
Foi inaugurado um blog sobre o intercâmbio Brasil e Argentina, logo após as 7as Jornadas Regionais de Software Livre de Córdoba. Confira em http://brasilargentina.wordpress.com.
Há também um vídeo sobre o encontro disponível em http://midiatatica.org/contratv/tv/7jslc.ogg
Relatos sobre a viagem para a croácia do Djahjah e Tatiana Gouveia de Agosto a Novembro de 2007
A parte bacana da participação em Karlovac, foi fazer essa festa/celebração/performance na rua, no centro histórico de Karlovac. Botamos o alvo do ACM e os dardos na roda, vendinha de havaianas e cigarro de palha, tocamos o hino do Brasil e da Croácia ao contrário (com a presença do Sonzeira-Gerador de Som Estranho), e terminamos com o abraço histórico, e a troca de CDs e DVDs de mídias livres e pirateadas entre os representantes dos dois países.
Abaixo o convite oficial:
Its better that Toninho Molvadeza (Evil Tony) died than me
International team of free media and free culture artivists (and those who don't know who they are but don't care much) will celebrate end of right wing orientated Brasilian politician Antonio Carlos Peixotoa (better known as ACM or Evil Tony) rule. By celebrating his death we are making a base for new era of collaboration in free media and free culture between Croatia and Brasil. During 80's ACM gave media frequencies (both TV and radio) to narrow group of rich and powerful friends and familly which resulted in centralized media production and ended up with today's media picture of Brasil led by 7 families. ACM has been lying in the hospital for 3 months before his death. In Brasil word is that it was this long because nether god or devil wanted to take him, reflecting the national feeling for this politician. During international celebration, from 24th to 27th of August, people from Poland, Brasil and Croatia will held different activities such as artistic actions, games and entertainment, free media collaborations, workshops, etc. Games and entertainment Dart games – hit Evil Tonys nose and score a free song on free radio. Creative workshops for kids Draw a donkey ears (or whatever you want) on Evil Tonys head. Party time 'Brasil<>Croatia' – wild DJs playing national anthems in all directions (forward and reverse). New technology workshops Circuit bending workshops and playing with star of the party – RobyDRobot. DJ RobyDRobot will play cellular machine hits that will hit charts next year. High culture Ceremonial exchange in pirated versions of CDs and DVDs between Brasilian and Croatian cultural communities representatives under working title 'Pirates are Cool'. Performance: During 2006. Brasilian gene was implanted in polish person. During NG '07 a transitions in persons behaviour and organism will be observed, as well as her communication with local population. Special focus will be focused on biological functions such as way of consumption of food or sexual appetites. Also a cultural changes will be observed, a need to dance, to listen music and so on. Sequences of this observations will be streamed over video to Brasil and Poland. This work will by help of new technologies and advanced science make a research on possibilities how can genes mixing be used as a way to stop world round right wing and nationalistic trends.Tudo começou com um email sobre uma rede de webrádios do Kruno para uma lista de rádio do indymedia, ao qual o chico da rádio muda viu, entrou em contato, e a partir daí se iniciou a idéia de um intercâmbio entre brasil e croácia levada a frente pelo Kruno. Desde lá e acho que fazem dois anos, já foram feitas diversas expedições de reconhecimento. Já vieram por essas bandas Ricardo Ruiz,Tatiana Wells, Chico Caminati, Thiago Novaes e Alexandre Freire, estes dois a poucos meses pela ocasisão do Icommons em Dubrovinik, o que possibilitou sua participação na Rádio Livre Viajante (Putujući slobodni radio), que consiste na instalação de rádios com um transmissor de baixa potência (1 Watt com um amplificador de 15 Watts) em diversos festivais que acontecem na Croácia nessas épocas mais quentes. (Veja o relato de Alexandre Freire nesse blog em inglês ou aqui em português)
Com uma carta convite da ONG/CNPJ, UKE, que o Kruno tem, conseguimos, Giuliano Bonorandi e Tatiana Gouveia, o apoio do Ministério da Cultura brasileiro através do Edital de Intercâmbio e Difusão Cultural meio que de surpresa.No plano de viagem, a participação em mais dois festivais com a Rádio Livre Viajante em Zadar e Karlovac, uma rápida passagem nos arredores de Pula, na região da Ìstria e uma semana de pesquisas com software livre em Krizveci. E acima de tudo, conversas, muitas conversas, e a tentativa de de se conhecer melhor cultura e realidade umas dos outros.

O principal interlocutor dessa conversa do lado croata é o Kruno Jost, que ao mesmo tempo é o mais empolgado com as possibilidades. Já fez duas viagens ao Brasil, a última com sua consorte Tanja (que na verdade se lê Tânia) e da qual fez este blog aonde se pode ler, em inglês, suas impressões sobre pessoas, cidades e grupos que trabalham com mídia livre, software livre, conhecimento compartilhado, e essas esperanças dos nossos tempos. A despeito da irregularidades e diferenças desses grupos no Brasil, tudo lhe parece muito frutífero, já que aqui na Croácia, tudo isso é muito pequeno e isolado. Pois ele é um dos que tenta conectar diversas pessoas envolvidas em movimentos artísticos, software livre, rádio livre, conhecimento aberto, etc. e tal, participando de algumas iniciativas:
MMKamp => O festival que este ano se converteu na Rádio Livre Viajante. "MMKamp é um projeto internacional de 'residência artística' baseado na colaborção entre organizações sem fim lucrativo, artistas,ativistas de mídia tática, e aqueles que não sabem ainda o que são e não se importam. O conceito do MMkamp é um laboratório de arte e de novas mídias, uma plataforma de pesquisa, experimentações com novas mídias e de desenvolvimento de novas formas artísticas e de comunicação."
GentleJunk.com => "o coletivo gentlejunk é uma plataforma colaborativapara artistas multimídia que oferece possibilidades de experimentações como multimídia, novas mídias e design. Colaborar em imaginação artística ou não, trabalhar em conjunto, compartilhar ideías e inventar conceitos, desconstruir e reconstruir." "Gentlejunk também é uma NetLabel. aberta para artesões sonoros e músicos interessados em uma criação doce e inivadora, no som em sua essência, experimetnação, inovação, barulho, drone... A maioria dos albúns lançados não estão rigidamente no campo da música da melodia e harmonia, mas estão mais abertos para o contar de histórias e para a experiência psicodélica do som puro e às vezes áspero que reflete o estado íntimo do ser"
Free Radio StanicaMIR => "FREE RADIO: STANICA MIR é uma rede informal de webrádios constituída de índividuos e organizações. Através do programa de rádio Stanica Mir, usando softwares de código aberto e através do compartilhamento do conhecimento e da colaboração internacional com outras rádios livres. Trabalha no sentido de expandir o espaço de mídia livre não comercial, a ação criativa e o ativismo"
Mais do que tudo, e como tudo deveria ser, esse intercâmbio é pra juntar a galera (we gonna put it togheter), it's all about connectining people. E com o slogan de uma grande fabricante de celulares, se produz uma bela descrição para o nosso desbravamento: Rakija, Connecting People. Rakija é a cachaça local, que pode ser feita de uva,figo ou pessêgo e se lê "Ráquia". Ou seja, como em qualquer lugar do mundo, as melhores conversas e os melhores intercâmbios acontecem nos bares.
Tentar acabar ou pelo menos desconstruir as fronteiras nacionais, com canetas, marretas e microfones.
Após a semana de estudos em eletrônica e circuit bending, fomos participar do festival chamado Nepokoreni Grad, que quer dizer cidade não conquistada. Eles pretendem fazer um festival paralelo e alternativo ao da cerveja Karlovacko que realiza tipo um Skol Beats que fica lotado da plaibozada croata (eles estão em todo lugar) com atrações populares. Bem ficamos em um prédio que é cheio de ONGs, e a ONG que organiza esse festival é uma delas. A cena de diversos festivais que acontecem na Croácia patrocinados pela Ministério da Cultura de lá, e que no primeiro momento é bem empolgante, revelou poder ser bem artificial. Como dito, é impressionante a quantidade de festivais que conseguem grana por lá, para coisas não populares, tipo música experimental onde o público são os próprios organizadores (e isso é legal,
porque na verdade é grana pra fazer festa) . Mas para eles era mais importante que estivéssemos no catálogo e que recebecemos a ajuda de custo para constar na prestaçao de contas do que a nossa participação efetiva. E isso rendeu alguns momentos de estresse, pois no final da semana de estudos em eletrônica que você pode ver no pouste abaixo, rolou uma tensão por apresentar um produto nesse festival, apresentar
alguma coisa "consistente". E isso estragou o final da semana que estava produtiva e divertida. E no final, nem valeu, porque os caras cagaram pra gente, e valia mais a pena ter continuado a pesquisa lá, como um laboratório aberto. Mas isso também levantou questões de como o onguismo (que teve um boom após a queda do comunismo por lá) e a busca por financiamentos governamentais e suas justificativas (os produtos artísticos) podem esvaziar processos e burocratizar relações em uma produção que pode ser coletiva. O perigo de cair nas teias da burocracia e ficar refém de financiamentos e planilhas eletrônicas, e deixar pra trás aquilo que a gente quer fazer realmente, integrar processos, produzir novas relações, destrinchar pensamentos. Em conversa com o Kruno depois, discutimos muito isso, porque ele percebeu bem nesse festival esse sistema funcionando.
E ele faz parte disso. Mas identifica isso, e é um passo inicial pra ser crítico e criativo com essa situação. Questionamento válido pra Descentro e outras ONGs e Associações aonde tem galera que tá correndo atrás de fazer projetos por aí.
Mas emfim, em Karlovac, apesar de ter sido decepcionante nesse sentido, foi legal, pois montamos mais uma rádio no telhado, e fizemos uma festa para celebrar a morte do Toninho Malvadeza. Aquela coisa nossa com direito a muanba e hino ao reverso, troca de Cds Piratas. Tudo no pouste acima.
No final, também rolou uma reunião do Stanica MIR, a rede de web rádios de lá, eles estavam debatendo como melhor esquematizar o estrimingue deles (que tem só um ponto de montagem, que é usado por várias pessoas de diferentes cidades) com um softiuere chamado CampCaster. Vale uma estudada por aqui, pode ser interessante pra rede de rádios livres, pra trocar conteúdo.
Lá também, fizemos boas entrevistas com organizadores desse festival, e pessoas da Stanica MIR e de outras ONGs presentes.
Impressionante, como se vai pro outro lado do mundo, com outras histórias, outras culturas, outros hábitos, e na TV, nos jornais, nos supermercados se encontra as mesmas marcas de refrigerante e pasta de dente, os mesmos filmes americanos, os mesmos tipo de programas de TV, os mesmos tipo de notícia, as mesmas caras de babaca dos âncoras de telejornais, os mesmos big brothers, mesmas fofocas, a mesma diagramação. Depois vou colocar aqui um trecho de alguns canais de TV.
Com buracos feitos sob medida nessa praia de ladrilho, o movimento do mar porduz uma pressão atmosférica que através dos oríficios que saem do chão, se ouve uma variação de notas e timbres muito bonita. É um PD natural Muita gente fica a noite, quando o sol é mais fraco, ouvindo o ruído que sai do chão e fica mais alto e nervoso quando um barco passa perto.
Gravamos alguns trechos :
A Croácia é um país muito doido, como todos os os países devem ser, já que todos são linhas abstratas reafirmadas por línguas nem sempre tão iguais,pelos governos que precisam de legitimidade, e pelas empresas de comunicação que precisam de concessões públicas para funcionarem. Aqui na Croácia não é diferente. No entanto, imagine-se um terrotório que a mais de 900 anos já foi território turco-otomano, austro-húngaro, iuguslavo e agora, a pouco mais de uma década, é um estado moderno independente pela primeira vez. E aí vendo esse território que da Primeira Guerra até os anos 90 era chamado de Iuguslávia, A Eslávia do Sul, e depois passou por uma guerra violenta que o dividiu em diversos territórios, tudo em nome de nações, etnias e religiões de um povo todo muito parecido, se pode pensar na situação do Brasil, em como um territorio diversas vezes maior pode ser tão unificado em torno de um ideal de nacionalidade. Nos perguntaram por aqui: "quantos porcento dos brasileiros se consideram brasileiros?" Pergunta estranha pra um brasileiro. Mas a situação croata e dos outros países dos balcãs de uma explosão repentina de um nacionalismo latente (Tito conseguiu abafar esse nacionalismo, após a sua morte todo o divisionismo acumulado resultou na guerra) nos fez pensar como é estranha essa coisa de ter um país, de acreditar numa linha que nem existe, num hino militar e ufanista, e ainda mais no Brasil com todas as suas culturas e diversidades. Enxergar outros países é bom pra desconstruir o seu.
Outra desconstrução possível é a do sistema econômico e político. Tito fez na Iuguslávia um comunismo diferente do soviético. Não alinhado, recebia apoio financeiro de ambos os lados da Guerra Fria, só pra não escolher nenhum dos lados. Apesar de ter sido também um regime repressor e violento, a população tinha liberdade de transitar pra outros países do oeste,e, como exemplo, podiam ver tanto filmes americanos quanto russos (situação única no mundo, eu acho). Com a guerra (apoiada pelo ocidente) e a separação, o capitalismo de consumo se instalou rapidamente, com muito capital da união européia. Essa situação trouxe um contraste muito grande entre o antes e o depois. Muitos carros de luxo, diversas lojas de marcas internacionais, um supermercado chamado KONZUM ( que quer dizer "consuma") e maioria da população endividada com os bancos que oferecem crédito farto. Dos países da Iuguslávia, Croácia e Eslovênia são os mais prospéros (da pra ver pelo mapa, na quantidade de estradas de duas pistas que tem o país). E a Croácia teve muito investimento porque é uma país muito turístico, com um litoral muito bonito. Emfim, a guerra além de dar lucro pros fabricantes de arma, deu dinheiro pra muito mais gente. Mas aonde quero chegar, é que essa situação de mudança drástica de modos de consumo, também é proveitosa pra desnaturalizar a cultura de consumo extremo que se espalhou pelo mundo e que no Brasil é bem desenvolvida e naturalizada no intervalo da novela. Caminhos para possíveis desenvolvimentos desse intercâmbio.
Por aqui tem gente que tem saudade da Iuguslávia quando as pessoas eram menos individualistas, dizem, e não existiam mendigos (Tem um livro que é uma linha do tempo da Ioguslávia com os acontecimentos culturais e personagens, num clima nostálgico). Tem gente que odeia o Tito, era um comunista sujo, matou duzentos mil. Tem muita gente que odeia os sérvios e bósnios porque mataram algum conhecido ou parente (principalmente nas cidades fronteiriças com a sérvia e a bósnia, se sente um naciolismo muito mais forte). Tem muita gente que não liga pra isso, e isso é bem bacana, e vai a praia com sérvios e eslovenos. Tem festival de banda punk da ex-iuguslávia. Tem gente que acha tanto antes como agora muito ruim, e não suporta os supermercados nem a nostalgia do Tito.
É sobre tudo isso que queremos fazer nosso documentário das 20 horas de entrvistas e imagens que fizemos na Croácia.
Indo embora e sabendo que esse intercâmbio deve continuar com outras pessoas, a sugestão é caminhar por essas linhas: Nacionalismo e a Cultura de Consumo. E que o Brasil e a Croácia, um país ajude a desconstruir o outro.
Entre as participações nos estivais em Zadar e Karlovac, ficamos uma semana em Kirzevci, uma cidade muito pequena a uma hora da capital Zagreb. Com a presença da amiga Anna, polonesa brasileira e integrante do Ipê, e Lesh, um hacker que nos trouxe um robô feito de furadeiras, passamos uma semana abrindo velhas tralhas eletrônicas, tentando tirar som de circuitos elétricos, construindo esquemas com circuitos integrados do zero (daonde saiu a construção do SonZeira- Gerador de Som Estranho adapatado do site MusicFromOuterSpace).
Foi uma semana muito bacana de experimentações e aprendizados, só que no final, pressionados pela participação no Festival Nepkoreni Grad em Karlovac, tivemos que apressar a formulação de um produto para fazer uma "performance": Uma caixa chamada "Kriszevci SOund Band" uma idéia ótima mas que foi feita as pressas, e a festa Toninho Malvadeza Morreu, antes ele do que eu".
O ideal seria levar o lab que tínhamos montado para o festival e continuar as pesquisas e afins, mas a fetichização do produto e da obra arte nos levou a esse caminho tortuoso do mundo dos artistas onde tudo é superficial e sem sentido como aconteceu no Nepokoreni Grad. Vou falar mais sobre isso em outro post sobre a quantidade de festivais financiados pelo governo e da profissionalização.
Mas de qualquer maneira, foi uma semana bacana e proveitosa. ALgumas fotos aqui, e o som da "Sinfonia nº1 - dos atentados terroristas e dos financiamentos estatais" feito com o "Sonzeira-Gerador de SOm eSTRANho" e publicado no site Rádio Janela e que tambémpode ser escutado aqui:
Nossa primeira atividade foi em um festival de teatro comteporâneo chamado Zadar Snova, no litoral croata na região da Dálmacia. A região agora no verão é lotada de turistas, e por isso muito cara em relação ao resto da Croácia. Desde o final da Guerra o turismo tem sido uma das principais fontes de renda para o país, e Zadar é uma das principais cidades turísticas do país. Uma cidade que já foi romana, reconstruída pelos católicos usando as ruínas romanas, foi um dos principais alvos na guerra dos balcãs e ficou completamente destruída. Mas com turismo, cresceu bastantem e hoje é a quinta maior cidade croata com 75.000 habitantes(!! Zagreb a capital tem um milhão e o país todo 4 milhoes). Uma cidade linda, um pouco estragada pelas lojas de grife em busca dos dinheiro dos gringos da união européia.


O festival acontece desde de 97, logo depois da guerra, e é uma tentativa de mexer um pouco com a cultura, buscar novas interações, incentivar a criatividade no campo do teatro e da dança. Segundo seu fundador a idéia é criar uma tensão na cidade,uma tensão, circulação de pessoas, que gere novas possibilidades. Muito interessante ver que na Croácia acontecem vários desses festivais de cinema, de teatro, de música experimental, arte conteporânea, novas mídias. A cultura existia antes no socialismo de Tito, mas era toda organizada pelo Estado. Depois da guerra, sugiram muitas ONG's que organizam esses festivais e o governo federal e locais são os maiores financiadores. E como é uma país pequeno muitas pessoas desses festivais se conhecem e se encontramm fazem intercâmbios. Foi o que aconteceu nesse festival. Kruno foi chamado para montar uma rádio, dentro do itinerário da Rádio Livre Viajante.
E um pessoal de um festival de curtas de Tabor, um castelo, perto da Eslovênia, fizeram a mostra de filmes que acontecia no final do dia. E todos os dias aconteciam peças de teatro e dança conteporânea em prédios e igrejas antigas.


Bem, montamos a rádio, a Festivalski Radiom, em um estudio improvisado dentro do QG do festival, transmitindo em 99.8, com alguns problemas na antena, e por streaming. Subimos a antena com a grua de obra que acontecia em frente ao estúdio. Rolaram várias participações de amigos da Croácia, Brasil e Argentina, mandando músicas, poemas, textos, fazendo stremings de outros lugares. Gravamos o áudio de peças, apresentações, sons e ruídos da cidade, tocamos os hinos do Brasil e Croácia juntos ao contrário, foi muito bacana!
Fizemos entrevistas em vídeo com o organizador do festival de curtas de Tabor, Ivo Gima, e com organizador do Zadar Snova, Christian. Um estadia muito proveitosa.
Algumas expressões em croata típicas da dálmacia: "Pomalo, Pomalo" = tranquilo, tranquilo e "Nema Problema"= Sem Problema....
Ouça uma parte da transmissão aqui embaixo!

Quando o papo começou, não pensava em ir a Croácia, tinha pedido uma bolsa do iCommons mas achava que outras pessoas deveriam ir, eu tinha outras prioridades, um mestrado pra acabar. E o iSummit no rio tinha mostrado sua cara: é open show business, e tudo bem.
Mas ai o Kruno colou em Salvador, me identifiquei com aquele "gentle junk". Gringo, grande, loiro, foi até assaltado por ser diferente. Mas dos muitos gringos que colaram ai ele é o mais parecido conosco. No dia seguinte também fui assaltado, moleque no calçadão arrancou a correntinha que minha vó me deu quando nasci do pescoço. Ha, também sou gringo no meu próprio pais. Alias, uma das coisas que ele mais comentou do Upgrade foi o fato que nós ficávamos tirando uns aos outros: "paulista", "baiano", não são todos brasileiros?
Me identifiquei com esse estranho artista, morador do mundo, estudou nos EUA e Amsterdam, morou em Barcelona onde trampou como fotografo de um clube de golfe.
E ai ele veio com a proposta. Se conseguíssemos ir para a Croácia no iSummit, ele tentaria agitar o MMKamp 07 para que alguns continuassem por mais tempo e dessem um rolê pelo país, residência de trabalho, um tour, a rádio livre viajante.
Fizemos então o primeiro plano, megalomaníaco como sempre. Iríamos todos, 9 pessoas: o Media Sana, Djahjah, FF, 9s, eu, machado, tati...
Ai fomos atrás de viabilizar. A organização do iCommons se mostrou completamente confusa. Não poderiam bancar tanta gente, mas e ai? ff e 9s vão estar pela Europa, sai mais barato, não rola mesmo?
"Não, só podemos levar um de vocês, escolhemos o ff."
Mas ff vai estar na Alemanha! Não rola de bancar ele de outra maneira e transferir a passagem Brasil<->Croácia pra outra pessoa?
"Rola, quem vcs querem mandar?"
Trabalhamos na proposta coletivamente, evoluímos o plano de maneira colaborativa, propomos que o machado fosse no lugar de ff.
Mas não, eles respondem que transferiram a bolsa pra mim.
Certo. Não adianta querer trabalhar junto com essa galera. Sonhei que estava na Croácia, criando o caos enquanto eles bebiam champanhe... Eu, 9s e kruno, montando rádio no teto. Decidi, vou sim, vamos ver no que dá.
Kruno foi atrás de grana pra bancar mais gente, 9s vindo da Grécia, ok. e o ff se pá rola de trazer. o iCommons diz que rola! era só 300 euros afinal.
Alguns dias depois mais surpresa, descobrimos que nosso workshop foi limado da programação oficial...
"Pensamos que vocês tinham desistido, será que não dá pra fazer como "Birds of a Feather"? Ah é, tem outra coisa, a grana que ia pro ff foi pra outra pessoa. mal aí."
Certo. Vamos mesmo assim.
Aprendi um pouco sobre a Hrvatska na Wikipedia. Foda ser um pais novo, apenas 10 anos desde a última guerra. Essa geração nasceu na Iugoslávia e depois mudou de pais e sistema político. O socialismo se vai e a sociedade do consumo se instala. Mas continuam no mesmo lugar. Eu tava curioso, como será a percepção de mundo dessas pessoas depois de tamanha mudança?
Chegando lá, tudo novo. Estruturas velhas abandonadas e tudo sendo reconstruído. Língua estranhíssima. Palavras sem nenhuma vogal. Só no último dia aprendi que você precisa pronunciar toda e cada letra individualmente...
Dirigimos de Zagreb até Dubrovnik. Mais de 10 horas na estrada. Uma grande highway novinha em folha, com alemães passando a milhão em seus BMWs. e isso que eu tava a 140km/h.... Paramos para comer um peixe numa cidadezinha típica, o mais legal foi a loja de pinga, uma velhinha na frente de vários barris onde a rakija é envelhecida com ervas. Ela recomenda um passeio de barco de algum parente seu. É assim por todo lado, precisa de algo? vai lá no restaurante do meu sobrinho, ou pega o barco do meu tio...
Chegamos em Dubrovnik à uma da manhã. Kruno me deixa no hotel bancado pelo iSummit. No caminho 3 coisas curiosas. A primeira é ter que atravessar a Bósnia e Hercegovina. Uma faixa de uns 15 km é o único acesso do país ao mar. A outra é reparar que nos postos não tem frentista, e na estrada existem robôs para sinalizar trechos em obra, que sincronizam um semáforo para que os carros passem na única pista disponível. Aqui no Brasil é mais barato colocar pessoas trabalhando no lugar dos robôs, e o frentista no posto também precisa de emprego.
Na Croácia isso não existe. É muito louco estar num país onde é tudo classe média. Desigualdade social quase não existe. E emprego tem pra quem procura, o país afinal está em estado de reconstrução. Até mesmo as estradas são fresquinhas. Afinal, agora que todo mundo compra carro, precisa de estrada pra circular, e depois que o fantasma da guerra sumiu, os turistas estão voltando a freqüentar as belíssimas praias do litoral Croata. O turismo é atualmente uma das principais fontes de renda pra região.
Essa é outra coisa maluca de ver, estruturas socialistas abandonadas. Aqui era o quartel militar, ali era a cantina socialista, acolá era o lugar onde os mineradores pegavam suas lanternas e tomavam banho. Você ainda vê "Tito" escrito pelas cidades, até na estrada vimos um grande Tito na montanha, lá no alto...
Esses espaços ou foram ocupados (a galera invade e depois legaliza a ocupação com o governo local, que banca as contas de água, luz, faxina e segurança) ou estão abandonados. E ainda tem muito espaço. É estranho isso, espaço sobrando pra galera e o governo que topa bancar parte da ocupação se você se comprometer a reformar e cuidar do lugar. Depois a máfia faz pressão pra que a prefeitura venda os lugares reformados pra transformar em Cassinos pros turistas. Mas a galera resiste e contratos de 20 anos de posse ajudam...
O país está bem, aparentemente tem grana entrando, lobby da União Européia, na promessa de virar país membro tem muita gente querendo agradar. Kruno diz que o melhor seria prolongar essa situação. Ele acha que quando virar UE a torneira vai fechar. Além disso tem umas coisas estranhas, tipo assim que virar UE a Croácia não vai mais poder plantar olivas nem fazer azeite, pq Portugal e Grécia tem prioridade nesse mercado. Os caras que fazem lingüiças típicas também não vão poder mais, pq vai precisar de uma marca regulamentada e patenteada, ai só uma nova empresa que vai poder fazer a tal lingüiça típica da região... imagina?
De qualquer forma o momento é oportuno, virar projetos com ONGs e grupos tem rolado, o MMKamp 07 foi bancado com fundos vindos de uma outra ONG que se chama Klubture e promove intercâmbios entre diferentes organizações. Eles bancaram as passagens do 9s, a gasolina e os pedágios das viagens do tour, hospedagem e duas diárias que rachamos entre (na média) as 4 pessoas que estavam no tour para bancar a janta.
Além do turismo e da União Européia a Croácia também ganha dinheiro exportando o próprio país. É tudo pedra, pedra da boa, e eles tem fábricas de pedra que vão cortando montanhas e mandam tudo de barco pra montar casas em outros países. Ver a fábrica de pedra do lado de meia montanha é realmente estranho.
E tem o lance do consumismo. Todo mundo classe média, com crédito, carro do ano e máquina de lavar. A principal rede de supermercados se chama Konzum e parece que o pessoal amou a transição pro capitalismo, poder consumir várias marcas de pasta de dente, que maravilha! Triste ver que por mais que existam muitos espaços legais e oportunidades de troca excelentes o pessoal mais engajado não se mistura tanto. São hackers de um lado, artistas do outro, ativistas pra lá. Cada grupo com a sua infra, a sua salinha ocupada, condição de trabalhar e continuar fazendo o que quiser. Por isso talvez não trocam entre si? A infra está ali, a condição também, não existe a necessidade de juntar forças pra sobreviver.
Será que aqui no Brasil nos misturamos pq está todo mundo fudido e o único jeito de avançar é colaborar? ralar junto? Da adversidade vem a criatividade? Da falta surge a solução? a gambiarra? andei pensando muito sobre isso. Queremos espaço e infra e condição de trampar. mas será que se tivéssemos isso tudo iríamos nos acomodar cada panelinha no seu canto?
De qualquer forma, eles fazem um trabalho muito legal. O Hacklab Monteparadiso em Pula por exemplo existe a 15 anos, fez projeto de wifi na cidade, montou telecentro, tem até uma net label que prensou LPs de bandas punks. Mas está parando suas atividades pq desde que não pode vender mais cerveja no seu clube as pessoas pararam de freqüentar (entre outras coisas claro). Estão tristes pq ninguém participa mais. Os jovens não se interessam. Estão perdidos na MTV....
Brincamos de chamar o projeto de intercâmbio Brasil<->Croátia de guerra, promover uma invasão brasileira. Mas guerra não tem graça. A naturalidade como eles falam de guerra aqui é até assustadora, a última guerra, a penúltima guerra, como se todos esperassem a próxima guerra. Num papo com o Kruno ele diz: "passar pela guerra te mostra como o sistema todo está torto, que a realidade que te vendem é surreal".
Melhor seria chamar o intercâmbio de Paz, promover o amor através da diversidade. Novaes pontuou bem: o importante é saber distinguir entre o confronto e a provocação. O confronto dá em guerra, a provocação ajuda a evoluir, ilumina o caminho e abre novas perspectivas.
E tem muita coisa pra amar na Croácia. O respeito com o ambiente é notável, parece que grande parte da floresta que tinha se foi em incêndios passados. Mas hoje em dia eles fazem pontes para ursos em cima das highways (imagina a estrada cortando um parque, os ursos precisam atravessar, dai surge a ponte). Energia renovável e limpa em todo lugar. parece que é bem barato montar esquemas solares e eólicos. Na estrada vc vê cata-ventos e placas solares por toda a parte. E aqui fazem os melhores barcos do mundo. A cultura do mar taí, metade do país é litoral. Praias lindas alias, de pedra, água calma e completamente transparente.
Mas estou divagando e quase esquecendo de falar do tour. Da primeira cidade Dubrovnik, vale falar que o time de polo aquático é um dos melhores do mundo e as pessoas que moram lá tem orgulho dos 750 anos de história nos quais a cidade foi uma república autonoma. Em uma das muralhas de lá está escrito em latim: "Não venda sua liberdade nem por todo ouro do mundo."
Ali fiquei mais tempo, quase uma semana, rolou o Summit do iCommons, o nosso birds of a feather com apenas 2 participantes, e a rádio, que apavorou, onde rolou a melhor festa do evento. Até a Heater veio me falar: nossa, vocês sempre fazem as coisas mais legais do iSummit! será que eles lembram disso quando pedirmos passagem pra galera colar no Japão ano que vem?
Acho que uma das coisas mais importantes que rolaram foi montar o camelôdromo. No começo eu estava bem cético quanto a parada, mas tinha 15 havaianas e 6 garrafas de pinga na mala. Foi o Ruiz que me convenceu: "tá no teu sangue, é pra sobreviver". E foi. Com a grana que fizemos consegui contribuir pro orçamento do MMKamp e no final só tive que trocar 75 euros pra ficar na Croácia 3 semanas... Recomendo como técnica de sustentabilidade pra todo mundo que precisa de ajuda pra ir nesse tipo de viagem. Rola mesmo de se bancar com o comércio informal. Pinga vendeu melhor que havaiana, e por incrível que pareça vendi mais rápido os pares de havaianas pra homems. E o mais incrível, com a parada do câmbio-flutuante e só aceitar real, foi que teve gente que comprou real e não queria trocar por mercadoria, qual o real valor do real? Tem gente que compra dinheiro pra ficar com dinheiro....
Depois partimos pro tour, 2 dias e meio em cada cidade, mmkamp 07, putujuci slobodni radio (rádio livre viajante). Parceria envolvendo diversos coletivos, stanicaMIR, gentlejunk, estudiolivre, radiolivre, descentro, metareciclagem. Personificados na maior parte do tempo por mim e pelo Kruno. Curti mesmo foi fazer os intercâmbios de programas de rádio. Valeu Balbino, Mexicano e Cris por assumirem a programação e a rádio-frequência na Croácia. O pessoal lá pirou na idéia.
Em Zadar depois de uma noite de pinga perdemos a chave do carro. Faz parte, no final a oficina atrasou mas rolou, e tivemos tempo pra filosofar bastante sobre as barreiras que o universo coloca no seu caminho.
Em Rijeka 3 pessoas apareceram na oficina, montamos a rádio que pegava em metade da cidade (a antena ficou na janela) e o pessoal passou o dia seguinte se divertindo, tocando música e fazendo entrevistas. No final do dia fomos a uma peça e a surpresa, os caras tavam usando a metodologia do teatro do oprimido. é o brasil em todo canto mesmo...
Em Labin os 4 anarco-punks que iam assistir a oficina não apareceram, triste ver um mega espaço como a Lamparna meio vazio, meio desocupado. Toda aquela infra ali, sub-utilizada. Aproveitamos pra ir pra um vilarejo, Rakalj, onde fizemos a oficina com o Igor e sua esposa holandesa e o Zoram e a Sandra. Todos estão construindo suas casas, então pude trocar muitas idéias, já planejamos um intercâmbio de mangas por azeite de oliva. A Sandra quer montar um jardim de borboletas, e o Zoram acha que o melhor de ter a própria casa vai ser montar um camping nudista. Bebemos bastante cerveja (pivo) sempre meio quente e fizemos um churrasco. Depois rolou pic-nique na praia. Uma delicia. Alias em todas as praias rola gente fazendo nudismo. Acho legal a naturalidade com que se encara o corpo pelado. Até quem não faz nudismo quando chega na praia fica peladão pra se trocar. Tira a roupa, bota o shorts, mergulha, tira o shorts, bota a roupa, vai embora. Bem natural.
Em Pula fizemos a melhor oficina. A galera do hacklab é muito ponta firme. Novaes chegou e montamos o transmissor dos caras mesmo, com direito a 38 metros de cabo de antena, feito na hora, pra alcançar a cidade toda. A ocupa lá é incrível. tem hacklab, telecentro, auditório com projetor, escritório, banheiro, vestiário, dormitório e até uma balada com bar. E o melhor é que a prefeitura paga a água, a luz, a segurança e a faxina!
Última parada foi Karlovac, eu e kruno já bem cansados, mas rolou oficina mesmo pra uma pessoa! A cidade é bem tranqüila e o ritmo foi ótimo pra conversar sobre novas perspectivas.
O futuro do intercâmbio está se formando. Achamos que é importante as pessoas passarem um tempo. ter a oportunidade de se conhecer de verdade, de trabalhar juntos mais a fundo. Pensamos num modelo: reciclar um barco, um barco grande, pra umas 70 pessoas, e nele montar uma universidade pirata navegante. Só montar o barco já é um trampo e uma pesquisa foda. Depois navegar com ele vai ser lindo. Atravessar o oceano atlântico. Um novo descobrimento...
Sei que já escrevi demais, poucos vão chegar até o final. Mas se você conseguiu ler até aqui vamos conversar. Queremos um barco pra fazer a paz, é sério.
http://efeefe.no-ip.org/blog/sistemas-de-aprendizado
Considering that technology increasingly provides for more communication channels and makes alternative learning processes feasible (e.g.; change of the hypodermic paradigm, a wider scope of interlocutors) the McLuhanistic comprehension of the medium itself (technology) becomes inconsistent with the transmission processes of the knowledge present in communities that are the basis of Brazilian culture, since the first one removes from the individual the maximum importance of the knowledge-resistance process.
The only way for the practices of the original African communities during the Brazilian colonization period to survive was the oral passing-on of this knowledge. In those times, ‘white’ men did not invite Africans to build a Brazilian nation together. They uprooted Africans and forced them to undertake a trans-Atlantic journey of the most inhuman conditions, heading for an imprisoned life of violence.
Without being able to register/document their history through objects and other types of tangible evidences, African traditions were conveyed orally within their houses and families. Because of that they could later resume these traditional practices (the “cults”), transformed through contacts with other African groups in Brazil, with which they did not have such direct communication back in Africa. This cultural and religious hybridism provided for the growth of diverse cults. The means to communicate however remained the same – oral.
The documentation of the Afro-Brazilian religions has been rejected as a learning process. The meeting places for African cults (“terreiros”), the understanding of their deities (nkise) and the comprehension of their family relationships are of crucial importance for the research of Afro-Brazilian rites.
In these religions, deities are ancestors responsible for great feats, representing the characteristics of their people and have the power to mediate relations between the men on earth and the Supreme Being. The beginner/religious novice is the one responsible to learn and teach orally in the common space. When his/her life ends he/she then lives with his/her ancestors, and they relate with their fellows on the earth, transforming the familiar network in a quantic network, in which the ancestors mediate the relationship between humans and the Supreme Being.
Although every family identifies itself as Angola-Congo, Angola Muxicongo, etc.; they have different traditions. While several worship a nkisis/mukixiwhich is not praised by others, some hold parties that are not celebrated by all. However, the essence remains the same: Nzambi Mpungu or Suka Kalunga(one of its various names), who lives at Sanzala Kasembe Diá Nazambi (something like “Enchanted Village of God”), is the Supreme being and creator of all things. When this God was created, so was the Universe and consequently planet Earth, the latter being a result of the energy and creation of theNkisis/Mukixis that appear in different parts of nature and also governs human beings.
" When worshipping the Nkisis/Mukisi (since Nzambi is above any existential form, representation and cult, as it is complete in itself), a human being reaches perfect equilibrium and rises to the level of as a spiritual beginner, until the moment comes when he finally moves to the “Village of Ancestors”, where he remains forever. Fields are lush and herds are plentiful there; ancestors are happy and maintain an exchange with those in the human world. They are respected and called on as mediators between humans and Nzambi, and all domestic religious practices always begin with the invocation of and a tribute to them."
Translated from http://translenza.com.br/orixa/mn_artigoler.php?id=54 ; original in Portuguese.
The development of communication systems caused the expansion of social networks that in earlier times used to preserve their own learning and communication methods. If previously human expression and will were the most important elements of relations, now the environment has become the central element for the learning process. The assimilation of new tools made exchange possible and shortened distances, reconstructing memories now influenced by recollections from others. On one side, post-industrialism can alienate people’s histories from themselves, denying knowledge as a product of human consciousness. On the other hand, in these ancestorial cultures oral discourses, corporal contacts, music, dance and collective rituals are still the main tools for preserving their familiar relations.
Corporal expressions can reveal memories that our brains are not able to fully interpret. Nowadays these corporal memories are often related to the manifestation of pain, which our bodies reveals through their unconscious corporal memories. However, histories of places and people are also reflected in their corporal expressions, which intrinsically carry signs of their descent and social environment, all influences that play an important role in shaping their personalities.
Since these communities favor corporal expressions, the assimilation of different types of knowledge can be problematic. When the main focus becomes the medium (technology) – a means that is heavily influenced by the current power and control systems –, instead of people (images, corporal expressions and orality) their learning process ends up being restrained. Thus adaptation is required, so that these original forms of expression are not suppressed. In this way, the relation with the body is threatened by the frivolous behaviour imposed by the post-industrial society. Corporal relations are considered a sensorial experience that goes beyond touch, hearing and speech. It is also interesting to consider the memory of objects that are highly meaningful. In the meeting places of the cults, the ngoma (atabaque, a type of hand drum) carries the history of all celebrations and rituals it has been played and greeted at.
Most human beings experience their needs as a result of the demands of the industrial or commercial processes. Ancient agricultural methods are being replaced by an infinite number of plastic and paper packages. Electrical energy is produced exclusively at major plants. Nature is depleted, plants are artificially cultivated and commercialized by rich pharmaceutical industries. Human beings themselves are treated and viewed as an insignificant part of an economical process that is conducted by an “invisible hand”.
What we witness today is the end of institutions that were built thousands of years ago. Cultural and social resistance movements impose ancient alternatives for human associations and collective development. Relations based on affection between people replace the notion of family required by Christian values. The monotony of art is substituted by the fertility of collective expressions. The fear of punishment after life disappears when we contemplate the intervention of our ancestors in our destinies. The future is not being built any longer by only a few, but rather celebrated in a present ritual. The body does no longer carry sin; it is instead an integral part of our enormous tactic and quantic universe. Time becomes an actual experience of moments, instead of operating solely within a financial framework. Deities are not cruel and unattainable beings or even former political icons; in fact they are oral expressions of natural and human elements. Once nature is considered divine, fauna, flora and natural substances are then understood as an integral part of our histories, bodies, ancestors and future. Hence these communities, now in contact with new communication technologies, information and forms of social interactions, once more defy the cruel process imposed by the post-industrial society. And show us alternative ways to maintain our practices.
Jose Balbino / Ricardo Ruiz - Summer Collection 2008
=========
Anotações do balcão do Sr. Didi
Num momento onde a tecnologia oferece cada vez mais canais possíveis para a comunicação e viabiliza outros processos de aprendizagem - mudança do paradigma hipodérmico, ampliação dos interlocutorxs – a compreensão mcluhanística dos meios (tecnologia) entra em conflito com os processos de transmissão de conhecimento presentes em comunidades alicerces da cultura brasileira por deslocar do indivíduo a importância máxima do processo de conhecimento-resistência.
O único meio de preservação das práticas das comunidades arrancadas da África ao tempo da escravidão no Brasil foi a transmissão oral desses conhecimentos. Naquele momento, o homem branco não convidava o negro africano a construir uma nação brasileira, mas o destituía de seu cotidiano e propriedade e o submetia à uma viagem em condições absurdas rumo à uma vida de violência e escravidão.
Sem o direito de carregar sua história em objetos ou registros outros, a tradição africana foi transmitida oralmente nas casas dos negros, em suas famílias. Assim foram retomados os cultos, já transformados pelo contato entre etnias que, na África, não mantinham esse mesmo contato direto. O hibridismo cultural e religioso proporcionou o surgimento de cultos diversos, influenciados obviamente pela referência africana (escravos de determinadas regiões cultuavam divindades específicas), mas a prática de transmissão de conhecimento seguia a mesma linha em todas essas expressões - oral.
Nas religiões de matriz africana presentes no Brasil a documentação da tradição por vezes foi rejeitada como instrumento de aprendizado. A vivência no terreiro, o entendimento da divindade (nkise), e a compreensão da relação familiar ainda são os elementos fundamentais de pesquisa e iniciação no rito afro-brasileiro.
Nessas religiões as divindades surgem como ancestrais responsáveis por grandes feitos, e portanto lembrados por representarem a máxima expressão de características de um povo - alcançando o patamar de onde podem intermediar a relação dos homens na terra com o Ser Supremo criador de todas as coisas. O iniciado é justamente aquele responsável por aprender e ensinar, através da expressão oral-cultural no espaço comum. Com o fim da vida do iniciado, o mesmo passa a residir um espaço comum aos ancestrais, e dão continuidade à sua relação com os que na terra ficaram, transformando uma rede familiar numa rede quântica, onde os ancestrais intermediam a relação dos humanos com aquele que é o ser supremo.
"Embora, cada família se identifique como Angola-Congo, Angola Muxicongo, etc., existem tradições diferenciadas. Algumas cultuam um nkisi/mukixi que não é cultuado por outras. Algumas têm festas que não são realizadas por outras, mas a essência é a mesma: Nzambi Mpungu ou Suka Kalunga (um dos seus muitos nomes), que mora na Sanzala Kasembe Diá Nazambi (Aldeia encantada de Deus)/Duilo (céu), é o Deus Supremo e criador de todas as coisas. Quando do seu movimento de expansão e de criação, gerou o universo e conseqüentemente o planeta Terra, que foi gerado pela energia e criação dos Nkisis/Mukixis que se manifestam nas diferentes partes da natureza e também regem a natureza humana. Através do culto aos Nkisi/Mukisi, já que Nzambi está acima de qualquer forma existencial e de qualquer representação e culto, pois é completo em si mesmo, o ser humano consegue o equilíbrio e ascende espiritualmente como iniciado, até que chegue o momento de ir morar nas Aldeias dos Antepassados, onde se mantém vivo. Onde os campos são verdes e os rebanhos fartos. Onde são felizes e mantém o intercâmbio com os mundo dos humanos, que é sua continuidade. Os antepassados, também, são respeitados e invocados como intercessores e intermediários entre os seres humanos e Nzambi. A eles são devidos todo o respeito e toda ação de culto dentro de uma nzo (casa), que deve sempre iniciar com a invocação e homenagens aos antepassados."
extraído de http://translenza.com.br/orixa/mn_artigoler.php?id=54

--
--e as redes promovidas pela industrialização?
-------conflitam com as redes quântico-familiares?
Com a transformação das comunicações foi possível a expansão de redes sociais que, essencialmente, preservavam seus métodos próprios de aprendizado e transmissão do conhecimento. Nesse sentido, o meio acaba por configurar-se como o elemento principal do aprendizado, onde anteriormente figurava a expressão humana e sua vontade como fator de maior importância da relação. A integração de novos instrumentos permitiu o intercâmbio e amenização de distâncias, reconstruindo imaginários agora influenciados por memórias outras. Por um lado, acentua-se a pressão exercida pelo pós-industrialismo em afastar as histórias das pessoas delas mesmas, desterrando o conhecimento como fruto da consciência humana. Por outro, tais culturas ancestrais ainda possuem no discurso oral, no contato corporal, na música, na dança e em rituais coletivos a sua principal maneira de manter as relações quântico-familiares.
--
----e a memória que é carregada nos corpos?
A expressão corporal revela memórias que o cérebro não foi capaz de interpretar completamente. Atualmente a memória corporal é muito relacionada à expressão de traumas, que o corpo revela através de somatizações. No entanto, a história de espaços e pessoas terminam por refletir também em sua expressão corporal que, intrinsecamente carrega reflexos de descendência e influências espaço-temporais para constituição da personalidade.
Partindo da valorização da expressão corpórea da cultura é visível o prejuízo na assimilação intermediada de alguns conhecimentos. A partir de quando a atenção é deslocada da pessoa (imagem, expressão corporal e oralidade) para o meio (tecnologia) - relação incentivada pelos atuais sistemas de poder e controle - o aprendizado termina comprometido e precisa ser adaptado para que não suprima a expressão original do objeto de estudo/aprendizado. Dessa forma, a relação com o corpo arrebenta com os padrões de comportamento impostos pela frívola sociedade pós industrial. A relação corporal, muito mais que suprimida, é tida como parte de uma experiência sensorial que não se limita ao tato, nem à audição ou à fala. Interessante também é observar a memória dos objetos, advinda do valor de sua significação. Nos terreiros de candomblé, os ngoma - atabaques – são tambores que carregam em sua idade a história de todas as celebrações por que ele passou na casa em que existe, sendo também saudados em todos os rituais.
--
----lógica industrial e seus objetos--
naturalmente é imposto à maioria dos seres do planeta o sentimento de que todas as suas necessidades são frutos de um processo industrial ou mercantilista. Processos agrícolas milenares são substituídos por corredores de infinitas embalagens de plástico e papel. Energia eléctrica é mascarada como unicamente produzida em grandes usinas. Plantas são sintetizadas, devastadas e comercializadas em prateleiras de uma milionária indústria farmacêutica. O ser humano é tratado e entendido como uma parte ínfima de um processo econômico movido por uma `mão invisível`.
--
--- Resistência: tem milho, tem pipoca
Hoje, o que se percebe é a falência das instituições tais como construídas há milênios. Movimentos de resistência cultural e social como os demonstrados aqui impõe antigas alternativas de convívio humano e crescimento coletivo. A família tal qual como é imposta pelo cristianismo é alegremente sobreposta por relações de construção de afeto e carinho entre pessoas. A monotonia da Arte é substituída pela riqueza da expressão coletiva. O medo e os castigos do além-vida desaparecem entusiasticamente sob a cortina da celebração e da intervenção de nossos ancestrais em nosso destino. O futuro, ao invés de construído artificialmente pelas mentes de poucos, é celebrado como ritual no presente. O corpo não é tido como catedral do pecado, mas como parte integrante – e ínfima – do enorme universo tátil e quântico que nos cerca. O tempo não transcorre como um relativo de dinheiro, mas sim como o momento da experiência vivida. Divindades não são cruéis, inalcançáveis ou mesmo antigos homenageados políticos; muito ao contrário, são expressões lingüísticas e orais de elementos da natureza e da criatura humana. Uma vez divinos, bens naturais como a fauna, a flora e os minerais que constituem os biomas são respeitados como parte integrante de nossas histórias, de nossos corpos, de nossos ancestrais e, portanto, de nossos futuros. Agora em contato com novas tecnologias de comunicação, informação e convívio, essas culturas se mostram, mais uma vez, resistentes ao cruel processo imposto pela sociedade pós-industrial. E nos apontam rumos para mantermos nossos trabalhos.
José Balbino / Ricardo Ruiz
Coleção Verão 2008
Bricolabs é um intercâmbio colaborativo entre experiências brasileiras, indonésias, britânicas, chinesas, indianas e holandesas nas áreas de apropriação crítica de tecnologia e código livre, explorando interesse mútuo na geração distribuída de ferramentas e conhecimentos em software e hardware. Nós focamos em intercâmbio de conhecimento, desenvolvimento de novos ciclos econômicos e na construção de discurso crítico para as gerações atuais de jovens artistas, designers e cientistas sociais.
A idéia é partir do conhecimento de todos os espaços experimentais que têm a visão conceitual de tirar vantagem de baixa tecnologia e o circuito completo de conteúdo, software e hardware abertos para trabalhar localmente e globalmente não mais como um movimento contra o capital, propriedade intelectual e patentes mas uma ação paralela.
Link Externo
http://bricolabs.net/
---------8<------
O que é?
A Casa Maluca foi inaugurada em novembro de 2005 por Tatiana Wells e Ricardo Ruiz com trabalhos de reciclagem de madeiras de barco e construção para a confecção das portas e janelas, feitas por Eddy Polo com pinturas de Ambrósio Santana, artista potiguar, também responsável por grande parte do jardim e do lago. O espaço busca ser um (des)centro de ações comunitárias voltada à projetos que fortaleçam as articulações entre pessoas e suas comunidades. Baseada nos conceitos de mídia tática e apropriação crítica de tecnologias, a Casa se desdobra atualmente em três projetos-eixos: um cineclube semanal aos domingos, um espaço de aprendizagem onde ocorrem oficinas e atividades locais, assim como as itinerâncias que ocorrem como resultado de projetos enviados. A sede da Casa é na praia de Pipa, no município de Tibau do Sul, Rio Grande do Norte, localizado a 88 km ao sul da capital Natal, Brasil.
![]()
---------8<------
Contexto local
A escolha do lugar se deu por diversos fatores. A região árida do nordeste sempre viveu de seu litoral, da pesca, da agropecuária e da fruticultura. Hoje, o turismo é a principal fonte de renda de todo o NE. Entre as consequências do boom turístico estão a exploração imobiliária (já estão em construcão os primeiros arranha-céus em municípios agregados à Natal), o turismo sexual infanto-juvenil – problema gravíssimo da região – além de uma crescente e descontrolada descaracterização cultural, social e estética das cidades e seus arredores. Atualmente, todo litoral do RN, estado de longa data marcado pela seca, fome e pobreza, é um paraíso tropical empacotado e muito rentável para estrangeiros. Pouquíssimos brasileiros podem hoje chegar ao NE, devido a preços e distâncias. E hoje o capital flutuante estrangeiro já tem um novo filão para explorar: o turismo ecológico.
O vilarejo de Pipa é um quase intocado ecosistema de mangues, falésias, dunas e mata atlântica, distribuído por uma área não maior que 5 km de paradisíaco litoral. A área é usada constantemente por biólogos e interessados em biodiversidade. Em suas praias de águas mornas é possível avistar golfinhos e acompanhar o período de desova de centenárias tartarugas marinhas. Mas em Pipa, a exploração turística não é diferente, pelo contrário. Diariamente chegam ônibus e vans fretadas de Natal com turistas estrangeiros. Desses, aproximadamente 70% são portugueses (hoje existem 2 vôos semanais Lisboa-Natal/Pipa e 1 voo Porto-Natal/Pipa). 80% do novo comércio local (lojas de artesanatos, moda praia, bares e restaurantes) é de propiedade européia. Terrenos, hotelaria e serviços turísticos também. A previsão é de que escandinavos e países baixos sejam os próximos a explorar a região com o início de mais 3 rotas de vôos internacionais. Mas o turismo não é o único fator da ocupação migrante. A posição estratégica do estado moveu para cá militares estadunidenses desde os anos 50. Já a beleza de Pipa também atraiu, durante a década de 70, alguns dos hippies que se espalharam pelo território nacional a fundarem comunidades autônomas. No povoado, esses hippies mesclaram-se com os recém chegados surfistas e a população nativa. O resultado é uma população altamente heterogênea, beirando ao cosmopolismo, mesmo sendo ainda altamente pesqueira e rural, é aberta a miscigenações, com valores sociais e cultura ainda intactos mas que não acham espaços para recordar seu passado, ou mesmo expressar seu presente e sua cultura. Se vêem com um corpo estranho (- de 1% da população local fala outra lingua) a desfigurar sua forma de sustento e sistema de trabalho.
Além do aspecto local, e principalmente por ele e pela organização política da região nordeste do país, marcada por anos de coronelismo, latifúndios rurais, ocupações e exploração dos meios de comunicação brasileiros (a maior parte das concessões de canais de TV do país são para o nordeste) – panorama político inalterado desde o seu surgimento. É notória a qualidade cultural inexistente dos meios de comunicação no Brasil, principalmente a TV, recheada de clichés, programas que exploram o grotesco, o sexo ou a violência. A hibridização da mídia atual é necessária e urgente, fundamental para uma efetiva integração cultural do país, nunca feita pelos meios tradicionais. A escolha de Pipa foi estratégica neste sentido, pois é um laboratório fértil para essas medidas, sendo o local um verdadeiro microcosmo dos conflitos globais que perpassam o terceiro-mundo.
---------8<------
Infraestrutura
Quarto com banheiro, varanda e conexão rápida a Internet. Uso coletivo da cozinha. Jardim com temperos e frutas. A 5 minutos da Praia do Amor. A Casa dispõe de uma biblioteca com acervo de mais de 400 livros sobre ativismos digitais, movimentos sociais e tecnologia (entre outros) e fitas brutas de eventos de mídia, arte e tecnologia realizados em muitas partes do Brasil.
---------8<------
Trabalhos desenvolvidos
* Oficina mimoSa - Participaram tatiana, Ricardo, Tininha e Balbino (janeiro de 2006)

mais em -> mimosa em pipa
* BR >< HR - Intercâmbio em cultura livre e aberta entre Croácia e Brasil, com a presença de Kruno Jöst fazendo um programa de rádio para o projeto Stanica MIR (abril de 2006).
mais em -> blog do intercãmbio Brasil >< Croácia e stanica MIR
* Rádio Janela - Participaram Giuliano Djahjah, Tatiana e Ricardo (dezembro de 2006)
Escute alguns programas feitos aqui e outros mais em -> blog da Rádio janela

* Mapas do poder - Tivemos a presença do Laurent de Luxemburgo que nos ajudou com a linguagem JAVA na confecção dos mapas do poder (fevereiro de 2007)
contexto brazuca
* Jardim de Volts - Em co-laboração com a Orquestra Organismo (Curitiba) o jardim da Casa recebeu Volts energizantes
mais em -> volts.midiatatica.info e estudiolivre.org + fotos -> aqui

* Genderchangers.org - Residência de Donna Metzlar do coletivo holandes genderchangers que passou por várias partes do brasil (junho de 2007)
mais em -> residência genderchangers

com a presença de éthel, jô, aninha, mariana (itália) e a rádio amnésia!
* Aletta - Servidora integrante da Rede de Servidores Livres Nordestina. Nessa plataforma estiveram aqui na Casa Maluca Lixeira, Pixies, Ananias e Ricardo (2007)
projeto em desenvolvimento por aqui -> aletta
* The Next Layer - Armin Medosch (Alemanha) visita a Casa e faz entrevistas para uma rádio em Viena dentro do projeto The Next Layer (novembro 2007)
leia mais sobre sua passagem em Pipa aqui
---------8<------
Calendário
2008: todo domingo - Cine Mão Quebrada @ Fortaleza do Cachorro da Mão Quebrada - Rua do Amor - Pipa
baixe o flyer logo abaixo para o mês de março de 2008
---------8<------
Convocatória
Com o objetivo de fomentar o intercâmbio cultural e a troca de experiências entre projetos de todo o planeta assim como a conexão em rede de práticas tecno-artísticas em contextos não-urbanos, a Casa Maluca visa reunir em um mesmo espaço de criação artistas de lugares diversos e expressões heterogêneas, convocando pessoas para realizar con:vivências abertas a quaisquer disciplinas. Sem limite de idade. Mulheres são altamente encorajadas a enviarem propostas.
Requisitos para participação: apresentação de um projeto específico de trabalho que possa desenrolar-se durante a residência, assim como proposta de atividade de encerramento que contemple a comunidade da região de Pipa, Rio Grande do Norte. Enviar email para tatiw - AT - riseup.net. As residências poderão se dar na língua portuguesa, espanhola ou inglesa.
---------8<------
Parcerias
Fortaleza do Cachorro da Mão Quebrada
descentro.org
Conferência em Amsterdam, em 21 e 22 de setembro de 2007. É o evento de encerramento dos cinco anos da plataforma Waag-Sarai. O foco das conversas são metodologias educacionais alternativas. Felipe Fonseca e Thiago Novaes vão falar sobre MetaReciclagem, Paulo Freire, Simondon e tudo o mais; Balbino vai mostrar a Rádio Cidadão Comum.
O programa está disponível em
http://extern.waag.org/faultlines/
Na seqüência, ainda vamos colar em coisas que tão rolando na programação do picnic, como a sessão de debates (un)Common Ground.
Quinta-feira 20 de setembro, cantando o hino farroupilha,
peguei o trem aqui em Dresden. Depois de duas baldeações
e nove horas e meia de viagem, cheguei a Amsterdam.
De cara já encontrei a Gabriela, de São Carlos, que tava
voltando pro Brasil depois de meio ano estudando na Áustria,
e o Rob Kranenburg, o holandês que tá ajudando a pôr pra
frente a rede de bricolabs. Deixei as coisas no hotel, mandei um SMS pro celular do irmão da Tininha, que o Novaes tinha
deixado na recepção, e saí pra jantar. Aí fiquei sabendo que
o Kranenburg tinha se acertado com o Waag, e passava a
coordenar a pesquisa em public domain. Isso quer dizer que
ele está no lugar que era do Paul, uma boa notícia. Voltei pro hotel e logomenos 9s chegou.
Dia seguinte, nos mandamos meio atrasados pro pedagogical
faultlines. Era num outro espaço que o Waag tem, ali meio
perto da Centraal Station, à beira d'água. Krishna, irmão da
Tininha, disse que ali era um dos squats mais doidos que tinha,
o Afrika, e foi desocupado. Hoje, é um pico bem asséptico,
daquele jeito holandês. Paredes branquinhas, portas controladas
por chips e senhas, paranóias de segurança e tal. De se sentir
mal e preso, mas vqv.
A conferência era limitada e pequena, eles convidaram umas
50 pessoas só. Começou com o Florian Schneider repetindo
a maior parte do que ele escreveu pro evento que
organizou, o http://summit.kein.org/ . Falou de educação e de
poder, de aprendizado como reescrita da memória, de o
que ele chama de não-alinhamento, que não ficou claro. Depois foi eu e 9s, dessa vez tinha até slides
pra apresentação. Falei de metareciclagem, joguei uns paulo
freire lá no fim, mostrei fotinhos e videozinhos. Novaes
arrematou, mandou um Simondon lá que uns cabeçudos
no meio ficaram tontos. Gostei da apresentação, mas era
nóis falando, difícil ser crítico nessas horas... no fim, pra
variar, o Jeebesh, do Sarai, me vem com uma daquelas:
não entendi pra quê vocês usam paulo freire como base
conceitual. Qual a utilidade? Desviei, porque na real a
gente não usa só isso, né? Enfim, segue o baile. Pá de
gente colando pra conversar depois disso, querendo saber,
trocar idéia. Uma francesa filósofa que trampa com novas
mídias, se envolveu com o FSM e tem um centro de mídia
em Nantes, uma mexicana que trampa com educação para
sindicalistas, o pessoal do Bank of Common Knowledge
de Barcelona, e por aí vai. Maior atenção levou o 9s com
gente interessada no Simondon.
Aí segue o baile, mais apresentações, um Indiano falando
em Hindi com outro indiano pagando de tradutor livre, tinha
horas que o tradutor respondia sozinho... sanduíches de
almoço, mais sessões à tarde: Sugatra Mitra falando do
projeto Hole in the wall, que nem deu vontade de rebater
de tão besta que é - eles põem um computador num quiosque
fechado numa comunidade indiana fodida e deixam ele lá
por tres meses sem orientação nem nada. Depois tiram.
Querem provar que a molecada aprende algo sozinha,
e aprende, mas como o 9s falou, continua sendo uma
máquina mágica ali, sem apropriação nenhuma... a
Jerneja falou de DIY na Índia. Jerneja é eslovena, estudou em
Amsterdam, e colou na gente direto. Também ajudou a
organizar a conferência lá. Gentefina.
Depois foi a Shveta falando sobre o Cybermohalla e como
pequenas práticas de transformação podem alcançar grandes
resultados. Só vi o fim da apresentação, mas foi outro tom,
muito mais sutil e menos sistemático do que o resto. Aquela
coisa dxs indianxs, de contar histórias e envolver a galera.
Dela ouvi que "o objetivo de uma pergunta não é necessariamente
obter uma resposta".
Pra encerrar o primeiro dia, Lawrence Liang falando sobre
educação de advogados. Brincou um pouco com a imagem
do advogado que as escolas de direito têm como modelo.
Depois, jantar, cerveja e vinho, fugimos da amiga mala do
9s e fomos à estação buscar o Balbino.
Segundo dia, Ravikant falando de blogs e wikipedia na Índia.
Interessante, mas meio banal. Na seqüência, Balbino
apavorando. Cheguei atrasado, ma parece que a organização empacou com a onda de montar a rádio ali na sessão
de "palestra", disse que não era workshop técnico, mas
rolou de falar 15 minutos e ganhar um tempo maior à
tarde. Balbino apresentou bem, segurou a onda, perguntou
prum tiozinho mala se ele tava oferecendo dinheiro pra gente
e falou que a gente não quer explodir as pessoas. Falou
de Rádio Cidadão Comum, Upgrade Salvador, mimoSa
e outras coisas. A gente manteve a tradição de levar mais
gente do que foi convidada, e ali na platéia além de 9s
balbino e eu também tinha o Krishna e Jean Habib. Jean
gravou a fala do Balbino e publicou no estudiolivre.
Depois, Rupali Gupte, de Mumbai, professora de arquitetura,
mostrou um pouco do que tem feito com os alunos, pesquisa
sobre gambiarra e exercício criativo de design de coisas para
o dia a dia. Muito boa a apresentação, muito legal ela. Pra
encerrar a manhã, um holandês que até era simpático
apresentando um projeto besta desenvolvido pelo Waag,
que faz gincanas usando celulares com GPS embutido
e um sistema de mapas online que permite as equipes
trabalharem juntas. Até bem divertido, a não ser pelo fato
de eles tratarem isso como "educação", e afirmar que as
vantagens são que podem existir "tarefas" em toda a cidade,
e que o "professor" pode ter "controle" se os alunos estão
mesmo nas tarefas ou estão em um Mc Donalds comendo
(ou em um coffee shop fumando um, ele esqueceu de
comentar). Controle, tarefas e tal. Me pareceu deslocado
de todo o resto, e não sei se era pra pôr a visão holandesa
do adestramento, digo educação, ou se era só porque o
waag tá pagando e tinha que ter alguém lá no meio. Mas
de qualquer forma, o sisteminha é divertido pra gincanas,
e gincanas são legais.
Depois do sanduíche, Balbino e 9s levaram uma sessão
com mais liberdade e espaço lá em cima, onde eram também
as refeições. Eu fiquei lendo RSS e tomando cerveja, já
que tinha uma geladeira ali, mas os dois tiveram um público
legal. A mesma Sophie do dia anterior, mais um italiano
doido chamado Federico, o Patrice, tiozão maluco que
parece que trampa no Waag e que eu acho que tava
envolvido com o Ascii (que fechou), a Jerneja, a mina do
Platoniq de Barcelona, e mais gente. Falaram muito bem,
tiveram tempo de contar mais coisas, mostraram o vídeo
do Seo Paraíba, novaes contou de Farkadona e tal.
Classe, bela apresentação.
Depois, desci já com um pouco de cerveja na cabeça pra
apresentação do Bank of Common Knowledge. A idéia é
legal, fazer as pessoas compartilharem o que sabem umas
com as outras. Tem uns vídeos sobre eles na rede, pra
quem quiser. Eles tentaram aplicar a dinâmica deles lá
no workshop, mas nem entrei muito no esquema.
Na sessão de encerramento, tive a impressão de vácuo.
Ravi Sundaram ficou só o primeiro dia. Monica nem apareceu.
Quem falou foi o Awadhendra, aquele indiano mais alto,
pra quem conheceu. Levantou algumas questões interessantes
sobre aprendizados, sobre o papel das pessoas no mundo,
sobre como as explicações para as coisas mudam com o
tempo. Perguntou se tudo isso que se faz de tentar intervir
em comunidades através de eventos de intermediação é
realmente efetivo, ou se na real viver por anos nesses
lugares não seria o real caminho de transformação.
E aí acabou, meio estranho, sem conclusões nem nada
mais. Mas fomos lá pra cima, comemos, fomos ao terraço,
e saí de lá com um monte de perguntas, alg1s novxs
amigxs e uma mochila lotada de cerveja.
Os slides das apresentações devem ser publicadas em algum
lugar, encaminho aqui quando tiver.
Atualizando: material sobre o evento publicado aqui
Segundo dados recentes o número de mulheres que trabalham com computação não só não cresce, como está diminuindo no Brasil. É claro que esses dados só indicam a perspectiva da mulher no campo de trabalho, sem incluir dados sobre o uso de telecentros comunitários ou espaços pagos ou domésticos. As que completam a universidade de ciências da computação no Brasil são aproximadamente 5-8% do total de estudantes deste curso.
Assim, ações são necessárias para ampliar a participação das mulheres no mundo da tecnologia e criar sinergias entre os grupos que trabalham com tics e @s que estão em campo. Nosso objetivo é reverter a disparidade do número de mulheres que trabalham e experimentam com a tecnologia, além de trocar experiências entre contextos locais e globais de mulheres que têm interesse em ferramentas de comunicação e expressão.
Como: As atividades, durante a residência, serão desenvolvidas tendo em vista dois eixos principais: - 1) organizar e apresentar uma série de oficinas sobre temas tecnológicos (workshops techs) para mulheres, enfocando a comunicação de longa distância e a co-laboração, como por exemplo IRC, VOIP (voz sobre ip) e transmissão de áudio e vídeo; - 2) o segundo se relaciona com o trabalho preparatório para a realização do /ETC no Brasil. Investigaremos os /ETCs passados, outros eventos e gestão de projetos.
Genderchangers.org genderchangers é um grupo cujo objetivo principal é envolver mais mulheres na tecnologia, desenvolvendo estratégias de inclusão. Elas fazem isso dando oficinas só para mulheres no espírito dos princípios do software livre. Iniciaram este processo de compartilhamento como resposta à necessidade de espaços para que as mulheres pudessem trocar experiências, quebrar coisas, fazer piadas e fazer perguntas estúpidas entre si. Mais que um objetivo em si mesmo isto tornou-se uma metodologia. Elas regularmente dão oficinas sobre hardware, software livre e técnicas de novas mídias. Neste momento existem dois grupos mais ativos: um, em Amsterdã, Holanda e, outro, em São Francisco, Estados Unidos. Além disso organizam anualmente um encontro internacional de mulheres interessadas em tecnologia, o eclectic tech carnival, também conhecido como /ETC. Em 2007 será realizado um /ETC em Linz, na Áustria de 11 a 15 de Julho, e outro no Brasil em lugar e data a ser ainda definido.
DesCentro des).(centro é uma organização guarda-chuva de um número de coletivos que trabalham com mídia e tecnologia no Brasil. Esses coletivos consistem de indivíduos de várias partes do país. Seus temas convergem na intersecção de mídia, arte, academia e setores tech. O objetivo maior de Descentro é facilitar a comunicação e o trabalho entre estes coletivos assim como projetos e iniciativas ao redor do mundo.
Dentro deste contexto, nasceu a idéia de um/a intercâmbio/troca entre Genderchangers e Descentro: uma pessoa do grupo Genderchanger foi convidada para visitar o Brasil, estimular a apendizagem e compartilhamento de metodologias, contextos, ferramentas e experiências sobre a relação mulheres/tecnologia, especificamente observando o contexto Holandês e Brasileiro. A residência também visa fortalecer espaços e projetos independentes que trabalham com mídia, tecnologia e software livre na região sudeste do Brasil: Estilingue em Belo Horizonte, IP:// in Rio De Janeiro e SampaLab em São Paulo. A convidada irá passar de 4 a 7 dias em cada um destes lugares, além de outros, sempre sendo recepcionada por uma articulação local de mulheres, apresentando suas experiências com a organização de /ETCs passados e trabalhando em oficinas e na organização do /ETC no Brasil. A idéia é trabalhar junto com as mulheres destes espaços, mapeando suas necessidades, demandas e recursos que poderão ser usados posteriormente no /etc-br.
Quando: Sexta 1 Junho até terça 26 de Junho de 2007. 1-4 Sampa 4-6 BH 7-10 Brasília 11-16 Pipa 17-22 Rio
............
1 de junho - chegada em sp
encontra maria lu e marcita
de 2-4 oficinas locais @ Sampa Lab
Rua Luminárias, 243 - Vila Madalena - São Paulo
domingo dia 3 - Cineclube na Casinha
............
4 de junho - chegada em bh
encontra drica e fabs
de 5-7 oficinas locais @ Sala Memória Gráfica no CCUFMG
Av. Santos Dumont, 174 - Centro - Belo Horizonte
............
de 7 a 11 participa em brasília do Corpus Crisis
NA cal (casa de cultura da américa latina) que fica no setor comer$ial sul, quadra 04, ed. anápolis
a patir de sábado
no círculo operário! no círculo operário! no círculo operário! o círculo fica na AE 09, cruzeiro velho
............
11 de junho - chegada em pipa - rio grande do norte
encontra tati e célia
de 11-16 oficinas locais @ casa maluca
............
17 de junho - chegada no rio de janeiro
encontra maga, mah e tori
de 17-22 oficinas locais @ ip://
............
A residência é uma ação da Plataforma Sarai-Waag-Brasil. Leia mais.
Gender Changers' Residence Brazil june 2007
Why: Women are struggling to particpate in technology.
What: Our goal is to address the imbalance of women in technology, to increase global and local affiliation between those women that are interested in technology.
How: There will be two active tracks during the residence: firstly we will organise and present a series of tech workshops for women, specificly with regards to long distance communication and collaboration, most importantly IRC, conference VOIP, audio and video broadcasting. The second track will relate to preparational work for the planned /ETC in Brazil. We will look at previous /ETC's, other events and project management generally.
Who: A Gender Changer will visit three women's groups in Brazil, namely DesCentro, Estilingue and IP://.
When: friday 1 June until tuesday june tuesday 26 June 2007.
Where: the cities of Belo Horizonte, Rio de Janeiro and ?
The Gender Changers' goals include wanting to involve more women in technology. They do this by giving women-only workshops in the spirit of Open Source principles. They realised that there is a need for spaces where woman can exchange experiences, break things, make jokes and ask dull or silly questions amongst themselves. They regularly give workshops around the topics of hardware, open source software and new media techniques. At the moment of writing there are two local groups active: in Amsterdam, The Netherlands and in San Fransisco, USA. In addition they annually organise an international gathering for women interested in technology called the Eclectic Tech Carnival, also known as the /ETC. In 2007 there will be one /ETC in Linz, Austria from 11 to 15 July, and one in Brazil, the date and place are yet to be determined.
DesCentro is an umbrella organisation for a number of collectives in Brazil. These collectives consist of individuals and themes originating in the NGO, media, art, academic and tech sectors throughout the country.
The main aim of DesCentro is to facilitate communication and work between the collectives in Brazil as well as between these projects and initiatives around the world.
Within this context the idea of an exchange between the DesCentro and the Gender Changers was born: someone from the Gender Changer group was invited to visit Brazil, to stimulate the exchange of methodologies, contexts, tools and experiences around the question of women and technology, concerning specifically Brazil and The Netherlands. The residence also aims to fortify independent spaces that work with media, technology and free software in the Southeastern region of Brazil: Estilingue in Belo Horizonte and IP:// in Rio De Janeiro. The guest will spend between 4 and 7 days in each one of these spaces, presenting her experiences with the organization of past /ETC's and working in workshops and the organization of /etc in Brazil together with local partners. The idea would be to work together with the women of these spaces, mapping the necessary demands and resources for the accomplishment of the Eclectic Carnival Tech in Brazil.
The Gender Changer will conclude the residence with a written report, including photographs, between 6 and 8 pages long for the Waag.
Links:
http://genderchangers.org
http://eclectictechcarnival.org
http://descentro.org
http://estilingue.sarava.org
http://ipe.sarava.org