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O autor Richard Barbrook, em parceria com des).(centro e editora peirópolis, lança seu primeiro trabalho literário no Brasil. Futuros Imaginários demonstra como a política influenciou a forma pela qual a Internet é controlada atualmente e faz um chamado a todos que estão ciber-conectados a usar spanesta poderosa ferramenta para apropriar-se de políticas revolucionárias, e criar um futuro mais positivo.site do projeto
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As profecias novaiorquinas
Já se passavam das nove horas da noite quando o porteiro anunciou no interfone da cozinha a chegada de um homem que não falava português. Pedimos para deixá-lo entrar e corri até a janela para vê-lo. Possuía estatura mediana, andar desengonçado, calças e jaqueta jeans azul escuro e uma boina também azul na cabeça. Arrastava sua valise de rodinhas por entre os mosaicos de pedra portuguesa e a fina chuva que caía durante o período que eu o encarava. Dr. Richard Barbrook chegou às vésperas do festival Mídia Tática Brasil, evento de arte, mídia, política e tecnologia que havia sido, em grande parte, organizado via lista de troca de emails pela internet. Barbrook participaria no debate de abertura do evento juntamente com John Perry Barlow sob a moderação do recém empossado Ministro da Cultura, Sr. Gilberto Passos Gil Moreira. Um dos assessores do ministro, Hermano Vianna, nos confessara em um telefonema prévio que o festival que organizávamos tinha relação íntima com a plataforma de governo a ser proposta no Ministério da Cultura durante a administração por vir, e ofereceu-nos a presença de Gil e Barlow no debate de abertura do festival. Com a presença do Ministro Gilberto Gil, conseguimos espaços para a realização do festival bem como cobertura dos grandes meios de comunicação. Durante o festival, cerca de cinco mil pessoas visitaram as exibições, palestras, debates, oficinas, apresentações musicais, teatrais e performances na Avenida Paulista, coração psico-financeiro da cidade de São Paulo. Era março de 2003 e o que não sabíamos naquele momento era a velocidade com que muitas das idéias e práticas ali desenvolvidas seriam rapidamente incorporadas às agendas políticas e corporativas do país.
Em setembro do mesmo ano voltei a encontrar o Dr. Barbrook, dessa vez em Londres. Ricardo Rosas, Tatiana Wells, Ricardo Ruiz e Mônica Narula foram convidados pelo Cybersalon - evento organizado pelos alunos do curso de mestrado de Richard na Universidade de Westminster – para darem um cenário da arte em rede e do ativismo midiático no Brasil e na Índia. Nessa noite, lembro-me de dividir com Richard boas quantidades de cerveja no balcão da festa que sucedeu a apresentação. Poderia dizer que aí começou a nossa amizade. Durante os anos que se passaram outros encontros aconteceram, em palestras, debates, festivais ou carnavais espalhados pelo mundo. Uma outra centena de emails mantinham as conversas em dia entre os encontros. E então, num desses emails, Richard me dizia que escrevia um novo livro, e que provavelmente aquele seria o primeiro capítulo. Anexado à sua mensagem, um arquivo de texto chamado New York Prophecies (As profecias novaiorquinas). Assim que o terminei de ler, retornei a mensagem para Barbrook dizendo: “Está muito bom. Gostaria de lançar esse livro no Brasil”. Richard, lógico, adorou a idéia.
Após alguns meses, chegou em casa a primeira versão, impressa a partir do computador, de Futuros Imaginários. Richard havia mandado para que ajudássemos a perceber erros ou para dar sugestões no livro. Após algumas lidas do original por várias pessoas, começamos a discutir como poderíamos traduzir o livro para o português e lançá-lo no Brasil. Acontecia que, além da centena de livros que o Dr. Barbrook utilizava como referência e que deveríamos descobrir o nome de todos em suas edições brasileiras, o livro era recheado por conceitos ainda pouco debatidos em português. A solução que chegamos foi desafiadora: montaríamos uma equipe para a tradução do livro, composta de artistas, tecnólogos, cientistas sociais, comunicólogos, jornalistas, historiadores e cientistas da computação. Em conjunto, discutíamos os melhores termos, como eles já haviam sido utilizados no Brasil, e quais termos que nós utilizaríamos. O processo foi longo e os agradecimentos oferecemos para a equipe da Editora Peirópolis, por sua paciência em esperar tantos meses pelo texto final. Esperamos que apreciem o resultado. E que, após ler este livro, vocês nunca mais vejam um computador da mesma maneira.
Vitória Mário, A Classe do Novo, março de 2008
Na visão deste livro, a ideologia é usada para distorcer o tempo. A importância de uma nova tecnologia não está no que ela pode fazer aqui e agora, mas no que modelos mais avançados poderão fazer um dia. O presente já contém o futuro, e esse futuro explica o presente: 'A realidade contemporânea é a versão beta de um sonho da ficção científica: o futuro imaginário.'
Esta é a primeira obra de Richard Barbrook traduzida ao Portugês, e representa a convergência de conceitos explorados por ele em outros influentes ensaios sobre o confronto entre comércio e cooperação dentro da Internet como 'O Manifesto do Artesão Digital' com Pit Schultz, 'A Economia da Dádiva da Alta Tecnologia', 'Ciber-comunismo', 'A Regulação da Liberdade', 'A Ideologia Californiana' com Andy Cameron, e 'A Classe do Novo'.
Aliando a infância americanizada, uma fase punk adolescente na inglaterra, sua trajetória acadêmica e atuação em rádios piratas e comunitárias, os trabalhos de Richard, auto-proclamado 'Labour Leftie', são uma radical crítica à ideologia da ciber-elite neo-liberal californiana de que no futuro hi-tech todos poderão ser trabalhadores criativos.
Enquanto a ideologia californiana identifica a revolução tecnológica permanente com uma hierarquia social imutável, Barbrook argumenta que sem a promessa de uma eventual redenção econômica a modernização torna-se um fim em si só. Mais uma vez, filósofos conservativos estão prometendo um futuro imaginário para dissuadir as pessoas de melhorar sua vida no presente. Assim como formas anteriores de capitalismo, a sociedade da informação continua dominada por hierarquias do mercado e do estado.
Em seus trabalhos anteriores Barbrook argumenta que a rede permite a emergência de comunidades virtuais espontâneas e flexíveis, definidas mais por convenção social do que troca de mercado, e que a importância das inovações tecnológicas está justamente na sua habilidade de contestar as ideologias dos líderes de opinião. O autor trata os ícones da produção não-comercial da rede: o movimento do software livre e de código aberto e os blogs, apontando que os participantes desta economia da dádiva da alta tecnologia não precisam pensar sobre as implicações políticas de seus métodos de trabalhar juntos, mas nem por isso deixam de participar de uma forma de ciber-comunismo.
Enquanto on-line, pessoas constantemente passam de uma forma de atividade social a outra, sendo consumidores no mercado, cidadões no estado e anarco-comunistas em economias de dádiva. Enquanto a rede cresce, cada vez mais pessoas normais estão circulando informação gratuitamente, longe de acreditar no potencial revolucionário de suas ações, elas fazem isso por razões pragmáticas. Algumas vezes compram comodidades on-line ou acessam serviços custeados pelo estado, mas normalmente preferem circular informação gratuitamente entre si. Na Internet, muitos usuários com tempo e dinheiro suficiente doam o seu trabalho sem motivações financeiras, mas sim para ganhar o respeito dos seus pares pelo seu esforço.
Esta seria a forma mais avançada de trabalho coletivo: o trabalho como dádiva. Sem precisar de liderança de uma elite heróica, pessoas ordinárias podem construir seu próprio futuro digital. Mesmo com seu poder e riqueza, as multinacionais multimídia não são capazes de impor a comodificação do trabalho intelectual no ciberespaço. A Classe do Novo sempre existiu como um nível intermediário de assalariados, aqueles sem capital mas que possuem outras potentes fontes de poder econômico como educação, qualificação e conhecimento cultural. Ao invés de liderar o caminho pro futuro, disfarçados de 'trabalhadores criativos', 'analistas simbolicos', 'industriais' e até mesmo na definição de Décio Pignatari 'prodossumos', estes trabalhadores continuam a realizar os desejos daqueles que dominam o mundo.
Ler esta obra é importante, quer o leitor nada conheça das novas tecnologias e da Internet, quer se reconheça como parte da Classe do Novo.
A pesquisa do autor converge na extensa pesquisa efetuada em 'Futuros Imaginários'. Neste livro Richard parte do questionamento que o futuro oferecido a ele como adulto nos anos 2000 é o mesmo que o facinou quando visitou quando criança a Feira Mundial de Nova Iorque em 1964, mas as promessas dos benefícios futuros à sociedade que justificaram patrocinio governamental, protecionismo e investimentos não se realizaram.
Computadores são eletrodomésticos acessíveis, mas não substituiram o trabalho criativo humano. Usinas nucleares existem, mas não disponibilizou energia elétrica para todos habitantes do planeta. O homem foi a lua, mas está longe de passar suas férias em resorts extra-terrestres. A Internet é ubiqua, mas a aldeia global não curou as divisas de nações, classes e culturas que castigaram a era industrial. 'A revolução tecnológica não causou a revolução social, por alguma razão, a utopia foi atrasada.'
Neste livro o autor investiga o histórico das feiras tecnológicas, nos oferecendo a perspectiva do futuro como um evento na História. Demonstra assim como facções competidoras lutaram para obter o poder midiático nos oferecendo objetivos tecnológicos comuns, se aproveitando de nossa necessária cernça no futuro. Aqueles que no passado nos ofereceram um futuro melhor o fizeram para garantir um continuação calma do presente. Protegendo o status quo mais do que o poder militar é capaz, o poder da media é necessário para caracterizar o presente como o passado de um futuro gloriosso.
Através de uma pesquisa profunda e ampla das políticas economicas e sociais da Guerra Fria, Barbrok amarra diversos discursos para nos revelar as verdadeiras intenções de diversos atores na academia, no governo e na indústria, e as motivações reais por trás de ações que levaram ao desenvolvimento tecnológico.
A corrida entre os Estados Unidos e a União Soviética na Guerra Fria não era só por armas. Enquanto os Estados Unidos da América sairam da segunda guerra mundial como um superpoder industrial, a união soviética tinha o controle do futuro ideológico. Os estadunidenses precisavam de um futuro ainda mais brilhante para a ganhar a crucial batalha da propaganda durante a Guerra Fria e para isso formaram um novo núcleo ideológico baseado nas teorias Marxistas e McLuhanistas: a Esquerda da Guerra Fria.
Em sua análise Barbrook revela alguns paradoxos no centro da máquina de financiamento estadunidense causados por essa ideologia: fundos de pesquisa militares, inicialmente voltados à tecnologias nucleares e computacionais para competir com os Russos, acabaram financiando o comunismo cibernético.
O autor demonstra que como a nação mais liberal do planeta, os Estados Unidos deveriam estar mais avançados no caminho ao socialismo, porém, para negar o Stalinismo, a esquerda da guerra fria teve que criar sua própria versão do futuro socialista: em vários momentos entre 1950 e 2000, a sociedade da informação foi identificada como um plano de Estado, uma máquina de guerra, uma economia mesclada, um campus universitário, uma comuna hippie, um livre mercado, uma comunidade medieval e uma empresa ponto com.
Com uma visão politizada e radical da tecnologia, Barbrook nos oferece neste livro uma alternativa contrária à doutrina McLuhanista: 'a convergência da mídia, as telecomunicações e os computadores não libertam – nem nunca irão libertar - a humanidade. A Internet é uma ferramenta útil, não uma tecnologia redentora. O determinismo tecnológico não molda o futuro da humanidade: quem constroe o futuro é a humanidade em si, usando novas tecnologias como ferramentas. A criatividade cooperativa e a democracia participativa deveriam estender-se do mundo virtual para todas as áreas da vida. Agora, o novo estágio de crescimento deve ser uma nova civilização.'
Para o leitor Brasileiro a análise histórica deste livro resgata memórias de futuros imaginários a nós oferecidos na ditadura militar. A reserva de mercado serviu para ampliar o desenvolvimento tecnológico nacional ou foi uma força mantenedora do status quo?
No presente, a feira tecnológica continua sendo o lugar de legitimação do desenvolvimento. Grandes empresas e o governo justificam seus investimentos e ações em cima de versões futuras dos produtos fetiche que devemos consumir agora.
A exploração de nossos recursos naturais e a poluição são justificadas no futuro onde todos terão acesso aos bens tecnológicos. A exploração do trabalho continua de maneira perversa na eliminação do escritório: do seu celular ou de sua casa na praia, cidadões criativos devem contribuir com sua produção 24 horas por dia, 7 dias por semana. O manual técnico que acompanha as maravilhas tecnológicas divulga a lingaguem dos bytes e gigas, servindo como instrumento de determinação dos objetos técnicos. Os usuários não precisam entender ou se apropriar das tecnologias pois não devem inventar novos usos para estas: ao se deparar com um problema, faça um upgrade ou chame um técnico especializado!
Num país onde a justiça social e até mesmo o fim da escravidão ainda são um futuro imaginário, a leitura deste livro é reveladora. Com base nesta análise histórica o leitor poderá criticar e compreender as verdadeiras motivações por trás de atuais políticas públicas de acesso a banda larga e à TV Digital. A convergência dos dispositivos de acesso não será responsável pela revolução se a população não for capaz de usá-los para além do uso imposto pela grande mídia. A TV Digital é a mesma TV de sempre, o jabá domina a rede e os dispositivos, celulares novos tocam música que já vem instalada de fábrica.
Assim como acontece na mídia, nas universidades públicas modelos ideológicos são importados de instituições estrangeiras. Fundações financiam a pesquisa que interessa as grandes corporações enquanto acadêmicos se entregam as leis do mercado livre.
A leitura de 'Futuros Imaginários' é importante por nos oferecer a perspectiva de conquistar o nosso próprio futuro. Aonde é possível chegar se conseguirmos aliar a força do multirão popular à colaboração e trabalho criativo em rede? Qual será o futuro da educação após os alunos ocuparem definitivamente a reitoria? A democracia social é capaz de se desvenciliar das forças do futuro imaginário estabelecido pelo poderio econômico estadunidense?
A Classe do Novo.
INTRODUCTION TO BRAZILIAN EDITION
The email came from the translators in Brazil: “We want you to write an introduction to the Portuguese version of Imaginary Futures - something special for the local readers.” What should I say? My immediate thought was that Suba, Marky and Patife were on the soundtrack during the all-night writing sessions which created this book. Their rhythms contributed to the construction of its sentences and the flow of its arguments. Maybe I should begin the introduction by explaining why these musicians were in the mix? It definitely was no accident. Thanks to my job at Westminster University, I’ve had the pleasure of teaching some very smart Brazilian students over the past decade. Through them and other contacts, I’ve made the long journey south three times to speak at conferences and festivals in Rio, São Paulo, Brasilia and Pipa. I’ve danced at a samba school, in hip nightclubs and under the stars on a beach. I’ve discussed the politics of the Workers’ Party, analysed the global justice movement and debated leftist theory long into the night. I’ve admired the creativity and dedication of Brazilian artists, hackers and activists. Despite the language barrier, I now have dear friends in this fascinating faraway country. Enthused by these visits, I returned the favour by helping in 2005 to organise an event in London where Gilberto Gil talked about the Brazilian Ministry of Culture’s innovative new media initiatives. But, you might ask, what have these reminiscences got to do with this book? Why talk about them in the introduction for the Portuguese translation of Imaginary Futures? It’s because I recall sitting outside the Telecentro cybercafe in Pipa in 2004 when I was asked the all-important question: “Has being in Brazil changed the way that you think about the Net?” My task in this introduction must be explaining why the answer is: “Yes!”
Imaginary Futures is a book about the political and cultural power of technological prophecies. During the Cold War, the American and Russian empires competed not only to control space, but also to own time. Computers and the Net have long been much more than useful tools. For over half a century, they have also embodied utopian dreams in the service of imperial ambition. The nation that is pioneering the future in the present can claim leadership over the whole of humanity. When I began the research for this book in 2002, my focus was exclusively on the North. I was fascinated by how the imaginary futures of the Cold War still dominated the contemporary world long after the fall of the Berlin Wall. The American empire might have prevailed over its Russian rival, but its boosters remained trapped within an ideological framework devised for this geopolitical conflict. Not surprisingly, this book reflects the times in which it was written: the aftermath of the dotcom bubble and the moment of the US-led invasion of Iraq. Across Europe, political leaders, academic experts and media commentators were convinced that America – the land of cutting-edge computing and the Net – was our tomorrow today. Where the US president led, our countries must follow - even if it meant sending troops into foreign lands where they weren’t welcome. As one of the two million people who marched against this folly in London on 15th February 2003, I wrote this book as a howl of protest. By painstakingly explaining the history of the imaginary futures of artificial intelligence and the information society, I wanted to equip its readers with the knowledge to refute these anachronistic prophecies. The next time that someone told them that the post-industrial utopia was just around the corner, they could reply that this prediction was nothing more than recycled McLuhanism. The Cold War was over – and its made-in-America imaginary futures were too.
As my questioner in Pipa was wondering, I didn’t need to visit Brazil or know anyone from the country to come to this conclusion. Few of the authors who fill the shelves of my study with their thoughts about computing and the Net are interested the impact of information technologies within the developing world. Like them, I could have said everything that I wanted to say in this book without making any mention of the majority of humanity. Computers and the Net are from the North, so why bother talking about the South? Fortunately, my Brazilian comrades have prevented me from succumbing to this lazy temptation. Their influence has added depth to the analysis of Imaginary Futures. First and foremost, I’ve realised how different the world looks from the South compared to the North. It’s not just the constellations in the sky that are upended, but also geopolitical memory. When I visited Brasilia in 2004, I saw with my own eyes the modernist edifices of a better society that was denied to their country. As the book emphasises, leading intellectuals of the American empire were cheerleaders of the 1964 military coup which overthrew the democratically elected government of João Goulart. The wonders of the US-style hi-tech future to come justified the horrors of the brutal dictatorship that was imposed on Brazil in this period. For those of us who live in Western Europe, it is always a shock to encounter the inequality and violence which resulted from this authoritarian path of development. Because our experience of American hegemony during the Cold War was relatively benign, we only truly understand the human costs of its imperial rule when we come to the South. The concluding chapters of Imaginary Futures reflect what I learnt from my Brazilian trips. When I was writing the book, I knew that the fiercest criticism of these utopian prophecies from the North was explaining how their advocates had tried to realise them in the South. Tellingly, I discovered that the American instigators of the 1964 coup in Brazil were also the architects of their nation’s disastrous invasion of Vietnam. With US-led forces occupying Iraq and Afghanistan, the parallels with the present had to be drawn. The desire to own time is intimately connected with the ambition to control space. When I looked at the world from the South, I could see how easily hi-tech dreams can turn into nightmares of barbarism and cruelty. Going to São Paulo was the precondition for understanding why – in Imaginary Futures - Saigon plays such a key role in the history of the global village.
When I first visited Brazil in 2002, the importance of envisaging the world from the South when writing this book wasn’t immediately obvious. At the conference at the Federal University of Rio de Janeiro, our hosts entertained their foreign guests with the sad story of the local version of Californian hi-tech hype. Mesmerised by the late-1990s dotcom bubble, Fernando Henrique Cardoso’s administration had fantasised about Brazil making a great leap forward from underdevelopment to the information society without having to pass through Fordism. With the inhabitants of the nearby favelas lacking the basic amenities and welfare services which are taken for granted in Europe, we were appalled at how the imaginary futures of the North had given a modernist gloss to the perpetuation of exploitation in the South. When the supporters of the newly elected Lula government told us that reaching Fordism would be a major achievement for the urban poor of Brazil, we couldn’t disagree. Focusing the country’s economic policy on computers, the Net and mobile phones seemed grotesque when so many people lacked water, sewage, electricity, healthcare and education. We’d read our Marx – we knew that the South couldn’t avoid following the North’s slow and painful path to modernity.
I then had a worrying thought. Ironically, our leftist sympathies for the inhabitants of the favelas might be disguising a dubious assumption of European superiority. With its huge gulf between rich and poor, travelling to Rio in the early-21st century does seem like going back in time to London in the late-19th century. It was certainly true that lots of tourists go to Brazil for a quick dose of exoticism and adventure before returning to their safe European homes. If our motivations for foreign travel were no purer, did this mean that the inhabitants of an underdeveloped country couldn’t tell us anything about computing and the Net that we didn’t know already? Here was another troubling conclusion. Cardoso had been a respected Marxist economist before he sacrificed principles for power. His perverse embrace of dotcom neo-liberalism might be founded upon a kernel of rationality: the South had faithfully to imitate the North in all its vices. With his ambition of jumping over Fordism to post-industrialism, maybe he was the true radical rather than the Lula government with its cautious programme of incremental reforms? Who wants to be Sweden when you could become Silicon Valley?
Six years later, as the global financial system is wracked in crisis, it seems absurd that Brazil would want to transform itself into California. On the contrary, it’s now widely recognized that many of the elements of the new paradigm of modernity are more likely to be found in this supposedly underdeveloped country than in its advanced neighbour to the north. By the time that Mídia Tática Brasil invited me back for their conference in 2003, Gilberto Gil was already arguing – as a government minister – in favour of an open source vision of the Net. For him, funding community cybercafes and media hotspots complimented the provision of other essential amenities to the underprivileged. Most wonderfully, it was the copyright fetishists of the North who would have to imitate the South’s relaxed attitude to intellectual property not the other way around. The ownership of computers and access to broadband might be much lower in Brazil than Europe and America, but it was here that could be found the precursor of the participatory culture of the Net. Carnival not the market was the Minister of Culture’s model for the emerging information society. True to his roots in Tropicália, Gil is a true cosmopolitan. Imitation isn’t subservience – it’s inspiration and cooperation. Remixing, sampling and quoting are the tools of collective labour in the hi-tech-gift economy.
In the conclusion of this book, I argue that we must invent new futures. Exorcising the Cold War ideologies of artificial intelligence and the global village is my contribution to mapping out a path through the multiple political, economic, social and environmental promises that now confront humanity. Crucially, as my interlocutor in Pipa guessed, you too have helped to create this text in a small way. Imaginary Futures would have been a different book in many subtle ways if I hadn’t visited Brazil and learnt from the people who I met there. The inhabitants of the North and South are in this venture of modernity together. So let’s continue our collaboration in the common endeavour of making a more equalitarian, sustainable and prosperous world. The drum ‘n’ bass is playing and this book is waiting to be read. Enjoy!
Richard Barbrook,
London,
England,
16th November 2008.
O email chegou dos tradutores no Brasil: “Nós queremos que você escreva uma introdução para a versão em português do Futuros Imaginários – Algo em especial para nossos leitores. O que eu deveria falar? Pensei imediatamente que Suba, Marky e Patife estavam na trilha sonora nas madrugadas do período de escrita que geraram este livro. Seus ritmos contribuíram para a construção das frases e fluxos dos argumentos. Talvez eu devesse começar a introdução explicando porque estes músicos estavam nesse caldo. Seguramente não foi por acaso. Graças ao meu trabalho na Westminster University, eu tive o prazer de lecionar para alguns inteligêntes estudantes brasileiros durante a última década. Através deles e por outros contatos fiz a longa viagem ao sul três vezes para falar em conferências e festivais no Rio, São Paulo, Brasília e Pipa. Dancei em uma escola de samba, em lugares bacanas das noites e sob as estrelas numa praia. Discuti a política do Partido dos Trabalhadores, analisei o movimento de justiça global e debati longamente as teorias da esquerda noites adentro. Eu admirei a criatividade e dedicação dos artistas, hackers e ativistas brasileiros. Apesar da barreira da língua, eu agora tenho amigos neste fascinante país distante. Entusiasmado com estas visitas eu retribui o favor ajudando a organizar um evento em Londres onde Gilberto Gil apresentou as iniciativas inovadoras em novas mídias do ministério da cultura. Mas você pode perguntar, o que estas reminicências tem a ver com este livro ? Por que falar sobre elas na introdução da tradução para o português deste Futuros Imaginários ? É porque eu me lembro de estar sentado do lado de fora do telecentro comunitário em Pipa em 2004 quando me perguntaram a questão de suma importância: “Estar no Brasil mudou a maneira como você pensa a Internet ?” Meu desafio nessa introdução deve ser explicar por que a resposta é: “Sim!”
Futuros imaginários é um livro sobre o poder político e cultural das profecias tecnológicas. Durante a guerra fria, os impérios Estadunidense e Russo competiram não só para controlar o espaço mas também para deterem o tempo. Computadores e a Internet há muito tempo vêm sendo mais do que úteis ferramentas. Por mais de meio século, eles também incorporaram sonhos utópicos a serviço da ambição imperial. A nação que abre o caminho do futuro no presente pode reivindicar a liderança sobre toda a humanidade. Quando comecei a pesquisa para este livro em 2002, meu foco estava exclusivamente no Norte. Eu estava fascinado por como os futuros imaginários da guerra fria ainda dominavam o mundo contemporaneo bem depois da queda do muro de Berlin. O império americano pode ter prevalecido sobre seu rival russo, mas seus promotores permaneceram presos dentro de um marco ideológico articuladopor este conflito geopolítico. Evidentemente, este livro reflete o período no qual foi escrito: dos vestígios da bolha pontocom e do momento da invasão do Iraque pelos EUA. Por toda a Europa, lideres políticos, estudiosos especialistas e analistas da mídia estavam convencidos que os EUA – a terra da vanguarda da computação e da Internet – seria hoje, nosso amanhã. Aonde o presidente dos EUA nos guiasse, nossos países deveríam seguir – mesmo que significasse mandar tropas para terras estrangeiras onde elas não fossem bem-vindas. Como uma das duas milhões de pessoas que marcharam contra essa tolice em Londres no dia 15 de fevereiro de 2003, eu escrevi este livro como um grito de protesto. Explicando cuidadosamente a história dos futuros imaginários da inteligência artificial e da sociedade da informação, eu queria equipar os leitores com o conhecimento para recusar estas profecias anacrônicas. Da próxima vez que alguém lhes falasse que a utopia pós industrial está logo ali do lado, eles poderíam responder que esta previsão não é nada mais que um McLuhanismo reciclado. A guerra fria terminou – e os futuros imaginários made in USA, também.
Como meu entrevistador gostaria de saber, eu não precisei visitar o Brasil ou conhecer alguém do país para chegar a esta conclusão. Poucos dos autores que preenchem minhas prateleiras de estudo com pensamentos sobre computação e a Internet estão interessados no impacto das tecnologias de informação nos países em desenvolvimento. Assim como eles, eu poderia ter dito tudo que quisesse dizer neste livro sem fazer nenhuma menção à maioria da humanidade. Computadores e a Internet são do norte, então porque falar do sul ? Felizmente, meu camaradas brasileiros me preveniram de sucumbir a esta tentação comodista. Sua influência adicionou profundidade à analise dos futuros imaginários. Acima de tudo, eu percebi o quão diferente do Norte o mundo parece, visto do Sul. Não são só as constelações no céu que estão reviradas, mas também a memória geopolítica. Quando visitei Brasília em 2004, eu vi com meus próprios olhos os edifícios modernistas de uma sociedade melhor que era negada ao próprio país. Como o livro enfatiza, os principais intelectuais do Império americano eram os principais apoiadores do golpe militar de 1964 que derrubou o governo democraticamente eleito de João Goulart. Neste paríodo os partidários do estilo estadunidense de futuro hi-tech justificavam os horrores da ditadura imposta ao Brasil. Para aqueles de nós que vivemos na Europa Ocidental é sempre um choque encontrar a desigualdade e violência que resultaram deste caminho autoritário de desenvolvimento. Pela nossa experiência da hegemonia americana durante a guerra fria ser relativamente benigna, só entendemos realmente os custos humanos das regras imperiais quando vamos para o Sul. Os capítulos finais de Futuros imaginários reflete o que eu aprendi das minhas viagens ao Brasil. Quando estava escrevendo o livro, sabia que críticas mais ferozes a estas profecias utópicas do Norte estavam explicando como seus defensores tentaram percebe-las no sul. Forçosamente, descobri que os apoiadores estadunidenses do golpe de 1964 no Brasil, foram também os arquitetos da desastrosa invasão daquela nação no Vietnã. Em relação as forças lideradas pelos EUA que ocupam o Iraque e o Afeganistão, o paralelo com o presente ainda está para ser desenhado. O desejo de se apropriar do tempo está intimamente conectado com a ambição de controlar o espaço. Quando olhei o mundo do Sul, pude ver quão facilmente os sonhos hi-tech podem se transformar em pesadelos de barbarismos e crueldade. Ir para São Paulo foi uma pré condição para entender porquê – em Futuros Imaginários – Saigon tem um papel tão central na história da Aldeia Global.
Quando eu visitei o Brasil em 2002, a importância de encarar o mundo desde o Sul enquanto escrevia este livro não era imediatamente óbvia. Em uma conferência na UFRJ, nossos anfitriões entretiveram os convidados internacionais com uma triste história da versão local do estilo californiano hi-tech. Fascinado pela bolha das empresas pontocom do fim da década de 90, a administração de Fernando Henrique Cardoso fantasiou sobre o Brasil dar um passo adiante, do subdesenvolvimento para a sociedade da informação sem passar pelo fordismo. Com habitantes das favelas próximas carentes das necessidades básicas e dos serviços de bem estar social que são garantidos na Europa, ficamos 'enojados' em saber como os futuros imaginários do norte deram uma lustrada modernista na perpetuação da exploração no Sul. Quando os apoiadores do recém eleito governo Lula nos contaram que chegar ao fordismo seria a maior conquista para a população urbana brasileira, não pudemos discordar. Focar a política econômica do país em computadores, Internet e telefones celulares parecia grotesco quando para tantas pessoas faltava água, saneamento básico, eletricidade, saúde e educação. Leríamos nosso Marx – Sabíamos que o Sul não poderia evitar o lento e doloroso caminho seguido pelo Norte em direção à modernização.
Então eu tive um pensamento preocupante. Ironicamente, nossas simpatias esquerdistas pelos habitantes das favelas pode esconder uma proclamação dúbia da superioridade européia. Com o enorme abismo entre ricos e pobres, a viagem ao Rio de Janeiro no começo do século 21 parece como voltar no tempo à Londres do final do século 19. É certamente verdade que muitos turistas vão ao Brasil para uma dose rápida de exotismo e aventura antes de voltar para suas seguras casas européias. Se nossas motivações para viajar pro exterior não fossem mais puras, significaria que os habitantes de um país subdesenvolvido não nos poderiam contar nada sobre computação e Internet que a gente não soubesse ? Aqui está outra conclusão problemática. Fernando Henrique foi um respeitado economista marxista antes de sacrificar princípios pelo poder. Sua aproximação perversa ao neo-liberalismo pontocom pode ter sido fundada sob um cerne de racionalidade: o Sul tem que fervorosamente imitar o norte em todas suas imperfeições. Com sua ambição de saltar por sobre o fordismo para a pós-industrialização, talvez ele fosse realmente mais radical do que o governo Lula - com seu cauteloso programa de reformas parciais? Quem quer ser sueco quando pode-se ser o vale do Silício ?
Seis anos depois, enquanto o sistema financeiro global colapsa na crise, parece absurdo que o brasil queira se transformar na Califórnia. Pelo contrário, é agora altamente reconhecido que muitos dos elementos do novo paradigma da modernidade são mais facilmente descobertos nestes países supostamente subdesenvolvidos do que na avançada vizinhança do norte. Na época em que o Mídia Tática me convidou a voltar para a conferência em 2003, Gilberto Gil já estava defendendo – como ministro de estado – uma visão open source da Internet. Para ele, financiar telecentros comunitários e pontos de cultura complementavam os suprimentos básicos dos menos privilegiados. De maneira ainda mais bela, foram os fetichistas do direito autoral do norte que tiveram que imitar a atitude tranquila do sul em relação a propriedade intelectual, não o contrário. Os que têm computadores e acesso a banda larga podem ser em menor número no Brasil do que na Europa ou EUA, mas foi ali que pode-se achar o precursor da cultura participativa da Internet. O Carnaval e não o mercado era o modelo do ministro da cultura para a emergência da sociedade da informação. Fazendo jus as suas raízes na tropicália, Gil é um verdadeiro cosmopolita. Imitação não é subserviência – é inspiração e cooperação. Remixar, samplear e citar são ferramentas do trabalho coletivo na economia da dádiva hi-tech.
Na conclusão deste livro, eu argumento que devemos inventar novos futuros. Exorcizar as ideologias da guerra fria de inteligência artificial e de aldeia global é minha contribuição para mapear o caminho através das múltiplas promessas, econômicas, sociais e ambientais que agora confrontam a humanidade. Crucialmente, como perguntou meu interlocutor de Pipa, vocês também ajudaram a criar este texto de alguma maneira. Futuros Imaginários teria sido um livro levemente diferente em várias maneiras se eu não tivesse visitado o Brasil e aprendido com as pessoas que conheci aí. Os habitantes do Norte e do Sul estão juntos nessa aventura da modernidade. Então vamos continuar nossa colaboração no esforço comum de fazer um mundo mais igualitário, sustentável e próspero. O drum'n'bass está tocando e este livro está esperando para ser lido. Aproveite !
PROJETO FUTUROS IMAGINÁRIOS
Projeto de edição e lançamento da obra
“Futuros imaginários - Das máquinas pensantes à aldeia global”,
de Richard Barbrook
Editora Peirópolis e Des).(Centro
“A criatividade cooperativa e a democracia participativa deveriam ser estendidas do mundo virtual para todas as áreas da vida. Agora, o novo estágio de crescimento deve ser uma nova civilização.” (Richard Barbrook, em “Futuros Imaginários”)
“Futuros Imaginários”, de Richard Barbrook é um livro que será lançado em abril de 2009 em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Belo Horizonte e em Salvador, resultado da primeira tradução para a língua portuguesa de uma obra do autor, professor e pesquisador do curso de Hipermídia da Universidade de Westminster (Londres, Reino Unido). Em “Futuros Imaginários – Das máquinas pensantes à aldeia global”, Barbrook apresenta uma acurada análise do desenvolvimento das tecnologias cibernéticas de um ponto de vista pouco explorado: o político. Assim, o autor reflete sobre o desenvolvimento tecnológico levando em consideração suas motivações políticas e objetivos econômicos, como também a sua repercussão social. Em sua análise, o autor relaciona ciência, tecnologia, economia, política, história e comunicação de massa pensando a apropriação tecnológica das futuras gerações .
Barbrook toma como ponto de partida de sua pesquisa a Feira Mundial de Nova York de 1964, evento que apresentou ao mundo um cenário futurista promissor, jamais concretizado. Ao acessar suas próprias memórias – as memórias de um garoto de seis anos que esteve visitando a feira com sua família, cujo pai era um grande entusiasta do ideário estadunidense li propagado –, ele alcança a proximidade que lhe permite lançar mão de certa dose de ironia em sua análise, apresentando de imediato o caráter da sua abordagem: uma análise política das tecnologias que desembocaram na invenção da Internet e de seus usos no presente, desvelando ideologias e interesses existentes por trás de seu desenvolvimento, para chegar à constatação de que a humanidade ainda precisa apropriar-se dessa grande ferramenta de produção e circulação de conhecimento, em seu potencial de construção de novos cenários políticos e sociais no mundo globalizado.
Considerando desde a Revolução Industrial à queda do comunismo no Leste Europeu, demonstra como os líderes dos negócios e os líderes ideológicos aplicaram uma visão cuidadosamente orquestrada de um futuro imaginário, no qual os robôs executariam tarefas domésticas enquanto faríamos turismo a bordo de maravilhosos foguetes espaciais. Com os Estados Unidos na vanguarda dessas promessas, na verdade apresentando embalagens atraentes para investimentos bélicos devido a corrida tecnológica durante a era da Guerra Fria, Barbrook mostra como forças políticas se juntaram para desenvolver novas tecnologias da informação, pretendendo criar um modelo de uso sobre estas e a Internet.
Da Feira de Nova York aos dias de hoje, Barbrook percorre um longo caminho, em que destrincha para o leitor cada passo do desenvolvimento tecnológico, assim como apresenta seus precursores e responsáveis por conceitos hoje tão populares como “cibernética” e “aldeia global”: os cientistas e pensadores que transitaram pelas vias velozes da informação e da cibernética. O momento histórico, o pensamento político e todo o contexto mundial em que os pesquisadores estavam inseridos são bem aprofundados: o que os levaram a desenvolver suas pesquisas? A quais interesses estavam ligados? Quais eram as suas motivações? Em que acreditavam? Como desvelar as ações humanas por trás de conceitos científicos supostamente “neutros”, “imparciais”?
“Futuros imaginários” é uma obra interessante pela abordagem escolhida e também pela forma como ela é realizada: o autor alia, à postura rigorosa do especialista, a postura política radical e ao mesmo tempo renovadora, oferecendo argumentos para aqueles que se preocupam com o afastamento entre tecnologia e política. O novo título irá agradar tanto intelectuais quanto os cibernautas, incentivando-os a tomar conhecimento da história política da Internet. Barbrook desafia as novas gerações a apropriarem-se do poder da Internet, a resistir à política do status quo e a utilizar a ferramenta política mais poderosa do mundo para dar forma ao seu próprio destino. Sua mensagem: se nós não queremos que o futuro seja o que ele costumava ser, precisamos, sim e desde agora, inventar o nosso próprio futuro.
“Há um tom e um sentimento de guerrilha urbana neste livro com uma mensagem
ambiciosa a ser destacada. Ele é fantasticamente radical, porque nos lembra do que poderia ter sido e do que ainda pode acontecer... Muitos escritores da Internet
adotam uma posição apolítica, mas Richard nos mostra o oposto
– que as questões mais importantes da esfera política em nosso tempo estão
relacionadas a ela.”
(Simon Schaffer, professor da Universidade de Cambridge e apresentador da BBC.)
Sumário:
Prefácio de Heloísa Buarque de Holanda e Des).(centro - A classe do novo
01 O futuro é o que sempre foi
02 O século estadunidense
03 A computação da Guerra Fria
04 A máquina humana
05 Supremacia cibernética
06 A aldeia global
07 A esquerda da Guerra Fria
08 Os poucos escolhidos
09 Trabalhadores livres na sociedade afluente
10 Os profetas do pós-industrialismo
11 A estrada estadunidense para a aldeia global
12 O líder do mundo livre
13 O grande jogo
14 A invasão estadunidense do Vietnã
15 Aqueles que esquecem o futuro estão condenados a repeti-lo
Referências
Sobre o autor: Richard Barbrook
Dr. Richard Barbrook é professor, pesquisador e conferencista do curso de Hipermídia da Universidade de Westminster (Londres, Reino Unido). Autor de influentes ensaios sobre o confronto entre comércio e cooperação dentro da Internet, incluindo “A economia da dádiva da alta tecnologia”, “Ciber-comunismo”, “A regulação da liberdade”, "A classe do Novo" e, com Andy Cameron, “A ideologia californiana”.
Sobre o grupo tradutor: Des).(Centro - A Classe do Novo
A adaptação de “Imaginary Futures” foi realizada por pesquisadores do Des).(Centro, em colaboração direta com Richard Barbrook. O autor doou ao grupo a propriedade intelectual da versão em português para que possam realizar ações sintonizadas com os ideais e objetivos que embasam seus trabalhos, como disponibilizar a obra gratuitamente na Internet.
A Classe do Novo é formada por Adriana Veloso, Alexandre Freire, Elisa Tkatschuk, Giuliano Djahjah Bonorandi, Guilherme Soares, Letícia Canelas, Lúcio de Araújo, Ricardo Ruiz, Rose Marie Santini, Sálvio Nienkötter, Simone Bittencourt, Claudia Washington, Tatiana Wells, Thiago Novaes e Wanderllyne Selva.
O Des).(centro – plataforma para agregação de projetos e pesquisas desenvolvidas ou em desenvolvimento – se divide em pesquisas e cooperações técnicas, festivais, seminários e encontros (como o “Mídia Tática Brasil”, realizado na Casa das Rosas, em 2003, com a presença de Barbrook e do então Ministro da Cultura, Gilberto Gil, alcançando grande repercussão; o festival “Submidialogia” e o “Cibersalão”), além de itinerâncias interterritoriais, oficinas aplicadas e publicações editoriais, como é o caso do livro “Futuros Imaginários”.
Para o grupo, o livro representa uma oportunidade de exercitar o processo colaborativo que Richard Barbrook procura elaborar e defender. A edição foi feita por todos, em um trabalho inédito e desafiador, que gerou grande aprendizado a ser aproveitado nas próximas traduções.
O grupo buscou, também, oferecer aos leitores em língua portuguesa uma revisão cuidadosa da bibliografia do autor, com referências em português sempre que os livros citados por Barbrook foram encontrados em nossa língua.
Sobre a Editora: Peirópolis
A Editora Peirópolis foi fundada em 1994, como unidade de sustentabilidade da Fundação Peirópolis, entidade criada com a finalidade de divulgar o programa de Educação em Valores Humanos, adaptado à realidade brasileira por uma equipe de mais de 60 acadêmicos das melhores universidades brasileiras.
Após partir de conteúdos diretamente relacionados à sua origem, a Editora passou a ampliar seu foco, desenvolvendo linhas editoriais diferenciadas, afinadas com sua missão de reconhecimento da diversidade cultural e dos valores comuns a todas as culturas e tradições. Assim, busca formas renovadas de trabalhar os temas transversais da educação, como ética, cidadania, pluralidade cultural, desenvolvimento social, ecologia e meio ambiente, sempre aplicando a eles uma visão transdisciplinar e integrada.
Como editora nascida de uma organização não-governamental, a Peirópolis tem participado ativamente do crescente movimento de profissionalização do Terceiro Setor e colaborado com ONGs e organizações da sociedade civil na elaboração de material de referência sobre investimento social privado, responsabilidade social empresarial, filantropia corporativa, ética nos negócios e valores humanos nas organizações.
Nesse contexto, a preocupação com a questão das novas mídias e suas implicações em todos os campos da ação humana justificou a criação da linha editorial “Cultura e mídias”. “Futuros imaginários” será o quarto título dessa linha editorial, e sintoniza-se com a proposta de buscar abordagens diferenciadas para questões urgentes do mundo atual.
Cronograma de trabalho:
Outubro / Novembro 2008:
20/10/08 a 20/11/08 – Preparação de originais: revisão e leitura final do grupo antes de passar à diagramação. Articulação dos diversos eventos do lançamento, parcerias e agenda de Barbrook e acompanhantes.
30/10/08 à 10/10/08 - Entrega do prefácio do autor e do grupo, tradução do prefácio do autor
Novembro / Dezembro 2008:
20/11/08 a 20/12/08 – Diagramação. Articulação dos diversos eventos do lançamento, parcerias e agenda de Barbrook e acompanhantes
Dezembro 2008 / Janeiro 2009:
20/12/08 a 20/01/09 – Revisão da prova diagramada: última leitura detalhada por parte do grupo e da editora.
Janeiro 2009:
20/01/09 a 05/02/09 – Emendas.
Fevereiro 2009:
05/02/09 – Fechamento de arquivos e última checagem.
20/02/09 – Entrada em gráfica
Março 2009:
20/03/09 – Saída de gráfica.
Abril 2009:
? – Mega tropical-tour
Devemos seguir o formato do Cybersalão, sempre aliar uma apresentação à festa. Em Universidades podemos fazer um seminário do autor ou debate sobre o tema. Em livrarias, entrevistas com o autor e sessões de autógrafo.
Durante o tour Richard, Ilze e talvez mais membros do WarGames viajam em companhia de uma tradutora e mantêm um blog com textos e videos.
Barbrook gostaria de achar uma instituição de arte moderna em SP ou no Rio para hospedar a exibição "War Games" durante abril. Além disso eles gostariam de fazer uma performance do jogo durante o lançamento e possivelmente levar uma versão mais leve da instalação para apresentar em outras instituições durante o tour.
Além disso, pensamos pesquisar os detalhes históricos historical da Ação Libertadora Nacional contra o Exército Brasileiro e a polícia secreta liderada por Carlos Marighella em 1967-8 para fazer uma performance onde a batalha é re-encenada com bonecos.
http://www.copplestonecastings.co.uk/
Em paralelo, ambos os jogos seriam uma boa maneira de representar os acontecimentos da Europa e América Latina neste período. "It might also amuse the 68ers who are now respectable PT politicians to play with toy soldiers of themselves as youthful revolutionaries!"
http://br.monografias.com/
http://www.midiaindependente.
http://www.ternuma.com.br/mar.
Orçamento |
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Passagem de ida e volta |
| 2 | 2.500,00 | 5.000,00 |
SAO-POA-SAO |
| 3 | 800,00 | 2.400,00 |
São Paulo - Campinas - SP |
| 3 | 600,00 | 1800,00 |
SÃO-Rio |
| 3 | 350,00 | 1.050,00 |
Rio-BH |
| 3 | 450,00 | 1.350,00 |
BH-DF |
| 3 | 450,00 | 1.350,00 |
DF-Salvador |
| 3 | 500,00 | 1.500,00 |
Salvador-Recife |
| 3 | 350,00 | 1.050,00 |
Recife-SÃO |
| 3 | 800,00 | 2.400,00 |
Subtotal 1 |
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| 17.900,00 |
DJs para festas | 1 | 4 | 450,00 | 1.800,00 |
Diárias de alimentação | 30 | 3 | 50,00 | 4.500,00 |
Diárias de transporte local | 30 | 1 | 100,00 | 3.000,00 |
Diárias de hotel | 30 | 2 | 100,00 | 6.000,00 |
Diária da tradutora | 30 | 1 | 100,00 | 3.000,00 |
Subtotal 2 |
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| 18.300,00 |
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TOTAL |
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| 36.200,00 |
| Basedo no valor pago pela editora: | R$ 9.360,00 | |||
| E conforme o alê disse no email “agitando os futuros imaginários e acertando as contas”: | ||||
| vamos receber 4 parcelas de R$2.340,00 | de cada uma precisamos retirar o valor do sedex da nota: 44, 10 + o valor do moto taxi q as contadoras mandam pra pegar o boleto na prefeitura e entregar o canhoto da nota: 15, 00 + o valor do ISS: 117 | então o total liquido que temos pra partilha eh: 2340*4 - (44,10+15+117)*4 = 8655,6 | ||
| Valor líquido recebido: | R$ 8.655,60 | |||
| Conforme Valores para revisão, ilustração e pesquisa da bibliografia: | ||||
| Revisores: | ||||
| Tati | R$ 860,00 | |||
| Djahjah | R$ 860,00 | |||
| Ruiz | R$ 860,00 | |||
| Novaes | R$ 1.000,00 | |||
| Além disso, em conversas com Ale e Novaes: | ||||
| Ilustrações: | ||||
| Lúcio | R$ 500,00 | |||
| Referências bibliográficas: | ||||
| Letícia | R$ 500,00 | |||
| Valor Líquido para tradução: | R$ 4.075,60 | |||
| Dividido pelo número de páginas: | 264 | |||
| Valor por página: | R$ 15,44 | |||
| Baseado no sumario do livro em ingles disponível em http://www.imaginaryfutures.net/imaginaryfutures_v2.pdf : | ||||
| Capítulo | Página | Pgs | Custo da tradução] | |
| 01: The Future Is What It Used To Be | 1 | 8 | R$ 123,50 | |
| 02: A Millennium Of Progress | 9 | 10 | R$ 154,38 | |
| 03: Exhibiting New Technology | 19 | 15 | R$ 231,57 | |
| 04: The Human Machine | 34 | 12 | R$ 185,25 | |
| 05: Cold War Computing | 46 | 8 | R$ 123,50 | |
| 06: Cybernetic Supremacy | 54 | 12 | R$ 185,25 | |
| 07: The Global Village | 66 | 10 | R$ 154,38 | |
| 08: The Cold War Left | 76 | 10 | R$ 154,38 | |
| 09: The Chosen Few | 86 | 17 | R$ 262,44 | |
| 10: Free Workers In The Affluent Society | 103 | 23 | R$ 355,07 | |
| 11: The Prophets Of Post-Industrialism | 126 | 41 | R$ 632,95 | |
| 12: The Leader Of The Free World | 167 | 12 | R$ 185,25 | |
| 13: The Great Game | 179 | 21 | R$ 324,20 | |
| 14: The American Invasion Of Vietnam | 200 | 30 | R$ 463,14 | |
| 15: Those Who Forget The Future Are Condemned To Repeat It | 230 | 35 | R$ 540,33 | |
| 16: References | 265 | |||
| Baseado na equipe disponivel em http://colab.info/wiki/index.php/Equipe : | ||||
| Tradutores: | R$ a receber tradução | |||
| Lúcio - Capítulo 1 / Capítulo 2 | R$ 277,88 | |||
| Glerm - Capitulo 3 | R$ 231,57 | |||
| Glerm & Simone - Capitulo 4 | R$ 185,25 | |||
| Elisa - Capitulo 5 - faltam as cinco primeiras páginas (feitas por tati) | R$ 123,50 | |||
| Ale - Capitulo 6 / Capitulo 7 / Capítulo 14 | R$ 802,77 | |||
| Djahjah - Capítulo 8 / Capítulo 9 / Capítulo 15 | R$ 879,96 | |||
| Tati - Capítulo 10 / Capítulo 11 / Capítulo 12 | R$ 1.173,28 | |||
| Rose Marie - Capítulo 13 | R$ 324,20 | |||
| Drica – Material promocional | não foi combinado, como resolver? fica o preço de duas laudas? |