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FF na Submidialogia

Relato Submidialogia ff

Foi meio sem querer que eu me envolvi com a produção da submidialogia.
Cheguei à plataforma waag/sarai por outro lado, articulando pra
MetaReciclagem. Nossa parte seria não mais que uma residência de duas
pessoas por dois meses na Índia. Eu não seria uma delas, ficaria só
agitando à distância. Mas rolou que me envolvi, não me lembro exatamente
como. Acho que foi um dia que o Pajé me ligou e começamos a conversar.
Quando vi, já tava dando aquela forza. E é bem assim que funciona:
de repente, sem perceber, já estava colaborando.

Um evento brasileiro dedicado ao ativismo midiático e suas variantes não
poderia deixar de ter uma grande dose de improvisação, informalidade e
ação coletiva. Foi assim nos eventos anteriores que começaram a
construir essa rede: o Mídia Tática Brasil, o FindeTático, o
Digitofagia. Mas dessa vez, tínhamos mais algumas hipóteses a
testar. Havíamos saído do círculo cultural alternativo, aos espaços reservados
àqueles mesmos de sempre fazendo suas repetitivas apresentações de sempre.
Dentro de uma universidade, poderíamos fazer um evento que buscasse a
teoria que existe em toda prática, a prática que apóia toda a teoria.
Acabar com essa divisão imbecil que ainda perdura por aí entre o teórico
e o praticante, entre o conceito e a ação.

À parte todo o aspecto de protesto (tão divertido quanto pouco eficaz,
a meu ver), as redes e grupos que estiveram presentes mostram cada vez
mais ter um comportamento emergente (auto-organizado, de baixo para cima)
que pede um pouco mais de atenção. Foi, outra vez, a exposição
dessa movimentação o principal foco da conferência. É muito satisfatório
perceber que a colaboração em rede, a auto-gestão e a mutabilidade
constante estão presentes, em maior ou menos intensidade, em todos esses
grupos.

A submidialogia foi menos uma oportunidade de identificar novas redes do
que de estreitar laços e aprofundar, ainda que muito aquém do
necessário, o debate sobre a atuação delas. Algumas propostas de
encaminhamento, entretanto, caíram no vazio. Talvez pela falta de um
foco específico pré-definido, a conferência teve uma tal multiplicidade
de atuações paralelas que nenhuma delas foi muito pra frente. A falta de
compromisso com horários foi vergonhosamente além do que normalmente se
espera nesse tipo de evento. A tentativa conceitual de abstrair todo
tipo de hierarquia sobre as conversas também levou a uma desorganização
e falta de objetividade muito grandes durante os painéis. Deixamos de
ouvir opiniões valiosas por falta de planejamento, nesse sentido.

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