Pesquisas

Uma série de pesquisas são desenvolvidas pelo des).(centro, com seus resultados publicados como artigos, monografias, web-sites, documentação e desenvolvimento em tecnologias da informação.


Confira abaixo as pesquisas apoiadas e desenvolvidas pelos associados des).(centro e simpatizantes

Boca Volúpia

Boca Volúpia é um conjunto de receitas que primam por uma alimentação saudável - não-transgênica, orgânica, vegetariana, natural, o menos industrializada possível, etc. Deriva de experências práticas na cozinha, ou seja, todas as receitas foram realizadas e avaliadas pelos que as provaram.
PLANTE!! Faça sua horta, se alimente bem. Experiencie o ciclo alimentar completo.

Abobrinhas recheadas com farofa espumante

Ingredientes:
4 abobrinhas verdes médias

farofa:
100g farinha biju de milho amarelo
15 tomates cereja
200g palmito
100g azeitonas verdes picadas
4 cebolas pequenas picadas
100g champighon picado

Modo de preparo:
refoga todos os ingredientes exceto a farinha em azeite de oliva
gergelim preto
ervas: manjerona, manjericao e basilico a gosto

após refogado junta com a farinha - acrescenta sal, azeite de oliva
mistura e recheia a abobrinha e leva ao forno
leve ao forna

acompanhamento a gosto (sugestão: arroz selvagem com miolo de abobrinha e chimichurri

Bolinhos de arroz para sushi recheados e fritos

Ingredientes:
50g de queijo mussarela;
50g de queijo parmesão;
30g de queijo gorgonzola;
meio pepino fatiado;
meia cenoura fatiada;
150g de palmito picado;
10 tomates cereja;
uma colher de alcaparras;
uma porção pequena de aspargos;
uma porção pequena de vagem;
dois ovos;
200g farinha de trigo integral;
200g farinha de rosca;
óleo vegetal
sal

Modo de preparo
a receita para a feitura do arroz é idêntica a receita do sushi karate
prepara bolinhos de arroz - um pouco maior que uma bola de pingpong
coloca o recheio a gosto (queijos, legumes ou frutas)
passa o bolinho na farinha de trigo
em seguida mergulha no ovo
e em seguida na farinha de rosca
frita em fogo médio com cuidado para não se queimar.

Charuto ao molho de rúcula

Ingredientes:
01 cabeça de repolho
01 maço de rúcula
02 tomates
08 tomates cereja
06 jilós
01 cabeça de alho poró
200g de arroz integral
02 colheres de alcaparas

Modo de preparo:
- Em uma panela prepare o arroz (para o recheio)
03 dentes de alho
01 colher de óleo de soja (não trangênico)
03 sementes de cardamomo
sal e tempêro a gosto

- Em uma panela ferva o repolho inteiro até soltar as folhas.

- Legumes para o recheio (a ser misturado com o arroz já pronto)
jiló picado e refogado;
alho poró picado e frito;
tomate pelado cru, sem semente, picado e temperado;

Molho:
rúcula temperada (triturada no liquidificador);
tomate cereja;
tempêro a gosto

Opcional:
carne de soja ao molho de tomate (leve)

Suco de manga infinito/infinito

Ingredientes:
02 mangas descascadas e picadas
02 colheres de sopa razas de mel;
06 folhas de hortelã;
01 copo de iogurte natural desnatado.
água e gelo

Modo de preparo:
bata tudo no liquidificador.

Sushi karate

Ingredientes:
média de um copo por pessoa
4 xícaras de arroz para sushi
5 xícaras de água
3 colheres de sopa de saque de cozinha
5 colheres de sopa de vinagre de arroz
5 colheres de sopa de açúcar refinado
1 e um quarto colheres de sal
100g de gergelim,
legumes e frutas a gosto (aspargo, cenoura, vagem, pepino, morango, manga)

Modo de preparo:
lavar o arroz até a água ficar transparente.
cozinhar em fogo médio por cerca de 20 minutos, com o saque - ao terminar o cozimento colocar um pano úmido por dentro da tampa.
quantidade de tempero é cerca de 25% da quantidade de arroz.
assim que ferver abaixe o fogo e cozinhe por mais 15 minutos com fogo baixo. Passe para uma travessa grande e tempere com açúcar, vinagre e sal, revirando o arroz delicadamente até esfriar.

cortar os legumes em tira longas - aspargo e a vagem são escaldados - em seguida joga na água com gelo.

Como montar o sushi:
Sob uma esteira de bambu, coloque a alga (folha de nori), espalhe o arroz sem fazer muita pressão sob a alga (deixando uma das extremidades livre para fechar o rolo) e recheiro de sua preferencia. Com o auxílio da esteira de bambu, role o sushi fechando-o com a parte limpa da folha de nori.

Conecta-Bailux

Objetivos:
Articular conexões entre os facilitadores da comunidade online da metareciclagem e coordenar oficinas presenciais no esporo bailux formando replicadores em:
.Iniciação ao linux
.Desmonte da caixa preta-conhecimentos em hardware do computador.
.Edição de audio e video
.Desenvolvimento web
.Apropriação da WEB em ações de midia-ativismo e o uso de redes sociais.

Justificativas:
O Bailux na metareciclagem promove o uso critico da tecnologia e a enfase na tecnologia social entre jovens de 14 a 21 anos oriundos de familias de baixa renda e excluidos do acesso aos computadores e a internet na comunidade arraial d'ajuda-porto seguro-BA.No projeto a tecnologia e usada como meio para promover a colaboração e a cooperação.Fazemos uso do softlivre por entedermos o conhecimento como um bem coletivo e livremente apropriável.Promovemos a descentralização integrada do intercambio de conhecimento entre pessoas em diferentes esporos metareciclagem.Praticamos educação como ferramenta de transformação social.

Metodologia:
- Mapeamento online dos facilitadores nas listas de discussão da metareciclagem e nas redes socias ligadas ao grupo;
- Procurar produzir o conteúdo das oficinas de acordo com a demanda do grupo de replicadores bailux;
- Introdução ao uso de tecnologias livres para a produção multimídia;
- Estimular a produção de conteudos pelo grupo de replicadores bailux que reflitam a realidade local;
- Difusão dos conteúdos produzidos através de ferramentas de alta e baixa tecnologia.

Cronograma:
Oficinas primeiro simestre 2010.

-Oficinas semanais sobre a filosofia softlivre,conectivismo e apropriação das redes socias,blogs,microblogs,fotologs-videologs,forums,listas e outras ferramentas WEB.

Carga horária: 3 horas semanais durante seis meses.
Facilitador-Regis Bailux

–Introdução à informática, software livre e sua ideologia (4 dias)

–Produção de vídeos (6 dias)

–Publicação de conteúdos na web (03 dias)

–Criação de blogs, publicação de imagens e vídeos, participação ativa em redes sociais, como usar as redes digitais em Arraial d'Ajuda.

Facilitador-ativista convidado da rede metareciclagem

Oficinas Segundo simestre 2010

-Oficinas semanais sobre a filosofia softlivre,conectivismo e apropriação das redes socias,blogs,microblogs,fotologs-videologs,forums,listas e outras ferramentas WEB.

Carga horária: 3 horas semanais durante seis meses.
Facilitador-Regis Bailux

Desenvolvimento WEB com Wordpress

Introdução ao HTML e CSS

Carga horária: 15 horas

Wordpress

*Instalação
*Visão Geral
*Instalação e configuração de plugins
*Instalação de temas
*Personalizando temas
*WP hacking

Carga horária: 30 horas
Facilitador-ativista convidado da rede metareciclagem

Recursos:
-R$ 300.00 mensais durante seis meses para o coordenador e o educador do projeto. Os recursos fazem parte do apoio de Stefannie, apoiadora Alemã da rede Metareciclagem.

Coordenador das Oficinas e o educador do projeto:
Regis bailux

Relatório de atividades no bailux_mês de junho de 2010

bailux | June 2, 2010

Drica veloso com audio e video e Ariane com CSS e HTML foram as oficinas ralizadas numa parceria bailux&Stefanie Langkamp&descentro.org&patypataxo no ponto de cultura aldeia velha,ação que faz parte de uma metodologia de criar autonomia na criação e apropriação de redes numa filosofia metarecicaleira.no vamo q vamo

bailux | June 7, 2010

continuamos na rede local com a formação de replicadores em tecnologias livres,com um mês de sub_midialogia aceleramos nosso processo de autonomia e reapropriação da tcnologia nas nossas ações metarecicleira,o primeiro e grande salto foi a linkania com o ponto de cultura da aldeia pataxó,na presença de seu coordenador patypataxo,a aldeia foi território de varias atividades,oficina wordpess-autonomia em levantar os proprios conteudos,biocostrução-narrativas digitais-audio e video-instalação e uso do ubuntu + uso da internet como ferramenta de visibilidade para as comunidades locais.Todo o tempo de festival que começou em uma primeira edição logo no inicio de maio e terminou no final do mesmo mês,criamos novos pontos na rde local no mapeamento de pessoas que passam a interagir com os encontros presencias no bailux toda quinta feira a tarde.no lab bailux tivemos presença de Marcelo Braz oficineiiro metareciclagem que passou todo mês de maio interagindo com os replicadores bailux e ampliando nossos conhecimentos em novos conceitos de tecnologia social,o resultado de toda esta vivencia será compartilhada por aqui na nossas praticas de redes compartilhadas.
abs do bando

bailux | June 11, 2010

o bailux em bando:
Rafael-Léo-Marcelo-Sombra-Fabrizio-Lauro-o pequeno hacker pataxó-Tomas-Victor-Bruno-Helio-Berini eo ET do arraial.chegamos instalmos laptops e conectamos a net,falamos da viagem de pablo a drumbeat mozzila em sampa,ativamos o skype que esta sem retorno no microfone no ubuntu 10.04,foi feita a apresentção dos novos no bando:Bruno-tomas-victor,o bruno trouxe varias novidades de suas praticas já no mundo linux,garto motivado e a conversa seguiu em varios assuntos,fizemos um mapeamento das nossa motivações em apreender e compartilhar no bailux,cada um escreveu as motivações que os levam ao bailux:video-linux-programação-webdesign-hardware e ficou de sistematizarmos nossas oficinas no lab e tbem criar um link com o ponto de cultura da aldeia.Este foi um daqueles encontros que sentimos a força da comunidade em torno de objetivos comuns:espalhar a filsofia hacker no arraial d’ajuda.

bailux | June 18, 2010

Programando em html com bruno froes,cadastrando na lista metareciclagem com Regis-softwares-hardwares-internet-videos-aprendendo ingles online-climpagem de cabo de rede-estrategias hacker de uso da net-imersão na aldeia pataxó com Lauro-Fabrizio-Edmilson-gravando cds-subindo fotos para o flikr-blogando e tirando fotos por uma webcam no cheese que tá preto em branco no ubuntu 10.04,vendo o video REVOLUTION OS-drumbeat com pablo e o livro biblia de tudo sobre hardware,planos de comunidades e construção de identidades-internet rodando no lab com brazileiro e hudson-sorocaba-mbraz e Goa e + outros bando virtuais.Conectivismo é bailux.
abs em bando

bailux | June 24, 2010

Tecnologia são pessoas.
Ontem realizamos uma rede de conversa na 9 oficina para inclusão digital em brasilia sobre ações colaborativas e zonas de vizinhança no bailux,produzimos um blog para tornar visivél as varias iniciativas de conhecimentos compartilhados em projetos colaborativos a partir de praticas ja existente nas comunidades,falamos da metodologia da falta e gambiarras que fazem visiveis a criatividade do coletivo,a sala se transformou em um lab de relações presencias onde cada participante da oficna era um facilitador e um facilitado na busca de respostas as quesões relacionada aos seus projetos locais,o grupo tinha um demanda por elaboração de projetos e nesta vivencia ficou uma percepçao de que a partir de praticas autonomas e solidarias se pode ter um mapeamento dos desejos que a comunidade em si cria e as motivações de algo que faz sentido para ela,no momento que se mapeia os desjos se busca as competencias ja existente na sua rede de vizinhos e na rede online as potencias que irão concretizar os projetos e ideias.um dos participantes tinha longa experiencia e gestão e elaboração de projetos o que mobilizou o grupo no sentido de trocas continuadas e em rede sobre este tema.

no vamo q vamo,
bailux

bailux | July 2, 2010

Ralatando atividades no bailux nas #TAGS

#Bruno # Rafael # Victor # Tomas #Josiel # Helio # Léo # Pablo #Lauro #Dave #Daniel #Savio #metareciclagem #video por dentro do computador #pablo e regis no ONID #html #video lixo eletronico #coletivo #ética hacker #ponto de cultura aldeia velha #webcam bailux #slowfood #conversas #guitarra #bateria #blender #lista metarecsx #lista estudio livre #fabi baveldi #escola do futuro #Hudson em sorocaba #mBraz #Dalton #Efefe #Nena no skype #economia opensource #contaminação hacker #replicadores #baianão #softlivre #desmonte do hardware #cinelerre #imersão pataxo #vamo q vamo.

Relatórios das atividades no Bailux no mês de Março e Abril-2010

March 20, 2010
Reunidos com lauricio da psicologia comunitaria o bando incial bailux Regis-Rafael e Paulo conversando sobre estrategias e açòes para 2010,festival #submidialogia-oficinas com facilitadores da rede metareciclagem-autonomia com responsabilidade-praticas metareciclagem nos nossos encontros semanais.

March 25, 2010
Paulo-Rafael-Léo-Ruan-Josiel-Marcelo-Sombra-Regis.
Inicamos o encontro de hoje com papo sobre nossa agenda 2010,oficinas-submidialogia e pontão.
trouxe alguns videos sobre redes sociais e conectivismo,tbem assistimos o video dos metaresx do Ceara enviado na lista pela Andreia Saraiva,falamos sobre a importancia das ferramentas para produção dos nossos conteudos na net,as oficinas de produção de texto,programação web e uso dos videos para uploads.agora estamos fazendo uma garimpagem nas sucatas do lab para triagem de todo material que possa ser aproveitado para levantar novas maquinas para conexão na net.O josiel esta com m contato de um pessoas no seu bairro que esta fazendo coleta do lixo eletronico,propomos um encontro na proxima quinta-feira para falarmos sobre o descarte consciente e conhecer mais se seria possivél um parceira.falei sobre a proposta de inicarmos uma produ,ão de textos com as atividade dos replicadores no bailux,uma iniciativa que surgiu em um irc com a Maira.vamos documentando por aqui
abs do bando

April 2, 2010
Nesta quinta feira mais um encontro na zona autonoma bailux,um espaço onde pessaos se encontram para compartilhar utopias do possivél.
estavam presentes os replicadores metareciclagem:Léo-Josiel-Ruan-Sombra-Regis.Contamos com a presença de Pilar que vem de uma formação na Escola Superior de Belas Artes de Hamburgo e tbem a presença de Pedro Regis que cuidou da documentação com fotos de uma maquina digital da Monica Araujo nossa vizinha da pousada sossego.No encontro mostramos o video da economia solidaria produzida pelo pessoal do ponto de cultura de fortaleza no Teia 2010.repassamos para os novos o video bailux produzido na oficina do Willle no ano de 2009 de edição em cinelerra.A outra parte do encontro foi dedicado a garimpagem de pe,cas e os testes para montagem de uma maquininha metareciclada,entramos na demanda de parcerias na coleta do lixo eletronico e doadores para maquinas funcionais e resgate do sinal da internet junto aos novos parceiros bailux da AllCente com o wagner.
no vamo q vamo,
o bando

April 11, 2010
O bailux nesta quinta feira começou como todas as quintas com uma primeira varrida no espaço com a presençca de pedro regis na documentação com as fotos Digitais,depois foi a chegada do Josiel que tava cheio de novidades com suas experiencias nas gambiaras eletro-robóticas e ele apresentou o bailux ao José que trabalha na coleta de ferro velho para ser repassado para uma empresa de teixeira de freitas e ele ficou interessado em coletar varios gabinetes de maquinas que chegaram por doação e que nao houve aproveitamento pelo lab,O encontro do dia foi a visita do Nikolaus que como já disse aqui é um dos primeiros convidados a conhecer o bailux e isto ja fazia cinco anos,foi emocionante o clima caloroso no recebimento de um parceiro tão especial para o Grupo.O laurico compareceu para uma instalação ubuntu e conexão via modem da vivo3G,experiencia que foi frustada pelo o ubuntu 9.04 nao ter respondido a instalação.Hoje sexta feira o bando foi convidado a conhecer o lab do Nikolaus.
no vamo que vamo,
o bando.

April 12, 2010
Estive na reserva pataxo da aldeia velha,um encontro que faz parte da rede local que estou mapeando para o quinto festival de sub_midialogia que acontecerá no arraial d´ajuda,a pessoa que me fez o link com a tribo foi a Gloria Bonilla(Grô) ela é psicoterapeuta e trabalha com florais depois de fazermos uma longa trilha dentro da mata atlantica nos deparamos com um espaço onde são feitos os rituais de dança e tivemos a oportunidade de participarmos junto com uma familia de turistas de uma aprsentação e um almoço.Conversei sobre o evento e da proposta do festival de abordagem dos conhecimentos tradicionais e do lugar da tecnologia da qual eles já fazem parte com a implantação de um ponto de cultura dentro da aldeia,ficaram muito motivados em saber mais sobre o softlivre e a edição de videos e construção de ambientes web para documentação da sua cultura,saimos deste encontro com uma visita marcada para esta semana no bailux onde poderemos apresentar o laboratório e fazer uma interação entre os replicadores metaresx e a comunidade pataxó.

April 14, 2010
Hoje o bailux esteve em um encontro presencial com Wagner Glaeser do Grupo Allcenter internet sulution o novo provedor parceiro do bailux,falamos sobre as varias possibilidades que temos de realizar a inclusão social no arraial d’ajuda com o uso da internet na aprendizagem em rede.O wagner reforçou o interesse que sua empresa tem em ampliar ao maximo este envolvimento com a comunidade.

April 16, 2010
Ontem tivemos a presençca do Xaxa e o lua e ficamos mais de duas horas com os replicadores bailux:Rafael-Paulo-Marcelo-Léo-Sombra em uma conversa animada sobre as varias possibilidades que a tecnologia pode criar numa pedagogia de apropriação e aprendizado em rede no desmonte de antigo conceitos ligados ao individualismo e os isolamento do individuo na sociedade de consumo.

April 22, 2010
Estivemos hoje em bando:Josiel,Léo,sombra e Regis e ficamos toda tarde no bailux,tivemos a participação do Aelson um carroceiro que levou varias carcaças de gabinetes dos computadores que seguiram para reciclagem em texeira de freitas,Sr josé no bairro santiago faz a coleta e repassa o material,com este link ganhamos mais espaço no lab e podemos estabelecer com a comunidade do arraial uma troca onde possamos receber os computadores por doação ainda em funcionamento para equipar o lab e fazer o repasse de um primeiro computador para os replicadores bailux na metareciclagem.Tbem assistimos um video da radio muda.Hoje nao tive a maquina digital da Monica para registrar estas ações.
Joisel e Sombra clicaram no cellular.

Relatórios de atividades no bailux no mês de Maio de 2010

May 3, 2010
sub_afetos_arraial
Iniciamos o festival de sub_midialogia no arraial d'ajuda

Bailux ta experiencinado tantas conexões sub_mediaticas que tenho tido pouco tempo para o blog,estamos desenhando uma rede de ações colaborativas no arraaial e regiao,uma delas esta sendo a parceria com o ponto de cultura pataxo da aldeia velha,depois de recebermos a comunidade pataxo no bailux ontem foi o dia de uma imersão de oficnas durante todo o dia na aldeia,todo este ems de amio novas redes serão revatalizada neste rizoma do festival sub_midialogia no arraial.

May 7, 2010
Xamanismo, tecnologia e a vida-Oficina com Mbraz
Mais um encontro do bando nas terras livres Bailux,com Mbraz da comunidade metareciclagem nas oficnas presenciais abordando o Xamanismo, tecnologia e a vida
Desmonte da tecnologia: a forma nao define a funcao, a questao do design. Design determinista como forma de escravidão.
Tecnologia como magica do material. Como modo de nos conectar ao mundo. Ao nos conectarmos ao mundo material, esquecemos que somos materia da vida.
A tecnologia é a principal mágica do esquecimento.Estiveram presente os replicadores bailux:Paulo-Josiel-Marcelo-Helio-Regis-Pablo-Carlos(convidado da rede local)Paty Pataxó e replicadores do ponto de cultura aldeia velha http://aldeiavelha.descentro.org/ estamos avançando no conectivismo pessoa-pessoa formando redes locais e virtuais em práticas de compartilhamento de afetos.

May 12, 2010
BioLaB-vera labosque_sub_arraial
trabalhando no mapeamento da pratica dos conhecimentos tradicionais para segunda etapa do festival sub_midialogia.
Vizinho da aldeia pataxo esta o Centro holistico Vera labosque,com um trabalho de mapeamento e catalogação das ervas medicinias na região em parceria com os membros da comunidade que ianda detem estes conhecimentos.

May 14, 2010
Zona impermanente bailux-parque central-tombo 18.
Quint feira na zona impermanente bailux-parque central-tombo 18.
ESTAMOS CONECTADO A INTERTNET ATRAVES DE UM LINK DO NOSSO NOVO PARCEIRO ALLCENTER:Estiveram no bailux o Geovanni que é suporte da empresa em sampa e o nosso agenciador local o Patric.valeusx tamo operando na grande rede.
hoje no lab Iniciamos nosso encontro com a triagem de umas fontes para testar uma placa mãe que o Marcelo Braz trouxe da santa efigenia-sampa,o lab passa por um transição da doaçào de sucatas eletronicas para a doação de hardware do computador ainda em funcionamento para apropriação dos replicadores na montagem do hacklab e inico das oficinas de uso das ferramentas livres e circulação de conteudos pela inernet.Estavam presencialmente ativos: Mbraz-Paulo Bailux-Pablo_sub_arraial-Léo-Josiel-Marcelo–Sombra-Kenji-Taty Arantes-Yoga e passando em movimento,estava o Max e o helio,sumidos algum tempo da rede fisica do bando.Tivemos tbem a presença de um morador que trabalha no caminhão de coleta do lixo que encontrando um computador que foi descartado na rua chegou ate o bailux para uma vivencia metarecsx de desmonte e diagnostico do hardware na movida com o pablo e o paulo,constatado que ainda tinha vida na maquina ele vai voltar na proxima quinta com o filho para outra imersão na zona impermanete bailux.Kenji fez algumas tomadas de imagem e prometeu espalhar na rede.
no vamo q vamo,

May 28, 2010
sub_bailux&ponto de cultura aldeia velha
iniciamos oficinas com jovens pataxo do ponto de cultura aldeia velha
Drica veloso com audio e video e Ariane com CSS e HTML foram as oficinas ralizadas numa parceria bailux&Stefanie Langkamp&descentro.org&patypataxo no ponto de cultura aldeia velha,ação que faz parte de uma metodologia de criar autonomia na criação e apropriação de redes numa filosofia metarecicaleira.no vamo q vamo
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Termo de Outorga e Aceitação de Bolsa-Regis bailux

Outorgado: Anivaldo Braz Regis
CPF: xxxxxxxxxxxx
RG:xxxxxxxxxxxx
Endereço: xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx
Projeto: Conecta Bailux
Início da bolsa: 01/01/2010
Duração: 06 meses
Modalidade da bolsa: Pesquisador
Forma de pagamento: Depósito mensal em conta corrente no segundo dia útil do mês subseqüente ao vencido no Banco xxxxxx conta corrente xxxxxxxxx
Valor mensal: R$ 300,00
Valor Total-06 meses: R$ 1.800,00
Relatórios, Documentacao, Resultados da Pesquisa e Produto Final: Junho de 2010
Obs: Os recursos fazem parte do apoio de Stefannie, apoiadora Alemã da rede Metareciclagem.

GAMB+i - Grupo Autodidata de Metodologias Bem + Inteligentes

Plataforma de Pesquisa Acadêmica-Popular.

 

Objetivos:

1.Fazer esse remix de cultura acadêmica e popular;
2.Hackear a galera com credibilidade na academia, que é massa;
3.Mostrar que trabalhar o conhecimento de forma não institucionalizada, propica maneiramais inteligente de busca-lo sob demanda;


4. Fundamentar um pouco disso na idéia de que a ciência já existia antes das universidades e elas nao podem ser o único pólo formador;
5. Tentar estabelecer um diálogo hackeando debates sobre esta metodologia dentro da universidade (coisa que já aconteceu com o submidialogia, de certa forma, mas precisa existir essa formatação de que uma pessoa que se jogar nesse tipo de formação, pode aprender e ser capaz tanto ou mais que alguem que esta na universidade só por diploma).

 

Justificativa: 

1. A academia em seu formato clássico já não mais dá conta das áreas da pesquisa em todas as cieências;
2. Diferentes pessoas buscam diferentes formatos de aprendizado;
3. As novas tecnologias da informação devem ser exploradas ao máximo para a propagação do conhecimento cultural humano;
4. As antigas formas de mediação do aprendizado não devem ser nunca esquecidas, sendo potencializadas em suas virtudes.

 

Metodologia:

1. Os projetos a compor o Programa de Pesquisas GAMB+i serão selecionados de acordo com critérios estabelecidos em discussão específica entre os coordenadores do projeto;
2. Os projetos a compor o Programa de Pesquisas GAMB+i serão realizadas conforme metodologias dos alunos e orientação dos coordenadores;
3. O uso da estrutura física (servidores web, ferramentas de TICs, corpo jurídico etc) e expertise dos associados Descentro é amplamente incentivada aos bolsistas;
4. As bolsas são divididas em 3 categorias, a depender do nivel de profundidade teórica e prática os projetos forem classificados: nivel 1 - Iron; nível 2 - lion; nível 3 - zion.
5. Os valores de remuneração dessas bolsas é: Nivel Iron - R$ 1.500,00; Nível Lion - R$ 1000,00; Nível Zion - R$ 500,00.
6. A coordenação é composta pelos associados descentro pertencentes ao Conselho Deliberativo.
7. Os professores coordenadores dos projetos a compor o programa de pesquisas GAMB+i são selecionados pelos próprios bolsistas.

 

Recursos:

1. Os recursos para o desenvolvimento das pesquisas, quando necessário, provêm do Projeto de Pesquisa Ref 0007-08: Fundo do Doidão, recursos esses que são obtidos conforme acordos estipulados no próprio projeto (link para o fundo do doidao).
2. Outros recursos podem ser conseguidos em parcerias com Universidades, órgãos públicos ou privados.

 

Atuais coordenadores:

Guilherme Soares (Professor Cadeira GAMB+i)
Alexandre Freire da Silva
Paulo José Lara
Tatiana Wells
Giuliano Bonorandi Djahjah
Felipe Fonseca
Ricardo Ruiz Freire
Thais Britto
 

Confira abaixo as pesquisas em desenvolvimento ou já desenvolvidas:

 

Ação Indígena Potiguar

temos guardado um silêncio bastante parecido com a estupidez......”

Eduardo Galeano

para nós nada, para todos tudo”

lema Zapatista

os Munduruku e outros povos da Amazônia reduziam e mumificavam em um ritual as cabeças tanto dos inimigos quanto do guerreiros. As dimensões do pariná ou da cabeça mumificada eram semelhantes às de um macaco comum. Em fins do século XIX, com a perda do significado das guerras, também desapareceu esse ritual.”

A resistência indígena


Justificativa:

A região nordeste do brasil abriga hoje 24% dos povos indígenas brasileiros [1]. No estado do Rio Grande do Norte, estes índios e índias sofreram com mais virulidade a pressão da miscigenação cultural e limpeza étnica, assim como o saqueio de terras, aldeamento e perseguição religiosa e linguística desde os primórdios da colonização brasileira.

O fato do estado não ter oficialmente nos dias de hoje nenhuma aldeia indígena reconhecida, faz despertar o interesse pelo estudo dos levantes indígenas mais importantes no período colonial, como a Guerra dos Bárbaros ou confederação dos Cariris, onde vemos o estado do Rio Grande do Norte como uma região central de uma extensa área indígena rebelde, estratégica geograficamente, que servia de refúgio para muitas das tribos que se rebelavam contra o sistema mercantilista - Cariris, Janduís, etc - tornando-se portanto alvo de grande repressão militar por parte da ordem vigente. Os constantes levantes e alianças entre colonizadores e índios, levou a quase total dizimação dos índios e índias da região.

Após mais de 100 anos de silêncio oficial, nos quais estas populações foram dadas como extintas, desde junho de 2005, diferentes grupos étnicos reinvidicam publicamente sua identidade indígena em território potiguar: Eleotério do Catu de Canguaretama, Mendonça do Amarelão de João Câmara; Caboclos de Açu; Comunidade de Banguê e Trapiá, também em Açu; Comunidade de Sagi, cujos antecessores Potiguara vieram da Baía da Traição na Paraíba.[5] Tática de resistência ou etnocídio, o fato é que as comunidades indígenas, se contabilizarmos os significativos contingentes de índios que moram nas periferias urbanas próximas às aldeias e nas capitais, expulsos em sua grande maioria pelo avanço do latifúndio sobre as terras indígenas,[6] parecem estar hoje em pleno florescer.

Mesmo assim, além do terror oficial do passado (dizer-se ‘‘índio’’ soava como uma sentença de morte), esteriótipos e discriminações como o de povos indígenas já inseridos num contexto urbano, sem terras, e sofrendo processos contínuos de domesticacão cultural, ainda sofrem o descaso dos habitantes circunvizinhos. Somando às forças de destruição estão as implementações globais de políticas de exploração dos recursos naturais. A comunidade do catu por exemplo, encontra-se completamente cercada pela monocultura de cana-de-açucar da antiga Usina Estivas S/A, para produção de etanol, comprometendo completamente seu ecossistema.
 
"É sintomático que no Rio Grande do Norte, as lutas territoriais não seguiram o caminho da reivindicação identitária, pelo contrário, as ‘comunidades’, quando existem – quer dizer quando despertaram o interesse de estudiosos – encontraram grandes dificuldades para conseguir o reconhecimento dos seus territórios tradicionais.(...) Longe de ser a reivindicação de uma identidade coletiva ou refletir uma ação política fundada num interesse em reconhecer os direitos ancestrais sobre um território, parece que a redescoberta pessoal de um passado até então abafado, inicia uma reflexão introspectiva sobre raízes diferenciais que só hoje podem ser afirmadas e declaradas a um agente do Estado brasileiro.“[7]

É neste sentido que no estado, o Movimento dos Sem Terra, ao não focar em identidades, pareça ter sido mais efetivo do que o movimento indígena que reclama igualmente por terras e reconhecimento étnico. No entanto, o movimento dos expropriados parece ir muito mais a fundo, quando também questiona os processos culturais, religiosos e filosóficos da própria existência humana e intergalática, em que diversidades conectadas, livres e autosustentáveis podem observar com generosidade desde os processos mais simples da natureza e dos animais que a habitam, quanto às mais complexas expressões culturais, artísticas e medicinais.

Segundo o pesquisador Paulo Lara "a história mostra que as relações sociais, através de conflitos e choques, na américa latina, dificilmente se encaixam numa auto-afirmação totalizante, mas mais em processos de auto criação e recriação segundo as épocas e níveis de contato ou dominação." O estudo de movimentos indígenas mais organizados como os zapatistas vai no sentido de encontrar referências entre pares de lutas e resistências globais, assim como dos processos engendrados nestas mobilizações.

Porque a comunidade do vale do catu ainda não tem a garantia de seu território?

Objetivos:

Este projeto visa estabelecer uma troca de saberes com os moradores da Comunidade do vale do Catu, localizada no município de Canguaretama-RN, onde habitam cerca de 110 famílias. Através de técnicas livres buscaremos fortalecer a etnicidade e a comunicação em rede entre as comunidades indígenas existentes, assim como contribuir com os aprendizados já em curso - como o da língua Tupi, ensinado para crianças da 3º e 4º séries na escola municipal local João Lino da Silva, com o objetivo principal de fortalecer a luta por reconhecimento e território indígena que já vem sendo travada pela comunidade, criando condições para o aprofundamento destas questões a partir de novos projetos emergentes.

Metodologia:

- Reconhecimento dos parceiros para o projeto dentro da comunidade do catu;
- Imersão nas narrativas e material gráfico produzido por comunidades indígenas mexicanas e brasileiras, através do estudo de fanzines zapatistas e outros materiais relacionados;
- Procurar produzir um conteúdo local que materialize as lutas e resistências históricas e em curso;
- Introdução ao uso de tecnologias livres para a produção multimídia;
- Estimular a tradução dos materiais produzidos para a língua Tupi;
- Ter a permacultura como referência para projetos de produção de alimentos, reuso de águas, tratamento de resíduos e construções ecológicas.
- Difusão dos conteúdos produzidos através de ferramentas de alta e baixa tecnologia;

Cronograma:

- Julho/Outubro 2009

Fontes:

[1] Dados da Fundação Nacional de Saúde http://www.funasa.gov.br/Web%20Funasa/vigisus/Pdfs/Folder_Dados.pdf∞

[2] "Introdução a história do RN" Denise Mattos Monteiro, 2002, Cooperativa Cultural Universitária, segunda edição.

[3] A etnicidade encoberta: ‘Índios’ e ‘Negros’ no Rio Grande do Norte – J. Cavignac http://www.antropologia.com.br/arti/colab/abanne2003/a10-jcavignac.pdf∞

[4] Indígenas do Rio Grande do Norte: uma longa história de resistência – J. Guerra http://www.mineiropt.com.br/arquivosestudo/arq46bc7274d2043.pdf∞

[5] Matéria jornalística “No RN, três grupos reivindicam publicamente identidade indígena” http://www.adital.com.br/site/noticia2.asp?lang=PT&cod=17206∞

[6] História, povos indígenas e educação: (re)conheçendo e discutindo a diversidade cultural – E. Silva http://www.ufpe.br/npecap/documentos/artigo%20edson.doc∞ Alguns destes dados são do IBGE/2005, orgãos oficiosos.

[7] A etnicidade encoberta: ‘Índios’ e ‘Negros’ no Rio Grande do Norte – J. Cavignac http://www.antropologia.com.br/arti/colab/abanne2003/a10-jcavignac.pdf∞

Bibliografia

a história do rio grande do norte

câmara cascudo


sergio buarque de hollanda

raizes do brasil


darcy ribeiro

o povo brasileiro


gilberto freyre

casa grande & senzala


eduardo galeano

as veias abertas da américa latina


guilherme figueiredo

a guerra é o espetáculo


milton santos

a natureza do espaço


frei bartolomeu de las casas

o paraíso destruído


Mais outros livros e pesquisas online..

Coletivo Idealizador

..
O Baobá Voador
http://baobavoador.midiatatica.info

;;

Tatiana Wells - tatiw-AT-riseup.net

Tatiana Wells é carioca, formada em Comunicação Social com ênfase em Jornalismo e pós-graduada em Estudos de Hipermídia pela Universidade de Westminster (Londres, Inglaterra/00-01) onde pesquisou o novo ativismo de mídia. Em 2002 começa a co-laborar com projetos independentes como Contratv.net e Midiatatica.org, ação-virada-rede, que ajuda a coordenar até hoje. Alguns projetos desenvolvidos são: o Festival Mídia Tática Brasil (SP/março 2003); Autolabs - três laboratórios de mídia tática em software livre criado em Ermelino Matarazzo, São Miguel Paulista e Itaquera, distritos da zona leste da cidade de são paulo, onde criou e desenvolveu a oficina de Histórias Digitais; Find:E:tático (SP/julho 2004), Digitofagia (RJ e SP/outubro 2004), Submidialogia (Campinas e Olinda 2005/2006) e mimoSa - máquina de intervenção urbana e correção informacional. Todos os projetos podem ser encontrados em midiatatica.info -> http://www.midiatatica.info. Trabalhou por 2 anos junto ao programa de conexão internet via satélite em áreas remotas do Brasil, o Programa GESAC, do Ministério das Telecomunicações -> http://www.idbrasil.gov.br fazendo oficinas na região nordeste do Brasil com foco no estado do Rio Grande do Norte. Coordenou uma série de oficinas no ponto de cultura Conexão Felipe Camarão, em Natal no ano de 2008. Em 2009 ajudou na concepção e realizacão de atividades em Tibau do Sul -> http://cibersalao.midiatatica.info Atualmente é pesquisadora do descentro -> http://pub.descentro.org

Ruiter Rodrigues
Ruiter Rodrigues é goiano, iniciou os cursos de Engenharia Ambiental, Engenharia Química e Química (em processo de conclusão), participou de projetos de gerenciamento de resíduos hospitalares junto ao PRÓ-RESÍDUOS (UEM - Maringá/2004) assim como iniciativas de análise da qualidade das águas da Bacia do Rio Paraná, junto ao Nupélia (Núcleo de Pesquisas em Limnologia, Ictiologia e Aquicultura da UEM -> http://www.nupelia.uem.br Maringá/2006-2007). Em 2007 trabalhou junto ao GEMA (Grupo de Estudos do meio ambiente do Paraná) fazendo análises de água e de solo. Desde 2008 participa da implantação e desenolviemnto de atividades de criação e gestão de um sistema permacultural no sítio Canto do Colibri junto ao Instituto PermaYoga -> http://permayoga.midiatatica.info. Realiza atividades de vídeo (Cine Realidade Brasileira) na comunidade Vila Esperança na cidade de maringá Paraná. Foi oficineiro em diversas atividades de permacultura e um dos idealizadores do cibersalão que ocorreu em tibau do sul no ano de 2009 -> http://cibersalao.midiatatica.info Atualmente é pesquisador do descentro -> http://pub.descentro.org

Bricolagem Postal

tópicos com pesquisa em andamento: - a carta e o tempo da comunicação lenta gradual - amigos postais - inventar a gratuidade postal - caronas postais (serviços de entregas colcaborativo)

endereços:

giuliano djahjah r. silveira martins, 150/402 - catete cep 22450130 rio de janeiro-rj

tati wells rua do cajueiro, 3 - pipa - tibau do sul - rn cep 59178-000



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Cartografia de contextos - panoramas, mapas e redes

A Cultura da Procura //ou como disse Neilton do grupo pernambucano Devotos do Òdio e logo em seguida registrado pela carioca Heloísa Buraque de Hollanda// Sejam em iniciativas autônomas ou incubadas (ou apropriadas) pelos burocratas e capitalistas, sejam em festivais internacionais de arte, mídia, tecnologia, comunicação e cultura, ou oficinas de conhecimentos livres em todos as regiões do brasil.. elementos descentralizados co-laboram há pelo menos 5 anos para estimular a produção independente, a arte a a cultura por meio do software livre e da pedagogia da autonomia e da colaboração. O texto de Miguel Caetano explica um pouco das diversas realidades ideológicas destes grupos em seu texto Tecnologias de Resistência. No entanto, vêm-se cada vez mais confundindo, não coincidentemente, o trabalho destes ativistas de mídia com os ciclos de reprodução que compactuam com o tempo imposto pelas regras do mercado capitalista, abarcadas também pelo governo, em simbiose com as políticas impostas. É assim que o nome cultura livre foi registrado por uma fundação, nada menos do que a Getúlio Vargas, templo neo-liberal da propriedade imaterial. Mapas para o Fora visam visualizar que estamos todos en-redados num só mundo de ideologias em formação. A cartografia dos 12 grupos majoritários de comunicação no Brasil com as 12 Capitanias Hereditárias. Aqui foram selecionados fragmentos relacionados à uma pesquisa de contexto sobre o histórico de acoes destes grupos e suas relações. Audios, textos, videos... Precisamos da colaboracao de tod@s

1.0 O ciberfeminismo nunca chegou à América Latina*

Tatiana Wells
http://www.midiatatica.org/wakka/wakka.php?wakka=GenEro

Clamando que o ciberespaço é um espaço próprio de articulação feminina ao provocar uma forma de ativismo digital, com uma expressividade e (im)possível linguagem feminina, o ciberfeminismo nasce em um contexto europeu dos anos 90, com o termo sendo cunhado na Austrália em 1991, pelo grupo VNS Matrix ao divulgar o "O Manifesto Ciberfeminista para o século 21" (1), uma homenagem à bióloga e téorica social-feminista Donna Haraway, que em 1985 havia escrito "O Manifesto do Ciborgue" (2), um olhar (multi)particular para a ciência e a tecnologia. Segundo a própria autora o Ciborgue teria sido: "uma estratégia retórica, assim como método político" - ou seja, uma tática poético/política para o enfrentamento da sociedade tecnoautoritária e seus discursos, que são chamados por ela de "informática da dominação".

Para entender como o ciborgue já está entre nós, quando não o somos nós mesm@s, Harraway versa sobre três grandes mudanças no desenvolvimento científico e tecnológico, que se desdobrariam em relações sociais específicas, permitindo as hibridizações entre os campos: a trangressão da fronteira entre o humano e o animal, entre sujeito e máquina, e os novos (vagos) limites entre o físico e o não-físico.

Com a mesma *ciber* alteridade característica da época, também manifestou-se o ciberpunk (3), cultura ficcional norte-americana considerada muito próxima das questões ciberfemininas, no sentido de revelador de sub-culturas, alternativas e opostos vivendo em conflito dentro do sistema. Concebido como crítica aos discursos tecnoutópicos, o ciberespaço, tanto para punks quanto para feministas, inspiraria permitir um novo diálogo entre as diferenças. Segundo Sadie Plant (teórica ciberfeminista), o ciberespaço teria uma “essência” feminina, sendo um espaço natural para as mulheres, que desde sempre teriam vivido inconscientemente preparando-se para o momento histórico de sua construção. Como prova, cita Ada Lovelace, que pôde escrever sobre inter-processos inexistentes. As mulheres viveriam já há muito tempo conectadas, no mesmo modelo da Internet, mesmo que em seus historicamente marginais locais de trabalho. Plant defende que as forças que estariam dissolvendo o mundo tradicional sob domínio de valores masculinos (com suas reivindicações por universalidade, eternidade, objetividade e transcendência), acabariam forçando irresistivelmente o conexionismo feminino (4):

"a abordagem da ordem-que-emerge-das conexões-múltiplas define a inteligência não mais como monopolizada, imposta, dada por uma força eterna, transcendente e superior, mas, em vez disso, desenvolvendo-se como processo emergente, engendrando-se a si mesma de cima para baixo”

Manuel Castells também sugere a idéia (5), clamando que a tecnocultura seria marcada pelo fim do patriarcalismo.

[TENTANDO FALAR SOBRE:] O feministo surge inicialmente como uma forma de lutar contra uma causa específica, um ativismo que é entendido como alternativa às consequências da sociedade patriarcal. No entanto, rapidamente adquire cores de movimento social, permitindo-se com o passar do tempo ser atingido pelo fluxo de relações existentes na sociedade, deixando-se mover também pelo enfrentamento de quase todo tipo de dominação, assim como propondo ações e espaços de reflexão em quase todos os campos da existência humana. As organizações de mulheres (não somente as chamadas feministas) são sobretudo rizomáticas, beneficiando-se de sua capacidade de tecer redes interdisciplinares, de networking, uma prática como já visto, desenvolvida por mulheres. Suas conexões por afinidades, mais do que por identidades, as unem sob diversas e variadas lutas sociais. Suas conquistas falam menos de uma união pelo (( sexo )) do que força de mobilização global frente a todo tipo de abuso: militarismo, fundamentalismo, capitalismo, socialismo estatal... Para citar somente uma vertente do feminismo, uma que reconhece a relação entre a opressão das mulheres e a degradação da natureza, o eco-feminismo, (6) observa-se que ele contempla diversos aspectos, como a luta contra o sexismo, racismo e outras desigualdades sociais, através de um entendimento maior das inter-relações entre homens e mulheres, e entre os seres humanos e a natureza, dando subsídios intelectuais para um modo mais efetivo de viver e de respeitar a diferença. Outro indicador das multifacetadas lutas das mulheres é a Marcha Mundial das Mulheres, que no dia 8 de março de 2004 reuniu mais de 50.000 mulheres (7) que levavam uma carta, a Carta Mundial das Mulheres para a Humanidade. A carta contém 17 reivindicações, entre elas leis para a eliminação da pobreza, um fundo social global, o cancelamento da dívida de todos os países do terceiro mundo, e direito de asilo às vítimas de discriminação sexual.

[MAGALY ME AJUDA]: As feministas, na passagem do século XIX para o XX, tinham como estratégia principal o reconhecimento da cidadania das mulheres através do direito ao voto. Assim o movimento das Sufragistas uniu mulheres tanto no Norte como no Sul do planeta, tornando-se um ativismo que denunciava os arranjos de poder da sociedade patriarcal. Com o passar do tempo, o feminismo se descreve como tal definindo-se como um movimento e como um ator político. Hoje, olhando para o trajeto percorrido nestes 100 anos, observa-se aquilo que comumente se chama as três ondas do feminismo, ou três momentos que podem ser depreendidos segundo aproximações, posicionamentos e filiações teóricas. Este aprendizado não cessa e se caracteriza por momentos de maior ou menor reflexão sobre a ação política e vice-versa. O feminismo trata da luta pela autonomia e autoderteminação das mulheres e o direito de desfrutar de todas as possibilidades da existência humana. O feminismo tensiona as formas de poder que subjugam as mulheres à condição de sujeitos de segunda classe quando reivindica o direito ao corpo, o direito à decisão sobre este e, principalmente, sobre sua sexualidade e à reprodução. Esta luta também se faz em diferentes espaços e campos tais como comércio, meio-ambiente, tecnologia, finanças públicas, sistemas internacionais, além dos campos tradicionais: educação, saúde, moradia, trabalho, direitos humanos. Mas a marca principal do feminismo, aquilo que o difere de todo e qualquer outro movimento social e processo político coletivo é que o feminismo não tem um livro fundador, uma doutrina fundante ou uma líder/guru, como é, por exemplo, o marxismo para as esquerdas de todas as nuances. O feminismo se faz coletivamente e a elaboração teórica é paralela à ação política, se retro-alimentando continuamente.

Segundo a pesquisadora e economista indiana Anita Gurumurthy (8) as lutas das mulheres estariam revelando não somente os impactos da globalização, mas de que ele é de fato constituído, fazendo as conexões entre as experiências individuais e coletivas, e os processos institucionais. Ela sugere que o processo de produção na economia global de informação característico de um mercado de trabalho frequentemente segmentado por distinções de gênero e raça, teria sido instrumentalizado pelo sistema de propriedade intelectual, ferramenta que *comodificou* o conhecimento social permitindo que apenas certos tipos de conhecimento fossem reconhecidos e implementados. Os conhecimentos tecnológicos e científicos, por exemplo, sempre foram quase que exclusivamente derivados dos desejos e necessidades masculinos, como as armas suportam os *ismos* de nossa sociedade contemporânea - sistemas de satélite, robôs-soldados, monopólio de mídia global, milhos sem sementes, filhos inevitáveis.

E mesmo com a longa tradição de atuacão de organizações não-governamentais de mulheres e feministas nas áreas de meio-ambiente, saúde e direitos humanos (como a bioética), são pouquíssimas pesquisadoras e ativistas que se dedicam à temas como nanotecnologia, biotecnologia ou transgenia, apesar de movimentos como o eco-feminismo. Assim como a participação feminina é muito menor nas áreas consideradas "técnicas" como Internet e computação, justamente as áreas que, segundo Harraway, seriam as ferramentas cruciais para o redesenho dos corpos femininos durante a época do capitalismo avançado. Em um momento em que as biotecnologias invadem todos os campos da vida: a gênese, a beleza, arte e trigo, popularizando seus discursos utópicos, seus processos, objetos e sujeitos automatizados, criando novos espaços e instrumentos de dominação - é mais do que urgente que mais mulheres comecem a dominar esses campos estratégicos, não só refletindo e politizando essa rápida expansão, como também questionando-a, tirando-a do domínio exclusivo do privado e masculino. E essa é a preocupação maior do Manifesto de Harraway, conscientizar mulheres e feministas de que, para enfrentarmos o ciborgue imposto, fruto do projeto de dominação do homem, teríamos que nos reconhecer, e portanto tornarmo-nos, um ciborgue de oposição. Carregando conosco uma poética relevante.
(Uma ação ciberfeminista: a alemã Cornelia Solfrank, em um concurso de net.arte, cria um programa que coleta informações de mulheres e fotos na internet e constrói uma página única. Seu trabalho para a exibição foi o de mandar, sem avisá-los, a inscrição de 289 mulheres para o concurso. Na tela de entrada de seu site: Uma artista inteligente deixa com que a máquina faça o trabalho! [“A clever artist makes the machine do the work!”])

**Troco 3 fogõezinhos e conjunto completo de panelas plásticas rosas por um saquinho de bolas de gude**

Com a necessidade da Revolução Industrial de um número cada vez maior de força de trabalho, e com a diminuição do tamanho e automatização do maquinário, buscou-se um trabalho menos braçal, mais ágil, e é claro, porquê não? Mais barato! É nesse contexto, entre outras particularidades da época, que às mulheres impõe-se um salário 60% menor do que dos homens, junto a uma jornada de até 18 horas de trabalho (mais ou menos das 5 da manhã às 11 da noite), sem direito a aumento salarial ou mesmo descanso dominical. Em 1857, quando as 129 trabalhadoras tecelãs da Fábrica Téxtil Cotton de Nova Iorque se recusam a trabalhar, patrões e políciais não quiseram saber de reinvidicações: trancam as portas da fábrica e ateam fogo, onde morrem asfixiadas e carbonizadas todas as 129 tecelãs. Hoje há boatos de que a história não é verdadeira. No entanto, à mesmo época, em 1834, desponta na Inglaterra as descrições da primeira máquina de computar, a engenhoca analítica, cuja capacidade de analisar dados foi escrito por Ada Lovelace. Seu plano de calcular pode ser considerado o primeiro programa de computar. Auto-intitulada metafísica e analista, Ada era também filha do poeta Byron.

A entrada da mulher no mercado de trabalho acontece tanto como direito conquistado de cidadania, quanto pela lógica de mercado, sendo também fruto do desenvolvimento e necessidades do capital. O fato é que até os dias de hoje, elas continuam predominando na linha de montagem, nos trabalhos manuais, no comércio ao balcão, no campo colhendo, nas TVs à frente das câmeras, ou seja, raramente as mulheres têm a oportunidade de conhecer o funcionamento de uma máquina, muito menos ainda conhecer o seu software, ficando restritas à execução do que foi decidido por outrem. (11) Três séculos depois, em 2004, no curso de Ciências Computacionais da USP (Universidade de São Paulo), há 3 meninas para uma turma de 50 meninos(12).

Este quadro aparentemente imutável da história humana, se configura até mesmo dentro de casa, a partir da cultura que dá às meninas fogões e panelas para o treinamento doméstico enquanto os meninos ganham o computador no quarto, assim como se fortalece pelo “colapso da eficiência simbólica” - momento atual em que cada vez mais as autoridades diluem-se nos fluxos informacionais diversos, chamado por Jodi Dean de pós-patriarcalismo (13) – onde a perda de referência e autoridade, unida à tradicional multiplicidade das lutas das mulheres, as levariam a serem ora incluidas no progresso da ciência (com anticonceptivos produzidos por engenharia genética, técnicas de reprodução assistida, criopreservação, diagnóstico, manipulação, seleção, armazenamento embrionário, doação e congelamento de gametas, assim como seu cultivo em laboratório, diagnóstico genético pré-implantacional, testes e diagnósticos pré -natais, clonagem reprodutiva e toda uma série de tecnologias chamadas de NTR - novas tecnologias de reprodução), ora amedontradas por não saberem mexer no *novo*, a técnica que será inevitalmente parte de sua vida. Não há coincidência no encontro da multiplicidade feminina e os próprios discursos tecnocientíficos, que usam o vocabulário de perfeição e *nova capacidade de escolha* para seduzir momentaneamente, com as demandas da cultura do consumo, a possível autonomia feminina.

**A minha barriga sarada não combina com esse tom esverdeado**

A ciência tem sido, desde o começo da história, ao lado da igreja, produtora de conhecimento, e consequentemente, autoridade. Estando hoje ela a favor das necessidades do capital "não somente para gerar lucro, mas para não gerar nenhum conhecimento ou aplicação que possa ser detrimental para a manutenção e/ou expansão do sistema (...) a ciência constrói uma retórica de promessa, oriunda dos princípios políticos iluministas, e pode causar erros abomináveis como a eugenia." (9). Segundo Laymert Garcia a biotecnologia seria a "possibilidade de converter algo que tinha de direito um valor ambiental em algo que pode ter de fato um valor econômico (...) uma conversão de um valor a outro (...) um modo especial de destacar a biodiversidade dela mesma. O campo da técnicociência, que transforma os organismos humanos em informação e os funde (1+1=2) e confunde (1+1=3) com as técnicas, teriam contagiado decisivamente a biologia moderna, tendo início no pós-guerra nas ciências da comunicação com o próprio conceito de informação. Hoje, as hibridizações entre homens, máquinas, seres vivos e seres inanimados seriam tantas, que a própria natureza humana está posta radicalmente em questão. (10)

Alejandra Ana Rotania alerta sobre os supostos direitos e desejos de modificação e de intervenção no campo da reprodução humana, por exemplo, que obedecem a determinantes econômicos, sociais e políticos, sendo portanto social e historicamente construídos: “com uma natureza que não é outra a não ser a do poder, e de suas múltiplas visíveis e invisíveis expressões: (...) sendo o poder das biotecnologias antidemocrático, altamente centralizado, multinacional, global e excludente.” (14) Contra isso, assim como Harraway, Ana sugere uma política de radicalidade opocisionista e de resistência propositiva.

Engenharia ou modificação genética pode ser considerada como a alteração do código genético por meios artificiais, ou a criação de monstros - para nos afastar da natureza e afastá-la de nós. É portanto radicalmente diferente de um cruzamento seletivo tradicional. Um exemplo é pegar um gene que produz veneno da cauda de um escorpião, e combinar com o de um repolho. Os repolhos geneticamente modificados matam as lagartas pedradoras porque aprendem a gerar veneno de escorpião, um inseticida, em sua seiva. No site (15) que descreve esta e tantas outras experiências genéticas (genes humanos em ovelhas para desenvolver resistência a uma doença de pulmão, uma galinha com quatro pernas e sem asas, (você come no KFC? hum...nhami!) ou um bode com genes de aranha para criar seda em seu leite, também encontra-se o quase alegre (e perigoso pós-humanista) alarme: se "revolução digital modifica o que fazemos, engenharia genética modifica o que somos!"

No Brasil, com a constatação pelas organizações feministas que trabalhavam justamente com as novas tecnologias e o tema saúde (em assuntos como bioética, reprodução assistida, contracepção, transgênicos e genética) da falta de um amplo debate sobre tais questões, começa no meio dos anos 90, um movimento para publicizar o assunto, cuja importância é absurdamente velada por grande parte da mídia, e consequentemente da sociedade. Um exemplo foi o debate intitulado "Sob o signo da bios", promovido pela Fundação Heinrich Boell, em parcerla com as ONGs feministas Ser mulher e Criola (16) durante o ano de 2004.

No entanto, muitas dessas organizações feministas ainda sofrem de uma enorme desvantagem em conhecimento prático e político em relação às novas tecnologias de comunicação e informação. E de como trazer tais questões para o seio da cultura, para a comunicação cotidiana. No entanto há iniciativas interessantes no Brasil como a ONG Cemina (17) que trabalha com mulheres e rádio por todo o país, a Rede Cyberella; e a Rede Mulher de Educação (18), que desenvolve projetos que usam TICs (tecnologias de comunicação e informação) com mulheres adultas. Aspectos sociais, econômicos e políticos da chamada "sociedade da informação" também tem sido trabalhados pela Rede DAWN (19), uma organização de acadêmicas e ativistas do Sul econômico, cujo ponto focal para a Cúpula Mundial sobre a Sociedade da Informação (WSIS-World Summit on Information Society) desde 2003, através de Magaly Pazello (Brasil), tem sido o de promover o debate sobre os temas relacionados à Cúpula a partir da perspectiva de gênero, estimulando a participação da sociedade civil junto com outras redes e organizações de mulheres que participam deste processo.

No campo da técnica , trabalhos que visam justamente fomentar nas mulheres o descobrimento da tecnologia é o de grupos como LinuxChix (20), que há cinco anos vem dando apoio à mulheres interessadas no desenvolvimento profissional nas áreas de TI, assim como Gnurias (21) e o recente PSL-mulheres (22), todos visando superar o domínio histórico e soberano de homens na programação de softwares. Estas são as áreas consideradas críticas para a construção da autonomia da mulher, permitindo que novas direções e sensibilidades, mais equalitárias, sejam incorporadas aos rápidos desenvolvimentos tecnológicos.

E imortante frisar que nem todos os grupos que trabalham com mulheres e tecnologia trabalham com gênero. O estigma das queimadoras de sutiã é simbólico demais para ser esquecido (reencená-lo ou exorcizá-lo?!) .Esta percepção errônea, somado à uma representação homegênea do movimento pela mídia, e o fato de que a maior parte das mulheres que frequentam os recentes encontros de tecnologia, como por exemplo Mariana de 10 anos, a mascote do último encontro de software livre no FISL (Festival Internacional do Software Livre), em Porto Alegre, são realmente somente meninas, não é por acaso que hoje o termo feminista seja tão precipitadamente rejeitado.

Além disso, ao manter o foco no uso da tecnologia para o mercado de trabalho, muitos projetos também acabam por gerar muito pouca discussão sobre mulheres como usuárias de tecnologias, ou a cultura digital e suas importantíssimas conexões com os meios populares, a ciência, a reciclagem, o conteúdo livre, que é sobretudo a realidade brasileira. Percebe-se então que não basta superar a segregação técnica, científica e digital corrente em nossa sociedade, e sim dar apoio à iniciativas que queiram trabalhar pelos direitos das mulheres de serem mais auto-confiantes tecnologicamente, mas também o de não quererem usar ferramentas corporativas, sabendo sobretudo contextualizá-las com a sua vida e prática cotidiana, e como ferramenta cultural e expressiva. Há que se dominar também o discurso que compõe as relações sociais e a linguagem das técnicas. Os softwares livres são apenas o primeiro passo. É quase um consenso entre os grupos que trabalham com as TCI que estas devem ser usadas para re:fundar a pluralidade dormente das conexões sociais.

**O seu afro rosa não combina com o meu screensaver ou calça da gang/ toda mulher quer/ 200 reais/ pra deixar a bunda em pé**

Assim como o ciborgue de Harraway, as formações híbridas de mulheres, são influenciadas tanto pela sub-culturas de resistência, quanto pelos fenômenos de massa (como Britney Spears beijando Madonna sugerindo falsamente mais liberdade sexual). Vale notar, no entanto, o aspecto democratizador que Gilberto Freire descreve (23) ao falar das miscigenações étnicas fundadoras do povo brasileiro, e uma das razões porque vamos encontrar aparentemente tão longe do *ciber* e tão perto dos paradoxos da concentracão midiática no Brasil, o contexto criativo e ao mesmo tempo perverso das transformações pelas quais a mulher passa, ao se confrontar com a realidade em que vive. Pois é justamente nas áreas mais marginalizadas do país, nas favelas e nas periferias, que um renovado senso de cultura e linguagem emerge, no carnaval, samba, capoeira, funk, maracatu, bumba-meu-boi, hip hop, brega, candomblé, onde um rico hibridismo flore, primeiro proibido, e depois silenciado pela invisibilidade até a hora em que possa ser inserido em uma lógica de mercado, rotulado e vendido, ou "descoberto” por artistas estabelecidos, muitas vezes estrangeiros.

O funk (24), mais do que qualquer outra manifestação cultural brasileira, nos dá uma clara dimensão das relações ora conflituosas, ora amorosas dos gêneros que compõe a nossa sociedade. Ele nada mais é do que uma representação das condições de pobreza, violência econômica e indignação existente entre as mulheres pobres. O que é considerado pouco palatável pela elite, não é nada se comparado à realidade das várias periferias brasileiras e as condições precárias de vida de meninas e mulheres que tem nesse contexto o seu cotidiano. De acordo com a doutora em sociologia pela USP, Verónica Cortes, o funk representa um grupo social: "As letras, aparentemente sem conteúdo, mostram a realidade dessa população pobre. A fragilidade de suas vidas, devido à violência, causa a falta de perspectiva. Assim, o comportamento dessas meninas, durante os bailes funk, é apenas o retrato de uma classe marginalizada".

Entendido como um espaço de construção de identidade coletiva, feita de forma autônoma e ao mesmo tempo influenciado por todos os papéis demarcados socialmente - exatamente como no mundo publicitário (mulher e cerveja= prazer para os homens) - podemos perceber que o funk nos dá para cada Tati Quebra-Barraco uma Mãe Loira. Não existe nós e elas. Assim como o hip hop pode ser considerado um espaço politizado, assim como masculino, no funk predominam os bondes de meninas e as letras catárticas. Mas como chegar do funk ao ciberfeminismo?

Acontece que a mobilização feminina já está lá. O ciberfeminismo talvez nunca tenha chegado à América Latina, justamente por conta dessa relação simbiótica, aqui muito mais clara pois explícita e improvável, entre as diferentes culturas brasileiras, uma elitista, que se alimenta das manifestacões de afirmação do feminino brasileiro para dar Ibope às novelas e vender produtos, ao mesmo tempo que critica nos jornais tais manifestacões; e as vozes de várias MCs, que estão aí para acordar o establishment de sua hipocrisia, sabendo que precisam gritar muito para serem ouvidas.

**:: FWD Future FUNK ::**

Experiências de mobilização e organização de mulhereres são importantes para o resgate da cultura feminina, como os recentes festivais "Lady Fest Brasil" (25) de meninas que se consideram riot grrls, subdivisão do punk e da cultura do faça-você-mesmo, em São Paulo e "Corpus Crisis" (26) em Brasília, ou os encontros de grupos de grafiteiras como TPM Crew (27) e Só Calcinha, que também usam Fotologs (sites de fotos), entre outros, como o e-zine Bendita (28)"mostrando histórias reais de violência contadas pelas mulheres para (...) acabar com o misticismo de que violência contra a mulher só é praticada em barracos sujos, por homens bêbados" e que mostram que existem muito mais manifestações femininas, que se utilizam das mais diversas mídias para se organizar, comunicar mas também brincar, nem sempre questionando e sim celebrando a tecnocultura.

São exemplos de formacões multi-disciplinares de mulheres também fora de qualquer modelo organizacional permanente, projetos táticos que não possuem um background institucional, e que não são mediados por nenhum veículo de comunicação comercial, beneficiando-se somente de ferramentas de comunicação online, e buscando um diálogo com atividades nas mais diversas áreas de atuação cultural da mulher, agregando muitas meninas que sequer ouviram falar de ciberfeminismo ou mesmo se encaixam nos diferentes feminismos existentes. "Conhecimento para a resistência feminina", ou como uma integrante do grupo Quitéria descreve em seu blog: canseidesersexy. (29)

Outros trabalhos que têm um foco mais abrangente e ativista, não estão na sala de aula nem no escritório, e sim nas ruas, no meio dos livros e revistas, e dentro de casa: como o trabalho de linguagem inclusiva, revelando os discursos linguísticos dominantes em notícias, artigos e textos, e o projeto do servidor de mulheres Biroska, ambos do CMI-mulheres (30), uma máquina construída para e por mulheres, que visa dar apoio logístico para suas organizações, com listas de discussão, hospedagem de sites e desmistificação de informações técnicas publicadas dinamicamente online. Ou as oficinas de mídia livre para meninas do grupo G2G (31), Faça-você-mesm@, que visa empoderar mulheres e meninas que tenham interesse na cultura digital e nas tecnologias livres, com exemplos ilustrados de ações afirmativas em relação à produção de valores femininos, na intersecção de arte e tecnologia, e dando também sustento intelectual aos trabalhos culturais colaborativos de mulheres em mídia digital com o uso de softwares livres. Ao relacionar-se com diferentes agendas feministas e/ou femininas, ajudando a mapear e dar cor aos trans-locais de lutas das mulheres, juntando conhecimento e aptidões que podem ser usadas em quase todas as esferas do cotidiano, estas são políticas de conhecimento e registro.

Mais do que nunca faz parte da luta do imaginado e aqui construido (ciber)feminismo contemporâneo brasileiro não desejar produzir uma teoria total, profissional, convencional, de defesa ou amparo, com termos e ações definidoras, mas como Harraway mesmo fala em seu Manifesto, "uma experiência íntima de fronteiras, de suas construções e desconstruções." O feminismo não é uma palavra que nos une naturalmente, muitas mulheres já expressaram a necessidade de encontrar novas possíveis unidades, afinidades que não visem apagar as particularidades, ambiguidades e as contradições femininas e sim incorporá-las, como o ciborgue de Harraway, mito híbrido de todos e partes. Não há desejo ou possibilidades nos ciborgues de produzir uma teoria plena. Nem desejar uma multiplicidade a-crítica. O ciberespaço, assim como a ciência, ainda é um espaço a ser ocupado pelas ativistas e cientistas brasileiras, mapeado, pensado, desenhado e reinventado.

A nova luta das mulheres envolve desafiar a sua forçada modelagem sistemáticaa, sejam nas leituras midiatizadas e distorcidas de nós mesmas, de nossos corpos e desejos, demonstrada pela crise das jovens meninas (e com a tomada de microfone que a crise causa, e que demonstra coragem, princípio da mudança). Assim como é também crítico, a abertura de espaços exclusivamente femininos que tenham uma estrutura conceitual de mobilização, crítica e experimentação, ao lado da criação de ações culturais que possam envovê-las em processos transformativos, fornecendo dicas para outras mulheres e meninas em situação (vero)semelhante.

Questões como a ciência e a biotecnologia devem ser radicalmente incorporadas ao nosso trabalho, assim como mais amplamente discutidas, ainda mais agora que já o fazem por nós em círculos e instituições fechadas, tentando vender-nos a nós mesmas. A tradução do mundo em informação digital e dos seres vivos em informação genética, deve urgentemente aliar-se ao entendimento de que as rápidas reconfigurações de poder e técnicas podem sim beneficiar as mulheres que não deixarem de ser seduzidas pelas fantasias de uma subjetividade construída em termos de *ai, não sei mexer em computador*, *gostaria tanto de um filho de olhos verdes* ou pelo menos *uma pele mais lisinha*. Além do medo e do desejo, há lutas históricas antiquíssimas.

A filosofia da educação crítica, se torna portanto crucial para o contexto brasileiro, ao mesmo tempo em que permite com que novas sensibilidades, condições e conceitos fundadores constituam-se como parte de nossa luta pela possibilidade de vida humana plena, em positivo contra-ponto ao atual processo de sofisticada desumanização do ser humano, e aos processos de modelagem e reforma como os realizados no ciberespaço, nas TCI de massa e nas biotecnologias. Fruto solitário e estranhamente delicioso dos contextos sociais de nossa paradoxal sociedade, contrapondo à teoria feminista pós-moderna, os mitos que ganham vida através da simbiose com o sistema, muitas vezes para criticar o progresso e a apropriação da natureza e do feminino como recurso de produção de cultura, outros vezes para provocá-lo.

**Onde conecto minha memória extra?**

(*) Frase e texto de Cindy Flores, a nossa única ciberfeminista assumida da américa-latina (méxico) em -> http://www.ciberfeminista.org∞. Esse texto é tanto em sua homenagem quanto 'a Magaly Pazello.
(1)e (2) Para ler os dois manifestos em inglês -> http://www.midiatatica.org/ip/index.php?id=8,48,0,0,1,0∞ ou VNS Matrix -> http://www.lx.sysx.org/vnsmatrix.html∞. O artigo de Donna em português pode ser encontrado como "Um manifesto para os cyborgs: ciência, tecnologia e feminismo socialista na década de 80", na organização de Heloísa Buarque de Hollanda em "Tendências e impasses: o feminismo como crítica da cultura." Rocco/Brasil, 1994.
(3) Para se aclimatar com o gênero ciberpunk e a cibercultura, 6 livros para ler em -> http://www.midiatatica.org/ip/index.php?id=8,36,0,0,1,0∞
(4)Sadie Plant “The virtual complexity of culture”, editado por George Robertson, Future Natural Nature/Science/Culture, Londres/Nova Iorque, 1996. Sadie estuda a interação entre os efeitos dos desenvolvimentos tecnológicos e os processos culturais. Estudou em “Zeros + Ones” o papel da mulher, hoje e no futuro, no desenvolvimento das novas tecnologias.
(5)Manuel Castells, “O poder da identidade” é o segundo volume da obra da coleção “A Era da Informação: Economia, Sociedade e Cultura”, Ed. Paz e Terra/Brasil, 2002
(6) http://en.wikipedia.org/wiki/Eco-feminism∞
(7)http://www.midiaindependente.org/pt/blue/2005/03/309541.shtml∞ Marcha Mundial das Mulheres -> http://mmm.softwarelivre.org∞
(8)em http://www.dawn.org.fj∞
(9)CAE em "Molecular Invasion". Todos os livros desse grupo de mídia tática que tem foco nas tecnologias biogenéticas estão disponíveis para download em -> http://www.critical-art.net/books/index.html∞
(10) Laymert Garcia dos Santos, “Politizar as novas tecnologias” Editora 34/Brasil, 2004. Um livro brasileiro muito importante para o entendimento do estado da arte da informação digital e genética.
(11) Mais sobre as condicões de trabalho da mulher em ->http://www.universia.com.br/html/materia/materia_daba.html∞
(12) Depoimento de estudante do curso descrito
(13) Jodi Dean, “Feminism in Technoculture”, em -> http://people.hws.edu/dean/femtech.html∞
(14) Alejandra Ana Rotania,”Sob o signo da Bios, vozes críticas da sociedade civil”, e-papers/Brasil, 2004
(15) http://www.globalchange.com/geneticengin.htm∞
(16) http://www.sermulher.org.br∞ e http://www.criola.org.br∞
(17) http://www.cemina.org.br∞
(18) http://www.redemulher.org.br∞
(19) http://www.dawn.org.br∞
(20) http://www.linuxgirls.org∞
(21) http://www.gnurias.org.br∞
(22) http://mulheres.softwarelivre.org∞
(23) Gilberto Freire, "Casa Grande e Senzala" Maia & Schmidt Ltda, RJ/Brasil, 1933
(24) O fenômeno do funk feminista -> http://www.jornalmusical.com.br/textoDetalhe.asp?iidtexto=1209&iqdesecao=1Mais tem o livro de Hermano Vianna "O mundo funk carioca" de 1998, nunca tive acessoa esse livro.. :/ pequeno texto de hermano em .PDF -> http://www.cpdoc.fgv.br/revista/arq/76.pdf∞ . Para uma breve descrição -> http://www.atlantistendamix.com.br/estilos/funk/historia.html∞
(25) http://www.quiteria.com.br/ladyfest∞
(26) http://corpuscrisis.cjb.net∞
(27) http://www.fotolog.net/tpmcrew∞
(28) http://www.benditazine.com.br∞
(29) http://www.quiteria.com.br∞
(30) http://docs.indymedia.org/view/Local/CmiBrasilCmiMulheres∞
(31)http://www.midiatatica.org/ip/index.php?id=3,21,0,0,1,0∞

De Tatiana Wells, com ajuda fundamental de Magaly Pazello. Este texto está em permanente estado de re:escritura. Por favor compartilhe suas idéias comigo pelo e-mail tati.xx-AT-gmail.com ou edite-o você mesm@ em http://www.midiatatica.org/wakka/wakka.php?wakka=GenEro

Apropriação Capitalista

Coletivo Saravá
http://wiki.sarava.org/Estudos/ApropriacaoCapitalista

* Apresentação
* Redes sociais e ativistas: reprodução do modo capitalista?
* O circuito p3sE e o Ativismo, genealogia (?) de uma relação
* Um capitalista por criança
* A indefinição política e as ideologias apropriáveis
* Links e Referências

Autolabs: Critiquing Utopia

http://www.metamute.org/?q=en/Autolabs-Critiquing-Utopia
mute / February, 2005
ByDavid Garcia

If government and corporate media are increasingly ‘tactical’ and ‘devolved’,
do tactical media projects mirror strategic capitalist objectives or create real opportunities for oppositional expression? Brazil’s ‘third way’ government has made high speed internet access on open source platforms available to its people through Telecentros across the country. David Garcia reports on a non-governmental project which tried to help the urban poor use these new resources to their own ends

In Itaquera, one of the many poor districts on the eastern edge of Sao Paulo, something strange has been happening. Among the market stalls and street traders a surprising number of high priced shops can be found selling furniture and consumer electronics. In one of these shops a minor disturbance has broken out among the slick salesmen whose job it is to entice the local populace into a lifetime of debt. On their expensive widescreen TVs instead of football or the media giant Globo’s endless diet of glossy soaps, through bursts of static the inflammatory graphic artist Latuff suddenly appears. A group of wide eyed youngsters watch as he demonstrates how stamps can be used to print provocative political slogans onto bank notes. Latuff is quickly followed by a group of teenage girls (some as young as 14) teaching other kids how to avoid pregnancy and AIDS with a hilarious demonstration of condom use. Obviously illegal, this intervention creates a momentary tear in the fabric of Brazil’s hegemonic broadcast media reality, briefly signaling the existence of another world of expressive possibilities. But the fabric is swiftly re-stitched, the TVs almost immediately re-tuned, and their normal function as the narcotic dream machines of the Favelas resumes.

These interruptions to normal service originate from a series of live pirate transmissions whose source is a party just across the street. It’s one of a series of events to mark the completion of Autolabs, an experiment in transplanting tactical media labs in free software from the comparatively privileged networks frequented by well educated artists and activists into three poor districts in the east of the city: Ermelino Matarazzo, Itaquera and São Miguel Paulista.

The fact that I was witnessing something more than just another NGO exercise in community education (the soft police) was evident from the fact that some of the instructors were winding up the project with a live practical demonstration of how to make pirate television. Brazil’s government has already established the Telecentros, a justly famous network of free public internet access centres running on free software, but Autolabs tries to take things further. As its founders believe, extending and intensifying the free circulation of knowledge is not necessarily liberating in and of itself. They want to do more than merely perpetuate ‘communicative capitalism’s endless reflexive circuits of discussion.’ Autolabs’ alternative is to emphasise the critical and above all expressive potential of tactical media. Autolabs set out to create a network of autonomous spaces owned and maintained by people from the ‘peripheral communities’ in order to make their own media and develop ‘visual, sonic and textual sensitivities, making social actions of collective utility possible.’
Since February 2004 Autolabs have been attempting to teach the principles and practices of tactical media where it matters most. Initiated by artist Giseli Vasconcelos 18 months after the success of the first Brazilian Tactical Media Lab (Mídia Tática), Autolabs was set up in close collaboration with the other members of the Mídia Tática group, Tatiana Wells and Ricardo Rosas. Each lab was constructed out of discarded computers, reconditioned, upgraded and connected into functioning networks. By the end of June 2004 three new media centres had been established based not only on open free software but also on a belief in and practice of autonomy. But this simple presentation of facts hides a complex and difficult journey marked by painful concessions and contradictions.

AUTONOMY AND REALITY
Many of the problems were caused by the organisers’ understandable decision to pay not only Autolabs’ instructors but also its participants. Naturally Autolabs was wildly over-subscribed. In the early weeks of the project the instructors were quite overwhelmed by the numbers. Many of the kids who turned up were simply there for the money, occasionally browsing the websites of popular TV programmes. It was only when Autolabs stopped paying participants that Autolabs proper could actually begin. With only the motivated students remaining, there was finally time and space for real communication and teaching to happen. Projects of real value gradually started to emerge: a hip hop outfit set up their own website and mixed their CDs in the lab; a free radio group formed; also the above mentioned group of teenage girls, many of whom had been pregnant, began taking their safe sex message around the schools of the eastern zone. Confirming both Autolabs’ success and its problematic proximity to mainstream media, the Autolabs are now being taken over as part of the government’s Telecentros programme, with the most motivated of the kids themselves being employed as teachers. This is some way from the original lofty goal of creating truly autonomous centres, however, and the connection with Telecentros is seen by many as too much of a compromise.

EXCEPTIONAL BRAZIL?
Autolabs ambiguous success cannot be understood without looking a bit more closely at Brazil's unique and contradictory media and software politics. From some perspectives there could not be a more hospitable soil for tactical media than Brazil. The national government has the world's most active policy on free software and the creative commons. There are enough facts to support the conclusion that this is not simply a matter of lip service. To begin with there is a bill currently before the Brazilian parliament seeking to introduce a default Creative Commons licence for all cultural immaterial labour carried out in Brazil. A populist symbol of the current administration's commitment is the decision of the charismatic minister of culture and popular musician, Gilberto Gil, to release his next CD under a Creative Commons licence, much to the consternation of his record company.

The drive to integrate free software and media at all levels of society can also be seen in the Telecentros project, with hundreds of computer and media centres opened in poor districts providing high speed internet on open source platforms. One of the principal architects of the Telecentros, Sergio Amadeu, is currently being sued by Microsoft after an interview in which he compared the corporation to ‘drug dealers’ getting poor countries hooked by giving their products away.

The minister of culture's long term friend and associate Claudio Prado is now the driving force behind the ministry's latest ambitious initiative: the Polos Digitais, which involves a high speed roll out hundreds of new media centres with training and guidance taking place in a large ‘mothership’ in the centre of Sao Paolo. Many local activists remain critical of the Polos Digitais programme, believing that the imminent regional elections will cause an otherwise worthwhile initiative to fail through excessive haste and a lack of understanding about which elements of the scheme will actually work in practice.

Brazil’s radical approach to creative commons policy does not mean that the ruling Partido dos Trabalhadores (PT, the Workers Party) is committed to wider social transformation. On this subject the sense of betrayal among activists in Sao Paulo is palpable. Pablo Ortellado of Indymedia Brazil articulated the general disappointment, describing how the PT had once been ‘as good [as] a political party can be’, succeeding in uniting the radical splinters of the left into a coherent party with a real chance of power. But after narrowly losing the election before last, the PT transformed itself into a third way social democratic organisation. This has left the radical left more disillusioned than most. One symptom of its apathy is that a mega-city on the scale of Sao Paulo could only muster 7,000 marchers in the protests preceding the Iraq war. Rightly or wrongly the blame for much of this is laid at the door of the media giant, Globo. Globo's power to determine the outcomes of elections and influence key policy decisions is well known and the forest of aerials and satellite dishes across the rooftops of the shanty towns makes it plain. Even the poorest of the poor have television, if not refrigerators.

Bearing the government’s third way agenda in mind, the new media training centres of the Polos Digitais programme look less benign. There is a temptation to dismiss or bypass such initiatives as boot camps designed to retrain, discipline and control a potential workforce for a neoliberal, IT orientated industrial era. But for Autolabs, at least, this paralysing critique is far too deterministic. Like all tactical media, Autolabs is based on the fact that new media are not just media, they are tools, making outcomes difficult to determine. Autolabs only makes sense if we assume that the intentions of strategic players do not inevitably prevail. As always the name of the game is appropriation. And the main question is, who appropriates who? Those operating on the frontline of community activism understand that there is more to our world than ideology.

CRITICAL VOICES
At ‘Finde’, an event marking the end of the Autolabs project, some of the questions haunting tactical projects were given an airing. Wasn’t the fetishisation of media itself a distraction from the real problems of poverty and class? Wasn't it time to reinstate the economic as the master signifier in such hegemonic struggles? But when I put this point to the free radio warriors and activists of Submídia (one of the groups acting as instructors at Autolabs as well as contributing their expertise in pirate media to help in the project’s dissemination), they rejected the proposition without a moment’s hesitation. Brazil, they insist, is a mediatised society of a particularly virulent nature in which vast swathes of the population are literally sedated by Globo’s stream of soap operas. In the struggle against fundamental economic inequality, the reappropriation of media must come first.

But the questions continued to recur in various forms, both during and after the project’s completion and assimilation into the Telecentros programme. Do Autolabs (and similar tactical projects) simply appear critical, at best providing a few jobs for the most cooperative members of the excluded classes? In a recent discussion with the Autolabs organisers I pursued this point in more detail, asking what kind of new 'critical' or oppositional options Autolabs have opened up for their participants. Can a project originating from 'outside' a community become the property of that community? One of the organisers, Tatiana Wells, responded by writing:

During my workshops I was sure it was owned by the community and we have many tapes and insights to prove it. Our participants ‘also learnt how to have fun!’ … discovering how the expressive use of the media can put us in control of our desires, that we are then free to communicate, in many different ways.

This is precisely the dimension denied in similar projects, such as the Telecentros. So learning low-tech editing, DIY sites and movies, graphic experimentation, free radio, learning how to recognise and interact with our desires is for me as critical as it gets.

Later in our exchange, Wells revealed a little more about the uncertainties surrounding the future of the existing Autolabs:

There was the moment that the project became distant from the community; it was when the last autolab workshop finished. The first thing they did was to change back the name it will be ‘Telecentro Caju SMP’. But for sure it will be a different kind of Telecenter if hosted by those who were part of the Autolabs, there [are] plans that at least one of the labs will host a radio station and cinema sessions. But our own participation is over and at the moment we are very unsure of how we can approach it again or continue [to] influence its workings.

BEYOND THE COMMONS
If the Brazilian State's use of the language and protocols of the Creative Commons to confront the increasingly restrictive dominion of intellectual property is unequalled, the work of the Mídia Tática group serves to illuminate the impotence of a policy of radical informational politics without a wider agenda for social and economic transformation. The hard lessons of Autolabs have not paralysed Mídia Tática, Digitophagy, their show at the Museum of Image and Sound in Sâo Paulo in October 2004, will directly address many of the questions raised by Autolabs while, through such projects, important new links are being forged both inside and outside of Latin America. Indeed the reason that the Autolabs project was not completely uncoupled from its values by entrenched local power brokers was that the organisers never lost touch with the autonomous forms of knowledge arising from their relationship to global networks of resistance.

LINKS
AUTOLABS http://www.midiatatica.org/autolabs/
SUBMIDIA http://submidia.radiolivre.org/

David Garcia is an Amsterdam based artist and organiser, co-founder and co-organiser of the Next 5 Minutes festival of tactical media, and Chair of the Utrecht School of Art and University of Portsmouth Design for Digital Cultures programme

Back to Basics : The revenge of the low-tech

Ricardo Rosas

In Johnny Mnemonic, William Gibson writes about an obscure group of people, the Lo-Teks. Lo-Teks are people who live at the margins of a high tech society in the near future. Those people, as one can tell by reading the story, have their own peculiar weapons, even if they're made of discarded tech-residua of the overdeveloped society of their time.

But why talk about low technology nowadays? Tactical media practitioners mostly like to think about action when it's mediated by a very high tech device through which they can learn or teach others how to use it. That's how it works, as you can understand when reading Nettime or tactical media theories all over the web. But that only works if you are talking about a very rich country, that has a high rate of people who have access to the Internet or high tech gadgets. And what if the focus is an underdeveloped country like Brazil? As far as we know, the Next Five Minutes is a kind of overview of DIY, activist media producers. If the point is Brazilian DIY media and arts, then it is, as you'll see, basically low tech.

So let's begin with a cliché: Brazil is a land of contrasts. That's what everybody says, be it a foreigner, which comes here for the first time, be it a Brazilian theoretician in his comfortable seat at a university. Even in the richest city of the country, Sao Paulo, you can see beggars guiding their cars made of wood in order to carry garbage to be recycled, as they walk through the gigantic Paulista Avenue, with its impressive skyscrapers of glass and steel. That is a country where you can find very rich boys with lots of high tech gizmos, the latest ones made in Japan, living very near to a homeless family, which has nothing to eat. Yes, there is lots of net stuff here, lots of web designers, programmers, software experts, web writers, bloggers, and so. Our cyberspace is full of beautiful home pages, e-commerce, hackers, but, back to reality, if you keep your eyes wide open, if you walk a little bit (or a little more!), you can see violence, hunger, ugliness, all these things supposedly found in a third world country.

How could a Brazilian TML dialogue with such different cultures, the virtual and the real, and at a common space? One thing we had in mind while translating the Tactical Media Lab and its concept to a Brazilian reality was, throughout the entire process, never to close our eyes to such a context. And that would be even more difficult, if we had to talk about net art and net activism.

There is a "web-art" in Brazil. A very much alienated, self-referential kind of art, mostly related to technology for technology's sake. Here, the so-called "web-artists", as most artists in general, are much more worried about their own egos, and very distant from their everyday reality. Most of them don't even know about net art (in Nettime's terms), net activism, or tactical media. Activism and political issues are something totally ignored in their works. The situation gets a little worse when you discover that the ones who know about such things don't care too much about letting others know. It seems it's just not interesting for their status quo. As people say, information is power. Why not be a privileged one?

On the other hand, Brazil is also notorious by the number of it hackers. Piracy also is a very hot issue nowadays, as pirated programs and music CDs are the easiest thing to find in the black markets on the streets, sold at the popular tents of "camelos". Besides, cyberactivism is something which has consistently grown since the appearance of the Brazilian Indymedia, in late 2001. Before then, there were very few sites producing independent news and information, one being Rizoma (www.rizoma.net), which tried to establish a sort of digital counterculture in Brazil, much in the guise of Disinfo.com at its good phase. So, after our Indymedia started, its incisive media activism was responsible for the spread of a great network of leftist and activist web sites as never seen before on Brazilian cyberspace. There are also some hacktivist groups working on, for instance, Microphobia, which are very difficult to find or contact.

A few advances have been made in cities such as Porto Alegre and Sao Paulo (both cities governed by PT The Workers Party), in order to implant computer centers in the suburbs, all Linux-based. Those places are called Telecentros, and have surely been the first step in what could be a utopian virtual democracy in this country.

That said, what could be done for a TML here and now? The first thing we thought was not to call mainstream Brazilian "web-artists", which, by no means, were anything near to the very definition of tactical media. Instead, we tried to look out for groups whose logics of action were, yes, web-based, but, for all the circumstances explained above, were not exactly "high tech". Such groups, whose way of working deals with activism, arts and social or political issues, are spread all over the country. Their production is not only prolific, or underground, but they're so different among themselves to the point that they seem antithetical, if only apparently.

As it was the first one of its kind in our country, we idealized this TML by firstly introducing the concepts on and around tactical media, and trying to be a little didactical to the Brazilian audience. Of course, it was free and open to all kinds of public, not a minority or elitist class of "connoisseurs". In a way, we tried to give a very "pop" approach to the festival - for it was really like a festival - in order to make it become sort of a "trendy" thing, a "hype" among youngsters. Call it "tactical marketing".

That's one of the reasons for which we chose so different groups in the same event. In a way, we tried to follow Lovink and Garcia's varieties of tactical media as mentioned in The ABC of Tactical Media, and for that reason we created something which included from art/activist groups and collectives to djs and street theater performances.

Groups like Bijari/Antipop and A Revoluçao Nao Sera Televisionada (The Revolution Will Not Be Televised) work mainly with video-art and videoactivism, much in the guise of Candida TV, from Italy, and theirs is sort of an MTV collage aesthetics full of political and edgy art's issue. Rejeitados ("The Rejected") is a national "combo" of alternative artists which work with urban intervention and art outside the institutions. Formigueiro (Ant's nest) works with plagiarism and parody, and their exhibition played with fake biotech art. Museu da Pessoa (Museum of the Person) collects individual stories and photograhs/videos of ordinary and anonymous people. A nomia (Anomy) works with culture-jamming, comics, zines and video, a lot based on psychogeography and sonic shock. A Cria (The Baby) is a "factory" of fanzines. The Nomads' collective work with architecture and popular solutions for living. Projeto Sid Moreira - whose name makes a parody of an anchor reporter from Globo TV News Program - works with posters and culture-jamming. Metafora.org (Metaphor) recycles old computers for poor communities and has wiki-based projects concerning open publishing and group-based actions, like Recicle-1-Politico (Recycle-1-Politician), which re-used ad material from political campaigns that polluted the cities. Rizoma.net works basically in the Internet with a content which makes a recombination based on the variety of texts with different points of view talking about specif themes like activism, afrofuturism, neuropolitics and such, a sort of open-source-like treatment of ideas combined with a conceptual engineering in order to provoke ch anges in the subjectivity. Manufatura Suspeita (Suspect Manufacture) with its street theater using situationist techniques as psychogeograhy and detournements of classic authors. Latuff, a graphic artist, famous worldwide for his political agit-props and culture-jamming mainly about the Israel/Palestine conflict and anti-war bravados, who draw, live throughout the festival, a huge anti-war cartoon at the house. There were also rooms from CMI (Brazilian Indymedia, as explained before) , the "Telecentros" and Ocas, the Brazilian version of Big Issue, the street journal. Banda Paralela, a collective of designers and programmers, created a "media monster" all made of tech-detritus. Batukaçao, as a group of street protest which plays with drums, presented sort of a martial and activist "batucada". Radio Muda, a free radio station collective, also broadcasted its activist voices. LSD discos, a home-made music label that produces experimental eletronic music with some political flavor, was responsible for the musical section of the TML.

All these people "settled" at Casa das Rosas (House of Roses), which is a space for non-mainstream art exhibitions on Paulista Avenue, something like a "castle" on Peter Lamborn Wilson's terms (see A Network of Castles, http://amsterdam.nettime.org/Lists-Archives/nettime-l-9705/msg00118.html). We had the house for four days, during which we had not only the exhibition - that looked more like a weird fair or TAZ - but music pocket shows, performances, (unexpected) parties and a temporary pirate radio station broadcasted by Indymedia, one that defied on the web and live, that the Brazilian authorities should come to the festival to close them down - a protest against the repressive politics of free radios in this nation. This was a very symbolic act, once we were at Brazil's financial heart and that was impossible to hear, given the impressive proliferation of (legal) radio station antennas and multiple frequencies on the avenue. We also tried to make a free rave in the neighbo rhoods, but we were not allowed to do so by the police. That one was going to be held by a brazilian free party group, Interfusion, which promotes raves for free in the poor suburbs of Sao Paulo. The music pocket shows explored Brazilian IDM and experimental/funky electronica bands, ones which have a very small and mostly non-commercial audience, and their reception was good.

At the same time, lots of brazilian theoreticians, activists and artists made lectures, debates, conferences and workshops during the four days, all held in buildings next to Casa das Rosas. Among other things, they debated on independent media, art as tactic and resistance, the politics of multitudes, cyberactivism, copyleft, open-source logics, post-media sounds, free radios and independent music production. We had a debate with Richard Barbrook and John Perry Barlow in our opening night (a week before the TML itself), dicussing digital inclusion and such. We also had the presence of Derek Holzer, who gave a lecture on tactical media, net art/activism and the Next Five Minutes. In retrospective, many issues discussed there generated some polemics, others not. Anyway, they produced a significant, if small, earthquake in the agitated cultural scene here, which had the merit to bring socio-political agendas to discussion.

The best thing about all this four-day fuzz was its good reception (even by the corporate media!) and great audience both in the house and the locations of the debates and lectures. If something, we made some noise. We brought critical theory and activism to the pop arena here in Brazil. And that was one of our intentions. Anyway, we sort of created a "network" of artists, designers, webmasters, activists and theoreticians which never had contact to or heard of each other before. And that was our logistics: the Internet was the means by which we made all this TML possible. It was an "open-source"movement, as thought by Felix Stalder and Jesse Hirsh (see Open Source Intelligence, http://amsterdam.nettime.org/Lists-Archives/nettime-l-0206/msg00030.html), where everybody gave their own contribuition working in a logic of network-based groups. And, as we didn't really have the affordance to realize it, everyone worked as fellows for a major project, so we did it counting on the participants' and volunteers' own efforts and good will. And it worked.

Back to the point, most of its participants produce low tech works and actions, even if, paradoxically, most of them contact and link themselves, as we made, by using the Internet. In a way, most the groups were marginalized in relation to the arts or political mainstream. And, in a way, it was a revenge. A revenge against the Brazilian self-indulgent high tech web-artists and techno-fetishistic elite which only have looks to their own ego. A revenge of Low Tech.

Donos do Poder

Os Donos do Poder
Assim como no tempo das Capitanias Hereditárias, há 500 anos, 12 famílias concentram todo a infosfera comunicacional Brasileira.

Concedida por concessões de estado, os canais de rádio e tv brasileiros formam hoje um dos maiores conglomerados de mídia comerciais do mundo, operando uma construção e desconstrução do espaço público, alimentando uma política pública repressiva com conteúdo racista, especialmente contra crianças (consumismo) e mulheres (sexista).

Subistituindo as múltiplas identidades brsileiras e possíveis ideologias em formação por esteriótipos e padrões de consumo e entretenimento específicos, seguindo a lógica do mercado, seus patrocinadores.

Essa lógica econômica foi desde o começo da história brasileira naturalizada como externa e reinforçada nacionalmente por manipulações políticas que vinham para proteger os valores familiares (obviamente nepotistas) antes de qualquer preocupação educacional ou social. Baseado em um tipo de organização política, econômica e social mantida artificialmente por forças externas, o Estado brasileiro trouxe mais continuidade do que ruptura com o modelo instaurado pelo colonizador europeu.

É nesse sentido que os traços econômicos, sociais e culturais - moldados por quatrocentos anos de escravidão e se estruturando como uma máquina de repressão e controle político-administrativo - tornaram possível ao poder brasileiro sempre beneficiar uma elite, estabelecendo como normas ideais de conduta para todas as classes certas atitudes do patriarcado rural. Nosso dilema não é nem nunca foi a escassez. Nosso dilema é o modelo de produção e de distribuição da abundância, isto é, o dilema da desigualdade; na forma de desigualdade ecônomica para o acesso aos recursos naturais, bens e serviços e na forma desigualdade simbólica, para a produção de conhecimento, identidade e valores culturais.

É estimado que aproximadamente 30% dos nossos senadores atuais, descendentes de nosso modus politicus, são donos ou de uma família-que-é-dona de um meio de comunicação.

Pesquisa

* Composição societária das empresas de rádio e TV
o Ministério das Comunicações divulgou o nome dos donos das concessões de empresas de rádios e TVs. Isso nunca foi feito no País e dá um pouco de transparência ao sistema de comunicações do Brasil. A partir de agora, todos em todos estados saberão o nome de proprietários dos meios de comunicação. É um passo importante para a constatação legal do oligopólio na área e para a movimentação popular tendo em vista a pressão pela democratização da informação. O cadastro ainda está incompleto, pois não identifica os responsáveis pelas rádios comunitárias, além de apresentar dificuldades para o cruzamento de dados. Parece que esse é o último suspiro do ministro Miro Teixeira (PDT-RJ), que deve deixar o cargo até o final do ano para a entrada do PMDB no governo Luiz Inácio Lula da Silva. Até que enfim o governo do Partido dos Trabalhadores, apesar do ministro não ser do partido, faz alguma coisa na área das comunicações.

O arquivo contendo a composição societária das empresas de rádio e TV pode ser baixado em http://www.radiolivre.org/files/radiodifusao-societaria.pdf

* Veja quem são os parlamentares com rádios e TVs de maior valor

http://www.reportersocial.com.br/noticias.asp?id=1280&ed=comunica%E7%E3o
23/10/2006 16:59h por ALCEU LUÍS CASTILHO

Quanto vale a participação de um parlamentar numa rádio ou televisão? Para além da influência política e eleitoral, somente 22 parlamentares, entre os eleitos para o quadriênio 2007-2010 que possuem controle de rádios e TVs, declararam que pelo menos uma delas vale mais do que R$ 100 mil.

Entre eles, há somente cinco “milionários da comunicação” assumidos: os deputados eleitos José Sarney Filho (PV-MA) e Antonio Carlos Bulhões (PMDB-SP), ambos com cotas em televisões acima de R$ 2 milhões, o senador Wellington Salgado (PDMB-MG), também acima de R$ 2 milhões, os parlamentares tucanos Albano Franco (SE) e Tasso Jereissati (CE), com ações entre R$ 1 milhão e R$ 2 milhões.

Muita gente pode ter ficado de fora dessa lista, no entanto. Fora os concessionários que não declararam esse tipo de bens aos Tribunais Regionais Eleitorais (TRE), alguns deles não especificaram o valor – caso da senadora Roseana Sarney (PFL-MA), que possui mais participações que o líder da lista, o irmão José Sarney Filho (PV-MA).

Confira a lista dos parlamentares concessionários, pela ordem em reais dos bens eletrônicos:

1) José Sarney Filho (PV-MA):

- cotas do capital da TV Mirante Ltda – R$ 2.711.000,00

2) Antonio Carlos Bulhões (PMDB-SP):

- 28.000 quotas da Rede Mulher de Televisão Ltda – R$ 1.400.400,00

- 16.800 quotas da Rede Mulher de Televisão Ltda – R$ 890.000,00

- 95.000 quotas da Radio Duarte Coelho FM Ltda – R$ 166.095,00

- 2.000 quotas da Radio Cultura de Gravataí Ltda – R$ 147.000,00

- 20.880 quotas da Radio Metropolitana Santista – R$ 100.000,00

3) senador Wellington Salgado (PMDB-MG):

- 50% da Rede Vitoriosa de Comunicações Ltda – R$ 2.201.000,00

4) senador Albano Franco (PSDB-SE):

- 218.974 ações da Radio Televisão de Sergipe S/A. – R$ 1.397.924,00

5) senador Tasso Jereissati (PSDB-CE):

- 1.113.658 ações da TV Jangadeiro Ltda. – R$ 1.113.658,00

6) Henrique Alves (PMDB-RN):

- 20,1% do capital social da Televisão Cabugi Ltda – R$ 763.800,00

7) Ricardo Barros (PP-PR):

- quotas de Capital Empresa Rádio Jornal de Maringá – R$ 488.153,91

8) Beto Mansur (PP-SP):

- quotas de capital da Empresa de Com. Un. PRM Ltda – R$ 462.000,00

- quotas de capital Soc. Radio Cultura – São Vicente – SP – R$ 101.758,77

9) Inocêncio Oliveira (PL-PE):

- 31% (197.650) quotas do Capital Rede Nordeste de Comunicação Ltda (TV Asa Branca) com sede em Caruaru/PE – R$ 328.600,00

10) Elcione Barbalho (PMDB-PA):

- 25% do capital da firma RBA – Rede Brasil Amazonia de TV Ltda – R$ 306.009,00

- 70% do capital social da Rádio Carajás Ltda – R$ 105.000,00

11) Jader Barbalho (PMDB-PA):

- participação na Rede Brasil Amazônia de Televisão Ltda. – R$ 306.009,00

12) Francisco Rossi (PMDB-SP):

- quotas de capital da empresa Radio Difusora Oeste Ltda – R$ 305.082,44

- quotas de capital da empresa Radio Difusora Oeste, representativa de 25% do capital social – R$ 111.734,98

13) senador João Tenório (PSDB-AL):

- cotas de capital da TV Pajuçara Ltda – R$ 302.348,00

14) senador José Agripino (PFL-RN):

- Tropical Comunicações Ltda. – R$ 196.161,00

15) Dimas Ramalho (PPS-SP):

- 100 quotas de capital da Radio Taquara Branca – R$ 174.495,58

16) senador Fernando Collor (PRTB-AL):

- 15.462 quotas da TV Gazeta (AL) – R$ 154.620,00

17) José Santana Moreira (PL-MG):

- quotas capital da empresa Radio FM do Vale Piracicaba Ltda – R$ 135.200,00

18) Luiz Gonzaga Patriota (PSB-PE):

- 90% cota – Rede de Com. Ltda – R$ 135.000,00

19) Dilceu Serapico (PP-PR):

- quotas Rádio Difusora Paraná Ltda – R$ 122.500,00

20) José Maranhão (PMDB-PB):

- empréstimo à Rádio Serrana, de Araruna (PB) – R$ 114.801,44

21) Arolde de Oliveira (PFL-RJ):

- crédito em C/C na empresa Radio Mundo Jovem Ltda – R$ 114.646,60

* lista elaborada pela Agência Repórter Social com base nos seguintes dados:

1) Tribunal Superior Eleitoral, 2002 e 2006 (deputados e senadores eleitos para o quadriênio 2007-2010),

2) dados levantados pelo professor Venício de Lima, da UnB, conforme dados do Ministério das Comunicações, em 2005, e não declarados em 2006 aos TREs.

3) dados levantados pelo Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom), em 2005, com base na lista do Ministério das Comunicações, e não declarados em 2006 aos TREs – inclui também as concessões a parentes dos parlamentares.

* Legislação permite relação promíscua, dizem especialistas

O problema central evidenciado por episódios recentes envolvendo concessões de rádio e TV tem raiz na combinação entre as bases da legislação e a forma como o poder público tem atuado em relação ao setor de comunicação.

Jonas Valente* - Carta Maior

BRASÍLIA - Dois episódios reaqueceram o debate sobre as promíscuas relações entre mídia e política, mais especificamente entre os meios de comunicação e os políticos. Há duas semanas, jornais de grande circulação noticiaram que cerca de 10% dos deputados possuíam concessões de Rádio ou TV. Alguns dias antes, o presidente Lula solicitou à Câmara a devolução de 225 processos de outorgas que corriam risco de não serem aprovados por falta de documentação. Para especialistas consultados pela Carta Maior, apesar das diferenças entre cada caso, o problema central evidenciado pelos dois casos tem raiz na combinação entre as bases da legislação para a radiodifusão brasileira e a forma como o poder público atua em relação ao setor até hoje.

“O Estado perdeu controle sobre as concessões, com o beneplácito de todos os governos, e a situação é perpetuada a partir de um ambiente regulatório totalmente desorganizado”, afirma o professor da Faculdade de Comunicação da Universidade de Braílisa (UnB), Murilo César Ramos. “Há ilegalidade na posse de concessões por político, na ampliação da propriedade por meio das redes e este cenário é garantido por uma relação em que os parlamentares legislam para si próprios para manter este sistema. É algo anárquico, é o caos”, diz o professor aposentado da mesma UnB, Venício Lima, autor da pesquisa que revelou a existência de 51 concessionários entre os 513 deputados federais da Câmara dos Deputados.

O caso do pedido feito pelo presidente da República é emblemático. Na geladeira há anos, cerca de 225 processos receberam no mês passado um ultimato do presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI) da Câmara, Vic Pires Franco (PFL-PA): caso a documentação das concessões não fosse regularizada em dois meses, os processos seriam recusados. O presidente Lula entrou em campo e retomou os pedidos para o Ministério das Comunicações, órgão responsável pela primeira análise dos processos. Ao receber o pedido, os parlamentares da CCTCI reagiram. “Recebemos com estranheza o pedido de devolução dos processos feito pelo governo. Atentamos para o fato de que findado o prazo estas emissoras não poderiam estar funcionando”, afirmou Orlando Fatazzini (PSol-SP). Segundo estudo do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), hoje cerca de 40% das concessões apresentam irregularidade na documentação.

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, explicou que, uma vez sendo competência de seu órgão a avaliação da documentação, a ação do presidente não teria ilegalidade alguma. Mas deixou escapar em entrevistas à imprensa um dos motivos reais do ato. “Se for para o plenário, possivelmente todas essas concessões poderiam ser cassadas. Eu entendo isso como o fechamento de 225 empresas de radiodifusão no Brasil inteiro”. Do ponto de vista legal, a explicação do ministro está correta. Apesar da legislação brasileira para a área estabelecer prazos respectivos de 10 e 15 anos para concessões de rádio e televisão, um decreto garante que as emissoras possam funcionar por período indefinido sem outorga desde que o pedido de renovação tenha sido feito e esteja tramitando. Entre os 225 projetos, havia emissoras que tiveram suas concessões vencidas em 1991 e até hoje funcionam sem renovação.

Na opinião de especialistas, a legislação permissiva garante a legalidade, mas provoca um problema de legitimidade. “O problema é político, pois o poder público não se manifesta frente à falta de resposta das emissoras com relação à falta de documentação”, defende Cristiano Lopes Aguiar, consultor legislativo da CCTCI da Câmara. Segundo Aguiar, foram feitas duas consultas em 2002 e 2004 para a regularização dos documentos, que resolveram o problema de outros 300 processos mas que não foram atendidas pelos 225 pedidos pelo presidente. Ele explica que o quadro se perpetuou por que tanto legislativo quanto Executivo se ausentaram da responsabilidade de cobrar os documentos, situação aproveitada pelas emissoras.

Apesar de não estar diretamente ligada à questão da legislação, o caso em questão pode ser rico exemplo para uma reflexão sobre o uso que os parlamentares fazem dela para a disputa partidária. Se todos os presidentes de comissões e ministros das comunicações anteriores se utilizaram das brechas na legislação para garantir que emissoras com concessões vencidas no início dos anos 1990 estejam funcionando, o que fez com que o presidente da CCTCI, ex-repórter da Globo no Pará que conta com o apoio dos radiodifusores, fizesse diferente agora? O deputado Vic Pires Franco (PFL-PA) apóia a reeleição do governador Almir Gabriel (PSDB), cuja vice-governadora é esposa de Franco. Um adversário importante do PFL, o deputado Jader Barbalho (PMDB-PA), estava na lista como um dos concessionários que poderiam perder a renovação de sua outorga. José Priante, candidato peemedebista ao governo do Estado, é primo de Barbalho, que possui a Rede Brasil Amazônica, afiliada da Rede Bandeirantes no Estado.

ILEGALIDADE FLAGRANTE

O caso do deputado Jader Barbalho ilustra outro problema grave: a posse de emissoras de Rádio e TV por políticos. O deputado paraense e outros 50 parlamentares integram a lista feita pelo pesquisador Venício Lima, que gerou uma representação do Projor (entidade mantenedora do site Observatório da Imprensa) ao Ministério Público. Segundo o documento, não apenas deputados possuem concessões como deputados da CCTCI votaram pela renovação de suas próprias comissões. Novamente no caso aparece o papel central da legislação. Os deputados se protegem evocando a Lei 4117/1962 (Código Brasileiro de Telecomunicações), que veda aos políticos eleitos atuar em cargos de gerência e direção.

A argumentação foi adotada por um dos juízes que recebeu a representação, mas não deve ser a conclusão, pois o pedido foi enviado à Procuradoria Regional do Distrito Federal. Consultado pela Carta Maior, o órgão afirmou que pediu informações ao Ministério das Comunicações e está recebendo respostas. Para Cristiano Aguiar, no entanto, não é possível dupla interpretação no caso uma vez que a Constituição Federal, em seu Artigo 34, não permite a pessoas em cargos eletivos firmar qualquer tipo de contrato com entidades de direito público, o que acontece no caso da concessão de radiodifusão. Segundo a Carta Magna, a punição para casos como este é a perda de mandato do parlamentar.

FÁCIL DE BURLAR

Apesar da ilegalidade apresentada por esta situação, o problema é mais complexo. Com a legislação como está, explica o consultor legislativo, bastaria apenas que o parlamentar transferisse a titularidade para um laranja ou parente que não haveria ilegalidade. O problema, segundo os especialistas consultados, está na fragilidade da legislação em relação ao controle das composições societárias, o que mantém o deputado com controle político e editorial sobre os veículos. “Isso contamina o processo político. Na disputa para a reeleição o parlamentar concessionário tem mais vantagem”, argumenta Venício Lima.

Esta brecha permite um outro problema sério relativo às concessões de rádio e TV: o drible nos limites de propriedade impostos pela legislação. Hoje um grupo pode ter no máximo cinco concessões, sendo duas por estado. Reportagem do FNDC a partir da listagem das emissoras de cada rede nacional de televisão mostrou que as grandes redes utilizam a brecha na composição societária para burlar esta exigência, colocando vários membros da família em suas emissoras.

“A rede é outro problema, pois através dos contratos com as filiadas as cabeças-de-rede ampliam sua cobertura. Isso se dá em nível nacional e regional também. No estado do Maranhão, somente um grupo ligado a um político cobre 80% do Estado”, diz Lima. Ele lembra que, nos Estados Unidos, a legislação limita a cobertura das redes a até 35% dos municípios, como forma de garantir a pluralidade. A falta de regulação sobre as redes faz com que as emissoras se amparem neste cenário desregulado para garantir o modelo. "A figura da ‘rede de televisão’ é uma ficção. A rede não possui personalidade jurídica, tratando-se de várias emissoras que se unem sob um acordo operacional e comercial", afirmou a assessora de imprensa do SBT na reportagem citada.

Para o professor Murilo Ramos, todo o quadro tem origem no fato da outorga de radiodifusão ser diferente de qualquer outra. “O contrato é meramente burocrático. Ele não estabelece nem direito e nem deveres”, diz. Com isso, continua, há uma privatização do espectro eletromagnético (espaço finito por onde transitam as ondas de Rádio e TV). O modelo baseado nesta forma de contratos e na formação de redes seria então garantido tanto pela fragilidade da regulação quanto pela dificuldade de renova-la. “A razão dos radiodifusores não deixarem haver nova lei é por que este cenário favorece a eles, e a sociedade assiste impotente por que não tem mecanismos institucionais para evitar isso”, explica Ramos.

Tentativa de mudança

Para tentar mudar o quadro, parlamentares da CCTCI criaram uma subcomissão específica para discutir as concessões de Rádio e TV. Segundo a deputada Luiza Erundina (PSB-SP), o objetivo da instância é “rever a legislação, apurar denúncia de irregularidade e propor novo marco regulatório”. Este novo marco, defende Erundina, precisa fortalecer o papel fiscalizado do Ministério das Comunicações, sendo necessário a reativação das delegacias regionais extintas no final do mandato de Fernando Henrique Cardoso e novos mecanismos de controle das irregularidades nas concessões com participação da sociedade civil. “Não podemos continuar permitindo o funcionamento de emissoras comerciais com concessões vencidas há mais de dez anos enquanto rádios comunitárias são fechadas de forma violenta tendo processos em tramitação no ministério”, critica o deputado Fantazzini.

*com informações da Agência Brasil.

Retirado de http://cartamaior.uol.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=11683

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Ajude essa pesquisa!!

http://www.midiatatica.org/wakka/wakka.php?wakka=DonosdoPoder

Fine Young Cannibals, of Brazilian Tactical Media

David Garcia / 10-09-04
http://www.midiatatica.org/autolabs/blog/modules/news/article.php?storyid=1
08

In the concluding chapter of the second volume of Manuel Castells' magnum opus he declares that "it is in the back alleys of society, whether in alternative electronicnetworks or in in grass roots networks of communal resistance,
that I sensed the embryos of a new society.."

The new social movements "mirroring and counteracting the networking logic of domination", he identified earlier in the volume, have indeed proliferated, growing into a highly visible global movement, and to some degree,succeeding in propelling their values into the wider world, but his
hopes for"a new society" remain, for the time being, embryonic. But the backalleys he spoke of back then should not be overlooked for signs ofchange. In one such "back alley" in Itaquera, one of the many poor districts that make up the east zone, on the peripheries of Sao Paulo, some
thing strange has indeed been happening . . .

Among the market stalls and street traders a surprising number of high priced shops can be found selling furniture and consumer electronics. In one of these shops a minor consternation is occurring among the sleek sales-men
whose job is to induce the local populace into a lifetime of debt. On their expensive widescreen TVs, instead football or the media giant Globos endless diet of glossy soaps, through bursts of static the inflammatory graphic artist Latuff suddenly appears. He is instructing a group of group of wide
eyed youngsters how stamps can be used to print provocative political slogans on bank notes. He is followed by agroup of teenage girls (some as young as fourteen) teaching other kids how to avoid pregnancy and AIDS with a hilarious demonstration of condom use. But the TVs are quickly retuned
reinstating their normal function in the Favelas as narcotic dream machines.

These interruptions to normal service originate from a series of live pirate transmissions emanating from a party held just across the street. The party is part of 'finde' a series of events marking the completion of Autolabs an
experiment in transplanting tactical media labs in free software from the comparatively privileged networks frequented by well educated artists and activists into three districts: Ermelino matarazzo, Itaquera and So Miguel
Paulista, in the Eastern zone of the city.

Autolabs was initiated by artist Giseli Vasconcelos who moved swiftly to capitalize on the success of the first Brazilian tactical media lab of 2003. formed an alliance of artists, hackers andactivists to apply tactical media
principles to the Favelas of Sao Paulo. By the end of June 2004 were new three media centers have been established not only based not only on open free software but also on autonomous beliefs and practices. The fact that we
are not simply witnessing another NGO exercise in community education was evident by the fact that some of the instructors were winding up the project, with a live practical demonstration of how to make pirate
television.

>From February 2004 Autolabs have been teaching the principles and practices
of tactical media, where it most matters, and teaching it tactically.

Cannibals of the Tactical

"I am only interested in what is not mine" proclaimed Oswalde de Andrade in
the 1928 manifesto which launched the Brazilian literary movement
"Anthropofagia". Some of his rhetoric at first appears reminiscent of dada
or surrealism, another manifestation of the countless modernist movements
based on appropriation, juxtaposition or collage. But in the context of post
colonial Brazil we are looking at something more extreme, more violent, more
intimate, not so much a movement of appropriation as one of absorption, of
cannibalism. Andredes inspiration was the Tupi Indians warrior culture which
involved eating parts of the bodies of their enemies. To be eaten was a
great compliment to the fallen, as the Tupi warriors chose "not just any
enemy, only brave warriors_ They chose their others in terms of the vital
power imparted by their proximity.. They allowed themselves to be affected
by their others to the point of absorbing them into their bodies_" (3).

Tactical media is latest invader to be consumed by the fine young cannibals
of Brazil. The process began when a group of three activists based in Sao
Paulo Giseli Vasconcelos, Tatiana Wells and Ricardo Rosas,responded to a
request that someone host a "tactical media lab" in Latin America. This
invitation, was posted on various lists (more in hope than expectation) by
the organizers of the Next 5 Minutes, the Amsterdam festival of tactical
media. Tactical media labs (which were held with varying degrees of success)
in various locations around the world. TMLs were a key element Next 5
Minutes, organization's attempt to both broaden its geographical compass and
decentralize its editorial process. In the event Brazils tactical media lab
(MdiaTtica) turned out to be more of a festival than a workshop, attracting
nearly four thousand visitors and considerable media coverage. But more
important than visitor numbers were the powerful new networks of possibility
and action which sprang up across the social and cultural divides of Sao
Paulo and continue to bear fruit. All this is even more impressive when one
realizes that the Sao Paulo TML was literally a "no budget festival". The
remarkable story of the festival and what it changed in Sao Paolo
can be found in Ricardo Rossass report. Nine months after Mdia Ttica,
Autolabs began. And in October 2004, less than two years of intensive
experimentation willbe marked by the exhibition DigitalFagiea which will
draw together manyof the disparate threads of Brazilian media tactics in a
major museumof media in the center of Sao Paulo. The title, DigitalFagia
plainly expresses the cannibalistic intentions of the Sao Paulo
groupconfirmed in the meeting to celebrate the completion of Autolabs when
someone declared (to enthusiastic response) their intention of seizingthe
Next 5 Minutes and making a Latin American edition of thefestival that would
be based in Brazil and take place within two years.

Exceptional Brazil

The Brazilian embrace of tactical media and Autolabs in particular cannot be
understood without reference to Brazils unique and contradictory media and
software politics. From some perspectives there could be no more hospitable
a soil for tactical media than Brazil. The national government has the
worlds most active and vociferous policy on free software and the creative
commons. And it isnot simply a matter of lip service There is currently a
bill beforethe Brazilian parliament to introduce a default creative
commonslicense for all immaterial labor generated in Brazil. The charismatic
minister of culture and popular musician, Gilberto Gill is proposing, (to
the consternation of his record company) to release his next CD under a
creative commons lisence. Hundreds of computer and media centers have been
opened providing high speed internet access to the the poor districts all
running on open source platforms andapplications.

One of the principal architects of these so called Telecentros, Sergio
Amadeu
is currently being sued by Microsoft for an interview in which he compared
them to "drug dealers", getting poor countries hooked by giving their
product
by starting out, giving theirproducts away.The minister of cultures long
term friend andassociate Claudio Prado (they were exiled together in France
during thedictatorship years) is now the driving force behind Polos Digitais
a new initiative from his ministry. Between presentations at the
Autolabs, Claudio Prado took me aside to describe his visionary program of
"PolosDigitais" which involves a high speed roll out hundreds of new
mediacenters with a training and guidance taking place in a large
"mothership" in the center of Sao Paolo. The program may well have been
influenced the Autolabs initiative as there were several meetings between
Claudio Prado and the Autolabs organizers. However a number of local
activists
remain critical of the Polos Digitais program, believing that the imminence
of regional elections means that anotherwise worthwhile initiative will fail
through excessive haste coupled to a lack of understanding of what will work
in practice. But still many of those who were part of Autolabs are willing
to
take a risk and accept invitations to be involved.

GloboVibrant

Tactical Media cultures benefit from the presence of a visible enemy of
demonic
proportions. Italy may have Berlosconi but Brazil has Globo.

Just as openness about sex, drugs can lead foreigners to mistake the
Netherlands for an open and progressive society the same error could be also
be made about "Partido dos Trabalhadores", the Workers Party that currently
holding power in Brazil. The radical approach to the creative commons may be
a fact but it does not signal a wider social program of a radical nature. In
fact the sense of betrayal among those I met in Sao paulo was palpable.
Pablo Ortellado of Indymedia Brazil articulated the general disappointment
by describing how "Partidodos Trabalhadores" had been "as good a political
party can be". It had succeeded in uniting the radical splinters of the left
into a coherent party with a real chance of power, only to transformitself
into another pragmatic thirdway social democratic party,forever shying away
from any radical choices that would disturb the status quo. All this has
left the radical left more disillusioned than most, to the extent that a
vast mega city on the scale of Sao Paulo couldo nly muster 7000 marchers in
the protests that preceded the Iraq war. Rightly or wrongly much of this is
laid at the door of Globo. Given the scale of Brazil and its hegemonic
dominance of Globo must be counted one of the most powerful media empires on
the planet. Like Berlosconis empire Globo is far more than just TV. Every
conceivable media from print publishing is covered. Globos power to
determine the outcomes of elections and influence key policy decisions on
the fly is well documented. The power of Globo has been well documented in a
BBC documentary -Beyond citizen Kane-, a program that remains officially
banned within Brazil although still it is continuously downloaded and has
acquired the status of a piece of samisdat in the last days of the Soviet
Empire. Globos endless diet of soap operas and news has an extraordinary
grip over the popular imagination. The power of televisionin Brazil is
evident simply by the forest of aerials and satellitedishes across the
rooftops of the shanty towns. Even the poorest of the poor have television,
in fact, statistically, a poor family in Brazil is more likely to own a TV
than a refrigerator.

During a number of both private and public discussionin the event which
marked the completion of Autolabs, skeptical voices were raised about the
importance of making media when the realissue was class and poverty. Wasnt
it time to re-instate the economy as the master signifier? When I put this
point to the free radiowarriors and activists of Sube-media they rejected
the propositionwithout a moments hesitation. Brazil, they insisted was a
mediatized society of a particularly virulent nature in which vast swaves
ofthe population were literally narcotized by Globos diet of soapoperas.
When I questioned this view as an over-determinstic about theeffects of
media they responded by saying sure people will criticizeand talk back to
the media but always from the passive position asthey flip through the
options on their remote. For these Brazil requires a tactical essentialism
for tactical media. A direct operational Do It Yourself Media. What
Latuffcalls it media viet cong, people re-making their own reality
throughmaking their own media. Yes open source and creative commons was
allvery fine but what is needed is more fundamental transformation in
thestructures of existing broadcast media ownership and use. And forall the
high minded initiatives this is simply not on offer. Even the muchvaunted
Telecentros in their view are part of a misguidedbelief in the power of
information alone has to create change. This wasthe foundation of the
Autolabs critique of the Telecentros offeringlittle other than access to the
net. So what if its all run on Linux if all that the visitors do is chat and
go to Globo websites or the porno?

New Networks of Possibility, "possibilsm"

Given the mind-numbing scale of the problems of Brazilit is not surprising
that I did not meet many optimists duringmy brief stay but neither, in
truth, did I encounter many out and out pessimists. instead I was confronted
with a seemingly endless talent forimprovisation, for seeing (or creating)
possibilities. Against all oddsthis is the land of what I only half jokingly
started calling the landof "possibilism" In some ways Autolabs could be seen
as Giseli Vasconceloss possibilist interpretation of her dissatisfaction
with thelimitations of both the Telecentros and the Tactical Media labs. She
sought to fuse the radical aesthetic, organizational and pedagogic potential
of tactical media with the willingness of the Telecentros movement tobring
media tools and connectivity to poor districts of Sao Paulo. In conversation
with the other organizers of the Tactical Media Lab,Tatiana Wells,
researcher and information architect specialized in hypermedia, and Ricardo
Rosas, writer, net-critic and web-master of Rizoma.net, Giseli Vasconcelos
set about developing a detailed model of the kind of centers they wanted to
see. The centers that would beformed out of a close working relationship
with people from the"periphic communities" geared to helping them create
their own Autolabs,learn how to maintain and actively use re-cycled machines
to make their ownmedia "developing visual, sonic and textual sensitivities,
making socialactions of collective utility possible" 2.

Despite the energy and talents of the group, they felt they needed to work
through organizations who were already embedded in the eastern zone. But to
beginwith no one was willing to commit themselves. Eventually abreakthrough
came in the form of La Fabricca an NGO linked to Fiat who saw away of
relating a youth action project they were committed to with theintentions of
the Autolabs. In the event what looked soon began to souras La Fabriccas
institutional agenda and beaurocratic requirementscame close to destroying
the project. However at the outset none of this was yet apparentand with the
endorsement of the NGO the organizers assembled animpressive network of
partners.

To begin with there was the critical participation "Metareciclagem" a group
who recondition re-assembleand upgrade discarded computers connecting them
together intofunctioning networks. In the context of Autolabs they were
responsible forassembling the networks of re-cycled machines, all running on
freesoftware and teaching how to maintain the equipment. IndymediaBrazil
(one of the most active and impressive Indymedia collectives inLatin
America) were involved teaching online mobilization andcollaboration Aspects
of the underlying pedagogic methodology was provided by TheDigital
Story-telling Collective (Collective de HistoriasDigitais) and Museum of the
Person (Museu da Pessoa), both of which are"devoted to collecting everyday
histories of ordinary people,teaching digital storytelling". But the most
anarchic and truly tactical elements were provided by Submidia/Radio Mute
(Radio Muda FM), a free radio collective of activists who were taught free
radio/web-radio programming, as well as providing numerous impromptupirate
TV transmissions during the closing stages of theproject. Finally the
remarkable Interfusion, a group from the east zone,who (on a zero-budget
gift-economy basis) create large scale street parties and free raves on the
periphery of Sao Paulo.The only new equipment purchased for Autolabs
werethree new computers (one for each lab) to act as servers and
soundequipment. Uniquely this was paid for by UNESCO who normally only pay
forhuman resources.

Confronting NGO Reality

With three well resourced centers in place and animpressive network of
expertise available everything appeared auger well butthe moment the doors
opened the real problems began. Problems thatperhaps should have been
foreseen The plan was that in the early stages of Autolabsparticipants would
be paid a small wage to attend. The only entry criteriawas for inclusion was
the not unreasonable one of poverty but the resultwas wild oversubscription.
The instructors were quite simplyoverwhelmed with hundreds of participants
wanting attention. Many ofthe kids simply turned up for the money and
occasionally accessed theweb sites of popular TV programs and chatted. But
the essentialproblem was the sheer numbers made meaningful connections all
butimpossible. Added to which there were intense difficulties with the
beaurocratic constraints demanded by the NGO in a context which required
theutmost flexibility and perpetual improvisation. This was the low point of
the project, a point whenmany of those involved thought Autolabs would fail.
But fortunatelythis was not a hit and run event, there was a long term
commitment.Slowly, almost imperceptibly things started to
improve.Unsurprisingly the real improvements began when there was no longer
money topay the participants to attend. Only the motivated studentsremained
and finally there was time and space for realcommunication and teaching to
happen. Projects of real value gradually started toemerge, a hip hop outfit
set up their own website and mix their CDs inthe lab, a free radio group has
formed, a group of teenage girls manyof whom have been pregnant are taking
their safe sex message around theschools in the east zone.

The Autolabs are now being taken over as part of the Telecentros program and
the most motivated of the kidsare being employed as monitors, and these are
kids who learnttheir skills on the basis of open source principles and
practice. This issome way off the lofty goals of truly autonomous centers,
theconnection with Telecentros is seen by many as to big a compromise.But
the jury is still out on the kind of Telecentros they will become. A lot
will deepen on what values will be passed on by the students who went
through the Autolabs training and whether the contacts will be maintained.
There is also evidence that the Autolabs critique of the existing Autolabs
has been taken on board by the ministry in their new roll out of the Polos
Digitais program Center and Periphery Finde, the concluding event of
Autolabs had a number of international visitors speaking in the
comparatively lavish surroundings in one of the buildings belonging a
powerful and to a degree benevolent national cultural institution; SESC.
One of the visitors,invited to speak was the cultural and political theorist
Brian Holmes, in one part of a wide ranging talk, he astutely identified one
of the biggest challenges faced by the Autolabs project. He described the
challenge posed when alliances between corporations and state
institutionseffectively neutralize critique by creating dependency.

Throughdependency they harness the dynamic present in new social
movements.He described the problems of resisting the subtle forms of
compromiseand self censorship that arise whenever economic dependenciesare
created with even the most benign institutions.He then went on to describe
some of the possible formsof resistance, key among them was, to seek, at all
costs to maintainautonomous structures alongside any relationships
toinstitutions, and to take active steps provide for the continuous
developmentfor critical and autonomous forms of knowledge The fact that
Autolabs was involved in just such arisky high wire act was evident in the
very structure of this the finalevent.

Finde was divided, on the one hand, between events and organized visits to
the Autolabs themselves in the Eastern Zone and on theother hand with
discussions and presentations in the comparativelylavish surroundings of the
SESC auditorium. After months of work themakers of Autolabs were able to
reflect on the outcomes of the project inrelationship to wider (and more
international) discussions of art,political theory and media tactics.The
events in the SESC auditorium kicked off with twosessions, on media streams
and printed matter, organized and partlyhosted by the artist Grazilia
Kunsch. These were free wheelingsessions made up of individual
presentations, extended discussions withrapid-fire web and chat links based
on real-time associations generatedby the discussions and presentations.
Meanwhile, just as the day beforeat the party in the Eastern Zone, all the
proceedings were transmittedlocally by Sube-medias pritate TV.Some of the
sharpest discussions took place in the session on printed matter and
revolved around alternative economic models. Kunsch described how one of her
publications was made up of a printed description of how it would be funded.
A small sum would be asked from people who would in return receive a
certificate entitling them to a copy of the book on its completion.

Something like a hundred of these certificates had to be sold for the
production costs to be covered. Kunsch saw these contributions as neither
gift nor purchase but as a collaboration. These early sessions inevitably
reflected something of Kunschs own substantial but elusive practice. Each
session explored the potential of art and a wider media culture to generate
various and multiple forms of socialization; forms ofsocialization which
nevertheless allowed for contradictions, antagonismsas well as the desire to
be present, conscious, and somehow ..coherent.Part of her current work,
developed in partnershipwith Jorge Menna Barreto involves research aimed at
recuperating the work of Brazilian artists who were practicing in the 1970s
during theyears of the dictatorship. She and others like her are beginning
to actually oppose the amnesia of the current generations holiday
fromhistory.

Translocality (A Place of Flows)

In the end the decision for so much of the final event of Autolabs to held
in
the center of the city at a prestige locationcan seem puzzling when one
remembers that the project originated from adesire to go in the opposite
direction, to leave the centers of powerand go to where people are trapped
by poverty outside of the loops ofprivilege And it has to be said that there
were times when those withthe most at stake were largely absent from the
grand auditorium and itspresentations.But the heroic struggle to make such
Autolabs actually happen should be enough to prevent anyone from
interpreting theoccasional lapse as bad faith. But there is another factor
at work: the organizers always understood that to go "deep local" was part
of widerstrategy to reconfigure and re-empower the local by connecting it to
a different kind of globalism. Indeed the reason that Autolabs was not
completely appropriated by the entrenched local power brokers was that the
organizers never lost touch with the autonomous forms of knowledge arising
from their relationship to that other globalize, global networks of
resistance. In Autolabs (and in "backalleys" elsewhere) it is these
"translocal" connections are helping to forge a new understanding of the
structure of the local, part of a wider change in the nature of "place" and
its evolving relationship toidentity. References still to be organised.

1. The Information Age:Economy, Society and Culture.Volume II The Power of
Identity

2.
http://www.n5m4.org/journal.shtml?118http://www.midiatatica.org/autolabs/speak_english.htm

http://www.n5m4.org/journal.shtml?118+3174+39052. Critical
Art Ensemble in an interview talk of whatthey call "tactical essentialism".
When this is employed peoplecan successfully use universal binaries the
social solidarity that canestablish the social solidarity that can in turn
produce resistantmovement. The women's movement, black power, gay
activists=====

Linkania - A Sociedade da Colaboração

Hernani Dimantas / São Paulo 2006

Esta dissertação trata do surgimento e desenvolvimento da cibercultura no Brasil, bem
como da inserção da cibercultura nos diversos âmbitos da sociedade, a partir da
experiência e da análise, da pesquisa participante e da teoria. Analisa estratégias de
comunicação, como os blogs, e projetos de colaboração online, como o projeto
Metáfora, além dos desdobramentos dessas ações em novas práticas sociais, políticas
públicas, no mercado e na comunicação.
A partir desses enfoques dá a ver a existência de novos meios e métodos de produção
e agenciamento das relações entre pessoas e instituições. Aponta, pela via das teorias,
entre outros, de Giles Deleuze e Toni Negri, mudanças em todos os aspectos da
sociedade. Formula a hipótese do nascimento da linkania, caracterizada pela
multiplicação das vozes e pela descentralização da informação, do conhecimento e
das decisões.
Palavras-chave: cultura hacker, links, colaboração, conhecimento livre, linkania.

Mapas para o Fora

Mapeamento de grupos, encontros e festivais que tiveram temas como midia tática, comunicação independente e cultura livre nos últmos 5 anos (2003/2007). o que queremos?

A aproximação crítica ao material das ações

Confira as cartografias em versão estática ou interativa:

http://contexto.descentro.org

Oficina Cartografia de Contextos

Mapas de contextos


Oficina que tem como objetivo apresentar o atual estágio e as técnicas atualmente utilizadas na investigação Mapas Para o Fora, iniciada em 2006 como uma bolsa de pesquisa em parceria entre des).(centro (http://www.descentro.org), waag-sarai exchange platform (http://waag.sarai.net) e Tesla-Berlin (http://www.tesla-berlin.de). Além disso, pretende incluir mais pessoas na rede já ativa de Cartógrafos de Mídia.


O atual estágio dos mapas cartográficos podem ser encontrados online, em versão reduzida em PDF ou atualizada em versão animada (utiliza-se da implementação JAVA Prefuse). O endereço de acesso aos mapas é http://contexto.descentro.org .


“O que mais me surpreendeu na oficina foi como nos tornou aptos a visualizar coisas antes jamais tão concretas, muito embora tão conhecidas por nós” - Wanderlynne Selva, professora, em relato durante a oficina realizada no festival Submidialogia#3, em Lençóis, Bahia, Dezembro de 2007.


Para a construção dos mapas serão utilizados os softwares abaixo descritos:

  • Inkscape

  • XaraXtreme

  • Eclipse

  • JVM

  • firefox


É preferível a utilização de computadores com slackware 11 ou superior instalados.


Conteúdo:

  • Breve apresentação
    Apresentação do atual estágio da pesquisa
    Apresentação das ferramentas utilziadas e como são usadas

  • Definição em conjunto do contexto a ser cartografado
    Pesquisa sobre o contexto
    Criação de mapa cartográfico 2D em PDF do contexto estudado
    Alimentação do mapa cartográfico animado online


Ao final da oficina os participantes deverão estar aptos à mapear graficamente contextos de mídia, dentre outros.

Rabiscos sobre midia tatica

Estão colocadas neste texto, idéias referenciais com as quais trabalharemos nestes próximos doze meses que restam para a finalização desta pesquisa. São a base teórica mais importante e que será constantemente abordada. As demais referências são vastas e não vale (e o tempo não permitiu) discorrer sobre elas. Esta pesquisa requer uma lapidação muito grande do ponto de vista de material de leitura, já que circulam pelas editoras e pela internet muitas e diferentes entradas nos assuntos a que ela se remete.

Escolhemos dialogar com a teoria crítica por entendermos que ainda não estão suficientemente esgotadas as análises que defendem sua superação, e dificilmente estas análises apresentam embasamento tão sólido e bem construído. Porém a velocidade das dinâmicas sociais nos permite inserir elementos capazes de aumentar o conhecimento sobre os diálogos, diferenças, acertos e lacunas deixados pelos teóricos da “Indústria Cultural”.

A idéia deste estudo é re:fletir1 a midia tática nas atuais condições de alguns postulados do moderno capitalismo. Pesquisar as condições da propriedade privada, das relações de produção e da racionalidade implícita no modo de operar e dominar deste sistema. Para isso, consideramos tomar o problema técnico e seus desenvolvimentos em uma determinada indústria como central para a análise a fazer.

Faltam aqui apontamentos que se referem a um estudo sobre a filosofia da técnica, que pretendemos abordar de três diferentes pontos de vista: Heidegger e o início de um questionamento sobre a relação arte-técnica e os fatores positivos ou negativos da relação com o homem; G. Simondon e os processos de individuação como forma de compreender o elo humano-máquina tendo como base as avançadas tecnologias de informação; e teorias sobre a cibernética e cibercultura, a fim de dar um panorama destas teses para perceber o que há de relação com o nosso objeto e quais os problemas que se apresentam desta perspectiva.

Faltam também referências mais explícitas as teorias sobre mídia tática. Isso deve-se a um erro de organização que não me permitiu buscar as fontes de maneira rápida a fim de coloca-las aqui. A maioria das discussões conceituais se dá em listas via internat e textos publicados em sites relativos. A ausência de uma prévia catalogação e organização destas referências não me permite explicitá-las .

Ponho-me a disposição dos membros da banca de qualificação para incrementar, anexar, desenvolver e melhorar o exposto neste texto, a fim de revelar uma posição mais detalhada do momento da pesquisa bem como os aspectos já estudados, e que não foram possíveis de serem postos aqui.

Paulo José O. Moreira Lara
22 de agosto de 2005 - Campinas

“Talvez seja porque estejamos vivendo de maneira nova as relações teoria-prática. Às vezes se concebia a prática como uma aplicação da teoria, como uma conseqüência; as vezes, ao contrário , como devendo inspirar a teoria, como sendo ela própria criadora com relação a uma forma futura de teoria. De qualquer modo, se concebiam suas relações como um processo de totalização, em um sentido ou em outro. (...) As relações teoria e prática são muito mais parciais e fragmentárias. Por um lado uma teoria é sempre local, relativa a um pequeno domínio e pode se aplicar a um outro domínio, mais ou menos afastado. (...) A prática é um conjunto de revezamentos de uma teoria a outra e a teoria um revezamento de uma prática a outra. (...) Quem fala e age? Sempre uma multiplicidade, mesmo que seja na pessoas que fala ou age. nós somos todos pequenos grupos. Não existe mais representação, só existe ação: ação de teoria, ação de prática em relações de revezamento ou em rede.”

(G. Deleuze in ‘microfísica do poder’ de M. Foucault – ed. Graal, 1984)

os meios táticos
A Mídia Tática pode ser definida tanto como um conceito quanto como uma prática. E veremos aqui, como nos aponta Deleuze, algumas dinâmicas que alimentam a atividade recíproca e complementar tanto de uma como de outra. Seu início remete as heranças deixadas pelos movimentos sociais europeus da segunda metade do século XX e sua fundação é devido à luta pela intervenção nas formas de comunicação e exposição do problema da disseminação do vírus HIV durante o governo Reagan. Estão entre seus fundadores, grupos de artistas e teóricos que viam nas novas formar do fazer artístico um reflexo daquilo que poderia vir a ser um movimento de oposição às pesadas formas de dominação sobre a linguagem, comunicação e movimentos sociais. Suas primeiras experiências foram intervenções de arte / tecnologia e mídia em festivais e acontecimentos (happenings) europeus no início da década de 90.

Calcada em conceitos como DIY (do inglês ‘faça você mesmo’), intervencionismo (happenings), copyleft, TAZ (do inglês ´Zona Autônoma temporária) e usos e invenções de cotidiano, ela tomou força com a rápida disseminação de mecanismos tecnológicos que propiciam operações de oposição e questionamento em relação ao status dos meios de informação e artísticos.2
Os meios táticos são formas que integram, através de operações por parte de seus usuários, manipulações individuais e coletivas de características políticas, artísticas e sócio-culturais. O intento prático é a utilização dos recursos, mercadorias, aparatos e técnicas produzidos e distribuídos pela produção em larga escala do capitalismo industrial para fins de oposição e alternativa ao status quo da sociedade controlada por mediatizações. As ações são herdeiras de idéias e posições de grupos políticos e artísticos chamados de “contraculturais”.

táticas e estratégias

A analogia com a máquina militar não é à toa. Como veremos a seguir há uma oposição entre tática e estratégia, esta última visando lógicas operacionais para obtenção de um resultado final, enquanto as primeiras têm a ver com os processos de integração entre sujeito e aparato.Visam ações efêmeras, batalhas e intervenções espaço temporais.Formas como a pirataria e a intervenção estão no campo relacionado com os meios táticos. O campo de batalha se delimita portando, em relação a intenção e aos processos de manipulação dos meios empregados para as ações.

O termo tático é apropriado a partir do historiador francês Michel de Certeau, para designar a oposição que revela a característica do movimento. Certeau coloca questões sobre como criar-se, “deslocando a atenção do consumo supostamente passivo dos produtos recebidos para a criação anônima, nascida da prática do desvio no uso destes produtos”3. Interrogando-se “sobre as operações dos usuários, supostamente entregues à passividade e à disciplina”, Certeau considera que o importante não é a cultura erudita nem a dita popular, mas sim a “proliferação disseminada” de criações anônimas, utilizando “maneiras de fazer” que não se capitalizem, ou seja, que não se submetam à lógica das relações mercadológicas. Para Certeau, enquanto a estratégia é capaz de “produzir, mapear e impor”, as táticas podem “utilizar, manipular e alterar”. A questão para Certeau é a análise de o que e como se manifestam a produção dos que “consomem” ou “usam” os produtos materiais e culturais disseminados entre grupos e indivíduos, o que estes “fabricam” a partir do que recebem:

“A fabricação que se quer detectar é uma produção, uma poética – mas escondida, por que ela se dissemina nas regiões definidas e ocupadas pelos sistemas da ‘produção’ (televisiva, urbanística, comercial) e porque a extensão sempre mais totalitária desses sistemas não deixa aos ‘consumidores’ um lugar onde possam marcar o que fazem com os produtos”4

Certeau nos apresenta uma dicotomia entre tática e estratégia, que servirá como suporte da criação do conceito de mídia tática. A idéia de tática se articula com práticas de focos, resistências, levantes, surpresas, enquanto a noção estratégica é um cálculo operado pela idéia de um todo, homogêneo e modelado totalitariamente que apartam sujeito de objeto.
O conceito de estratégia está próximo do inventário crítico do status da técnica na sociedade feito por Adorno e Horkheimer, durante seus esforços para compreender a Indústria Cultural. As relações com uma exterioridade distinta são características tanto de uma quanto de outra. No primeiro caso isola-se um “sujeito de querer e poder” de um “ambiente”, e no segundo a técnica está externa em relação à lógica do conteúdo de um meio, seu objeto.
A tática se define pela relação que tem com o ambiente, ou seja, “só tem por lugar o outro”. Ela aparece como um movimento no qual o fraco tira partido do forte e das forças impostas e que lhe são estranhas. No caso dos meios táticos, o que os caracteriza é justo o imperativo de seu oposto. São potencialidades designadas por aquilo que não fazem, ou melhor, são apropriações de produtos operadas no sentido de oposição em relação a um fato comum (estratégias).
Porém esta dicotomia pode encontrar resistências se pensarmos na técnica, não como neutralidade, passível de uso e apropriação para finalidades decididas por seus operadores, mas encadeada com um aparato cientifico que a torna ideologia e impõe conseqüências materiais e uma nova forma de dominação, subjetiva, sutil e precisa.
O problema se coloca na verificação do sistema elaborado por de Certeau, quando trata-se de centrar as ações e operações nos meios, ou seja, quando se pretende abrir espaço para as manifestações de liberdade e autonomia dentro do aparato tecnológico criado, vigiado e utilizado pelo capital em suas diversas formas.
A mídia tática só se realiza graças as operações de oposição realizadas dentro do desenvolvimento técnico do sistema capitalista de produção e a partir das forças produtivas da Indústria Cultural, transformadas em mercadorias e cada vez mais integradas e distribuídas para pessoas e grupos.
Por isso cabe analisar algumas teorias sobre o desenvolvimento da técnica na modernidade e verificar quais dilemas a estrutura de Certeau pode encontrar quando se trata de tentar inserir no aparato tecnológico altamente desenvolvido, táticas e tentativas de apropriação em mecanismos que historicamente vêm servindo de suporte ao poder e as estratégias.

indústria da informação
A indústria da informação, não pode ser considerada somente do ponto de vista da transmissão de conteúdo. Erradamente ela vem sendo vista e utilizada como sinônimo de mídia. Deve-se a forte penetração das idéias de Adorno e Horkheimer, uma junção anacrônica entre meios e comunicação de massa. Para estes autores, este elo entre indústria, aparato maquínico e capital fazem com que a chamada “indústria cultural” fosse imutável e opressora pelos seus próprios mecanismos racionais de produção e transmissão. Juntou-se a esfera da produção capitalista e a sub valorização de seus conteúdos num sistema integrado chamado “meios de comunicação de massa”. Porém a indústria da informação não produz somente o que é veiculado em grandes corporações e redes de comunicação, e como qualquer indústria, torna disponíveis mercadorias tanto materiais como culturais. A indústria da informação não é produtora de conteúdo, mas sim um sistema de encadeamento de meios e fins, sendo os meios as formas e mecanismos de produção, armazenamento, reprodução e transmissão de mensagens; os aparelhos e interfaces responsáveis por troca de conteúdos de caráter cultural.
A indústria da informação é responsável também pela fabricação dos meios técnicos que à sustentam. As grandes redes e empresas de comunicação não sobrevivem sem as forças produtivas da indústria da informação. Gravadores, computadores, câmeras fotográficas, mesas de edição, suportes armazenadores de informação (Compact Discs, Discos Rígidos, Mini Discs), câmeras de vídeo, microfones, transmissores e retransmissores são o pilar tecnológico que mantém ativas as indústrias de comunicação, seu poder e influência.
Porém estas forças produtivas são passíveis de usos e operações fora das empresas de comunicação. Tornaram-se mercadorias e objetos de consumo passiveis de apropriação por parte de grupos e indivíduos de diferentes inclinações políticas e culturais. Trata-se do ponto levantado por Certeau, o modo de um tipo de “fabricação” realizado autonomamente, onde o que importa são as “maneiras de empregar os produtos impostos por uma ordem econômica dominante”. Esta teoria “supõe que (...) os usuários ´façam uma bricolagem’ com e na economia, usando inúmeras e infinitesimais metamorfoses da lei, segundo seus interesses próprios e suas próprias regras”5.

O quadro abaixo mostra as conexões do conceito de tática com a aplicação nos meios de produção de informação. Esta pesquisa pretende captar essas relações e estudá-las de um ponto de vista do conhecido dilema que a relação técnica-sociedade nos aponta6.

CARACTERÍSTICAS DA TÁTICA
EQUIVALENTE NOS MEIOS DE INFORMAÇÃO
PANORAMA
SÓCIO-CULTURAL RESULTANTE

MOBILIDADE
FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS
PORTÁTEIS DE TRANSMISSÃO

INVERSÃO DE FLUXOS ESPAÇO / TEMPO
TIRAR PROVEITO DA OCASIÃO
MANIPULAÇÃO
DISSEMINADA
LEVANTE / AUTONOMIA
TEMPORARIA
OPERAÇÃO DO USUÁRIO / CONSUMIDOR
IGUALDADE ENTRE TRANSMISSORES E RECEPTORES

FLUXO MULTIDIRECIONAL
DE MENSAGENS
MUTAÇÃO /METAMORFOSE
REPRODUÇÃO, RECOMBINAÇÃO, MIXAGEM,
PLÁGIO, RESIGNIFICAÇÃO, ´PIRATARIA`,

PRÁTICAS DA SUCATA
APROVEITAMENTO DOS APARELHOS OBSOLETOS, METARECICLAGEM, GATOS (ELETRO-ELETRÔNICOS)
‘CAMELÔS’, REAPROPRIAÇÃO E EXPROPRIAÇÃO DE SISTEMAS ELETRO- ELETRÔNICOS (gambiarras)

A questão é se este equivalente nos meios é viável do ponto de vista do imperativo técnico. Se, a partir da atual condição do desenvolvimento técnico científico ligada as funções de especialização, racionalidade, eficiência e com base econômica vinculada ao capital e seu modo de produção, a busca por uma nova condição social tem como rumo este tipo de apropriação. Caso se verifique a força de oposição nestes usos e operações, o que é colocado em questão em relação as atuais formas de dominação por parte dos mecanismos estratégicos? Qual a influência desta ação tática nos meios no que se refere a continuidade das atuais relações de produção, de propriedade e da racionalidade que se abate em diversos ramos da produção material e de significado?

Problema: A sociedade inclina-se cada vez mais para uma tendência mediatizante e tecnocrática. O avanço tecnológico, embora encontre oposição dentro de sua própria dinâmica de desenvolvimento, empurra a todos, cultura, sociedade, política, para um campo onde as relações de força são dadas a partir de fundamentos técno-estéticos. As táticas de oposição, enquanto vislumbrarem somente o uso, ou a apropriação de técnicas, inventos, mecanismos dominantes, perde o foco de um imperativo anterior, o de que o elo técno-científico foi criado e é desenvolvido não só para utilização, mas também como forma de dominação subjetiva, feito para legitimar uma posição política que responde a questionamentos de oposição com argumentos que encontra-se fixados em seus próprios pressupostos.
A oposição tática pode incorrer no erro de servir de impulso e legitimação para a continuidade do modelo industrial de dominação técnica e cultural. Pois se seus questionamentos não se aterem a problemas como os modos de produção, propriedade privada e uma reinvenção e politização da técno ciência, há o risco de, como supuseram alguns, servir como “cano de escape” para o processo de dominação, e se tornar alimento para a autofagia do capitalismo.
A idéia deste trabalho é refletir o conceito da mídia tática com algumas idéias da teoria crítica e estudar suas perspectivas de mudança a partir dos meios tecnológicos, tendo em vista as dificuldades apontadas por teóricos que viam na racionalização de diversas esferas da vida, uma forma velada de dominação, para o qual contribuem decisivamente o aparato maquínico e as especializações das funções impostas por uma nova conduta frente a um novo capitalismo.

O elo técnico científico, responsável pelo desenvolvimento tecnológico, está em pleno avanço. Apesar de serem indispensáveis para as táticas de resistência, já que estas atuam em e sobre eles, o postulado do esclarecimento é o que determinou sua vitória sobre o mito e a conseqüente transformação da sociedade em um domínio técnico baseado em cálculo, previsibilidade, utilidade e eficiência.
A idéia mais forte e radical sobre essa concepção da modernidade está colocada nos escritos de Adorno, e tem na “Dialética do Esclarecimento” seu marco fundamental. O esclarecimento opera para si, relegando os fins pelos meios de suas técnicas, constituindo uma integração total: uma espécie de autonomização absoluta. A posição dos homens no mundo e sua luta pelo entendimento no lugar da superstição, tomam a técnica como essência e centra seus métodos, operações e instrumentalizações no motor que domina a sociedade e a civilização. Deste ponto de vista, o esclarecimento destrói o encanto dos mitos tornando-se totalitário; resolvendo-se na própria mitologia.
O sistema criado pela teoria crítica, por sua vez, como “crítica da filosofia sem abrir mão desta” circunscreve um problema que se torna, da mesma maneira que sua concepção sobre o esclarecimento, uma resolução dentro de sua própria idéia. Para esta perspectiva as resistências tornam-se argumentos da dominação, e não há espaço para conceitos esclarecidos de oposição, pois estes se utilizam de uma lógica discursiva dominadora.
Na base do desencantamento está a ordem prática da filosofia e da ciência. A libertação das potências míticas da natureza ou, nas palavras de Weber, o “desencantamento do mundo”. Tem sua origem na mitologização da ciência positiva e trasfigura-se num conceito e num movimento real da sociedade em direção a um sistema de integração total. Para estes teóricos, todas as esferas convergem para o domínio da moderna razão. Os especialistas são censores que fazem com que “o cerceamento da imaginação teórica prepare o caminho para o desvario político”7, impossibilitando uma oposição em razão da ingerência interna e externa de censores legitimados como representantes do esclarecimento pela obediência à seus mecanismos de controle absoluto.

No que concerne a nossa problemática, esta materialização (recaída) do esclarecimento em métodos, normas e operações, viabiliza a corporificação de cálculos, codificações e quantificações em operações maquínicas, que se inserem em várias esferas da ciência. A catalogação, a normatização e o estreitamento das variáveis possíveis de ação são formas da inserção da racionalidade em técnicas, mecanismos e aparatos de aplicação social. Os meios técnicos da indústria da informação não são mais do que isso.
A analogia mais forte da idéia de “integração total” no que se refere a indústria da informação está na criação da máquina mais completa de armazenamento, produção, reprodução, recepção e transmissão de informação. Em 1948, Shannon8, sustentado por disciplinas como a matemática e a física, cria uma teoria na qual a informação é traduzida em códigos e quantificada, facilitando assim seus processos de comunicação. O desenvolvimento desta teoria, reduz praticamente todas as formas de transmissão de conteúdo sensitivo e comunicacional à uma técnica de manipulação de seqüências de dígitos binários. A corporificação e aplicação desta técnica levaram a possibilidade do seu desenvolvimento a criar máquinas individuais de processamento de informação, da qual a mais conhecida, completa e integrada é o computador.

O computador é o mais claro exemplo de aplicação científica que, iniciado como propósito para guerra, tornou-se, através da indústria, uma das mercadorias mais importantes a serem largamente difundidas por sua importância no aspecto da mediação do usuário com as esferas políticas e sócio-culturais. Hoje em dia cria-se em torno dele as perspectivas de novas formas e linguagens que envolvem arte e política.O computador é uma máquina que obedece a códigos específico e corretos, cabendo perguntar se existe possibilidade de autonomia e criação a partir de um instrumento tão fechado e desconhecido internamente pela grande parte de seus usuários.

Baseando-se na assim chamada Teoria da Informação (TI), Waren Weaver diz que “Poder-se-ia estar inclinado a pensar que os problemas técnicos envolvem apenas os pormenores de construção de um sistema de comunicações, enquanto que os problemas de semântica e eficácia abrangem a maior parte, senão todo o conteúdo filosófico do problema geral da comunicação” e acrescenta “(...) o significado e a eficácia são inevitavelmente restringidos pelos limites teóricos de precisão na transmissão de símbolos. Mais significativo, ainda, é que a análise teórica do problema técnico revela que este se justapõe, mais do que se poderia suspeitar, aos problemas de semântica e de eficácia”9.
Considerando que as máquinas de informação são instrumentos do esclarecimento e que, como diz Hans Magnus Enzensberger, “necessitam de pessoas esclarecidas mesmo quando se trata de sujeitá-las”, vale indagar sobre a qualidade subjetiva que pode e quer-se impor nos e através dos mecanismos e meios. A utilização do mito pela resistência, defendem Adorno e Horkheimer, é sintoma do esclarecimento, e as multiplicidades se resumem a cálculos e padrões nas escalas deste. A volta do esclarecimento no mito converte-se em objetividade e forçam a padronização das práticas, experiências e condutas da vida cotidiana.
Para Hans Magnus Enzensberger, porém, o esclarecimento é um pressuposto do que denomina “indústria da consciência”. Este pressuposto somado ao desenvolvimento material faz com que esta indústria entre em contradição com a maneira pela qual ela vem operando historicamente e permite a ele apontar críticas ao puro “inventário crítico do status quo” redigido pela teoria da Indústria Cultural.
Ele argumenta que, acostumados a encarar a consciência como o último refúgio do sujeito, o homem esclarecido não admite a tombada da consciência e o fato de que não se é senhor dela. Enzensberger recorre ao argumento marxiano contido em “A ideologia Alemã”10 para apontar que desde que o professor, o padre e o mestre perderam o espaço da transmissão tradicional e carismática de conteúdos culturais para um sistema industrial reprodutor de idéias, a consciência deixa de ser algo “óbvio, opaco, invisível”. Só a partir do desenvolvimento industrial dos produtos e meios da indústria da consciência, é que se verifica o campo político de batalha entre homens esclarecidos, mesmo quando esta as “trata de sujeitá-los”.
Diferentemente de McLuham, Enzensberger se propõe a analisar os meios como totalidade (sistema integrado) e não do ponto de vista de novas invenções ou inovações tecnológicas inseridas em tal sistema industrial. A indústria da consciência é essencialmente uma indústria de mediação, derivação secundária e terciária, infiltração e multiplicação daquilo que ela não pode produzir: a cultura. Esta é ignorada pela indústria e à ela se reserva um lugar isolado, posto de lado. Esta crítica atinge diretamente aos ideólogos da “indústria cultural” que para Hans Magnus “torna esse fenômeno (a cultura) inofensivo e obscurece as conseqüências políticas e sociais resultantes da intermediação e transformação industrial da consciência”11. Com isso, pode-se pensar em um fenômeno industrial que carrega uma contradição em seu modo de operar. A partir destes pressupostos, abre-se um campo de conflito entre a cultura (matéria prima da indústria) e o modo de produção que domina a esfera de reprodução social da “consciência”.
Um erro em que incorrem os teóricos da Indústria Cultural, é o de que, uma forma de produção deste caráter, seria similar, em todos seus aspectos, a forma de qualquer indústria de bens materiais. A indústria da consciência difere-se das demais justamente, pelo fato de sua mercadoria e produtos não terem a mesma função social das mercadorias em geral. Em texto de 1962, Enzensberger argumenta: “Nos seus ramos mais evoluídos, ela nem trabalha mais com mercadorias; livros e jornais, quadros e fitas gravadas são apenas seus substratos materiais, que se volatizam sempre mais com a crescente maturidade técnica, desempenhando papel econômico destacado somente em seus ramos mais antiquados, como as editoras”12. Cabe neste ponto um diálogo com Enzensberger no sentido de argumentar sobre aqueles “substratos materiais”. Os suportes materiais, a época em que Enzensberger redigiu seu texto eram mais tímidos e sua importância menos considerada. Esta questão nos aponta para uma discussão sobre a função do suporte. O livro é diferente de um Compact Disc, por exemplo. O conteúdo do livro são átomos de matéria impressos sobre a folha. A matéria prima do CD é a informação. Ela permite ao operador que grave, regrave, armazene, transmita e modifique o conteúdo sem prejuízo do suporte. O que não pode acontecer com o livro. No caso do computador torna-se ainda mais delicada esta classificação. É uma força produtiva, pois insere-se trabalho sobre ele que pode vir a gerar produto. É um grande suporte armazenador de diversas linguagens e funciona como meio de comunicação e informação, podendo ser utilizado como auxílio a quase todas as profissões correntes.
A teoria de Enzensberger, em suma, apela para o poder mobilizador e às potencialidades destas forças produtivas. Para ele toda a investida nos meios é uma forma de manipulação, daí a criticar as posições da esquerda que encontram na tese da manipulação o atraso e a não compreensão do significado do sistema dos meios eletrônicas na sociedade.

Suas propostas para a apropriação dos meios são resumidamente:
::Igualdade entre emissor e receptor,
::Programação de conteúdo feita através de uma descentralização de cargos e funções, ::Interação total dos participantes do processo político envolvido pelos meios fazendo do sujeito um fator de produção e reprodução política
::Produção coletiva
::Auto organização

O diálogo com Hans Magnus nos abre portanto uma outra possibilidade diferente da apresentada por de Certeau. Enquanto Certeau foca na cultura do consumo e no uso ou operação do sujeito, Hans Magnus foca sua base na potencialidade política, defendendo a apropriação e a manipulação como forma de atuação dentro das relações de poder e do modo de produção.

Dentro da perspectiva da teoria crítica o elo mais interessante a se fazer com vistas a uma contribuição de ambos os lados da contradição, parecem ser com os escritos de Marcuse.
Sendo o ser um fator e parte integral do progresso técnico, interessa avaliar o modo de produção como “totalidade dos instrumentos” na sua forma de moldar as relações sociais. Significa dizer que pode-se encarar o aparato tecnológico como um organizador, perpetuador ou modificador daquelas relações. Um fato para o qual Marcuse aponta é o de que o aparato remodela constantemente aqueles a quem serve. O poder tecnológico tem a capacidade de influir na racionalidade dos que atinge. Isto é base para sua concepção de que, mesmo em uma sociedade unidimensional, onde a crítica perde seu poder devastador por se encontrar subjugada pelo aparato técnico, abrem-se perspectivas para novas formas de visões e atuações adaptadas de oposição.
Calcado nas teorias de Weber, Marcuse aponta a inserção do indivíduo no aparato montado – tanto para o seu bem estar quanto para a aquisição do lucro capitalista – como forma de dominação inserida no seu modo de vida. Se, lidar cotidianamente com os preceitos, regras e normas advindos da racionalidade já mostra a inserção do homem em uma nova dominação, o desenvolvimento técnico e científico converte-se em ideologia e indica formas de dominações materiais. O campo do agir racional com respeito a fins se mostra dominante, e o desenvolvimento das forças produtivas como continuidade e perpetuação das relações de subordinação do sujeito ao aparato. “Hoje a dominação se perpetua e se estende não apenas através da tecnologia, mas enquanto tecnologia, e esta garante a formidável legitimação do poder político em expansão que absorve todas as esferas da cultura.”13
A legitimação do poder e da dominação, portanto se dão no âmbito da esfera crescente do agir racional com respeito a fins. A razão técnica se mostra a forma mais eficaz, através de seus métodos e conceitos, de fazer com que “a dominação da natureza permaneceu vinculada a dominação do homem”14. A racionalidade tecnológica se infiltra no reino do pensamento e dá as várias atividades intelectuais um denominador comum. Elas também se tornam uma espécie de técnica, uma questão de treino em vez de individualidade, pedindo um especialista ao invés de uma personalidade humana completa.
Marcuse não se limita a fazer o diagnóstico desta sociedade, mas apresenta a proposta de uma mudança no rumo do progresso que afetaria os postulados da ciência e altera a continuidade de uma sociedade dominada pela legitimação do aparato técnico.
Sua crítica à sociedade onipresente e unidimensional o faz perguntar pelo valor da arte como forma e importância de oposição. Analisa a decadência das linguagens tradicionais como já absorvidas pelo poderio de uma sociedade e observa nos novos (décadas de 50 e 60) movimentos sócio culturais uma reação àquela sociedade advinda daquele resultado da entrada da tecnologia sobre a vida.
Marcuse vê nas linguagens artísticas da década de 60, uma das últimas formas de oposição, já que a liguagem tradicional há muito foi absorvida pela sociedade onipresente. “A arte pode cumprir sua função revolucionária interna somente se ela própria não se torna parte de qualquer establishment, inclusive o revolucionário”15 Há uma crença de que a partir da construção de novas bases para o progresso, uma técnica inteiramente nova e a arte como modeladora de uma nova sociedade, abre-se possibilidade para que a era da barbárie “não deva continuar para sempre”. Só a partir da arte como ilusão se constrói uma nova realidade. Marcuse aponta elementos como a “sensualidade”, “instintos vitais” e “transcendência” como necessários para a transformação da “sociedade em uma obra de arte”. (...) a arte como tecnologia e como técnica também viria a implicar a emergência de uma nova racionalidade na construção de uma sociedade livre, isto é, a emergência de novos modos e novas metas do próprio progresso técnico”16
A questão é que em uma sociedade em que as relações políticas, culturais, sociais e econômicas estão sendo feitas cada vez mais através de mediações, e mesmo que estas mediações não signifiquem representações, mas sim uma relação com mecanismos técnicos de produção, recepção e transmissão de informações, a importância do manejo e da manipulação técnica de instrumentos e linguagens torna-se um poder acima de todos os outros. A interface, como mecanismo técnico “operador de passagem” passa a ser o elo entre o sujeito e o objeto. Qual é a importância dos mecanismos do agir racional com respeito a fins, quando se trata de inserir conteúdo estético ou de estranhamento, nestes meios de relações sociais?

marx e weber

Karl Marx e Max Weber serão as bases estruturais que recorreremos a fim de compreender da onde partem todas as percepções dos fenômenos técnicos acima descritas. Ambos concentram conteúdo passiveis de diálogo e complementares, sendo imprescindível uma pesquisa sobre suas concepções a fim de entender sobre o avanço das maquinarias de produção, e tecnologia bem como suas conseqüências sociais e alternativas apontadas.
Os procedimentos técnicos e organizacionais da grande indústria estão intrinsecamente ligados ao desenvolvimento dos processos de racionalização do qual o moderno ocidente é refém. Tanto o aparato tecnológico como a lógica de funcionamento burocrática, contribuem decisivamente para processos de padronização, especialização e controle. Neste ponto confluem as teoria de Marx e Weber que diagnosticaram neste modo de produção a aniquilação das particularidades, individualidades, da ideologia, moral e religião e a subordinação da ciência ao capital bem como a retirada da naturalidade da divisão do trabalho. O esclarecimento, como modo de pensar e fuga das trevas e do desconhecimento, toma aspectos materiais nos modos de produção industriais e converte-se em ideologia, com conseqüências para a política, cultura e artes.
Em contraposição ao conceito de consciência como “cidadela que pudesse resistir ao cerco do cotidiano”, Marx já argumentava que são as condições materiais e de reprodução da humanidade que determinam o estágio de consciência encontrado em cada época. Sob o capital todos os sistemas de engrenagem social, ocupam funções específicas, e a tecnologia, entendida como força produtiva desenvolvida para a exploração do trabalho e racionalizadora dos processos de produção e aguçadora da divisão do trabalho e implementadora de determinado modo de produção tem que ser enxergada do ponto de vista de sua realização como capital. As forças produtivas para Marx não podem ser consideradas autônomas e isoladas frente as relações de produção capitalistas. Os argumentos contra a neutralidade da técnica no capitalismo advêm de conceitos como o de subsunção e derivação. A técnica, para Marx é vista de forma fragmentária e sua análise é inconcebível se tomada somente em si. O fenômeno tecnológico, ligado ao desenvolvimento das forças produtivas, proporciona além do seu acúmulo, relações de produção de um novo tipo.
As máquinas, para Marx, não são mais do que uma força produtiva, porém diferem completamente da “ferramenta” ou instrumento de trabalho do trabalhador individual. A máquina, vinculada ao processo de produção capitalista, assume um manto técnico e científico a fim de manter a subsunção17 do trabalho ao capital, ou seja, técnica e ciência, em função do capital, materializam-se em exploração para extração de mais valia. O ponto em comum com Weber e outros analistas é a radical transformação da produção e utilização destas máquinas quando da separação da produção doméstica, individual ou em pequenas unidades na concepção de máquinas como forças produtivas industriais de propriedade do empresário e utilizadas de maneira a extrair, a partir do trabalho nelas colocado, ali o lucro, aqui a mais valia. Na produção capitalista clássica, Marx e Engels enxergam a utilização da maquinaria como um controle autocrático cujo ponto central é a autonomização dos instrumentos de trabalho. Isso tem como efeito o aumento do consumo de mercadorias, a baixa no custo da produção, a criação de maior demanda por produtos industrializados e a desvalorização da força de trabalho18.
Aliada a divisão do trabalho, a maquinaria (concentração de instrumentos de trabalho) provoca unilateralidade e dependência a um processo imposto ao homem e que o fragmenta. A última metamorfose do instrumento de trabalho no processo de produção de capital seria um sistema automático de máquinas, no qual o trabalhador seria um "acessório consciente".
“A máquina (vinculada ao processo de produção do capital) já não tem nada em comum com o instrumento do trabalhador individual. Distingue-se por completo da ferramenta que transmite a atividade do trabalhador ao objeto (...) a atividade pertence mais a máquina, ficando o operário a vigiar a ação transmitida pela máquina às matérias primas”19
A indústria, tal como conhecia Marx, existiu "apenas na e pela divisão do trabalho"20 e o desenvolvimento técnico e burocrático aguça estas condições na medida em que determinados produtos (não só as pesadas maquinarias industriais) e instituições (não só o Estado e suas atribuições) requerem conhecimentos especializados. O desenvolvimento das forças produtivas e das instituições sociais, provoca portanto uma maximização da ética e práticas vinculadas as especializações, regras, limitações e conhecimentos funcionais. O trabalho médio como divisor comum dos fatores de produtividade, perde importância para o trabalhador capacitado, que apesar de não ser significativo em finais do século XIX, aparece atualmente como figura central e perpetua a condição de separação entre produto e produtor direto além de subordinar cada vez mais funções ao aparato tecnológico e institucional do capitalismo.

A grande Indústria, como analisada por Marx em a "Ideologia alemã" trás uma nova fase da propriedade privada. Nesta fase somam-se, forças elementares para fins industriais, a maquinaria desenvolvida para a indústria e uma extensa divisão do trabalho. Este modelo perpetua-se como regra em grande parte das indústrias de hoje, porém há significativas mudanças em curso devido ao desenvolvimento tecnológico (principalmente no que se refere a mecânica, eletrônica e a informática) no campo da produção material e que terá tremenda influência no campo intelectual, espiritual e de significado cultural. Como inerente a este desenvolvimento, Marx aponta algumas tendências e razões que possibilitaram a perpetuação deste determinado sistema de produção e circulação de mercadorias e capital. A grande indústria universaliza a concorrência, fazendo com que os velhos direitos se modificassem a fim de preservar a "defesa na liberdade de comércio". Os meios de comunicação e o mercado mundial moderno são rapidamente desenvolvidos, trazendo com eles uma rápida circulação e submetendo o comércio ao tempo e ritmo da grande indústria. Cria a concentração de capitais aliado a transformação em capital industrial (e mais recentemente em capital financeiro). A premissa destas modificações na esfera da produção e intercâmbio é o sistema automático gerado pela maquinaria em desenvolvimento. Porém, este modo cria forças produtivas "para as quais a propriedade privada se tornou um grilhão" e daí a contradição que se estabelece dentro da produção capitalista avançada baseada na grande indústria.

“Ninguém sabe ainda a quem caberá no futuro viver nessa prisão, ou se, no fim desse tremendo desenvolvimento, não surgirão profetas inteiramente novos, ou um vigoroso renascimento de velhos pensamentos e idéias, ou ainda se nenhuma dessas duas – a eventualidade de uma petrificação mecanizada caracterizada por essa convulsiva espécie de autojustificação. Nesse caso, os ‘os últimos homens’ desse desenvolvimento cultural poderiam ser designados como ‘especialistas sem espírito, sensualistas sem coração, nulidades que imaginam ter atingido um nível de civilização nunca antes alcançado’”
(Weber, Max – A ética protestante e o espírito do capitalismo)

Característica do ocidente, a racionalidade, para Weber, está expressa em diversas esferas da criação na vida ocidental. Desde a astronomia, matemática e geometria, passando pela historiografia, arquitetura e teorias políticas até a arte e a literatura, a racionalidade é um fenômeno típico de uma maneira de pensar e aplicar do que chamou de civilização-ocidental-judaico-cristã. Diretamente ligada a funções profissionais e técnicas, a racionalidade cresceu e se desenvolveu dentro das organizações e instituições do moderno ocidente de forma a criar e reproduzir especialistas atrelados a conceitos como eficiência, rentabilidade, planejamento, eficácia, balanço e otimização.
No período em que instala permanentemente a noção de exploração industrial, e no qual se tem o início da fábrica moderna, Weber considera os aperfeiçoamentos técnicos contribuintes fundamentais do processo de racionalização da produção. O que significa dizer que o movimento da técnica à racionalidade tem um direcionamento da mecânica para o método, ou seja, os instrumentos utilizados como máquinas contribuem para o modelo de produção racional, envolvendo uma modificação nos parâmetros de pensamento, conduta, modos de organização e planejamento e eficiência.21
O conceito de fábrica para Weber está ligado a um desenvolvimento do que ele denomina de “aparelhos”. Este desenvolvimento levou à criação das primeiras formas de produção fabril, notadamente a máquina a vapor, o tear mecânico e o processo geral de “mecanização do trabalho” 22 Os aparelhos, por sua vez são “instrumentos de trabalho que podiam ser utilizados como máquina”. Para ele,esta forma estaria a serviço do home, enquanto que na máquina moderna, o homem que está a serviço dela.
Weber exemplifica uma situação na qual a idéia do tear mecânico por Cartwright em 1785, fez com que a produção de fios e tecidos fosse feita com rapidez utilizando-se de métodos modernos, racionais e científicos. Segundo Weber foi “um dos primeiros inventores que associaram a técnica à ciência e trataram o problema do ponto de vista teórico”.23
O objeto técnico, portanto, se mostra fundamental para uma compreensão do elo entre conduta racional e prática econômica capitalística, que corporificará sua ética – resultado de infinitas variáveis, como afirma Weber – em mecanismos de dominação materiais e imateriais, tanto no âmbito das condutas sociais quanto na sua produção e consumo.

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www.midiatatica.org
www.n5m.org
www.narconews.com
www.nettime.org
www.projetometafora.org
www.rizoma.net
www.satmundi.com
www.tmcrew.org
www.uiowa.edu
www.waag.org

:: ANEXO 1 ::
“Every reasonably aware person of our time is aware of the obvious fact that art can no longer be justified as a superior activity, or even as a compensatory activity to which one might honorably devote oneself. The reason for this deterioration is clearly the emergence of productive forces that necessitate other production relations and a new practice of life.”
Les Lèvres Nues #8 (May 1956).
Traduzido por Ken Knabb in www.bopsecrets.org

PRINCÍPIOS CAROS ÀS IDÉIAS NOS MEIOS TÁTICOS E QUE DIALOGARÃO COM AS TEORIAS SOCIOLÓGICAS COM AS QUAIS LIDAREMOS.

“detournement” – Palavra francesa cara aos situacionistas significa literalmente desvio, distorção, desapropriação, uma coisa reorientada em relação a sua proposta original. Idéia que “consiste em tomar as coisas dos inimigos para montar uma outra coisa, que ajude a combater o inimigo”. Torna-se um fato potente se relacionado às possibilidades tecnológicas dos mecanismos de informação, que permitem, a reprodução, reapropriação e reutilização de determinado material original. A quantificação e codificação da informação em sinais digitais aguçam esta tendência na medida em que as relações de pessoas com as obras passam a ser “interativas”, sendo possível alterações, modificações e usurpações de material “original”. A comunicação via rede faz com que as propriedades imateriais passem a ser objetos de uso por parte dos receptores.
“Subversão é um jogo possível pelo fato das coisas poderem ser desvalorizadas, cada elemento da cultura passada pode ser reinventado ou fragmentado”24.

Diálogos: W. Benjamin sobre as possibilidades das obras na época de sua reprodução técnica, em que defende que a “fruição tátil” é necessária para uma maneira de percepção que altera o hábito dos receptores e abala a autoridade do original. As técnicas de reprodução modificam as recepções e se impõem como uma nova forma de arte; “a emancipação da obra de arte da existência parasitária que lhe era imposta por sua função ritual” – A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica

diy - do inglês “do it yourself” – princípio oposto ao de representatividade e mediação alienada que nos remete à ação direta do usuário nos e através dos meios individualizados e para ele disponibilizados. Pressupõe uma autonomia do produtor em relação à técnica do meio de produção além de uma alteração nas tradicionais relações entre produtores e receptores, já que as “operações dos usuários” não reproduzem as estratégias industriais da lógica capitalista, mas sim usam, manipulam e alteram o conteúdo de sua ordem (as mercadorias e as relações de produção).

Diálogos: Os usos da cultura e a discussão sobre cultura alta e baixa revelada principalmente pela escola Inglesa de Birmingham
Weber e burocracia na modernidade. As possibilidades tecnológicas entram em conflito com o diagnóstico de instituições herméticas e hierarquizadas. O fazer e o produzir encontram outras formas de se relacionarem com as formas tradicionais de Estado e Iniciativa Privada baseados em critérios normativos ou de competência.

RE:Combinação - “Hoje se pode argumentar que o plágio é aceitável, até mesmo inevitável dada a natureza da existência pós-moderna com sua tecno-infra-estrutura. Numa cultura recombinante, o plágio é produtivo (...) é uma questão de reunir várias técnicas recortadas a fim de responder à onipresença dos transmissores que nos alimentam com seus discursos obsoletos (...) é uma questão de desacorrentar os códigos (sic).”25 Devido ao desenvolvimento da máquina de informação, o conceito de recombinação encontrou um marco fundamental. O prefixo RE aparece como alternativa de criação e apropriação numa sociedade que chegou ao limite de exploração e produção material. A sociedade pós-industrial parece incapaz de criar algo novo, e o avanço do progresso técnico ameaça e impossibilita a criatividade. A abundância de recursos, idéias e mercadorias usados e abandonados passa a fazer parte de um conceito de reapropriação de bens (materiais e espirituais) a fim de criar uma nova obra.

“Copyleft”- Em oposição ao Copyright, questiona a forma de controle sobre as produções intelectuais, trazendo à tona o dilema da propriedade artística (nos novos meios de informação). A aplicação mais notável deste conceito acontece nos computadores, que através da abertura de seus códigos-fonte, cria “Software Livres”26 para serem executados para qualquer propósito, sendo possível sua modificação, cópia, aperfeiçoamento e distribuição por qualquer um que maneje a linguagem técnica informática. As ações pelos computadores são centrais, não só pela possibilidade de junção com outros meios de comunicação (como textos, rádios, imagens), mas como um símbolo da opção (ou forma) anárquica que o movimento acredita que as redes de comunicação podem ter a partir da internet. A ausência da propriedade intelectual aparece como tática: “enunciado de dissimulação” ou “estratagema de camuflagem”. Os meios técnicos possibilitariam desta forma a “sabotagem da máquina comunicativa do poder” e uma tática tipo “cavalo de tróia”27, de utilização subversiva do campo do inimigo.

TAZ (Zona Autônoma Temporária) - Em contraposição às perspectivas revolucionárias de esquerda, a TAZ propõe zonas autônomas de usufruto imediato, ou seja, “momentos e espaços nos quais a liberdade não é apenas possível, mas existente”. Como uma crítica à característica de permanência das revoluções, prega a “prática de um nomadismo revolucionário” de influência anarquista como forma de propagar o “espírito experimentado no momento do levante”28.

Tecnologias de Resistência: Transgressão e Solidariedade nos Media Tácticos

Miguel Afonso Caetano / Maio, 2006

contate o autor através do e-mail miguel.a.caetano_at_gmail.com ou pelo site remixtures.com

Resultando da convergência entre os media, a tecnologia, a arte e a política, os media tácticos constituem um conjunto de práticas culturais e um movimento teórico surgido na Europa durante a primeira metade da década de 90, difundindo-se até ao final do milénio para a América do Norte e posteriormente para o resto do mundo.
Tirando inicialmente partido das câmaras de vídeo mas também, a partir de uma certa altura, das tecnologias digitais como CD-ROMs e a Internet, o produtor deste tipo de media assume-se como um híbrido, desempenhando em simultâneo o papel de artista, activista, teórico e técnico.

Este tipo de utilizações subversivas e/ou criativas das tecnologias de informação e comunicação por indíviduos normalmente excluídos do seu acesso caracteriza-se
pelo experimentalismo, a efemerabilidade, a flexibilidade, a ironia, o amadorismo. Partindo da distinção entre tácticas e estratégias estabelecida por Michel de Certeau e
retomada por autores como David Garcia e Geert Lovink, esta dissertação examina o modo como os media tácticos se apresentam como “media de crise, crítica e oposição”. Empregando uma análise teórica das práticas de alguns colectivos, pretendemos demonstrar que as tácticas de protesto destas formas de produção mediática representam uma posição de permanente combate contra um adversário
concreto e explícito (Estado-nação, instituição supra-nacional ou empresa transnacional).Depois de abordarmos os perigos a que este modelo antagonista dos media como arma de resistência induz, propomos uma perspectiva alternativa de media tácticos a partir de uma análise empírica de dois projectos brasileiros, o Metáfora e o MetaReciclagem.

Em conclusão, argumentamos que estas e outras iniciativas de base adaptam as práticas de subversão e resistência observáveis nos colectivos activistas dos países desenvolvidos às especificidades de um país periférico como o Brasil. Ao fomentarem a reapropriação da tecnologia para fins de transformação social, estes grupos potenciam as capacidades criativas e comunicativas das comunidades locais, com vista à sua auto-sustentabilidade e autonomia.

Palavras-chave: media tácticos, estratégias, activismo mediático, media alternativos, hacker, software livre, reapropriação tecnológica, reciclagem, Brasil.

Espaço[com]vivencia

Projeto Espaço[com]vivencia

Ilha de Colares, Localidade do Ariri - Pará - Amazônia

1- Apresentação

O Espaço [com] vivência trata-se de uma idéia que busca compreender a realidade como um campo favorável para experimentações artísticas lúdicas, perpassando os níveis sensíveis da criação aos níveis cognitivos da aprendizagem, a partir da troca de experiências no campo das artes e conhecimentos transversais. Estima-se que através da criação de um espaço interdisciplinar seja possível desenvolver práticas de experimentação artísticas e educação ambiental, promovendo assim o acesso a conhecimentos da cultura popular e erudita, despertando o senso crítico para discutir e perceber conceitos universais.

O projeto terá como estratégia de ação a aproximação direta e efetiva com a comunidade através de um vínculo com a Escola Estadual Magalhães Barata - situada na localidade do Ariri, zona rural do Município de Colares - para a construção de um espaço físico voltado para o desenvolvimento de atividades direcionadas a capacitação profissional na área das tecnologias, ecoturismo e desenvolvimento artístico.

Desta forma, acreditamos que o Espaço [com] vivência venha a se afirmar na comunidade como referencial e um importante suporte instrumental para o desenvolvimento de práticas artísticas na área do artesanato, customização de tecidos, reciclagem, criação artística e inclusão digital, assim como o acesso a conhecimentos voltados para a preservação do meio ambiente e turismo ecológico, incentivando e colaborando com a comunidade na formação de uma percepção mais ampla da realidade.

Escolhemos o viés das artes, por se tratar de uma área do conhecimento que abrange todas as disciplinas do ensino formal, e por se tratar de um campo infinito para a experimentação no nível sensível. Onde se acredita no ser fazedor (homo faber), como um sujeito livre para criar, pensar e construir seus esquemas de valores próprios da cultura. Percebendo, desconstruindo, construindo e assim tornando significativa sua forma de ver e lidar com o meio ambiente e a vida.

2- Resumo

Intervenção direta na comunidade por meio de uma proposta de arte-educação inclusiva, através de cursos e oficinas visando o desenvolvimento sustentável da localidade, assim como a conscientização ecológica em defesa de uma relação saudável com o meio ambiente, considerando as especificidades e diversidades sociais, étnicas e culturais do local.

Palavras-chaves: Desenvolvimento Sustentável, Autonomia, Meio-Ambiente, Identidade Regional, Reciclagem, Arte, Educação, Permacultura, Inclusão Digital.


3- Aspectos históricos e culturais

3.1- Um pouco da história do município

A história do município de Colares está estreitamente vinculada ao processo de configuração original e definitivo do município de Vigia. Nos registros históricos sobre o município há referências de que o povoado original encontrava-se assentado em território da nação dos índios Tupinambás, a mesma que foi colonizada pelos frades da Ordem Jesuíta, por volta do século XVII, o que veio a resultar na constituição do município de Vigia, no ano de 1693. Dessa forma, Colares manteve-se instalada no mesmo território em que foi fundado como povoado (até então área patrimonial do município de Vigia).

Com a proclamação da República, um novo ordenamento administrativo e político foi estabelecido no Estado e, como resultado, o Governo Provisório, mediante o Decreto nº 119, promulgado no mês de março de 1890, criou o Conselho de Intendência Municipal para Colares.

No ano de 1901, pelas disposições contidas na Lei nº 752, de 25 de fevereiro, o município de Colares foi extinto e seu patrimônio territorial foi anexado novamente ao do município de Vigia. Convém frisar que Colares, por essa mesma Lei, também perdeu a denominação de Distrito Judiciário. No ano de 1905, com o Decreto nº 1.388, de 21 de julho, foi promovida a divisão da sub-prefeitura de Colares em duas e ficou ratificada a sua condição de área sob influência da Comarca de Vigia. Em 29 de dezembro de 1961, através da Lei Estadual nº 2.460, Colares voltou a ganhar autonomia como Município ficando, dessa forma, desmembrado do município de Vigia.

Hoje Colares conta com um único distrito, que leva o seu nome, constituindo-se ema sede municipal, agregando várias localidades ao seu entorno, possuindo um centro semi-urbano discreto e agradável.


3.2 - Cultura

O Município de Colares é um dos poucos lugares próximo a Belém que ainda possui uma atmosfera mágica, cheia de mistérios, de um imaginário rico de histórias fantásticas. Apresenta uma diversidade de manifestações culturais que se estendem por todo o ano. Festas populares com músicas e danças típicas, como é o caso do carimbó, com seus batuques envolventes a beira da praia. Colares é um Lugar onde tudo se encontra, onde a cultura de massa se confunde com a cultura popular, uma fusão de estilos das famosas mixagens eletrônicas do tecnobrega1, apresentadas juntos a exuberantes aparelhagens de alta tecnologia kitsche instaladas em barracões, tudo isso a beira da praia ou de um belo igarapé.

Como muitas cidades do interior, a Ilha de Colares mantém as tradicionais marchinhas de carnaval, que atravessam as poucas ruas da cidade em cortejos abertos orquestrados pela banda local. As escolas de samba buscam trabalhar o imaginário local, sejam através das histórias contadas pelos antigos, como as que fazem referencia a manifestações populares de caráter "ufológico", referindo-se famoso Chupa-Chupa ou Etê, fato pelo qual a cidade ficou conhecida nacionalmente.

As manifestações folclóricas ficam por conta das festas e folguedos populares típicos do Estado, especialmente a partir do mês de junho, onde o carimbó e o tecnobrega dividem espaço com os Bois-bumbás e Grupos de Pássaros que fazem apresentações nas localidades da zona rural do município, culminando com encontros públicos na sede municipal, sendo mais freqüentes na quadra junina.

Quatro são as mais movimentadas festas religiosas no município durante o ano. Iniciam no mês de junho, quando em todo o Município são realizadas festividades em homenagem a São João, acompanhadas de arraial, leilões e reuniões dançantes. No mês de julho, na localidade de Jaçarateua, acontece o Círio de São Sebastião. Em novembro, na localidade do Ariri, realiza-se o Círio de Nossa Senhora das Graças. Por fim, em dezembro, no segundo domingo, é realizado o Círio de Nossa Senhora do Rosário, na sede do município.

A produção artesanal não apresenta uma representatividade que possa ser tomada como referência, pois não é muito estimulada na região, apesar de existirem vários artesãos espalhados por toda ilha, apresentando um alto grau de criatividade e originalidade que, infelizmente, estão se perdendo gradativamente. Apesar disso, a produção artesanal apresenta um caráter utilitário, abrangendo uma diversidade de especialidades na produção de cadeiras, cestaria, canoas, pintura naval, remos, assim como as de caráter artístico, como é o caso de cerâmica, pintura e escultura, compõem o quadro da produção artística local.

Colares mantém atividades de extrativismos vegetais da copaíba e andiroba, utilizados na medicina popular, que é praticada, principalmente, na comunidade quilombola do Cacau, localizada na zona rural da Ilha de Colares e que ainda hoje mantém suas atividades gerenciadas por associações de moradores compartilhando seu território com a comunidade quilombola de Ovos, que reivindicam conjuntamente a titulação dessa área.

Colares dispõe apenas de uma pequena Biblioteca Pública que fica na sede do município, uma rádio local, a Rádio Rosário, sendo os únicas ferramentas culturais que o Município dispõe para resguardar e divulgar a cultura local.


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1- Tecnobrega - estilo musical que combina o velho brega paraense com as batidas eletrônica do Techno num som concebido por bandas locais para animar os bailes das ruas de Belém.


4- Projeto: Espaço [com] vivência


4.1 - A Escola como um espaço propício à cultura popular, linguagens artísticas e educação ambiental.


A Escola é hoje compreendida como um espaço para a socialização de conhecimentos transversais; onde a comunidade esteja diretamente ligada às decisões através dos seus conselhos escolares, problematizando questões voltadas à cultura popular amazônica, educação ambiental e desenvolvimento sustentável. Um espaço real propício para uma ação integrativa e efetiva da escola e comunidade em discussões sobre temas relacionados ao interesse coletivo; valorizando as relações intrínsecas entre o folclore e a arte, meio-ambiente, reciclagem e conhecimento popular; estimulando e criando um sentido de pertencimento (portanto de identidade) assinalando, sobretudo, a tarefa da escola como um ponto de compartilhamento de conhecimento valorizando e respeitando as diferenças encontradas na própria região.

Desta forma, acreditamos ser possível desenvolver uma conscientização ecológica e cultural, a partir de um despertar estético/político para as questões que valorizem o cultivo dos elementos contidos na cultura local e os valores comuns contidos na região.

O projeto Espaço [com] vivência surge como uma proposta que visa efetivar de forma pragmática, conceitos e conteúdos voltados para os conjuntos de bens materiais e imateriais da cultura regional. Um ponto onde a comunidade possa ter acesso a conhecimentos e habilidades artísticas, indo das práticas primitivas de manipulação de materiais encontrados na natureza, a reutilização de resíduos vindos das indústrias assim como a instrumentalização tecnológica e o cultivo de alimentos.

O Espaço [com] vivência tem como objetivo aproximar a comunidade escolar (professores e alunos), um lugar propício para desenvolver atividades interdisciplinares, dinamizando as aulas, utilizando a tecnologia como um instrumento que possibilite um melhor entendimento dos conteúdos trabalhados em sala de aula.


4.2 - Objetivo Geral:

Desenvolver um espaço de convivência que integre a escola na comunidade de maneira direta, onde o aluno possa experimentar de forma lúdica a materialidade do fazer artístico, construindo assim, um espaço de referência na educação de jovens e adultos, estimulando um pensar voltado para a autonomia do sujeito.

4.3 - Objetivos específicos

  • Desenvolver práticas artísticas junto a comunidade, valorizando os referenciais da produção visual amazônica e da cultura popular, almejando a oferta de produtos artísticos para exportação

  • Proporcionar acesso a conhecimentos artísticos e artesanais que possibilitem o desenvolvimento sustentável da região.

  • Valorizar e reconhecer a identidade regional como uma forma de resistência as artificialidades da sociedade de consumo

  • Promover o intercambio cultural através de cursos voltados para uma educação integrada a conhecimentos universais.

  • Estimular as práticas de curandeirismo construindo cartilhas informativas de práticas alternativas de tratamento de doenças comuns.

  • Estimular a pesquisa em medicina popular através de cursos de cultivo de ervas e plantas medicinais no ambiente da escola

Dos Cursos e oficinas

Os cursos promovidos pelo Espaço [com] vivência serão aplicados nos respectivos espaços dentro de um regime modular, respeitando as necessidades locais. Eles abrangerão técnicas de manipulação de materiais retirados da própria natureza, conscientizando a comunidade da necessidade de uma relação mas harmônica com a natureza, valorizando seus bens naturais, proporcionando a aprendizagem de fazeres mais especializados.


Módulo I

Oficina de Permacultura

Objetivo: criar um sistema de planejamento para a criação de hortas sustentáveis como resultado de um salto na busca de uma Cultura Permanente, envolvendo aspectos bioéticos e socioeconômicos para a preservação ambiental e a qualidade de vida.


Curso de Modelagem em Argila

Objetivo: valorizar os referenciais regionais praticados desde a pré-história, contextualizando os conhecimentos teóricos e práticos de forma crítica e despertando o senso estético a partir da afirmação de um fazer que reflita a identidade regional na elaboração dos objetos utilitários, decorativos e artísticos.


Curso de Desenho:

Objetivo: Conhecer técnicas básicas para elaboração de imagens para serem utilizadas em suportes variados. A oficina será dividida em módulos, onde o aluno conhecerá de forma prática e experimental as formas de pensar o desenho e a representação.


Módulo II
Curso de Design orgânico e Reciclagem

Objetivo: Identificar e manipular detritos orgânicos encontrados no meio ambiente local para construção de objetos utilitários e decorativos, visando o reaproveitamento de materiais naturais sem agredir o meio ambiente. E também fazer a reutilização de resíduos industriais encontrados nos mangues, matas e igarapés.



Curso de Customização de roupas e estamparia em tecidos

Objetivo: Desenvolver habilidades em torno da customização de roupas além do desenvolvimento de técnicas artesanais de estamparia, usando o tecido como suporte para o desenvolvimento de produtos voltados para a comercialização.



Módulo III

Curso de Agente em Ecoturismo

Objetivo: capacitar alunos do ensino formal, especialmente os matriculados no EJA (Educação de Jovens e Adultos) para trabalhar como agentes em ecoturismo na região. Sensibilizando-os da importância de reconhecer e preservar as belezas naturais do município.



Módulo IV

Curso de Software Livre e Publicação on-line

Objetivo: Iniciação ao Software livre para a manipulação de programa de formatação de texto, produção gráfica e edição de áudio e vídeo destinados a instrumentalização de sites como via de publicação dos produtos da oficina.



Curso de Inicialização a história e ao folclore regional

Objetivo: estudo das manifestações folclóricas de conteúdo material e imaterial que ocorrem no estado, percebendo-os como um ponto fundamental para a preservação dos referenciais históricos regionais, com aulas de português instrumental e redação, para o fortalecimento dos registros históricos.



Curso de Xilogravura e Manipulação Digital

Objetivo: Proporcionar o encontro com técnicas tradicionais de criação de imagens em série, compreendendo sua função educativa na formação de uma identidade cultura local, regional e subjetiva.


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http://olharesemderiva.blogspot.com/2008/11/modelando-uma-identidade.html
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No momento estamos trabalhando com as ferramentas que possuímos, fazendo da vivência o ponto de partida pra criação de algumas  perspectivas palpáveis.

e-mail: padua26@hotmail.com

Narrativas Guarani Caiowa

Título do Projeto de Pesquisa em Andamento: GAMB+i - Grupo Autodidata de Metodologias Bem + Inteligentes :

TÍTULO DA INICIATIVA
Narrativas Kaiowá e Guarani

PROPONENTE:

Des).(centro - Nó Emergente de Ações Colaborativas - http://pub.descentro.org

MUNICÍPIO (S) DE ABRANGÊNCIA DO PROJETO:
Aldeia Bororó e kaiapó, Dourados, Mato Grosso do Sul

IDENTIFICAÇAO DA LINGUA
Os Kaiowa e Guarani Nandeva e Mbya falam dialetos do idioma guarani que se inclui na família linguística Tupi-Guarani, do tronco linguístico Tupi

DEMOGRAFIA
É estimado cerca de 29.900 pessoas

CONTATOS NAS ALDEIAS:

Pajé Tereza Guarani Kaiowa, Cacique Getúlio, Edna maçal fone (065) 99456710, marcelo:casaronas @hotmail.com,antonio brand e Neimar, (67)33123300 ucdb – neppi,



1- Como é a estrutura da instituição, seus interesses, parcerias, e pq o projeto deve ser feito pelo descentro?


Dessa forma, parceiros da associação se organizam em torno de um tema, que sempre passa por avaliação coletiva. Caso seja aprovado o projeto, a equipe se forma de acordo com o interesse dos integrantes, e inicia-se a criação do projeto, que geralmente é desenvolvido coletivamente no site http://wiki.descentro.org.
O interesse do Descentro em trabalhar com povos indígenas e tecnologias de comunicação surgiu em grande medida a partir da experiência de implementação de programas como Pontos de Cultura, Casas Brasil e Gesac, em comunidades indígenas em todo território nacional. A partir das experiências, foi desenvolvida uma série de métodos pedagógicos e educacionais baseados na imersão nos espaços, no convívio, visando partilhar o dia-a-dia das comunidades e pessoas, absorvendo pouco a pouco suas histórias e, a partir daí, realizar integrações através de ferramentas multimídia, como a produção de textos, sites, objetos técnicos, fotografia, vídeo e som. Criando, assim, um momento de troca dinâmica de saberes, buscando inspirar processos criativos individuais e coletivos, para criar uma comunicação intensiva e integradora.
O Descentro conta com uma ampla plataforma de colaboração. Iniciativas como a rede Metareciclagem (http://rede.metareciclagem.org), Estúdio livre (http://www.estudiolivre.org) e Submidialogia (submidialogia.descentro.org) fazem parte dos eventos e projetos organizados pelo Descentro. Além o ativismo em rede, os integrantes da associação Descentro vem desenvolvendo, ao longo de 10 anos, antes de se institucionalizarem, projetos de inclusão digital e reapropriação de tecnologias. As oficinas do Metareciclagem são desenvolvidas em todo território nacional, em iniciativas completamente descentralizadas que se organizam na lista de discussão “metareciclagem”, agilizar as produções coletivas.
Descentro considera que a parceria com o Ponto de Cultura www.tekoarandu.org, o Núcleo de Cultura Kaiowá e Guarani www.neppi.org nas terra indígena Te´ýkue, Caarapó MS é fundamental para a realização desse projeto.



2 Em caso negativo, Como planeja monitorar e avaliar as ações do projeto? * (até 2.000 caracteres)

Com reunioes mensais para avaliação coletiva entre os projetos parceiros: Des).(Centro - http://www.descentro.org, Ponto de Cultura Tekoarandu - http://www.tekoarandu.org, Centro de Documentação Kaiowa Guarani, Núcleo de estudos das Populações Indígenas - http://www.neppi.org, professores e alunos da Escola Municipal Nhandejara.



3. Diagnóstico da situação a ser transformada: * (até 3.000 carateres) Descreva a comunidade e o público alvo com dados culturais e sócio-econômicos, quantitativos e qualitativos. Aponte os instrumentos ou referências utilizados para a coleta desses dados. Descreva também a relação entre a sua organização e a comunidade.

Os Guarani dividem-se em três etnias: Kaiowá, Ñandeva e Mbya - dispersas entre o Brasil, Paraguai, Argentina e Uruguai. O Mato Grosso do Sul tem a maior concentração dessa população, representada pelos Kaiowá e Ñandeva, que somam, aproximadamente, 32 mil pessoas, ocupando 26 áreas indígenas distintas. Os Kaiowá e Guarani ocupavam um território amplo, situado ao sul do Estado. As primeiras frentes não-indígenas adentraram pelo território Kaiowá e Guarani, especialmente, a partir da década de 1880. Nas décadas de 1910 e 1920, o Governo Federal reconheceu, como usufruto dos Kaiowá e Guarani, oito reservas, provocando drástica redução do território disponível. Em 1943, o então Presidente da República, Getúlio Vargas, criou a Colônia Agrícola Nacional de Dourados, CAND , que tinha como objetivo possibilitar o acesso à terra a milhares de famílias de colonos, migrantes de outras regiões do país. Retirou, então, do território Kaiowá, um total de 300 mil hectares ,para assentamento de colonos, provocando a expulsão e o confinamento de um significativo número de aldeias Kaiowá em outros espaços, contribuindo com o agravamento dos conflitos e disputas internas. Durante as décadas de 1940 e 1970, implantaram-se na região inúmeros empreendimentos agropastoris, ocupando o restante do território indígena. Em 1980, diversas aldeias indígenas iniciam um processo de retomada de suas terras, perdidas no decorrer do processo de ocupação regional por parte das diversas frentes de colonização. Esse processo de reocupação de aldeias vem gerando inúmeros processos judiciais, todos demandando documentação histórica sobre os Kaiowá- Guarani. Há ainda uma taxa significativa de suicídio entre os jovens Kaiowa-Guarani. Cerca de 50 por ano se matam por enforcamento ou sufocamento. Diante de todas essas questões, o Descentro se propõe colaborar com esse povo na reconquista de seus elementos culturais, suas reivindicações políticas, suas relações com outras etnias, e, principalmente, o seu desejo de serem protagonistas das suas próprias histórias, utilizando as tecnologias disponíveis.

Esses dados foram coletados a partir de pesquisa feita no Centro de Pesquisa Kaiowa-Guarani, da Universidade Católica Dom Bosco, onde estudam inúmeros indígenas Kaiowa-Guarani, professores da escola onde será implantado o projeto Narrativas Kaiowa-Guarani. O centro foi criado em 1996, na UCDB, através de uma proposta de trabalho de caráter multidisciplinar e interinstitucional, voltada para a pesquisa e o desenvolvimento de ações de extensão junto às populações indígenas Kaiowá e Guarani no Mato Grosso do Sul. O Programa Kaiowá/Guarani vem contando com o apoio do CNPq, do Fundo Nacional do Meio Ambiente, FNMA, do Ministério de Educação e de órgãos do Governo do Estado de Mato Grosso do sul, entre outros. Tem como objetivo construir, a partir dos resultados das pesquisas e em conjunto com a população indígena, alternativas que criem oportunidades para a gradativa melhoria da sua qualidade de vida.


4. Descrição clara e detalhada do projeto, incluindo objetivos, resultados ou produtos específicos que o projeto gerará, crenças e valores que o seu projeto estimulará e a necessidade da existência do mesmo: * (até 4.000 carateres) Realce a estratégia norteadora, os objetivos de médio e longo prazo, relacionando-os com resultados e indicadores de monitoria e avaliação.



O projeto consiste no fortalecimento e continuidade dos trabalhos do Ponto de Cultura Teko Arandu (www.tekoarandu.org) na Escola Municipal Nhandejara, Aldeia Te´ýkue, município Caarapó, MS, através da implantação de mais dez computadores, três câmeras de vídeo e fotografia no seu laboratório multimídia, que já é conectado à internet via satélite. A idéia é criar uma série de cursos de metareciclagem (http://rede.metareciclagem.org), e também um acervo de narrativas Kaiowa-Guarani, em formatos impressos e digitais, traduzidos para o português, para serem distribuídos nas escolas e instituições daquela região e outras do país, através da Editora Des).(centro, que será encarregada de editar os materiais online e impressos, e também distribuí-los.
Como cursos de metareciclagem entende-se um método pedagógico construído junto com a rede Metareciclagem e adotado por todos integrantes do Des).(centro, que consiste num profundo conhecimento da tecnologia, através do desmanchamento e reconstrução de computadores, reciclagem de computadores velhos, oficinas de software livre, de programas de imagem e som, montagem de rádios, métodos de pesquisa na internet, construção de sites, redes colaborativas e, finalmente, formas de passar adiante o conhecimento aprendido (replicadores). A construção do acervo multimídia é a segunda parte do projeto, a ser desenvolvida a partir de histórias produzidas na comunidade, tanto antigas quanto atuais, através de fotografias, filmagens e gravação de som em que os participantes das oficinas são estimulados a aprender a utilizar equipamentos multimídia ao mesmo tempo em que valorizam suas próprias histórias, saindo pelas aldeias, entrevistando pessoas, fazendo foto novelas, criando conversas em roda. A terceira etapa é a coleta, organização, edição dos materiais produzidos nas oficinas de narrativas para  publicação online e impresso e distribuição dos mesmos local e globalmente, através da  internet e da Editora Descentro, proponente desse projeto.
Acreditamos que esse projeto possa vir a despertar nos participantes das oficinas o desejo de se apropriarem das tecnologias de uma forma crítica, sem submissão, desmistificando  a idéia de que a ciência é algo que está muito distante das pessoas, despertando a criatividade para a construção de objetos a partir das possibilidades em volta, incentivar a criatividade, a troca de conhecimentos, o compartilhamento e a construção coletiva de realidades. Por fim, investir na memória, nos modos de pensar e lembrar dos Kaiowa Guarani, colaborar para que sintam-se valorizados e com condições de produzirem sua própria história a partir dos meios que os circundam. Acreditamos na convergência entre a pesquisa, a proposição e a execução de ações de apoio a essa comunidade indígena, voltados também para a recuperação ambiental, produção de alimentos, saúde preventiva e educação compartilhada.
A curto e médio prazo teremos pessoas preparadas para replicarem seus conhecimentos na própria aldeia, pessoas que saberão montar computadores, mexer peças, instalar programas, editar imagens e som, criar materiais em formato multimídia, participar e criar redes de colaboração, dar oficinas em outros lugares, outros pontos de cultura, outras aldeias, cidades, participar das redes apresentadas pelos educadores, criar suas próprias plataformas de colaboração. A longo prazo teremos pessoas profissionalizadas, que sentem-se valorizadas, que buscam sua própria autonomia e a de seu coletivo, cientes da importância que têm e da necessidade de partilhar seus conhecimentos.
A avaliação desse projeto será feita entre Des).(centro, Ponto de Cultura Teko Arandu, a comunidade envolvida no projeto, Núcleo de Pesquisas das Populações Indígenas, Centro de Documentação Kaiowa e Guarani.



5. Explique como o projeto foi construído: * (até 4.000 carateres) A organização tem experiência na realização de projetos similares? Que tipo de teoria, metodologia ou elemento inovador a sua organização pretende utilizar?


O projeto foi pensado a partir de uma viagem de alguns integrantes do Descentro no ano de 2007 à aldeia Bororo e Te´ýkue em Dourados e Caarapó MS, onde pudemos passar alguns meses entre os Guarani-Kaiowa das duas aldeias, conhecer projetos locais, as danças, as festas também os problemas relativos à suicídios, epidemias, altíssimos índices de violência, desmatamento, seca etc. Aproximamo-nos da comunidade, de suas casas, de suas histórias, e pensamos em apresentar um projeto de mídia e novas tecnologias para aquela comunidade. Dessa forma, montamos um projeto e o apresentamos num encontro entre professores, comunidade e outros programas, na Escola Municipal Nhandejara, tendo boa repercussão e aceitação entre eles. Associamo-nos ao Ponto de Cultura Teko Arandu (www.tekoarandu.org) e firmamos uma parceria, nos propondo buscar subsídios para o fortalecimento do Ponto de Cultura, que foi construído pelos próprios professores indígenas dessa comunidade.
Os associados do Descentro, antes se constituírem como instituição legal, tiveram participação na criação do Programa Nacional Cultura Digital, do Ministério da Cultura. Logo tornaram-se responsáveis pela implementação de Pontos de Cultura em praticamente todo território nacional. Ao longo desse processo, foram tendo contato com aldeias indígenas que estavam implantando seus primeiros Pontos de Cultura e conhecendo (muitos, pela primeira vez) a internet. A partir de uma série de oficinas, muitas experimentações, vivências, trocas culturais e métodos pedagógicos foram sendo criados e ao longo do tempo aprimorados, de modo que hoje em dia o Des).(Centro, enquanto instituição legal, têm, no conjunto dos seus associados, uma grande experiência de implantação de tecnologias de informação e comunicação, partilhando relatos na internet, no site do Des).( Centro, e ainda hoje atuando junto aos grupos através dos Programas Nacionais ou por pedido dos próprios Pontos de Culturas construídos em áreas indígenas.
Nossos elementos inovadores são nossos métodos pedagógicos, nossas práticas de horizontalidade, nossa militância para criar plataformas de troca, compartilhamento. Nosso profundo respeito à cultura do outro, nossa admiração pela luta Kaiowa Guarani, nosso apoio às suas reivindicações, nosso conhecimento sobre as tecnologias de informação e comunicação, unidos ao desejo de partilhar esses saberes, nossas técnicas de “catação” e contação de histórias e nossas habilidades para criação, edição e distribuição de produtos, assim como nossa grande rede de colaboração da internet



6. A comunidade teve algum tipo de participação na concepção ou formulação do projeto? Como as necessidades e demandas da comunidade foram identificadas? Caso o projeto já exista, comente a experiência de parceria entre sua organização e a comunidade: * (até 3.000 carateres)

A maior participação nesse projeto foi a partir do grupo de professores indígenas da área indígena Te´ýkue, e estudantes indígenas Kaiowa Guarani da universidade Católica Dom Bosco, pois nosso projeto se presta para fortalecimento e continuação do ponto de cultura construído por esses estudantes e professores indígenas. Nossa parceria com o ponto de cultura é de extrema importância, pois surge para potencializar os grupos participantes, disponibilizando uma série de cursos, oficinas e técnicas de aprendizagem, assim como formação de replicadores sociais.



7. Como planeja monitorar e avaliar as ações do projeto?

Com reuniões mensais para avaliação coletiva entre os projetos parceiros: Des).(Centro, Ponto de Cultura Tekoarandu, Centro de Documentação Kaiowa Guarani, Núcleo de Pesquisa das Populações Indígenas, professores e alunos da Escola Municipal Nhandejara. Através da exposição dos materiais produzidos no site do projeto, a proposta é travar um contato interativo com o público, além de outras redes indígenas, como a “Índios Online” (www.indiosonline.org.br), promovendo a integração e também a colaboração entre as mesmas redes, nas atividades criativas da oficina. Buscaremos sempre estimular a troca de feedbacks entre os participantes indígenas e os profissionais integrantes e demais colaboradores deste projeto.



8. Esse projeto pode realizar alguma alteração na vida da comunidade? Foi feita alguma análise prévia dos efeitos potenciais da intervenção social proposta? Analise os possíveis impactos sociais, econômicos e culturais desse projeto na vida da comunidade e como os mesmos serão avaliados. * (até 4.000 carateres)

O projeto prevê a construção do envolvimento da comunidade com o projeto, para que possam supervisionar o projeto futuramente. Para tanto, há uma série de atividades a realizar, como por exemplo o mapeamento das demandas internas da comunidade e das demandas dos fóruns indígenas, realizadas uma vez por ano. Consideramos fundamental a capacitação e o protagonismo dos que querem assumir esse processo de aprendizagem e troca para si. Os Kaiowa Guarani da aldeia
Te´ýkue já tem uma relação de participação e envolvimento com a escola onde será aplicado esse projeto. Nesse sentido, potencializaremos ações já produzidas nessa Escola, um Ponto de Cultura , capacitando  participantes para a vida profissional, a vida da produção de projetos e fomentação de redes colaborativas. Uma parte dos recursos é destinada à capacitação técnica dos participantes a fim de que, aos poucos, sintam-se completamente seguros para continuarem esse projeto e outros similares, assim como aptos para buscarem recursos externos para continuação dos seus projetos. Uma possível deficiência deste projeto pode ocorrer devido à demanda de participação ser maior do que nossos recursos podem oferecer, ou maior do que nossos equipamentos possibilitem, de modo que buscaremos logo captar mais recursos, e orientar os integrantes do Ponto de Cultura nesse sentido. A avaliação dos impactos serão feitas com as organizações parceiras e a comunidade Kaiowa Guarani, através de reuniões mensais.




9. Depois de testada e avaliada, a metodologia do projeto poderá ser levada a outras comunidades? Existe alguma expectativa de replicabilidade? * (até 3.000 carateres)

Existe expectativa de replicabilidade em outras regiões do pais, inclusive nos arredores da área indígena Te´ýkue, com outros povos Guarani, como aldeia Bororó, uma escola na Missão Caiuá, outra na região do Yvu, outra denominada escolinha do Bokaja e a quarta na região do Saverá. A expectativa que temos é a de conseguiremos, durante a execução desse projeto,  mais recursos para implementação desse projeto nas demais áreas, ou criarmos coletivamente, de forma consistente algumas alternativas para crescimento e expansão das propostas. Nas oficinas, também estimularemos o contato dos índios Guarani Kawowá com outros índios conectados na internet, como os povos já integrados no site www.indiosonline.org.br, bem como narrativas multimídias criadas em conjunto com esses outros povos indígenas.



10. Com o término do apoio solicitado ao projeto, como o impacto do projeto será sustentado? Caso a comunidade sofra algum efeito negativo, como ele poderia ser minimizado? * (até 3.000 carateres)



Estamos oferecendo um projeto de capacitação técnica, profissional e educativa sensível e crítica. Esperamos que um ano de projeto incentive os participantes das oficinas a ampliarem seus horizontes de ação dentro da internet, fortalecendo-se com redes indígenas e também não indígenas, aprendendo a escrever projetos individuais e coletivos, reconhecendo os espaços de articulação econômica e política. Além disso, esperamos contribuir para a ampliação do projeto através de participação em editais e de leis de incentivo. Pretendemos deixar com os interessados as noções básicas de formas de construção de projetos e também, finalmente, de vender serviços. Teremos uma série de discussões a serem ainda pautadas, relacionadas a sustentabilidade, autonomia e interdependência, através das quais buscaremos criar condições para o pensamento e a criatividade acontecerem. Caso aconteça algum efeito negativo na comunidade causado por esse projeto, trataremos de minimizá-lo com nosso comprometimento de estar acompanhando todo o processo e tentando pensar em alternativas, sempre coletivamente, tendo como interlocutores os próprios membros da comunidade contemplada com este projeto.



11. Com relação as tecnologias que serão utilizadas (ex.: telefonia fixa, móvel, internet, sms, mms, etc), particularmente de informação e comunicação, para o desenvolvimento das atividades do projeto. Elas estão disponíveis na região? A organização tem experiência consolidada na utilização da tecnologia? Em caso negativo, como pretende supri-la? * (até 2.000 carateres)

O Ponto de Cultura Teko Arandu, situado na terra indígena Te´ýkue, tem uma antena do Gesac, que já é utilizada pela comunidade. Dentro do Des).(Centro temos profissionais que atendem aos mais diferentes serviços de tecnologia e informação, dentro de programas como o Gesac, a Casa Brasil, Pontos de Cultura, Governo Eletrônico etc. O grupo tem capacidade para resolver problemas de instalação, conexão, implementação, acessibilidade, porém, caso haja problemas maiores, que envolvam órgãos públicos, ou mesmo defeitos na antena ou no próprio satélite, recorreremos à coordenação regional e nacional do Gesac, solicitando reforços e assistência.



12. O projeto vai necessitar de prestação de serviços externos para fornecimentos de equipamentos, consultoria ou base de dados? Quais são esses serviços ou bens? Eles estão disponíveis na cidade ou região? Quais são as condições de acesso a eles? Apresente uma relação dos principais serviços e equipamentos necessários e as condições necessárias para sua aquisição. * (até 2.000 carateres)

O projeto prevê a compra de todos equipamentos que serão utilizados através desse edital, que serão doados à comunidade Te´ýkue, ficando instalados no laboratório de multimídia do Ponto de Cultura Tekoarandu situado na Escola Municipal Nhandejara :

• 10 computadores para edição de imagem e som
• 03 máquinas digitais de filmar, sendo uma com 3 ccd
• 03 máquinas fotográficas digitais
Material para iluminação
• 1 scanner
• 1 Projetor
• 2 Caixas amplificadas - BS 200 - Multi uso
• 5 Microfones dinâmicos
• 1 Mesa de som
• 2 impressoras



PLANO DE TRABALHO (METODOLOGIA)



Obs: Datas relativas


ETAPA

ATIVIDADES

INÍCIO

TÉRMINO

1- Reconhecimento de área e de parcerias

Reuniões com professores das escolas para apresentação do projeto

13/08/2009

15/12/2009

2- formação das equipes de trabalho

Encontros diários em horários determinados pelos grupos para começar as oficinas de metareciclagem

20/08/2009

20/09/2009

3- Seleção da primeira série de histórias para início da oficina de construção de narrativas multimídia

Encontros para contação de histórias, compartilhamento de repertórios coletivos, escolha coletiva dos materiais para edição

21/09/2009

21/10/2009

4- Elaboração de conteúdos

Vivências cênicas das histórias (técnicas de teatro e performance), oficinas de desenho e pintura, oficina de fotografia

22/10/2009

22/11/2009

5- Compartilhamento de conteúdos

Mostra dos processos de trabalho em projeções de vídeo, imagens, fotos, desenhos, seleção coletiva do material a ser utilizado nas narrativas multimídias

22/11/2009

20/12/2009

6- Fechamento das oficinas

Organização dos materiais produzidos para as narrativas

20/01/2010

20/02/2010

7- Ediçao de material para publicação

Equipe edita narrativas multimídia para publicação online e impressa junto com publico participante

20/02/2010

30/04/2010

8- Publicação dos materiais online e impressos

Organização com editora e distribuidora dos materiais online e impressos

01/05/2010

01/07/2010

9- Negociação interna da ong editora Descentro

Preparação para distribuição

02/07/2010

02/08/2010


10- Lançamento dos materiais

festas, lançamentos, distribuição

05/08/2010

em diante




 RECURSOS HUMANOS:

Profissionais, oficineiros, consultores habilitados em implementação e ensino de tecnologias de informação, comunicação, multimídia, produção, divulgação e distribuição




4) Prêmios recebidos:

- Prêmio Mídias Livres (Ministério da Cultura – 2009)

- Memefest.org (2006) mimoSa - Categoria Beyond http://www.memefest.org/2006/en/index.php?meme=news&submeme=memefest_2006_winners Ars Electronica (2006)

- Metareciclagem - Menção Honrosa http://www.aec.at/en/archives/prix_archive/prix_projekt.asp?iProjectID=13792 Transmediale (2009)

- Casa da Alegria - seleção para exposição http://www.transmediale.de/










Oficinas - letramento digital e midiático

Monografia de conclusão do curso de comunicação social - habilitação em jornalismo - que trata de letramento digital e midiático, ou seja, oficinas em termos mais acadêmicos partindo do estudo de caso da ação cultura digital entre 2005 e 2007.=, mas também levando em conta o contexto sócio político do surgimento desta ação .gov a partir do MTB e Autolabs.

O texto, a pesar de acadêmico, está leve e fluído de acordo com a banca examinadora.

versão em PDF formatada: clique aqui

 

 

 

 

 

Políticas públicas, o afeto e as artes de fazer

Título do Projeto de Pesquisa em Andamento:

GAMB+i - Grupo Autodidata de Metodologias Bem + Inteligentes

Bolsista:
Ricardo Ruiz Freire

Coordenadores:
Alexandre Freire da Silva
Guilherme Soares
Paulo José Lara
Thaís Britto

Instituição:
Descentro - nó emergente de ações colaborativas

Período:
01/01/2009 a 01/07/2009    

 

 

Desejo liberto quer dizer que o desejo sai do impasse do fantasma individual privado: não se trata de o adaptar, de o socializar, de o disciplinar, mas de o ligar de tal maneira que o seu processo não seja interrompido num corpo social, e que produza enunciações coletivas.”

Gilles Deleuze

 

 

 

Do objeto: Processos de imersão, o afeto e as artes de fazer.

 

No primeiro capítulo de seu trabalho A invenção do cotidiano, Michel de Certeau, tal como Wittgenstein, se reconhece “preso” na historicidade lingüística comum, combatendo, assim, de um lado, a profissionalização da filosofia, isto é, sua redução ao discurso técnico (positivista) de uma especialidade. De outro lado, combate a avidez metafísica ou a impaciência da ética, sempre inclinadas a subsumir as regras da correção e se expor ao risco do nonsense de seus enunciados e perder a autoridade de seus discursos sobre a linguagem da experiência comum. Combate a presunção que leva a filosofia a fazer “como se” ela desse lugar ao uso ordinário, e supusesse para si mesma um lugar próprio onde pensar o mundo. (CERTEAU, 1990). Discorrendo sobre o discurso do “Cada um” e do “Ninguém” o autor nos salienta que

 

O 'não importa quem' ou 'todo o mundo' é um lugar comum, um topos filosófico. Esta personagem geral (todo o mundo e ninguém) tem como papel dizer uma relação universal das ilusórias e loucas produções escritas com a morte, lei do outro. Ele joga em cena a própria definição da literatura como mundo e do mundo da literatura. Além de não ser mais representado aí, o homem ordinário dá como representação o próprio texto, no e pelo texto (...) Mas quando a escrita elitista utiliza o locutor “vulgar” como travesti de uma metalinguagem sobre si mesma, deixa igualmente transparecer aquilo que se desloca de seu privilégio e a aspira fora de sí: um Outro que não é mais um deus ou uma musa, mas o anônimo. (CERTEAU, 1990).

 

Assim, o discurso analisador e o objeto analisado têm o mesmo estatuto, o de se organizar pelo trabalho de que dão testemunho, determinados por regras que não fundam nem superam. O privilégio filosófico ou científico se perde no ordinário. (CERTEAU, 1990). É a prosa do mundo de que falava Marleau-Ponty.

 

Ao ocupar ao mesmo tempo o papel do filósofo e de seu objeto de análise, ao se tornar ordinário, seu estudo percebe as construções de fenômenos sociais praticadas no cotidiano, no morar, no jogar, no cozinhar, no contar histórias. Nas artes de fazer.

 

Essas maneiras de fazer constituem as mil práticas pelas quais usuários se reapropriam do espaço organizado pelas técnicas da produção sócio-cultural. Elas colocam questões análogas e contrárias às abordadas no livro de Foucault (Vigiar e punir): análogas, porque se trata de distinguir as operações microbianas que proliferam no seio das estruturas tecnocráticas e alteram seu funcionamento por uma multiplicidade de “táticas” articuladas sobre os detalhes do cotidiano: contrárias, por não se tratar mais de precisar como a violência da ordem se transforma em tecnologia disciplinar, mas de exumar as formas sub-reptícias que são assumidas pela criatividade dispersa, tática e bricoladora dos grupos ou dos indivíduos presos agora nas redes da “vigilância”. Esses modos de proceder e essas astúcuias de consumidores compõe, no limite, a rede de uma antidisciplina que é o tema deste livro. (CERTEAU, 1990)

 

Essas táticas, ações calculadas que são determinadas pela ausência de um próprio, não possui condição de autonomia fora de uma delimitação. A tática não tem por lugar senão o outro. A tática é movimento, dentro do campo de visão do inimigo, e no espaço por ele controlado. Ela opera golpe por golpe, lance por lance. Aproveita as ocasiões e dela depende, sem base para estocar benefícios. A tática é a arte do fraco (CERTEAU, 1990). Neste ponto, a tática – que se difere da estratégia pela segunda apontar para a resistência que o estabelecimento de um lugar oferece ao gasto do tempo enquanto a primeira indica uma hábil utilização do tempo, das ocasiões que apresenta e também dos jogos que introduz nas fundações de um poder – foi o caminho seguido por David Garcia e Geert Lovink ao cunharem o quase-termo Mídia Tática, para designar fluxos reativos rizomáticos de pessoas que utilizavam meios de comunicação – de massa ou interpessoais – como forma de expressarem a insatisfação desses mesmos indivíduos frente ao aparelho de Estado e das máquinas capitalistas (DELEUZE, 1973, GARCIA, 1995).

 

No Brasil, esses mesmos movimentos de indivíduos começaram a ganhar força em um cenário nacional a partir do início do novo milênio. Primeiramente como grupos anônimos de pessoas que circulavam entre o pensamento produzido na academia e as experiências empíricas no campo das artes e produção midiática. (FONSECA, 2008, VELOSO, 2008). Fluxos de resistência nômades incitavam uma vez mais o aparelho de Estado. Compreendendo a sociedade civil como parte do Estado ampliado (SILVA, 2008), as forças nomádicas tiveram suas potencialidades focadas e incorporadas rapidamente ao aparelho de Estado, para, como efeito dominó, gerarem mais células nomádicas, para servirem ao Estado, para gerarem novas células nomádicas... (DELEUZE, 1980). A retroalimentação de potencialidades. Táticas e estratégias em circulação.

 

Imersão Deleuziana: um acontecimento, com uma áurea reluzente de ativismo, uma disposição individual ou coletiva que constroem situações de resistência ao aparelho de Estado. Entendemos a imersão como uma percepção sensória dos ambientes construídos ou já existentes. Zona Autônoma Temporária (BEY, 2002). Uma disponibilidade, em engolfamento, um mergulho e se não tiver prudência, um afogamento (BORGES, 2008).

 

Uma imersão coletiva é circunstância rítmica com atuação incisiva sobre os corpos dispostos a vivenciarem a experiência; (...) Cada singularidade tem seu próprio ritmo-base e quando desafiada a imergir coletivamente numa determinada situação, necessariamente vai sofrer modulações de seus dados e interferência dos ritmos existenciais alheios alternando entre sua própria base rítmica e a disritmia . (...) Se Simondon se refere ̈transdução ̈ para dizer da co-constituição produzida entre sujeitos e objetos, poderíamos dizer que: tratamos de novas práticas de “transdução” de redes sociais diferenciadas entre si em contextos imersivos coletivos, a fim de testar linguagens e deflagrar processos de co-constituição. (BORGES, 2008)

 

Uma imersão é a experiência do afeto. Afeto espinoziano, que rompe com a dicotomia racionalista de Descartes opositora do corpo e da alma, para o paralelismo, onde não há uma relação de casualidade entre mente e corpo, havendo, antes, uma relação de concomitância entre os dois, sendo, respectivamente, séries paralelas de Modos de Pensamento e Modos de Extensão, ambas expressões equivalentes à essência da Substância. Tais como as formas geométricas e as fórmulas algébricas, que não se opõe, não influenciam uma à outra mesmo com diferente representação para o mesmo objeto, da mesma forma esses Modos, equivalentes e paralelos, não se comunicam, pois utilizam diferentes linguagens para exprimirem a mesma essência. Para Espinosa, ainda, a essência do homem não é constituída pela sua consciência intelectual, ou pela sua razão, mas pelo seu desejo – o que faz estabelecer conexões entre os corpos, que promovem os afetos, que constitui os indivíduos. E são estas noções de afeto que nos levam ao conhecimento não apenas do outro, mas de nós mesmos (GOMES, 2008). Ambientes imersivos e afetivos de células nomádicas em oposição ao aparelho de Estado. Davi e Golias. Imersões em que o eu, como a física contemporânea, não pode mais ser dividido em unidade independente. Processo de subjetivação a partir da consciência da existência do Outro, da alteridade (GOMES, 2008). Afeto como agente de irradiação de células nômades. Sobre a construção dessas novas células de nomadismo em oposição ao aparelho de Estado a partir do pensamento e da práxis existentes em ambientes imersivos afetivos recai o interesse de nossa pesquisa. Como bons e maus encontros, segundo o pensamento espinoziano, se dão em imersões eu-outro e interferem na própria estrutura do aparelho de Estado?

 

É preciso fazer o múltiplo, não acrescentando uma dimensão superior, mas, ao contrário, da maneira simples, com força de sobriedade, no nível das dimensões que se dispõe, sempre n – 1. (...) Subtrai-se o único da multiplicidade, a ser constituída. (DELEUZE e GUATTARI, 1997, p. 14, v.1)

 

Dos objetivos:

São objetivos dessa pesquisa, refletir:

  1. sobre como afeto e as artes de fazer se dão em ambientes imersivos e;

  2. como esses sistemas imersivos afetivos podem ser utilizados como metodologia de implementação de programas e políticas públicas que necessitam alcançar um tão híbrido conjunto de indivíduos sob um mesmo Estado-nação.

 

Da justificativa:

Nos últimos anos, o Brasil assumiu um papel de destaque no contexto internacional do software livre. O governo federal apresentou um posicionamento público de defesa da adoção de software livre em diversos projetos. (FREIRE, 2006). Iniciativas de desenvolvimento de programas de computação mesclavam-se com hordas de ativistas em mídia fortalecendo movimentos de democratização da comunicação. A repercussão no exterior foi tal ao ponto de a revista Wired retratar o país como uma "Nação Open source" (WIRED, 11/12/2004). Em eco ao pensamento de Gilbert Simondon, Richard Barbrook, Gilles Deleuze e Félix Guattari, Donna Hanaway, Marshall McLuhan, Laymert Garcia dos Santos, Manuel Castells entre outros, novas metodologias para troca de conhecimentos, sejam eles práticos ou teóricos, devem ser experimentadas. Essas metodologias, com base nos autores a serem estudados, buscariam transportar a pessoa à apropriar-se do objeto técnico (e teórico) na cultura como forma de manter a viabilidade das sociedades humanas (DELACROIX, 2008). Num ambiente de esquizofrenia geral (DELEUZE, 1973), o homem se fez sujeito, criou objetos, ameaçou a vida, comprometeu-se. Pensar o eu-outro como o eu. Aqui, a pesquisa se mistura com a prática, se torna objeto (CERTEAU, 1990), na reflexão das diferentes possibilidades para implementação de programas e políticas públicas que propõe uma horizontalização social através da incorporação da tecnologia em diferentes cenários da tão rizomática e ressonante cultura brasileira. Cabe também interrogar-nos sobre a dimensão de tensionamento e de “luta de posições”, sobre as dificuldades potenciais de desenvolver-se cenários rizomáticos e a “arte de fazer” histórica das políticas sociais no Brasil. Acreditamos que a forma que se desenvolvem pressupõe um cenário, complexo, de disputa de sentidos. Refletiremos também sobre o que tornou possível tal horizontalização, de onde vem, como é aceita e se é aceita, e como se propaga.

 

A Metodologia:

Além da bibliografia sugerida, tomaremos como estudo a implementação de dois programas governamentais de inclusão digital entre 2004 e 2007: Cultura Digital, do Ministério da Cultura, e GESAC – Governo Eletrônico Serviço de Atendimento ao Cidadão, do Ministério das Comunicações. Nesse estudo incluiremos entrevistas não diretivas com envolvidas e envolvidos nesses dois programas - ambos utilizaram metodologias baseadas em processos imersivos - bem como outros e sujeitos que tomaram parte nesses processos. As entrevistas serão gravadas em áudio e posteriormente transcritas. Serão também analisados relatórios e relatos de oficinas e encontros.

 

Do cronograma:

Ano 2009

Ação

Jan

Fev

Mar

Abr

Mai

Jun

Leitura Bibliográfica

x

x

x

x

x

x

Entrevistas

 

 x

 x

x

 

 

Análise de entrevistas e relatórios

 

 

 x

 x

 x

 

Dissertação

 

 

 x

 x

 x

 x

 

 

Bibliografia

BARBROOK, Richard. Futuros Imaginarios – das máquinas pensantes à aldeia global. São Paulo: Peirópolis, No Prelo.

BEY, Hakin. TAZ: Zona Autônoma Temporária. São Paulo: Conrad, 2002.

BRUNET, Karla (org.). Apropriaçoes tecnológicas – emergência de textos, idéias e imagens do submidialogia #3. Salvador: EDUFBA, 2008

CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano, volumes 1 e 2. Petrópolis: Vozes, 1990.

DELEUZE, Gilles. A ilha deserta. São Paulo: Iluminuras, 2008.

_________ . A lógica do sentido. São Paulo: Perspectiva, 1998.

_________: GUATTARI, Félix . Mil Platôs, volumes 1, 2, 3, 4 e 5. São Paulo: 34, 1997.

ESPINOSA, Barauch de. Tratado Teológico Político. São Paulo: Martins Fontes, 2008.

_________ . Ética. São Paulo: Abril Cultural, 1973.

FREIRE, Alexandre: FONSECA, Felipe: FOINA, Ariel. O Impacto da Sociedade Civil (des)Organizada: Cultura Digital, os Articuladores e Software Livre no Projeto dos Pontos de Cultura do MinC. http://www.cultura.gov.br/site/2006/02/22/o-impacto-da-sociedade-civil-desorganizada-cultura-digital-os-articuladores-e-software-livre-no-projeto-dos-pontos-de-cultura-do-minc

GARCIA, David, Fine Young Cannibals, of Brazilian Tactical Media publicado em openflows.org, 10/09/04. http://openflows.org/article.pl?sid=04/09/1a0/167212&mode=thread&tid=23

______: LOVINK, Geert. The ABC of Tactical Media. http://amsterdam.nettime.org/Lists-Archives/nettime-l-9705/msg00096.html

GOMES, Morgana Barbosa. Intersubjetividade Corporal: Aspectos filosóficos da intercoporiedade e a construçao de uma etica afetiva nas experiencias do Corpus Ritualis. Dissertação de Bacharelado. Vitória da Conquista: UESB, 2008.

MCLUHAN, Marshall. Os meios de comunicação como extensões do homem. São Paulo: Cultrix, 1968.

ROSAS, Ricardo. The Revenge of Low-tech: Autolabs, Telecentros and Tactical Media in São Paulo. Sarai Reader 2004. New Delhi: Sarai, 2004.

WIRED, We Pledge Allegiance to the Penguin. Wired Magazine, Issue 12.11, Novembro, 2004.

Bibliografia comentada

Textos relevantes para a pesquisa, comentados de alguma forma:

Deleuze comenta o afeto em Spinoza

"E sobre essa linha melódica de variação contínua constituída pelo afeto, Spinoza irá determinar dois pólos, alegria-tristeza, que serão para ele as paixões fundamentais: a tristeza será toda paixão, não importa qual, que envolva uma diminuição de minha potência de agir, e a alegria será toda paixão envolvendo um aumento de minha potência de agir. Isso permitirá que Spinoza, por exemplo, realize uma abertura em direção a um problema moral e político muito fundamental, que será sua própria maneira de estabelecer o problema político: como acontece que as pessoas que têm o poder, não importa em que domínio, tenham necessidade de afetar-nos de uma maneira triste? As paixões tristes como necessárias: inspirar paixões tristes é necessário ao exercício do poder. E Spinoza diz, no “Tratado teológico-político”, que esse é o laço profundo entre o déspota e o sacerdote: eles têm necessidade da tristeza de seus súditos. Aqui, vocês compreenderão com facilidade que ele não toma "tristeza" num sentido vago, ele toma "tristeza" no sentido rigoroso que ele soube lhe dar: a tristeza é o afeto considerado como envolvendo a diminuição da potência de agir. "



"Enquanto autômatos espirituais, há o tempo todo idéias que se sucedem em nós, e de acordo com essa sucessão de idéias, nossa potência de agir ou nossa força de existir é aumentada ou é diminuída de uma maneira contínua, sobre uma linha contínua, e é isso que nós chamamos afeto [affectus], é isso que nós chamamos existir. "


"Spinoza quer dizer algo muito simples, que a tristeza não torna ninguém inteligente. Na tristeza estamos arruinados. É por isso que os poderes têm necessidade de que os súditos sejam tristes"


"Num afeto de alegria, portanto, o corpo que o afeta é indicado como compondo a relação dele com a sua, ao invés da relação dele decompor a sua. Desde então, alguma coisa irá induzi-lo a formar a noção do que é comum ao corpo que o afeta e ao seu, à alma que o afeta e à sua. Nesse sentido, a alegria torna inteligente."


"Spinoza propõe o inverso: ao invés de fazer o somatório de nossas tristezas, tomar uma alegria como um ponto de partida local, à condição que sintamos que ela nos concerne verdadeiramente. Em cima disso forma-se a noção comum, em cima disso tenta-se ganhar localmente, estender essa alegria. É um trabalho para toda a vida. Tenta-se diminuir a porção respectiva de tristezas face à porção respectiva de uma alegria,"


"A única coisa que conta são as maneiras de viver."


"Mas para além das relações características existe ainda o mundo das essências singulares. Então, quando formamos aqui idéias que são como puras intensidades, onde minha própria intensidade irá convir com a intensidade das coisas exteriores, nesse momento se dá o terceiro gênero porque, se é verdade que nem todos os corpos convém uns aos outros, se é verdade que, do ponto de vista das relações que regem as partes extensas de um corpo ou de uma alma, as partes extensivas, nem todos os corpos convém uns aos outros, todos eles serão concebidos como convenientes uns aos outros se vocês chegarem a um mundo de puras intensidades. Nesse momento, o amor que vocês têm por si mesmos é ao mesmo tempo, como diz Spinoza, o amor às outras coisas, é ao mesmo tempo o amor de Deus, é o amor que Deus tem por si mesmo, etc."

 

aula proferida em 24/01/78. 

Extraído de http://www.webdeleuze.com/php/texte.php?cle=194


Arquivo .rtf anexado:

Metodologia de Oficinas Presenciais

De Adriana Veloso
É bom frisar que depois de um curto período de estranhamento e até oposição aos métodos pedagógicos usados pelos amigos da cultura digital nas primeiras oficinas de "metareciclagem e conhecimentos livres" percebemos que na verdade eles atuavam como os nossos mestres das culturas populares, apesar da diferença de idade e da forma de vestir... Pois não vinham com apostilas nem estabeleciam padrões do tipo: certo ou errado, pelo contrário, estimulavam o erro como forma de aprendizagem... e sem limites de tempo se dispunham a colaborar, convivendo, construindo o novo saber/fazer, para além da pura técnica e ao encontro da "comunhão" da celebração e do compartilhamento do prazer de estar vivo em construção" (Chico Simões, Ponto de Cultura Invenção Brasileira, em entrevista a nós, 2008). 

Mutirão da Gambiarra #1

"Aqui em Terezina - Piaui, tá rolando o barato mais louco que eu já vi e participei na 

minha vida. Alguns Pontos de Cultura do Sul Sudeste e principalmente do Nordeste, estão 

reunidos no Centro de Referência da Cultura Hip Hop, sede nacional do MHHOB em um 

treinamento de METARECICLAGEM DE COMPÚTADORES. São varias oficinas que 

vão alem da inclusão digital,a rapaziada que está aqui vai aprender a montar e desmontar 

o Micro, instalar programas de soft livre, captação e produção de audio, Xilogravura, 

instalar computadores em rede, operação de sistemas, metarecilcagem entre outros. "A 

RAPAZIADA VAI SAIR DA QUI FERA EM COMPUTADORES". Ontem chegou uma 

carreta cheia de computadores para serem reciclados, (EU NUNCA VI TANTO 

COMPUTADOR NA MINHA VIDA), com os computadores reciclados será formado 

dois telecentros no Centro de Referência da Cultura Hip Hop do Piaui, que aliais, é o 

maior espaço fisico de Hip Hop que existe no Brasil e talvés na America Latina. Todos os 

computadores serão reciclados e grafitados o que vai dar uma nova aparencia ao MICRO. 

Ontem participamos de uma solenidade onde estava presente o Govenrador, Secretário de 

Educação do Estado do Piaui, Representante do MINC e do Ministerio das Comunicações 

e um represntante do MHHOB, e nessa semana Celio Túrino que é o idealizador do 

Projeto Ponto de Cultura vai tá aqui tirando duvidas sobre os pontos que ainda não 

chegaram. São 120 pessoas que estão aqui representando os diversos Pontos de Cultura 

espalhados pelo pais e a ideia é que todos participem de todas oficinas que começaram no 

dia 25/07 e vão até o dia 05/08 /05. (São dez dias de capacitaçaõ em soft ware). A 

realização deste evento está sendo feita pela Associação de Hip Hop Piauiense, MHHOB 

- Movimento Hip Hop Organizado Brasileiro, Governo do estado do Piaui, Ministerio da 

Cultura e Ministerio das comunicações. Como a Posse de Hip Hop Lelo Melodia tem um 

ponto de cultura aprovado pelo MHHOB, eu e Edcelmo estamos participando deste 

evento. Pelo menos para mim é muito bom ver o meu sonho sendo realizado aqui no 

Piaui, os caras têm uma escola que ocuparam e ganharam um comodato por cinco anos do 

governo para trabalhar com Hip Hop. São 20 salas de aulas além de auditorio, cuzinha, 

banheiros, studio etc... No decorrer da semana eu mando mais informações. Elienio 

Angelo Posse de Hip Hop Lelo Melodia MHHOB - Movimento Hip Hop Organizado 

Brasileiro"


em http://mutirao.metareciclagem.org/files/mutirao_01_beta_2.pdf (arquivo anexado) - pg. 74

Entrevistas

Entrevistas realizadas durante a pesquisa:

Entrevistando a Crise: Políticas de Incentuivo à arte durante a Crise

Interviewing the Crisis 2 con Ricardo Ruiz - Descentro (Brasile)

pubblicato: martedì 24 febbraio 2009 da penelope.di.pixel in: Interviste


Eccoci arrivati al quesro appuntamento di “Interviewing The Crisis 2″. Questa volta i spostiamoin Brasile con Ricardo Ruiz, fra i promotori del progetto Des).(centro. Voglio innanzi tutto dire cosa mi ha colpito dell’intervista: un’analisi lucida e storica delle crisi economico-finanziarie che dagli anni ‘80 ad adesso il brasile ha attraversato. Scorrendo i dati e le oscillazioni dell’inflazione, si tocca con mano la sensazione di come la crisi sia una costante: “di cosa stiamo parlando?” si chiede in fondo Ricardo ed è difficile dargli torto. Se nelle economie dei paesi “in via di sviluppo”, per una serie di motivazioni articolate e complesse, queste percezione è drasticamente netta, anche per le economie “avanzate” si può e deve parlare di crisi sitemica, come abbiamo avuto modo di intravedere nelle scorse interviste. Mentre personalmente non posso fare a meno di ripensare al mondo descritto nel celebre 1984 di Orwell, dove guerre, crisi e carestie sono il frutto di manipolazioni mediatiche ad opera delle oligarchie al potere, rispetto ad una “realtà” sostanzialmente immutata…

Ma tornando all’intervista, Ricardo Ruiz ci racconta di un Brasile la cui forza è essere un enorme produttore di contenuti (culturali) ed è in questo che individua la forza del paese, dove la presidenza Lula per la prima volta sembra aver introdotto politiche sociali, economiche e culturali riversando finanziamenti su pezzi di società che mai erano stati presi in considerazione. Frattanto, la storia di Des).(Centro si intreccia in modo particolare con un altro protagonista della politica brasiliana, l’ex ministro della cultura e cantautore Gilbero Gile con il programma di inclusione digitale, nato nel quadro di Cultura Viva, un più vasto programma di inclusione sociale. Parliamo dei Pontos de Cultura, dove arte, produzione culturale, nuove tecnologie e comunità locali incontrano la filosofia del software libero, per dare avvio ad un’insolita collaborazione fra istituzioni e gruppi indipendenti… Questo ve lo racconta meglio Ricardo con le sue parole e le storia che ha vissuto in prima persone. Sicuramente Des).(Centro è una delle eredità più tangibili e significative di quell’esperienza nata esviluppatasi fa il 2002 e il 2005/2006, come network autonomo di ricerca e produzione.

Attualmente il loro progetto “The HOuse of Happyness” è stata selezionato per l’edizione del Frestival Transmediale e presentato a Berlino proprio a Frabbraio. Per il resto, l’unico dato ostico, forse perché antropologicamente e culturalmente non traducibile, è il concetto di gioia e “saudde” che afffiora a più riprese nell’intervista, ma che attraversa trasversalmente l’intera cultura brasiliana.

[Foto in alto: reportage da Submidiologia 2]

Ricardo Ruiz, Descentro (Brasile): presentazione con i lettori italiani

Des).(centro è un’organizzazione decentralizzata, responsabile fra le altre cose della conferenza “Submidiologia”. Descentro è il riultato di un dialgo fra i membri di Matariciclagem, Articuladores, RadioLivre, Midia Ttica e altri gruppicon il supporto della piattaforma Waag/Sarai - un iniziativa che ha messo in contatto le principali organizzazioni di media culture in Olanda e India, per sette anni a partire dal 207. Dalla fine di questo programma, abbiamo ottenuto un’allocazione di fondi attraverso visite di esperti brasiliani a Delhi, un workshop ad Amsterdam, e una pubblicazione (curata da Ricardo Rosas), uscita alla fine del 2008. I membri di Des).(centro, che vivono in diverse parti del Brasile (10 stati dal sud, sud-est, nord-est e nord) stanno lavorando su progetti che uniscono l’etica e le tattiche dei media liberi con le questioni ecologiche. La loro “House of Happiness” è stata selezionata al Festival Transmediale per l’edizione di febbraio 2009. I suoi membri si sono dedicati alla sperimentazione del mapping, un lavoro che può essere reperito a questo link. Altri sono coinvolti nello sviluppo di politiche pubbliche per l’inclusione digitale del paese e in progtti di ricerca collegati all’acqua, all’ambiente, ai media, alla tecnologia e alla riforestazione. Stiamo anche lavorando allo sviluppo di un laboratorio/spazio di residenza in una località chiamata Bonete sulla costa di San Paulo, la cui economia locale è basata sulla pesca e sul turismo. Vogliamo invitare ricercatori nazionali e internazionali in questo luogo che apre diverse e importanti questioni sulla relazione fra sviluppo socio-tecnologico e ambiente naturale. Altre case come la “Hause of Happiness”, esistono anche a Pipa (RN), Arembepe (BA), Poltal do Sul (PR) a Atins (MA). L’anno scorso, Des).(centro ha pubblicato una rivista on line (Cadernos submidiáticos) e ha pubblicato un libro (”Net Cultura 1.0. Apropriações Tecnológicas and Futuros Imaginários, Brazilian version of Richard Barbrook´s Imaginary Futures”). Possiamo posizionare l’inizio della nostra ricerca intorno al 2002, con la diffusione di concetti e idee sulla democratizzazione dei nuovi media per creare una massa critica intorno alla costruzione comune di politiche publiche sui nuovi media, internet e sull’incluione digitale. I suoi membri, che hanno contribuito alla diffusione di queste idee in tutto il paese (siamo stati responsabili di molti programmi governativi come di iniziative indipendenti nel corso di 5 anni) sono adesso persone chiave nello sviluppo di queste politiche all’interno del governo brasiliano.

Bene, questo è un documento preconfezionato, ma è solo perché non mi piace molto parlare di noi. Ma l’articolazione che ha permesso di sviluppare Des).(centro è nata insieme a iniziative come il programma Pontos de Cultura del ministero della cultura brasiliano, che qui ci interessa molto :)

- Il Brasile è considerato come una delle economie più dinamiche dei paesi in via di sviluppo, suscitando l’interesse di soggetti internazionali a causa delle sue risorse naturali, ma anche del suo enorme mercato potenziale e delle possibilità di investimento. Un paese, non c’è bisogno di ricordarlo, con profonde contraddizioni, conflitti e fermenti culturali e politici. In questi anni, dalla presidenza Lula a Porto Alegre, il Brasile è diventati per moltissimi nel mondo il simbolo di “un nuovo mondo possibile”. Dal tuo punto di vista, quali sono i sintomi, le caratteristiche e le ripercussioni della crisi finanziaria nel vostro paese?

Avete tralascito un aspetto: un paese con un incredibile produzione artistico-culturale. E in un epoca l’informazione è denaro., il Brasile è un produttore. Ma parliamo della crisi.

Molti sforzi sono stati fatti dal governo Lula per creare risorse territoriali e una finanza migliore in Brasile. Gli interventi governativi, per molti versi, sono stati realizzati in posti dove il governo non era mia stato. Parliamo di progetti assistenziali, programmi infrastrutturali, culturali (come i pontos de cultura e altre iniziative) etc… e un buon sostanzioso ammontare di risorse è stato investito in favore di soggetti che mai erano stati presi in considerazione prima (chi se ne frega se non esistono assistenza, infrastrutture, salari, studi etc…). E, prima di queste alternative sulla distribuzione delle risorse, abbiamo avuto molte crisi, alcune delle quali da USA, Europa, o Giappone che sarebbero state fatali:

1980-1985 - Plano Cruzeiro (21 anni dopo il militarismo o 50 dopo il keynesismo) - inflazione 16 %/mese o 500% /anno
1986 - Plano Cruzado inflazione 20% /mese
1987 - Plano Cruzado II - inflazione 16,8% /mese
1987 - Plano Bresser - inflazione 14% /mese
1988 - Plano Bresser (Maílson da Nóbrega) - inflation 18 % / mês
1988 - OTN - inflazione 28,8% /mese
1989 - Plano Verão (Cruzado Novo) - inflazione 26 % /mese
1990 - Plano Collor - inflazione 4,5% /mese (rottura dell’industrializzazione: minus 26% - Zélia Cardoso de Mello - http://www.youtube.com/watch?v=7KHza2R-C-E&feature=related - Olha o cruzeiro de volta! nell’arco di una giornata, nessuno in Brasile aveva più di 10.000 dollari in banca. Tutto sarebbe stato utilizzato dal governo e restituito alla popolazione in un anno con 12 rate… ci credete?)
1994 - Plano Real (URV)

Adesso meno: -> http://www.youtube.com/watch?v=oKcbnQ7ga0c&feature=related

Di quale crisi stiamo parlando? “que bloco é esse? eu quero saber!”

Alla fine gli impatti si avvertono: la disoccupazione è leggermente aumentata rispetto agli ultimi 10 anni, e molte cose stanno succedendo nelle regioni senza soldi:”bene, ti do metà dei soldi fra un mese, e e poi restituisci i soldi a qualcuno due mesi dopo e così via…”. Cose comuni delle economie subtropicali. Ma non sembra così difficile da affrontare. A conti fatti, non abbiamo avuto lo stessi tipo di stupidi investimenti che si sono che ha subito l’economia statunitense.

- Nella scorsa legislatura il Ministero della Cultura ha lanciato un programma di inclusione digitale chiamato “Cultura Viva”, incentrato sulla creazione dei Pontos di Culyura, come accennavi sopra un’esperienza nella quale siete stati coinvolti in prima persona: come è nato il programma, come si è sviluppato e quel’è la situazione attuale?

Cultura Viva è un programma di inclusione sociale. prima che Gilberto Gil diventasse ministro della cultura, il paese non aveva mai conosciuto investimenti nella cultura popolare. Il mio punto di vista è che tutti gli investimenti nella cultura (cultura può significare arte in inglese, ma anche conoscenza… ovvero lo stesso significato di art cuncil in Inghilterra), quando esistevano, erano orientati alle grandi produzioni cinematografiche, o sul carnevale di Rio, o ancora mega concerti. ma il Brasile non è fatto di questo tipo di produzione artistica. Non solamente.
basta solo pensare che la samba è molto molto diversificata ed è ballata in ovunque nel paese, specialmente nelle famiglie. E si tratta solo della samba. C’è il coco, il maracatu, boi, congo, congada, boizada, guitarrada… E ancora teatro di strada, produzioni indigene, film indipendenti, innumerevoli musicisti (certe volte penso che siamo tutti musicisti!)… Quindi, per democratizzare l’accesso alla produzione artistica, il processo e un programma di inclusione sociale. I pontos di cultura erano una parte del programma, e l’inclusione digitale, parte dei pontos de cultura, chiamata Cultura Digital. Il programma è nato intorno al 2002/2003. Noi (e stiamo parlando di forse 400 persone) abbiamo organizzato Midia Tatica Brazil Festival come parte di Dutch Next 5 Minutes 4, un laboratorio di Midia Tatica molto intenso al centro di San Paulo. In quell’occasione, Claudio Prado, coinvolto nel progetto in quanto amico di Gliperto Gil e catalizzatore di idee, ha chiamato gli organizzatori principali a fare una chiacchierata a casa sua sul progetto BAC. Era la prima volta che ne sentivo parlare. In seguito, abbiamo sviluppato un altro laboratorio di media tatica, della durata di 6 mesi per 300 ragazzi e ragazze nelle periferie di S. Paulo - aree violente e povere. Lo abbiamo chiamato Autolabs: esistono due testi eccellenti in inglese sull’iniziativa scritti da Ricardo Rosas. Questo è stato l’embrione, in un certo senso, dei Pontos de Cultura. Abbiamo iniziato così una discussione su una mailing list per l’implementazione dei media center nel paese, che utilizzassero software libero e dessero acesso a internet per distribuire i loro contenuti culturali. Dopo un anno e mezzo di discussione sulla mailing list, siamo potuti entrare nel ministero per implementare il progetto.

Il processo di implementazione è stato bellissimo. Mi ricordo del secondo incontro con Gil, che ci ha chiesto: “Ok, sembra interessante, e posso immaginare il tutto in funzione (abbiamo registrato Maquina de Ritmo, una nuova canzone distribuita in creative commons), ma come insegnare a donne analfabete di 60 anni? o a comunità indigene nel loro linguaggio?”. Con questa domanda in testa, abbiamo iniziato tutta una serie di workshop con l’obiettivo di creare dei “replicatori” all’interno delle comunità locali, e prepararli a utilizzare le tecnologie. Di seguito, workshop locali per rafforzare le conoscenze sul software libero e sulla produzione multimediale. I workshop erano dei grandi parties, comunità culturali, famiglie… Li radunavamo, suobavamo i tamburi, cantavamo, ballavamo, registravamo e distribuivamo, bevevamo e dormivamo per terra, ridevamo, eravamo stramati e ci svegliavamo come nuovi. Sorrisi, Sorrisi… E con nostra sorpresa (ma nemmeno tanta), le ideologie dietro le tecnologie libere venivano interiorizzate, replicate, vissute… nomadi alla stato macchinico di Deleuze. Molte articolazioni … Molti meeting, molti workshop, Dopo questo è arrivata la produzione musicale, i video, e così via. Non era altro che lo stato a dettare la cultura. Era lo stato a democratizzare l’accesso a differenti aspetti dell’arte: processi, investimenti, politiche, felicità, piacere - amore, diversità. Amore.

Adesso i Ponto de Cultura sono diventati un programma nazionale, molte regioni stanno creando le proprie call per i pontos de cultura, molte li hanno già (Bahia, Pernambuco, Minas…). Molti altri programmi di inclusione digitale adesso stanno mettendo in comune le proprie idee, direttive, workshop. Il processo di implementazione è stato fatto da persone che si conoscevano e che hanno conosciuto le persone in spazi e in relazioni informali e amicali. Ci mancano le persone negli spazi in cui abbiamo lavorato. O, usando una parola perfetta nel linguaggio partoghese: “saudade! ah, essa língua da luz, a lusitana! O fado, o mar e os lusíadas!”.

Le politiche pubbliche sulla cultura digitale sono state scritte adesso, e l’obiettivo è di riunire le opinioni del maggior numero di persone coinvolte nel processo: pochi stati-nazione hanno l’opportunità di creare le loro politiche pubbliche iniziando dai bisogni della popolazione. Alla fine in Brasile.

- Uno degli obiettivi principali dei Pontos di Cultura è il supporto alla produzione artistica e culturale delle comunità locali, attraverso il networking e la tecnologia. Secondo te, il programma ha avuto successo? Quale tipo di processo culturale, antropologico, economico e politico sviluppato dal programma è stato il più significativo? Come e perchè le tecnologie possono abilitare innovazione e cambiamento?

Penso di aver risposto alla domanda nella precedente risposta, ma penso anche che il processo più significativo a livello culturale, antropologico, economico e politico sviluppato nel programma sia la felicità. Non solo i pontos de culura, ma anche il programma GESCA del ministero delle Comunicazioni e della Saluteha avuto un processo di implementazione interessante (e felice). La tecnologia è stata compresa nel suo complesso. Il governo ha appreso dai molti. Molti hanno iniziato a creare i loro partiti politici; altri a pubblicare i loro contenuti (i mass media in Brasile, come credo ovunque, sono un incubo). Molti sono diventati attori sociali e artistici. Molte sono state le discussioni avviate. E molti sono stati i sorrisi, le feste, la comprensione. Molti i sentimenti coinvolti. O, come direbbe Spinoza, molti buoni incontri. Molti buoni incontri. E, credendo nello scenario micropolitico, abbiamo veramente bisogno di più felicità nel mondo.

- Secondo te, in che modo l’arte e le pratiche legate alla cultura digitale possono abilitare modelli validi e alternativi a quelli esistenti, a livello economico, antropologico e sociale? Esistono esperienze in Brasile che ti piacerebbe descrivere per supportare la tua visione?

Capire le ideologie e le partiche che stanno doetro la cultura digitale per implementare ciò come processo politico. La de-centralizzazione, l’investimento nelle iniziative locali per sviluppare modelli di sostenibilità, sistemi di fiducia, condivisione di conoscenza e di gioia.

Mi ricordo di un libro di Johnny Jordan che ho letto: “Resistence is the secret of joy”. Pensavo che qyesta frase fosse incredibile. Ora penso che la gioia sia il segreto della resistenza.

—————— ORIGINAL VERSION IN ENGLISH ———————

- Ricardo Ruiz, Des).(centro, Brazil: presentation for the intalian readers

Des).(centro - is a de-centralised organisation, responsible among other things for the Submidialogia conferences. It was formed as the outcome of conversations between members of MetaReciclagem, Articuladores, RadioLivre, Mídia Tática and other groups, and earned seed support from the Waag/Sarai platform - an initiative that connected leading media culture organisations in the Netherlands and in India, for seven years until 2007. Towards the end of this programme, an allocation of funding was made towards visits by Brasilian practitioners to Delhi, visit to a workshop in Amsterdam and towards a publication (which was edited by the late Ricardo Rosas) due for publication in late 2008. Members of Des).(centro who live in various parts of Brazil (10 different states from south, south-east, north-east and north regions) are working on projects combining free media ethics and tactics with ecological concerns. Their Houses of Happiness project was part of the Transmediale Festival in Berlin in February 2009[1]. Its members has been experimenting with ideas of mapping in previous work which can be viewed at http://contexto.descentro.org and http://turbulence.org/Works/mimoSa/ . Others are helping on the development of public policies for digital inclusion in the country, and researching projects which brings together issues related to water, environment, technology, media and reforestation. We are also working on development of a laboratory/residency space in a locality called Bonete off the coast of Sao Paulo state where the local economy is based on fishing and tourism. They aim to invite national and international researchers to spend time at this site which opens up a number of important questions about the interrelationship between socio-technological development and the natural world. More houses like this, the House of Happiness, also exist in Pipa (RN), Arembepe (BA), Pontal do Sul (PR) and Atins (MA). Last year, Des).(centro published online magazines (Cadernos submidiáticos) and printed books (Net Cultura 1.0, Apropriações Tecnológicas and Futuros Imaginários, Brazilian version of Richard Barbrook´s Imaginary Futures). Des).(centro believes their research started in 2002, spreading concepts of media democratization towards new media, to create a critical mass for the common construction of public policies on new media, internet and digital inclusion. Their members, who helped on the de-centralized spread of the idea all over the country (they were responsible for many governmental program as well as independent initiatives during the last 5 years) are now key persons on the development of this polices inside Brazilian government.

ok it is a ready made document, but it is just because i don’t like to talk that much about ourselves. But the articulations to develop descentro started toghether with initiatives like pontos de cultura program of the ministery of culture of brazil, what interest us most in here :)

- Brasil is considered to be one of the most dynamic economies, with a peculiar growth pattern, and it embodies wide interests for international subjects due to its natural resources, for the potential of its markets and for the investment opportunities. A country, needless to say, with deep contradictions, conflicts, cultural and political movement. During these years, from Lula’s presidency to Porto Alegre’s World Forums, it became for many people the symbol of “a possible alternative world”. From your point of view, which are the symptomes, characteristics and repercussions on Brasil of the international financial crisis?

One thing you forgot on the question: a place of an unincredable cultural-artistic production. And, in an era where information is money, Brazil is a content producer. Or a money creator. But talking about crises.

long efforts were made to get a better financial and land resources in brasil during lua’s government. Governmental programs, in many aspects, were in place that governement never were before. So, on assistencialists projects, on huge infrastructure programs, cultural programs (like pojntso de cultura and other inbitiatives) etc a good amount of money were invested on people that never had any investment before. no matter if assistentialism, infrastructure, studies, salaries etc. And, before all these alternatives on incoming distribution, we had lots of crise, that someone from US, Europe or Japan would be dead:

1980-1985 - Plano Cruzeiro (21 years after militarism and 50 after keynesianism) - inflation 16 % /month or 500% /year

1986 - Plano Cruzado iinflation 20% / mês

1987 - Plano Cruzado II - inflation 16,8% / mês

1987 - Plano Bresser - inflation 14% / mês

1988 - Plano Bresser (Maílson da Nóbrega) - inflation 18 % / mês

1988 - OTN - inflation 28,8% / month

1989 - Plano Verão (Cruzado Novo) - inflation 26 % / month

1990 - Plano Collor - inflation 4,5% /month (brake of industrialization: minus 26% - zélia cardoso de mello - http://www.youtube.com/watch?v=7KHza2R-C-E&feature=related - Olha o cruzeiro de volta! overnight, none in brazil had more than 10.000 dolars on banks. everything would be used by government and sent back to population after a year in 12 parts. believe?)

1994 - Plano Real (URV)

know less: -> http://www.youtube.com/watch?v=oKcbnQ7ga0c&feature=related

what crises are we talking about? “que bloco é esse? eu quero saber!”

So, we can feel impacts: unemployee is a little bit higher than the last 1o years, and lots of things are happening in the country without money: “so, i give the money to you in a month and a half, and than you give money to someone two months after and so on…”. quite common around sub>tro[picalized economies. But it doesn’t look so hard to deal. After all, we didn’t had the kind of stupid investment that happened in US economy.

- During the last legislation the Ministry of Culture started the digital inclusion program named “Cultura Viva”, centered around the creation of the “Pontos de Cultura”, an experience in which you were deeply involved: how was the program born and developed and what is its current status?

Cultura Viva is a program of social inclusion. Before Gilberto Gil’s heading the ministery of culture, never the country had investments on grassroots culture. What do i mean: all the investment in culture(culture could be arts in english, but who knows… would be the same as arts council in britain), when happening, were focused on big cinematographics productions, or huge Rio de janeiro Carnaval, or Mega concerts. But brazil is not made of this kind of artistic production. not only. It is just to imagine that samba have many, many, many,many different vertents, is really old, and is played all around the country specially in familiar parties. And we are talking just about samba. There is coco, maracatu, boi, congo, congada, boizada, guitarrada…. And than streets theatre, indiginous productions, independent movies, uncontable musicians (sometimes i think everyone is musician!)…. So, to democraticise the acces to arts production, process, is a social inclusion program. Pontos de cultura was one of the parts of the programs, and the digital inclusion program, part of pontos de cultura, was called Cultura Digital. The program was born maybe in 2002, 2003. We (and we are lots of people, maybe 400) had organized Midia Tatica Brasil festival in sao paulo (http://mtb.midiatatica.info) as part of Dutch Next 5 Minutes 4. A Tactical Media lab very intense on the capital center of sao paulo. On that time, Claudio Prado, also involved on the project as friend of gilberto gil and cathalist of ideas, called the main organizers to talk in his home about BAC projet. It was the first time I heard. After it, we developed another tactical media lab, 6 months longer for 300 hundred boys and girls in peripheries of sao paulo - violent and poor areas. It was called Autolabs (autolabs.midiatatica.info) there are two excellent texts in english about autolabs written by David Garcia and Ricardo Rosas. This was the embryo, in some how, of Pontos de Cultura program. We started a discussion list to talk about the implementation of media centers around the country using free software and getting acces to the internet to distribut their cultural content. After one year and a half developing the program on a discussion list, we could get inside the ministery to implement it.

The implementation process was beautiful. I remember our second meeting with Gil he asked us: “ok, sounds nice, i can seee everything working (we recorded MAquina de Ritmo, a new song distributed on creative commons), but how will you teach illiterate 60 years old women? or indigenous communities on their language? ” With this question in mind, we started a whoile series of regional workshops, with the aim to locate replicators on their communities, and make than ready to play with technology. After, local workshops to strenght the knowledge on freesoftware for media production. And the workshops were all big parties, cultural communities, families…. we gather, play drums and sing and dance and recorded and distributed and dring and sleeped on the floor, and smile, and got tired and woke up brand new. Smiles. Smiles. And, for our surprise (or not that much), the ideologies behiend free technologies were interiorized, replicated, lived… nomads together the deleuzian state-machine. Many articulations on real brazilian cultural blows and institutions and peolpe were happening… many meetings, many workshops. After that, became music production, videos, and so on. It was not any more the state dictating culture. It was the state democraticizing the access to different aspects of arts: process, investments, politics, happiness, pleasure - love diversity. love.

Now Pontos de cultura became a national program, many states are creating their own public calls for pontos the cultura, many already had (bahia, pernambuco, minas…). Many other digital inclusion program are now mixing their ideas, directives, workshops. Implementation process is being doing by people that know each other and know people in spaces ina familiar relation. We miss people on the spaces you work. or, the perfect word on portuguese language: saudades! ah, essa língua da luz, a lusitana! O fado, o mar e os lusíadas!

Public Plicies on digital culture is being written now, and the aim is to gather the opinion of as many involved in te process as possible: few times a state-nation have the opportunities to creat their public policies starting from the needing of the population. At least in Brazil.

- One of the main goals of the Pontos de Cultura is to support the productions and the cultural and artistic processes of local communities, using technology and networking. In your opinion: have the results been effective? What kind of cultural, anthropological, economic and political processes developed in these programs were the most significative? How and why was technology an enabler of innovation and change?

i think i answered this question on the last, but i think the most cultural, anthropological, economic, and politcal process developed in these program that were significatives is the happiness. Not only pontos de cultura, but gesca program on ministery of comunications, the ministery of health have nice (and happy) implementation process and so on. Technology was understand as a whole. The government was understand by many. Many startedt to do their political parties. Many started to publish tehir content (and mass media in brazil is a nightmare, probably everyone knows that). Many become artistic-social-actors. Many were the discussion rised. And, many were the smiles, the parties, the undestanding. Many sentiments involved. Or, as would say Spinoza, many Good meetings. Many Good Meetings. And, believing on micropolitics scenerio, we really need more happiness in the world.

- What do you think are the ways in which art and practices related to digital cultures can enable valid alternative models to the current ones, on levels that are economic, anthropologic and social? Are there any experiences in Brasil on this subject that you would like to describe to us to support your vision?

To understand the ideologies and practices behind digital cultures to implement is as political process. De-centralization, investment on local initiatives to develope models of susteinability, systems of trust, share knowledge, joy.

I remember To read in one of Johnny Jordan books: Resistance is the secret of joy. I thought this phrase was great. but now I think that joy is the secret of resistance.


http://www.artsblog.it/post/2922/interviewing-the-crisis-2-con-ricardo-ruiz-descentro-brasile

Escritos

span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"Textos escritos durante a pesquisa:

E-mail Coordenação Nacional Casa Brasil sobre Futuros Imaginários e A esquerda que se perde

oi ben, andrea, demais:

a gente lança o livro em abril, pela editora peiropolis, Futuros Imaginarios (Imaginary Futures). Em ingles eh da editora Pluto Press. Saiu tambem uma versão na Russia. Falta lançar ele na China pra desbundar.

vale procurar o original em inglês, o ritmo de escrita de richard beira o alucinante, procuramos localizar o texto da melhor maneira possivel, inclusive trocando todas as palavras America por estados unidos e todos xs americans por estadunidenses. Traduzimos tambem a maior parte dos termos, como Protocolo de Trocas de Pacotes ao inves de packet-switching, etc. So nao conseguimos traduzir boa parte dos online. Foi feita tambem uma pesquisa apurada na bibliografia para saber o titulo das obras citadas (centenas de obras!!!) e suas respectivas edições no Brasil. Foi um trabalho minuncioso que tomou boa parte do ano passado e retrasado de algumas pessoas envolvidas com esse processo que richard faz mençao no prefácio.

É um otimo ponto de vista o dele sobre a historia do desenvolvimento belico do mundo atraves de ideologias tao sujas quanto as do neo-liberalismo (nao gostaria de levantar aqui a discussao sobre o capitalismo, movimento em expansao, como jah nos lembrou deleuze em suas analises marxistas, e de como com a quebra da ideologia de extrema direita, o esquizo-capital mais uma vez alterna o vetor de seus ziguezagues, voltando no tempo pra se [re]constituir como expansível. aliás, lendo os cadernos da FLACS, penso que o chamada "de esquerda" esta com um problema mais sério do que ela pensa! Teme por não possuir, após tanto tempo, a ideologia contra-hegemônica perfeita - pasmem, para instituir o novo pensamento hegemônico socialista! -, mas não percebe, que sob seus sujos e velhos calçados de couro preto, o capital como sistema já se restabeleceu. Há tempos. E já deu suas dicas. Não a toa, México, Tigres Asiáticos e cia. faliram em seus suburbios de ação do capital. Não a toa, a China imprimiu 700 bilhões de dólares para salvar a economia estadunidense [e a sua própria economia baseada em títulos do tesouro norte-americano]. Não à toa a Índia impressionou com seu salto econômico. Não à toa, Mano Brown [quem é Mano Brown?] conclamou, em seu 3º versículo, 4º capítulo "Eu sou apenas um rapaz/ Latino americano / apoiado por mais de 50 mil mano! / Efeito colateral que o seu sistema fez." A nova geopolítica do capital tem endereço. E as forças que a produzem tendem a tencionar-se. Os novos centros políticos, sociais e econômicos para o contínuo desenvolvimento humano não possui a perfeição buscada pelo pensamento liberal. Concentra-se sim, em ruas de barro batido, casas de tijolos a vista e mal acabadas, roças de bananeiras em morros a despencar. As indústrias cantam "It is the end of the world, as we know it", mas eu me sinto bem.) e de seus autores ligados à aademia e ao governo. É um livro de relevante importância para pessoas ligadas e prgramas governamentais para ter-se sempre em mente o poder dasidéias e das ações. Como diria aquele Reggae antigo, "A palavra som é poder".

A gente acredita que tanto esforço vai valer a pena: soh mesmo compondo nossos relatos de realidade conseguiremos evitar o massacre que a jurisdição faz ao tatuar sua historias na pele dos habitantes do planeta. E, se eh para riscarmos a pele, que sejam com alegres tatuagens, e não textos cravados a chicotes e bistouris.

abraços apertados,

r

Idéias perigosas: um estudo do cotidiano

pequena introdução e sumário de uma análise sobre implementação

Thaís Brito e Ricardo Ruiz


Caros camaradas futuros

revolvendo

a merda fóssil

de agora,

pesquisando

estes dias escuros,

talvez perguntar

eis por mim.

Ora,

começará

vosso homem da ciência

afagando os porquês

num banho de sabença,

conta-se que outrora

um férvido cantor

a água sem fervura

combateu com fervor.

Professor,

jogue fora

suas lentes de arame!

A mim cabe falar

de mim

Eu? Incinerador,

Eu? Sanitarista,

a revolução me convoca e me alista.

Troco pelo front

a horticultura airosa

da poesia?

Vladimir Maiakóvski


Experimentar a arte de
re:volver o logos do conhecimento pelas práticas e desorientar as práticas pela imersão no sub-conhecimento. Considerar processos, mais que resultados. Negar a distinção sujeito-objeto, a neutralidade do olhar e da experiência com o mundo e mais ainda do relato sobre ele. Experimentações semi-territorializadas, temporárias, carnal e digitalmente alimentadas, gritantes… perigosas! As imbricações entre as noções amplamente discutidas como opostos relacionados – prática e teoria – são experimentadas, criticamente praticadas e teorizadas no festival Submidialogia que acontece desde 2005 em diferentes cantos do Brasil.


Toda grande prática ou ação caminha como uma idéia. A manipulação de instrumentos tecnológicos enfraquece este elo uma vez que o utilitarismo e a racionalidade técnica vão tomando o espaço das singularidades - manifestações humanas espontâneas, artísticas e improvisadas. O objetivo da conferência é trazer diferentes experiências – teóricas e práticas – para contatarem-se; inserir articulações críticas entre teoria e prática nos meios tecnológicos e no sistema capital que o sustenta. É incentivar a ampla reflexão - através das micropolíticas das relações - sobre as (próprias) práticas, para não perderem-se no moribundo utilitarismo; é incentivar práticas sobre a teoria, aplicando experiências em prol de uma (sub) concepção do aparato tecno-midiático; criar um espaço tempo de subversão das práticas e teorias sobre tecnologia e cultura. As teorias sobre mídia, informação e comunicação pouco respondem se refletidas nas atuais experiências e atuações sociais e culturais, e estas por sua vez embaralham-se em contestação, experimentação, utilitarismo e mercado. Nesta confusão de suas essências, o risco das práticas se alienarem é constante e o conhecimento de perspectivas e visões quanto às questões sobre ciência, tecnologia, cultura, meios e formatos de transmissão de informação é fundamental para um investimento de desejos em ações sociais reformadoras. Pôr de cabeça para baixo os princípios disciplinares da midialogia e articular idéias de modo a fazê-las perigosas.


Como as práticas desafiam a teoria? Como as teorias inspiram as práticas? Como subverter a relação dialética teoria-prática? Qual IDÉIA aumenta a potência de ação dos corpos nos meios mecânicos / eletrônicos / digitais / biológicos / políticos / sociais?


Campos do conhecimento – principalmente áreas científicas tradicionalmente constituídas – relegaram pouca importância às relações entre subjetividades, limitando as vivências e as práticas ao mundo da literatura ou à condição de ‘relato’ ou ‘diário’ pessoal. E a idéia de que a realidade social é conhecida e transformada a partir das relações objetivas entre sujeitos, determinados por situações históricas, orienta diversos pensamentos e ações. Foucault (2002) ressalta que apenas em 1968 a questão das singularidades adquiriram uma dimensão política, “apesar da tradição marxista e apesar do Partido Comunista”. Tratava-se de “fazer passar o desejo para o lado da infra-estrutura, para o lado da produção, enquanto se fará passar a família, o eu e a pessoa para o lado da antiprodução.” (DELUZE & GUATARI, 1972). É interessante observar especialmente o contexto dos movimentos sociais surgidos a partir dos anos 1960/1970 (mulheres, homossexuais, negros, sem-terras, doentes em hospitais) etc., período de intensas modificações na concepção e, conseqüentemente, na própria ação política. Foi nesse período que surgiram organizações dissidentes das matrizes comunistas oficiais. Com a ruptura na tradição marxista, as lutas políticas particulares passam a ter sentido em si próprias, não convergindo mais, necessariamente, para um objetivo geral comum. A noção de sujeito político distancia-se do sujeito universal ao conceber focos territoriais específicos de transformação.


No Brasil, há uma renovação da cultura política da esquerda, que se reflete no entendimento do sujeito histórico ordinário, do cidadão comum. A
ultrapassagem possibilitada pela “insinuação do ordinário em campos científicos constituídos” é destacada por Michel de Certeau (2008) ao pensar nas relações entre teoria e prática. Uma consequência dessa mudança, da emergência do ordinário, é o aparecimento da cultura como campo compreensivo. “O enfoque da cultura começa quando o homem ordinário se torna o narrador, quando define o lugar (comum) do discurso e o espaço (anônimo) de seu desenvolvimento.” (CERTEAU, 2008, p. 63). E os relatos (práticas teóricas) têm papel definitivo nessa ultrapassagem, por serem “fundadores de espaços” (CEARTEAU, 2008, p. 209). Foucault (2002) refere-se a essa relação identificando a teoria com a própria prática, não apenas como sua expressão, tradução ou aplicação. E seu contemporâneo, Gilles Delleuze, refere-se a ele como um dos que, no domínio da teoria e da prática, primeiro considerou a perspectiva dos agentes, e falou da indignidade de falar pelos outros:


Quero dizer que se ridicularizava a representação, dizia-se que ela tinha acabado, mas não se tirava a consequência desta conversão ‘teórica’, isto é, que a teoria exigia que as pessoas a quem ela concerne falassem por elas próprias. (FOUCAULT, 2002, p. 72)

A idéia da indignidade de falar pelos outros, de exercer o poder, o fim do indivíduo alienado e sem singularidades, é fundamental para caracterizar a experiência que descrevemos. Experimentação que se remete não apenas ao território de trocas possibilitado pelo festival Submidialogia e seus (bons e maus) encontros, mas que envolve práticas e pensamentos disseminados nas atividades que adquirem maior intensidade num contexto, mais ou menos recente, de movimentos que tentam construir ações libertárias - portanto, ações contra as paixões tristes necessárias ao exercício do poder (SPINOZA, 2008) - muitas vezes tornadas possíveis por vias institucionais, penetrando as brechas e expondo as estratégias insólitas dessas mesmas instituições. Evidenciar e abalar essas fissuras pode ser entendido como uma “arte de fazer”, arte descrita por Certeau como práticas desviacionistas, de dissimulação: a sucata ou a bricolagem. A reutilização, do seu modo singular, das tecnologias disponíveis. Mais do que as edificações, as tecnologias e as instituições, são as ações humanas cotidianas e suas histórias - as práticas e as teorias na busca pela alegria - que moldam o mundo em que vivemos. Aqui é onde acontece o que não está previsto nos códigos de conduta, manuais ou no cinismo de muitas das normas que regem instituições e relações sociais.

Na instituição a servir se insinuam assim um estilo de trocas sociais, um estilo de invenções técnicas e um estilo de resistência moral, isto é, uma economia do dom (de generosidades como revanche), uma estética de golpes (de operações de artistas) e uma ética da tenacidade (mil maneiras de negar à ordem estabelecida o estatuto de lei, de sentido ou fatalidade) (CEARTEAU, 2008, p.88).

Não se sabe mensurar, entretanto – e nem se é possível fazê-lo pois não há medidas nem parâmetros definidos ou definitivos – o quanto essas práticas conseguem intensificar as fissuras ou mesmo se dá-se o efeito contrário: o quanto essas ações calcificam prévias fissuras.


Podemos pensar essas questões no contexto das políticas de apoio à implementação do Software Livre no Brasil. No texto
O impacto da sociedade civil (des)organizada (2005), é relatada a dificuldade em ampliar o apoio ao Software Livre para além da mera publicidade e o fato de que o tema é mais presente em fóruns e eventos públicos, que em ações governamentais efetivas. Os descompassos e dificuldades nas migrações de sistemas proprietários para sistemas livres são explicadas, em parte, pelo fato de os gerentes de tecnologia do setor público serem funcionários de carreira, que ocupam cargos estáveis, o que resulta em certa resistência à mudança. Entre as consequências dessa transição do uso de um sistema operacional proprietário para um sistema operacional livre e de código aberto - considerada uma profunda transformação de paradigma - está esse trabalho da sucata e da bricolagem, que podem ser identificados na Ação Cultura Digital do Ministério da Cultura, analisada no artigo supracitado. A Cultura Digital é definida não apenas pela troca de conhecimentos brutos e inadaptáveis, mas como “absurdo antropofágico, uma deglutição de conhecimentos” (VELOSO, 2008, p. 39). Processo que se traduz na organicidade construída, processualmente definida nos Pontos de Cultura, cuja práxis resultou numa nova concepção sobre a interação entre povo, políticas, economia da cultura, afetos e fios. É nessa realidade em que “aprende-se a editar vídeos e comer açaí com farinha” (VELOSO, 2008, p. 39), onde se reaprende a sabedoria perdida no tempo, nas redes, despertando novas dicotomias no campo cognitivo e sensorial e ampliando as ferramentas também de resistência ao poder:

Por um lado, acentua-se a pressão exercida pelo pós-industrialismo em afastar as histórias das pessoas delas mesmas, desterrando o conhecimento como fruto da consciência humana. Por outro, tais culturas ancestrais ainda possuem no discurso oral, no contato corporal, na música, na dança e em rituais coletivos a sua principal maneira de manter as relações quântico-familiares. (…) Agora, em contato com novas tecnologias de comunicação, informação e convívio, essas culturas se mostram, mais uma vez, resistentes ao cruel processo imposto pela sociedade pós-industrial. (BALBINO & RUIZ, 2008, p. 45)


Pois, ao estudarem a ferramenta tecnológica que lhes é apresentada, os indivíduos têm a possibilidade, com os sistemas livres, de construir pedaço por pedaço sua ferramenta, a seu jeito, para seus interesses, criando seus relatos na história com uma linguagem específica, que lhe é familiar, e que parte do sistema operacional escolhido para seus computadores ao formato de se trabalhar suas produções para satisfazer seus desejos em suas limitações ou aperfeiçoamentos tecnológicos. Entram assim em uma curva de aprendizado tecnológico - crítico e prático - que tende ao infinito. Não por acaso, essa curva têm um limite nos softwares proprietários (BACIC, 2003), estabelecido pelas instituições que ditam as regras a serem seguidas: que detêm o poder. Neste momento, a discussão teórica se mistura com a prática, se torna objeto (CERTEAU, 2008). E suscita a reflexão sobre as diferentes possibilidades para implementação de programas e políticas públicas que propõe uma horizontalização social através da incorporação das tecnologias da informação e comunicação pelos diversos cenários da tão rizomática e ressonante cultura brasileira. Quais os formatos práticos/teóricos para essa implementação (os afetos envolvidos nas relações); as ações políticas (a resolução da economia no campo da política); as tecnologias a serem utilizadas (suas ferramentas); e as expectativas sociais da associação cultura popular x tecnomídia (os desejos envolvidos).


Essas dimensões devem considerar três aspectos, um fundamental: o fato de que as políticas públicas convertem a economia num problema a ser resolvido eminentemente no campo da política. (MARINI, 2000, p.284). Não podemos simplesmente ignorar essa relação, que aparece, volta e meia, como um problema em suas muitas dimensões. Fica evidente se percebemos a relevância que os dados e indicadores econômicos têm na definição das políticas públicas de governos. Entendemos que a inter-relação políticas públicas e definições econômicas, a partir da influência (maléfica) das grandes corporações na implementação das políticas, é colocada em contradição evidente com os desejos dos estratos sociais que as concebem e as colocam em prática junto às comunidades, pessoas, coletivos…Campo de disputa complexa que apresenta a contradição essencial de colocar o lucro e o mercado confrontados com desejos emancipatórios. Aparece, ainda, um segundo aspecto - em outros desses problemas de um tempo em que não há o tempo das respostas simples: tempo em que talvez seja preciso mudar as perguntas - uma inversão do lugar material, uma outra dicotomia: de como é possível e do quanto é imprescindível a autonomia política, material, prática e teórica. Cabe, finalmente, interrogar-nos sobre a dimensão do tensionamento da dicotomia entre esses dois aspectos. Como essas práticas cotidianas influenciam um cenário macropolítico e como sermos responsáveis por nossas
idéias perigosas?

I. Introdução

1. Submidialogias: teoria, pratica, sujeito, subjetividade, técnica

1.1 teoria x pratica # teoria = pratica

1.2 sujeito e subjetividade

1.3 festival submidialogia

1.4 outros movimentos

1.5 conclusão: o domínio da técnica

  1. A inventar cotidianos: Certeau e o quanto essas acoes surtem efeito

2.1 Implementação de politicas publicas que propõe a horizontalização social através das tics na cultura

2.1.1 Programas Gesac, Pontos de Cultura, Casa Brasil = apresentação

2.1.2 Aspectos para analise

2.1.2.1 resolução da economia na politica e influencia maléfica das corporações

2.1.2.2 sobre autonomia, ecologias, permaculturas, agroecologias, economias solidarias

2.1.2.3 tensionamento da dicotomia

2.1.3 analise dos programas

2.1.3.1 acoes politicas

2.1.3.1.1 gesac e a industria militar

2.1.3.1.2 Pontos de Cultura, PNUD e a cultura como mercado e não mercadoria

2.1.3.2 ferramentas: tecnologia como arte e mais uma vez o domínio da técnica

2.1.3.3 os afetos envolvidos

2.1.3.3.1 teoria como pratica

2.1.3.3.2 metodologia da implementação

2.1.3.3.3 os desejos das multitudes

2.1.3.3.4 Pontos de Cultura e Casa Brasil: metodologias diferentes, diferentes resultados

3. Conclusão: a-própria-ação dos conceitos


Referências

BACIC, N.M. O software livre como alternativa ao aprisionamento tecnológico imposto pelo software proprietário. Campinas: Unicamp, 2003. Disponível em http://www.rau-tu.unicamp.br/nou-rau/softwarelivre/document/?down=107

BALBINO, José; RUIZ, Ricardo. Anotações do Balcão do Sr. Didi in: Apropriações Tecnológicas: Emergência de textos, idéias e imagens do Submidialogia#3 (org. Karla Schuch Brunet). Salvador, BA: EDUFBA, 2008.


CERTEAU, Michel de. A invenção do cotidiano: Artes de fazer. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Deleuze e Guattari se explicam. 1972 in: A ilha deserta. São Paulo, SP, Iluminuras, 2008


ESPINOSA, Baruch de. Ética. São Paulo, SP: Autêntica, 2008.

__ _ _ _ _ _ Tratado Teológico-Político. São Paulo, SP: Martins Fontes, 2008.


FOINA, Ariel; FONSECA, Felipe; FREIRE, Alexandre. O impacto da sociedade civil (des)Organizada: Cultura Digital, os Articuladores e Software Livre no Projeto dos Pontos de Cultura do Minc

http://pub.descentro.org/o_impacto_da_sociedade_civil_des_organiza

FOUCAULT, Michel. Os intelectuais e o poder: conversa entre Michel Foucault e Gilles Deleuze. in: Microfísica do Poder. São Paulo: Edições Graal, 2002


MARINI, Ruy Mauro. Dialética da dependência. Petrópolis, RJ: Vozes, 2000


VELOSO, Adriana. Pontos de Cultura, novas mídias, educação e democracia: Reflexões sobre o contexto de uma mudança estrutural no Brasil. in: Apropriações Tecnológicas: Emergência de textos, idéias e imagens do Submidialogia#3 (org. Karla Schuch Brunet). Salvador, BA: EDUFBA, 2008.

Submundixlogix

QUASE INFINITO E/OU APODRECE E VIRA ADUBO SUBMIDIÁTICO

Abordar modos de sobrevivência. Anotações sobre existência. Refletir sobre diferentes exercícios. Identificar e ecoar alerta sobre instâncias opressoras (e o sentido de significá-las), apontar o acesso ao conhecimento não aparente como princípio emancipatório frente a tais estruturas castradoras. Transitar táticas, experiências, circulações, compartilhar procedimentos de não perpetuação dos modelos inadequáveis, indesejáveis, insustentáveis, insuportáveis... A liberdade trata também da mobilização e difusão dessas práticas.

O abandono da civilização genocida e o sexo único. No modelo de civilização exploratório, prejudicial, o desperdício esgota recursos naturais em canto de descaso, promovido por um progresso pseudo-ordenado. Incentivo ao consumo é técnica de hipnotismo. Planificação das relações estagnadas em autoritarismo e exclusão. Sua pauta é a ratificação da família nuclear baseada na figura do pai, substanciada em lastros históricos como o domínio por herança. Promove a limitação da existência a condição de atores fixos não humanizados, e explora parcelas da população divididas basicamente em classe e gênero. O que torna impossível o permanecimento nesse sistema segregador, já que optamos pela plena atividade criativa dos seres. Constatando as desorientações dessa existência nos declaramos responsáveis pela não perpetuação das idéias e práticas desse mundo, agimos para seu desmantelamento e nos sentimos satisfeitos com seu aniquilamento não espetacular.

Família como sinônimo de "idéia de família". Diferentemente da noção do remoto sexo único - a considerar mulher como homem atrofiado - dele derivado - reivindicamos o sexo único em respeito as características peculiares dos seres humanos, complexo irredutível a dubiedade mulher/homem. Criticamos a premissa hegemônica de gênero a partir da concepção biológica e natural que desconsidera outros fatores, a exemplo o social, agente de/em construção.

Satélites a deriva, sobrevoam insetos meteoritos. Satélites artificiais - congestionamento espacial, lixo tecnológico paira sobre cabeças - objetos identificados aos monopólios das telecomunicações - projetos militares - abarcam diversos objetivos, entre eles o controle da comunicação, o climático catastrófico, passando do mapeamento à espionagem, voyeurs unioculares voltados ao controle. Rompe o pleroma da estratosfera um mistério de soberania de técnicas espaçocratas. Aparelhos conceituais concretizam-se em projéteis. MSST. Movimento dos sem sátelite. Utopia ou Distopia? Seria delírio a conspiração autônoma em busca do lançamento de satélites? Lixo e mais lixo no espaço. A nova geração fazendo passeatas pela reciclagem dos satélites. Paralelos Epistemológicos. Percepção em hypertexto. Acordo ortográfico. Alfabetizados agora ficcionam a novílingua. Sem trema. O Miguxês. Crianças no Orkut e no Google Docs estão vivendo simulacros reais. Ontologia do voyerismo de scraps. Redes Sociais. Shopping Centers são infovias fechadas em rotas de pacotes precisos de dados. Dinheiro ganho, dinheiro gasto. Dinheiro impresso, empréstimo. Espaço. Jogo de colisões e inércia. Retoma o pleroma para o campo ciência. Sintaxe como álgebra. Metafísica do materialismo dialético em eterno retorno de uma mais valia perdida. Luzes apagadas. Sociedade do audiovisual. Cheiro de banheiro. Fome. Desejo. Não-Fome.

Calendários. Espelhos.
A política do arrebatamento e as negociações para além do humano. Desde antes da prática da venda de terrenos no Céu temos o estabelecimento de um mercado do dogma, hoje estendido a vários outros ramos além do imobiliário; moda, música, atitude, automobilismo, futebol, mídias de massa. Não ter a opção, somente ser aterrado por uma avalanche de simbologias ditas sólidas e milenares para deixar a vida para uma próxima, eternidade muito aquém de ser alcançada. A qualidade de vida e a proporção do medo - contra as ideologias que promovem a insegurança e o temor. Quando se abandona o lamento resta a condição de agentes das ações - transformação, sujeito integrante de um ambiente onde não se está sozinho - dialógico com as comunidades e circuitos pelos quais transita. (contrário da postura heróica) relações interpessoais. Os vegetais e a grande trepadeira do sistema: orgânicos como moda. Agrotóxicos são os temperos de uma dieta alimentar pobre e envenenada. Não se conhece o que se come, nem sequer se sente o gosto. Carne é crime, fome é foda. Não se sabe o que fazer com os entulhantes dejetos. Cachorros e outros estimados animais domésticos são levados todas as tardes para passear, idiotia urbana, cativeiro e escravidão no âmbito animalesco das indústrias de ração e produtos cosméticos veterinários. Sinuca da simulação, sarna, estado de óbito, verticências...

Sem bússola, mensagem na garrafa, quase uma reza. Cadência no ritmo das frases, mesmo sem rima. 15 sílabas e alguém querendo mais que formas.
Eu penso, tu falas, ele escuta, ela decide. Alem de gêneros e plurais. Um motivo, um avião decola, Itaipú segue imponente sobre as 7 quedas, ali na esquina. Ali na esquina. Um despacho. Mo-ti-vo pra cir-cu-lar por baixo de tudo, força motriz, 7 quedas. impulso; desvios; significados; cruzamentos lingüísticos; mais-valia; ethos; desmontes das bombas; Então responda-nos, em fluxo mais fluído. Léxicos em queda, definindo afluentes: A tríplice fronteira e a aliança neoliberal numa velocidade espiral. Segurança defronte ao labirinto abismo. Extensão das formas fixas, mestiçagem da alucinação contra as forças centripetas de estagnação pela ordem segundo interesses parciais, indiferentes, das suas decisões imposições, efeito dominó: opressão. Espaço de disputa desigual, tédio de inexpressividade e alienação.

Acesso ao sonho crítico. Verdade do planeta. Sânscrito e latim para macacos. Selvageria as avessas. Na entrada e na saída, buraco úmido. A bula do cosmos. Gênese. A E I O U. Escolha suas consoantes. Morda a teta.

1 In nova fert animus mutatas dicere formas
2 corpora; di, coeptis (nam vos mutastis et illas)
3 adspirate meis primaque ab origine mundi
4 ad mea perpetuum deducite tempora carmen!
5 Ante mare et terras et quod tegit omnia caelum
6 unus erat toto naturae vultus in orbe,
7 quem dixere chaos: rudis indigestaque moles
8 nec quicquam nisi pondus iners congestaque eodem
9 non bene iunctarum discordia semina rerum.

Automatismo do mistério. Metamorfosis de Ovídio. Salsa e cebolinha na retórica acadêmica. Declaração da precária condição do sistema artístico e suas trocas. Vamos a pastelaria. Pastel. Pastelaria. Pastelão. Pastiche. cientista: Quem não tem ciência atire a primeira tese.

inconscientista:...
artista: Faz desfazendo.
anti-artista: Desfaz fazendo.
aartista: preposição.
pasteleiro: O papel da estética na busca por articulação de uma solução
básica para problemas de sobrevivência feito de modo a estimular catarse coletiva por alegorias de uma forma ideal destes objetos que conduzem e satisfazem demandas das mais fisiológicas. Demandas, necessidades pulsionais. A Arte do Pastel desengordurado. Papel Absorve os excessos. Chistes salgam a massa com algum Ethos arbitrário determinado pelos mais escamoteados recalques de algum tipo de desejo por significar. Algo além da fome?

Servidão e/ou processos artísticos. Caleidoscópio, seja qualquer lado que gire novas formas e novas expressões vem à luz. Cubo da mais-valia : apresenta um número finito de superfícies planas, seis quadriláteros, em cada um dos lados do cubo pixa-se: Babel.

Trabalho escravo. Um ônibus na estrada. Tratava-se evidentemente de trabalhadores assalariados, um deles tinha a cabeça encostada na janela e sustentada por uma fralda com a imagem de Dayse Margarida Disney, a namorada do Pato Donald. Plante. Operação vão no vácuo. Olhar sub mundo das coisas. Uma experiência de olhar como se estivesse um passo atrás, como no estranhamento, alguém observa-se em ação. Um olhar sub mundo. Após o encontro aqui - outro lado dali - vem entoar o mantra, grito ao sustento.

Tomada de recisão. Desescalada dos puleiros das instituições que promovem vínculos empregatícios. O líder foi liderado. Os retornos dos trabalhadores para nunca mais voltarem - tempo de extinção dos contratos e vínculos empregatícios - extinção da exploração, da mão de obra.

Quero estudar. Alguém pode me dizer como posso estudar? R.: Ela não fala em Escola. Escola: espaço social ao qual tenho direito assegurado e o dever de usufruí-lo. Quem não tem, sente falta, desvantagem como moral de exclusão. Caminho: para difundir experiências e práticas próprias da comunidade como formas de sabedorias e conhecimentos singulares, valiosos. Conhecimentos institucionalizados, legitimados. Conhecimento informal. Escola problema solução, passar a valorizar a pessoa (por) e suas vivências, princípio dela mesma, nela se encontra. Já era pedagogia do poder, implosão da escola, movimentos de moralização e disciplina militarizante berram, ainda esperam por filas paralelas e carteiras desconfortáveis entulhadas em uma sala controle. Uma educação desvinculada de obrigatoriedade, da formação curricular carreirista. Pós-dia, liberdade para as crianças, adolescentes e jovens enclausurados por meio período (em certos casos período integral) por cerca de 20 anos. Outras formas de acesso ao conhecimento que não impliquem em enclausuramento. Perseguição ao analfabetismo : a moral que a sociedade ejacula sobre si mesma no mundo vazio. Pintar fora das linhas, fora das páginas. Sabedorias, conhecimentos que não são legitimados excêntrificados. Sabedorias, conhecimentos hegemônicos (leitura, escrita) como herança da humanidade, enraizamento em livros sagrados/épicos - erudição secular, dádiva dos deuses.

Empobrecimento : superstição de ficar presx no tempo - cimento sossego (ou seja, a lápide clássica que envolve os corpos cansados demais, pesados demais, leves demais, sujos demais, puros demais, alegres demais, tristes demais, mutantes demais e demais corpos). Instinto : sabedoria vivência virulência afirmação negação justaposição negação afirmação questionamento. Econ0mídia : na hierarquia dos demônios os que tem um chifre são devorados pelos que tem dois ou três chifres. Monstruosos dentes de leão. Criar um sistema economico baseado em trocas mútuas - prática da abundância - atuações compartilhadas.

Ilusão: tomada de recisão. Tudo isso, a idéia e idéia de conhecimento são muito parecidas, a universalidade de conhecimentos amplia os universos. Impossibilidade de mensurar o inconsciente. O pensamento hegemoniza parte do ser, existência subordinada a linguagem. O limite do pensamento, concretude de pensamento, ato de ampliar a história pelo pensamento. Paradoxo - ampliação de algo que não se condiciona a ser mensurado. A racionalidade, a que se auto define como estratégia de sobrevivência pra esse mundo específico, bum.

Perseguição ao escravo hiper-necessário. Capitalismo ecológico. Treinamento. O homem antiautoritário sucumbiu ao tubo de raios catódicos e às várias ondas.

Outras possibilidades além do capitalismo, sem tentativas comparativas: Nenhum tipo de outro capitalismo. Possibilidade de circulação de comunidades móveis, nômades. Nomadismo de idéias, capacidade de se adaptar a qualquer tipo de pensamento. Flutuar por um imenso espaço volátil de idéias ou estabelecer bases para o questionamento do entorno?

Como desmontar as cidades. Destruir as estradas e cemitérios; quebrar os muros; jogar fora todas aschaves e cadeados; fissão nuclear espontânea dos regimes controladores e prefeituras; mas se a fissão for espontânea teremos que ficar esperando? Podemos acelerar o processo "espontâneo" provocando modificações climáticas, aplicando fertilizantes, no que poderia acarretar tais acontecimentos para tanto é preciso ainda apontar quais as atitudes para se chegar a isso: fim dos meios de transporte poluentes; busca de moradias que refletem a personalidade e não a classe social; fim da propriedade, do medo das trocas, dos aparatos do poder; neocolonialismo, neocorrupção; de qualquer possibilidade de considerar forças que nos oprimem; da indução que aceitemos os males do mundo e que nos acostumemos a viver com eles; das hierarquias, da repressão sexual, do autoritarismo, da sociedade tecnocrática, competitiva, individualista e consumista, da nação, das olimpíadas, do superhumano, dos recordes, da discriminação e do preconceito; do lucro; da carne; dos conservantes, acidulantes, da química alimentícia, da produção de lixo, da utopia das metrópoles, da crítica inexpressiva, da polícia e do exército, das armas, do estabelecimento da guerra, da sociedade de classes unidimensionais: com sua capacidade de uma classe absorver outras tornando-as não-contestadoras e acomodadas, da alienação; das formas sofisticadas de controle social e repressão (arte, tecnologia,...); do mercado; das ruas; do anacronismo, da miséria, das especulações; doscontratos, cartórios e burocracias; de rastejar, do mundo;

Continuação dos suicídios;
Retomada do plantio natural;

Início de outras possibilidades; outras trocas; da subsistência; das sociedades solidárias e igualitárias; da construção de jardins; da recuperação dos rios; do estabelecimento de ligações; relações uns entre outros, cooperativas e não-competitivas;

Lago imenso negro de idéias. Lago negro imenso de idéias (in)justiça? exuberância de sensações; não nos responsabilizarmos por quem somos; Respondemos por algumas coisas que fazemos, somos quem somos. E daí? Caralho! nos sentirmos bem em relação a vida; nós: tomando decisões e assumindo as conseqüências. As ações fazem diferença. Observadores passivos.

Educação, mutação de pontos de vista, práxis, idéia de liberdade, experiências sobre liberdade. liberdade é uma construção do pensamento e uma realidade do corpo em situações extremas, idéias, imagine por conta das catástrofes nas contas bancárias dos aristocratas. Quem são os aristocratas no caso de liberdade existem conceitos, os de pensadores sobre liberdade. A nossa liberdade. Desafie o Estado escravo das corporações! A resistência não é fútil!A criatividade e o espírito humano dinâmico que recusa-se a submeter-se! Voto - participação ocasional e puramente simbólica da liberdade. Escolher entre o fantoche A ou o fantoche B. Ostentação, frivolidade, desastre, merda, parasitismo, dominação, moralidade… guerra, predação. Favela, doze horas na rua, exercício de pureza. Moradia em trânsito, pessoas e movimento e probreza e uma forma de organização não nuclear. Inalienável. Sexo e abandono.

Movimento dos Sem-Satélite (msst). Comunidade de artesãos de bits e volts, poetas humanistas, cientistas nômades, para onde estamos indo? Confio no pulso dos seus passos, nossa revolução é o próximo segundo e o desafio constante de não render-se ao conformismo de simplesmente entreter-se ou entreter, distraindo o fato de que vivemos além da história, dos muros, da semelhança dos corpos e suas consagüinidades. Queremos um ecossistema condizente com toda esta pirotecnia prometéica de um suposto ser vivo Sapiens, uma simbiose duradoura e enfim poder pensar em criar e imaginar outros espaços e formas para todo esse conhecimento que mantemos aceso nesta chama. Mas se ainda hoje nossos semelhantes marcham por um pedaço de chão para sobreviver, e alienam seus instintos mais criativos em busca de algum reconhecimento dentro de uma esmagadora cultura de consumo auto destrutivo, nos deparamos com a questão: qual o papel que nós aqui já alimentados e abrigados temos em pensar numa soberania e transmissão de conhecimentos que buscam reverter esta pulsão auto destrutiva da humanidade? A conjectura deste manifesto é em função de apontar uma necessidade pontual no horizonte: Criaremos nosso primeiro satélite feito à mão emandaremos ao espaço sideral entulhado de satélites industriais corporativos e governamentais. Será nosso satélite capaz de tornar nossas redes ainda mais autônomas? Ou o caminho é repensar toda atual estrutura de nossa tecnocracia e ciência a ponto de decidirmos estratégicamente um caminho totalmente diferente? Qual?? Muito mais que cobaias da Tecnocracia!

Sonhando e Dançando: marcham os Sem-Satélite…

Vertigem: diálogos e prospecções a partir da memória do lugar

Ação direta. Pontes. Amizade. Rio. Paraná. Fronteira. Brasil. Paraguai. Fraternidade. Iguaçu. Argentina. Sudoeste. Limite. Natural. Político. Lugares. Experiência. Percepção. Simbólico. Ambiente. Desencadeamento. Situações criativas. Contato. (tempo/espaço). Relação. Pessoas. Encontro. Atitude. Diluir. Reverberar. Troca. Político-geográfico. Sensação/memória. Agora. Lembrança. Prospecção. Diálogo. Cultural. Vizinhos. História. Conexões. Contrastes. Conteúdo. Material. Implicações. Mídia impressa. Audiovisual. Web. Porção de mundo. Demandas identitárias. Fatores externos. Políticas de controle. Exclusão. Dinâmica. Fundamento. Unidade. Transgressão. Norma. Tríplice. Geologia. Intervenção. Humano. Civilizatório. Produto. Engenharia. Estratégia. Ocupação. Entrelaçamento. Trânsito. Sobreposições. Regras. Observação. Exercício. Questionamento. Transitoriedade. Estar. Trabalho. Embate. Imagens mentais. Vivência. Espaço público. Fluxo cotidiano.

ao invés de mas devolvem - dialogam com Sonhos, desejos e projeções calcados em modelos de identidade e felicidade em meio aos confrontos do cotidiano. ilusão/desilusão

Irreversibilidade. Acontecimentos. Inscrições. Reflexão. Concepções. Subjetividades. Expectativa. Respeito. Presente. Futuro. Existência. e/ou. Presença. Outro. Projeções. Códigos. Situações transitórias. Fronteiriças. Propósito. Interligar. Transpor. Transbordar. Materializar. Ultrapassar. Penetrar. Realidade. Marca. Obcessão. Identidade. Estados. Nações. Mercados. Invenção. Passado. Crise. Obstáculos. Princípio. Mundo. Síntese. Social. Disparidades. Manifestações. Entrecruzar. Irrevogável. Subordinação. Projeto. Adaptação. Condição. Comunicação. Alteridade. Camada. Movimento. Vertigem. Ancestral. Águas. Marginal. Deriva. Ambulante. Colaboradas. Coletividade. Autogestão. Autonomia. Descartografia. Registro. Acervo. Circulação. Distribuição.

A ação é baseada no estatuto do lugar: "A ponte reúne enquanto passagem que atravessa", disseram.

Orientações

Como o processo foi conduzido:

Comentários Pajé

2008/11/26 paulo lara
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Ei geral !!!

eu li e achei bem bom. mando no anexo algumas pequenas sugestões de escrita e afinação de alguns conceitos.

Pelo que entendi, a idéia é trabalhar basicamente com 3 eixos,

cotidiano / artes de fazer
filosofia da imersão / afeto
políticas públicas

Se a idéia é compreender os dois primeiros para questionar ou criticar as políticas públicas, acho interessante, pq os dispositivos do Estado tem muita força contra (ou segundo alguns até se opõe) a este tipo de aproximação alternativa dos agenciamentos.

Talvez uma olhada no althusser (aparelhos ideológicos de estado) fosse uma boa.
Não sei se entendi qual seria a pergunta do projeto, tipo, como agrupar os 3 eixos numa pesquisa. Mas o caminho do teto ta bem interessante neste sentido.

Tem um problema metodológico que é como juntar deleuze e os filósofos num trabalho empírico de políticas públicas, isso pode render uma salada. mas vamos conversando. Talvez recortar o que os programas puderam trazer de 'momentos' (táticas, cotidianos) que possibilitam uma inversão das relações dominantes, éticas e morais. Mas daí teria que achar um sujeito pra estudar, tipo os usuários dos programas, os implementadores, a própria metodologias, tals.....

Tem outra coisa, os autores estão muito próximos de um estudo da técnica, e no projeto pelo menos não há muita menção a discussão do papel da tecnologia enquanto problema a ser enfrentado quando lidamos com novas formas de relação. talvez, uma pequena discussão sobre isso pudesse elucidar e abrir uma possibilidade interessante.

é isso, se vier mais bobagem a minha cabeça, escrevo.

beijos.

Comentários Tai

oi gente,
eu tinha lido já e gostei muito! sugeriria, com relação à metodologia, que não fosse o estudo da "implementação de dois programas governamentais de inclusão digital entre 2004 e 2007: Cultura Digital, do Ministério da Cultura, e GESAC – Governo Eletrônico Serviço de Atendimento ao Cidadão, do Ministério das Comunicações".

Acho que poderiamos ampliar pra caber coisas que são dentro e fora disso... outras experiências. Então, mesmo que pareça vago, algo como "estudo das experiências governamentais (políticas públicas), autonomas, intercomunitárias (?), transterritoriais... no uso e implementação de tecnologias livres/mídias táticas no Brasil."

Talvez fique amplo demais, mas acho que dá mais liberdade para a contação de histórias, mais que estudos de caso específicos, com metodologias bem definidas.

Esses dias fui falar pra uns alunos de letras sobre pesquisa e essa coisa de áreas diferentes, daí a professora me disse que até dava pra abrir nas metodologias, mas não "escancarar". Seria possível, "metodologia escancarada"?

relevem as viagens...

bjux

Relatório de Pesquisa

Título do Projeto de Pesquisa em Andamento: 
GAMB+i: Grupo Autodidata de Metodologias Bem + inteligentes:
Políticas Públicas, afeto e as artes de fazer 
 
Bolsista: Ricardo Ruiz Freire
Coordenador: Alexandre Freire 
Instituição: Descentro: nó emergente de ações colaborativas

 
ATIVIDADES DESENVOLVIDAS PELO BOLSISTA
Período referente: Janeiro de 2009 a Agosto de 2009. 
1. Leitura Bibliográfica
Foi feito o estudo dos seguintes títulos:
Mil Platôs: Capitalismo e Esquizofrenia, de Deluze e Guatarri, Vol. 1 ao 5. Uma narrativa art-noveau do capitalismo como um corpo sem órgão que co-habita o planeta com os seres humanos, alimentado por uma máquinas-de-devir entre estado, nomades, pessoas. Um sistema esquizofrenico onde os que o rejeitam são considerados os doentes.

A ilha deserta: coleão de artigos, entrevistas e aulas de Deleuze por entre sua pesquisa vida-acadêmica em filosofia.

A lógica do sentido: Deleuze delibera sobre os paradoxos sempre constantes da linguagem, seus sentidos, os coelhos e alices no mundo de possibilidades ambíguas dos estóicos.

Sobre o nomadismo, de Michel Maffesoli: comentários psytrance sobre as logicas nômades x estado propostas por Deleuze alí atrás.

A invenção do Cotidiano, Volume 1: artes de fazer, volume 2. morar e cozinhar. O primeiro tomo desta obra prima, Artes de Fazer, foi escrito por Michel de Certeau. Já o segundo tomo, Morar, cozinhar, foi escrito pelo autor em parceria com Luce Giard e Pierre Mayol. Começando pelo segundo volume, tratae de uma análise psico-social com fartos detalhes do cotidiano de um determinado bairro de Paris. Esse estudo, de dez anos, dá a base social necessária para as idéias desenvolvidas no primeiro tomo da obra, Artes de fazer, onde o autor nos saborei com a descoberta dos pequenos detalhes do dia-a-dia como a mais nobre das artes humanas, a que abre experiencias sensoriais e mantém o convivio social, as que podem interferir nas brechas do sistema, as que podem construir as verdadeiras historias que devem ser preservadas quando se busca a revitalização de um bairro decadente em uma cidade tão grande como paris. A restauração dos edifícios, e não das histórias, é um erro para a pólis.

Apropriações Tecnológicas: emergência de textos, imagens e idéias do submidialogia #3, organizado pela Karla e onde deu pra encontrar base pra idéis defendidas no texto final.

Ética, de spinoza: obra-prima da filosofia ocidental, nos mostra quao simpes é facil encontrarmos o caminho único, um só caminho, na alegria, nos bons afetos, nos bons encontros, tendo assim uma vida feliz e de amor pleno, em parceria com o pensamento de deus, força eterna, infinita, sempre alegre, o amor como criador. Tudo isso provado geometricamente.

Tratado teológico-político, de spinoza: não satisfeito em provar a existencia de deus e o sentido da vida lá em 1750, spinoza resolve ler detalhadamente, em todas as suas traduções e versões originais, as Escrituras, com atenção especial para a primeira fase do primeiro testamento, que vai do genesis até os reis dos reis. Contando a historia do estado judaico, nos mostra como a politica e a religiao se interligaram para a construção de um estado forte, embora nôamde. Delírio ao descobrir que Esdras é quem provavelmente escreveu boa parte da biblia, uma descrição clara dos profetas que só pregaram o amor (o que ele descobriu e provou geometricamente lá na ética), jesus como um profeta que viveu em amor, assim como muitos outros e tal. Tambem mostra a importancia de jesus ao dizeer que o povo judeu nao era o escolhido por deus, estuda a linguagem hebraica pra provar isso, delícia de texto. Não é a toa que a igreja católica e o judaísmo excomungaram o rapaz. Sorte que ele morava na holanda, terra onde prostituição é permitido. Morreu sozinho. Provavelmente, feliz.

Dialética da Dependência, de Ruy Mauro Marini, obra prima da economia radical brasileira. Se ainda não leu, leia.

Dezenas de textos esparramados pela web, como o mapping digital cuklture do felipe fonseca e da bronac ferran, uma serie de entrevistas entre focault e deleuze, o texto de ariel, alexandre e felipe, e por aí vai.

3. Entrevistas
Não foram feitas entrevistas, o tempo se mostrou curto e o assunto a ser estudado, amplo.

Mas acabei dando uma entrevista, disponível aqui: http://pub.descentro.org/wiki/entrevistando_crise_pol%C3%ADticas_de_incentuivo_%C3%A0_arte_durante_crise

4. Dissertação
Juntamente com Thais Brito, que também orientava a pesquisa, foi escrito um texto que aponta a problemática a ser estudada, além de disponibilizar um possível sumário para possíveis pesquisas a se desdobrarem, disponível em: http://pub.descentro.org/wiki/id%C3%A9ias_perigosas_um_estudo_do_cotidiano

Ricardo Ruiz Freire
Bahia, 16 de setembro de 2009.

Termo de outorga e aceitação de bolsa

Outorgado: Ricardo Ruiz Freire

CPF: xxxxyyyy-zz

Endereço: Rua Alto da Alegria, 16, 41905-645, Salvador, BA 

Projeto: Gamb+i – Grupo Autodidata de Metodologias Bem + inteligentes: Políticas públicas, afeto e as artes de fazer.

Orientador: Prof. Alexandre Freire da Silva

Início da bolsa: 01/01/2010

Duração: 06 meses

Modalidade da bolsa: Pesquisador Nível Zion

Forma de pagamento: Depósito mensal em conta corrente no segundo dia útil do mês subseqüente ao vencido.

Valor mensal: Conforme tabela em vigor do projeto de Pesquisa GAMB+i: Grupo Autodidata de Metodologias Bem + inteligentes

Relatórios: 01 de Julho de 2010 

Obs: Os recursos para o desenvolvimento deste projeto serão obtidos do Projeto de Pesquisa Ref:0007-08: FUNDO DO DOIDÃO, condicionado a existência de valores em caixa providos pelo Descentro: nó emergente de ações colaborativas.

O bolsista declara ter ciência de que o pagamento das bolsas nos prazos estipulados acima está condicionado à existência desses valores depositados no Projeto de Pesquisa Ref:0007-08. 

Projeto Interfaces

APRESENTAÇÃO E JUSTIFICATIVA DA PROPOSTA

Em meados da década de 2000, em Curitiba, verifica-se a presença de algumas iniciativas de artistas que através de ações colaborativas viabilizaram projetos de ocupação e reelaboração de espaços voltados à pesquisa, ao relacionamento, à criação e difusão de ações processuais abertas e participativas. Inserida neste cenário está a Orquestra Organismo, um grupo de artistas interdisciplinares que dentre seus variados fluxos empenham-se em refletir os impactos do desenvolvimento tecnológico sobre a sociedade, vivenciando a cultura digital, seja ao atuar pelos seus meios - como a Internet - ou na investigação dos seus recursos - como os hardwares e softwares livres.

O projeto Interfaces é uma iniciativa do Coletivo Orquestra Organismo, almeja em um primeiro momento pesquisar possibilidades de elaboração de objetos (Interfaces) que possibilitarão experiências sensoriais e audiovisuais nas ações presenciais previstas para o período da exposição. Tais objetos mesclam procedimentos plásticos e artesanais, tais como escultura, marcenaria e luthieria, aos da ciência da computação e da eletrônica (programação, sensores e hardwares dedicados). Estes objetos usam a tecnologia de softwares e hardwares livres para resgatar o aspecto táctil e não condicionado a elementos derivados de produções industriais (reciclagem industrial). Propõem problematizar às Artes os materiais e conhecimentos tecnológicos, bem como seus procedimentos criativos que, apesar de estarem discriminados ao campo “técnico”, são matérias-primas com enorme potencial poético.

Em um segundo momento está a realização de uma ação poética presencial (ritual) no espaço ofertado pela Fundação durante o período da exposição (ver cronograma). Esta ação, de modo aberto e participativo, pretende propiciar ao público o contato direto, face a face, com os integrantes do grupo Orquestra Organismo, compreendendo assim seu modo de trabalho e oportunizando uma rede trocas de conhecimentos que prima pelo caráter processual, relacional e vivencial das experiências a serem realizadas in loco com os objetos previamente construídos.

Ainda como parte do projeto Interfaces, há o processo poético documental de todo processo, culminando em um conjunto de dados que mescla áudio, video, imagens fotográficas, grafismos e textos, que serão expostos durante a exposição e também publicados em sítio próprio a ser construído ao longo de todo o projeto http://www.organismo.art.br/interfaces.

Os objetivos do presente projeto são:

1)Criar objetos que possibilitem percepções espaciais, sonoras, corpóreas nas ações ritualísticas previstas para a exposição, fazendo com que o desenvolvimento plástico, simbólico, tecnológico, documental e vivencial andem juntos; e, ao mesmo tempo, trazendo para o campo poético e relacional a possibilidade de pensar as máquinas que nos cercam hoje, como ferramentas criadas por seres humanos e que contribuem na formatação da linguagem, das relações sociais e da cultura;
2)Estimular entre os artistas e comunidade o uso de tecnologias livres, posto que softwares e hardwares livres são hoje no mundo todo maneiras de compartilhar conhecimentos relevantes que até então eram vistos como “segredos industriais”. Desta maneira, proporcionando novas experiências e reflexões sobre a relação entre homem e máquina, a possibilidade do jogo e da brincadeira do artístico;
3)Propiciar o encontro entre público e artistas envolvidos em um espaço institucional, refletindo sobre novos modos que ocupação e práticas nos circuitos oficiais de arte;
4)Criar e repensar métodos e formas de documentação poética geradas durante ações processuais e acontecimentos artísticos, bem como a interelação das diferentes linguagens, suportes e meios .
Interfaces pretende pensar e fazer as formas de atuação nos circuitos das artes. Com ênfase no processo, dá abertura à experimentação, sensorialidade, gestualidade e percepções do espaço expositivo. Visa também, refletir a relação do homem com a tecnologia e com os objetos que o cercam, possibilitando ainda o compartilhamento e trocas de conhecimentos entre as pessoas que vierem a colaborar na ação. Nesta perspectiva torna-se possível novos rituais e celebrações, onde a tecnologia é percebida na dimensão humana e onde potencializamos a recombinação de idéias poéticas, tirando destas idéias práticas de fomentar novas redes.
Este projeto será executado por membros da Orquestra Organismo, o qual é composto por Lúcio de Araújo , Glerm Soares , Lucida Sans (Simone Bittencourt) e Octávio Camargo, grupo multidisciplinar com experiência em arte, música, teatro e ativismo em meios eletrônicos. Para maiores informações sobre o trabalho do coletivo, ver currículos e portfolio em anexo.
As formas de atuação dos artistas comprometidos neste projeto, as situações por eles inventadas e métodos praticados fornecem material para detectar relações e peculiaridades com outros grupos e comunidades. Essas iniciativas indicam uma vontade de dialogar com o mundo por questões próprias da contemponeidade. Para isso, desempenham esforços na construção de um ambiente em constante remodelação, um circuito próprio e interdependente, onde é possível agir com maior autonomia e liberdade.

Contrapartida

A cada semana da exposição, a Orquestra Organismo se compromete a ocupar presencialmente o espaço expositivo por dois dias da semana, em datas e horários a serem combinados junto à Fundação, do início ao término da mesma, com intuito de estabelecer trocas e contatos com o público, artistas e funcionários da Fundação, além de realizar e conduzir experimentações com as Interfaces criadas no espaço de exposição. Destas experiências, um novo leque de documentação será gerado, realimentando tanto a própria exposição, como o sítio virtual.
Conforme edital será doado um dos objetos (Interfaces) que comporão a exposição, mais uma cópia da documetanção disponível referente ao projeto, este em formato de mídia digital DVD.
Compromentemos também em participar em 01 (uma) mesa redonda para explanação do processo de trabalho, cujo local poderá ser definido pela Fundação Cultural de Curitiba.
O processo de todo projeto prima por um intercâmbio cultural com outros circuitos, também coloca uma perspectiva de construção de um saber e de um movimento artístico coletivo, moldado de maneira fluida através dos anos por vários artistas curitibanos com interação de muitos outros colaboradores, inclusive de outras redes, em troca direta com as possibilidades de interação remota propiciada pelos
aparatos tecnológicos de rede, a interação remota dos artistas curitibanos com outros circuitos nacionais e até internacionais, potencializados por redes de artistas e ativistas que atuam em circuitos interdependentes, como Upgrade Internacional (http://www.theupgrade.net/), Estúdio Livre (http://www.estudiolivre.org/), Descentro (http://www.pub.descentro.org/) e Surface Tension
(http://www.errantbodies.org/main.html), entre outros.

 

Confira o projeto em desenvolvimento em http://organismo.art.br/interfaces

 

Artigos

Textos sobre a forma de trabalho e funcionamento descrita por descentristas

A reapropriação da Colaboração

A reapropriação da colaboração. A colaboração nos foi roubada. A colaboração está na moda. Qualquer diretor de escola ou gerente de RH de multinacional anda usando o termo algumas vezes por semana. Mas isso que eles entendem por colaboração é relativamente superficial. Não leva os envolvidos ao questionamento total dos próprios pontos de vista. Não é um processo que em essência permita a recriação da dinâmica social entre seus atores. Mesmo entre os círculos ditos alternativos, ainda há todo um apego à "criação", como se uma pessoa minimamente consciente conseguisse realmente acreditar que é geradora exclusiva de suas próprias idéias. Depois de alguns milênios de história, tudo o que existe é recombinação, releitura criativa. Criação vem da experiência, do convívio, da leitura crítica e de muito trabalho pesado. Mas os egos ainda degladiam-se por idéias medíocres. O Artista, o Djênio, o Criador já tiveram suas mortes decretadas. Aquela figura sentada no seu estúdio elocubrando sem contato com o mundo já está fedendo. Mas o problema não é o cadáver, e sim suas viúvas. Aqueles que realmente exercem a criatividade coletiva já entenderam as possibilidades do remix, de pôr a cara a tapa, de deixar questionar suas perspectivas. Quem ainda mantém o passado em uma cúpula de vidro são aqueles que sentem inveja e ciúme da criações alheias, mas não oferecem ao mundo mais que um saco de bosta. A idéia de inovação parece ter ficado presa aos discursos corporativos de dominação sócio-econômica, aos livros do tom peters e outros babacas. Inovar pra não morrer, inovar pra vender melhor, e essas merdas. O sentido a que precisamos retomar é outro, mais direto: transformar perspectivas, logo transformar maneiras de agir. E tudo construído socialmente, como processo de integração e criação social de identidade de coletividades, longe da mesmice auto-referente da criação renascentista que ecoa por aí até hoje. Mas onde se começa? one more thing. in the country of the puxadinhos and camelôs, that has the biggest number of mallicious server attacks, that drives everyone (especially americans) mad about massive misuse of tools like blogger, fotolog and orkut, is my opinion that we _have_ to talk about the connection between this kind of online network behaviour and the mutirões that take place inside any given favela. A nova palavra de ordem dos projetos da auto-proclamada sociedade civil organizada, com o óbvio apoio do departamento de marketing social de grandes empresas, vem na esteira da "Inclusão Digital", uma visão que já começa com uma falácia: a ilusão de que existe um ciclo formal ou correto de utilização da tecnologia, e que é uma simples questão de trazer para dentro os ditos excluídos. Doce ilusão. Metareciclagem começou como quebradeira. Interesse totalmente abstrato em uma série de questões relacionadas com tecnologia. Frustração total, minha de de alguns outros, em tentar emplacar, no mundo corporativo, na academia, em ações independentes, idéias novas sobre comunicação em redes. De repente, projeto metáfora começou a catalisar algumas das idéias de algumas dessas pessoas. E percebemos a necessidade de uma infrafísica pra fazer as coisas acontecerem. Com a parceria com o Agente Cidadão, que nos deu uma estrutura e um propósito, mais a influência do Hernani, que já flertava com uns projetos de inclusão digital do Sebrae e do Sampa.org, e do Estraviz, colaborador bissexto do metáfora e grande defensor do discurso da inclusão, foi quase um consenso de que o que a gente se propunha a fazer se aproximava bastante daquilo tudo e do tal hacktivismo. E, de fato, muito do que aconteceu na sequência foi porque assumimos intimamente o conceito da inclusão digital como base. Tão intimamente que começamos a desconstruí-lo. A idéia de inclusão digital surgiu há alguns anos, dentro da Ação pela Cidadania, colada em outro conceito, o da inclusão social. A onda é complexa, mas minha visão é a seguinte: a idéia de inclusão social parte do pressuposto de que existe um ciclo formal de “cidadania” ou como quer que se chame isso, que propõe que todos devem ter acesso a educação, trabalho assalariado, saúde, convívio social, igualdades de tratamento e oportunidades, e liberdades de comunicação e expressão de fé. Em resumo, uma regra que determina que as pessoas que compõem uma comunidade, cidade e nação devem ter acesso a um mínimo que seja aceitável para o desenvolvimento pessoal e coletivo, sem prejudicar o outro. Mas espera um minuto: transposto para o contexto da comunicação online, síncrona e assíncrona, simultaneamente pessoal e coletiva, virtualizada por essência, a idéia de um ciclo mínimo a que todos devam ter acesso perde um pouco da força. Sim, eu concordo totalmente que o direito de uma pessoa acessar um dispositivo conectado em rede para interação com outras pessoas deve ser universal. Mas visto sobre os olhos frios do direito mínimo, se poderia afirmar que usar um caixa de banco ou uma urna eletrônica já cumprem, de certa forma, esses objetivos. A proposta da Metareciclagem é algo muito mais profundo. Se trata da apropriação de tecnologia e da reapropriação de tecnologia tida como obsoleta, proporcionando e fomentando o uso crítico das ferramentas de comunicação com o objetivo de transformação social. O corte é outro, não o do excluído e do incluído, mas do uso meramente ferramental contra o uso consciente, engajado e criativo. Exatamente por isso, o nosso caminho nunca foi a montagem em série de telecentros, mas a constante reinvenção, pesquisa e desenvolvimento de novos caminhos. Exatamente por isso, nunca nos concentramos na equação montagem de estrutura + capacitação, e sim em mudar nossos próprios hábitos de uso da rede. A internet, como é hoje, não me satisfaz. Fazer a internet do amanhã é que me mantém ganhando pouco dinheiro mas certo de que alguma coisa está acontecendo. No dia em que estabilizarmos, serei o primeiro a pular fora. rosas sugeriu que me baseasse nisso: Tecnologia Social Felipe Fonseca, 03/2004 Os cadernos de informática e demais viciados em novidades costumam encontrar a cada meio ano a grande revolução que vai mudar os rumos da humanidade. A bola da vez parecem ser as chamadas social networks (redes sociais), como Orkut, Friendster, ICQ Universe, Flickr e afins. São ambientes que mapeiam a rede de relacionamentos de seus usuários e permitem a organização de grupos com interesses compartilhados, debates e alguns outros meios de interação. Nenhuma dessas características é grande novidade para quem já se utiliza da internet para interagir com outras pessoas e conhece as listas de discussão, weblogs, comentários e publicações coletivas. Talvez a inovação do chamado software social esteja na interface integrada de todos esses recursos. Particularmente, eu considero o software social mais um passo na evolução do que pode ser chamado de maneira abrangente como tecnologia social, um conceito que vai muito além de dispositivos conectados a redes telemáticas. Ouvi falar pela primeira vez em tecnologia social da boca de Bráulio Brito, amigo e professor de semiótica mineiro. É possível que o uso que eu faço da expressão seja diverso do aceito nos círculos acadêmicos, mas isso não me incomoda muito. O fato é que tenho observado alguns padrões emergentes, em diferentes áreas do conhecimento, o que acaba anulando um pouco o meu fetiche por informática quando um novo sistema surge. Sou um usuário assíduo da comunicação telemática. Brinco com a internet desde 1996; estive envolvido com dezenas de projetos relacionados a tecnologia da informação; recebo quase três mil emails mensais, sem contar com spam e surtos viróticos. Não obstante, sinto até raiva quando vejo iniciativas interessantes serem empacotadas e transformadas em produtos conceituais proto-revolucionários, com significado e resultados limitados, tomados sem que se observe todo o contexto. Como eu a vejo, a tecnologia social abrange desde um caderno até um telefone celular conectado à Internet. Sim, computadores podem ser um meio para a tecnologia social, mas essencialmente ela trata mais de uma maneira de usar as ferramentas de comunicação, e isso envolve colaboração, construção e validação coletivas de conhecimento, quebra de hierarquias, descentralização e o caráter emergente das tomadas de decisão. Nos últimos dois anos, tenho realizado uma série de experiências relacionadas a ações em rede, e junto com parceiros como Hernani Dimantas, Dalton Martins e Daniel Pádua, desenvolvido maneiras de abordar a produção colaborativa – não na internet, mas através da internet e outros meios. Essa vivência trouxe uma perspectiva que alinha diferentes exemplos de tecnologia social: * Mídia alternativa: de weblogs e publicações coletivas às rádios comunitárias, jornais de pequenas entidades informais, ou aos fanzines que acompanham as cenas culturais independentes. * Comunicação em rede: da internet e suas fantásticas ferramentas de mobilização coletiva até a velocidade com que os camelôs descobrem que a fiscalização está na rua. * Colaboração: do software livre ao, como apontou André Passamani, mutirão para a construção do puxadinho - mais água no feijão, pagode e generosidade. Em suma, as redes sociais são, sim, interessantes. Vale a pena participar. Eu tenho retomado o contato com pessoas que não via há muito tempo, tenho encontrado opiniões interessantes sobre assuntos que me dizem respeito e venho também tendo a oportunidade de conhecer novas pessoas baseado nas afinidades que se tem a oportunidade de expor em tais sistemas. Mas que não se esqueça que este é só mais um passo de um processo que já vem acontecendo há algum tempo, inserido em um contexto de descentralização e da retomada do aspecto “social” da comunicação depois de um século inteiro de mídia de massa. Hipertexto: - Orkut: http://www.orkut.com - Friendster: http://www.friendster.com - ICQ Universe: http://universe.icq.com - Flickr: http://www.flickr.com - Hernani Dimantas: http://www.marketinghacker.com.br - André Passamani: http://colab.info - Daniel Pádua: http://www.dpadua.org ---- colaboração ou cooperação? cooperar me parece mais superficial e ainda lembra, não sei por quê, do cagüeta que "coopera" com os home. colaborar, trabalhar junto, cabe em um certo sentido, talvez objetivo demais. conspirar, que me manda pra co-inspirar, tem mais esse quê de círculo de idéias, de inspiração mútua, que leva pra colaboração, mas é outra idéia que foi desviada do que poderia significar. se é que tem mesmo essa etimologia (posso estar equivocado, como quase sempre). falta uma maneira de explicar todo esse processo de construção coletiva de inovação*, de criatividade realmente coletiva. não o que se tem chamado por aí de colaboração, a justaposição de idéias (ah, o gênio renascentista e suas maravilhosas idéias!) de várias pessoas, mas do laborioso - e gerador de conflitos - debate profundo, orientado para ações transformadoras. ou para a transformação de ações (ver o asterisco abaixo). de maneira mais sucinta: um conceito que explique esse jeito todo nosso de fazer as coisas, que, por mais que se tomem referências gringas, acaba por influenciar e gerar identidade ao que é feito em terras tupiniquins. cabe aqui também (tendencioso como só eu) a metodologia gerada nas discussões do que foi o projetometafora: xemelê, wikê, fazê. conversar, estruturar, agir. brainstorm, tosa, efetivação. enquanto isso, uso colaboração mesmo.

As línguas menores da tecnologia: software livre, acesso e diversidade no mundo digital

As línguas menores da tecnologia:
software livre, acesso e diversidade no mundo digital

resumo:
Universalização do acesso associada a diversidade (cultural e linguística) na produção de conteúdos constituem os dois pilares de grande parte das demandas por Inclusão Digital atualmente. Se, por um lado, a existência de grande interesse e numerosos esforços e articulações visando a Inclusão Digital evidenciam o reconhecimento da centralidade da técnica na vida contemporânea, por outro, a falta de profundidade da maioria das porpostas deixa transparecer a falta de compreensão dos processos sociotécnicos em curso. O objetivo desse artigo é mapear as inconsistências dessa perspectiva que compreende a tecnologia somente a partir de suas relações de propriedade e utilidade, destacando a importância de algo praticamente inexistente nas discussões em questão: a diversidade de culturas técnicas que garantam multiplas explorações das potências em jogo na relação entr humanos e máquinas. O software livre, a partir de seu processo sociotécnico de produção e utilização, será tomado como elemento privilegiados para essa reflexão.

abertura:
Universalizar o acesso às tecnologias da informação e comunicação (TICs) garantindo uma produção de conteúdo adequada à diversidade cultural e linguística são dois pontos considerados, atualmente, como centrais e inquestionáveis em todas as discussões orientadas para a Inclusão Digital, que se preocupam com a evolução da Internet e da utilização de computadores tendo em vista seu papel preponderante na constituição e mediação dos processos sociais contemporaneos.

Acredita-se que a universalização do acesso, ou seja, a incorporação de setores atualmente excluídos da nova convivência global que as redes digitais de informação e comunicação proporcionam – através do provimento de acesso à internet em locais públicos ou através aquisição subsidiada de computadores pessoais1 – deve ser o ponto incial de uma ação que busca superar o gap que essas populações excluídas possuem em relação às novas formas de produção de valor, trabalho, comunicação, educação e cidadania que o século XXI impõe.

Garantir a diversidade linguística e cultural aparece como uma garantia para que não sejam difundidos junto com as máquinas os conteúdos, valores e comportamentos aos quais elas estão associadas nos contextos sociais de origem. Cuidando, assim, para que a introdução de computadores e conexão com internet não resulte no enfraquecimento dos processos culturais locais, mas em sua potencialização, servindo ao progresso e desenvolvimento humano desses contingentes populacionais, em sua maioria, localizados em países pobres e periféricos.

A justificativa para essa necessidade não consiste apenas na inexorabilidade do processo em curso, qual seja, o da inevitável presença e papel desempenhado por computadores na vida contemporanea. Antes de uma decorrência negativa, como que uma imposição, a motivação é positiva: as políticas de acesso visam difundir os benefícios possibilitados pelas TICs.

Neste artigo, gostaria de mostrar que, se por um lado é realmente pertinente a constatação da centralidade da técnica na vida contemporânea e esforços para discutir, compreender e influenciar o processo de desenvolvimento tecnocientífico a favor do interesse público e dos menos favorecidos; por outro, há uma grande inconsistência nas porpostas de acesso e diversidade de conteúdo que costumam ser as propostas efetivas dos projetos, políticas públicas e reivindicações sociais que podemos reunir sob o título de Inclusão Digital: a ausência de uma reflexão mais densa e profunda sobre o modo de existência dos objetos técnicos em questão, computadores, softwares e redes de informação, e dos processos sociais, políticos e econômicos a eles relacionados (invenção, patenteamento, desenvolvimento, lançamento, circulação, consumo, e exploração de potencialidades menores).

Não podemos pensar a internet ou os computadores como objetos acabados, que existem por si só, e a maneira como estão agenciados e são utilizados hoje em dia como a única possível. Desnaturalizar a existêncica dos objetos técnicos lançando o olhar para o processo de desenvolvimento técnocientífico, com suas disputas que são ao mesmo tempo técnicas, políticas, econômicas e culturais, é necessário para uma compreensão da tecnologia que vá além de suas relações de propriedade, funcionamento e utilização.

Compreender a natureza dos processos técnicos em questão, seus limites, possibilidades e potencialidades é fundamental para que elaboremos estratégias efetivas para assegurar a diversidade de apropriações dessas tecnologias, ou seja, de processos inventivos e criativos oriuundos das diferentes formas de se apropriar da tecnologia que cada contexto sóciocultural pode oferecer.

Para tanto, gostaria de exceder o escopo tradiconalmente discutido, que cuida da diversidade cultural e linguística, propondo que levemos em conta a necessidade do que, metaforicamente, chamarei de diversidade de linguagens tecnológicas, que engendram outras culturas técnicas, ou seja, outros métodos de utilizar, pensar, se apropriar e desenvolver tecnologia.

Para estruturar minha argumentação, dividirei o texto em em 3 partes. Na primeira parte, destacarei a importância da diversidade daquilo que chamarei de culturas tecnológicas como fundamento para permitir a plena existência de diversidade cultural e linguística. Para isso será necessário pensar sobre a relação entre cultura e técnica sob a luz dos processos contemporâneos.

Na segunda parte, apresentarei o Software Livre como uma língua menor da tecnologia, buscando expor certos aspectos que, a despeito de seu potencial, carecem de reflexão devido à perspectiva viciada nas relações de propriedade e utilização. Normalmente, o termo Software livre é automaticamente associado ao Linux, reduzindo grande parte da problemática que suscita a uma oposição política ou uma alternativa técnica ao Windows.

Por fim, concluirei com uma crítica às políticas de acesso, não tanto pelas respostas que oferecem, mas pelas perguntas que orientam suas ações. O acesso geralmente vem associado a um uso que se busca difundir. E, uma vez que, os objetos técnicos não comportam ou possuem um único uso, é preciso buscar a difusão de multiplas utilizações que resultem de multiplas formas de se interagir com as máquinas. Acredito que a pertinência dessa reflexão consiste na possibilidade de que mesmo com o intuito de prover igualdade de oportunidade aos menos favorecidos, acabemos por ajudar a difundir uma linguagem tecnológica hegemônica e excludente.

cultura, técnica e
culturas técnicas contemporâneas:

A cultura contemporânea mapeou e encontra-se diante de um problema: estamos cada vez mais dependentes de objetos técnicos para a realização das atividades cotidianas como, por exemplo, se comunicar, se locomover, trabalhar, aprender e pensar. A mediação técnica dessas atividades não é novidade, o que é novo é o grau de depêndencia que está associado e que acaba por reconfigurar essas atividades desde sempre consideradas como básicas.

Essa dependência resulta do avanço acelarado da capacidade dos objetos técnicos, que, ao longo do século vinte, principalmente em suas últimas décadas, passaram por uma evolução de ordem exponencial, naquilo que alguns autores definem como a aceleração da aceleração do progresso tecnocientífico2. Os computadores são os objetos técnicos que podemos tomar como ícones desse processo. Basta pensarmos que, em 1970, não havia nenhum computador pessoal (PC) e, atualmente, existem cerca de um bilhão de compudares e nódulos computacionais espalhados pelo planeta3.

O poder desses objetos ténicos é tão grande que a atividade humana mediada por eles potencializa-se de tal forma que a diferença entre os modos de vida daqueles que podem experimentar acoplamentos com eles, daqueles dos que não podem, atingiu patamares de disparidade nunca antes vistos.

Para solucionar essa diferença tão brutal entre modos de vida, em que certo contingente populacional, o menor, desfruta do avanço acelerado da tecnociência, e outro contingente, o maior, fica excluído dessa nova socialidade, diversos esforços são feitos com o intuito de difundir o acesso às novas tecnologias, notadamente, o acesso à computadores conectados à internet. Contudo, dessa forma, a problemática é reduzida à uma questão de propriedade: os que tem e os que não tem, e a solução passa por um esforço de expandir a posse ou, talvez com mais precisão, o acesso.

Eis que chegamos a uma condição paradoxal: potência do desenvolvimento, os objetos técnicos são reconhecidos como personagens centrais e decisivas, mas, ao mesmo tempo, participam dessa história como meros coadjuvantes: o que importa é ter acesso ou não.

A maior parte dos esforços orientados para Inclusão Digital simplesmente não se ocupam dos processos inerentes ao desenvolvimento e produção tecnocientífico. Consideram essa uma dimensão 'estritamente técnica' e que, restringida sob esse rótulo, fica sob a responsabilidade dos especialistas. Contentam-se em elaborar estratégias de difusão da tecnologia – encarando-a como objeto acabado – e de determinadas formas de intereção – como se os objetos técnicos possuíssem uma utilidade intrínseca.

Temas como as patentes de software ou o ritmo de lançamento de novos produtos pelo mercado são discutidos somente na medida em que dificultam ou não as políticas de acesso e a capacidade de colocar em prática essa ou aquela utilização. Assim, pensa-se a partir da lógica de uma cultura técnica hegemônica: baseada nas leis do mercado e orientada à produção de valor, pautada pelo lançamento das grandes corporações, acompanhando a velocidade do marketing e da valorização do capital. Dessa forma, fala-se do desenvolvimento tecnológico, como se esta perspectiva proporcionada por essa cultura técnica fosse natural e necessária, ou seja, intrínseca aos objetos técnicos que reconhecemos a potência e importância.

O meu argumento é que existem diversas maneiras de se pensar, utilizar, desenvolver e se apropriar da tecnologia. Os objetos técnicos não contém uma utilização intrinseca a seu funcionamento, não existem somente para serem utilziados dessa ou daquela maneira. Ao invés, contém uma tecnicidade que consiste em uma capacidade de funcionar, ou existir, de uma determinada maneira, a qual atribuímos esta ou aquela utilidade. Portanto, os usos existem enquanto virtualidades4.

Atualmente, podemos afirmar que existe um modelo de produção tecnocientífico – que engendra uma cultura técnica específica –, que se sobrepõe hegemonicamente aos outros. É o modelo cuja produção é orientada para o lucro, o trabalho é realizado por especialistas e as invenções protegidas por patentes. Nessa cultura técnica há uma divisão clara entre usuários e desenvolvedores e boa parte das escolhas (políticas, econômicas, sociais e ambientais) ocorrem isoladas do debate público.

Quando dedicamos nossos esforços e atenções somente às dimensões de uso e propriedade, como no caso da universalização com respeito a diversidade linguística e cultural de conteúdos, corremos o risco de deixar esses aspectos velados e difundir esse conjunto de relações de produção e uso.

Por outro lado, a produção de conhecimento sob o modelo do Software Livre estabelece um outro tipo de relação com o conhecimento e sua produção, fundamentada em uma apropriação do conhecimento como um bem público e orientado para o progresso intuitivo dos instrumentos, para o qual agenciam-se programadores dispersos no globo.

Uma vez que as patentes são substituídas por licenças que garantem a abertura, a produção já não fica restrita somente a um segmento da sociedade: os especialistas. Apesar de a manipulação de informação digital necessitar habilidades complexas, observamos que as relações de utilização e produção que se estabelecem proporcionam a confusão de categorias tradicionalmente distintas e isoladas: a dos produtores e usuários. Configura-se, assim, um outro modelo de pordução tecnocientífico, que engendra uma outra cultura técnica, que é mais aberto para múltiplas interações. Por não se constituir como um modelo contra-hegemônico, chama-lo-ei de um modelo menor, utilizando esse termo tal como Felix Guattari o utiliza, para designar devires minoritários.

software livre como língua menor:

O Software Livre não constitui um movimento político organizado, tampouco oferece uma proposta de contra-hegemonia. É, antes, uma maneira de produzir e se relacionar com o conhecimento tecnocientífico muito diferente daquela que acabei de descrever, baseada em patentes. Porém, afirmando que o Software Livre não consituti um movimento político, não quero diminuir sua potência ou ignorar suas inovações. Ao contrário, pretendo considerar um outro aspecto que considero seu campo realmente inovador e de potência: a abertura a múltiplas apropriações e invenções.

A maneira como os computadores e a internet são utilizados hegemonicamente hoje em dia não é a maneira como eles devem ser utilizados, mas uma forma de apropriação que é resultado de um processo de disputa social, política, cultural e econömica que, como tentei mostrar, constitui uma cultura técnica.

O Software Livre evplatform@waag.orgidencia que existem outras maneiras de utilizar, outros processos em jogo, que através de uma outra relação de produção e circulação de conhecimento estabelecem outras relações entre humanos e máquinas que se abrem para desdobramentos sociais de outras ordens.

O fundamento técnico do software livre é a abertura e publicação de seu código fonte. Isso possibilita que qualquer pessoa, desde que possua os conhecimentos e as habilidades básicas necessárias, possa ter acesso à estrutura de funcionamento dos programas desse tipo. Tal característica proporciona a leitura, o estudo, a correção de eventuais erros, a adição de eventuais melhorias ou, simplesmente, o conhecimento das operações que o programa executa. Isso é inovador, pois é uma grande diferença em relação aos softwares patenteados e fechados nos quais nada do que foi dito acima é permitido. Dessa forma, o softwares patenteados e fechados, não possibilitam nem que se estude nem que se conheça as atividades que o software está realizando em nossos computadores, com severas conseqüências no que diz respeito à privacidade e, principalmente, à capacidade das redes sociais de acompanharem o desenvolvimento técnico (DELACROIX,2004).

O fundamento social do software livre é a cooperação entre redes de programadores vinculados por interesses comuns que trabalham de forma cooperativa e pública. Os produtos desse processo são disponibilizados para apropriação pública na mesma medida em que vão sendo produzidos, tornando todas as etapas do processo visível.

A propriedade intelectual de tipo exclusivista e protecionista, que reserva todos os direitos ao autor, permitindo que o proprietário dos direitos – não necessariamente o autor – explore-os comercialmente, é substituída por licenças públicas que garantem a referência e o respeito à autoria, mas que acabam com a cobrança de direito autoral ou royalties. Proporcionam, assim, a livre circulação, utilização e apropriação dos produtos desses processos cooperativos. Para proteger essa estrutura exigem que qualquer software ou solução ou adaptação que venham a ser desenvolvidos a partir de outro software ou fragmento de software protegido por essas licenças seja registrado e disponibilizado sob os mesmos termos, garantindo assim, através desse instrumento, a manutenção da abertura do código fonte e, sub-repticiamente, o aumento do número de programas compartilhados, re-alimentando e ampliando a rede de produção (DELANDA, 2001).

Se prestarmos atenção à diferença fundamental do software livre, a abertura e publicação do código fonte, veremos que tal operação proporciona o estabelecimento de outra relação de utilização em que é permitido e incentivado ao usuário alterar o software e participar de sua construção. Assim, há a possibilidade de que o usuário envolva-se na produção, pois o modelo de produção de software livre depende de uma rede de contribuições que confunde produtores e usuários, com isso, proporcionam uma integração das redes sociais ao desenvolvimento técnico, uma vez que este é aberto e acessível.

Sob o modelo do código fonte aberto, as falhas, indeterminações, erros ou deficiências de um software são divulgados no ato da publicação. Pois, a publicação de software é compreendida como o momento propício à solução das deficiências através de testes de suas capacidades, descobertas de falhas e exploração das indeterminações. Esse processo ocorre através da publicação desses produtos sob a forma de objetos inacabados e meta-estáveis. Dessa forma, os interessados podem ‘baixar’ esses softwares e testá-los, para depois reportar ou corrigir eventuais erros, ou incrementá-los. O que permite o envolvimento de usuários de todos os níveis de habilidade técnica: os com menos habilidade podem participar reportando os erros, os com mais habilidade corrigindo ou acrescentando incrementos. Mesmo quando se atinge uma certa estabilidade em um produto, o processo não se encerra, pois melhorias e inovações ainda podem ser feitas e diversas variações de um mesmo projeto podem ser produzidas a partir de intenções diferentes.

O substrato desse modelo é a cooperação entre os produtores e a participação dos usuários. Esse tipo de relação colaborativa é completamente diferente do tipo daquela estabelecida entre o provedor de um serviço que vende o acesso a um usuário, e que se consolida como modelo da new economy (RIFKIN,1997). Essa diferença de relação reflete uma diferença de postura diante dos meios, que envolve uma relação de aprendizado e produção. Afinal, uma vez que estamos falando de produtos inacabados e não de pacotes prontos com manual de instruções e suporte de uma empresa, o ato de instalar e configurar um programa para uma utilização simples exige que o usuário se envolva de uma maneira mais ativa: aprendendo e não só consumindo. Estabelecendo, então, uma relação de aprendizado e de troca recíproca – daí alguns autores falarem em gift economy (BARBROOK, 2001) – a rede de produção e utilização do software livre criaria espaços de existência que não se enquadram na tendência da transformação das relações sociais em relações mediadas pelo consumo (RIFKIN, 1997).

Há um outro aspecto em relação a publicação aberta que merece atenção: quando um objeto técnico é lançada como um produto fechado e acabado, o que de fato ocorre é o fechamento das possibilidades de desenvolvimento desse produto a um grupo restrito e a restrição de acesso é efetuada pelas leis de patente e de proteção à propriedade intelectual. Esse modelo, que Bruno Latour chama de caixa-preta, restringe o processo de evolução técnica à equipe técnica do grupo que detém sua propriedade, impondo barreiras legais à participação de um maior números de pessoas, impedindo experiências menores, tornando esse processo privado e isolado do debate público.

Além disso, o modelo de produção do software livre está baseado em uma outra noção de progresso técnico. Enquanto o da produção tecnocientífica voltada para a produção de valores de troca orienta-se pelo progresso abstrato, aquele sentido por cálculos matemáticos de eficiência e produtividade, a produção tecnocientífica do software livre segue e orienta-se por um progresso sentido intuitivamente, por aqueles que desenvolvem e utilizam o software enquanto instrumento (SIMONDON, 1969: 233). Essa diferença de perspectiva pode ser sentida na busca por outras utilizações ou no desenvolvimento de projetos que interessam ou grupos muito pequenos ou sem grande potencial comercial.

No Brasil, posso citar o exemplo da metodologia de metareciclagem5, que consiste no reaproveitamento de máquinas descartadas como obsoletas. Esse processo de reaproveitamento só é possível pelo desenvolvimento de distribuições do sistema operacional Gnu/Linux adaptadas para rodarem em máquinas com baixa capacidade de processamento, mas que são capazes de desempenhar diversas atividades que não demandam tanta capacidade de processamento.

A abertura para múltiplas interações, é o que permite que inumeros projetos de tradução para idiomas que não despertam interesse comercial, como o Guarani, realizada por ativistas de Santa Catarina, sejam levados adiante6. E, também, é o que possibilita que grupos de programadores de alto nível se agenciem para o desenvolvimento de um projeto de gerenciador de janelas cujo objetivo é a busca pelo máximo de coerência técnica: código bem escrito, processos inteleginetes, ágeis e eficientes. Mesmo que as versões demorem anos para serem lançadas7.

acesso e seus usos:

As políticas de acesso, como chamei os esforçoes governamentais e civis orientados para a difusão de acesso à internet são inconsistentes não levarem em conta a realidade dos objetos e processos técnicos. De forma que as discussões e reflexões que orientam tais esforços partem, na verdade, daquilo que é o fim do processo. Dito de outra forma, a discussão começa com os computadores já funcionando e as pessoas conversando e trocando emails, como se só importasse o que se passa da tela do computador para fora. A dimensão técnica, considerada 'estritamente técnica' – com os graves prejuízos que já vimos – fica completamente ausente da discussão. Então discute-se acesso e utilização (conteúdo).

Porém, é preciso perceber que mesmo a questão do acesso é colocada de maneira simplista e muito pouco problematizada. É como se o acesso ao ciberespaço fosse como entrar em uma sala, bastando que todos estejam dentro para que se encontrem em condição de igualdade. O acesso às tecnologias da informação não é encarado em sua dimensão mais importante: a fluidez, o movimento veloz de informação proporcionado através da instantaneidade da comunicação8 e a capacidade de criar e processar as informações. Não basta estar dentro, é preciso saber e poder se movimentar!
Quanto a questão da utilização, esta fica restrita a produção de conteúdo, reduzindo a relação com os objetos técnicos a mera manipulação. A dimensão da invenção ou de novas modalidades de individuação, as transformações na percepção ficam totalmente excluídas. Acontece que os computadores e a grande rede de informação que se pretende expandir, não são objetos e ambientes inertes, mas obejtos e ambientes que uma vez que entramos em contato ou, talvez com mais precisão, em relação9, algo em nós se transforma.

Então não podemos lidar com a questão da universalização do acesso e da diversidade linguística sem atentar para essas problematizações. Pois não é o suficiente introduzir computadores e conexão em comunidades tradicionais, por exemplo, preocupando-se somente em respeitar a língua local, mas reproduzindo uma determinada postura em relação aos objetos técnicos e uma determinada racionalidade de concebe-los e utiliza-los.

É preciso investir e garantir mecanismos de permitir a apropriação local dos objetos e práticas que são introduzidos, através de diferentes formas exploração. Não se trata de buscar que cada contexto apenas resignifique as máquinas, mas que envolvam-se em seu processo de criação, ou seja, que criem suas próprias máquinas.

A preocupação com a preservação da diversidade linguística fundamenta-se no reconhecimento da importância que cada lingua possui por tratar-se de um mecanismo ímpar na exploração de virtualidades humanas. O diferencial do Software Livre é justamente a abertura para que diferentes mecanismos de exploração de outras virtualidades humanas sejam exploradas e desenvolvidas em agenciamentos com virtualidades máquinicas. A centralidade de um único idioma no ciberespaço é realmente prejudicial e faço aqui o esforço de evidenciar que a centralidade de uma única racionalidade, uma cultura técnica é tão prejudicial quanto de forma que são temas que precisam caminhar juntos.

Bilbiografia:
ARAÚJO, Hermetes Reis. 1998. Tecnociência e cultura: ensaios sobre o tempo presente, São Paulo, Estação Liberdade.

BARBROOK, Richard. 2001. The digital economy – commodities or gifts?
http://www.hrc.wmin.ac.uk/theory-digitaleconomy.html

BUCKMINSTER-FULLER, Richard. 1985. Manual de operação para a espaçonave Terra. Brasília, Ed. Universidade de Brasília.

COMBES, Muriel. 1999. Simondon Individu et collectivité: pour une philosophie du transindividuel. Paris, PUF.

DELACROIX, Etienne. 2004. Art and Inclusion "meta-digital": Uncovering electro-digital art? [no prelo]

DELANDA, Manuel. 2001.Open-Source: A movement in search of a philosophy. Presented at Princeton, New Jersey. http://www.cddc.vt.edu/host/delanda/pages/opensource.htm

DELEUZE, Gilles. 1966. Gilbert Simondon, o indivíduo e sua gênese físico-biológica. In: Revue philosophique de la France et de l’étranger, vol. CLVI, nº 1-3, janeiro-março de 1966, pp. 115-118. [tradução brasileira de Luiz B.L. Orlandi no prelo]

______________. 1992. O atual e o virtual. In: ALLIEZ, E. (1992) Deleuze e a filosofia do Virtual. São Paulo, Editora 34.

_______________ e GUATTARI, Felix. 1995. Mil Platôs: capitalismo e esquizofrenia . São Paulo, Editora 34.
GARCIA DOS SANTOS, Laymert. 1981. Desregulagens: educação, planejamento e