Deleite-se em 101 paginas de puro debate e apresentacoes: Dia 1 tarde de apresentações e filmes e cachaça dia II 28 de outubro 2005 visita a cada de cultura tainã. depoimento de perna. CASA EM OBRA hoje, esse processo que vocês estão vendo aqui era para ter acontecido semana passada. a gente até que pensou abortar a missão mas decidiu por continuar porque esse é parte do processo e porque na submidialogia a gente imagina que ninguém é tonto. a placa lá fora diz que a obra será entregue em 90 dias, mas já faz um ano e agora estamos nós mesmos finalizando, colocando concreto, re-inaugurando a casa com nossas próprias forças, montar a biblioteca e deixar a casa organizada para poder atender a comunidade. e mesmo aos trancos e barrancos continuamos com as atividades como maracatu de baque virado - pesquisa em cultura popular, oficina de tambores de aço. E essa é a espinha dorsal da casa - orquestra tambores de aço. Pra aquem não conhece é um instrumento de trinidad tobago, proibido pela marinha inglesa. só que os habitantes já conheciam a escala cromática, malafom e marimba, e viram os tambores de óleo na praia e começaram a bater de um lado e de outro e por fim desenvolveram esse instrumento, o tambor de aço e aqui na tainã TC teve contato com a orquestra em 79 e teve a idéia de construir esse instrumento. recentemente compramos mais tambores, porque apesar de TC saber construí-los, demora muito, são muitas marteladas para afinar e com recursos da lei rouanet, a primeira que usamos, podemos captar mais recursos para a orquestra tambores de aço. e mesmo assim os tambores ficaram 4 meses na alfândega, rolou um processo e só conseguimos reaver os tambores quando pagamos bem abaixo do valor que eles queriam. nós somos a única casa independente, é a sobrevivente de 13 outras casas de cultura que existam há 15 anos atrás. os projetos é a gente mesmo que escreve, entra em editais, faz parcerias com prefeitura e governo, tem parceiros, mas a autonomia é da comunidade. e como isso aconteceu? aqui no fundo tinha uma piscina, quer dizer, cavaram um buraco, e fizeram uma praça, mas isso foi construido por conta da eleição, e já no segundo dia já tinha o apelido de pinicão pois nem inaugurou direito e a piscina estava cheia de gente, a grama tava solta. pisaram na grama pularam na água a má fama já começou aí. em 89 teve uma mulher aqui na comunidade, tuninha, que foi a pessoa que iniciou o projeto na casa de cultura, antonia fortuoza filisbino, que participava de um grupo de mulheres, e começou a montar o centro da castelo branco, que é um bairro aqui em cima, onde elas faziam algumas atividades. o tc, que era músico em são paulo, morou sempre aqui na comunidade, e passando por aqui um dia ela chamou ele: "você nao quer dar aula de violão aqui?", até que o centro saiu do castelo e foi para a cobal. a cobal é uma espécie de subprefeitura, corta grama, faz calçada, encanamento. e quando a casa saiu da castelo branco e foi para a cobal, e era um puta espaço, mas a real é que : esse é o primeiro banheiro cultural da américa latina. iam transformar o local em depósito de alimentos da cidade - e hoje é arquivo morto. e quiseram colocar a gente numa casinha, iam alugar uma casa para a gente, para sermos subsidiados pela prefeitura para casa de cultura sobreviver. mas tc brigou com isso pra caramba, falou que ia morrer ali dentro, causar um b.o., mas que não queria uma casinha e sim um espaço nosso. nesse tempo, em 95, tuninha faleceu e tc ficou sozinho por um tempo. e então, aqui era a piscina e aqui o vestário, e os caras deram o banheiro para casa de cultura funcionar. um banheiro! e tc disse: esse é o primeiro banheiro cultural da américa latina. quando a casa veio para cá, para o que era um banheiro, em 21 de dezembro de 96, época em que eu também vim para cá, tocar com banda, e aí já não era mais piscina pois ela afundou, virou esse campo aí, e utilizamos o banheiro, que também foi mudando, ficou deste tamanho. e como conseguimos isso? via orçamento participativo da cidade, e através da coordenadoria de negros tb entramos num edital e fomos beneficiados. mas como várias obras da última gestão em campinas também está parada. e somos nós que estamos acabando. por um lado é ruim e aí vc vê a caduquice do governo, dos projetos que vem de cima, mas de outro a gente vê que não é isso que vai parar a gente. porque se o prédio está com essa cara que vamos parar de fazer atividades que fazíamos num banheiro. agora com mais espaço é mnelhor. a história da cada é essa. tainã significa caminho das estrelas, em tupy-guarani porque esse bairro se chama padre manoel da nobrega e atraves de um sorteiro virou casa de cultura tainã, prevalecendo um nome indígena, que foi ato de resistência, pois aqui é praticamente o centro de um bairro, de um lado nóbrega, garcia, aurelia, londres, do outro lado castelo branco. e periferia em campinas tem nomes lindos como vila rica, vila bela mas é tudo periferia feia, onde a criminalidade impera. repesentamos 40 mil habitantes. da aranquera para cá é o outro lado da cidade. em campinas temos uma história que é trágica. no arquivo de garden hall, na unicamp, tem algumas pesquisas que foram feitas na época da escravidão e o massacre aqui foi forte. então temos vários problemas para a comunidade se apropriar do que é dela. a própria história do samba no brasil tem uma participação grande de campinas, aqui é onde existia o samba de bumbo, que juntava a região de piracicaba, tietê, capivari, toda a região aqui de campinas, e o próprio samba em são paulo, geraldo firmo fala desse samba de bumbo aqui de campinas e a azabumba, que foi recuperada aqui na tainã telo tc que depois de 20 anos, começou a tocar samba de bumba de vinhedo, voltou a exsistir, tocar o samba lá, em função dessa recuperação dessa azambumba. então nosso papel é um pouco esse, interferir nessa realidade em que a gente vive aqui. temos praticamente 17 anos de história dentro da comunidade, tudo que a gente vê aqui foi montado com o esforço da galera mesmo, criamos barba, chegou aqui quando tinha 15 anos. tem um projeto que está acontecendo agora, que ganhamos como ponto de cultura. é o projeto mocambos, uma rede de vários parceiros, como o pessoal do herbert de souza que é um cursinho pré-vestibular aqui perto, que tem uma antena gesac e que não conseguiu se candidatar como pdc, porém eles entraram na rede mocambos. e o que eh? troca de informacao tudo que passa aqui vai passar lá também. tem tambem o sao bernardo, o que eh? eh um dos primeiro bairro de negros aqui em campinas, a intenção é que a rede tambem chegue ate lá. tem em americana um projeto chamado tambor menino - vontade de vencer, que tambem tem uma antena gesac la e eh um ponto de informacoes la, e faz parte dessa rede que vai trocar conteudos e experiencias entre a comunidade, e abrir cada vez mais. entao tem um garoto que vinha aqui quando tinha 15 anos, que eh o deco, eh do 411, eh parceiro, trabalhando em hortolândia. em hortolandia a intencao e tambem conectar a comunidade na rede. entao a rede mocambo vai servir pra isso: sao trocas de informacao e trocas de conteudo. E aí eu vou falar pra voces, porque a gente toca tambor e fala de internet? e o TC vai falar pra voces, o TC foi o cara que lancou essa ideia, e essa idéia é a idéia roots mesmo: tambor, africa tocava-se tambor, certo? dai tinha uma tribo distante da outra que tinha um problema, e na outra tribo, do lado de la, tinha um curandeiro. dai essa tribo de ca precisava falar com a tribo de lah. e o que ela fazia? tocava. tocava, alguém ouvia, interpretava o som: tá precisando de ajuda. então o que é isso? a primeira internet! o tambor era a primeira internet, tá ligado? mas a diferença é que o tambor comunica a alma. essa é a diferença da internet para a internet-tambor. então a gente procura associar nossos trabalhos com o a experiência que a gente tem do ponto de vista africano, do olhar quilombola, por isso se chama rede mocambos, aproximar a comunidade neste sentido, recuperar nossa história, ter uma identidade cultural, racial e usar as ferramentas que temos à mão, internet, tambor de aço, biblioteca, ferramentas usadas para desperetar a consicência trabalhar essa filosofia que herdamos de nossos avós. o tc mesmo foi um cara que vivou num quilombo até os 9 anos, e a experiencia dele hoje chegou para a gente. eu nunca vivi a experiência de passar um tempo em um quilombo, eu conheço os quilombos mais urbanizados, então não conheço um quilombo. então vejo a tradição oral de um mestre, um griô, e tc é um griô muito em função disso, que é um pouco isso, possibilitar que caras de periferia, caras como eu, e outros que moram por aqui, ter acesso à sua própria história e isso ser multiplicado amanhã. sempre tivemos a intenção de ter um estúdio nosso. agora lá em baixo vamos ter um estúdio, com uma sala enorme para captação e uma sala separada para bateria, em cima a técnica. a idéia é trabalhar com software livre, trabalhar com programa de tv, com rádio e gravar nosssa próprias coisas, ter um estúdio na comunidade. dentro dessa histórioa de orçamento participativo, tinha essa idéia de se criar um estúdio público. mas estudio publico nao e estudio livre*. quem vai controlar é a prefeitura. e a gente falou: nao, nao associo nesse projeto. pode participar da dsicussoes, por que é publico, mas a nossa história é ter o nosso estudio coma nossa cara, a cara da comunidade. o projeto fabrica de musica, entao quando a gente pensou no projeto da casa a gente colocou o estudio pra ser essa alternativa para fazer o nosso trabalho. E em hortolândia estamos tentando levar computadores pra imagina uma galera cabeluda, tocando tambor?lá e manter contato com a galera. eles ja estiveram aqui. Foi massa... quando voltamos do Primeiro encontros de conhecimentos livres do piauí, voltamos com o maior gás, o tc numa viagem: vamo fazer esse evento chamado pajelancia-quilombolica-digital! entao o que é isso? é tudo ao mesmo tempo agora: é oficina grafiti, o que é hardware, o que é software livre, streaming, banda tocando, papel machê, e veio uma galera de hortolandia pra ca, e o que fizemos? gravamos, documentamos e fizemos os tambores deles aqui, para poder reproduzir para uma outra galera. é isso. desculpa por não estar fazendo uma batucadadona, tá rolando uma batucada de cimento. a casa não tem horário para funcionar, mas a galera tá aí todo o dia, durante o dia. tá alguém tem alguam dúvida? - em quantas pessoas vocês são? 15, agora 15. a gente agora tem salário, via lei rouanet. é o projeto tambores de aço. BARULHO DE BETONEIRA [...] a gente é independente mesmo. mas sempre tem uma galera que não gosta né? imagina uma galera cabeluda, tocando tambor, incomoda a vizinhança de vez em quando... os caras vêm sendo chatos mesmo, mas vai trabalhando com o tempo, tentando aproximar a galera, tentando criar os projetos e eles vêm, apoiam, mas vamos construindo historia, e isso não se pode negar. a verdade é a verdade. como e que os caras criam mentira? - e a relação de vocês com a unicamp? a unicamp, olha.. (risos), a gente conhece um brothers. a relação mais sincera que temos com eles, sem interesse politico, sem ser do lado negativo, sao as pessoas com quem temos a mesma fé, a mesma ideia, a rádio muda e tal. teve varios projetos que ja tentamos, mas que não são efetivos. hoje mesmo teve um pessoal da linguística, eles vão construir um site para a gente e iam fazer em ruwindows, mas vamos ensinar eles a usar software livre para fazer nosso site. e a galera topou. os alunos que vem aqui, menos os laranjas, os roots mesmo, os que sabem daonde vem, porque estão lá dentro, têm uma troca legal, mas sempre tem o cara que vem aqui como pesquisador. planilha, bota o oclinhos e fica pesquisando... não. tira o sapato e cai no samba. pára!então pegamos pesado. o cara que vem aqui filmar, aí filma e some com o vídeo. daí eu sou o chato a ir lá e enquadrar: então dom, cadê o filme? cadê a fita? então a relação com a unicamp não está escrita, é com as pessoas. eles estão muito trancados. a academia não está muito preparada para entender o que é o trabalho de comunidade. sinto muito mas a academia não vai me ensinar os 12 anos que estou aqui dentro. pode contribuir alguma coisa, mas não existe essa aliança. fica muito o conhecimento técnico, a teorização, e a prática mesmo é outra. e ao mesmo tempo não estamos fechados, procuramos nos relacionar com a unicamp, ter parcerias, mas nunca teve efetividade. sempre vem gente da unicamp aqui, faz anos, mas vai embora, e tem muitas pessoas que são de fora que passam um tempo aqui, 5 anos, e depois vão embora, então uma relação mesmo com a unicamp não existe. uma: tá escrita vc faz isso eu aquilo, não existe. quando precisamos importar os tambores prá cá, nos procuramos os caras várias vezes, tá ligado? o pessoal da extensão... mas não funcionou. atualmente na formação da orquestra existe uma negra, a sonura, de trinidad e tobago, toca numa orquestra lá, que veio para cá com o instrumento dela, e ela também está no projeto. só que ela é uma aluna da unicamp mas não existe nenhum incentivo na vida acadêmica dela para que ela mantenha essa extensão aqui. imagina... que uma negra que vem lá de trinidad e tobago, vai parar na unicamp, encontra uma comunidade... não somos banda, não somos artistas da globo, não somos artistas.. o trabalho é simplesmente uma comunidade. mas a unicamp não chegou assim: nega vai lá abre sua cultura para aquela comunidade! em trinidad e tobago os caras são muito eruditos, de colonização inglesa, e aqui ela se sentiu em casa, tocamos salsa, merengue, calipso, uma coisa que é mais popular, para tocar a galera... - já tiveram horta? quem corta a grama é a cobal. e eles chegam às 7 da manhã e se não tiver ninguém, não rola. casa de cultura é a nossa casa. me toca, e eu toco ela. para a gente sobreviver aqui dentro foi com show, apresentração e até hoje ainda fazemos isso. - e sobre a pesquisa em cultura popular? a nossa cultura, de fato mesmo, cultura de raiz, ela não chega para gente. conhece-se aqui o pagode mas não sabe o que é samba de raiz, conhece aqui o maracatu de chico science, mas não o maracatu na base, dentro do candomblé por exemplo. então quando falamos em pesquisar, falamos de pesquisa de uma forma não acadêmica, mas de conviver com a comunidade que realiza aquela atividade. então pesquisar é isso, ir e conviver. para manter o projeto de maracatu aqui, tivemos oficinas com vários grupos, passaram aqui lá do recife, mestre ivaldo com maracatu nação estrela brilhante, mestre afonso do maracatu nação leão dourado, mestre chacon do maracatu nação porto rico. para entender o significado do tambor conversamos muito com o tc, falamos também com o nubumba, um cara que construía tambor com amarração de cordas, aprendemos com jassá, que deu aula de capoeira. então quando falamos de pesquisar cultura popular, isso nem representa o significado da coisa, pois o que a gente quer mesmo é saber o que está por trás daquilo que está ali, onde está a identidade, qual minha conexão com a áfrica, onde estão meus ancestrais... e hoje em dia a midia nao te diz isso. a mídia, se depender dela, tenho cabelo alisado, faço barba, bebo cerveja, janto, acordo às 8 e eu não sou xx, nãom preciso saber nada de mim, e o nosso trabalho é esse. com as crianças que vem aqui, a gente teve um impasse, pois tem muitas delas que vêm aqui da igreja evangélica, católica. e você vai falar de maracatu, e aí tem que falar de candomblé e temos que falar de religião final maracatu é religião, mas como vamos fazer esse link? mas existe o respeito da igreja e a família. e por mais que não esteja escrito isso, quanto tocamos o tambor aqui, isso movimenta outras esferas, e por isso tem que ter um jeito de chegar no garoto, desmistificar aquilo para ele, de tentar fazer compreender que aquilo não é exatamente sua religião, mas que faz parte da história dele. pesquisa em cultura popular é basicamente isso. por isso trazer os mestres... há menos de 2 semanas atrás teve um cara aqui, do méxico que apareceu com um jambé e uma negra que dançava muito, passaram uma tarde inteira dando oficina aqui e voltarão em fevereiro. então várias histórias se acoplam, que as pessoas trazem, se somam à molecada... parte da tarde pajé rádio interferência, thiago, meta pessoas que chegaram hoje e não recebeu boas vindas, pessoas que leram o cartaz, alunos do professor sérgio silva, pessoas que ficaram sabendo, boas vindas. eu estou bastante animado e feliz com o que está começando hoje. e as pessoas que acabaram vindo e participando. ontem foi uma abertura muito calorosa e informal. no sentido estrito da palavra caloroso. pois então a galera ficou mais fresca da estufa da casa do lago. e o que a gente deve pretender fazer aqui hoje é falar e escutar muito. ontem os momentos mais eloquentes foram quando começamos a tomar cerveja, na balada, quando muitas coisas surgiram, nos instantes de festa, quando trocamos muitas idéias. e se for possípara abrir vel replicar isso aqui  ouvindo e falando, que participassemos bastante. a idéia era não fazer uma mesa com 5 ou 6 pessoas mas que as pessoas ficassem aí e quando quisessem falar, levantar a mão e ir falando. gostaria de chamar o dalton, para abrir essa conversa barata e fácil. gostaria também da intervenção de vocês. o professor sérgio silva também vai chegar para falar um pouco. a idéia dessa mesa é uma que resume um  pouco a idéia da conferência que é trabalhar as relações escondidas e intersexas entre teoria e porática e acho que dalton e metareciclagem tem muito a acrescentar sobre isso, mas deixo para falar mais tarde. orbigado por sua sua presença e bem vindo à unicamp a idéia quando a gente estava discutindo o tema, e pensando sobre como vamos abordar essa questão a respeito da teoria e prática se há prática dentro da teoria se há prática dentro teoria dentro da prática, o que metareciclagem tem a ver com isso e  como a gente se posiciona em relação a isso. vou dar um apanhado bem rápido do que temos feito com o nome de metareciclagem. metareciclagem hoje é o que se pode chamar de um conceito, que tem muito a ver com apropriação ou reapropriação tecnológica. por reapropriação tecnológica, a gente vem sempre tentando construir esse conceito, tentar entender o que é o que chamamos de reapropriação tecnológica e porque o metareciclagem faz isso. começamos o metareciclagem dentro de uma lista de discussão, o projeto metáfora, e dentro dela começamos a identificar algumas necessidades, conceitos e emergências em termos de práticas em relação a projetos sociais, comunitários no campo da inclusão digital. e a gente sentia um problema muito sério que era quando as pessoas chegavam e falavam assim: nós vamos construir um projeto de inclusão digital, ou vamos construir um laboratório de informática, vamos dar cursos, abrir um telecentro, dar acesso à informação. mas e a apropriação tecnológica? como que eu me aproprio dessas ferramentas? ou melhor, estou me apropriando dessas ferramentas ou simplesmente ampliando um mercado de acesso à mídia de massa? ou ampliando um mercado de acesso à um campo de consumo que tecnologia de informação tava me trazendo? aí num dado momento chegamos na idéia de trabalhar com a apropriação de tecnologia dentro das máquinas, como se apropriar do hardware. porque não abrir o hardware, porque não reinventar esse hardware, porque não adaptar, reintepretar esse hardware? então metareciclagem surge dentro de um contexto aonde a gente queria construir o conceito do hardware livre. quando o meta recebe uma doação de computadores, eles podem ser abertos, as máquinas podem ser desmontadas, podemos buscar elementariedades dentro dos computadores, sejam de placas, de peças, sejam de cabos, circuitos, motores etc. e o metareciclagem comereapropriação tecnológicaçou como uma comunidade de prática, como um grupo de pessoas que se reuniam em torno interessses comuns, que basicamente eram descontruir hardware, montar novos computadores, bolar novas idéias com aquela tecnologia que a gente estava desconstruindo, tentar bolar novos sistemas computacionais, novos usos para aquela eletrônica das peças e como que a gente podia traduzir isso dentro do cotidiano e tambem como podíamos construir projetos que pudessem se apropriar dessa tecnologia como mecanismo de geração de trabalho e renda. então começamos praticando isso, recebendo doação de máquinas, desconstruindo máquinas, tentando bolar novos mecanismos, nos apropriamos do software livre como metodologia de camada lógica para operacionalizar aquele hardware que estavamos tentando desconstruir. isso foi no final de 2002 começo de 2003 e de lá para cá os projetos começaram a acontecer, seja dentro de escolas de ciência, telecentros, seja dentro de governos, entidades privadas.. e a idéia começou a ser trabalhada. neste ponto, quero chamar a atenção para um lado teórico dessa história. caiu na minha mão um artigo de um texto que o ricardo rosas estava lendo e ele é bem próprio, e se chamava apropriação da tecnolreapropriação tecnológicaogia ou tecnologia reaproprida, que divide o conceito de apropriação tecnológica em três momentos. e aí foi muito interessante pois tambem pudemos reinterpretar aquilo que chamamos como metareciclagem e também tentar conceituar isso dentro dos três momentos. e esse artigo diz o seguinte: a apropriação tecnológica, em um primeiro grau, se dá com a reinterpretação da tecnologia. e o que é reinterpretação da tecnologia? eu posso pegar um computador e pintar essa máquina, ou eu posso fazer um grafite numa parede, um desenho, ou mexer esteticamente nesta tecnologia, eu estou reinterpretando essa tecnologia, apesar de que o uso dela continua sendo o mesmo para o qual ela foi proposta. ou seja, o computador continua sendo usado como uma máquina de digitar texto, acessar a internet, enviar e-mail. esse é o primeiro grau, reinterpretar a tecnologia. então eu posso me reapropriar, através desse processo de reinterpretação. um segundo grau de apropriação tecnológica se daria quando eu começo a adpatar a tecnologia. então neste momento eu consigo partir do conceito constitutivo da tecnologia como objeto de uso para determinadas tarefas, e adaptar aquela tecnologia para contextos que fazem sentido dentro da minha realidade cultural. neste ponto, eu posso imaginar por exemplo o software livre. posso imaginar que eu pego elementos de um software, elementos de um outro software, e adapto aquele software para minha necessidade. e aí eu trabalho dentro de um conceito aonde eu coloco minhas necessidades específicas, sejam elas pessoais, de um grupo, coletivo, de uma comunidade. esse é o segundo grau de apropriação tecnológica. o terceiro grau de apropriação tecnológica é a chamada reinvenção. então eu pego uma tecnologia existente para um determinado fim. um exemplo que estamos fazendo hoje dentro do metareciclagem, eu pego um floppy de computador. esse floppy foi criado, projetado, desenhado para ler disquetes. dentro da cabeça das pessoas que projetaram o floppy, o uso dele era esse. a partir do momento em que pego esse floppy, desconstruo esse floppy, eu estudo a elementariedade pela qual ele funciona e através do qual se dá a integração de suas partes, eu invento por exemplo um carrinho. e através desse carrinho eu crio movimentos, eu controlo os motores de passo, eu desenvolvo um software para reinventar aquela tecnologia, e aí eu extrapolo os limites conceituais pelos quais aquela tecnologia foi concebida. esse é o terceiro grau de apropriação tecnológica. então, quando a gente tá falando de se apropriar de tecnologia, e até antes dessa palestra eu fiz essa pergunta para algumas pessoas: o que você entende por apropriação tecnológica? a gente tá falando de algum, ou talvez existam outros níveis de apropriação tecnológica, que a gente também pode estar discutundo aqui, mas dentro de minha compreenssão, a gente está falando de um desses níveis. e o que acontece? quando eu me aproprio da tecnologia estou de uma certa forma reinterpretando, adaptando ou reinventando. e dentro do que a gente faz no metareciclagem, e esse é o lado teórico da coisa, a gente começou a perceber que esse processo, seja ele de reinterpretação, adaptação ou reinvenção tem um lado econômico, que tem um grande potencial de reverberar para o lado financeiro, aonde eu começo a construir um caminho de aproprioação tecnologíca que efetivamente pode ser levado, em alguns casos, em contextos especificos, para geração de renda, autonomia e aquilo que podemos chamar de sustenção dentro de um projeto que desenvolve tecnologia. quando a gente sacou isso dentro do metareciclagem, a gente percebeu que para que a gente conseguisse imaginar MICROFONIA eles estão ligando o microfone sem fio aqui para que a gente possa falar andando pela platéia. então quando você começa a perceber que a questão da apropriação tecnológica como sendo um elemento que pode derivar para um projeto ou uma circunstância de construção cultural que leve à essa integração econômica, financeira, e que isso pode levar para a sustentabilidade, você também começa a pensar em como construir políticas públicas, em como construir pesquisa e desenvolvimento, apropriação tecnológica, em cima dessa idéia de apropriação tecnológica. então você passa a sair de um modelo aonde as pessoas que pesquisam e as pessoas que desenvolvem a tecnologia são efetivamente os designers daquela tecnologia, ou seja, fazem parte do time de desenvolvimento da empresa, de concepção tecnológica daquele produto para reintegrar esse produto e essa tecnologia numa nova escala. ao fazer isso, o que acontece? a gente começou a perceber que esse processo também derivada de necessidade dos usuários daquela tecnologia de extrapolarem seus limites e muitas vezes essas necessidades também tinham um cunho econômico, financeiro, no sentido de que uma série de circunstâncias sociais e culturais eu não tinha condição de financiar determinadas idéias e projetos. e a partir das possibilidades de construção e apropriação tecnológica eu criei novos mecanismos. isso se traduz, dentro do metareciclagem, do que chamamos de apropriação tecnológica, de uma prática de você, ao momento de montar qualquer estrutura tecnológica você partir da desconstrução dela primeiro. por exemplo, se a gente vai montar, o que hoje pode ser conhecido como um telecentro, a última coisa que vamos fazer é colocar os computadores nos lugares para os quais eles são designados e a ultima coisa que vamos fazer é operacional esse computadir para acessar a internet, construir um texto ou editar uma imagem. a primeira coisa que vamos fazer é descontruir a tecnologia, é desmontar essas máquinas, perceber que dentro delas há uma série de tecnologias embarcadas que a gente dá o macro-nome de computador, mas isso é apenas um conceito. e que essas tecnologias embarcadas podem ser desconstruidas isoladamente. então no momento onde você abre uma caixa de uma doação, você separa teclado para um lado, mouse para o outro, computador para um lado, monitor para o outro, voce integra os computadores dentro de uma escala de teste  aonde voce precisa abrir esse computador, tirar um floppy, trocar uma fonte, mexer na memória, abrir o floppy, mostrar o uso de um microprocessador que está dentro do floppy, que você nao concebia ele pra outra coisa, pra movimentar o motor, você mostrou o caminho de apropriação tecnológia. que parte dos três principios. por quê? porque eu posso reinterpretar essa tecnologia a partir do momento que eu me aproprio esteticamente dela, seja pintando essas maquinas, seja imaginando uma disposicao diferente para essas maquinas, seja locando essas máquinas numa outra condição estrutural fisica. eu adapto essa tecnologia a partir do momento que eu construo rede com thin clients ou que eu customizo o software que vai entrar no computador, ou eu tiro o HD da minha máquina e posso operar essa maquina como um terminal leve, e posso fazer ela funcionar dentro de uma outra topologia de rede diferente do qual ela foi concebida, eu estou adaptando, eu estou reinventando a partir do momento que de um computador eu construo um jogo, ou eu construo ou uma máquina que vai operar um tabuleiro, ou eu construo carrinhos que podem entrar em uma outra dimensão de interacao tecnologia. então, resumindo aquilo que eu queria colocar: quando a gente estiver dentro de um contexto de pensar em apropriação tecnológia, primeiro pensar dentro de qual nível a gente está interagindo, como eu estou me apropriando tecnologicamente de tal recurso, ou será que o meu grau de interferência naquela tecnologia está se dá no limite pelo qual eu conheço? será que não existe um grau além? será que eu não consigo buscar uma elementariedade além? e sem, é claro, imaginar que eu vou chegar na elementaridade básica? por que isso é um/CORTE/ o que a gente consegue perceber hoje é todo um movimento da indústria tecnológica de também apropriação da interferência dos usuários, quer dizer, aquilo que os usuários criam como design, aquilo que os usuários criam como conceito tecnológico passa a incorporar o próprio produto, e passa também a ser uma relação dual com a indústria. quer dizer, a criatividade, a invenção, entra dentro do circuito da concepção tecnológica, e entra no conceito de apropriação do  design, né? então esse é um movimento que ele tem, hoje, uma evidência muito forte naquilo que a gente vê acontecer dentro das comunidades de software livre, evidentemente, porque conceber o design de um software é muito mais simples, muito mais imediato do que conceber o design de um robô, e ele se dá de uma forma totalmente digital, e eu consigo compartilhar ele mais facilmente, mas o que eu coloco como sendo fundamental para nossa prática tecnológica é extrapolar essa apropriação tecnológica, é entrar dentro desses três níveis profundamente e radicalmente na nossa prática de uso da tecnologia. quer dizer, quando eu sento para usar meu laptop, para ver o meu computador, será que aquela disposição física é a disposição física que eu concebo como a minha prática de uso da tecnologia? será que a construção espacial do local aonde estou pensando para a prática da minha construção de conhecimento através da tecnologia é um espaço que efetivamente estou me apropriando dele? então levar esse conceito da apropriação um pouco mais a fundo, um pouco além dentro de nossas práticas. porque senão a gente senta naquelas baias de computador que parecem cochos, a gente não vê as pessoas estão ao lado, manda emails uns para outros, constroem todo um processo colaborativo que se dá no espaço online, e a gente não consegue se olhar um nos olhos do outro, que estamos sentados um do lado do outro. e o processo imersivo se dá  ali, dentro do espaço aonde estou ocupando e é onde eu ocupo com a minha construção tecnológica. então o que eu quero deixar como discussão e lançar isso como idéia é o que a gente tenta fazer hoje dentro do metareciclagem é praticar isso, praticar a apropriação tecnológica efetiva e não apenas construir espaços para acesso à tecnologia. isso é muito aquém das possibilidades que nós temos hoje como prática. e eu diria mais, usando como exemplo o que se faz hoje no projeto pontos de cultura, do ministério da cultura, isso também pode ser política pública. apropriação tecnológica pode ser e é política pública dentro de uma compreensão um pouco mais ampla da apropriação tecnológica e da inserção da tecnologia dentro dos campos de difusão cultural que nos vemos hoje acontecer no Brasil. então nós temos de uma certa forma uma intensa responsabilidade sobre essa prática pois somos atores em algum sentido desse processo, e temos também uma intensa responsabilidade em mostrar isso aqui dentro da universidade, da academia em como esse processo pode interferir em outras áreas, inclusive difundindo eixos de apropriação tecnológica para uma grande interferência dentro do mercado econômico, financeiro, corporativo que existe hoje à beira de todo esse processo. então faz parte do nosso processo integrar isso dentro do pensamento teórico que era o que motivou esse encontro, o teórico e a prática, mas sim radicalizar a nossa prática em termos reflexivos de como estamos nos apropriando da tecnologia senão caímos na situação de usar o debian e o firefox na nossa máquina mas quando aparece um bug a gente dá cancel por que dá trabalho reportar o bug no bugzilla, porque dá trabalho entrar na comunidade e mostrar o ponto falho daquela tecnologia da qual estamos participando. pensar isso sobre a nossa prática. qual é a nossa prática de apropriação tecnológica? efetiva, no dia a dia, no uso do hardware do software, e da colaboração em rede, e como podemos transferir isso no campo teórico para construir essa ligação entre as pessoas e entre esses atores. então acho que é isso. não sei se a gente abre para perguntas agora... - só uma localização, você usou uma expressão que é metodologia de camada lógica? poderia especificar? essa história é uma história antiga. é um papo que vem lá de pierre levy, século XIX, um conceito quer se originou dele, que falava que para que você tenha a liberdade de informação você precisa construir a tríade da informação livre. para construí-la você precisa de uma camada estrutural aonde você tem que ter computadores, cabos, máquinas e laptops, e tudo aquilo que for estutural, que é a camada física. você precisa ter uma camada lógica, que é um software operando em cima da camada física, e num terceiro momento, uma camada de circulação e colaboração em cima da informação. e aí você construiria a tríade da informação livre. seria isso aí. - O: o artigo que você mencionou sobre reinterpretação, adaptação e reinvenção que menciona as três apropriações, qual o autor do texto? - D: você lembra rosas? - R: Brown Herbish - D: eu tenho a url do artigo depois eu posso jogar aí... - O: você falou em outros níveis de reapropriaçao. vocês estão pensando a partir de uma base, a base do Hackler, o primeiro momento, o primeiro experimento que vocês estão fazendo de como ele funciona. Agora, a partir do momento que você tem essa imagem da uma sensação, que nem você falou de a partir dali você vai replicar o que são essas três etapas, esses três conceitos que são da metareciclagem... vocês trabalhando com o conceito de apropriação mataforica junto com a ideia de reapropriacao? Como e que vocês jogam? Dalton: Sim, eu diria que sim. Na verdade o seguinte, você so consegue fazer uma reinterpretacao da tecnologia como primeiro grau de apropriação tecnológica se você invadir o campa da metáfora. Se vocês entrar no campo da metáfora você constrói todo um simbologismo, ne? E, se vocve levar no limite uma semiótica em cima da historia, que permite eu me identificar com aquilo de uma outra forma, então eu construo um significado diferente para aquilo. Entao sim, eh... inclusive uma discussão que a gente tem intensa dentro do metareciclagem eh, por exemplo, são as metáforas de explicação quando eu vou falar da tecnologia. Pó, pega um computador “ah um computador eh como se fosse uma maquina de escrever”, ou o notebook, porque tem esse nome notebook? O mouse... como eh que eu dou novos nomes para aquilo, neh? Como que eu chamo, como que eu explico o que eh um HD dentro de um computador sem ter que usar a velha metáfora de um fichário de arquivos, que eh uma puta coisa que vem de uma metáfora de desktop, de escritório e que muitas vezes a pessoa nem conhece aquilo, nunca nem viu um fichário de arquivo, neh? Então sim, a gente tem um trabalho quer eh lento, que eh delicado, mas que eh de repensar as metáforas, tanto que o metareciclagem se originol do projeto metáfora. -O: ultima perguntinha assim. Quando você fala “a gente faz um processo de desconstrução tecnológica”, ha uma construção de referencial teórico a partir de um conceito de desconstrucao? Como eh que vocês lidam com os discursos sobre desconstrucao que não são os discursos apoiados na tecnologia. Vocês fazem a conexao disso ou essa idéia de ter uma comunidade de pratica vai direta da interação para a construção de conceitos? Dalton: o processo de desconstrucao ele surgiu de uma necessidade pratica. Para montar novos computadores era necessário canibalizar outros, então a gente tinha que sacar muitas vezes um transistor de placa para colocar em outra para que aquele transistor pudesse suprir uma necessidade. Então ela começou de uma pratica, o fato de eu ter que pegar doações das mais diversas possíveis e a partir destas doações, que tem realidades tecnicas das mais diversas, eu poder construir novas maquinas, me levou a partir para a desconstrucao, depois, a gente começou a perceber que este processo de desconstrucao estava na pedagogia, esta lah em Paulo Freire, e os caras jah estão falando isso ha décadas e tem tudo a ver com isso. Quer dizer, como eh que eu trago esse processo do Paulo Freire, como eh que eu trago as idéias do Piaget, e por ai vai embora. Como eh que eu entro com isso dentro deste processo? Mas o que a gente acha muito bacana eh que a metáfora surgiu na pratica neh? O canibalizar, o desconstruir... enfim, tropicalizar que seja, em homenagem ao Cláudio que esta aqui do lado. Como que eu posso fazer isso surgiu da pratica, da experiência de um dia a dia de um laboratório de metareciclagem, que eh uma coisa maluca porque cada dia chega um equipamento novo, e muitas vezes você pega três quatros técnicos olhando para um hardware e se perguntando “o que eh isso?”. A gente nunca viu aquele hardware, então eh como você imaginar um cara de Jupter e dar para ele um computador onde ele nunca viu um computador, ele vai falar assim e agora, onde eh que liga? O que que eh isso aqui?”. Então você parte desta pratica. Ruiz: então beleza Dalton, vamos botar você na fogueira meu caro. Eu queria saber o que vem sendo escrito, realmente teorizado a respeito de galeras que estão trampando nisso que vai da relação maluca que o Pajé estah levantando ali. O Cláudio chegou e falou assim “Pó eh uma conferencia onde se estah falando o que a gente jah conhece pra quem jah conhece”, não eh uma conferencia que eu quero saber de quem a gente conhece o que eles estão sabendo saca? Então eu queria saber o que realmente esta sendo feito a respeito disso, tipo de mesclar todas as ações praticas, não soh de meta mas de reapropriacao que teve disso, o que estah sendo realmente produzido e quanto estah sendo produzido e porque não estah sendo produzido? D: em termos teóricos? R: sim. D: aquele cara ali, que talvez você deva conhecer chamado Felipe Fonseca, o tal do FF. Na verdade o seguinte, dentro daquilo que a gente chama de metareciclagem a gente sempre teve uma grande tendência a ignorar a construção teórica, porque a gente sempre achava que a universidade era um saco, que os acadêmicos eram extremamente sacais e que se a gente parece o nosso tempo de produção em laboratório e ficasse escrevendo artigo, isso ia ser extremamente brochante. Então, durante algum tempo a gente evitou fazer isso, apesar de que as discussões de boteco eram extremamente teóricas e dentro da lista a gente entrava com vários caras que pudessem influenciar a pratica do processo. De um tempo pra ca, eu diria mais ou menos de um ano para ca, isso vem se invertendo e eu diria mais, ateh tem u pessoal da Índia que estah aqui, isso vem sendo influenciado muito por causa deles, porque quando o Felipe foi pra lah, e você acho que inclusive estava junto, a fala do Felipe quando ele voltou foi marcante para mim no seguinte sentido “cara eles são muito profundos” e a gente estah mutio centrado na pratica, então a gente tinha muito um xemele, a gente conseguia catalisar o processo, fazer eventos, festas, laboratorios, etc. Mas quando o Felipe esteve na Índia ele se sentiu acoado em termos teoricos, então a gente sentiu que era o momento de parar e começar a escrever. Bom, sendo pratico, onde estah isso? Dentro do nosso wiki, ou seja, www.metareciclagem.org, estah começando a brotar uma serie de artigos que tem cara de artigo acadêmico para ser submetido para congresso e etc. Parte por influencia do IPTI, o que eh super positivo e parte por influencia deste processo que se originou na Índia com a ida do Felipe no ano passado. Então, dentro do wiki você acha, por exemplo, um artigo que eu e o Cláudio começamos a escrever, que eu passei o inicio deste artigo para o Cláudio que eh a respeito da construção de designe colaborativo, tem um outro artigo sendo produzido que fala de todo este processo de apropriação tecnológica que eu vim falar aqui. Então tudo isso a gente estah começando a construir artigo que podem entrar em capítulos de livros, tem um artigo que foi enviado para o Rosas para o livro da Submidiologia. Então a gente jah começou também a mesclar este processo de pratica, ou seja, tah, tudo bem, ir para o lab todo dia trampar eh fundamental, articular a rede eh fundamental, mas também para um tempo para escrever eh fundamental. Eu puxo a minha orelha particularmente neste processo porque eu demorei muito tempo para sacar isso, quando alguém falava assim pra mim “tem um cara da universidade...”, pó meu eu vim da universidade, os caras são muito chatos, eles estão falando de Pierre Levy jah faz vinte anos e ai neh?. Então eu acho que foi ate uma certa arrogância nossa ao não reconhecer este caminho, mas que agora vem sendo remixado. Tati: Ao mesmo tempo tem uma documentação supere tensa neh? Muita foto, muito relato de tudo o que aconteceu. Então mesmo que não tenha esta reflexão critica tem um documento, tem uma historia ali sendo escrita. Dalton: eh, se alguém entrar no site e se lançar sobre o que estah ali escrito, ele vai achar muita informação, mas muitas vezes desconexas, tem historia que não estah concluída, tem foto que não fica claro de onde eh, mas tem informação lah, tem alguns elementos neh? O que falta eh o processo de integração disto, que acho que eh costurar isso e dar um arcabolso mais teórico para isso. Ruiz: eu lembro que você falou que o Felipe so conseguia fazer o xemele, não eh todo mundo que entende, eu queria que voce explicasse o que eh xemele. E depois a Tori que se aprofundou ali no wiki do meta ai durante uma semana pra escrever um artigo dela e tal. Então eu queria que você falasse o que eh xemele pra quem não sabe e depois a Tori falasse a respeito do que foi que houve no meu disso no wiki pra ela escrever o artigo. FF: Tah, soh voltando um pouquinho no tempo assim no projeto metáfora ainda. O Xemele começou como uma bronca, uma vez estávamos pensando em tecnologia, pensando em novas maneiras da tecnologia, enfim, se falava sobre RSS sobre Feed, sobre, enfim assuntos técnicos de RSS, XML, protocolos e esse tipo de conversa, e de repente, chega um cara que era um engenheiro que estava fazendo mestrado na UNICAMP e começa a falar sobre criar robôs e distribuir e coisas assim, soh que o pessoal que estava no metáfora, tinha programadores, tinha desenvolvedores, mas tambem tinha jornalista, educadores, designers. Então era uma galera que tinha repertórios bastante diferenciados e ai alguém chaga pra esse cara e fala “oh Xemele esta conversa”, ou seja, fala de uma maneira que todo mundo entenda. Então tem essa coisa assim que eh XML, que eh protocolo de conversa de diferentes sistemas e xemelizar conversas eh dizer fale de uma maneira que não soh técnico entenda. Então o Xemele surgiu desta idéia de conversar coletivamente mantendo um nível de conversa que não fique restrita a especialistas, pra quem sabe o jargao. Ruiz: Agora a Tori. Tori: eu não entendi o que você me perguntou! Ruiz: O Dalton falou que agora estah sendo produzido um material no wiki do meta e que tem muita coisa lah que jah tem uns formatos semi acadêmicos, teóricos e que se a pessoa mergulha naquilo um tempo consegue ter um feedback das coisas. E você se enfiou no wiki ali a umas três quatros semanas para escrever um texto e sair um texto. Então sua experiência no wiki tem a ver com o que ele estava falando, então... Tori: então, eu li assim a parte de perguntas e respostas assim: o que eh a metareciclagem? E eu achei bem claro. E depois eu mergulhei um pouco na parte de replicação, o que que são as terminologias e eu fiz um remix, foi assim, eu juntei informações de diferentes partes e organizei um pouco e foi isso, não teve mistério.mas foi muita coisa sobre a experiência então misturando os novos conceitos que tem sido criados dentro do projeto, tipo não vamos falar de TV digital, vamos falar disso, não vamos falar de telecentro mas de outra coisa e foi isso, não sei mais o que falar agora, desculpe eu não estava preparada. Dalton: Você perguntou se Xemele eh utópico? Xemele eh um grau de evolução. Ele falou que Xemele eh utópico e eu diria que Xemele eh um grau de evolução. FF: sei lah cara eu acho que não eh utópico a medida que eh uma coisa que acontece no dia a dia, não eh uma coisa aonde se quer chegar, n ao eh um estado avançado, enfim não eh utópico porque não eh objetivo, não eh onde você quer chegar, o que seria ideal, eh uma coisa que se processa no dia a dia, eh mais uma pratica do que utopia. Pajé: mas onde voces querem chegar com tudo isso? Eu quero saber aonde vocês querem chagar com tudo isso... CP: reinventando a felicidade, este eh o barato. Pajé: então a reinvenção eh onde a gente quer chagar e a felicidade também. Eu quero saber assim onde que a gente vai acabar. Vocês estavam falando essa coisa assim de reapropriacao e tal e... vamos pensar uma coisa: tem, sei lah, dois três, quatro laptops abertos aqui, todos eles estão usando software livre [provavelmente, ali eh Mac (discussão sobre o software adotado). O que que... qual eh a idéia por trás disso? Qual eh o seu processador? R: motorola. Pajé: processador motorola no mais novo kernel. Qual eh a idéia por trás disso? Vocês não vêem? Não cai nada pra vocês assim de “estou usando um processador motorola, um cd da sony e uso um software livre com trabalho colaborativo!”, isso não desperta nada em ninguém? E ai? O que que h? O que significa estar de portas abertas com o software livre? O que que significa fazer soh um softaware livre por exemplo? O que que eh isso? Isso que eu queria ouvir um pouco de vocês assim, se existe uma idéia por trás do software livre qual eh a pratica a ser levada a cabo pra isso? Ruiz: eu acho que tem o que o Dalton falou de como se da sua participação entendeu? Então o que você esta fazendo, como se da sua participação e não o que você estah fazendo, então eu estou usando isso aqui porque? Eu estou compilando o kernel pata ter um melhor kernel? Não porque ai os powerspcs poderiam ter um kernel habil a fazer stremming de vídeo o quer eh complicado saca? Então o que o Dalton falou: como você contribui nesta historia saca? Você aperta o report do bugzilla toda vez que da pau no seu firefox? Se não aperta porque? Se você não aperta então você não entendeu a relação? Então eu acho que muito mais do que responder o que que quer eh muito mais como voce3 esta dentro do processo e xemelizar o software livre ou qualquer tipo de reaproveitacao tecnológica. X: você esta satisfeito com a sua parte? Ruiz: olha eu não chego a estar satisfeito, por exemplo, agora eu gostaria de compilar meu wifi que não esta sendo nada fácil não, mas e ai? Eu to fazendo a minha parte, são meus dois centavos. FF: mas tem uma conversa que rolou ha uns dois anos no SENAI. Uma palestra sei lah de quem, mas uma conversa que era sobre o software livre, sobre como assim, o que existe de revolucionário no software livre acontece de maneira descentralizada, quer dizer, não são pessoas que tem o objetivo de fazer o melhor browser do mundo, o melhor software do mundo, mas são pessoas resolvendo seus problemas locais, o próprio objetivo da evolução do software livre ela eh um bando de pessoas que quer resolver pequenos problemas e isso de uma maneira emergente acaba criando um contexto que eh revolucionário, mas eu acho que eh uma outra maneira, uma maneira emergente de enfrentar as coisas que varias pessoas tem em comum. Então isso que você falou de quero compilar meu wifi, isso eh uma coisa que eh grande, tem varias pessoas com o mesmo problema e essa forma de organizar que eh diferente. CP: Software livre! Eu pensei que isso não ia ser discutido aqui mais. Software livre eh uma coisa que eh a ponta de um iceberg, a gente tem que sair deste papo e entrar para o que efetivamente esta acontecendo. Ha uma mudança da ética no planeta, esta eh a questão que esta por trás disso. Software livre eh o resultado de uma nova postura ética das pessoas trabalharem de forma colaborativa, o que vem por trás disso não tem a ver com software, tem a ver com uma mudança que acontece no planeta, isso aqui eh a ponta do iceberg mais nada. Ruiz: isso aqui não, o software livre. CP: eh, tudo isso também! Dalton: eu acho que quando você fala de onde a gente quer chegar com tudo isso e o Cláudio trouxe agora esta questão ética. Eu acho que, na verdade, o que a gente esta falando em termos de reapropriacao tem a ver com novas praticas e ai sim entra essa historia da teoria, novas praticas amparadas em uma ética e novas praticas que vao interferir em toda a minha relação com a sociedade, com aquele grupo do qual eu faço parte, a minha colaboração, a forma como eu colaboro, a forma como eu interfiro. E eu acho que isso extrapola e , sem duvida nenhuma os limites do software jah foram extrapolados e estão sendo extrapolados cada vez mais em outras posições, mas eu acho que interfere sim as praticas do nosso dia a dia, quer dizer: como que eu me relaciono dentro da comunidade? Resgata um espírito tribal, resgata um espírito... tanto que você pega hoje pessoas que estudam questões de direitos autorais etc, e aonde que os caras começam a estudar o roots disso? Nas tribos da Austrália e nos índios norteamericanos de como eles se referenciavam aos seus mitos, por exemplo, você vai para tribos da Australia e eles construíam totens de forma coletiva e aquele totem era um meio de acesso a espíritos e soh quem detinham o uso daquele totem podia acessar a esses espíritos e as pessoas trocavam totens para acessar espíritos diferentes. Cara, isso eh creative communs! Pois eh então acho que tem tudo a ver essa historia da ética. Peje: por gentileza vamos nos apresentar e tal! Antonio Abulquerque: eu sou o Antonio Abulquerque trabalho no ministério do planejamento em Brasília no Distrito Federal. Eu acho que o desenvolvimento da sociedade, ela estah muito marcada pela questão da acumulacao capitalista, do dinheiro. Todo processo hoje de desenvolvimento tecnológico, ela tem na questão do capital, no processo da mais valia de produção capitalista a essência. Que dizer, a fronteira tecnológica, o caminho, a trajetoria tecnológica ela esta sendo determinada hoje pelos grandes grupos econômicos que detem 70% do comercio internacional. A gente viu recentemente o governo Lula quebrar a patente do remédio para AIDS porque a industria nacional tinha as condições de produzir o remédio, existe uma necessidade social de se produzir este remédio, não se tem esse remédio na oferta e no preço da necessidade da sociedade brasileira e porque isso? Porque ha o patentiamento do fornecimento o que foge a uma questão ética, porque a questão econômica esta a frente da questão social. O que estamos pensando com a questão do software livre eh fazer i processo de contra revolucao no sentido de colocar a ética em primeiro lugar, dizendo o seguinte: olha a tecnologia que esta se produzindo não esta atendendo e não esta resolvendo os graves problemas sociais do nosso povo. Muito da tecnologia que eh produzida, da ciência que eh produzida nos paises de terceiro mundo tem muito pouco a ver, se aproveita muito pouco socialmente dos seus resultados. Foi como o Dalton colocou na sua palestra dizendo olha o pessoal da academia, pessoal chato... porque que eh chato? Eh chato porque esta distante da realidade social, eh chato porque não tem uma ligação próxima, esta muito distante, se torna chato... ou chato porque não entende, ou chato porque ... CORTE NA GRAVACAO! Ruiz: realmente. Como se pode rolar uma aproximação, por exemplo, de academia com questões sociais ou então de, sei lah, políticas publicas com questões sociais. Mas vamos falar da academia que eh a primeira questão ai. Eu não sou acadêmico, tem algum acadêmico de plantão ai? Por favor quebre essa. Pajé: tem uma coisa. Acho que a gente chegou em um ponto interessante jah que a gente considerou. Jah que tirou um pouco o software livre um pouco do centro da coisa assim, e eu concordo com o Cláudio Prado, acho que temos que dar um passo a frente, mas acho que o mais importante eh o que que esta por trás disso que eh muito loco na historia não eh nem tanto a pratica, não eh nem tanto você aprender a mexer, não eh nem tanto a linha de comando eh a idéia por trás disso, ai a gente conecta com o que a gente propôs aqui nesta mesa, quer dizer: o cristianismo, Jesus e os doze amigos dele lah, eles tinham uma grande idéia para publicizar. O capitalismo eh uma grande idéia, clube de futebol eh uma grande idéia, quer dizer: onde he que esta esse embazamento que não eh material, que não pode ser mexido e remexido, mas ele eh trocado, ele eh intercambiado, ele eh editado e reeditado, etc. Isso talvez seja o ponto mais importante. Onde entra a academia nesta historia? Ha uma idéia como o Iluminismo, ou como A Industria Cultural, ou como saca? Todos esses chavões e etc, são idéias, o cara pegou e fez um trabalho de escrever um livro, dois livros e isso passou a ser um idéia intercambiada por todos ao mesmo tempo, e ai? Se a gente trabalhar com o conceito de distribuição, colaboração; a gente esta misturando de uma forma muito ambiciosa essa relação entre pratica e teoria. Essa separação jah eh uma coisa que, na minha opinião, eh difícil de ser feita, mas se você pensar que o que esta por trás desta historia eh uma idéia muito forte e de que eh um aprendizado, uma cognição muito forte ai eu acho que começa a ficar interessante. FF: que idéia eh essa? Pajé: idéia qual que eu falei? Da industria cultural ou do clube de futebol? FF: você falou que por trás tem uma idéia muito forte, que idéia eh essa? Pajé: as idéias são muito fortes por trás de uma coisa, se você tem, por exemplo, a gente começou a falar de software livre..porque que a gente começou a pensar “ poxa tive uma idéia, vou dar uma mordida nesta maca e passar aqui pra trás ao invés de eu comer ela inteira ” , se essa pessoa também pegar a mesma idéia que eu assim vai e vai. Quer dizer, eu estou falando da importância que a idéia tem... FF: como se explica essa idéia, de colaboração, de conhecimento livre, o que que é essa idéia, o que passa por isso? Peje: então eu acho que isso é um dos pontos mais difíceis e espinhoso para nos aqui. A gente meio que tem muita certeza do que a gente faz saca? Eu sei o que eu estou fazendo, eu sei que isso que eu estou fazendo é bacana, eu sei que eu vou conseguir atingir algumas outras pessoas. Mas pó, eu não consegui chegar numa conclusão com o Cris Scabello sobre mapeamento ou não mapeamento , nem o conceito de mapeamento para ele eh o mesmo que pra mim, entendeu? Ai estava eu o Cris e o Thiago conversando ontem, eu não sei qual é a idéia das pessoas sobre isso saca? Esse é o ponto mais espinhoso, acho que eu gostaria muito de conhecer... CP: Você sabe a tua? Pajé: não eu estou atrás dela... CP: Pó, mas você vai passar o resto da vida assim, eu garanto pra tu que depois do sessenta você aprende que você não sabe mais porra nenhuma mesmo, de verdade, mas tudo bem cara, pra que que você precisa desta resposta? Este é o problema da academia, precisa de respostas, deixa rolar cara, manda ver... Pajé: mas por isso que a minha pergunta foi, o que que a gente estava fazendo aqui. Então a gente não precisava estar aqui, manda todo mundo ir embora. CP: tudo bem, mas eh que nos estamos enganchados em uma ratoeirazinha. Alias, eu acho que esta questão da academia ela passa muito por isso, de estar presa dentro de uma ratoeira, de que tem que explicar as coisas, tem que entender o que esta acontecendo por um prisma teórico. O que esta acontecendo agora vai eventualmente ser explicado, alguem vai ter a pachorra de escrever, de explicar isso, de falar sobre, de fazer avaliação critica, etc. Se a gente ficar muito preocupado com isso a gente para de fazer ,eu acho que o que esta acontecendo aqui é efetivamente a apropriação de um momento, de uma oportunidade extraordinária de avançar e foda-se se esta certo, se esta errado, se deveria ser assim ou assado. Eu acho que tem uma coisa muita em cima disso. Dalton: eu queria entrar em um ponto chave aqui que é o seguinte... FIM DA FITA Submidialogia Campinas 27-30 Outubro de 2005 Dia II Dalton: -Quando a gente fala desta questão da academia, quando a gente fala desta questão das certezas, eu quero me remeter a um momento da história da ciência, mais ou menos no início do século passado, quando brotou aquilo que a gente hoje chama de física quântica ou física moderna. Quando aqueles pesquisadores, se a gente pegar a fala de Niels Bohr, de Heisenberg, Planck e por ai vai, esses caras eles tinham embates dentro de laboratórios que duravam semanas, aonde eles chegavam a surtos muito semelhantes aos quais nós chegamos em oficinas e processos, onde eles diziam assim... Einstein, frase de Einstein, dizia assim: “Perdemos o chão. Estamos caminhando sobre o completo desconhecido.”. Porque aquilo que se brotava no cenário para eles era completamente desestruturante com base naquilo que eles conheciam como o seu arcabouço conceitual anterior que era física Newtoniana e o cartesianismo, então eles conseguiam estruturar tudo a partir de elementaridades que se interconectavam e explicavam o resto. Ai, de repente surge todo um padrão comportamental da matéria dual, ai “fudeu”; ora o eletron é matéria, ora o eletron é luz, é onda, como é que isso pode acontecer? E o que que é pior, se você faz uma pergunta para um eletron do ponto de vista óptico, ele te responde do ponto de vista ótico; se você faz uma pergunta pro eletron do ponto de vista da matéria, ele te responde como matéria. Então, os caras tiveram que aprender uma coisa em 1920 que eles tem que conviver até hoje, que é conviver com a incerteza, tanto que existe uma coisa que chama Princípio da Incerteza de Heisenberg, é uma lei matemática que se chama Princípio da Incerteza. E isso ta lá, nos arcabouços da física, então quer dizer, a gente parte de um momento aonde as redes começam a emergir... tá lá o Barabási quando escreveu Linked traçando esse perfil das redes emergentes em tudo e a gente começa a perceber que essas redes emergentes trazem como conseqüência de seu processo de interconexão das pessoas novas práticas, essa novas práticas começam a puxar atitudes ousadas de grupos que conseguem assimilar esses conceitos no seu cotidiano mais fácil, e ai a gente se depara com esse ponto chave que nós estamos chegando hoje. E ai entra o que o Cláudio colocou: a questão ética. São novos comportamentos, são novos comportamentos sim, mas eu vou além...são novos comportamentos porque vem de novas formas de relacionamento, vem de novas formas que estruturam o relacionamento e é isso que é importante trazer para o dia-dia. Barulho... Estudante da PUC: -Posso... tem uma coisa que vocês estão... Primeiro: eu pessoalmente não consigo associar essa coisa de teoria e prática. Por Exemplo: Se você pega um livro, é teoria ou é prática? Livro não é fruto de uma prática? Eu não consigo fazer essa associação, mas ai cada um pode... Se eu penso no espaço político como espaço de embate ou de força, se eu penso o software livre, ele aparece pra que? Pra dar conta de uma demanda da comunidade local onde pessoas, por exemplo, que são soterradas de verdades e de forças, são soterradas seja pelo estado, seja pelas corporações, é... eu acho que quando o Pajé estava falando: “o que que a gente está fazendo aqui?” Eu achei também, por exemplo, é o Dalton falando do metareciclagem, quais foram as funções que se encontraram, quais são as ações que estão sendo feitas, quais são as soluçoes que estão buscando e pensando nisso tudo colaborativamente. Então, se o software livre aparece como uma resistência, e é resistência política, com relações as corporações alguma forma não está sendo... Primeiro, eu acho que não vale a pena ficar discutindo o que a academia faz ou não faz, quando ela está ai a anos e anos e sempre as pessoas perdem muito tempo discutindo isso. A questão qual é a minha prática e o que ela evoca em relação a isso... Qual é a minha posição e tomar essa posição efetivamente. Segundo; se o software livre aparece como resistência ao estadoo Dalton falando da metarecicleegamaç verdade que?toe chegando hoje e as corporações, trabalhar com o estado e trabalhar com as corporações não cria um ruído ai? Não cria um ruído no software livre, no software livre ou na metareciclagem, seja qual for essa ação comunitária, não cria um ruído? Resposta Dalton: -Vamos voltar um pouco: Quando você coloca assim: o software livre como resistência as corporações; Eu discordo. Eu não acho que o software livre é uma resistência a corporação até porque o software livre só existe como existe graças as corporações, graças a Redhat, graças a IBM, graças a Suzy e por ai vai, são eles que deram (só deixa eu concluir que depois a gente entra desta troca), foram ele que deram possibilidades e corporações que emergiram da prática do software livre que deram a possibilidades para que ele se constituísse da forma que ele é. Então eu não vejo essa “resistência” as corporações, eu não acho que é por ai a maneira de compreender isso, até porque se você entra em uma comunidade de software livre, um monte de gente trabalha em empresa e constrói o kernel do Linux porque tem uma empresa que paga o salário do cara,e por ai vai. Então eu acho que assim, pra ser mais ousado, a gente não tem que ver as corporações no sentido de resistência, no sentido de embate, a gente tem que ver a forma como as corporações se organizam como um campo fluídico onde a gente pode penetrar e interagir lá dentro, e rearticular o sistema produtivo, e não ver como um embate. Comentários da platéia: -eu gostei dessa -tem que entrar e interagir Negro barbudo estudante da PUC-sp: -Você acha que é possível isso então? Fazer com que a empresa abrir mão de uma parte do lucro dela pra poder incorporar essas soluções que a metarecilagem dá ou tras? Ou ela não vai se apropriar disso, capturar isso daí para, lógico, gerar lucro; eu não conheço empresa que não queira lucro. Resposta Dalton: -Dentro do que a gente concebe como colaboração entra em uma outra linha aqui, mas que é legal a gente discutir isso. O que que acontece, quando você pensa na dimensão econômica da colaboração, esta dimensão se efetiva no seguinte ponto: a colaboração, ela se dá numa troca e numa organização modular e elementar, então, por exemplo, quando eu produzo um pedaço de código eu estou jogando granularidades na rede, quando eu divido e subdivido um trabalho, estou colocando modularidades a disposição, isso não tem valor financeiro, tem valor econômico mas não financeiro porque eu estou contribuindo com a rede. O que tem valor financeiro é o processo de integração das modularidades; o que que acontece? Chega uma empresa no site do metareciclagem, ela vai lá e fala assim: “Pó esses caras tem um monte de idéia legal!” Ela pega aquilo, integra aquilo de uma certa forma e chama aquilo de um produto. E vende! E faz lucro! E eu não to nem ai pra isso! Isso é muito legal,no meu ponto de vista. Ela conseguiu fazer uma leitura da elementaridade que está dentro do wiki, e conseguiu dar um valor financeiro para aquela elementariedade. Para mim beleza! Isso é o que fez o Debian ser o que é, a Redhat ser o que é, a Suzy ser o que é, porque eles integraram o software, as elementaridades do software numa dimensão que deu uma cara financeira. Isso não abalou a comunidade, isso não abalou a rede, isso fortaleceu a rede porque de uma certa forma- ai nós vamos entrar nas patentes dos direitos autorais- esses caras deram subsidio pra que a apropriação e a integração que a empresa fez fosse o ciclo de realimentação negativo, fosse o feedback, falando de concepção sistêmica, no próprio sistema da rede. Então, olha que coisa maluca, a gente coloca através da emergência na rede uma corporação para colaborar com você. A corporação se torna parte da rede. Negro barbudo estudante da PUC-sp: -Não é você que está colocando a corporação para colaborar com você. É ela que está se apropriando do seu trabalho. Dalton: -Não!É o sistema da rede, ela não tem como se inserir neste sistema se ela não for mais um nó! Thiago Novaes: Alo. Eu estou querendo falar faz um tempinho, eu e o Antônio aqui. -Olha eu queria fazer umas ponderações: Primeiro retomar a pergunta do Pajé sobre, o que que nós estamos fazendo, considerando o seguinte que a gente está em um momento muito, muito...que é está passagem do digital, novas possibilidades... Este momento realmente muito especial único, historicamente colocado, que é está passagem que o pessoal coloca ai como um atropelo da prática, vindo e atropelando todo a questão do pensamento. Queria colocar que tem que ter um pouco de cuidado ao colocar nestes termos porque, especialmente estando dentro de uma Academia, dentro da Unicamp, que é uma entidade que as pessoas param para estudar, para pensar, que tem um papel fundamental dentro do que a gente está fazendo e que a pratica em si muitas vezes não resolve por ela só, é um lance, bom boa parte dos problemas que a gente vai vivendo. Enfim, a tomada de consciência sobre esse processo é o que eu acho que é uma das propostas de a gente ter vindo aqui, estar reunido, estar debatendo esses temas, que o software livre é uma novidade, que é uma coisa que está vindo com força, que é legal fazer, eu acho que boa parte das pessoas aqui está engajada nisso e já entendeu. Agora o que está faltando que é onde pegou as pessoas que é o que é teoria né? O que significa isso do ponto de vista prático do comportamento?! Sim, sem dúvida! E do ponto de vista histórico até, em que vivemos um momento super atropelado e tal, e o que que a gente está fazendo.. A pergunta que a gente faz enfim, lendo os textos que estão por aqui, é o que que nós estamos ajudando a fazer em nós mesmos. Acho que é mais ou menos essa pergunta, com o momento histórico dado, acho que muitas vezes a gente não para pra pensar nisso justamente por termos uma pratica imposta e uma necessidade de a gente se soliedarizar em vários movimentos, em várias coisas que são super importantes, mas tentar retomar que eu acho que o debate acabou e todo mundo vai ter muitas opiniões, muitos pontos de partida de onde colocar seu ponto de vista, mas tentar retomar o que talvez seja uma das propostas desse debate que é a tomada de consciência sobre esse processo, pra onde nós estamos indo, o que estamos fazendo a respeito disso. Enfim, essa é uma das minhas ponderações. Antônio Abulquerque: -Eu só queria completar o que o Tiago falou que não existe devolução se agente não tem a tomada da consciência, é absolutamente necessário por que senão a gente vai fazer aqueles idealisadores e seguidores, seguidores que não tem também a consciência. Cadê seguidor tem que ser também um líder. Isso mostra que a tomada de consciência é um fator fundamental para o processo de revolução, e qual é o processo de revolução? O processo de revolução que a gente está querendo fazer é resgatar um pouco do que existia antes da consolidação da era do grande capitalismo no final do século XIX seguindo a revolução industrial. O conhecimento ele é socialmente produzido, o conhecimento não está dentro da empresa, a empresa que se apropriou ... CORTE Cláudio Prado: -Quando a Física Quântica começa a ser pensada, a instituição acadêmica da época, os físicos, presidentes das associações, o povo sentado em cima das cátedras dizia: “Você não precisa mais estudar física, a física já praticamente resolveu o problema de todo mundo,ta tudo pronto, faltam algumas leizinhas ai e a gente vai matar a charada da humanidade”. Essa era a postura da academia, física quântica, até hoje professor de escola não tem idéia do que seja, ele ensina que o caminho mais curto entre dois pontos é uma reta como fato absoluto e isso ai é um absurdo, na verdade precisava começar a ensinar para as crianças as abstrações e depois ensinar as linearidades e você precisa na academia chegar... primeiro aprender que a terra é chata para depois, na pós-graduação, aprender que ela é redonda... é uma coisa meia maluca isso. Dalton: - Você constrói um conjunto de metáforas completamente caducas pra pensar a sua vida e é um processo em que você está construindo a sua relação com o mundo e você tem essa relação baseada no cartesianismo, depois você, se por acaso você chegar a estudar alguma coisa ai que vai para o mundo das exatas, você vai perceber que o tempo não é linear, você vai perceber que o espaço é curvo e você começa a perceber um monte de coisas ... Antônio Albuquerque: - Conhecimento? Que conhecimento? Financiado com dinheiro publico. Conhecimento que está na sociedade espalhado por todos os povos, por todos os encontros. Conhecimento que é muito mais apropriado para resolver problemas locais do que certas soluçoes que são feitas em grandes empresas nos Estados Unidos ou na Europa. Os Estados Unidos ele aparece no cenário mundial a partir da segunda revolução industrial e do processo de maturação do processo do capitalismo. Para os Estados unidos é canalizado todo o fluxo de capital do mundo. Esse processo de capitalização de dinheiro dos Estados Unidos no século XX, ele se faz também com a grande apropriação do conhecimento todo, se faz também com a propriedade intelectual, com a lei de patentes, com a formação das grandes empresas multinacionais, com seus ramos pela sociedade global em outros paises, capitalizando para os Estados Unidos conhecimento e riqueza e dinheiro e bens de capital. O conhecimento das partes é colocado na sociedade. O que nós estamos querendo colocar é: qual é a resistência do Brasil? Na verdade as grandes empresas eh que vão ter que resistir ao processo de reestabelecimento de um processo social de produção coletiva de conhecimento, que já existia antes da formação do capitalismo. Esta é a questão, a resistência é deles e não nossa, o que nós estamos fazendo na verdade é caminhar no processo do capital, é o processo mais fácil, é o processo de colaboração, é resgatar esse processo, que é o processo natural. Eles que vão ter que resistir para manter esse processo, que é antiético, que faz com que a população seja cada vez mais pobre, três quintos da população mundial hoje já vive na faixa de miséria, o globo terrestre não suporta esse modelo, ta destruindo as águas, destruindo as florestas, destruindo o ar. È um modelo insustentável! E o que está acontecendo? Com o software livre e com o processo que vai além do software livre, essa tomada de consciência resgata uma produção social e coletiva do conhecimento que está espalhado por todas as partes, por todos os pólos do mundo. Cara de óculos barbudo magro braquelo em portunhol: -Queria fazer uma pergunta, mas meu português não é muito bom... Eu sou um observador aqui e estou achando na verdade que todas as coisas que vocês falam extremamente interessantes, extremamente complexas, não? E tem também uma coisa quase artistica, uma sensibilidade, uma coisa muito graciosa, não? Mas também entra essa complexidade, acho uma coisa muito difícil você discutir, muito difícil entrar no discurso, no vosso diálogo, tem uma linguagem muito específica, eu acho que é uma comunidade que é muito complexa, muito excêntrica, uma coisa muito complicada para dedicar sua vida não? Então, falando da teoria e da prática, eu estou achando que tem uma prática muito sofisticada-não sei se é essa a palavra-, mas na teoria eu tenho uma pergunta que é muito simples mas acho que não se falou ainda: Eu não consegui entender no teu discurso, como se faz, através dessa práticas muito complexas, para inserir, quando se diz inserir na verdade dentro dos problemas ou das saias da sociedade onde vocês se sentem inconformados, sim? Eu acho que vocês poderiam criar uma rede incrível, mundial e global de pessoas com conhecimentos muito complexos que fazem reinvenção do que vocês querem mas, onde que está o elo que vai unir isso com uma incidência real e necessária com as quais, eu suspeito vocês estão inconformados? As grandes corporações, esse sistema global de neoliberalismo. Gostaria de entender isso porque até agora não vi, mas pode ser que como o discurso é muito técnico eu não... Assim, eu sou sociólogo, então estou procurando esse elo que não estou conseguindo perceber até agora. Par todos vocês que estão neste meio... Eu gostaria de entender isso, porque acho que também seria importante pra vocês, não uma coisa de teoria mas é necessário pra uma prática que esteja transcendendo, ou seja, além do discurso muito complexo, muito fechado né? Resposta Dalton -Assim, eu vejo da seguinte forma, dentro daquilo que eu estava falando em termos de apropriação tecnológica. A idéia de falar a respeito de apropriação tecnológica foi de trazer um discurso pra gente debater, um discurso teórico pra gente debater em cima de práticas daquilo que a gente chama de metareciclagem, de um projeto de desconstrução e apropriação tecnológica. Isso foi conceitos que a gente vem elaborando, vem interpretando, vem tentando traduzir dentro das teorias que a gente vem circulando por ai que como você viu vão pra áreas das mais variadas. A prática disso, dentro dos campos sociais, tentando se aproximar um pouco mais daquilo que você trouxe, se dá na dimensão aonde várias áreas, você consegue indentificar diversas localidades que produzem cultura, que tem todo um trabalho seja musical, visual, seja dançando, seja fazendo, seja cantando, seja organizando; aonde este trabalho se dá numa dinâmica de rede mas localizado pontual, geograficamente falando. Quando a gente tenta chegar com a tecnologia da informação, chegar com esse processo de apropriação tecnológica dentro dessa comunidade e, através do processo, que essa comunidade se aproprie da tecnologia da forma como ela bem entender mas, se aproprie na tecnologia em rede, podendo trocar esse processo de apropriação com outras pessoas, a gente está criando um mecanismo de difusão, de interação que sai da localidade e começa articular esses pontos em rede. È isso que a gente vem fazendo, criando espaço de ocupação, entrando nesses espaços e construindo esses espaços junto com as pessoas, dentro daquilo que elas já fazem sem interferir no fazer mas criar condições de que elas se apropriem de novas tecnologias nas três dimensões que eu mencionei aqui, seja reinterpretando, seja adaptando, seja reinventando, mas pensando esse processo de apropriação numa lógica em rede, aonde a imersão disso crie estruturas sociais, mecanismos sociais, para que elas possam romper ciclos ao qual estão inseridos historicamente. È esse processo que a gente vem fazendo. Eu não sei se fui claro em relação ao que você perguntou?! Cara magrelo de óculos continua: -Ainda fica um pouco teórico... Ruiz: - É que é a primeira mesa, é a primeira mesa. Só um negócio: um dos lugares de ocupação, por exemplo, é o governo. (...) reorganização Chico: -Primeira coisa eu quero discordar de tudo o que o Pajé falou, por que o Pajé ta insistindo em um lance que tem uma idéia por trás, o que está por trás? Ele está obcecado no que está por trás das coisas ne eu acho que a gente vive justamente um momento que as idéias não estão dando conta das coisas que estão acontecendo. Outro dia eu estava conversando com o rato ali que é o rato ne´? E ele estava falando que na faculdade de meterologia que ele estuda lá, é um pluster com sessenta processadores que não existe ninguém que consegue programar pra esses computadores, entendeu? Porque o computador ta lá fudido e assim, o pessoal ta ainda tentando conseguir fazer, desenvolver programas pra esse... que consigam explorara toda a potencialidade desse objeto técnico, dessa configuração que os caras criaram. Então, acho que assim, tem uma aceleração do desenvolvimento técnico que é a aceleração da aceleração e a gente está tentando entender e assim nem sempre tem uma idéia que está por trás que consegue determinar pra que aquele objeto técnico vai servir, pra que ele vai servir, como ele vai ser utilizado, quais vão ser as conseqüências, os desdobramentos da inserção desse objeto técnico nas redes sociais e tal. Então eu gostaria de chamar atenção pra isso. Eu quero descordar também do Antônio, e acho que assim eu consigo responder a primeira questão do Palm que ele, num tom provocativo, que ele falou: “ Ah, e ai? Vocês estão usando ai o processador Pentium e não sei o que, e ai como é que fica? E o software livre? Pra que que serve então?” Que eu acho um discurso fácil e muito simples de tentar esgotar as possibilidades criativas do software livre ou de qualquer forma de resistência porque o fundamento do argumento do Pajé é o fundamento da negação entendeu? Você não está negando o Pentium usando software livre, então você não está combatendo o Pentium. Mais ou menos isso. E o Antônio estava com um referencial marxista querendo colocar do determinismo econômico, mas não basta a gente mudar os proprietários dos meios de produção que a gente muda a estrutura de produção, o caso da união Soviética está ai pra, estava ai, esteve ai pra nos mostrar isso, em que mudaram-se os patrões, as pessoas continuaram trabalhando da mesma maneira e não mudou nada, continuou tendo produção de mais valia, as pessoas eram exploradas e continuou a mesma coisa e depois o negócio acabou. A minha viagem é que assim: o tipo de resistência, e quando o Dalton fala: “ah se uma empresa pegar eu acho que eu não to nem ai, eu vou achar legal, se o Debian conseguiu se estabelecer porque o pessoal foi usando” é mais uma estratégias da contaminação, o pessoal começa utilizar o software livre, começa utilizar o Debian, a o camarada colocou:”É, mas ai está se apropriando do seu trabalho!” Entendeu? Mas não, mas ele está usando o Debian e daqui a pouco vai ter um mais monte de gente usando o Debian e vai abrir espaço pra mais pessoas conhecerem e utilizarem um software que é produzido dentro de uma outra ecologia de produção de conhecimento, dentro de uma outra ética, como algumas pessoas falaram, então eu quero citar aqui o acadêmico “fortinho”, porque a partir de suas leituras de Deleuse e Guatarri ele me ensinou uma outra maneira de utilizar o conceito de resistência. A resistência, segundo Guatarri seria a negação, então eu vou resistir. A resistência baseada na negação ela está fundada em um paradigma da física mecânica, da ação e reação. E o outro tipo de resistência que ele propõe é a re-existência que é a construção de novos espaços de existência. Então, não é que eu sou contra as coisas, que eu quero destruir o Pentium e tal, não, eu quero construir novos espaços de existência porque não dá pra simplesmente pra gente fazer revolução e derrubar as coisa e tal, porque a lógica é outro e o barato é outro. Barulho Continuando: Então mas esse é o paradigma da física mecânica e ai a gente está falando de física quântica mas pensando: existe uma empresa, existe o trabalhador, existe o indivíduo, enfim, cada um é vários, não existe um eu como o grande professor aqui estava dizendo, e eu acho que a gente tem que quebrar com essas coisas também da maneira como a gente pensa e ai tem essa coisas da teoria e da prática que a gente também tem que mudar como pensa. Não adianta ver o novo, que são essas coisas que estão acontecendo, com as categorias do velho, pensar o novo a partir do velho que você não vai entender, entendeu? Eu vou passar a bola pro bodinho que ele tem um negocio interessante pra falar. É o seguinte ele quer falar um negocio sobre a academia, um desvio de função da academia interessante. Bodinho: -Falaram da academia em vários momentos e sempre se tem a imagem que a academia, ela sempre teve essa divisão do cara sisudo, do cara com vários livros, com roupas escuras e dialogando com o estabelecido. O Jubinha é um acadêmico, olha pro Jubinha, olha o perfil do Jubinha, ele faz um novo uso da academia e academia como um espaço publico, garantido pelo estado, possibilita uma produção intelectual livre, e existem pessoas aqui dentro que conseguem talvez traçar umas linhas mais marginais, ou uma linhas mais criativas, que não passam por esse sistema quadrado e fechado, são pessoas que tentam relançar, tentam também intervir de alguma maneira e o Canário falou que a gente é acadêmico, a gente aqui até faz uma brincadeira que é possível que hoje a noite a gente vai apresentar o C. vai apresentar lá, que é uma brincadeira neste sentido inclusive é uma brincadeira que começou no cineclube de exibição e foi virando várias outras coisas, ou seja, eram os acadêmicos fazendo um cineclube. Então, enquanto espaço público, garantido pelo estado com uma relativa tecnologia, com um relativo acesso a tecnologia, na academia cabe a gente achar professores que orientem tese mais alternativos, o C. está ai, eu também estou fazendo. O Novaes citou um texto que estamos ajudando a fazer nos mesmos que é do professor Luis Orlando? aqui do “FICH”, ou seja a possibilidade, a “peneira”, aqui tem buracos muito largos e aqui é um lugar onde a gente pode emplacar uma coisa que a gente diz muito que é o 171, da pra você fazer vários 171, uma gambiarra acadêmica, é possível também. Então talvez este seja o depoimento de um acadêmico, e existem acadêmicos que não são uns sisudo, não são uns chatos como esses acadêmicos que estão desfrutando das benefices do estado. Rapaz mulato de óculos e barba rala, estudante da Unicamp: -Oi, eu morro de medo de microfone... -Ruiz: Pare com isso, não tem público.. rapaz continuação: -É o seguinte, sobre o tópico academia. Embora eu por exemplo acho que até prefiro “prática do que academia”, embora eu esteja nela, eu já estou saindo, mas assim... a academia me ajudou bastante e acho que tem coisa para ajudar bastante... 32:00 à 34:45 PAU!!!! SEM Áudio Antonio Abulqueruqe: - (...) e pessoas de fora da câmara dos deputados e outras instancias com relação aos processos decisórios. Eu, quando cheguei no governo federal em janeiro de 2003, a minha percepção do que era a máquina pública é que era uma máquina desprofissionalizada e , no caso específico do ministério das comunicações tem duas grandes razoes: a primeira é que o ministério está fresquinho?, o projeto de Sergio Motta e FHC para a distinção do ministério das comunicações é que tudo passasse para a Anatel e ai o mercado faria sua auto-regulação, quer dizer, não precisava neste setor de informação, tecnologia, telecomunicações, redes, né?! Ter o papel do estado, para que o estado se regule coloca um órgão fiscalizador e deixa correr... importa tudo quanto é equipamentos, fecha a industria nacional, não tem problema!? Isso ai é... Então o que acontece? O ministério das comunicações ia ser fechado, então havia o processo de esvaziamento. Segunda coisa: (e ai acho que é um problema também genérico), o estado brasileiro hoje tem nos cargos de confiança depositado todo o processo de decisão, isso significa que quando muda de um governo para o outro, praticamente, todo o acumulo, toda a história, toda a trajetória ela se esvai com a chegada do novo governo que muitas vezes nem vira governo. O ministério das comunicações em dois anos e nove meses de governo Lula teve três ministros, ministro Hemílio Teixeira, ministro Eunício Oliveira e agora o ministro Hélio Costa, né? Três ministros em dois anos e nove meses e cada mudança de ministro do próprio governo se esvai todo o pessoal, todo o acumulo e se muda a política. Evidentemente, quando o processo decisório está na mão de alguns que são cargos de confiança, não há necessidade de seguir um plano de carreira e de formação de um pessoal técnico profissionalizado dentro dos ministérios, basta uma burocracia , porque quem vaidecidir é quem chega. Não existe decisão critéria, existe uma politização de toda a maquina do estado e ai quem está na cadeira de ministro coloca todo o seu staff que vai gerir os processos decisórios, o que faz com que esse processo seja extremamente politizado, né? Então agora no ministério das comunicações em particular nós temos o Hélio Costa, a gente sabe que foi um cara que morou em Nova Iorque na época da ditadura, foi chefe da surcussal da Globo em Nova Iorque, e várias outras coisas, dono de rádio, então a gente sabe então, é uma das perguntas que está ai no livrozinho do evento quer dizer: qual o futuro de projetos tão importantes, e é citado dois que nesta mesa aqui os nossos colegas vão falar logo em seguida, que é o projeto TVdigital, que tem uma participação muito grande do CPQD, ai a Cláudia e o Takachi, o Gesac que está também no ministério das comunicações, mas que tem uma interface, todos os programas de inclusão digital: o Casa Brasil, os Pontos de Cultura e uma série de outros, da fundação Banco do Brasil e também de vários outros ministérios, né? E o próprio Ponto de Cultura que depende também fortemente na questão do Gesac. Há um processo de hierarquia dentro da máquina pública muito forte, uma centralização do processo decisório na mão de alguns cargos de confiança, e particularmente no governo, do ministro. E esses dois fatores na minha avaliação são inibidores do processo de inovação, né? Quer dizer: poucos vão decidir e vão dizer como são os programas e prescinde de todo o corpo técnico do ministério e também da sociedade. A condição não se torna mais grave porque o governo Lula, pegando essa máquina que funcionava assim há décadas, ela trás no movimento social pessoas com vivencia e experiência e com sensibilidade às necessidades que tem ao governo. Este é o processo diferente que tem particularmente nos ministérios mais democráticos e populares, porque o governo Lula é um governo de coalisão, é um governo de vários partidos, então, naqueles partidos mais democráticos, isso é o que dá o diferencial, né? Na execução de política pública. Há uma ausência de planejamento, a pouca racionalidade dos processos decisórios, então, por exemplo, pra começar a falar de alguns casos concretos para materializar, particularmente a questão do Gesac que eu vivi demais. O Gesac tem 3200 pontos que foram instalados desde junho de 2003 até maio de 2004, são 3200 pontos de inclusão digital no Brasil em funcionamento, né? Como se faz um processo decisório da escolha desses pontos? A minha proposição na época é que nos fizéssemos uma chamada pública de comunidades como agora nós estamos com mais 1200 pontos para expansão do programa, novamente foi colocado uma chamada pública de pontos. Isso até hoje não foi realizado no ministério das comunicações, porque? Porque o ministro tem suas prioridades e, coisas estratégicas que o ministro deveria decidir, por exemplo, quais são os resultados macros, o que que ele quer com esse programa, quais são os resultados... Não, ele fica decidindo, do gabinete do ministro, pra onde vai ponto? Pra rua tal, ou pra rua tal? Pra cidade tal ou pro estado tal? Onde vai colocar, quem é que está pedindo... É isso que o ministro fica decidindo em termos práticos, né? Outra dificuldade muito grande do governo é que existe programas de ministério e não existe programa de governo. Eu costumava dizer o seguinte: Não há sentido de você colocar maquinaria, conexões, aparatos tecnológicos; fazer inclusão digital pela tecnologia, pela tecnologia, ele tem que estar associado a um processo produtivo, seja um processo de produção de cultura, seja um processo de desenvolvimento econômico, seja um processo de desenvolvimento pedagógico. Tem que estar associado a outras iniciativas sociais articulando programas, essa questão é muito difícil, é difícil por parte de quem está executando uma política digital como também é difícil para outros ministérios, porque os outros ministérios, ministérios sociais, por exemplo, não estão preparados no seu corpo interno do ministério, como também nas comunidades, de entender a inclusão digital e de ter grupos trabalhando com inclusão digital dentro desses ministérios, inclusive no orçamento alocando verba, porque não pode só a verba ser, por exemplo, do ministério da infra-estrutura, né? Inclusive o ministério da cultura da um exemplo onde ele tem verba para fazer programas de inclusão digital... Então, os ministérios sociais, em seus programas também tem que prever questão da inclusão digital, mas não, a inclusão digital ela é questão do ITI, dos ministério das comunicações... e deixa tudo para o outro lado, “eu aqui vou cuidar do meu curriculo social”, então também é difícil pelo lado dos outros ministérios de articular programas de governo, porque o que existe na prática hoje são programas de ministérios. É importante também colocar qual rumo que eu estou vendo com a mudança de ministro do que vai acontecer no programa Gesac. Bom, eu acho que primeiro: vai haver uma tendência de eliminação da preocupação com os esforços na questão do conteúdo, tanto do ponto de vista da capacitação e do portal de serviços existentes no programa a serviço das comunidades, então o Gesac, na visão mais atual do ministro, vai ser um serviço de conexão, o que na minha opinião é um desastre, é um retrocesso. Outra coisa é a eliminação dos serviços avançados em mídia, notadamente aqueles que tem a convergência tecnológica como a televisão IP, o rádio IP, a educação a distancia, a teleconferência. Todos esses serviços mais avançados do programa Gesac que está disponível para as comunidades, mas que ainda está sendo muito pouco utilizado. Esses serviços tende a ter uma retração de interesses no programa, o desinteresse pelo portal do programa é outro, porque o portal dá transparência ao programa, então toda essa parte de transparência de conteúdo vai sobre uma tendência de diminuição de interesse e uma busca de maior controle do programa dentro do ministério, porque, o programa hoje, foi formado com várias parcerias dos estados, municípios, ongs, enfim, com outros ministérios para fazer um processo de coogestão do programa na sociedade. Então o programa está atendendo 4 milhões de pessoas hoje, e esses processo está totalmente distribuído na sua gestão. Então para o processo, por exemplo, de mudança de pontos, ou o processo de direcionamento do programa. O programa está muito mais amarrado nas comunidades, então isso torna uma dificuldade, de uma maneira centralizada, de desfazer a gestão de uma maneira tradicional, ortodoxa, centralizada, então vai haver uma tendência de trazer de volta para o ministério o controle sobre o programa. Bom, existe um conjunto de outros problemas internos que eu gostaria de citar além dos já mencionados. Há excessiva burocratização da máquina pública desnecessariamente, quer dizer a atenção do gestor publico do programa em vez de ser na ação finalista ela é muito mais nos processos meios que vão levar àquela ação finalista, então a gente gasta mais de 80% do tempo para gerar papel, respostas, justificativas, conversas com advogados, conversas com outros administradores, com aparte orçamentária, com vencimentos, com isso e com aquilo para se executar o programa. Quer dizer, no limite, o programa fica quase sem gestão, porque todo o esforço do pequeno grupo que faz a gestão é centralizado na questão dos processos e, porque que que é centralizado na questão dos processos? Porque a máquina pública, ela tem nos órgãos de controle uma ortodoxia na questão da observação do programa, é muito difícil, muito raro você ter dos órgãos de controle( que fazem a avaliação do governo...)nos processos dele, nos documentos, papel... então o custo que fica associado no processo é muito alto em relação a efetividade do dinheiro que chega lá na ponta, no interior do Pará, no interior do Amazonas, de Pernambuco, de Goias... Eu costumo dizer que o seguinte: as leis brasileiras deste estado, ela é tão perversa que todo aquele administrador, que quando sai da máquina pública, ele diz: “eu não tive nenhuma observação. Passei três anos na maqu9ina publica e olha tirei 10, não sou corrupto, não tive nenhum problema...” Esse cara não fez foi nada dentro do ministério, porque é absolutamente impossível para aqueles que toma decisão, para aqueles que tem projeto, que querem executar um projeto e chegar no limite da lei, na discussão da lei, sair sem ter uma discussão de um processo que se arraste por mais três ou quatro anos sobre a sua gestão, né? Quer dizer, é perverso para o administrador que trabalha com a pressão dos órgãos de controle sobre essa questão dos meios no sentido dos órgãos de controles serem punitivos e não de premiação, o administrador publico nunca é premiado, o máximo que pode acontecer é não ter observação e se ele faz alguma coisa contra a decisão ele vai ser punido com certeza. Na minha opinião porque que o estado brasileiro é dado até hoje, é dado no governo Lula? Porque foi feito para não funcionar, porque ele foi feito para servir a uma classe que não tinha necessidade de serviços públicos, foi feito para uma classe que se apropriou do estado e pra usufruir da máquina do estado não precisava ter políticas publicas, porque é muito fácil usufruir da máquina pública desonestamente. A gente está vendo no governo federal essa coisa toda ai de mensalão, por exemplo, que delatou o mensalão, não foi os orégão de controle, não foi o tribunal de contas, não foi a controladoria geral da união, não foi o TSE. Quem delatou isso ai foi o Araponga, que fez aqueles processo irregulares com aquele rapaz dos correios, foi o Roberto Jefferson, o pessoal do Fernando Collor de Mello, que fez outras atrocidades da época de oitenta que sempre esteve no poder, seja lá que poder for. Quem delatou foi essa turma ai que sempre esteve no poder, os órgãos de controle não pegam essas situações, essa irregularidades; não foi os órgãos de controle, então os órgãos de controle são inócuos. Ai então quando a gente pega, por exemplo, o programa Gesac, e o programa Gesac inicialmente, não esse agora que foi feito pela nova licitação, mas o programa Gesac que foi feito lá em 2002 pela licitação que teve o contrato em outubro de 2002 quando nos chegamos em janeiro de 2003 para executar o programa, nós interrompemos o programa por problemas administrativos, jurídicos e técnicos que tinha o programa Gesac, a gente interrompeu em janeiro só começando a executar depois de um reestruturação em junho de 2003. Quando nós passamos lá cinco meses, de quatro a cinco meses discutindo com a empresa e discutindo internamente com o ministério publico como resolver aqueles problemas, a empresa que tinha ganho a licitação, ganha licitamente, não tem nada de ilícito na empresa foi um problema administrativo da gestão do ministério de 2002 na hora de fazer os contratos, fizeram uns contratos errados... tinham um montam de irregularidade, o ministro Teixeira estava para cancelar definitivamente o programa e pediu particularmente para mim que eu estudasse e verificasse como solucionar o problema, era muito fácil. E nas diversas reuniões que fazíamos a empresa fazia assim: “ Antônio, vamos resolver isso, a gente tem aqui este projeto de um ano e meio e 78 milhões, o que que precisa para resolver? Vamos resolver isso aqui rápido, você está precisando...” Então é muito fácil a gente chegar numa hora dessa e falar rapaz: “é uma questão de 25%, sabe como é que é né?”Porque? porque o processo está na mão de uma pessoa, estava na minha mão, e todo mundo sabe que no governo federal de maneira tradicional como nos governos outros, comissões de 5, 10% é normal, e tudo se resolve assim. Então, a forma burocrática da administração publica brasileira, é uma forma para o governo não funcionar, não pega na dureza, o que impede da máquina pública ser eficaz e impede que o gestor tenha uma concentração na ação finalística e não nas atividades do meio, é muito energia para colocar um projeto na rua, é antinatural. E ai vem uma frustração -e eu vou encerrar que meu tempo está chegando no final. Gera uma frustração na gente pois a gente vai para o ministérios das comunicações e tem radio comunitária para cuidar, a gente tem inclusão digital, a gente tem rádio digital e televisão digital, tem a questão do CPQD, da política industrial do setor, quer dizer é um conjunto de temas tão relevantes e o governo Lula pouco atenção dá a área de desenvolvimento tecnológico, a área da sociedade da informação. Se vê que no ministério das comunicações teve três ministros em dois anos e meio e os três não são do PT; o ministério da ciência e tecnologia: também é o terceiro ministro, todos os três também não são do PT; o ministério do Desenvolvimento da industria e do Comércio, que é importante na área desenvolventista, industrial, não mudou o ministro, mas não é do PT; Finep, agora está na mão do PT, mas antes estava na mão de outros partidos. Eu sei que, eu não quero politizar aqui, aqui pode ter gente de todas as matizes, é lógico, mas ´so quero dizer o seguinte: Primeiro: No governo Lula as dificuldades têm sido imensas nesta área tecnológica, e não é por acaso, por exemplo, que o Sergio Amadeu deixou o ITI, por várias dificuldades associadas ao processo do avanço do software livre dentro do governo, é verdade que houve um papel importante do Sergio Amadeu com o software livre no governo federal? É! Como nunca houve no Brasil um avanço tão grande mas, em matéria de sensibilização e discussão. Em matéria de migração e de estabelecimento de fato de uma quantidade, tanto de servidores como de desktops em software livre, ainda as estatísticas são muito pífias de evolução, embora se criou toda uma base para se evoluir essa questão. Então, as dificuldades são imensas, tanto do ponto de vista político como do ponto de vista burocrático, como do ponto de vista legal de se tornar um programa pelo governo federal. Qual a solução para isso? Eu entendo que a solução parte de uma forte pressão social. Não tem outra forma, nós temos que mudar a máquina pública, temos que mudar os processos internos, temos que repensar o estado, temos que repensar as leis, a forma de fazer política pública, porque a máquina que está ai não serve aos propósitos de uma modelo de governo, de um modelo do povo que quer ser democrático e ter políticas públicas com eficiência. A máquina não serve para isso, ela é emperrada e foi feita propositalmente, não é por acaso, para não funcionar. Realmente é um processo de transformação social que a sociedade brasileira precisa. Ruiz: -Valeu Antonio... eu vou jogar lenha na tua fogueira daqui a pouco, mas só daqui a pouco. -Tem a Elaine, e eu queria que ela falasse já que ela esteve na administração passada e agora está na nova. Elaine: nosso saco de pancadas do ministério... Mas antes tem a galera aqui do CPQD que vem trabalhando com a história ai da tv digital pelos últimos sei lá 4 anos, 6 anos, não sei, e que também receberam um enorme “tapa” ai do nosso amigo Helio. Então o que vocês preferem? Falar ai? Falar aqui?... Takachi do CPQD: -Obrigada por convidar a gente. -Vou tentar ser bem rapidinho pra dar mais tempo pro debate, né? -Vou explicar então o que é o projeto TV digital: A gente da CPQD tem trabalhado neste projeto da TV digital desde de 1999, junto a Anatel, e, em 2003 quando o ministro Hemilio assumiu é, o negócio ainda estava embolado e o ministro Teixeira fez a seguinte proposta: Ele disse “o negócio é o seguinte: esse negocio de escolher entre padrão A, B ou C está muito enrolado, porque que a gente não desenvolve um padrão próprio e vamos embarcar nessa. E entramos neste projeto ai. Existem vários... O projeto é composto por um consórcio, são vários consórcios né? Dá um total de 77 instituições, tem mais de mil pesquisadores e lá no CPQD somos em 36 pessoas, o Cláudio é da nossa equipe, o Chagas participou deste projeto desde o começo, agora ele resolveu sair. Bom, explicando rapidamente o que que é TV digital: TV digital não é exatamente uma digitalização da televisão analógica, é uma plataforma de transmissão; você vai pegar qualquer coisa em forma de bits? e fazer uma difusão através dessa plataforma de transmissão. Então, a partir do momento em que você faz a difusão de bits você pode transmitir qualquer coisa, você pode transmitir programas de televisão em alta definição, como as emissoras querem, você pode transmitir vários programas de televisão alternativos, como as pequenas emissoras com poucos comerciais e também as emissoras comunitárias gostariam que fossem. Você também poderia transmitir vários programas de rádio, você pode transmitir qualquer coisa que seja com bits. Como que a gente está trabalhando? A gente está trabalhando em diversos elementos tecnológicos, mas o que interessa para vocês é que nós procuramos fazer toda a parte de software com software livre. É uma pequena inverdade, a gente fez em software livre a pesquisa, mas a gente ainda não conseguiu disponibilizar isso para o público. A gente até usou uma parte deles que é da PUC do Rio de janeiro de sincronização de miias que está disponível e eu queria até pedir para vocês acessarem no site da PUC que está esse software: http://www.telemidia.puc-rio.br/portugues/pesquisas/smh/projetos/atuais/hyperprop/descricao_contexto.htm -Acho que fui ultra breve porque vocês já conhecem alguma coisa do TV digital então eu prefira deixar mais espaço para os debates. Novaes: -Bom, enquanto o Claudio termina a ligação dele eu vou contando um pouco sobre a história dos Pontos de Cultura. E aproveitando para fazer a ponte, eu trabalhei no CPQD também no projeto TV digital com o Takachi e lá no ministério em relação aos dos pontos de cultura a gente tem trabalhando com avanços tecnológicos também, software livre, tv digital, rádio digital também. Eu tenho uma apresentação do meu computador mas enfim o Cláudio está voltando... Cláudio Prado: -Eu queria pegar pelo tema que está no programa, como que é a frase? “quando nossos amigos se tornaram governo?” .gov. Quero dizer que eu não me tornei porra nenhuma para começar. Eu tenho um sentimento muito interessante a respeito deste projeto que nós estamos fazendo, da forma como ele foi feito que é uma coisa curiosa. Na verdade nós estamos conseguindo criar uma nova forma, criar um projeto que vai servir mais para frente como parâmetro do que é uma nova forma de governar. Não que seja um parâmetro definitivo, mas um parâmetro de como é que se faz uma mudança. A história nossa é muito diferente da história que o Antônio contou porque ele foi parar em um ministério que na verdade nunca quis fazer o que o Antônio queria fazer, então isso é diferente. Nós no ministério da cultura, existe um espaço pensado, existe um ministro dizendo “eu sou hacker”, embora tenham alguns hacker nervosos que digam que isso é uma apropriação indébita, mas existe uma atitude totalmente diferente que abre a possibilidade de se criar um projeto perene. Eu estou convencido de que nós rumamos para, a partir de uma base que é cinergicamente da sociedade e é do governo, que o nosso projeto ele é totalmente do governo sim, mas também é da sociedade sim e não existe... é uma relação quântica, ora é uma coisa ora é outra, é muito interessante, mas nós estamos caminhando para construir uma maneira de colocar, de como que se entra no governo e vê as coisas de perna para o ar, porque se for esperar, como o Antonio estava colocando aqui, “repensar o governo”: fudeu, acho que repensar governo... Acho que o governo na verdade, as instituições, academias e as instituições como um todo são as últimas que vão mudar uma grande virada de paradigma que nem esta que nós estamos vivendo. O último lugar no planeta em que vai acontecer alguma coisa nova, dentro de novos paradigmas, são as instituições. Então, o que nós estamos conseguindo fazer lá é estabelecer um caminho totalmente inverso; o programa Cultura Viva, onde está inserido o aspecto prático, de ação da cultura digital no ministério da cultura, ele é revolucionário pela natureza digital que estamos trabalhando, mas ele é também revolucionário em si no sentido em que ele virou de pernas para o ar a máquina burocrática do ministério, de uma forma que é inacreditável o que está acontecendo lá; aprovam-se os projetos não pela burocracia mas pelo mérito cultural que tem o projeto. Eu não sei se alguns de vocês que não estão vivendo isso de perto tem idéia do que que é isso na prática: olhar para um projeto e foda-se na verdade se ele tem a papelada em ordem, se ele não estiver a gente julga o projeto pelo mérito do projeto e depois vai ver a papelada, ajudar, inclusive, a moçada a ver papel, porque quando a gente aceita o processo burocrático quem ganha a licitação sempre é a instituição que sabe mamar dinheiro do governo, ela é competente profissional para ganhar licitação, depois o serviço tanto faz. Isso serve para lanchonete de aeroporto, e provavelmente a lanchonete aqui da Unicamp é a mesma coisa, né? Acaba que o cara ganha, ele estabelece monopólio, ganha fralda... e foda-se o pão de queijo que ele serve, uma bosta de pão de queijo deste tamanho que custo o dobro do que qualquer outro canto e na verdade acaba sendo uma... O Sequira Rey, o Antonio me disse uma coisa boa: O cara que não faz nada, o cara que não teve um processo ou uma inquietação, não fez porra nenhuma no governo, isso é uma forma brahma?... Governar... eu conseguiu já uma dúzia de pessoas graúdas na administração governamental que fecharam a idéia de mais para frente escrever um livro comigo: “Governar é driblar 8666”. 8666 é uma fatídica lei que serve para fraude. Essa é a verdade da lei, fraudar, dentro do sistema burocrático é a coisa mais fácil do mundo. O caso dos Pontos de Cultura, por exemplo, dos kits multimídias que a gente entrega lá: o cara que faz tudo certinho, se a gente não estiver de olho, rouba o equipamento e a gente jamais vai saber disso, jamais. Então, nós agora estamos querendo fazer aqui um seminário, aliás deixa eu anunciar aqui para os meus colegas, o pessoal que trabalha com a gente lá que o Juca Ferreira topou fazer o seminário no PSU?, para propor que ele fiscalizem os Pontos de Cultura tendo o kit multimídia lá dentro. Quer saber o que nós vamos fazer com o kit multimídia em Taquaritinga? Liga a TV, fala com os caras, entra no converse, vai lá conversar, olha o que está rolando, fala com aquele moleque, pergunta o que está acontecendo para as pessoas na ponta, ao invés de olhar papel, burocracia, pegar papel... Se vai acontecer eu não sei, mas que esse seminário que a gente vai gravar vai ser uma coisa divertida e que vai rolar uma coisa e vai botar a pulga atrás da orelha de meia dúzia de... Porque deve ter gente de boa fé, até lá, porque o que esses caras fazem é ficar reforçando no jornal: “não houve licitação...” Como se licitação fosse alguma merda que ia ajudar a não ter fraude, é ridículo, a licitação é uma coisa totalmente idiota, imbecil. Se fosse legal, se valesse alguma coisa, fora do governo alguém fari e é impossível você pensar em fazer uma licitação fora do governo. A idéia, o conceito pode até beirara alguma coisa interessante mas na prática é uma absoluta babozeira que não funciona. Nós temos que , obviamente, lidar com essa realidade, agora dá para andar com ela e virar tudo de pernas para o ar, primeiro se a gente tiver culhão; segundo, obviamente, tem que ter alguém no ministério, tem que ter vontade política do ministro senão não adianta nada esse tipo de coisa, mas, mesmo assim, mesmo além da vontade política a agente conseguiu coisas extraordinárias, nós estamos fazendo um projeto que efetivamente conseguirá gerar uma coisa autônoma nas comunidades e, sobre tudo, o knowhow de construção desse projeto não está sendo perdido a cargo do governo Lula, hoje, agora, ou amanhã, ou quando é que seja. Nós estamos construindo uma maneira de construir esse knowhow e que esse knowhow continue aberto e que possa ser usado, tanto para outras instância de governo como para outros tipos de parcerias e possibilidades de acordos e parcerias e sinergias com outras eventuais fontes de receita. Então eu queria só terminar aqui, depois se alguém quiser falar ai dos pontos mais especificamente... O que eu queria dizer é que esse projeto gerou no começo grande celeola? entre várias áreas, inclusive entre algumas organizações da sociedade civil que achavam que era porraloquice total fazer um projeto sem por no papel. NUNCA foi posto no papel porra nenhuma deste projeto, não houve planejamento, não teve coisa nenhuma feito com numerozinho no fim e ele foi todinho construído na medida de prestar atenção nos espaços que haviam, ocupando espaços, realizando, fazendo, aperfeiçoando o jeito e avançando dentro do que era possível avançar e entendendo o próximo passo a partir do passo anterior e sem nenhum tipo de planejamento, sem nenhum tipo de orçamento, sem ter que botar no papel, sem nenhum tipo de teoria, sem nenhum tipo de arcabouço acadêmico sem nada dessa coisa. Então isso, em um momento de virada de paradigma, qualquer teoria é espelho retrovisor, quando isso virar tese já é velho, neste sentido que eu falo aquilo: claro que existe produção em academia, mas academia é profundamente crítica da academia, cada vez mais; vestibular é a coisa mais imbecil do mundo, elimina uma quantidade de gente interessante que poderia estar fazendo coisas muito legais aqui, quer dizer, só o cara que consegue passar por aquela máquina de triturar possibilidades, que entra na academia ou então o cara que consegue sobreviver àquilo, é ridículo, o processo é ridículo, é claro que tem gente que consegue, né Juba? Novaes: -Eu vou falar duas palavrinhas sobre os pontos de cultura e depois eu vou segui a provocação tanto da parte do Cláudio como do Antônio. Sobre os Pontos de Cultura, só para esclarecer porque as vezes a gente vai falando dos projetos e não deixa claro. Os pontos de cultura são entidades comunitárias, associação de moradores ONGs, existe no Brasil inteiro e agora até fora do país, está se investindo em pontos de cultura fora do país, que tem uma atividade cultural e que está sendo fomentado, está sendo impulsionado pelo ministério da cultura com o parco recurso que tem e em torno de 150 a 185 mil reis em parcelas semestrais que vão durar dois anos e meio, depois de findado este prazo o governo sai do projeto. Então todo o nosso trabalho de oitenta pessoas quase é de gerar a tal da autonomia, protagonismo e tudo para que esses projetos não morram depois que não tiver mais a graninha do governo lá pingando. Então toda a tentativa nossa é de dar a sustentabilidade desses projetos e de estabelecer a formação da rede, a comunicação entre esses projetos é o que vai ajudar muito a gerar esta autonomia e a sustentabilidade desses projetos depois. Os pontos de cultura foram, no primeiro edital, selecionados 274 pontos, 251 conveniados, todos esses pontos de cultura vão receber pelo primeiro edital o tal do kit multimídia que é composto de câmera, dois computadores para edição, um servidor, népra você pendurar terminais burros, estes computadores são descartados na lógica do metarrecilagem e tudo. E agora teve um outro edital, foram selecionados mais 328 entidades, então a gente tem para o ano que vem um universo de cerca de 500, 600 pontos para trabalhar que dá um pouco o alcance do que este projeto está sendo no pais e tem demanda pra fora também. Bom, com relação a TV digital, rádio digital, eu vou citar o rádio digital também porque, eu entendo, quer dizer aprendi um pouco assim, que esse nome da digitalização ele não restringe ao vídeo, é um processo que passa também para o áudio é um processo de transformar a informação, codificar, transformar em string, né? Em feixes de informação e isso facilita muito, isso otimiza o uso do espectro bastante. Então minha pergunta para o Takachi e eventualmente para o Antonio. Uma pergunta mais prática a respeito de qual é a importância de ter um estúdio sobre TV digital no Brasil e como vocês entende essa questão do rádio também que deveria ter sido junto. TV digital é hoje um projeto ligado ao governo brasileiro que havia decreto presidencial então o presidente instaurou um grupo de trabalho e tal; e o mesmo não aconteceu com o rádio. Hoje está sendo testado o tal do padrão tecnológico de rádio, que está sendo testado no Rio de janeiro, etc. E, enfim, a gente tem um caminho seguindo para o rádio e outro caminho seguindo para a TV, então eu queria perguntar qual era essa incongruência?porque isso está acontecendo? E qual o prejuízo que isso pode acarretar no futuro e tal. E a pergunta mais de fundo, para o Antonio também: é como que vocês vêem, quer dizer, eu tendo trabalhado com a TV digital, ter me aprofundado nisso, tenho sofrido bastante com esses retrocessos muito grandes que a gente tem visto no ministério das comunicações. Mas de outro lado tenho visto um avanço muito grande na questão da internet, da possibilidade de entrar na rede?, na possibilidade de comunicação bidirecional, a questão da banda larga, a questão de você ter muito mais autonomia sobre a infra-estrutura tecnológica que diz respeito a internet do que propriamente ao que a gente tem hoje em radio – tv, quer dizer, as tvs comunitárias hoje legalmente estão restritas basicamente ao cabo, as rádios comunitárias hoje são 8 mil pedidos sem sequer avaliação do ministério das comunicações, a gente tem uma rádio livre instalada dentro do campus universitário que é pré-desobediência civil a mais de uma década. Quer dizer, este cenário da digitalização não está mudando isso como poderia mudar se a gente radicalizar a idéia de que o espectro poderia ser utilizado e a gente pode dar vazão a pluralidade brasileira a diversidade... Foi cotada a fala do Novaes Takachi: -Quando o governo autorizou para testar opadrão americano, que é o IBOC, ele tem um pequeno sério problema: pega canal FM, por exemplo, no caso da rádio muda, a FM que é uma rádio de 200khz; eu vou dizer o que que ele faz: ele bota sinal digital nas duas janelas laterais que teoricamente contém emissoras, então quando você tem um sinal analógico de 200khz, você passará a ter um sinal de 400 khz com o analógico transformado em digital. Até ai tudo bem, onde é que está o problema? No momento em que você remolda o sinal analógico, daqui a cinco anos, dez anos, essa raia de 400khz ela não volta a ser de 200khz, então, o grande problema é que o espectro original de cada emissora de 200khz passa a ser de 400khz no modo digital, isso tira o novo surgimento de novas emissoras com a interface totalmente digital. Bom, isso fora as interferências que ela provoca, então se você tiver, por exemplo, uma emissora de alta potência comercial e do lado uma emissora pequena, a emissora pequena ela vai começar a sofrer interferência do digital da emissora grande, então há uma série de problemas desse tipo que não estão bem solucionados e, infelizmente, o risco é mesmo ir por esse caminho e o problema deste caminho é que tem complicações deste tipo. Em relação a TV digital o Thiago colocou bem a questão de qual é a importância do estudo da TV digital no Brasil. Bom, eu como sou técnico eu diria que para os técnicos isso foi muito bom, porque é uma oportunidade de trabalho que a gente tem, não é sempre que a gente tem a oportunidade de fazer um projeto que a gente ganhe no Brasil. Mas, na sociedade lê tem uma importância muito grande porque na hora em que você constroi uma tecnologia você embute nela uma série de regras e valores sociais, então, as tecnologias que existem ai no mundo a TSC, o DVB e SDB, elas foram construídas visando seu país de origem. Então o sistema norteamericano, por exemplo, que é muito preocupado com a imagem de alta definição é clatro assim porque nas mansões americanas você TVs de tela grande, aparelhos de hometheater, aqueles aparelhos são industriais por definição. Quando a gente pergunta: será que isso reflete a realidade brasileira? Em primeiro lugar um monitor de tela grande, embora esteja disponível em shoppings, é extremamente caro, mas esse não é o único problema. O problema é o seguinte, eu até fui ver o preço para comprar um, dividir em prestações e tal, ai eu fui ver lá o canto da minha sala onde ficaria esse aparelho e não cabe, uma tv de tela grande não cabe na minha salinha e isso é a realidade da maioria da população brasileira. Então, a gente construiu uma tecnologia no caso que seja uma tv digital ou seja qualquer coisa dentro deste cenário digital com relação aos pontos de cultura, como o Thiago apresentou, que vai refletir nossos valores, as nossas necessidades. Eu acho que infelizmente eu, no caso do projeto da TV digital, a gente não conseguiu abrir para toda a sociedade como nós gostaríamos, o Thiago é testemunha de que estamos fazendo muito esforço neste sentido, mas que por uma série de razoes isso não foi possível no começo. Agora, caminhando para a reta final eu acho vai muito nisso, para a sociedade participar deste debate ai e a razão de nós estarmos aqui é exatamente isso, de alguma forma a gente precisa abrir esse debate para vocês e receber as contribuições de vocês, antes que a caixa preta da tecnologia seja fechada. Antônio: -Bom, é, acho que o Takachi colocou os pontos fundamentais: não se trata de um produto, TV digital e rádio digital, se trata de um sistema, se trata de um framework, né?Ao contrario deste sistema, tem toda uma cadeia produtiva industrial, de conhecimento e de possibilidade de educação, de interatividade. A gente tem que pensar que a gente tem 180 mil escolas públicas no Brasil, 30 mil dessas não tem energia elétrica ainda, são 180 mil escola e não chega a 20 mil que tenha internet, né? Não chega ai a 11 mil as que tenham um laboratório de informática para as crianças trabalharem. Isso é completamente diferente em uma sociedade, como o Takachi colocou, americana ou européia você vê que a tv dos Estados Unidos majoritariamente é tv a cabo, no Brasil não chega ai a 5 milhoes de lares que tem tv a cabo e a taxa não cresce, está estagnada, né? O usuário brasileiro tem uma televisãozinha de 14 polegadas, este é o padrão no Brasil, e tem tv aberta, no máximo ele coloca uma parabólica ali para pegar o sinal porque onde ele mora não adianta colocar a escama de peixe que fica tudo chamuscado, né? Este é o padrão e este é o desafio social que nós temos que pensar e nós temos que acabar de pensar só no serviço, porque atrás de cada serviço tem industria, nós temos fabricado uma inteligência e uma tecnologia industrial no pais. Temos que fazer um mercado interno brasileiro de produção, se a gente for simplesmente importar vamos jogar serviço para fora novamente, nós vamos ficar mais burros e as escola de engenharia elétrica, de computação e tudo o mais aqui no Brasil vão formar engenheiros de marketing e não engenheiros de desenvolvimento, ou engenharia de sistema. Então, o que está em jogo na verdade é o desenvolvimento futuro, o que está em jogo é adequação social é rollet?, é dinheiro, é propriedade. O Takachi colocou aqui que praticamente todo o software que está sendo desenvolvido é em software livre, dificilmente a industria americana vai seguir essa linha. Então é essa a questão que foi colocada na importância. Agora só para fechar nesta reta com o Thiago: eu queria colocar o seguinte: o plano de metas de universalização que a gente cumpre, as empresas cumpriram em 2002. Ai uma empresa pode fazer interurbano, a Telefônica aqui em São Paulo pode fazer DDI, que antes só era da Embratel, né? E telecomunicações no Brasil, pasmem os senhores, que pela lei novíssima, Lei geral de telecomunicações é de 1997, julho de 97, era só para telecomunicações até 64K, quer dizer a universalização que se pensa no Brasil e o novo plano de meta, que o governo Lula fez, que vai até o ano 2025 para as empresas operadoras manteve o entendimento de telecomunicações em 64K, internet não é considerado telecomunicações, conteúdo está fora, não é meta para as empresas, isto está largado ao mercado. Então está é a questão, estou exemplificando agora com o plano geral de universalização, que nós temos que repensar isso, não dá pra ficar assim, temos que nos indignar, que está colocado também sobre a questão da TV digital. O movimento social, e o Takachi já colocou um pouco isso, agente não conseguiu fazer essa discussão de uma forma suficiente, nem com o publico que está próximo de vocês aqui, um público privilegiado, de alguma forma nós aqui temos uma sensibilidade e estamos próximos a essa temática, senão não estávamos aqui. Quer dizer, nem nós mesmo que estamos próximos ao tema temos ainda não temos um acumulo suficiente e não temos muito claro de como interferir neste processo e temos que interferir porque está em jogo o futuro do país, da sociedade da informação que nos queremos para o nosso país e eu diria que não é só para o nosso país, eu diria que temos que ter um framework para a América do Sul, porque o problema dos bolivianos, o problema dos argentinos são muito semelhantes aos problemas dos outros países da América do Sul e também do Brasil. Dia II cont.. Submidialogia 3 Campinas 27-30 de Outubro de 2005 Vídeo Volker Grassmuck Cláudio Prado: -Eu participei muito intensamente do começo das discussões da TV digital e criei algumas discussões homéricas, a questão do conteúdo, quando falava com os engenheiros era uma loucura e eu ficava obstinadamente falando: “não é nada disso, não é nada disso”. Foi uma epopéia interessante, foi uma experiência interessante. Depois eu me afastei porque a coisa estava ficando tensa do outro lado e na verdade hoje eu olho para prestar atenção para o que nós estamos fazendo com o kit multimídia e é efetivamente pegar essa frente de batalha de lá e colocar em outro canto e batalhar de uma outra maneira, de uma outra forma em um espaço que a gente consegue construir com a idéia do que o que que pode acontecer a partir de uma câmara e na possibilidade de transmitir isso e na possibilidade de se pensar tv local e na possibilidade de se construir uma tv no local... eu não quero usar a palavra comunitária, porque rádio comunitária virou uma coisa que não é nem radio, nem comunitário, nem porra nenhuma. O que que uma coisa local pode, como pode acontecer a tomada de consciência efetiva do que que é isso a partir de uma coisa que, como é da cultura é meio inocente, é meio bonitinha.. a cultura tem a possibilidade de passar invisível as coisas ai, e tem o ministro, as pessoas são meio malucas, mas vai passando, nós estamos fazendo a revolução e efetivamente criando uma consciência do que que vai ser, do que que poderia ser um outro modelo de inverte a mão do progresso. Então, não acho que..., é claro que aplica pelas questões legais, pelos modelos pelas coisas todas, pelo o que o Takachi está fazendo, o que está acontecendo por trás disso é sumamente importante, mas na verdade a gente tem como brigar com isso de forma transversal e é isso que a gente está fazendo e isso vai criar massa crítica mais para frente com certeza. Ruiz: -Daí essa massa crítica quando chegar em uma tv que ele não pode alterar o padrão que vai deixar só mais bacana o que que vai acontecer? Cláudio: - Como é que é? Ruiz: -Você monta uma massa crítica mas ai você tem, por exemplo, uma tv digital que... Cláudio: - Mas o cara desliga a TV pó, ele não assiste essa merda e pronto, ele vai fazer outra coisa, ele vai entrar em outro lugar. È obviamente que a TV, o poder que a TV tem de hipnotizar é uma coisa que precisa... mas eu tenho franca convicção de que o sistema está se destruindo a si mesmo, eu não acredito que o sistema estava avançando, dominando tudo, eles estão mesmo é perdidos, o Bush é um grande aliado, é um acelerador fantástico da queda do império. Eu que tenho 60 anos vou ver o império caindo. Comentário: finalmente uma menina vai falar... Kiki: - É que a Elaine fugiu aqui do meu lado. Essa história que vocês falam de “.gov”, eu também sou, sou do planejamento de braços abertos lá recebendo o Antonio lá e tal. Trabalho em um negócio que chamam de programa inclusão digital que na verdade é uma tentativa de organizar o que todo mundo chama de inclusão digital e que, não existe esse conceito entendeu?! Vocês acham que está lá uns cabeças pensando no governo:” não agora vamos fazer a inclusão digital..”.Dai o cara do TCU acha que inclusão digital é uma coisa, o Hélio Costa acha que acha que é uma coisa. Então é na verdade, o que eu acho importante do debate aqui é o seguinte: sem governo é muito mais difícil né? Pra quem vê lá da ponta e olha para aquela burocracia e acha que ela faz algum sentido, que ela tem alguma razão de ser, e ela não tem mesmo, pra mim ela foi criada para que as empresas ganhem. A primeira coisa que a minha consultoria jurídica fala quando eu apresento um projeto de convênio é assim: “mas isso aqui vai interferir na concorrência das empresas de computador?” Da vontade de falar assim: “Meu você já ouviu falar de inclusão social? No artigo quinto da constituição fala alguma coisa de que as pessoas são mais importantes do que as empresas, mas só pra te lembrar viu?”. E a gente acaba tendo que ter o apoio de muitas áreas diferentes; eu sou jornalista agora tem um cara que é advogado que veio lá no Rio Grande do Sul que está trabalhando com a gente e que ele fico puto, ele fala:”Pó, eu era da procuradoria lá do Rio Grande do Sul e lá não tinha essa, no carnaval de Porto Alegre a gente liberado 5 milhões na mão das escolas de samba e o cara só tinha que apresentar uns recibinhos lá entendeu... eu não vou ficar pedindo pro cara fazer licitação, pro cara fazer as coisas que a máquina pública acha que é correta.” Ai tem uma proposta de alterar a lei 8666, eu ouvi isso no corredor essa semana. É lógico que não vai alterar para aquilo que a gente acha que é o ideal, mas enfim, acho que todos esses espaços que todo mundo estava discutindo aqui antes: a academia, se é governo, se é sociedade civil... a idéia dos esporos é a única forma que vai resolver isso. Não vai ter um grande processo sincronizado em que tudo vai ser disseminado e vai passar a ser de outro jeito e, como o Cláudio falou, eu concordo plenamente: o último lugar que vamos conseguir mexer é no processo burocrático. Mas a gente fica lá tentando, como estaríamos tentando fazer se estivéssemos na sociedade civil. O que eu queria provocar um pouco neste debate é que assim: tem determinadas coisas, a gente estava falando de TV digital, o Antonio falou do Gesac, que a infra-estrutura que permite que a gente chegue no aeroporto e tenha um pontinho wi-fi lá e permite que você fique conectando a internet depende altamente da industria, da regulação e de tudo isso, então, obviamente que a gente vai rackeando isso aos poucos mas, falta muito né? Como o Antônio lembrou as escolas não tem energia elétrica. A gente montou casa de cultura com acesso a internet no Amazonas com energia solar caréssima, então: Como é que a gente consegue fazer isso ganhar o espaço e a disseminação que a gente gostaria se não temos um ponto Gesac prometido lá atrás para colocar nos ponto de cultura? E a única resposta que eu consigo dar é que a gente vai ali formigando, explorando e fazendo as coisas que estando no meio do caminho pra tentar resolver isso. Mas em todos os espaços a gente tem que fazer a prática andar com a teoria o tempo todo senão a gente não avança. Elaine: -Bom, eu acho que essa questão é enquanto... Hoje o ministério, a gente vive uma dificuldade no ministério das comunicações, com a saída do Antônio tem uma ditadura lá dentro a gente nunca sabe... há uma desorganização, a gente está burlando a desorganização e hoje o que está fazendo a diferença é o trabalho dos emplementadores, é uma equipe de 25 pessoas, aqui a gente tem a Tati, o Perna, a Karina e algumas outras que estão por ai. E é o que está fazendo contato direto com a comunidade na sociedade organizada, então isso que está nos alimentando e nos dando resistência até saber o que que a gente vai fazer com esses programa. E eu acho que pra resolver essa questão das antenas dos pontos de cultura tem que fazer uma ocupação lá no ministério porque fica essa discussão entre os gestores, eu não sei se vai, porque cada hora um fala uma coisa, cada hora está um de plantão. Eu não sei eu acho que a gente tem que fazer uma mobilização que é o que faz a diferença, e ai intensificar essa parceria dos emplementadores com os articuladores pra gente continuar rackeando ai onde dá, porque do jeito que está não tem perspectiva, ora vai expandir o programa, ora não vai, ora tem diretor, ora não tem, ai tem toda a estrutura burocrática. Enquanto isso a gente está de uma certa forma multiplicando. Estamos chegando ai de Recife, multiplicamos 111 pessoas a gente está com tudo aqui de tv digital, de rádio e tudo o mais e ai na realidade ainda tem pessoas que nunca tiveram acesso ao computador, não sabem pegar o mouse e temos que levar essa discussão ainda de TV digital, o que que é isso? Como usar um vocabulário que seja acessível para todo mundo, sair um pouco dessa concepção de cidadão comum que a gente tem falado. Acho que é isso que eu queria compartilhar com vocês da vivência de quem está resistindo no Gesac. Antônio: -Eu acho que as soluções do ponto de vista técnico, as soluções técnicas, elas existem, só acho que devem ser evoluidas em uma direção que a gente ache melhor. Outra coisa que eu acho e que eu tenho vivido é que as coisas são fáceis, as coisas não são difíceis. Agora precisa de uma concepção nova a respeito das coisas. Por exemplo, no ministério da cultura a gente tem um ministro que é hacker, né? O ponto de cultura é algo profundamente radical, é algo novo, que inova, que anima, é algo que você vê o resultado apesar de pouco tempo você é capaz de ver os resultados. O próprio Gesac, em muitas comunidades você vê o resultado. Agora o que que acontece na verdade, as escolas publicas é administrada pelo município das crianças menores e a das crianças maiores pelo estado. Na sua grande maioria dos 27 estados brasileiros tem uma visão arcaica de tratar com tecnologia, você bota o programa, conexão, computadores, está lá tudo, mas se limita dentro da escola a usar aquele aparto que se colocou, mesmo depois de uma certa capacitação, apenas para fazer edição de texto, uma planilha, para fazer um desenho, que se usa muito... e parou por ai e mais: a criança vai ao laboratório, passa 45 minutos para escrever 15 linhas e ela vai ao laboratório para ter aula didática, ela não vai ao laboratório para ter uma experiência libertadora, para navegar, para descobrir coisas, para interagir com pessoas. Nas escolas brasileiras ela vai ter aula pedagógica. O rico, o filho do rico, que tem laptop em casa, ele joga, ele interage, ele faz blog, ele navega, ele passa quatro horas por dia, nem vai jogar bola. O filho do preto, do pobre, ele vai ao laboratório quando tem nas poucas escolas e tem aula pedagógica no editor de texto de um sofwarezinho ruim pedagógico que tem lá... Quer dizer a pessoa perde a semana inteira tendo aquela lavagem cerebral de português, história e geografia e agora também de word, quer dizer é mais um aprisionamento que se dá. Então, nós temos que na verdade, neste processo de inclusão, parece que a gente está em uma encruzilhada, como é que a gente sai disso? É um país continental, 180 mil escolas públicas, milhões de crianças... pó, as coisas são simples, a experiência tem mostrado que a gente chega a uma maneira diferente, de uma forma diferente, de uma mediação diferente, em um projeto muito de muito mais vanguarda, ele vai usar editor, ele vai usar planilha mas em um projeto muito mais transformador; isto realmente transforma, já muda, já abre já tem toda uma descoberta, nem que ele não chegou a usar, mas só aquilo já é uma profunda descoberta de um processo de mudança. Eu acho que a gente precisa pensar nas nossas redes de processos sociais. É impressionante o processo de privatização realizado pelo governo de FHC em 98, no sistema de telecomunicações no Brasil. A privatização de fatiamento e internacionalização, não é privatização para o mercado brasileiro, é internacionalização, a única que sobrou ai foi a Telemar, né? O resto está tudo internacionalizado... Veja: além de TV a cabo, nós colocamos cinco canais “gratuitos” sociais para serem usados na TV, TV senado, TV câmara, TV comunitária, a TV educativa, inclusive o próprio pessoal do CPqD, o próprio Takashi foi um dos caras que cabecearam essa luta lá na primeira metade da década de 90. Porque que a gente também não tem na TV digital os canais também sociais? Porque que a gente não tem, nas infra-estruturas de rede, que está sobrando rede, está tudo apagado, ai... porque que não tem conteúdo pra passar nas infra-estruturas de rede de fibras óticas espalhadas pelo Brasil; como é que a gente não tem lá a obrigação da empresa de ceder 5 fibras, 6 fibras, 10 fibras para os projetos sociais? De conteúdo, de cultura digital de inclusão digital, para as redes hospitalares, para as 180 mil escolas públicas, etc. Porque não? Porque que a gente não tem aqui nos satélites que nós temos aqui em cima que estão todos internacionalizados, tem um recurso que diz para as estações gestacionais que estão sobre os solos brasileiros, ali na região do Pará... Porque que nós não temos, para quem quer lançar um satélite ali, a obrigação de que ali vai ter um tanto de banda para projetos sociais comunitários, um tanto de banda que um percentual tem que ser reservado para as políticas publicas de inclusão digital. Porque não? porque a população tem que ficar no escuro? Daí a importância dos movimentos sociais, das comunidades, da academia para participar dessa discussão. E a TV digital está diretamente associada as essas questões, a questão da conformação da sociedade de informação, senão a sociedade da informação vai se excluir da gente; vai fazer quem tem dinheiro ficar mais poderoso em termos de informação, de poder decisório, de velocidade, de vanguarda, de articulação; e aquele que não tem dinheiro, que não tem acesso vai ficar mais pobre, mais distância, com menos informação. A sociedade da informação é profundamente dialética, ela pode caminhar no sentido da exclusão, e é essa a questão da TV digital, da rádio digital, das redes todas instaladas, da lei geral da telecomunicações. Agora está se fazendo a lei geral das comunicações de massa, O startado, um grupo que tem até março/abril de 2006 para apresentar um pré-projeto, um resultado. O que é profundamente importante, nós temos que mexer na lei de rádio comunitária, é muito importante esse momento das leis de comunicação em geral. Então todos esses temas eles perpassão uma gama muito grande da sociedade de preocupações de todos esses temas que estamos discutindo aqui. Só para encerrar: Sobre o Fust?. Quer dizer, vocês vêem a incompetência de pessoas que não conseguem liberar o Fust. Estamos indo para o quarto ano do governo Lula, tem mais de 4 bilhões de reais acumulados dentro do Fust, as empresas já estão dizendo que o Fust não é necessário porque não se usa... é de ? e até por um lado eles tem razão, porque está pago e não tem resultado social. Ninguém fica feliz de ter pago uma coisa e não ter retorno, na verdade não é nem a empresa que paga, quem paga é a gente. Mas é a empresa que recorre, né? Então quer dizer está lá e... só deveria ir para o governo, só deveria ir para o governo federal quem tem projeto na cabeça, aquele que vai para a máquina pública para arrumar emprego, para ficar lá fazendo empuleiramente, para ficar fazendo aparelhamento, este tipo de coisa não deveriam ir para o governo federal, ou para estadual, ou qualquer outra coisa. Tem que ter um projeto, tem que ter uma história, tem que ter um vinculo social, tem que ter um acumulo anterior para ir para o governo, senão fazem feito esses hipócritas, ou acadêmicos, seja o que for, que vão para o governo e chegam lá, passa o tempo e não conseguem nem liberar uma coisa como o Fust, (que tem um problema burocrático, eu admito...) e resolver esse problema, porque não sabe. Recebe a bola no pé, pode chutar e chuta e faz um gol contra e a sociedade como um todo é quem paga e fica achando difícil e a gente é vítima de um monte de gente enrolam que está no governo, e fica sendo enrolado com discursos alfalaciosos que são deslocados do ponto focal da discussão. E acho que esse é um desafio da gente de estar participando realmente, conscientizando as pessoas de qual é o projeto que está sendo discutido e interferir efetivamente porque a solução está na nossa mão, esses pessoal que está no governo não vai andar, a coisa está emperrada mesmo. Ruiz: - É isso ai. A galera que está fazendo gol contra ai vamos voltar a favor. Galera que está fazendo gol positivo...E vamos lá... Caralho Kiki, só pra você não ficar tão mal ficou mais fácil fazer as coisas depois que eu entrei no governo. E de certa forma o Antônio falou de um monte de incompetentes em altos escalões brasiliais e a Elaine soltou: Pô, quem está fazendo mesmo é a galera que está implementando os pontos Gesac que está... a galera ver alagando ai, ta fazendo, tá indo no ponto, mostrando tal que é uma galera mais social e vinha trabalhando com a coisa e tal, tal, e tem a galera que também trabalha no Cultura Digital, que já trabalhou com a galera que trabalha no Gesac que já trabalhou no Cultura Digital, tal, tal, tal... E de repente todos os meus amigos viraram .gov. E daí a gente tem uma mega escala de galeras não fazendo coisas e uma renca de indivíduos não muito aceitáveis socialmente fazendo coisas no mínimo interessantes com tecnologia e com administração pública. Ai chega na mesa: como é que isso pode acontecer? Saca? Não, não saca né? Bom, por exemplo, o Thiago está e ele fala e ele se veste bem, quando ele se fantasia... Tem um futuro político! E quando um rapaz tipo o Thiago cai para tomar conta de: “vamos falar de rádio, oficialmente”. E se por acaso o Rhato cai em: “vamos falar de gestão da internet”. Ou o Léo falar de “Cultura e Sabonete”, ou o Pajé e Tati. Ou o Perna: “não, agora o perna controla o Ministério das Telecomunicações”. E ai? Agente vai liberar tudo? Será que a gente chega a uma hora de liberar tudo? Ou é igual ao que o C.P falou: “Não velho, tá ruído, não é que a gente vai liberar tudo.” É que chegou no momento em que a coisa vai liberar geral e não é por conta nossa ou motivo nosso, ou como diz nossa amiga Renata, que o Saulo não está aqui,: o universo conspira ao nosso favor. O universo conspira ao nosso favor ou é a era de aquário? Ou a era de aquário é uma grande bobagem e a gente só está trabalhando forte mesmo? Alguém que trabalha comigo ou que já trabalhou e que trabalha no projeto de um outro ministério quer responder? Ali o Otávio que não trabalha com ninguém... Orlando Lopes : Nós os despossuídos... Bom, gente, acho que a grande pergunta para começar, a grande questão é essa história de ter amigo .gov. Vou falar rapidinho em como eu cheguei a ter algum amigo .gov. Na verdade eu sou um professor, sou um acadêmico, queria ter falado um pouquinho mais sobre a academia mas a gente pode pegar um outro espaço ai. E, eu sou um acadêmico que teve que sair de dentro da academia para continuar sendo um acadêmico. É uma coisa que eu gosto, eu acho legal, é uma maneira de viver, é uma maneira de encarar a vida também e que fica presa dentro de certas estruturas que são as estruturas institucionais que vão moldando a vida da gente, vão encaminhando, vão apresentando modelos de viver, e se a gente não para pra analisar a origem deles a gente passa a reproduzir, pura e simplesmente, passa a ficar preso, passa a ser pressionado pelos pontos em que essa instituição não nos considera humanos. Daí da uma série de discussões e que cada universidade da federação deve considerar a partir de sua localidade. Em cada lugar existe uma maneira de se viver e o modelo da universidade é um modelo federativo, um modelo nacional, que reproduz um modelo europeu etc, etc, etc. Mas, como é que a gente atualiza o modelo da universidade no Brasil é que é uma das grandes questões. A gente tem muita liberdade para falar, a gente tem muita liberdade para propor. Ontem aqui por acaso, começando a conhecer a UNICAMP, eu vi pelo menos umas três ou quatro situações que eu estava presente, que eu teria medo, se eu estivesse na minha universidade, eu teria receio de tomar certas posturas e as pessoas aqui tem uma tranqüilidade muito grande para se manifestar e, de uma forma geral, as universidades tem essa liberdade no Brasil. Uma série de questões para uma outra hora gerar uma discussão sobre o histórico da universidade no Brasil, em um outro evento, um outro submidialogia de repente para gerar essas discussões mais específicas. Bom, como eu estava falando, eu tive que abrir mão do meu vínculo com a universidade. Passei seis anos na iniciativa privada, dando aula paga no ensino superior privado, que me levou até o ponto em que eu descobri que eu poderia devorar o próprio ensino superior privado também. Mas para isso primeiro eu tinha que criar um pouquinho e sair de dentro de lá. E eu estou... O Clovis estava falando aqui a questão de sentar e começar a fazer, eu acho que estou com um problema inverso, eu estou ha quatro anos com um projeto pronto e não pretendo trabalhar com ele. Para não surtar de novo eu tive que ficar quatro anos depurando esse projeto na minha cabeça. Então a única maneira de fazer isso foi elaborar um pouco o teórico que eu tinha disponível. Sem estrutura para trabalhar a única coisa que eu tinha eram os conceitos e com os conceitos eu fiquei formulando e reformulando, fazendo uma versão do projeto, chegava no meio do caminho eu encaminhava para alguém e alguém me negava, necessariamente; as pessoas não estão atentas para este estratégico todo. Nós estamos aqui, os tais sincronizados, os tais privilegiados, a gente conhece um tipo de discurso todo para colocar e que a massa das pessoas, aquele corpo social que precisa ser mobilizado ainda está começando a traduzir, ta começando a digerir, está começando a ser colocado para eles. Bom, até um certo momento eu fiquei imaginando aquele pessoal de antropologia lá, o Roberto Da Mata... Fala-se muito do jeitinho brasileiro. Vamos então pensar lá qual é a característica do Brasil. O jeitinho brasileiro é visto de uma maneira negativa, mas, via de regras, a gente parte do princípio de que se a gente conhecer que está no lugar essa pessoa pode ajudar a encaminhar aquilo que a gente tem necessidade. Essa é uma forma geral das pessoas. Bom, a primeira grande questão é superar o limite de que com a ajuda de um amigo passa a ser dentro da lei ou fora da lei. Vou dar um exemplo muito rápido aqui de cheger na camaradagem. Eu cheguei aqui, aliás, antes de chegar aqui eu já fiquei sabendo que eu tinha duas passagens de avião, uma que o meu estado me forneceu para eu vir pra cá, mas no meio do caminho a galera se mobilizou ai e me mandou uma passagem de avião por email para eu vir pra cá. Meu primeiro raciocínio, sendo extremamente honestos com vocês, foi: Como que eu pego essa passagem pra mim? Vim pra cá duro, estou esperando minha diária que ainda não bateu e não sei o que, e alguém fala que vai me dar uma passagem de 500 reais que eu posso ir na agencia e pegar esse dinheiro e, pelo tipo de controle que está rolando, pelo tipo de confiança que está rolando eu não precisava declarar isso par ninguém. Então cheguei, parei pra pensar e, quando eu vi que a galera estava levando a sério o evento eu falei: “Poxa, são 500 paus, 600 paus que poderiam estar ajudando alguma coisa pra gente colocar ai e tal esse dinheiro desta passagem de volta”. Ai você vê um pouco o limite do que é ter amigo .gov, você pode estar botando os outros em roubada sem nem perceber, começa um pouco daí. E ao achar essa coisa do .gov eu fui descobrindo, faz um ano que eu já tenho contato com o Ricardo, a Tati eu conheci quando estive no Rio semestre passado, que é sentar com as pessoas e começar a conversar com elas desarmados. Passa um pouco de pensar em ter amigo .gov por ai, é você começar a sentar com as pessoas, trocar uma idéia, saber onde vai por essa idéia ou não partindo do princípio que o outro não quer te detonar, o outro não quer te sacanear. Isso pra mim é obrigado em amigo.gov . E depois começou a rolar o seguinte: ter amigo .gov não resolveu minha vida em nada nesse um ano, meu projeto continuou lá, a única coisa que eu tenho certeza é que as pessoas que eu estou em contato, quando elas estão tendo oportunidades, elas estão me ajudando a fazer eu passar o projeto que eu tenho. Mas, em um ano que eu tenho contato, em nenhum momento, a gente não infringiu nada que moralmente pudesse ser condenado. Então, para a minha grande experiência, que eu acho muito legal, de estar tendo alguns amigos .gov e ver as pessoas virando .gov, é poder ver que é possível conversar honestamente com as pessoas. Eu acho que a proposta do evento é a gente sentar, localizar os interesses de cada um e começar a dividir um pouco os frutos, não existe totalidade acho que não tem 100% de pessoas aqui presentes interessadas no que a gente está falando. Tinha que ter mais dois dias pra gente se localizar de quais são os interesses que a gente pode mapear nas pessoas e subdividir minimamente os grupo para que a gente possa se conhecer e pensar uma pauta pra que da próxima vez que a gente vai poder se concentrar em algum lugar para aproveitar melhor o tempo. Ruiz: A gente podia até pensar um lance a mais ai, que vai até para os objetivos gerais dessa pataquada toda. Ai leva mais ou menos para a história de qual o sentido disso. O C.P. virou e falou assim: “Pô mais daqui a dois anos, não tem mais o governo, não tem mais nada” E agora que tem a oportunidade de trabalhar com o Felipe em um projeto governamental, com a Tati em um projeto mais ou menos governamental, com o Rhato que nem se fala, com o Gabriel, que não trabalho com ele diretamente, mas ele é companheiro de trabalho.. Então, o que que a gente está fazendo neste últimos três anos, o que a gente vem fazendo e como a gente pode continuar fazendo coisas para além deste três anos que possam vir a frente e como a gente pode ir seguindo desta rede e como a gente pode ter o Gabriel no Recife pirando junto com o Dalton no sul, ou com o Vitor em Brasília ou alguém como o Paulo, que nunca está em lugar nenhum, nunca ninguém tem o email dele, e esse cara nunca sai da nossa bota. Então como a gente consegue estruturar esta rede minimamente ineficaz/eficaz para continuar trabalhando futuramente. Então a intensão nossa ai o que que é? É colocar todo mundo que está sentado ai... (brincadeiras) E dai realmente ver como a que a gente veio trabalhar, o que que a gente tem feito, como que a gente pode re-desorganizar nossa rede que está sendo organizada, ou não, e pensar como a gente pode continuar trabalhando em conjunto com o Felipe com o Gabriel, com o C.P., com o Antônio e tal. E daí vem o C.P. e fala: “Pó, é um lance que a galera vai falar o que a galera já conhece” Pode crer mais a galera não sabe o que vai virar e como vai conhecer, e como vai continuar fazendo e como manter mais cinco, seis, dez, doze anos de piração mil e com rock-n-roll sem parar FF: - Bom, é, só querendo dar uma geral! Acho que uma coisa fundamental destes amigos .gov. Acho que esses amigos.gov, se você falar em outro contexto, sei lá, há cinco anos atrás usando outras pessoas. Amigo.gov geralmente é sinal de privilégio né? Eu tenho amigo.gov então estou acima do resto da população e tenho acesso a alguma coisa. E ai que a gente está vendo uma coisa que é diferente que é: uma galera que já trampava junto, uma galera que já estava junto, conversando e fazendo coisa junto há, sei lá, três, quatro anos e de repente surgiu a oportunidade, nem surgiu a oportunidade, foi construída a oportunidade dessas pessoas terem uma estratégia macro de possibilitar o trabalho junto; não todas, mas um grande número delas, e continuando a trocar com outras pessoas que fazem parte desta rede. É, uma coisa que eu me pergunto as vezes é se encerrado o governo; se acabou a possibilidade de trabalhar para governo, se faz sentido a gente continuar pensando em uma estratégia macro, se é possível a gente em uma articulação incluindo todas essas pessoas e que tenha um direcionamento, ou se na verdade isso continua correndo de uma maneira descentralizada de qualquer forma. Tem uma coisa assim: essas pessoas que viram .gov, elas não são só .gov. Então assim, não são pessoas que são só governo, ou são pessoas que a partir de agora “não, agora eu estou no governo então agora eu tenho poder” e sei lá o que e que vão começar a agir como é a imagem normal que a gente tem de quem é .gov. Então, acho que assim, a maioria das pessoas aqui, tenho certeza que o Dalton, o Ruiz, o Ale, o Novaes, todas essas pessoas que trabalham que eu conheço, pelo menos os mais próximos, uma vez que não tiver mais apoio .gov, essas pessoas vão continuar trabalhando juntas. Então assim: a minha pergunta para todo mundo, não sei se existe uma resposta para isso, é: É viável uma estratégia macro para ajudar essas pessoas uma vez que este governo tenha acabado e que o Enéas seja presidente? Ou se na verdade essas coisas continuam e na verdade não é necessário a gente pensar nesta estratégia e em ter uma estruturação disso e ter esses diálogo e querendo assim: com o objetivo de fazer coisas junto uma vez que não tem mais este apoio. Kiki: -Eu quero, não tem nada a ver com o planejamento... Todo o lugar que eu vendo as pessoas que manjam desta história do estado, da gestão pública não sei o que lá. Todo mundo que eu leio que não concorda com esse modelo que está colocado eles só estão falando assim: que o planejamento é uma peça de ficção, que não adianta nada planejar o estado enquanto existe o superaft. Então acho que assim essa é um discussão, não é uma discussão gov não. Mas eu queria falar um pouco do que eu vi acontecer em um evento que eu tive um certo incomodo de ajudar a organizar, que aconteceu na semana passada no Rio de Janeiro. Que é um evento que desde de 2002, ou seja nem era governo Lula, no lugar que eu trabalho hoje eu organizava com duas ONGs e a primeira vez aconteceu em Brasília, a segunda vez eu não sei e a terceira vez aconteceu em São Paulo, que foi o ano passado e essa vez foi no Rio. E o ano passado teve uma rede de telecentros da prefeitura de São Paulo então teve um monte de participantes assim, os caras que eram do telecentro, ou que eram monitores... e os gestores e gente que veio da américa latina ai de uma rede de telecentros (site: somos@telecentro). Só que ai esse pessoal no ano passado estava lá bombando, discutindo, fazendo grupos de trabalho, de discussão, encaminhando coisas para compor uma coisa sula americana, caribenha, latino americana, sei lá o nome que deram. Chegou esse ano o evento rolou, sei lá, tinha muito poucas pessoas, foi mal divulgado, sei lá... Eu consegui colocar na programação o Thiago, o Léo já estava por outro canal, ai a gente puxou o Ruiz, depois de encontrar com ele no bondinho de Santa Tereza. É e o legal de o CP ter feito isso é que o pessoal que estava lá nunca tinha ouvido falar dessa história entendeu? Então um monte de gente se encantou com o negócio e procurou, principalmente fora da palestra, discutiu lá o assunto e depois foi procurar os caras depois da palestra pra conversar e foi o que foi possível fazer. Mas o grande incomodo do evento foi justamente que esse povo todo que estava achando que estava lá representando a sociedade civil e não sei o que lá, sentiu que não existia, que eles não faziam parte de movimento nenhum, que eles estão tentando agora institucionalizar um Fórum Nacional Permanente de Inclusão Digital com três organizações que sabem e que fazem até auto-crítica de que não representam a sociedade civil porra nenhuma, representam, os seus grupos. Tem muita gente ali que nunca nem foi sociedade civil, sempre foi .gov e que ficou órfão lá em São Paulo que perdeu a prefeitura e que teve que se organizar, né? E que não é ruim isso, os caras querem agora fazer um confronto com que está lá entendeu? Enfim, então acho assim que é difícil, falando um pouco do que você estava falando, enquanto a gente é .gov, de alguma forma a gente tem mais infra, verba, forma de se articular que dificilmente quando a gente vai para um repertorio? novo a gente vai ter, mas o que você já tinham neste movimento que tem construído aqui é essa rede construída previamente que ela aproveitou esses gás que o .gov pode dar e foi se esparramando e foi conquistando gente mais além dessas fronteiras assim, e isso vocês não vão perder... vocês, nós, sei lá, entendeu? É isso! Perna: -Eu queria declarar só que eu entrei agora lá no projeto Gesac, como emplementedor, e ai chaguei lá novato na comunidade com os malucos ai os caras falaram: O, agora você é .gov... Ai eu falei não. Antes de ser .gov eu sou África, ai depois eu sou casa de Cultura da Tainá, ai eu sou expresso 411, ai depois eu sou o Perna, ai depois eu sou o Dick que é meu pai na minha vila, ai depois eu sou da galera do Gesac. Porque? Porque eu sei da onde eu venho, então acredito que essas coisas vão acontecer a partir do momento que gente se identificar com as nossas raízes. E esse encontro, esse macro, vai acontecer quando a gente se identifica com alguma coisa, vai na música, eu conheci o Cris Sccabelo do som, uma galera eu conheci agora do digital. Existe outros vínculos de conexão que não são .gov. Então, quando a gente consegue descobrir essa essência que é a essência sincera mesmo, é disso que o .gov se alimenta também ta ligado? Ai as coisas vão continuar. Era isso que eu queria falar. Novaes: -Então, eu quero fazer só um pequeno comentário: a história do .gov, eu acho que a gente vive muito isso hoje. Enfim, é uma novidade muito grande a história de a gente ter mais interesse público dentro de um governo. Para situar eu acho que assim: existe uma crise muito grande em relação ao que o governo do PT tem feito, que que foi essa conquista, muita decepção. Enfim, uma coisa muito colocada em cima desta crise política, que a gente sabe que é muita falácia e tal. Mas o que eu queria colocar é que é de fato uma conquista essa coisa histórica mesmo de ter um governo de esquerda colocado e que isso abriu vários espaços que a gente está ocupando. Então, assim, não desconsiderar que existe um espaço público, que será apropriado pelo interesse público e que nós somos os defensores do interesse público. Quando se fala em .gov hoje, pelo menos para quem está aqui dentro, se traduz muito mais em defesa do interesse coletivo, em defesa de um debate público, em defesa de um monte de coisas que não estão presentes na sociedade brasileira que não existiam antes no governo, com o espaço que esse governo abriu. Então, eu não tenho o menor problema em, claro reconhecendo da onde eu venho, mas de me identificar como .gov, mas não no sentido de privilegiado, mas no sentido de responsabilidade que a gente tem sim. Enfim,muita gente que compra isso que está afim de cuidar desta parte, de interesse público, de projeto público, política pública. E que a gente tem um espaço que está sendo ocupado hoje e que a gente está, de alguma maneira, ocupando sem muito medo, sem muito salto alto digamos assim. Enfim da galera que fica brincando de fato... Tenho sim que usar um terno em Brasília senão ninguém bota para minha cara e bota fé de que eu estou defendendo os interesses do ministério da cultura, e olhe lá. Então assim, são coisas que são importante para relação. Não, é só para situar isso: que a gente não descole essa história do .gov do momento político que a gente vive, do espaço que a gente está conquistando e que a gente tem que traduzir, na medida do possível, esse .gov no sentido mais de responsabilidade social, no sentido de interesse coletivo do que própria mente de privilégio individual. Ruiz: Passa para o Léo, o autor da famosa frase: Cultura não é sabonete... Léo: - Bom eu vou falar muito parecido com o que o Thiago falou, apesar de eu parar para pensar agora e parece um discurso político, mas... Ontem a polícia federal pegou o meu passaporte ai eu fiquei na fila do lado de fora assim... ai de repente passa o guardinha com uma cara: “de bermuda não pode entrar heim?” E eu fiquei pensando como toda a relação do Brasil com o governo, qualquer hora com o público, é uma relação que não é amistosa, pelo contrário, o governo, que teria que servir o cidadão, pelo contrário, está sempre para atrapalhar, o governo é sempre uma peça que está ali paras encher o saco e o público não é público, é de ninguém. E acho que esse negócio de a gente estar lá .gov é muito... Nosso trabalho, quando a gente chega lá com o Ponto de Cultura, e acho que com o Gesac deve ser a mesma coisa, quando a gente chega lá os caras: “ não, porque o governo, cadê o meu não sei o que...” Estão sempre esperando uma coisa e culpando uma coisa externa e superior e no nosso trabalho a gente fala: “meu, esquece isso, vamos fazer, vamos falar vamos ver o quanto a gente pode fazer aqui e tal e resolver essa situação na hora.” Então é uma coisa de servir, de fazer um serviço de fato ao público. E metade do nosso trabalho, todo mundo que trabalhou nestes dois projetos com certeza sabe disso, metade do trabalho é driblar as pessoas que estão no governo falando: “Esperai, vocês estão querendo trabalhar? Como assim? Vocês estão querendo fazer alguma coisa? Não, não, esperai, não pode fazer!” O Cláudio deve poder contar um monte de história sobre isso. E, então o lance deste pessoal em específico poder virar .gov tem muito uma coisa de subverter essa imagem do governo, subverter esse papel do governo. Não, vamos fazer o que é para ser feito, vamos fazer alguma coisa de fato. E é essa a minha sensação, esse é o meu sentimento. Cláudio: -Eu acho que nós estamos abrindo esperança de pessoas que tinham perdido a esperança em governo... Ruiz: alguém quer colocar mais alguma coisa... Ale: -Eu queria colocar uma coisa antes do jantar: Eu, quando vi no site lá o título desta mesa, eu fiquei bastante feliz. Achei bastante criativo: “quando os meus amigos se tornaram .gov” . Eu comecei a ficar... comecei a pirar neste história porque eu não acho que meus amigos viraram .gov né? Os meus amigos eles não falam de inclusão digital, eles não estão a mercê da estrutura que está lá. E eu, particularmente, usei o .gov. Eu tenho o cartãozinho do MinC que eu fiz no Gimp, eu mesmo, não tem mistério, aprendi isso com o Cláudio. E o lance na real é que os meus amigos hackearam o .gov, eles usam isso como uma bandeira. E pô eu já estive em uma situação que me chamaram até de sta de puteiro. Porque “porra como é que você está aqui no meio destes coletivos todos falando em nome do governo, falando como governo e tal?!”. E aquilo me deixou muito chateado, vê pessoas que são os meus amigos falando “ esse cara era meu amigo, ele virou .gov”. Tem várias maneiras de encarar essa situação. O que eu queria na real era no sentido de... Eu gostei do jeito que esse debate começou. Começou falando de TV digital ai a gente cai na ação da infra-estrutura, né? Então, a TV digital ela nada mais é do que: vamos determinar uma plataforma que é a infra-estrutura de telecomunicações do país. A gente fala de fibra ótica como infra-estrutura também né? A gente fala de coisas que não conseguimos fazer se não formos .gov. Ainda mais no Brasil, ainda mais em um país do tamanho do Brasil, tem coisas que você não consegue, se você não tiver esse link.gov você não consegue realizar. A gente não vai, por mais que a gente queira, eu posso até dominar a tecnologia mas, se o gov quiser colocar a WTV como prioridade e escolher um padrão americano para a TV digital a gente não vai conseguir fazer a nossa rede de TV digital no padrão brasileiro ai. O governo que regulamenta, o governo que determina e, na verdade a gente está a mercê do governo e das corporações e da economia, porque eles que vão determinar essa infra-estrutura. Eu não tenho muita ilusão de conseguir mudar essa realidade, inclusive com bastante tristeza porque, poxa, acho que ninguém aqui tem dúvida de que TV digital tem que ter interatividade... não tem que ser uma puta TV de 15 mil polegadas que não cabe na sua sala. Acho que isso não faz o mínimo sentido, ao mesmo tempo que acho que faz porque isso serve outros interesses, interesses econômicos e tal, da grande mídia. Enfim, acho que a gente pode pontuar nossa ação para ter um pouco de impacto nisso, mas eu não vejo pessoalmente, ou mesmo nesta rede de amigos .gov... a gente não vai conseguir determinar essa questão que está muito a mercê da infra-estrutura. Mas, então, voltando ai. O discurso começou na infra-estrutura e a gente segue com os amigos .gov, né? E como eles estão hackeando, como eles estão trabalhando junto, como eles estão na ponta: são os implementadores... e ai sim, eu acho que a gente tem muita força, porque a gente chega e a gente chega lá, por mais que tenha a bandeirinha .gov, a primeira coisa que a gente faz é rasgar e mostrar a camiseta da rádio muda por baixo e dizer: “ não eu que fiz o cartãozinho do MinC, quer um?”. “olha aqui o software livre, você pode usar e pode distribuir” Se o governo for lá e colocar a infra-estrutura da TV digital em um padrão que não é legal eu vou falar para a galera “olha tem IPTV velho, com a internet você faz TV também”. É uma puta oportunidade a gente deveria lutar para ter essa infra-estrutura servindo o bem público, mas se não puder a gente pode hackear por outros caminhos entendeu? TV digital nada mais é, se você for pensar, uma grande rede wireless, né? Que você está transmitindo dados digital, que você faz também na rede wireless, você está montando ali uma rede, tem a possibilidade da interface. Se eles optaram por boicotar seis anos de pesquisa e instalar um sistema que vai atender os interesses comerciais, a gente tem essa alternativa porque eles não vão conseguir boicotar a internet. O governo, nem as corporações, entendeu? O negócio já está lá, ta funcionando e ai, a gente continua a mercê da infra-estrutura, a mercê dos donos da fibra ótica, dos donos do satélite, mas enfim, eles vendem esses serviços, a gente pode falar para as pessoas que: olha você se posicionar como cliente, obter esse serviço que ai sim, tendo acesso a essa rede, eventualmente nosso trabalho pode levar a algum lugar e construir alguma coisa. Tentando amarrar então, o que eu queria falar é que os meu amigos que viraram .gov, nunca vão virar .gov, porque eu sei dizer entendeu, as pessoas que elas são e que acho que a gente na verdade deve encarar essa oportunidade de estar usando o .gov, está no governo e tal. Ter a infra-estrutura que é muito legal, ter o meio de poder sobreviver fazendo esse trampo. Eu sempre fiz esse trampo, a maioria das pessoas aqui também sempre fizeram, mas era bico né? E agora com a oportunidade .gov é o meu trampo de fato. Eu acho que a gente tem que encara esses ano que vem, que é o único que a gente sabe que vai estar lá que eventualmente depois pode mudar tudo, como uma janela de oportunidade para: conseguir levar esse trampo que a gente fez para uma escala que é a escala que só é possível através do .gov. E, porra, eu fico puto cara quando vem me falar de 600 pontos de cultura, ou então 6000 pontos de cultura. Porque o gov é a escala e a escala é voto e então para a galera está interessada em estar reeleita, quanto mais melhor. E a gente que está lá na ponta, que estamos fazendo, a gente sabe que isso não necessariamente é verdade, a gente sabe que, eventualmente, 600 não é melhor do que 15, mas 15 bem feitos. O lance é que eu acho que a gente tem que encarar esse nosso trampo agora como fazer bem feito o que a gente conseguir, eu não tenho ilusões de que a gente vai conseguir fazer os 600 pontos de cultura, a gente não vai. Não vai, são muitos ! e ai, porque a gente não vai, porque o .gov está interessado nos 600 pontos de cultura mas não tem a grana para 600 pessoas para trabalhar, para fazer esses pontos de cultura serem o que eles realmente podem ser no seu potencial. Eles tem um pouco de grana para bancar uma equipe que são os meus amigos .gov, a gente esta hackeando, estamos fazendo associações com os outros emplementadores , a galera que está na ponta. Então, porra, a galera do Gesac vai ajudar nas oficinas, vamos se articular pela ponta para tentar consertar as cagadas do governo, eles estão interessados em milhões de ponto e obviamente a gente não vai conseguir fazer, mas vamos juntar forças, vamos juntar equipes. Eu to muito feliz de vários amigos .gov no Gesac, porque eles tem projetor, celular... Eu acho então que a gente tem que pensar em como se articular para agora aproveitar essa oportunidade, mesmo debilitado, mesmo sem... Cláudio: -Eu .gov. Agora o há dois anos atrás quando eu dizia que ia ter 80 pessoas, você dizia o que pra mim? Alguém: que era mentira!!! Cláudio: - Então nos vamos fazer os 600 pontos e você vai ver o que vai acontecer... Leo: vamos fazer uma vaquinha e comprar um satélite... Takashi: -Acho que eu vou falar sem microfone pra não poder (...). Risos. -eu nem sou .gov, sou .com -Bom eu ia falar da TV digital: eu não sei quantos de vocês ao hackers, porque eu gostaria de instigar os hackers, por causa da mentalidade hacker, por causa do que tem de ruim na mentalidade hacker. Qual é o problema aqui? É, sem querer desmerecer, nem nenhum hacker, mas eu acho assim, quando ele começou a falar... tem uma coisa de hacker, né? Que é o seguinte: é aquela vontade, aquela idéia de ver uma coisa que já está pronta e querer subverter ela. O hacker está a tento a isso: “se não existe rádio, como é que eu vou construir?” Isso é um pouco do que o ponto de cultura faz. Quer dizer eu estou simplificando um pouco o processo, vocês podem criticar essa simplificação, pode ser que eu esteja 100% errado. Mas o ponto que eu estou querendo chegar é o seguinte: a TV digital ela está em construção. Na semana passada eu participei de um debate lá com o pessoal da intervozez, que aliás é um pessoal muito legal, que o pessoal do intervozes eles eram estudantes de comunicações e eles, depois que eles se formaram, um pessoal militante, estudante de comunicações. Eles... “pô gente o que que a gente faz depois que está formado?” eles falaram vamos criar a Intervozes que é uma ONG, e continuaram fazendo a mesma coisa que eles faziam no centro acadêmico. então é uma galera jóia. E eu tinha participado de um debate com eles exatamente sobre o que que é possível fazer na TV digital em termos sociais? E um deles fez a seguinte pergunta: mas o projeto da rádio digital já está definido, em relação a tv digital tbm, o ministro Hélio Costa já disse que vai usar os padrões japoneses, então já esta fechado. Ai eu falei: “Não, olha, isso aqui não é jogo de vôlei, enquanto o cronômetro não marcar zero a bola está rolando e o jogo está valendo e se o jogo está valendo ainda, tem chance de a gente virar a mesa.” Então, a idéia é exatamente esta: existe um prazo dos meados de dezembro pra gente finalizar a parte técnica, existe um prazo de meados de fevereiro para bater o martelo. Mas, enquanto não bater o martelo está aberta a discussão para a sociedade participar. Como é que vocês podem participar? De várias formas: é a gente está conversando com alguns deputados para ver se a câmara elabora ai um projeto de lei na área de TV digital. Dentro das complicações que o Antônio já tinha feito de porque que uma TV digital não pode carregar uma TV comunitária, ser mais uma TV comunitária e coisas desse tipo. Todas essas idéias são possíveis e todas essas idéias estão abertas para serem incluídas no projeto de lei que é para ser discutido. Então, existem muito espaço de discussão antes que essa tecnologia esteja fechada. Depois que a tecnologia estiver fechada, que a galera já estiver feito, ai sim eles podem levar para ver como é que participa dentro dessa meleca. Agora, antes disso vamos tentar trabalhar para fazer uma coisa mais democrática. Era mais ou menos isso que eu queria falar. Ruiz: acho que a gente pode fechar o dia com a frase do Juba, nosso garoto prodígio do dia: “pó, se zoarem a TV digital a gente transmite com UHF!” Risos Informes para o jantar... Dia III 20 de Outubro de 2005 Mesa: Oxalá Shiva! Bia: - Isso tudo é verdade mas e ai? E ai? Então a gente fala puxa vamos lá mas não tem nada a ver a gente por que eles vivem uma realidade diferente. Então quando eu falo isso eu procuro tentar ver, as diferenças que a gente tem, as diferenças culturais, as posições que eles tem nos projetos deles, que são muito específicos, não vai adiantar a gente tentar transportar o cybermohala pra cá que não vai funcionar, não vai mesmo. Mas tenta entende... 58:28 O SOM PAROU DE FUNCIONAR.. Voltou a funcionar 1:08:00 Continuação de uma fala do Ale: -Ele está perguntando da pessoa juridica que está por trás disso, se é um instituto de pesquisa? Mônica: Si!! Sarai and sybermohala started at the same time because Sarai started. And when started Sarai, it was by saying that, there is always the imagination that in countries like Índia and Brazil, I imagine, you have to think LIKE the country, you need to do things in behalf of the country to get a name and so on and so far. And we said Sarai is not going to be like that because we beleive in conversation, research, making things, doing things, is an important way of intervening in society, it’s not only importantly what in the world are we going to do there, that’s of course very important, but equally impotant is the world of the mind, and the world of sharing and the world of creativity, so Saria totally started with that imagination, and cybermohala is part of that, so it is not a separate thing. So public domain was an important category thinking about our role in life, how we meet and share things, and the reproduction of material goods. It’s a big spectrum and the spectrum is continuous. Ale: -O Sarai começou então, ao mesmo tempo que o cybermohala, são projetos que nasceram juntos né? E ela começou a desenvolver a idéia de que tem sempre a imaginação das pessoas sobre os paises, o Brasil, a Índia, né? E alguns dos projetos assumem que você tem que pensar como o país, você tem que se adaptar ao país para conseguir fazer a sua coisa. O Sarai, não vai ser um lugar assim, a idéia desde o inicio é que o Sarai não pensasse neste contexto, porque eles acham que conversar, fazer, pesquisa, refletir é muito importante. É um puta de um trampo e é tão importante quanto o trampo de infra-estrutura, entendeu? De colocar fibra ótica, colocar saneamento básico, né? Intervir no mundo da mente, refletir sobre o urbano, sobre essa cultura, todas essas coisas, mas fazer esse trabalho na cabeça das pessoas. E ai ela falou então que o trabalho que eles fazem é mais de um espectro muito amplo e esse espectro está mais para parte difusa... Cara da PUC-SP: Pelas falas deu pra pegar que há diferença entre o escopo social no Brasil e na Índia. Mas como a Bia falou não dá pra ficar “ai nos somos mais violentos, somos menos violentos” Acho que a coisa do consumo também. Como ela mesmo falou é uma coisa que demandou um tempo, não apareceu logo de cara: quer dizer, as pessoas vão construindo isso só que... teve uma coisa na fala dela que eu achei muito bacana que o foi o momento que ela falou da coragem para falar e também da coragem para ouvir, que acho que o que falta talvez aqui é a coisa da coragem; das pessoas tomarem esses projetos, esses empreendimentos, seja lá o que for, e não abandonar, porque é fácil falar que neguinho vai lá com uma perspectiva de que quer comprar um tênis ou de que aqui o corpo social é mais violento, não sei o que; só que as pessoas que começam a trabalhar com isso elas perdem essa perspectiva de que isso é uma coisa micro, feita no local, na comunidade e, pensam sempre o poder de uma forma genérica. Então tem uma perspectiva do poder sempre descendente e não ascendente de que todos são produtores e difusores e retransmissores de poder. Então a gente abandona essa tabulação micro, começa a pensar o macro e no macro tem o estado. Então uma boa parte das pessoas que trabalham com isso, ou vão para o estado e ai acaba esvaziando essa ação, esta atuação no micro, ou então vão para a corporação e esvaziam essa ação no micro. Então acho que falta... não sei, a coisa da coragem pra mim é de encarar e tocar realmente essa coisa mesmo no micro. Porque este tipo de ação é uma ação assim: você está criando espaço de sociabilidade, entendeu? E que é pra ele... não tem muito... No final o Vitor falou uma coisa bacana também, mas eu só quero completar com isso: de que este recorte que ela falou da coragem de falar e de ouvir é essencial, até porque quando você está sentado com a molecada você vai ouvir um monte coisas que você não quer ouvir e eles também tem essa coragem de ouvir o que você tem a dizer para eles, e sempre de uma maneira todo mundo igual, não sou eu que estou levando a política ou... ta todo mundo ali sentado no tapete conversando de igual para igual, e todo mundo tem que estar disposto a ouvir também. Acho que é mais ou menos por ai... Ale: -Eu queria fazer uma pergunta para Mônica e depois uma pergunta para Bia. A minha pergunta para a Mônica é: eu acho muito interessante a idéia deste espaço e eu queria entender ele um pouco melhor, porque as pessoas vão lá pelo seu próprio interesse não estão recebendo... não sei se a maioria dos jovens. Mas vocês dois no caso estavam recebendo né? Tinham bolsa e tal... então vocês dois lá, não é que vocês estavam recebendo pelo que vocês estavam fazendo lá, mas vocês estavam podendo ficar lá; tinha lugar pra ficar, tinha o que comer, e tal... então isso foi uma ajuda que de alguma maneira chegou e que eu queria saber da posição de vocês ali se as outras pessoas também tinham algum auxílio para estar lá e eu queria saber da Mônica se tem gente que recebe para estar lá, para fazer, engajar nessas conversas, começar a pegar o menino que ficou três dias jogando no KDE e falar: “ E ai? Mas quando a sua sombra bate no fotografo, a imagem é de quem? É sua, é dele é outra imagem, né? Enfim, eu queria entender o espaço em si, o espaço físico; ele é de quem? É um espaço público? É a casa de um brother que abriu? É um lugar que foi ocupado, ou foi comprado, ou paga aluguel, né? Ir no cybermooha? E tipo: como você chega em um investidor e diz “então, o que importa são as idéias por trás, me dá a grana” e eles dão... eu quero fazer isso também. Mônica: Like i said in the begging this was an colaboration with Ankur, an NGO that’s been working for more than 15 years with alternatives in education, so it became, they’ve already been working in these neigbourhoods for a very long time, so it was possible for us to start with this confidence, because they know the people they spend a long time there, people thurst them. The most important thing is thurst. Ale: - Ela esta falando que na verdade a história do Cybermohala é que uma colaboração com a Ankur Essa instituição que já tem 15 anos, é uma instituição de educação alternativa, então os espaços acho que são deles mesmo... vou perguntar. Mas acho que a idéia é que eles já trabalham na comunidade há muito tempo, então eles são respeitados, tem esse trabalho de 15 anos. O mais importante é esse respeito que a comunidade tem. Mônica: Cybermohala is a colaboration between sarai and ankur, ankur hás worked with education, never with technology before, that was not their área of work, they were in alternative pedagogy, so when we initiated this conversation we went to ankur and said we would research the possibility of using technology as a starting point for reflection and creativity. And they said, let’s try this experiment, we have not donne it before. So they had in this neighborhood which is a favela i guess, a busti (another word for slum in indi) in the middle of the city, there is a small community center, i think the room for cybermohala is really small. It’s like a really big center which hás been in that neighborhood for a really long time. You know what i see when i drive trough in brazil and i see, what is called, periferia, even favelas, i think they look very open and bright, because the ones in Dehli are much more tight, the streets are very narrow, it’s all squated area... Ale: -Então, ela falou que na verdade esse trabalho com o ankour nunca foi um trabalho de tecnologia, eles trabalham com educação mesmo, ela nunca tinha trabalhado com tecnologia antes. Então a parceria do Sarai com o ankur era fazer o Cybermoha, né? E eles chegaram para conversar com o pessoal do ankur sobre a possibilidade do que seria experimentar a tecnologia para gerar reflexão e incentivar a criatividade, né? Então eles acabaram fazendo isso no meio da cidade, em um quartinho pequeno que fica dentro de um centro comunitário que existia faz tempo. Ai ela começou a falar que quando ela viaja aqui para o Brasil olhando pela janela e tal, ela vê as favelas e vê a periferia e ela percebeu que as favelas aqui , elas são grandes, abertas, tem bastante espaço, iluminadas, e isso é muito diferente lá de Deli, em Deli é tudo muito mais apertado, tem muito mais gente todo espaço é invadido e tal. Mônica: So we raised the money for setting up the labs and people from ankur provided a space. In the beggining people from ankur went to the neighborhood and said, does anyone want to join this new experiment, do you want to try what is like to use computers? We’re going to be talking and writting, so in the begging we did one month workshop in sarai, all of us who work together we looked at pictures, so for example, this small issue of áudio. It’s very easy to say ok, here’s a microfone, here’s a recorder, please go and record sounds. What we did was for one month we said, let’s talk about listening. Let’s write down what we hear, let’s pay attention to what we listen. Recording is the easy part. Anyone can record, but the question is, what in a recording, what can you hear. So that’s how we worked, we spend a long time talking about this, writting about it. So if you look at the texts in the first book they would be alot about sound, because people would think “oh i can hear this i never realized, at night in my neighborhood, i can hear this sound, i can hear that sound” if i hear a sound, what are the stories behind that sound, what does it say about the city, about my neighborhood, that this sound is there at 2 o’clock in the morning. So that’s how we started, and in the begining noone was paid, everyone was coming voluntarily. But after some people had spent a long time and they’ve taken a responsability for regulating the place or maintaining the archive or making sure that things are running properly. Those people it’s like a job for them because they spend much more time after having been there for 2 or 3 years, they are paid a small sallary, and the smaller kids have, it’s a sallary that they spend to carry on over there. Not everyone is paid ordinarium, just some people that have taken a responsability are paid an ordinary. Corte F.F.: No meio da fala: -...no sentido de querer melhorar as coisas sabe? Desobediência civil por desobediência civil. O que o Maluf faz também é uma desobediência civil também sabe? O que o Lalau faz é desobediência civil. O objetivo é outro. Na verdade o que caracteriza o que o Sabotagem faz, por exemplo, não é desobediência civil cara; o que caracteriza é o que está por trás, o objetivo que está por trás daquilo. Desobediência civil é uma das ferramentas possíveis assim como tecnologia é uma das ferramentas possíveis, assim como outras coisas. Então... Vamos falar agora dentro desses objetivos a gente puxar um pouco da tecnologia que é possível. Então acho que se o Rhato puder falar um pouco mais sobre isso... Rhato: -Eu queria também poder puxar para um outro lado porque a gente está com muita discussão do que é, do que não é. Então eu acho que é uma puta oportunidade da gente aqui, de vários grupos diferentes, da gente tentar pensar em atuar melhor em rede ta! Porque, sei lá, todo mundo sabe que é importante e tal, só que a gente nunca conseguiu fazer direito com que esses grupos, todos eles conseguissem trocar coisas, seja por exemplo, o Sabotagem com o CMI, ou sei lá, o próprio ponto de cultura com radio livre e tal, assim, não uma coisa pensando em enriquecer cada um dos projetos e tal, mas dum modo de a gente pegar o que a gente faz em comum, por exemplo, documentação eu estava falando com o Pajé e com o Cris Scabello, que porra cada um faz a documentação do seu projeto e , de repente aquilo fica restrito em um lugar e um outro cara de um outro projeto que precisa daquilo de repente olha o que um outro cara fez mas esta em um formato para aquele projeto, não existe um formato comum de documentação por exemplo. Então, eu sei que eu vou descolar um pouco sugerindo isso, mas acho que é o momento certo da gente aproveitar e tentar encaixar esse tipo de coisa assim. Pegar o que é comum de todos os projetos, o que serve em comum e tentar colocar em um lugar, porque rede, assim, a gente não precisa de mais um portal, a gente não precisa demais uma lista de discussão, a gente já tem tudo ta? O que eu acho é que a gente precisa saber como se organizar para essas coisas saírem, ta? Eu até peço desculpas por quebrar as discussões e tal, mas é que eu tenho esse problema de ter que ser meio prático. Juba: -Bom é isso ai... Só pra falar o que está acontecendo, o que está rolando. Está rolando estreming de vídeo e áudio daqui. Então se alguém, em qualquer lugar quiser ver a gente, ou só ouvir, se tiver uma conexão meio tosca tal, ai ouvi só o estreming, porque para ver isso ai deve precisar ter uma banda larga. Então divulgue: está sendo transmitido pelo radiolivre.org, que é o nosso portal de troca de informação de rizoma da rede rádio livre. O endereço para ver é radiolivre.org, a i na coluna da direita vai ter a lista dos estremings, o de radio chama submidialogia e o de TV é tv/submidialogia. É só clicar par ouvir o estreming de radio. Mostra para todos... Ruiz: -Po todas essas coisa e todos essas redes e não sei-oq então vamo pegar o exemplo da rádio livre e mesmo. Eu estava conversando com o Juba ontem do rádio livre portal saca? Porra e quantas rádio livre a gente já tem agora? Sei lá umas 15, 20. É sei lá né velho, o movimento de rádio livre sempre foi um negócio meio solto e tal e é bom que seja assim meio solto e tal. Foi mais ou menos assim que acabou minha conversa com o Juba ali. Mas de certa forma o movimento de rádio livre, e, porra, depois que pintou o portal e vocês começaram a fazer os encontros não sei o que... deu uma pilhada maior tá ligado? Então beleza, então daí é o pause 1 e vira assim e : como pode. Pó eu também já cansei de concordar e discordar e fui botar fé no que o Ratho tinha falado. Sugestões assim, sugestões mesmo tipo pilhando em rádio livre, pirando em CMI, saca? E pirando em sugestões, mas quem quiser discordar e destoar está valendo tudo, vocês estão ligados volta a concordar e você destoa e sei lá... Submidiologia dia III2 Rhato: -Ah, ta! Por exemplo o caso... inclusive você mencionou o CMI e a rádio livre também. Elas são duas redes também, só que elas operam de formas completamente diferentes. O CMI, ele tem uma certa burocracia, ele exige que exista uma mutua confiança entre coletivos, ele pressupõe uma tomada de decisões, então existe a sua autonomia local como coletivo; eu posso fazer o que eu quiser desde que a minha decisão seja local, se eu quiser fazer alguma coisa que não seja só local eu tenho que pedir autorização para uma rede e tal. Isso é uma rede bem monolítica, só que para o CMI funciona muito bem, ta?! Eu acho que não é exatamente o tipo de rede quem a gente está buscando e que eu gostaria de propor, que é mais parecido com o rizoma de rádios livres, porque no caso do CMI existe o CMI ai depois surge um coletivo que quer entrar no CMI. No caso do rádio livre e de todos os nossos projetos, os projetos da gente já existem. Então a gente quer criar a rede depois de os projetos já existirem, então a gente não vai ter tomada de decisão, a gente não vai ter, de repente, nem consenso, de repente a rede em termos de trocas, né? Eu acho que isso a gente até sugeriu; a proposta da rede de rádios livres é de uma rede de trocas. No radiolivre.org a gente nunca conseguiu decidir nada, se o portal vai ser assim, assado, o que que vai estar lá, quem vai ter direito a transmitir... é uma coisa que a gente nunca... é sempre uma coisa pessoal. É bem esse tipo de rede que eu acho interessante; do cara chegar para mim, chegar para o Juca e fala: “arranja lá pra gente transmitir...” A gente faz isso entendeu? Então a gente está, tipo... é aquela história inclusive que o Dalton falou ontem quando ele estava falando de camadas: você tem uma camada estrutural, que é, por exemplo, o servidor assim, que é uma infra-estrutura comum, que é um poder a ser distribuído. E a rede em si ela está acima, é uma camada lógica de você pegar esses recursos e distribuir para todo mundo. (Eu não sei se eu viajei demais... não! Então ta beleza.) Então é tipo uma rede que ela não precisa ter um estatuto, ter uma diretriz, a gente não precisa tirar nada... nosso objetivo é esse: a rede é rede!! É um meio por onde passa as informações de você contar para um nó que estar interessado em fazer o que você quer. Ruídos... Balbino: -Então, eu queria falar bem rápido que eu concordo com o Rhato também de viabilizar, sacou? Assim, propostas, o que que vai fazer e tal. Mas, um lance da grande mídia assim é que a troca pode ser... lógico que compartilhamento de conhecimento também, no sentido de você formar pessoas em habilidades que você domine e que elas precisem, saco? Partindo para um entendimento que muita gente fica atrelando a elementos de fora... quando na verdade a gente tem está coisa bem clara deste tipo de funcionamento horizontal aqui dentro do Brasil, sacou? Por exemplo, a galera fala dentro dos projetos dos pontos de cultura de tchaua... Os índios tinham velho... quando um cara tinha um conhecimento ele era o Paje, o cara que tinha outro conhecimento era o guerreiro, o cara que tinha outro conhecimento era não sei o que . e todo mundo trabalhava pouco, todo mundo vivia bem, e todo mundo estava tranqüilo. Só agora eu queria ... Orlando Lopes: -Primeiro eu queria começar a me localizar aqui: eu sou um da população diferente. Então eu vou falar um pouquinho do que está rolando de conversar também...(discussão sobre a organização). Olha só o que eu estou querendo encaminhar aqui; em princípio eu estava pensando em falar 10 minutos porque era a mesa lá... Me identificando um pouquinho mais, eu sou um dos tais acadêmicos, eu sou um cara de fora do tal do eixo; qualquer eixo que vocês quiserem classificar ai eu to fora... sério, eu juro pra vocês. Eu venho do Espírito Santo, que é o estado apagado na federação, quem for especialista no Espírito Santo levante a mão por favor... Tradicionalmente o Espírito é a praia de Minas, o quintal do Rio e da Bahia, é o Portugal do Brasil, é tudo que vocês pensarem... Eu estou cansado de ser a diferença e acabar reduzido a semelhança no meio de tanta diferença. Bom, o que acontece aqui? Eu vim pra cá como professor também, né? Que é uma coisa que dá um conflito de discussão enorme e que eu acho que há um desgaste brutal. Se vocês pensarem que toda a população brasileira precisa passar por dentro de uma escola e que quem controla a escola -eu sou um professor, estive dentro, sei mais ou menos como funciona-, quem manda em uma escola são os diretores e os professores que estão ali articulados. São seres humanos que as pessoas podem abordar, podem conhecer, podem dialogar, isso é bastante possível. E ai a gente fica nesta história de abstrair o pais em diversas direções, ou de singularizar demais, eu acho que, de repente, uma das questões para se colocar aqui: que é, por exemplo, nós estamos desde ontem discutindo que não queremos discutir um instrumento de tecnologia. Não quero discutir o cabo, não quero discutir a rede e tal. Mas, todos os exemplos oscilam em cima disso, porque? Porque a gente ainda não achou uma outra maneira de discussão, outros jargões, outras disciplinas para poder olhar para a mesma coisa e poder falar dela de diversos ângulos. Não vai ter uma reunião que vai ter 100% dos presentes interessados na mesma forma de discutir, acho que ta todo mundo plenamente consciente disso, ta certo? Voltando a questão de se pensar um pouco como diferença dentro desse conjunto todo. Ontem consegui bater papo com gente pra caramba, de lugares pra caramba. Todo mundo fazendo alguma coisa, mesmo o que parece maluquice é interessante, sempre tem o cara que você fala “pô, o cara pode ter não achado a veia ainda mas está brigando por alguma coisa”. E na hora que as pessoas começam a se manifestar notam-se as diferenças e se diferença fosse alguma coisa resolvida o Brasil era um país resolvido. A gente sabe que dentro deste espaço que a gente está aqui, está cheio de diferenças, se tiver 100 pessoas aqui, tem 100 espaços de diferenças. Então a história do ouvir, que foi falado hoje de manhã, pô, sacar o cara falando, qual é a freqüência ele está falando, em que direção ele está falando, sem parecer um inimigo. Eu sou um professor, tive que me acostumar a ver as pessoas desta maneira, o cara entra na sala de aula, ele pode falar a besteira que ele quiser, eu tenho que ouvir o cara e não ficar pito com ele. Então, eu acho que isso precisa ser absorvido por mais gente, mais gente precisa de paciência para fazer isso, então a gente precisa estar aqui caminhando nesta direção. Bom, eu vou falar um pouquinho só para localizar o que é meu ponto de cultura, acho que isso a gente podia puxar de hoje para amanhã: saber quem são os representantes de pontos de cultura, quem são os emplementadores Gesac que estão aqui. Para gente ter pontos de referência dentro dos estados e saber quem a gente pode procurar para fazer a articulação local. Nem todo mundo aqui está em ponto de cultura, nem todo mundo está ativo em ponto de cultura, o pessoal da implementação está precisando de ajuda para fazer o movimento. Quando que alguém vai sentar para sentar com esta pauta específica? São questões... vocês podem ficar esperando o governo oficial fazer isso, mas acho que tem está dentro já percebeu que esta pauta não vai aparecer de lugar nenhum. Tem escola por ai, tem voluntário, tem outros lugares, tem outras... Como articular esse povo? Sentar e fazer calendário, e ligar para as pessoas. Quem vai sentar e se organizar para fazer isso? Se os emplementadores não tem isso como vai pedir a ajuda a quem? É necessário sentar e fazer planejamento, me desculpem. Acho que esse negócio de sentar e fazer gera uma série de ansiedades, ansiedades geram tensões e as pessoas se colocam em situação de instabilidade. Planejar e tal, não é nenhum grande absurdo. A grande questão é que o modelo tradicional de planejamento, como já falaram ontem, está baseada na tal da mecânica newtoniana. Então quer dizer, o cara senta lá, da graduação até o doutorado, ele aprende a formatar um projeto,a fazer uma antecipação de alguma coisa usando uma lógica que a gente sabe que é furada. Que outras maneiras que eu tenho de representar a projeção das coisas se não for este modelo? Quem tem um disponível? Vamos sentar, vamos conversar um pouco sobre isso né? E o que a gente chama de técnica, para retomar um ponto aqui que é esta história da rede, a gente está falando sobre instrumentos, aparelhos, modalidade de tecnologia específicas, mas o que que é técnica? A gente preparou um dia para discutir. Passamos duas, três horas tentando negociar para a gente uma definição do que que é técnica, o que que é tecnologia. Mas, de uma coisa que vá do mais concreto ao mais abstrato, porque daí você consegue pegar todo o raio de ação daquele fenômeno que esta acontecendo. Então , para mim tecnica hoje, quer dizer eu sou uma população diferente que tem uma tecnologia similar. Tecnologia pra mim, tentando chegar o mais próximo possível de filosofia, sem querer complicar, sem querer evocar uma discussão pesada, é um controle sobre um processo. Tecnologia é apenas isso. Então a informática faz isso em um nível fazer um tacape para matar alguém com uma porrada faz isso. A técnica está ali nas duas coisas, só que a técnica vem de onde? Ela vem da observação do mundo natural, você faz metáforas de coisas importantes ai: A metáfora da biologia, a metáfora da física... para isso as pessoas estão aprendendo essas metáforas. Os cientistas originalmente observam a natureza para poder entender como o pensamento espelha a natureza. A gente perdeu um pouco esta noção ai, a histórias de pensar a era moderna, como funciona a modernidade,a gente fica tentando ver que não afeta a nossa cabeça e afeta. Ficaram ai 100 anos inventando o consciente e o inconsciente, quais são os níveis de consciente e quais são os níveis de inconsciente. A tecnologia está manipulando isso, ela está agindo sobre isso, a gente não está parando para criar discursos sobre isso. Sobre o que não se fala não se pode entender, se não se falar de uma coisa ela não se torna visível. Então a gente tem processo físico e processo simbólico. O processo físico é o recurso finito, o recurso natural; o processo simbólico é o processo infinito. Se eu quero metareciclar as coisas, se eu quero inventar as coisas eu quero criar uma infinidade de coisas. Onde é que está a natureza nesta criação do infinito? Não é naquilo que a gente chama de propriedade privada, são limitados, são finitos. Onde é que a gente explora isso? Deve ter uns quinhentos mil livros na biblioteca da UNICAMP. Sentar, fazer listas de livros, listas de textos, catar onde é que tem coisa na internet ai e botar na mão das pessoas; traduzir o que precisa jogar ai nas escolas. Não se gasta dinheiro, o orçamento para educação é um orçamento monstruoso. Gasta-se dinheiro com isso, não se pode deixar de gastar, a gente tem que fazer guerrilha lá dentro. Lá dentro que você tem que entrar; agora, como que se entra lá dentro e não sai ferido? Eu não sou um homem-bomba, eu não vou entrar explodindo em lugar nenhum. Bom, parando um pouco isso e só pra dar uma luz na historia lá do ponto de cultura em Guarapari, que a gente está tentando começar lá. A nossa grande questão, e falando sobre ele, abrindo uma proposta para quem estiver interessado e quiser crescer, quiser participar... A nossa grande idéia lá é usar o equipamento que o ministério vai oferecer pra gente, criar uma base permanente de produção de mídia, de difusão cultural na região e usar esse recurso de tecnologia pra promover, usar e promover uma rede de intercâmbio nacional e internacional, usando o equipamento turistico da cidade que fica ocioso nove meses por ano. Então a gente tem uma capacidade de levar pessoas para essa cidade, com uma capacidade de atendimento de qualidade e inserir essas pessoas coma comunidade, para fazer trabalhos comunitários. No Brasil são 1000 cidades que podem fazer a mesma coisa, mil cidades tem equipamento turístico, o turismo no Brasil é sazonal, então fica um enorme período vazio, ocioso. Então, se a gente chega lá, turismo tem rede de informação, todas as cidades de médio porte turístico tem internet tem estrutura disponível, tem agencia de comunicação na cidade, você consegue fazer uma série de promoções, as pessoas estão acostumadas a fazer eventos. Então a gente tem que identificar onde os lugares não estão sendo usados e propor ocupação. Agora, as pessoas tem que aprender a conversar porque cada um tem um interesse. Eu to falando, eu estou há quatro anos esperando alguém em dar uma oportunidade de fazer esse trabalho. Já tive patrão, já tive que conversar com o governo, tive que voltar a trabalhar agora dentro de uma estrutura de governo, que era a última coisa que eu queria; eu sei exatamente o quanto que pesa no pescoço das pessoas que assumem está responsabilidade, se o cara estiver assumido alguma responsabilidade. Então acho que a gente está aqui pra ver, quem está comprometido com o negocio, tentar garantir a viabilidade do compromisso que as pessoas estabeleceram e tentar ver o que que tem de potencial para o Brasil inteiro. Agora pra isso gente, precisa de mapa na mão, precisa de agenda na mão, precisa de quadro, precisa de mural, precisa de lista de discussão. Este é o caminho que acho que vocês dominam tranquilamente, as pessoas se mobilizam, se deslocam 50, 100, 200 pessoas, né? Mas o que que você imprime do lugar que você ficou? Vocês ficam três dias na UNICAMP. Agente imprimiu alguma coisa de fato aqui? A gente vai voltar para imprimir alguma coisa aqui? Vai ser outro grupo que vai ter aqui? A gente não pode ter vergonha de pensar esse tipo de coisa não. Eu acho que precisa... é o que eu estava falando, isso gera conversa, isso gera papo se eu ficar falando sobre isso aqui... Eu sou um professor, sou acostumado a falar horas mas, não é o caso. Quanto tempo a gente vai ficar aqui e quanto tempo a gente vai ter até amanhã para se conhecer em grupos menores? Acho que é o meu encaminhamento... Rhato: - Eu discordo um pouco que não tem gente, de repente, com o mesmo interesse que o seu projeto. Eu acho inclusive que dá pra tirar coisas comuns, interesses comuns, ta? E eu não acho que a gente precisa de planejamento, um mapa, um não sei o que... De repente uma lista, mas tanto, eu acho que assim, o que a gente tem que investir é uma rede, que uma rede ad-hoc, assim, ela se faz, entendeu? Ela, você não precisa criar... Orlando Lopes: -só um adendo: quando eu estou falando... é a coisa do ajuste mesmo. Eu concordo com você. Este movimento que foi feito de hoje, este evento aqui. To falando, eu chego com uma pilha de camaradas organizados pra falar, é minha profissão. Mas eu sei que vocês não precisam disso e tal. Agora, por exemplo, eu tenho um projeto que vai pegar até 2008 25 mil pessoas. Eu estou há dois anos observando pela janela essas 25 mil pessoas e, para esse tipo de trabalho não tem como não ter agenda, não ter mapa, não ter gráficos... Rahto: exato Orlando Lopes: Essa necessidade é minha, não são todas as necessidades... Rhato: você quer , por exemplo, pegar uma tecnologia similar a essa que você está usando e usar isso em rede, saber como é que usa? É o que eu estava falando pro Slave antes do almoço: “Poxa, o projeto dos pontos de cultura são trocentos pontos de cultura que tem que ser montados e não é só montar, olha você liga aqui o botão e já está funcionando.” É pior porque daqui há um tempo vai acabar o convênio com o ministério, não vai poder o técnico pra lá, para cada um dos pontos pra consertar as coisas. Os caras tem que saber fazer o negócio funcionar por conta, entendeu? Então se não começar uma rede de pontos de cultura, ou uma rede genérica de conseguir informação, os caras estão lascados; vai queimar placa de rede lá no negocinho e ai? Então, o que eu queria insistir é que a gente não precisa de planejamento para uma rede que é troca de informação, só isso, entendeu? Então, para o seu projeto sim, você planeja e tal. Agora para uma rede mesmo, de repente, é só a gente se organizar para como uma pessoa acha a outra ou como um conhecimento pode ser achado facilmente. Por isso que eu falei assim, sem de repente eu começar a levar para o técnico demais, um formato comum de documentação. Você vai escrever uma coisa, como fazer tal coisa, um documento, você já escreve em um formato padrão para todos esses projetos, e ai, quando uma cara for escrever o projeto dele, ele vai pegar aquele projeto padrão, mudar o logotipo pro bagulho dele, coloca tudo em creative communs, sei lá que licença a gente escolhe, entendeu? Uma coisa desse tipo, eu acho que dá pra fazer simples... Felipe Fonseca: -Eu acho que isso é uma coisa que a gente pode conversar, talvez até não com todo mundo. Talvez isso nem,interesse todo mundo, mas acho que é uma necessidade sim que é ver o que que tem de coisa comum, e trocar, documentação, enfim...rss, fluxo de coisas que é um pouco o que o Rhato falou: tem lista, tem site, tem não sei o que. Cada um já tem trampo pra fazer, mas todos esses sistemas eles podem conversar entre si e eu acho que a gente tem que ver que tendo essa coisa por trás, tem uma estratégia maior que eu acho que todo mundo está mais ou menos assim querendo ira para um caminho. Enfim, isso é meio genérico demais, mas dá pra gente armar alguns espaços de convergência sabe. Não é dizer que “não, agora para de escrever no seu blog e vai escrever no converse”, não é isso, é ver como que a gente faz para esses sistemas se integrarem, o que que é interessante de trocar, o que que a gente tem que a gente quer trocar com os outros e o que que os outros tem que interessa pra gente. Pô, dar dados de mapeamento do Gesac interessa bastante para os pontos de cultura, ou não, não sei, mas tem que começar a checar essas interações assim. Parar de trabalhar só, com a mesma galera, cinco pessoas trabalhando aqui enquanto tem cinco pessoas do, lado, na sala do lado, trabalhando a mesma coisa. Acho que pensa: tem algumas coisas que a gente tenta fazer da história do Converse, dos pontos de cultura- Converse é um site que foi feito para ser um meio de conversa entre os pontos de cultura, mas na verdade assim, o domínio está na nossa mão e o servidor não está no ministério. Então o seguinte, acabou o projeto, o converse continua lá sabe? Continua na nossa mão, tem 1330 pessoas, vamos compactura também, mas não é chamar “olha este é o site ideal, vamos todo mundo escrever lá”. É integrar, é ver como que esses sistemas interagem entre si. Rhato: -Essa parte da interação, só pra deixar esclarecida, é que determinado portal com seu blog, ele tem um esqueminha de acessar outro blog e o que foi escrito né? Agora, aquela história assim, dificuldade técnica e todas essas coisa meu, a gente se vira. Eu acho que é importante a gente ver que não existe um limite neste sentido para fazer as coisas funcionarem, eu acho que o grande problema é aquela história: saber o que uma pessoas está fazendo, que é a grande questão da rede né? A rede não é aquela coisa parada, silenciosa que quando você precisar você vai lá e pergunta para todo mundo. É legal uma rede tipo: olha, eu to fazendo isso, to fazendo isso aqui. Todo mundo jogar na roda e falar o que tem; que é a própria idéia deste evento que é cada um, de repente, falar o que sabe. Orlando Lopes: - Não, olha só. Eu acho genial isso, essa consideração de vocês que a seguinte: eu tenho uma atividade, minha atividade se processa desse jeito, acho que é melhor gerir a minha atividade, guiar a minha atividade desse jeito. Quando vocês falam em rede, vocês estão pensando em rede com uma estrutura lógica, com equipamento de informática e tal... Rhato: Não, não é só isso. É assim.. Orlando Lopes: não, se vocês estão pensando em rede de pessoas, então nosso interesse é discutir rede de pessoas... Rhato: Exato, é rede de pessoas... Orlando Lopes: Se a gente for discutir rede de pessoas uma das questões que vai entrar ai é o seguinte: cada agrupamento de pessoas, tem uma galera hoje que gosta de chamar de tribo, acha que todo mundo aceita a idéia de tribo como um agrupamentos, ou em espaços urbano, ou em espaços rurais. Um grupo de pessoas que se aproximam porque tem o que? Um conjunto de práticas, um conjunto de valores em comum; isso faz com que as pessoas façam a mediação da comunicação delas seguindo protocolos diferentes. Então, se vocês pretendem ter uma capacidade de intervenção dentro do tecido social brasileiro, vocês vão ter que distinguir as características de diversas redes e se preparara para fazer interface com elas, porque ainda a interface é a semelhança encontrando a diferença e a rede vai se compor por interfaces. Vocês não querem ter uma rede totalitária, com uma tecnologia totalitária. Como que vocês vão equiparar as diferenças ai dentro? Jahjah: - Então, assim, eu queria dizer que esse papel de tentar... se falou de uma maneira como se a gente fosse ser o articulador de toda essa, de se formar essa rede, sacou? Mas eu acho que as redes estão ai, estão funcionando totalmente e sublocalmente e está na hora de juntar essas redes sacou? Orlando Lopes: Mas olha só. A minha grande questão é a seguinte: a gente fica com uma coisa.... a gente anuncia; existe uma teoria do discurso, existe uma análise do discurso, existe aquilo que a gente fala e, aquilo que a gente fala, na verdade é um composto de valores. Então a minha intensao ela não necessariamente acompanha a minha prognição. O simples fato de você estar falando sobre rede: olha só no seu caso a rede é assim, ... Quer dizer, você está posicionando o registro. Eu sei qual é a intensão que você esta falando... Rhato: eu sei, acho que o que você está dizendo é que: como é que pessoas que falam idiomas diferentes vão se comunicar em uma rede. Mas acho que a rede, se ela se auto-organizar, uma hora vai virar uma zona, ninguém vai entender nada e o pessoal vai ter que começar a se entender. Acho que a vontade, de repente a vontade que eu estou de te entender agora é o mesmo esforço que você está fazendo de me entender. Orlando Lopes: Mas a minha grande questão é que mesmo assim, vocês tem que prevê... Rhato: Eu acho que e gente tem que prever sim, senão eu fico como um arquiteto de uma rede social que eu quero construir. Não! Orlando Lopes: Você só estaria fazendo isso se você estivesse demarcando estruturas dentro da rede. Mas olha só?! Quando você desenvolve uma rede o que que você faz? Você estabelece um plano de parâmetros, dentro qualquer rede, eu vejo vocês falando de parâmetros o tempo inteiro, vocês estão configurando parâmetros o tempo todo, não são as metáforas que está todo mundo querendo discutir ai? Então se eu colocar isso para uma rede social, o que que acontece? Para eu dimensionar uma rede social, para que ela resista a um certo padrão de estruturação, não é uma forma de estruturação, ela vai ter um certo grau de resistência. A partir de um certo grau de descarga em cima... Rhato: você fala resistência do que? De alguns pontos ou o que? Orlando Lopes: não, quais são eu não sou especialista.... Rhato: não eu estou falando pontos de rede. Vamos supor que isso aqui é uma rede... O.L.: Por exemplo há uma capacidade de experiência entre sistemas. Vamos pegar uma questão que eu acho... tem uns que são suficientemente simples para todo mundo acompanhar. Sistemas operacionais: de linux para windows. Entendeu? Para vocês trocarem dados que estão ali. E, eu não sou windows, não sou a onda tribo e tal, mas para poder fazer a transição de um dado para o outro... eu não tenho que antecipar o que que vai ser recebido lá? Para poder estabelecer o protocolo? Entendeu? São questões que assim, se você for falar isso friamente parece que você é um cara que é calculista, mas não gente. Porra, o cara atravessou a rua, cumprimentou o outro, se o cara olhou com cara feia, da próxima vez você não avalia antes de conversar com ele? A gente precisa parar pra pensar um pouco nisso do ser humano. É uma diferença dentro da cabeça dele e há uma diferença dentro da minha cabeça. Só que ela é diferente agora e vai ser diferente daqui a cinco minutos e dele também. Rhato: Ta. Mas eu acho que, por exemplo, no caso de você andar na rua e, sei lá, trocar um olhar estranho com alguém pressupõe que, de repente, rola uma hostilidade e tal. Mas acho que no nosso caso, por mais que cada um fale uma coisa e tenho seus parâmetros diferentes, a gente está tentando se entender. O.L.: Vou jogar mais uma questãozinha teórica: como você falou, você encontra o cara na rua e de repente tem uma possibilidade de hostilização... Isso. Essa hostilização, ela é o que? Ela é um signo, e ai vamos lá. A base da história toda é linguagem. Então na verdade o que que acontece? Um interpretante, um interpretador pega o sinal e faz uma interpretação. Isso vai desde o sistema que está lá jogando bits dentro da máquina, até um grupo de paises que vai e se altera. O cara ganhou um prêmio Nobel agora com a teoria dos jogos. Então o que que aquela historia de teoria dos jogos lá com uma historia de uma casa Tainã? Rhato: A própria história da teoria dos jogos é o seguinte: que a gente junto tem mais chance. O.L.: Isso ai é o que você está colocando. Como essa teoria se constrói? Todo jogo precisa ter um objeto, precisa ter um objetivo, por tanto se estabelece estratégias... então você vai complexificando o jogo a medida que você quer. Da mesma maneira que se faz aquilo, segundo esses tais teóricos, isso acontece dentro de uma sala de aula, isso acontece dentro de um hospital, acontece dentro de uma família. Porque que não vai acontecer na ONG onde eu trabalho? Qual é o modelo? Como que eu represento isso? Entendeu? Acho que são questões que se a gente quer se aprofundar, se a gente quer realmente acompanhar esse movimento que está acontecendo ai. Algumas pessoas que tem essa questão... não é todo mundo que quer acompanhar isso. Eu só estou marcando isso, tem mais de um ano que eu estou puxando conversa sobre isso. Já enchi muito o saco do Ricardo, já fui pentelhar os outros. E até agora não abriu o canal para alguém sentar e discutir isso. Se todo mundo vai discutir isso ou não???? Rhato: Eu não sei se a gente está ai muito atrás para começar a discutir isso. Felipe F.: Eu queria colocar só uma coisa e acho que a idéia que eu vou estar colocando cabe assim nas duas mesas ai. Eu quero colocar uma coisa que acho que assim: apesar, além da tecnologia que é simples, que está dominada, a tecnologia pra promover essa interação, promover essa conversa, fazer essa interface, fazer essa interferência. O que que é preciso além disso? Acho que tem uma história que é assim: uma disposição de querer colaborar de querer que o outro... e assim, ter uma perspectiva de quem, é que vai estar na outra ponta. Só que assim cara: minha visão específica: não tem como fazer um sistema que vá contornar esses problemas. Isso é um processo que é totalmente subjetivo, é totalmente pessoal. Ele parte de uma disposição que eu tenho de falar de uma maneira que aquelas pessoas que estão naquela mesa possam entender. Ou que estão aqui no espaço entre eles vão entender e elas vão aproveitar aquilo para elas, mas não tem sistema que vá prever isso. Isso é uma coisa que é totalmente impessoal e subjetivo e vai ter um monte de gente que não vai querer trabalhar assim, e não dá pra culpar essas pessoas. Eu trabalho, eu decido trabalhar dessa forma, eu decido trabalhar de uma forma que as pessoas que estão do outro lado dessa tecnologia seja feito uma rede. Eu escolho trabalhar de uma forma que vai ser entendida do outro lado, então assim, eu acho que é isso. Não tem como fazer um sistema que preveja essas coisas, que corrija essas situações. Ruiz: Perai que eu vou falar agora. De mídia, em um laboratório de mídia produzindo metareciclagem que não é mais um centro de mídia, entendeu? Tem milhares de centros de mídias que podem vir a ocorrer. E depois de um ano e meio eles meio que deram o braço a torcer e falaram “ Porra, não é: vocês fizeram, saca? Caralho, além de ter razão vocês fizeram”. e daí, a gente já estava neste processo do que que era? Pô, então vocês vão construir para gente. Vamos continuar essa parceria que a gente tem e vocês me mandam, manda alguém do metarreciclagem para ficar um tempo na Índia, que foi tipo, sei la´? O metarreciclagem já não era mais grupo, não sabiam mais como lidar como que o Felipe tinha na cabeça. Falaram vocês mandem duas pessoas pra cá porque a gente quer sacar desta experiência que tem. Este Knowhow que tem ai de metareciclagem e vocês, por favor, organizem ai pra gente uma conferencio uma publicação. A publicação não ficou pronta, não deu, ia cair uma grana que não caiu, caiu errado xx. Eu fiquei afastado da publicação mesmo, não sei o que rolou e a conferencia a gente montou para isso aqui. E ai veio em uma hora muito massa essa pergunta do Pedro, que não está ai e que não falou na mesa dele de ontem porque ele esqueceu, mas, velho, o Pedro tem papel fundamental na conferência, mesmo ouvindo a mesa dele que é: pra que estamos organizando este evento, saca? Então, a gente está organizando este evento porque é uma plataforma que a gente tem mais ou menos estabelecido com essa galera e que eu não me sinto confortável para, pelo menos, nos próximos dois anos fazer parte desta plataforma como: eu, Tatiana, Felipe, Chico, saca? Porque não? Porque o meu trabalho que se dá neste país não se dá sozinho, saca? E eu não teria como trabalhar e manter uma coisa funcionando se eu não tivesse você, bla, bla bla, bla... Então, a idéia desta conferência ainda é o que eu falei ontem de tipo, ok? Como que a gente pode continuar trabalhando quando acaba governo, quando acaba ponto, quando acaba computador... como que a gente consegue se organizar como rede mesmo. E ai é por isso que eu pirei na hora que o Rhato falou isso daí saca? Tipo “Pô, então, como vamos organizar a gente para um trabalho? Como vamos trabalhar junto? E a gente não trabalhou junto com o Sabotagem porque? Porque não sei, mas é exatamente o que o Rhato falou: nosso trabalho é intrinsecamente ligado com o seu. O CH que está aqui também e que não era um convidado oficialmente, isso era um outro lance saca? Isso foi um outro lance que você falou de porque que não foi mais publicitado. Porque desde o primeiro modelo que esta plataforma vem se dado alguns formatos que foram ficados nela não são funcionais neste pais. Neste pais no qual a gente vive. Então, por exemplo, a conferencia foi uma conferencia fechada, então na teoria teria muito menos gente do que tem aqui nesta sala, na teoria é menos mesmo, é uma conferencia fechada e porque que a gente está fazendo estreming de radio, vídeo tv, web não sei o que? Esta bem é fechado, mas é aberto. E porque que a inscrição está lá no site, tipo você tinha que ser convidado para se inscrever, mas a inscrição está lá no site, saca? É fechada, mas é aberta. Então a gente não publicizou porque é uma conferencia fechada, mas está lá velho, o Paulo está ai, aquele português maluco que não foi convidado, mas está ai saca? E nem por isso eu não quero trabalhar com ele e , mesmo por que ele está presente em todas as histórias malucas que a gente tem feito. Então eu deixo a bola pingando... Felipe Fonseca: Eu só queria dizer uma coisa: é sobre o Paulo também, ele vai em muito reunião do metareciclagem, é impressionante, de repente, o cara aparece lá e ninguém sabe como que ele sabe que era aquela reunião naquele lugar. Ruiz: pó muitas vezes ninguém foi avisado mas o Paulo sabia. O Paulo estava lá... Felipe F.: Mas eu acho que assim, das suas perguntas ficaram uma coisa que... “ Como que a gente vai fazer isso?” Mas cara, a gente já está fazendo. É tipo, um ano e meio atrás um amiga meu me mandou um email dizendo que tem um cara do mestrado fazendo um trampo do caralho e tal. E eu falei para ele chamar para a lista dos articuladores, ai chegou o Orlando na lista de articuladores mandando um email de duas páginas assim que quase ninguém tinha paciência de ler ai eu peguei um fim de semana e falei “vou ler esse cara”. Ele falava vamos fazer um blog e tal, e eu disse já tem blog, a gente já está trabalhando junto. A gente não tem que planejar como trabalhar junto, a gente já está trabalhando junto. Toda essa galera que está na lista de convidados é que a gente já está trabalhando junto. Antônio Albuquerque: -Meu interesse de estar aqui, ele pra mim é muito definido. Acho que talvez eu esteja fugindo um pouco a realidade geral, mas eu sei muito bem o que eu estou buscando aqui e eu vou colocar isso aqui do ponto de vista situando-me na condição de funcionário do governo. Este governo Lula que tem uma peculiaridade no projeto diferente dos anteriores, né? O que eu estou procurando aqui é primeiro usar a mão de obra que está disponível no Brasil para fazer as transformações que a gente precisa, quem são as pessoas preparadas para ajudar neste processo, e pra conhecer mais... pra que? Para poder circular a rede. E poder fazer o que? Ser o facilitador deste processo. No Gesac, dos 25 emplementadores, a gente tentou criar um perfil e aproveitar dentro das ONGs, das iniciativas de movimentos sociais já existentes. Assim foi que pegamos o pessoal do movimento empatia, do movimento do CMI, do movimento de rádios... que mais? Outros atores existentes. Pra que? Pra profissionalizar o pessoal e fazer com que eles executem trabalhos que tinham sonhos de realizar e possam articular suas redes e seus trabalhos com outros estados de uma maneira mais abrangente. Evidentemente que os atores que a gente tem hoje na sociedade são poucos para a transformação social que a gente precisa, o exército é pequeno ainda para a transformação. Quem tem trabalhado em campo, e eu viajei pra caramba em todos os estados do Brasil nos últimos 18 meses... A gente sente que a sociedade brasileira, ela não está preparada para um processo de produção cultural local de uma maneira transformadora. Não há uma própria identificação, em um primeiro momento, de uma própria pessoa com sua própria cultura. Então ela se sente, até talvez por uma questão de baixa estima, incapaz de produzir algo que seja a seu realização,a sua identidade de ela ver a si própria. Outro dia eu estava lá conversando com o Vitor, e o Célio falou para mim “Olha: nós temos uma seleção do ano passado, de 2004, de 260 projetos e agora em 2005 mais 350 projetos.” Parece que a gente no Brasil chegou no limite, né? Porque os projetos começaram a ficar agora com uma baixa qualidade. Não que não tivesse projeto bom, há milhares de projetos enviados, mas já começou a sentir que chegou no limite ali, não tem como crescer muito para fazer projetos de boa qualidade. Então, chegamos ai a 500, 600 projetos que seriam uma nata de todos os estados do Brasil em termos de pontos de cultura. Quer dizer isso eu acho uma pobreza. O país tem 180 milhões de pessoas, 27 estados, e a gente tem 500, 600 projetos e já não consegue avançar muito, tem que dar outros estímulos, outros processos para obter novos projetos, pode ser que a gente tenha ai uma dificuldade imensa. Isso mostra, na verdade uma destruição da cultura, do processo educacional errado que não estimula a inovação, que não estimula a criação, a evolução, há uma hierarquia dentro da escola, uma pedagogia que é avassaladora do ponto de vista intelectual, que gera essa pobreza que é fruto destes anos todos de ditadura militar no nosso pais e de decisões equivocadas. Quando a gente coloca como é que vamos no unir e, quando você coloca que já tem as tecnologias, já tem isso... Veja, então eu pergunto assim: “Então o que é que está faltando para efetivar, o que está faltando?”. Porque as vezes a gente começa a colocar a culpa em um fato, a culpa em outro e na verdade é culpa não é nada disso. Sempre nos aparenta a primeira vista para jogar culpa naquele processo lá, e na verdade falta outras coisas. Eu andei vendo os movimentos sociais, as organizações que partem da sociedade durante décadas no nosso país se vê escamoteada ao que não presta, né? baixos incentivos, falta de financiamentos, falta de estruturas de articulação, né? Enfim, eu acho que a gente precisa é de ter uma melhor estrutura e incentivo a essa articulação. E você vejam que, se a gente faz ao programa Gesac, que já tem ai 3200 e vão para 4000, 5000 pontos, a gente falou dos pontos de cultura, que vai baixar ai para 600 pontos. Se mesmo assim a gente não consegue causar nenhuma transformação na sociedade, se mesmo assim, a gente não consegue causar nenhuma articulação melhor na sociedade, se mesmo assim a gente não consegue fazer nenhum processo criativo e transformador neste país inteiro acho que a noção de política pública do governo Lula está equivocada. Então a gente não sabe para onde está indo, então a gente tem que repensar o que a gente está fazendo e nós estamos gastando dinheiro e não é dinheiro pouco, são milhões e milhões de reais que estão sendo gastados por a no né? Eu acho que o papel do estado é organizar a sociedade. Isto para mim é o papel do estado, nós temos que fazer políticas públicas e programas que articulem a sociedade. Se nos tivermos condições de articular a sociedade e de financiar esses movimentos, essa coisa vai embora. Se a gente escrever uma nova maneira da escola ter uma pedagogia para os alunos e criar grupos de trabalho em cada escola. Vocês vejam o seguinte: nós temos presentes ai o ponto de cultura, Gesac... hoje funcionando em 3500, 3600 localidades. Se a gente tiver, em cada um destes pontos, onde o governo federal está jogando dinheiro, cinco pessoas: três garotos, um professor um outro membro que faz parte do movimento ambientalista, movimento de rádio, seja lá o que for... que gravita todo aquele ponto...Cinco, e olha que um ponto, quando a gente coloca dentro de uma escola, dentro de um telecentro, tem ali pelo menos 1000, 2000, 3000 pessoas né? Estou falando de cinco pessoas só. Se nós tivermos cinco pessoas para cada ponto que possam ter metas, possam ter trabalho, possa articular essas cinco pessoas me rede para que ela possa se desenvolver, são de 3600, da ordem 8000 pessoas a mais. 8000 militantes a mais, 8000 transformadores sociais a mais. É essa questão que eu estou preocupado e que é o nosso papel que é de fazer uma multiplicação dentro deste processo, é de estar estruturando isso. Agora se a gente fizer um processo que esteja articulando, que esteja dando condições para que o movimento jovem se trabalhe, se articule melhor, se articule em uma sociedade mal organizada e que organize essa sociedade não estamos errados. Que tem dinheiro, vocês vejam que no ano passado e neste ano de 2005 nos temos, no ministério das comunicações, 180 milhões de reais para gastar com projetos de inclusão digital, o Gesac consome 42, então sobra 130 milhões, ta´? Então, é muito dinheiro. O que que a gente vai fazer com esses 130 milhões? O que o governo Costa está fazendo agora, o ministro Costa das Telecomunicações, chamou as prefeituras do PMDB e está repassando o dinheiro para as prefeituras do PMDB, da ordem de milhões. Só agora foi empenhado, através do diário oficial da união, e está em processo de repassar o dinheiro na faixa de 46 milhões de reais para as prefeituras. É claro que, a grande maioria deste dinheiro é pra ser usado como fundo de campanha, não é pra ser usado em fundo social, não vai chegar na ponta este dinheiro, a gente sabe disso. Comentário: eu acho que a gente está sendo muito... Antônio: não eu estou colocando aqui o que eu pretendo fazer. O que eu estou procurando fazer é pedir desejosas ações de política pública do governo para conseguir melhor articular a sociedade. E , segunda coisa é conhecer melhor o que já existe para poder então articular mais e fazer as transformações que a gente quer para a sociedade que a gente imagina que é uma sociedade feliz, é isso. Como articular em rede e como fomentar essa rede, é isso que nós estamos procurando fazer. Felipe Fonseca: Eu vou assumir aqui a função de moderador ai porque parece que a conversa está meio descambando ai. E também porque aconteceu uma coisa chata que uma das pessoas que vieram para falar teve que sair fora por causa do horário e tal, que a gente atrasou, ela ia falar as duas e meia e já cinco e ela tinha outro compromisso e tal. E eu acho que são pessoas interessantes porque elas vem de outro circuito, que não são desta galera que todo mundo se conhece pelo nome. Eu acho que seria muito interessante, no caso a Jaqueline que foi embora, apresentar o projeto que ela participa entendeu? De um outro contexto para a gente remeter tudo o que a gente está falando aqui, por exemplo, para comparar qual a nossa experiência com a experiência dela e isso poderia possibilitar novos, novas possibilidades de pensar por que eu acho que a diferença não é um problema a ser solucionado, pelo contrário, a diferença é a solução; a diferença é o que possibilita a criação de coisas novas, porque quando eu conheço uma coisa diferente da minha eu posso ver que podem existir coisas novas além do meu. E, para dizer a verdade eu não sei como encaminhar agora, entendeu? Porque são 5 da tarde, tem o pessoal do Acre pra falar... CORTE Augusto: -... é assim é ante meio surreal pra gente. Até quando eu falei para eles qual era o assunto eles ficaram meio confusos de porque eles estariam vindo para uma reunião como essa sobre submidiologia. É meio complexo o nome, o pessoal, eles são das reservas ativistas do alto Chuá, no oeste do estado do Acre, e a gente trabalha juntos há mais ou menos uns dez anos, eles trabalham até há um pouco antes do que eu lá no projeto de monitoramento sócio-ambiental da região, que na verdade, este nome monitoramento sócio-ambiental, o que se consegue com este trabalho é muito mais do que isso, o que a gente está tentando fazer lá é um diálogo entre duas formas diferentes de conhecer as coisas e uma forma de produzir o conhecimento com vários instrumentos; livros, diálogos, teses de doutorado, visitas, conversas... Enfim, vários tipos de produções, de publicações e que a gente tenta colocar o resultado de uma experiência de convício entre duas formas de conhecer. Então, no fim das contas, a nossa estada lá, o nosso diálogo, ele tem por objetivo produzir um conhecimento hibrido a partir de duas formas de conhecer muito distintas que é uma forma acadêmica e uma forma de conhecer que é próprio dos seringueiros dessa região. E como que isso aconteceu? Isso aconteceu quase que por acaso esse inicio deste trabalho e olha que acho que tem muito a ver com o que a Mônica e o pessoal do Sarai está colocando. Acho que quando eu perguntei o que que quer dizer aquele termo indiano Gohala, eu estava preocupado justamente em entender como que eles estavam... porque que este termo vizinhança estava lá, porque existe um termos equivalente na reserva e que para mim é um exemplo de uma rede já feita, para mim é um exemplo de coisas que já acontecem e que as redes, elas tem que estar situadas e .... se a gente está pensando em conectar pessoas,a gente tem quem parar um pouco, o computador vem depois. Da pra fazer isso com outros meios e, esse negócio, essa maquinaria toda que está aqui, que está tomando um espaço grande na reunião, ela está ai para potencializar essas coisas e não para reduzir essas coisas, não para reduzir essas relações. Então, o que eu quero com a vinda deles aqui é que eles, o Caburé e o Goxo, vão falar um pouco desta experiência de convívio, porque eu acho os dois, entre as 50 pessoas mais ou menos que a gente conviveu fazendo este monitoramento sócio-ambiental, os dois são pioneiros nesta atividade, o que na verdade significa ser pioneiro em um diálogo permanente entre pesquisador acadêmico e pesquisador local, moradores da reserva de ativistas, que hoje estão se formando com os pesquisadores e que publicaram junto com a gente dois livros, vários na verdade, mas dois livros literários, de caráter mais literário, que um é As está história de matuto da floresta de comunicação do Caburé, e este aqui que é A mitologia dos escritores da floresta, que é um compendio de vários escritos que estão presentes nesta metodologia que a gente usou que é das pessoas da reserva, mais de 50 moradores, qual que é a comunicacão que eles tem com a gente? São diários que eles anotam cotidianamente aspectos da vida deles. Então, na verdade, a gente começou pedindo que eles anotassem... o Goxo vai explicar melhor porque ele foi o primeiro monitor. Mas, aspectos da vida, por exemplo, sobre a atividade de caça, sobre a alimentação... só que esses diários nunca ficaram presos à regras, a gente nunca chegou lá e falou “escrevam sobre isso”, a gente dava um tema e as pessoas começavam a escrever e na nossa ausência, criativamente, as pessoas começaram a escrever outras coisas: poesia, fazer relatos sobre sonhos... e essa produção, resultado deste diálogo a gente tentou colocar, primeiramente, nesta forma de livro. Então, na minha cabeça, o que que esses caras vem fazer aqui? Eu vim aqui brigar por uma antena do Gesac, mas essa não é a questão. A questão que eu acho que está se colocando aqui é esse conhecimento, esta reprodução... colocar na mídia o conhecimento significa respeitar outras formas de conhecer, como essas outras forma de conhecer conseguem organizar o seu pensamento não sendo em livros, não sendo em páginas na verdade, mas pode ser. Agora, eu acho que p essencial é não chegar com projetos prontos, é partir do pressuposto que construção do conhecimento é diálogo entre diferenças e é isso que a gente está tentando fazer. Então eu vou passar a palavra talvez aqui para o Roxo que está mais perto. Roxo: - Boa tarde todo mundo. Como seringueiro e índio hoje eu estou aqui muito satisfeito com o que está acontecendo hoje. Quando a gente conheceu esse pessoal da Unicamp, primeiro o doutor Mauro, né? Então a minha experiência foi de aprender uma coisa que eu nunca chegava algum dia imaginar chegar lá, eu vou participar de um convite feito pelo Chico e feito pelo Pajé. Então, o que eu acho que está acontecendo aqui que é uma coisa muito importante mesmo, muito bonita que eu to achando que o que a gente ta falando aqui hoje quase não tem nenhuma diferença com o que a gente convive. É muito bonito a pessoa vir aqui e trocar idéia do que a gente é, do conhecimento que a pessoa vive, de nascer em um lugar e chegar, sem ter contato com escola, ele conseguir levar uma informação não só para o Brasil mas para o mundo inteiro que é esse livro que igualmente a uma internet. Então, isso eu acho muito bonito e eu to vendo que é isso que o Pajé e o Chico está discutindo aqui, então com as idéias minhas e as de várias pessoas aqui é que vão chegar no que se chama de planeta terra de ter outras comunicações muito importantes... e pra mim é isso! Muito obrigado! Peje:-Achei que você ia falar do igarapé lá, da imagem do igarapé como um fluxo. Roxo: É que é muito pouco tempo... Caburé: - Boa tarde a todos vocês. A gente está aqui a convite do companheiro Augusto que está sempre na reserva, com o trabalho de pesquisador. E a gente que fazia o papel de fazer diário, escrever diário, fazia o papel de monitoramento. Então, o que eu percebi nestes dois dias já de palestra é que o povo quer formar uma rede de comunicação até os últimos pontos mais distantes do nosso país. Esse nosso Brasil ele é cheio de riquezas, ele é cheio de novidades, mas eu fico separando ele assim em quase três partes: uma parte ele chega com tudo, chega com comunicação, chega com transporte, chega com o que tem feito para a população; na outra parte já chega mais ou menos esse tipo de coisa e na outra já não chega nada disso que é o ponto mais isolado, que exatamente foi o que a gente nasceu, o que a gente criou-se, fora de escola, fora de muitos tipos de comunicação e de desenvolvimento. Então, a gente, quando se encontra num meio desse que está ouvindo são os professores e os alunos da universidade, e a gente fica lá, nascido e criado no meio da mata... quer dizer, sabe falar, mas não sabe conversar. Então a gente fica, como se dizem, em um beco sem saída né? Fico como sem saber explicar o que é que a gente sente, o que é que a gente faz para esse povo. Muito obrigado Pajé: algum comentário ou pergunta que alguém gostaria de fazer para o Caburé e o Roxo? Dr Gorila: