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Novos paradigmas, colaboração, software livre

NOVOS PARADIGMAS, COLABORAÇÃO, SOFTWARE LIVRE (Dalton) Quando a gente fala desta questão da academia, quando a gente fala desta questão das certezas, eu quero remeter a um momento da história da ciência, mais ou menos no início do século passado, quando brotou aquilo que a gente hoje chama de física quântica. Se a gente pegar a fala de Niels Bohr, de Heisenberg, Planck e por aí vai, esses caras tinham embates dentro de laboratórios que duravam semanas. Eles chegavam a surtos muito semelhantes aos quais nós chegamos em oficinas e processos. Einstein dizia assim: “Perdemos o chão. Estamos caminhando sobre o completo desconhecido”. Porque aquilo que brotava no cenário para eles era completamente desestruturante, com base naquilo que eles conheciam como o seu arcabouço conceitual anterior, que era física Newtoniana e o cartesianismo. Aí, de repente surge todo um padrão comportamental da matéria dual, aí fudeu; ora o eletron é matéria, ora o eletron é luz, é onda, como é que isso pode acontecer? E o que é pior, se você faz uma pergunta para um elétron do ponto de vista óptico, ele te responde do ponto de vista óptico; se você faz uma pergunta pro elétron do ponto de vista da matéria, ele te responde como matéria. Então, os caras tiveram que aprender uma coisa em 1920 com a qual eles têm que conviver até hoje, que é conviver com a incerteza. Então a gente parte de um momento em que as redes começam a emergir... tá lá o Barabási quando escreveu Linked, traçando esse perfil das redes emergentes em tudo, e a gente começa a perceber que essas redes emergentes trazem como conseqüência do processo de interconexão das pessoas novas práticas. Essas novas práticas começam a puxar atitudes ousadas de grupos que conseguem assimilar esses conceitos no seu cotidiano mais facilmente, e aí a gente se depara com esse ponto chave a que nós estamos chegando hoje. São novos comportamentos sim, mas eu vou além... são novos comportamentos porque vêm de novas formas de relacionamento, vêm de novas formas que estruturam o relacionamento e é isso que é importante trazer para o dia-dia.
(Cláudio Prado) Quando a Física Quântica começa a ser pensada, a instituição acadêmica da época, os físicos, presidentes das associações, o povo sentado em cima das cátedras dizia: “Você não precisa mais estudar física, a física já praticamente resolveu o problema de todo mundo, tá tudo pronto, faltam algumas leizinhas ai e a gente vai matar a charada da humanidade”. Essa era a postura da academia. Física quântica, até hoje professor de escola não tem idéia do que seja. Ele ensina que o caminho mais curto entre dois pontos é uma reta como fato absoluto e isso ai é um absurdo, na verdade precisava começar a ensinar para as crianças as abstrações e depois ensinar as linearidades. Você precisa primeiro aprender que a terra é chata para depois, na pós-graduação, aprender que ela é redonda... é uma coisa meia maluca isso.
(Dalton) Você constrói um conjunto de metáforas completamente caducas pra pensar a sua vida. É um processo em que você está construindo a sua relação com o mundo e você tem essa relação baseada no cartesianismo, depois você, se por acaso chegar a estudar alguma coisa que vai para o mundo das exatas, vai perceber que o tempo não é linear, vai perceber que o espaço é curvo e você começa a perceber um monte de coisas ...

percepções coletivas relativistas

Discordo do CP quando ele diz que "Você precisa primeiro aprender que a terra é chata para depois, na pós-graduação, aprender que ela é redonda... é uma coisa meia maluca isso."

Acho que o processo de aprendisagem passa pela prática, que a compreensão de alguma coisa como verdade absoluta é uma opinião/sensação única. Tem que dar incerteza sobre o formato da terra.
Aliás, ela não seria oval?

O exempĺo da fisica quântica é ótimo pois as relatividades são encaradas como percepções. E as novas práticas, percebidas por alguns em interceção com novas formas de pensar, são ponto chave dos questionamentos sobre o que estamos fazendo.

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