunet
KL-Jay (a confirmar)
Laymert Garcia dos Santos - UNICAMP (a confirmar)
Leandro – Rádio Livre-se
Letícia Canelas
Lila Pagola - Liminar (Argentina) (a confirmar)
Luciana Véio - Cooperativa de rango vegan
Lúcio Araújo - Organismo.BR
Maíra Brandão
Marcelo Terça-Nada - Poro (a confirmar)
Marcinha -
Maria Helena Bonilla – Faced/UFBA
Movimento Campesino / MST (a confirmar)
Nelma Rasta - Rádio Lausa FM
Pixies
Planeta x - (Rosário/Argentina) (a confirmar)
Queóps
Renata Lourenço
Ricardo Ruiz
Robson Véio
Romano - o inusitado
Ronaldo Eli
Ruth Catlow e Mark Garreth - Furtherfield.org
Saravá.org - Redes Informacionais Livres (a confirmar)
Sérgio Amadeu
Sérgio Melo - Rádio Amnésia
Shanti Primala - Bio-construção (a confirmar)
Simone Bittencourt
Tati
Thais Brito
Thiago Novaes - Da coletividade à resingularização
Tiago Bugarin - Metareciclagem
Tininha Llanos -
Tomás de Olinda (a confirmar)
TV Livre (a confirmar)
Vera Santana - Conexão Felipe Camarão
Yael Kanarek - upgrade!International
## tod@s na lista de discussão.
mais no site do projeto
fotos com a tag sub3 no flickarght!
fotos da lu
mais fotos da lu, serie vale do capao lu
fotos tati_ri
fotos carlos vilella
rbrazileiro
karla brunet
áudios
Sub>3 :: Bang, Bits e Àtomos
Sub>3 :: objetos tecnologicos na e/ou para a educação
Sub>3 :: direitoshumanosnadelega
Sub>3 :: ensinandofazendoeaprendendo
Sub>3 :: Cooperativas Alternativas e Alternativas de Cooperação
Sub>3 :: Produção Musical Brasileira
Sub>3 :: A-propri/a/ção dos Conceitos
relatos
fabi borges no site cassandras
RECOMBINAÇÕES DE REDES em espaços/tempos imersivos são dispositivos de fomentação de novos modos de fazer política e de existir no mundo. Por traz de qualquer aparato social ou tecnológico estão os sujeitos e é sempre dessa dobra e desdobra do mundo em si e o si inundado que se trata nosso assunto. Essas novas culturas de redes em seus encontros ciber e corpóreos (presenciais) são um importante foco de pesquisa e experimentação para o nosso trabalho e consideramos que elas tem muito a acrescentar nos processos políticos da contemporaneidade. Elas engatinham em sua tentativa de descentralidade e por fim de distribuição de redes e de seus poderes-funções-uso, mas temos alguns bons exemplos no Brasil de tentativas de encontros presenciais imersivos de sujeitos ligados ao movimento do Software Livre, que tentam fazer esse processo avançar. Entre eles temos os encontros anuais do Submidialogia que ocorre há três anos. Submidialogia é uma lista da internet que discute e atua com software livre, mídia tática, opera com programas multimídia, promove ações coletivas de resistência como rádio livre, TV livre e se opôem incisivamente aos monopólios de comunicação. Um dos seus slogans é - Submidialogia: a arte de re:volver o logos do conhecimento pelas práticas e desorientar as práticas pela imersão no sub-conhecimento - . Organizam todo seu encontro de forma pública através de programas abertos de edição da web (wikki), onde inclusive as questões financeiras (financeamentos, custos, passagens, alimentação, etc) são debatidas. Os lugares de encontros presenciais são escolhidos de acordo com os contatos dos sujeitos da lista com universidades, instituições acadêmicas, governamentais ou grupos de ações locais. Em 2007 o encontro foi feito junto a um espaço cultural do movimento negro chamado AVANTE, onde tem uma rádio comunitária que é frequentado por grande parte da juventude daquela pequena cidade interiorana situada na chapada Diamantina na Bahia. Ao imergir em um local como o AVANTE o grupo já provocou estruturalmente a imersão, processo de constituição de realidades, singularidades e recombinação de redes. Pois promoveu a conexão entre as diferenças étnicas, discursivas, políticas, etc. Tanto os usuários da lista, quanto os participantes do espaço cultural tiveram que lidar com a radicalidade da auteridade, sendo que não raras vezes as discussões se tornaram agressivas. Um ponto interessante, é que tanto as pessoas do movimento negro quanto estrangeiros europeus e norte-americanos que estavam no encontro reclamaram sentirem-se excluídos de grande parte das discussões e atividades, fosse em função da língua ou da apropriação das tecnologias disponíveis, de modo que em determinado momento juntaram-se para fazer uma performance, cada um na sua língua, expressaram seu incômodo falando sobre inteligibilidade, incomunicabilidade, inacessibilidade, denunciando de forma expressivamente estética a situação. Dessa forma vemos que uma situação imersiva pode/deve estar preparada para fazer sua própria auto-crítica no mesmo tempo que ocorre, ampliando o debate com outras linguagens que não só as das discussões racionais, críticas, que tendem a dialetizar os encontros com pressupostos demasiadamente racionalistas que muitas veses não mudam nada. É o que chamamos de vício de opinião.
A maioria dos debates do submidialogia gira em torno de palavras chave como colaboração, autonomia, relação com população local, quebra de hierarquização, cooptação externa de projetos produzidos coletivamente, sustentabilidade, auto-gestão, arte, cultura, estetização de processos, intervenções públicas e mídicas, softwares livres, acessibilidade a tecnologias, fendas digitais, propriedade intelectual, creative commons, copyleft, etc. Esse tipo de conversa dentro de um ambiente povoado pela cultura do movimento negro traz à tona nuances e reações que fogem da intenção mapeada e obriga todos a fazerem recombinações: a da comunidade da lista entre si (muitos não se conhecem pessoalmente), o grupo visitante com a população local e vice-versa, os projetos construídos coletivamente que acabam as veses por provocar várias dissidências, mas que mesmo assim é produtiva, em função de sua qualidade risomática e descentralizada. Levemos em conta que esse encontro presencial continua repercutindo nas listas, nos textos, nas produções multimídias (textos, imagens, sons, etc) disponibilizadas colaborativamente durante todos os processos anteriores, durante e posteriores aos encontros.
Esse tipo de imersão é também visto como uma tecnologia social, planos que se harmonizam e conflituam de acordo com os diferentes ritmos mas que se constituem como planos de realidades, de formulação e resolução de problemas, como meio de crescimento coletivo. Tecnologia social é um nome bastante utilizado nos debates, que não tenta fetichizar o objeto tecnológico, não trata somente de computadores mas das técnicas desenvolvidas nos mais variados campos sociais, como nos mutirões espontâneos ou organizados, nas lutas dos camelôs, nos ajuntamentos para produção de uma festa comunitária, o que seja. Essa tecnologia social da gambiarra, da reciclagem, da reutilização de práticas e conceitos estão em todos planos da vida cotidiana e se fazem muito importantes para os processos imersivos dessa rede específica e de tudo o mais. A pergunta: Como amplificar as realidades complexas dos vários seguimentos sociais de forma colaborativa sem cair no vício da identidade e sem forçar uma unanimidade das lutas ativistas?
AMPLIFICAÇÕES de realidades complexas pressupõe um alto grau de fidelidade aos acontecimentos (Hi-Fi), pois depende de um sistema de integração entre transmissores e receptores de modo a fazê-los imergir e expandir-se ao mesmo tempo. O agigantamento dos sinais fracos emitidos por determinado aparelho (tech-social) tem a função de inscrever esses sinais (desejo-energia) de forma mais potente e sua abrangência depende dos sistemas de modulação. Os moduladores não são dispositivos neutralistas e sim um aparelho irradiador atento ao transporte das ondas portadoras de conteúdos. É capaz de transmitir e fazer variação desses conteúdos de acordo com as vontades internas e externas à ação. A modulação nada tem a ver com governabilidades ou estatutos mas com a intensidade e frequência do sistema integrado de amplificação. Sua conexão é temporária, não pressupõe nenhuma forma de permanência pra além do seu próprio tempo de duração, mas é necessário pressupor certa nitidez na irradiação que não refere-se aos sistemas de inteligibilidade padrão, mas à confluência dos diversos conteúdos. A amplificação desses sinais quando eficientes criam uma rede ampliada sonoro-existencial, que conecta superfícies interativas promovendo ampliação de sentidos e alianças para além do evento/acontecimento. Não pretende abarcar o mundo inteiro mas cria um espiral transversal onde as alianças podem ser produzidas com maior facilidade amplificando notoriamente o acontecimento.
A modulação é um aparelho tecnológico e uma ferramenta esquizoanalítica. Pode ser utilizado individual ou coletivamente. Seu bom uso pode ser de grande importância em contextos ativistas, pois funciona como técnica, tática e terapêutica ao mesmo tempo. Temos alguns exemplos de eventos criados com essa perspectiva de modulação que evidentemente é uma nomeação, uma analogia que tem compromisso somente com esse texto, não pretende ser uma pedagogia. Mas serve como ponto aglutinador conceitual para definir algumas nossas ações.
wan selva em metareciclagem blogs
carta social sobre o sub3 (email enviado ao metarec e ao submidialogia)
ufa! finalmente cheguei em casa… como o encontro submidiático foi muito bom, resolvi fazer um caminho mais longo, para refletir, e só nessa manhã cheguei por aqui. Instigada para escrever. Depois de tantos dias entre ônibus e barcos, a reflexão na minha cabeça se confunde com os fatos acontecidos. Então, me perdoem se a emoção entrelaçar os fatos, mas é que estava precisando há muito tempo de um encontro como que foi o submidialogia #3.
vou dizer para vocês que logo que peguei o primeiro barco aqui, ruma à chapada diamantina, não sabia na minha cabeça o que esperar do sub>3. Entre os seios, carregava uma expectativa mista de festejar, de fazer turismo, de festejar com nov@s velh@s amig@s. Mesmo escrevendo pouco, acompanhei a lista com fervor, rabo de olho em cada detalhe de cada email. Primeiro, pessoas buscando alternativas comuns para chegar ao local do encontro. Que lindo! Pela primeira vez, tod@s se mobilizavam para criar alternativas em grupo ou individuais para conseguirem chegar ao encontro. (a gente quer se encontrar?). Ai, um abraço todo especial para nós do g2g, que conseguimos ganhar algum dinheiro via edital de passagens do ministério da cultura (que possibilitou inclusive minha ida), assim como ricardo brazileiro e marcelo terça-nada (no canto do meu pensamento eu sabia que se mais pessoas tivessem concorrido ao edital, mais pessoas ganhavam, mas enfim). Senti tambem uma falta tremenda de mais participação na construção dos debates via lista. Mas como estava sem tempo de opinar também, resolvi
ver no que iria dar.
depois do fabuloso encontro do g2g em salvador (sobre esse eu escrevo depois), tod@s se preparavam para a partida à lençóis. Cedo de manhã, Leitinho de Pêra (que nome lindo!), Alê, Balbino e Ruiz partiram de kombi lotada para deixar tudo prontinho para quando a maioria de nós chegássemos, às 5 da manha do outro dia (aliás, queria dar um parabéns especial para essa turminha e mais algun que ficaram na pré-produção do encontro: forçaram o máximo possível o cumprimento dos horários e sempre tiveram a estrutura pronta em tempo. Só achei que outrxs
pessoas poderiam ter se tocado e também ajudado na produção das coisas. eu mesma só reparei nisso no terceiro dia, mas logo que percebi que também poderia ajudar, carreguei caixas, saí cedo pra organizar as coisas e, pasmem, até dirigí a kombi uma vez, com aquela lamúria de só possuir a terceira e a quarta marcha desde a Paraíba!). A primeira manhã foi tranquila. Enquanto nem todos os mantimentos chegavam, alguém fritou ovos na água e aos poucos tudo foi se acertando para um café da manhã tranquilo e feliz.
Às 15h00, uma hora depois do horário marcado para a mesa de abertura, compareci à Avante! para entender melhor o que tod@s queriam, conhecer @s outr@s e acompanhar a breve conversa sobre a-própria-ação dos conceitos (magistralmente guiada pela Tai). Mas a abertura foi surpreendente! depois de um bom tempo de atraso e muita gente falando o microfone sem saber direito o que falavam (e transmitiam FM), uma boa conversa se deu sobre o que tod@s estavam fazendo lá. Enquanto alguns acreditavam que foram se encontrar com amig@s para se divertir,
outr@s tinham certeza de uma hipocrisia e apatia geral, o que resultou em um debate caloroso sobre o papel de cada um. A certa altura, a questão racial foi levantada sobre qual o ponto de vista daquela turma branca de classe média sobre a interação com a população negra e por quê aquele festival era formado por tantos branquinhos e branquinhas e tão poucos negros. Tenho que confessar que adorei Robson (sabe como é, tenho pais negros e indígenas, acabei tomando partido… hehehe): “Eu não sou a favor de cotas. Porque cotas é para minorias. E eu não sou minoria, eu sou maioria. Estou aqui para tomar o que é meu!”. Pôxa, Robson, você é lindo! Um grande beijo para você! (Sem ciúmes Lú! que você é muito mais linda que ele!) Senti depois o pessoal reclamando a ausência de Ruiz e Balbino e Jean na abertura. Mas jean e ruiz foram consertar um pedaço da embreagem da kombi e Balbino foi tirar Akim daquela maresia, precisava mesmo. Ah, enquanto isso o Asa dormia na poça d’água, no meio do maior temporal! Durante a noite, na casa, várias conversas paralelas e conjuntas foram acertando ponteiros e
idéias. Quem discutiu antes, reviu seus conceitos, conversou mais um pouco com seus opositores em argumentos e durante a noite um sono profundo e relaxante preparou todo mundo para os dias que viriam. (tenho que admitir que, apesar da falta de intimidade dos 4 quartos-alojamento com beliches de três andares, eu dormi muito bem todos os dias. Foi uma ótima experiência de convívio. Eu me lembrava de quando era criança e com meus tios dormia na maloca com tod@s aquel@s parentes…)
Pela manhã do dia subsequente, tod@s nos encontramos no mercado central, para a discussão sobre produção musical. Puxa, eu fiquei muito feliz com que ví! como disse a Lelex, pela primeira vez vejo músicos conversando sobre suas obras e formas de licenciamento. O Fernando Catatau apresentou seus argumentos e opinios sobre liberar músicas, sobre seu amor às suas composições (”por esse motivo não poderia liberar as faixas de minha música separadamente: pois o harmônico que se forma a partir de duas trilhas também faz parte da minha composição”). Além disso Tião e outro componente da banda Entre um Gole e Outro (meu deus, eles param o show no palco para tomar uminha! e tem um garçom na banda!) mostram que não só de sonho com gravadoras vivem os músicos. Vivem, sim, muito mais de sonhos. Possíveis! E eles não vendem nem trocam: eles dão! Alguém que participou melhor pode contar mais, a certa altura apareceu uma garrafa de uísque com 1/3 de líquido (parece que foi a sobra do que o Volker trouxe para o brasil para passar as semanas) e uma garrafa de cachaça vinda de algum lugar entre caetité e lençóis: viva Tião!
Pela tarde, sons variados na rádio Laúza FM, algumas atividades com PD no mercado central (atividades mesmo aconteceram no sistema digestivo do Glerm, lá de curitiba. Entre um arduíno e outro, ele comeu um Acarajé feito por um pastor e não deu outra: seus nós nas tripas o fizeram viajar duas vezes para salvador e rodar boa parte dos hospidais desse eixo baiano! Nem a lavagem estomacal valeu! depois, já em curitiba, descobriu que tinha eram pedras de sal nos rins! viva o araki). Na noite do segundo dia muitos foram à uma pizzaria baratinha e gostosa, mas eu mesma fui dormir, estava exausta da viagem até ali e dos acontecimentos dos dois primeiros dias.
No terceiro dia, confesso que as coisas já se confundiam mais e mais na minha cabeça. Um pequeno grupo partiu para diversas cachoeiras, outro partiu para mesas, outro saiu para preparar as gravações do semuSSum (gravaram dois raps e duas capoeiras). Eu mesma participei mais ou menos de todas as atividades, circulava entre um espaço e outro, subia o morro sob o sol escaldante até a Avante, voltava ao mercado, dava uma passada na casa para almoçar (ah, os almoços foram um caso a parte… enquanto as meninas da cooperativa de rango vegan faziam nossos lábios deliciarem-se com vatapás, beringelas e feijoadas, nos dias em que elas não mais estavam Holmes, Owen, Mark entre muit@s outr@s se revesaram na cozinha, alimentando a tod@s com delícias e amores! um abraço todo especial para todo mundo que ajudou na cozinha, cortando, fritando ovo, fazendo suco de tamarindo ou cozinhando para um batalhão! vocês são demais e eu mesma teria tido uma relação diferente com o evento se não fosse por vocês! valeu!). Puxa, no final do dia só piscava na minha cabeça como aquele espaço, chamado de Avante!, era agradável, como as pessoas eram amigas, como a consciência e a educação eram trabalhadas… puxa, eu virei fã incondicional da Avante! Valeu mesmo por tudo Nelma, Valnei, Kojack, Tony Black, Carol e mais todo mundo que eu conheci na Avante! esses dias. Nossa, eu não tenho palavras! Se esse relato do festival está tão grande, se eu pegar para falar bem da Avante! não cabe nessa vida! Um beijo Nelma! Um beijo, Avante!
No outro dia de manhã Nelma e Valnei conversaram sobre o formato empírico da educação na avante, foi lindo! outras pessoas que participaram de projetos governamentais educativos deram suas opiniões e sanaram suas dúvidas nas realidades das palavras de Nelma e Val. Por algum tempo, a conversa foi tomando um rumo político, mas Etienne chamou todo mundo de volta para o Objetivo principal: as metodologias e seus estudos. Foi lindo! Aliás, Etienne e Karla mostraram que têm razão: trabalharam com dezenas de crianças, tanto para o mapeamento da cidade no projeto da Karla em lencois.art.br como na Maquina em cruz do Etienne. Bem, as crianças (principalmente Adalberto) também tomaram o microfone sempre que podiam, tiveram mostra de vídeos e ainda batucaram lá do lado da Avante com todo o pessoal do circo (nossa, quase me esquecí do pessoal do circo! da colômbia e da argentina, haviam chegado em lençóis de bicicleta, embora estivessem loucos para vendê-las! Se inscreveram na programação e apresentaram um espetáculo muito bom! depois se juntaram a nós no almoço e alguns deles até dormiram na casa com a gente por alguns dias. El@s eram lind@s! Tinha também uma outra moça, Carmelita, que cantou e perguntou como a gente poderia ajudar ela a trabalhar com tecnologia. sua música: “fui numa reuniao que só tinha, melao, mamao, melancia e muito banana!”)
Agora, a mesa que eu mais gostei mesmo foi a que discutiu a tal da Arte. Tod@s se encontraram em uma cachoeira maravilhosa, com um grande Poço para mergulhos de diferentes alturas e um Toboágua natural de dar inveja! Owen, Letícia e Lixeira mostrarm que são mestres na arte dos mergulhos! Lind@s! A conversa também foi muito boa, aquele monte de artista se encontrando pra conversar sua plasticidade viva (como diria Djahjah, “você é artista plástico? eu também, eu trabalho com Sacos plásticos!). Marcelo tERca-Nada e Giseli deram opiniões lindas sobre a artesania nossa de cada dia, e muitos outros deram opiniões sobre o suicídio coletivo da arte ou seu aproveitamento como tática… chiquinho, thais e morgana levaram uma conversa paralela no alto de outra pedra, que incrivelmente chegou às mesmas conclusões que a mesa oficial…. esse sub… No final, todo mundo pro tobogã, batendo o recorde mundial de trenzinho de artistas em cachoeiras! Adorei, adorei!
Teve também a mesa que aconteceu sentad@s num bar na frente do mercado, todo mundo, uma delícia, essa tem o áudio gravado, não vou nem relatar (também, depois de tanta cerveja!). Gostei mesmo foi da intervenção do Capi, do Mark e da Andi, cada um em sua língua natal (portugês, inglês e austríaco) reclamando sobre o monopólio do gravador de áudio naquela mesa, e que como haviam criado um outro grupo de discussão que não teve visibilidade durante a conversa no gravador, o próximo encontro deveria se chamar submidialogias!
Na noite de segunda feira também a Rádio Cidadão Comum tocou Dub-doidera até meia noite, quando a polícia veio pedir para parar…. hahaha :) Só mesmo a oficina de direitos humanos no outro dia no batalhão da Polícia Militar poderia acalmar os ânimos… E acalmou, embora todo mundo tenha descoberto novos humanos dentro de cada um.
No último dia, depois de tanta conversa proveitosa, atividades diversas e coletividade festiva, a festa de encerramento não poderia ter sido diferente: Muita alegria no Carnaval Satã! Músicas do carnaval da década de 70 misturadas com experimentalismo carioca e eltro-alternativo estadunidense botou todo mundo pra sambar! Só faltaram os confetes e a serpentina. Teve também o menino que improvisou Rap sobre Dub e no final a Titi mandou ver num som pra fechar a noite, baixinho, em uma caixa só, Novos Baianos, Mãe é Mar…. Antes da última caixa desligar, os palhaços do circo retornaram, dessa vez com tambores e cuspidores de fogo para finalizar a noite em grande estilo! Todo mundo muito feliz, a alegria preenchendo tantos corações e aquela certeza de que finalmete tod@s haviam entendido o espírito do Submidialogia 3: A gente quer se encontrar! Queríamos! E nos encontramos, a nós mesmos e aos outros,
numa sintonia de alegria e positividade que foi maravilhada pela paz, serenidade e injustiças sociais dos Lencóis da Bahia!
Lógico que deixei muita coisa de fora dessa missiva, como a performance da Fabi, as fotos do Carlos, as 15 mulheres na kombi rumo à cachoeira do mucujezinho ou as deliciosas caminhadas que sucederam o encontro. Mas não faz mal. Novos relatos e vídeos e fotos virão. Estamos reconstruindo a nossa história. E estamos buscando cada vez mais atores para fazer parte dela. Longa vida aos sub>midiáticos! Para o alto, e Avante, Lencóis!
beijos da wan
cheguei no dia 22, em plena festa... demorei um tempo para re-conhecer
os rostos
novos, que eram quase todos. acolhido com alcool, acordei no dia seguinte
com uma ressaca gigante. começava o sub#4. com a base montada no quintal, de
início observei as coisas com *certa* *distância*, pois ainda *tateava*,
procurando como se encaixar naquele movimento todo... na verdade, não sabia
(talvez ainda não saiba) até que ponto as divergências com o fórum de mídia
livre resvala para os seus participantes...de todo modo, tinha a
brevissima-cerveja no Rio alguns meses antes com a tati e o novaes como um
prenuncio de bons ares....
em pouco tempo, os* auto-convidados*-do-RJ já estavam em casa - ou ao menos
assim se sentiam. no lugar das atividades programáticas, os
*conhecimentos*espasmáticos se espalhavam em conversas na
cozinha ou pelas paredes. via, então, todas as discussões sobre auto-gestão
virarem realidade. uma outra casa era possível? talvez. mas prefiro o grande
*clinamen* que vivemos
*( clinamen : o choque dos átomos, que se encontram através de desvios,
movimentando-se em direções diversas e introduzindo liberdade e caos nas
representações mecânicas )*
as idéias preguiçosas ficaram *perigosas*, as *conversas* corriam entre
panelas, construindo afetos e transformando oficinas em co-vivências
sorridentes. rádio livre, festa para pagar o artista da tacacasa,
experiências psiconautas em colares, as discussões em caracóis na brisa leve
de outeiro, stencil, fotos-fantasias, as barras milagrosas do desconto
digital: vamos degolar o otimismo! as a-r-tividades foram tantas que não
consegui acompanhar todas...
o tempo é curto...
o relato também...
foi *estupendo* conhecer *tod@s*. ficou a vontade de um outro encontro...
espero em breve ir para *são paulo, que é logo aqui*, e re-encontrar quem
por lá estiver. ou o contrário: *invadam nossas praias...*
+
e o livro? vamos que vamos?
salve navegantes!
inicio o meu 1ºsub-relato antes mesmo de ler qquer msg da lista. já estou
com muita informação para processar para cair na tentação de ler todos os
os emails e *respostá-los *com fúria e paixão. prefiro me manter fiel ao
projecto inicial; o qual é: passada a fase de observar & absorver vem a fase
do processamento (informativo/intelectual/emocional/sensual---afectos), da
deglutição e por fim da regurgitação; ou se preferirem: da transmissão, da
emissão de mensagens.
então segue este relato não-linear, assincrônico, apoetado e apatetado. tomo
também a liberdade de enviar esta msg na garrafa para outras listas & outras
personas. talvez eles não entendam patavina, mas tanto melhor a coisa fica *más
literata* (aaaaaaahhhh, vãs pretensões!!). Ei-lo:
*
**Conectar, desconectar, reconectar**
relatos de um velho-lobo-do-mar
*dia 5/2/2009 primeira manhã acordando em são paulo. o re-encontro com a
cidade foi cruel. sinusite apitando, dor, cabeça em revoluteios. realmente
esta cidade é ingrata com o meu corpo. este corpo q já doou tanto sangue
para estas veias de asfalto e concreto armado.a re-entrada na órbita da
babilônia foi rápida e imprudente: não abri os flaps, nem levantei os
escudos defletores. teletransporte, mudança de contexto rápida demais. e
aqui "um bocado de problemas e crianças para criar": contas a pagar,
maquinas a concertar e doenças a curar. alergia na mão já voltou, bolhas
pipocam nos meus dedos. rápido, rápido demais.
e pensar q até outro dia estava me banhando nos igarapés, ouvindo a matinta
pereira, pulando, brincando, correndo (!!!) leve, solto, triste também às
vezes. porque faz parte da equação. mas atento & forte. tranquilo e
infalível como bruce lee (ou, ao menos, tentando). de qualquer forma
revigorado, rejuvenescido, renovado, a velha obsceção da tabula-rasa.
zerar. descompressão, recharge. coisas q vc só consegue qdo vc pensa viajem
em seu sentido mais amplo (além, muito além do lazer): de jornada, de
descoberta, de perigo. - aaah, quanto o perrengue é restaurador,despertador.
o *desidratar *& *re-hidratar* , água, limpeza, purificação, suar, purgar,
fluir, des-limar!! coisas q comecei a (re)entender ou a (re)lembrar com a 1ª
oficina q participei com a turma da *Casa das idéias Perigosas* : "oficina
Experiência Despositivo". Mais a frente tecerei comentários a respeito, mas
já vos digo q foi iniciática em todos os sentidos. a começar pela questão da
água: ficar sem, secar, esturricar ficar sedento e depois a abundância,
esfriar, refrescar, humidificar, liquefazer, dissolver. como uma esponja
murchar e entumecer. os 3 estados da água.
mas isso já era uma realidade em São Luis-Maranhão, o verdadeiro começo da
jornada (ainda têve breves passagens por B.Geraldo na ida e na volta). em
s. luis já sentia na alma os calores tropicais (melhor dizer
equatorias). o melaço constante na pele, a chuva apaziguadora pero no
mucho, os bafos frios e refrescantes de ar-condicionados, na rua, na
frente das lojas magazines.
s.luis foi o começo. e como todo começo: fresco, tutibeante, o início da
descompressão (metáfora do mergulhador), ainda trabalhavamos muito, feito
loucos paulistas. não percebendo o tempo, perdendo tempo...(???)
mas estas e outras divagações/digressões/transgressões ficaram para o
próximo sub-relato (a qquer momento em edição extra-ordinária)
fico por aqui
beijabraços a tutti bona gente!!
do espaçonauta
Jolly
> ..."me lembro agora do meu estado antes de ir viajar, tenso, teso,+
> arrumando mil coisas, enviando centenas de projectos. já trabalhando no
> "modo de segurança" e mesmo assim pifando. em s. luis já ria disso tudo
> (embora agora volte a franzir a testa) ao por os pés novamente no oceano
> atlântico depois de meses e pela 1ªvez em 2009. praia! ainda q a
> tardinha...os nervos relaxam e a sensibilidade aflora, começo a me
> maravilhar por este brasil profundo (ainda q eu estivesse + q no litoral,
> numa ilha).s. luis esta mistura fantástica de arquitetura e vida vegetal:
> angkor brasileira, jamaica brasileira, atenas brasileira... torturada por um
> déspota esclarecidíssimo; josé sarnento. triste. revoltante.
> -e quanta rua! pensava eu. quanta vida na rua, pensava o tempo todo. sum
> paulo num tem disso, não! q horror, q tristeza. e não era só os blocos, os
> tambor de crioula, era o dia a dia, o cotidiano, a rua! leseira na
> esquina, sob 30 e tantos graus, o figura passa e dá um salve, rola um
> chiste, e daí começa uma estória... e qta estória! tudo virava história.
> conhecemos vários malucos da rua:
> -rubi, rubem; o mago da reciclagem
> -o louco dos abaixo assinados
> -o engraxate noinha (quem usa sapato em s. luis?)
> -seu benedito, alou brasil!!
> pessoas fantásticas! eriwaldo gomes cantando "baseadão, beck legal" no A
> vida é uma Festa (de rua!)
> me embestava de paixão por este povo e por esta terra. sorvia cada aroma,
> cada sorriso, cada olhar, cada cena....
> e em meio a tudo isso rolava o lab internacional de midias livres. radio
> livre, midia tática, yeah. retorno as origens: Muda.ah, rádio Muda, q bela
> balzakiana vc esta se tornando.
> pois lá estava eu perfazendo 4 gerações de mudeiros, invictas.
> eu+galetta+dani+joju. companheiros & comparsas nas bucaneirices nos mares
> midiáticos. gravções, explanaçoes, discussões e zine! zine, caralho! tão bom
> voltar ao básico, papel & cola, pá e pum.
> obrigado colegas pelas oportunidades q me deram!!
> é claro que não podia faltar algumas doses de radio-vandalismo. e depois de
> diversos corres: conserto do transmissor, compra/construção de uma antena. a
> transmissão de fato, rolou no ultimo dia do evento.foi foda. tanto q o nome
> inevitável foi: Na Marra FM!
> uaáá, depois de 2 doses de whisky e varios cigarrillos o sono me pega.
> boa noite meus capetinhas, sonhem com os anjos
> borovix, night crawle
se é pra falar, vamos lá
Cheguei de fora totalmente.
conhecer, conhecia dona tati, fofa, de uma veista só dona valentina charmosa
e de dividir um cigarro e um samba o sushiman novaes.
pousei em belem e fiquei esperando a moçada chegar na porta do tacacá. heis
que do nada surge uma barulhenta kombi, e de dentro dela surgem uns 10
sorrisos novos, um tanto alegrinhos de cerveja, e muitos abraços e muitos
rostos e muitas boa vindas. energia que entrou em mim e me fez ficar
sorrindo de boba enquanto observava tantas figuras novas.
fabi é um raio vetorial sempre pra cima cima cima e é mulher, tati é tipo
aurea azul, hiperativamente calma produzinho produzindo, olaia tem voz suave
e ta sempre colocando a gente na conversa, marquinhos é carinhoso, novaes
explica as coisas bem explicadinhas, valentina quietinha é doce doce, a
vicky sempre tem uma coisa que brilha, bruna abraça a gente em tudo, nao
deixa ninguem sem se sentir abraçado, fernando ta sempre fazendo alguma
coisa pra ajudar alguem, até descer da parede, um anjo, felipe e suas frases
bonitas, até mesmo quando ele tá caladinho mas nao gosta de foto, cenoura
poe um som ae que fica tudo bom, rafael é judeu e é palestino e faz mojito e
sorri, rodrigo tem uma historia e tem um som de carimbó tum tum tá, o bruno
veio depois e ficou junto...
aí chega a galera de são paulo, todo mundo de um onibus pro outro correndo
correndo colares.
antes eles eram quatro, os quatro, depois se derreteram e viraram dani que
grava conversa e dança e medita, borô tem um som, tem os olhos e tem o
trocadilho certo, a lu é graciosa, filma tudo com o olho e com a camera e o
Joju parece até que é mineiro, come quieto quieto...
e tem os que eu ja conhecia, que juntaram tudo nessa ánela de
tacacacumpocagoma e a mistura deu foi certo...
muita gente, nao sei se esqueci alguem...
o que eu digo, é que o tempo todo era vivencia. era meio ensaio de circo,
cada um fazendo seu numero. quando veio o espetaculo, artista foi o léo, e
deu certo todo o show.
discutir debater ser crescer curtir enlouquecer e faz imagem e faz forma e
faz cor e faz som eu acheitudo isso mó barato, mas eu quero é produzir mais
é fazer as ideias perigosas ecoarem.
no baralho espanhol, minha carta foi El Control, que diz que é quem observa
e fica na análise e na crítica.
eu observei e fui observada e digo que a troca foi imensa e foi linda.
um abraço e um beijo e um pedaço de queijo pra todo mundo
tacacacacacacacacacumpocagoma.
+
2009/2/7
> bom dia!!
>
> mais um relato:
>
> chego em belém dia 19 de fevereiro de 2009, meu destino:
> tacacacumpocagoma. lá sou recebida por muitas pessoas que ja estavam há
> dias retirando entulho de casa, pintando as paredes, terminando os
> banheiros.. a casa estava praticamente abandonada há alguns anos e a nossa
> vinda gerou uma retomada do espaço, o que foi lindo.
>
> no umarizal, bairro classe média da cidade, fomos gentilmente recebidos
> por pedro, marquinhos, rodrigo, bruna e fernando, belenenses que apoiaram
> à distância o que mesmo eu participante da lista e de todos os subs
> anteriores praticamente não sabia... sub#4 ou sub>belém, o que seria? o
> pouco tempo de organização, a distância e a ausência de figuras mais
> antigas deu um caráter mais misterioso e por que não mais genuíno às
> propostas..
>
> praticamente tudo foi renegociado por la. de pincéis e canetinhas em punho
> fechamos a casa até o dia 5 e acumulamos uma dívida de 1500 reais, "a
> dívida do leo", mágico transformador de fios em luzes, goteiras em
> proteções, espaços vazios em banheiros. se não me engano foi ele mesmo
> quem escreveu na parede: artista é o pedreiro. às primeiras luzes de
> domingo depois de uma super festa na casa em que tivemos a presença do QG
> da bahia(!) tiramos da bolsa preta de valentina todo o dinheiro que
> conseguimos na noite, exatos 1500, na mão de léo, que se antecipou à isso
> pagando cerveja prá todo mundo na casa. era, afinal, a sua festa.. :O) e a
> temática foi queer copyleft.
>
> e a cada dia chegavam mais pessoas.. o movimento foi incessante até o
> último dia que estive por lá. da limpeza do jardim, à feitura de uma
> composteira, ao grafite do dial da rádio na praça da república, à
> exposição de desenhos contra-hegemônicos nas paredes, à intervenção
> frustrada na agência de publicidade, às frases que surgiam diárias
> poéticas e inspiradoras por todo o canto, nas pias, na boca do fogão.. aos
> mais intensos e acalorados debates que já participei, às inúmeras
> conversas sobre feminismos nos corredores e autonomia na cozinha (esse foi
> o sub mais feminino q rolou! o que já desconfiávamos que seria pela
> proposta inicial super feminista que antes partiu de belém, o texto que
> está no site do sub4), às constantes performances, gritos de viva zapata e
> palestina livre na cozinha, à ida ao ver-o-peso para conversar sobre
> biopolítica e experimentar os cheiros das mandingas do pará através do
> conhecimento ascendente das mulheres, à oficina de cenoura em colares
> dispositivos de experiências onde mergulhamos na mescalina e no igarapé, a
> presença maior da natureza na forma de uma arraia que nos lembrou de nossa
> pequenez e talvez ainda pouco tato em lidar com ela (alex nos conte
> mais!), às mais de 20 garrafas de vinhos e champagne que (re:)tomamos do
> megamercado líder através da oficina do thiago disconto digital abrindo e
> fechando o sub (que delícia foi tomar chandon pagando por cidra!), o
> sub_brechó (que não consegui ver..), aos stencils criados e grafitados por
> camisas e paredes, à biki-som, o jardim zen, oficinas de sushi e comidas
> veganas, os cineclubinhos das tardes enchuvaradas onde aprendemos sobre os
> kuarup, xingú e corpos, incluindo a oficina de alex, às massagens
> coletivas, a presença de clebér que nos aproximou do carimbó e na rádio
> atingiu o auge de seu entusiasmo.. (segundo ele mesmo) respiramos do
> momento de dormir ao acordar filosofia (destaco a presença de felipe e seu
> conhecimento das imanências energéticas e espirituais), questionamentos,
> desejos de mudança e expansões das possibilidades de luta pelas
> micropolíticas dos fazeres, fomos contagiad@s e contaminamos pessoas ao
> nosso redor, uma imersão profunda na mídia zero, na desgemonia, a mídia d@
> outr@, do toque, do imprevisível e do inominável.
>
> a troca com o corredor polonês se deu mais no início do sub, numa jam
> poético-musical, enquanto ainda não haviam muitas pessoas, o que foi uma
> pena... já que nos receberam com tantas poesias, histórias de cobras, de
> apropriações audiovisuais, de feitura de instrumentos musicais com orelhão
> e garrafa pet. arthur nos mostrou vídeos de trabalhos no amapá.
>
> eu achava que o sub ia acabar com a chegada do fórum, mas o que ocorreu
> foi o contrário. muitas pessoas se decepcionaram com a megaestrutura que
> abalou belém (genocídio dos animais de rua, despejos, exclusão da
> população local pelo extorsivo preço do evento dentro de uma universidade
> pública etc - a mídia de massa como sempre não paga nada e tem direito às
> melhores fotos..) o que acabou fortalecendo as palavras de dissonância com
> o modelo "de esquerda" oferecido. neste sentido a casa funcionou como um
> anti.fórum, mesmo sem nunca ter usado este nome. de quem mais senti falta
> nestes dias de fórum foram de pedro, sei que estavam super envolvidos com
> propostas a serem apresentadas por lá e acabamos não nos vendo mais..
> espero que tenha sido por isso... mas quero reforçar que fostes essencial
> e inspirador para detonar todo o processo de apropriação da casa pedrinho!
> respeito!
>
> por fim quero deixar um axé muito grande para bruna e fernando que nos
> acompanharam diariamente nessa aventura maluca pelos líquidos terrenos da
> submidialogia, que para mim a cada ano fica mais claro ser uma imersão sem
> rostos, de lindos, loucos e ousados desejos coletivos, que nos desnorteiam
> de nosso dia-a-dia careta que gastamos atrás de telas, silêncios e
> mentiras, uma nova forma de fazer mídia e política, através da arte do
> cotidiano, da manipulação obstinada das perguntas que não querem calar,
> dos escassos materiais disponíveis, da abundância de idéias, uma política
> pública de verdade - ao meu ver, a única real, pois considera a
> subjetividade de cada um@. uma pequena TAZ que se desdobra não nos espaços
> físicos das cidades - embora tenha percorido praças, ondas aéreas e
> espaços privados - mas que se inscreve com força nos corpos de seus
> participantes, como um vírus, o da busca pela liberdade - altamente
> contagiante. não nos mover e sim entender o que nos move, submergir.
> mover-nos incoscientemente. mover-nos juntas!
>
> por fim quero deixar registrado a minha cada vez mais crescente paixão por
> fabi, sua energia inesgotável em conceituar e aprofundar cada movimento
> nosso, assim como resgatar idéias como o da mídia tática, software livre,
> trans e esquizo. é para ti que segue meu último beijo.
>
> ao todo foram 16 dias de sub_casa com uma média de 20 pessoas dormindo por
> lá. quase 30 pessoas contribuiram com o espaço e centenas de outras que se
> aproximaram através das festas e contato com pessoas de/em belém.
>
> ninguém se surpeendeu quando surgiu um super xilofone com as garrafas do
> desconto digital no jardim da casa na minha última manhã por lá, dia 4,
> pelas mãos de rodrigo. pura magia belenense...
>
>
>
>
+
de icoaraci - belém -pará...
dando mais um paço rumo ao midiativismo...
SONORA IQOARACI / MMIX
+
> > mapô mana, eh mapô!
> > ontem estive no taca,
> > as paredes estão sendos pintadas
> > poucas cervejas no frezzer com a alça quebrada
> > a vick um pouco carente de gente
> > amanha levamos ela para colares
> > tentaremos encontrar felipe e fabi
> > se não estiverem com algum ET.
> > mas vim aqui para falar que
> > fikei com saudade de vcs
> > uma saudade gostosa
> > mas mta saudade
> > das vozes
> > da valentina em cima do freezer
> > da jana e thiago falando Égua
> > da tati envergonhada com suas risadinhas
> > e de tudo que foi acontecendo
> > acontecendo
> > cendo
> > cendo
> > seu
> > nosso
> > cenouraaa, que saudade.
> > que virá.
> >
> >
> >
> > :****
> >
> >
> >
+
muito pra relatar mas por hora preciso dizer que me senti muito muito
em casa na subcasa. muitos afetos, muita força produtiva, e o que é
melhor muitas energias improdutivas.
tô ajeitando as fotos pra subir, Tati me deixou um monte, e tenho
muitas das paredes também. para não deixar apagar. minha viagem
continuou, recife, itamaracá, agora olinda submersa num carnaval à
espreita.
e quem quiser fazer você mesmo o tarot do presente/futuro, o canal é esse:
http://www.sindominio.net/tarot/
+
opa Bruna querida!
Estou aqui.
Andei pensando um pouco no meu
subrelato... Tenho muito a digerir do encontro ainda, mas acho que, de
forma resumida, posso dizer que voltou a acender em mim uma vontade
de me movimentar.
Adorei a todos. Acho que tivemos uma troca linda... Sinto saudades já.
Estou por aqui agora. Continuo lendo um pouco mais do que falando, mas isso muda com o tempo.
Um beijo grande em cada um de vocês!
xxx
+
> >> Relato Belenhense parte 1. De rádio muda no Pará para o mundo
> >> (entrevista com Jana da Rádio Interferência no final)
> >>
> >>
> >> A passagem foi 12 horas de ônibus de São Luís pra Belém.Na chegada,
> >> mulheres do Fórum Social Mundial invadem o ônibus distribuindo mapas de
> >> Belém- a cidade morena, e tirando fotos dos passageiros. Esclarecem
> >> dúvidas e propõe conhecer a cidade e o carimbó ( dança e música tocada
> >> lá)
> >> No táxi, áudio( transcrição. Várias vozes - ):
> >>
> >> " Rádio Tralha. -É isso aí, nova fase da viagem, é.., estamos em Belém
> >> do
> >> Pará. Acabamos de chegar , estamos nos encaminhando aí para o nosso
> >> pouso
> >> certeiro,e..., Rádio Na Marra ficou lá em São Luís e agora a Rádio
> >> Tralha.
> >> - A vida não presta."
> >>
> >> 3 mudeiros e uma paulista da mídia tática chegam na sub casa, onde
> >> rolava
> >> o encontro submidialogia 4. Além desse, Outeiros nos esperava. Em cinco
> >> minutos já fazemos as malas novamente, puxado por Novaes e Felipe e
> >> Cenoura para Colares, um pequeno bairro da Grande Belém. A viagem já
> >> recomeçava pela espontaneidade. Não esperar nada. Ver pra conhecer.
> >> Estar.
> >>
> >> Colares. Fotos com máscara, o que deu origem a um pequeno vídeo_
> >> submascarados ( de 2 min. acho que teremos um link em breve). Praia de
> >> rio. Matinta Pereia, a guardiã das florestas e que pede fumo de manhã na
> >> porta de alguma casa. Tomar banho de rio de noite. Gravações de áudios:
> >> (transcriçao. Váras vozes - ): De um restaurante, almoço em Colares:
> >>
> >> "Dia 27 de janeiro de 2009...Estamos...como que chama aqui mesmo?
> >> (Colares) Em Colares. Então, a gente tava ouvindo agora uns depoimentos
> >> sobre doces. Vamos entrevista-las. Um depoimento? -Um momento difícil,
> >> mas,é...uns vão, outros ficam, parafraseando nosso querido amigo Thiago
> >> Novaes, esse é o ritmo da nação.- Huuumm, você estava falando sobre
> >> açucar.- Acucar? Acucar não, brigada.- O que vc tava falando aí? - Eu
> >> como
> >> muito acucar, eu como acucar horrores (...)- O revertério hormonal tá
> >> fazendo eu me sentir maior.- Fale sobre esse revertério hormonal. -
> >> Momentos de emergência onde você sabe que cê faz merda assim, aí você,
> >> se
> >> entope de hormônio, e..., depois vê, nossa, como eu sou idiota. - como
> >> assim emergência? - contraceptivo.- Mas sabia que eu falei com uma
> >> médica
> >> e ela falou que isso não é verdade? - O que não é verdade?"
> >>
> >> (Palavras típicas da comunidade gay misturadas com línguas indígenas-
> >> BAJUBÁ:)
> >>
> >> " Faz de guanto...- Como que é? Peraí, de novo..! - Faz de guanto. - Faz
> >> de guanto?- É,... camisinha. - Faça de guanto. - É, porque é o Bajubá,
> >> conhece o Bajubá? É o iorubá, misturadas com a língua da cidade, com a
> >> língua gay. O Bajubá;Não conhece mesmo? Aquenda, Disdá, Macô (
> >> possibilidade de erro na transcrição) (...) - Peraí, então o
> >> vocabulário,..., peraí, como que é nome da língua? - Fale uma palavra
> >> então dela. - Mapon, Ocó, Aquenda. Mapom é mulher, Ocó é homem, Neca é
> >> mala. Mala também é bajubá. - Tipo mala sem alça? - Não, mala é pinto. -
> >> Ah tá. - Mala. A mala do boya lá(...) Oti é cerveja, Oxanã é cigarro."
> >>
> >> " Peraí, então relatos sobre os homens amapaenses. - É, não, mas aí
> >> fica
> >> gravado e depois(...) tô ferrada!Não, mas é sério, é sério, o amapaense
> >> é
> >> foda. Não, sei lá, são uns homens bruto, grosseiro, não sabem tratar
> >> mulher. Aí são um bando de galinha, cachorro, sem-vergonha, ordinário,
> >> e..
> >> assim! Gay é o pior de tudo. Passa a vida pegando todo mundo e chega
> >> numa
> >> casa, numa fase da vida, vira gay, aí não dá pra entender qual é a
> >> estória, qual era a estória da pegação, por isso que eu tô dizendo, 30
> >> por
> >> cento não sabe o que é na verdade. 30 por cento foi macho, macho, macho,
> >> e
> >> depois, virou, como eles mesmos dizem: é macho até debaixo de outro
> >> macho
> >> ( msruwhjsdoie) Porque tem que que ser muito macho.....( risos
> >> ksfiuarhbs)"
> >>
> >> ( Relato da programadora da Rádio Interferência)
> >>
> >> "Bom, estamos aqui com a Jana, da Rádio Interferência do Rio. - Então, a
> >> Interferência é um espaço que tá precisando ser resgatado eu acho, a
> >> gente
> >> tá tentando, porque o propósito de fazer rádio e fazer uma mídia
> >> diferente
> >> e libertária com conteúdo tá meio perdido assim, é um espaço livre e tal
> >> a
> >> galera usa só pelo fumódromo entendeu, a galera coloca um som e pega
> >> menininha e fuma unzinho, entendeu, e isso tá meio palha assim e várias
> >> pessoas agora em 2008 tentaram, mas enfim tá rolando
> >> (zfuesh) e é uma rádio importante historicamente, uma das primeiras
> >> rádios
> >> livres do Brasil,e todo o movimento de resistência, o movimento
> >> estudantil
> >> durante a ditadura..Foi criada (jshf) na década de 80 e...muita gente
> >> massa passou por lá. - Qual que é o histórico da Rádio ? (jsdhf) – Cara,
> >> eu não me lembro exatamente o ano assim, mas eu sei que foi uma rádio
> >> que
> >> surgiu como rádio laboratório dos alunos de comunicação puxada por uma
> >> galera do C.A., e...acabou na época, como era ainda, um momento de
> >> transição, acabou sendo incorporado como ambiente do D.C.E., não sei
> >> quê,
> >> tanto é que a rádio fica na sede do DCE na UFRJ. Mas é uma rádio
> >> autônoma
> >> assim, várias pessoas que trabalham com mídia livre e trabalham com arte
> >> sonora, tal, já fizeram programa lá. Mas assim, hoje a galera tá (jkhf)
> >> a
> >> gente tá precisando..eu acabei de entrar assim..entendeu, eu tenho 4 ou
> >> 5
> >> meses de programadora só. Mas assim eu tô muito a fim de dá um gás
> >> naquilo
> >> e tal,...a gente tá sem fazer estrimin, porque tá sem internet, mas
> >> assim
> >> os horários ainda tão confusos e tal,..., vai se acertando. - Mas como
> >> que
> >> é espaço físico da Interferência? - Cara, é uma sala pequena de rádio,
> >> que
> >> tem um transmissor, a mesa, tal o computador, os sofás assim e várias
> >> partes da parede bem livre, assim, a galera chega e se apropria do
> >> espaço,
> >> só que o lance é que eu acho que a apropriação tá vindo do espaço e não
> >> do
> >> veículo sabe. Se o meio é a mensagem, a mensagem tá com muito
> >> ruído,...
> >> tá,..., tá complicado, mas tá indo. - Mas é uma sala dentro dum prédio?
> >> -
> >> É uma sala dentro de um prédio, que é um prédio do DCE, que tem um bar
> >> em
> >> baixo..(jkfhg) é problemático, assim, pra rádio é ótimo, mas é
> >> problemático ter uma bar em baixo porque a galera, sabe , ainda mais
> >> porque trancaram a sala do DCE, então acabou com o espaço da galera
> >> ficar
> >> tranquilo, ficar tomando uma, fumando um entendeu e essa galera toda se
> >> incorporou à rádio pra usar a sala assim, não todo mundo óbvio, tem
> >> muita
> >> gente que faz progamação programas sérios e tal, mas isso acabou sendo
> >> um
> >> problema a rádio ficou sem,.., porque esse lance de auto gestão também é
> >> complicado. - Como que é o acesso à rádio? - As pessoas têm chave. Cada
> >> pessoa tem chave. A chave trocou, a chave da, da sala da Interferência.
> >> A
> >> chave do prédio, poucas pessoas têm. eu tenho uma, outro cara tem outra,
> >> e
> >> só também.(jsdhg) Agora nas férias por exemplo tinha que ter uma pessoa
> >> indo abrindo, tipo assim abre duas horas (kfg) fecha, não sei que,..,
> >> por
> >> causa desse bar, entendeu, porque já deixaram nego trancado lá em cima e
> >> nego bebeu todas as cerv