money, money, money... is the root of all evil
tipo, o ip:// é um espaço que hj funciona de forma autonoma,
autogestionada e tem princípios de independencia. encaminhar uma
articulação - mesmo que ela possa sem proveitosa de várias formas - que
envolve pedido de financiamente para uma ong (ou pra qualquer outra coisa)
não é uma coisa que eu possa fazer sem falar com todo mundo do ip://.
agora que eu me toquei que essa ajuda de custo pra o local seria o ip://
recebendo grana diretamente dessa ong. e eu não concordo com isso.
nos coletivos de que eu participo, a gente tenta sempre fazer as coisas
com as nossas pernas. falta grana, é perrengue, as coisas às vezes não
acontecem como a gente quer, mas tudo o que a gente faz é mérito nosso, em
ações horizontais. não temos que agradecer nenhuma ong, que depois vai
usar o nome do nosso coletivo, do nosso movimento até, pra captar grana de
empresas e de governos.
talvez a gente possa investir agora em ações mais locais - que faltam
tanto - manter articulações via internet. sempre conseguimos nos articular
com pessoas de fora aproveitando viagens pessoais. tenho certeza que isso
pode dar certo com as meninas do genderchangers, mesmo que demore um pouco
mais.
==+==
o q rolou de novidade aí foi que somente recentemente foi sugerido q uma das residências fosse do genderchanges lah na lista do conselho do descentro. eu achei fodasso. apoiei e sigo pirando na idéia pq tanto o descentro como o metarec como vários outros grupos têm como maioria os garotos e conseguir fazê-los entender que grupos de mulheres como o g2g são importantes (pra nós e pra eles) e que uma das residências poderia ser focada na questão de gênero além da tecnologia eh sem dúvida um enorme passo pra igualdade e respeito mútuo.
tipo não eh q a gente tah indo pedir grana pra trazer gringo. a grana jah tá lah pra isso. se fosse isso tb acho mt mais logico - se os grupos envolvidos assim decidissem - e obvio pedir grana pra gente, pra fazer o intercâmbio entre o ip e o y rolar com mais frequencia, ou pra fazer encontros nossos - seja no corpus crisis, /etc-br, sei lah.
aí, talvez precipitadamente, sugeri pedirmos grana pro global fund for womyn, que deu uma ajuda pro ultimo /etc q rolou. pq realmente acho q seria uma pena não termos a presença de uma pá de mina no /etc-br por conta de grana de transporte. aí de fato penso grande mesmo de ter minas do g2g, mão na maquina, birosca, corpus crisis, as minas de recife e juntar essa mulherada mesmo pra construir as coisas junto.
como disse talvez tenha confundido um pouco as coisas quando falei de pedir grana. mas isso não tem a ver com a residência. soh continuo achando q da mesma forma q conseguimos q uma grinda dê uns rolés pelo brasil podemos conseguir que nós mesm@s façamos intercambios mt produtivos.
==+==
o midiatatica.org e o metareciclagem participam de uma plataforma de
cooperação internacional chamada plataforma sarai-waai
(http://www.midiatatica.org/plataforma). foi inclusive dessa plataforma
que surgiu o ip:// ou melhor, surgiu da pesquisa desencadeada por esta
plataforma..
nunca tivemos nenhum tipo de apoio diretamente ao espaço apenas a projetos
que se deram em lugares diversos como olinda (submidialogia), internet
(pub.descentro.org) e bh (cibersalão)
esse intercâmbio começou em 2004 quando uma pessoa do meta passou dois
meses na índia. agora ocorrerá o desdobramento disso: 1 holandês e 1
indiano virão para o brasil.
acontece que como vamos fazer o /etc sugeri que da holanda viesse uma
menina para participar daqui. isso já temos garantido (bem, garantido com
todos os imprevistos que podem ocorrer ne.. mas eles não costumam falhar).
fiz um orçamento que inclui as passagem e uma grana local tanto para o
espaço quanto para o residente. mas não precisa ser assim, tudo ainda é
uma proposta.. coloquei r$200 para cada espaço, ou seja, uma ajuda
simbólica - e sinceramente um cuidado que procurei especificamente ter
para com a sustentabilidade de cada espaço. o financiador é a fundação
waag, ong apoiada pelo governo holandês.
quanto ao global fund essa é uma ong que apoia especificamente projetos
com mulheres e tem apoiado o /etc internacional há alguns anos. temos que
discutir isso ainda, mas a proposta é que possamos conseguir apoio para o
deslocamento e alguma infra local, apenas.
entendo ambas propostas como apoios circunstanciais para a viabilização de
um evento e pessoalmente não vejo problema já que teremos autonomia nessa
relação - somos nós que a estabeleceremos. no entanto, entendo tua
preocupação para com ela e apoio qualquer movimento por decisão tomada
coletivamente..!
==+==
a minha questão é a participação do ip:// em uma articulação que envolve
financiamento. o ip:// existia antes de mim, quando a galera midiatática
tava aqui, atuante. eu não sei bem que tipo de princípios regia o
trabalho, gostaria de saber melhor. mas nessa rearticulação do espaço nós
definimos que ele seria independente, com autogestão direta. recebemos
doações, colocamos dinheiro do nosso bolso, vendemos cerveja, mas não
aceitamos financiamento. de vez em quando surge alguma discussão deste
tipo, eu mantenho minha posição (assim que a alguém da lista de manifestar
sobre esses emails, eu mando pra cá).
na minha opinião, precisamos de mais espaços onde a gente consiga escapar
da lógica como o dinheiro circula hj no mundo. precisamos de dinheiro para
fazer coisas? claro. mas precisamos de lugares pra respirar, para
reinventar o impertativo de que as coisas só acontecem assim, espaços que
se mantenham livres como um todo.
==+==
pra mim, o cyberfeminismo tem uma função importantíssima dentro do
feminismo: desonguização. o retome a technologia foi lindo por tudo, e foi
feito pelo desejo de fazer, pela vontade de mudar, e não porque tinha sido
previsto em algum projeto. (ou foi??? tive medo agora, rss. há alguma ong
que está fazendo agora um relatório sobre o sucesso da campanha, citando a
ação das minas de brasília, por exemplo, como adesão espontânea, e que vai
receber um super financiamento da unifem por isso???)
só mais uma coisa: eu não sou necessariamente contra ongs, acho que tem
várias que fazem coisas muito importantes. eu trabalhei no grupo transas
do corpo, em goiania, que eu respeito muitíssimo e conheço outros grupos
maravilhosos. mas as ongs têm problemas, assumidos ou não, crises éticas
fortes (as boas), e muitas têm ligações mais que estranhas com governos.
eu só não quero que elas tomem conta de tudo que é ação da sociedade.
==+==
vou chamar uma galera pra escrevermos um artigo sobre "porque manter
espaços sem vínculos institucionais". imagino que pra vc isso faça pouco
sentido agora, pq o nome do ip:// já tá na parada faz tempo, mas ainda
acho possível começar uma história diferente. mas a questão é complexa,
sutil. por email tá ruim de expressar, rs - até questão de tom. queria que
vc soubesse meu tom - que é um tom de preocupação, de dúvidas e de vontade
criativa, não destrutiva.
ando pensando muito nessas questões, tati, a partir de informações muito
novas pra mim. todo dia eu tenho um elemento novo para pensar sobre como
me posicionar a respeito delas, estou tentando contruir e desconstruir
conceitos, achar novas soluções, formas de reparo. seria ótimo pra mim
saber mais sobre estes tópicos e como avalia minhas posições, para além do
"precisamos encaminhar isso".
==+==
financiamento é um lance meio que bola de neve, e entra em relatorios de organizacoes x,y que vao servir de argumento em captacao de grana sabe-se lah onde.
nada vem de graça, uma grana na minha mao significa que ou eu ralei por isso ou um outro alguem mundo a fora.
eh diferente eu vender minha força de trabalho para uma instituicao e eu fazer o que quizer com isso de a instituicao financiar um projeto meu.
==+==
não tenho muita crise com waag ou sarai. não sei como são as
instituições por dentro.
mas já conhecemos algumas pessoas de lá, a maioria parece ser
honesto. e tudo que foi bancado com essa grana foi feito com autonomia
e possibilitaram muitas coisas.
submidialogia, cibersalão, e projetos antigos: autolabs, miditatica, etc.
acho esse pé atrás necessário, mas a crise desnecessária.
tipo: alguém já leu ou folheu o livro do sarai que eu deixei no ip://?
é um bom exemplo de onde os caras investem essa grana, uma pesquisa
muito interessante e bem feita.
tipo: até que ponto o submidialogia impulsionou essa retomada do
ip://? lembro docaetano lá falando com todo mundo de voltar pra lapa?
e aí? a waag patrocinou o ip:? não, porque o movimento rolou com
autonomia. o desejo era e é nosso.
==+==
tipo, a questão da $$, pegar grana é necessário, a gente não
pegou/roubou grana da une? grana suja? então... galera, acho que com
malandragem, sabedoria, dá pra pegar grana sim.
de ong, de governo, de caralho a quatro. e só manter os olhos abertos
e não dar bola pra institucionalização. não ver isso como meta. e isso
acho que já rola.
minha crise é com o seguinte:
sugamento de energia => o que o governo fez com muita sabedoria e o
que o claudio prado queria fazer com o ip://
apropriação de conceitos=> criei tive como, etc.
de resto, tem que viver e se arriscar. e sei que muitos nao conhecem
essa parceria waag/descentro, mas ela sempre foi de boa. sempre deu
pra fazer coisas legais. pelo menos eu que não sou muito in, sempre
tive essa impressão. pessoal das antigas pode falar mais sobre isso.
e acho que é besteira não fazer essa residência por causa disso.
quanto ao ip:// na mangueira, realmente foi um erro, uma tentativa
ingênua de hackear um governo e uma ong picareta. mas a gente vive e
aprende, né?
vamo aprender mais.
==+==
entao, tem de ver isso, discutir autonomia bancad@s pelo dinheiro da fundacao ligada ao governo holandes, meio caido, saca?
==+==
eu não tenho problemas com projetos. eu até quero participar de algum - me
chama? rss. mas eu achava que o ip:// era outra coisa. aqui o "como" deve
ser experimentado, inventado. concordo demais com vc, fazer merda não quer
dizer acabar com tudo, podemos testar formas. mas eu achava que algumas
formas estavam excluídas - e eu achava (não sozinha) que receber dinheiro
destinado de projeto estava entre elas.
a crise é mais que necessária, é vital!!!!
viva a crise!!! e que vivam as próximas.
por favor, gente, entendam meus argumentos como não-herméticos. estou me
despedaçando e quero pedaços novos de vocês em mim.
==+==
ois é, isso é muito confuso, cada um tem olhares diferentes em
relação a tudo como vc disse em outro email. talvez meu olhar pra essa
história seja porque sempre trabalhei com tati e ruix e outros com
essa grana, e sempre foi um trabalho massa, autônomo, que propunha
coisas novas pelas quais me apaixonei, inclusive a própria idéia do
ip://. e a relaçao com a grana nunca foi assim direta, intrinseca.
tipo "esse trabalho é pra essa ong."
é uma grana que vinha livre de amarras.
entendo que pra quem não tava ligado, quem não trampou nisso, essa
idéia pode ser um pouco assustadora. uma ong holandesa financiada pelo
governo holandês parece uma coisa do mal. mas tudo foi sempre
documentado, tá tudo no site do submidialogia, do descentro, etc.
nunca foi escondido e sempre foram projetos fodas, autônomos na sua
concepção e execução.
meu olhar pro cultura digital é totalmente outro, pq a experiência foi
outra, e talvez pessoas não entendam isso bem também.
tudo é muito sutil.
==+==
eu sei, tem razaão. mas é que as vezes parce que eu to em crise há
muitos anos. crises atrás de crises. as vezes me cansa um pouco e dá
vontade de botar a mão na massa e parar de pensar em tudo. viver no
caos é foda. tem que aprender a lidar com ele.
==+==