Deli

Como é possível operacionalizar e quais os caminhos a serem percorridos em um plano de colaboração entre os países do sul? E seriam só os países do sul?

Mônica Narula - Sarai
Fernado Henrique / xsl4v3 - Metareciclagem
Bia - Metareciclagem

Bia:
- Isso tudo é verdade mas e ai? E ai? Então a gente fala puxa vamos lá mas não tem nada a ver a gente por que eles vivem uma realidade diferente.
Então quando eu falo isso eu procuro tentar ver, as diferenças que a gente tem, as diferenças culturais, as posições que eles tem nos projetos deles, que são muito específicos, não vai adiantar a gente tentar transportar o cybermohala pra cá que não vai funcionar, não vai mesmo. Mas tenta entende...

58:28 O SOM PAROU DE FUNCIONAR..

Voltou a funcionar 1:08:00

Continuação de uma fala do Ale:
-Ele está perguntando da pessoa juridica que está por trás disso, se é um instituto de pesquisa?

Mônica: Sim!! Sarai e Cybermohalla começaram ao mesmo tempo. E quando começou foi dizendo que existe sempre na imaginação de países como Brasil e Índia, eu imagino, você tem que pensar COMO o país, voc deve fazer as coisas para o seu país e por aí vai. E falamos que o sarai não seria isso porque acreditamos em conversas, pesquisa, em fazer coisas, e que essas coisas são uma forma importante de interferir na sociedade, não é apenas importante o que estamos fazendo aqui no mundo, claro que isso é importante, mas igualmente importante é o mundo da mente, e o mundo do compartilhamento eo mundo da criatividade, então sarai começo totalmente com essa imaginação, e cibermohalla é parte disso, então não é uma coisa separada. Então o domínio público foi uma categoria importante sobre o nosso papel em vida, como nos encontramos e compartilhamos as coisas, e a reprodução dos bens materiais. É um grande espectro e esse espectro é contínuo.

Cara da PUC-SP:
Pelas falas deu pra pegar que há diferença entre o escopo social no Brasil e na Índia. Mas como a Bia falou não dá pra ficar “ai nos somos mais violentos, somos menos violentos” Acho que a coisa do consumo também. Como ela mesmo falou é uma coisa que demandou um tempo, não apareceu logo de cara: quer dizer, as pessoas vão construindo isso só que... teve uma coisa na fala dela que eu achei muito bacana que o foi o momento que ela falou da coragem para falar e também da coragem para ouvir, que acho que o que falta talvez aqui é a coisa da coragem; das pessoas tomarem esses projetos, esses empreendimentos, seja lá o que for, e não abandonar, porque é fácil falar que neguinho vai lá com uma perspectiva de que quer comprar um tênis ou de que aqui o corpo social é mais violento, não sei o que; só que as pessoas que começam a trabalhar com isso elas perdem essa perspectiva de que isso é uma coisa micro, feita no local, na comunidade e, pensam sempre o poder de uma forma genérica. Então tem uma perspectiva do poder sempre descendente e não ascendente de que todos são produtores e difusores e retransmissores de poder. Então a gente abandona essa tabulação micro, começa a pensar o macro e no macro tem o estado. Então uma boa parte das pessoas que trabalham com isso, ou vão para o estado e ai acaba esvaziando essa ação, esta atuação no micro, ou então vão para a corporação e esvaziam essa ação no micro. Então acho que falta... não sei, a coisa da coragem pra mim é de encarar e tocar realmente essa coisa mesmo no micro. Porque este tipo de ação é uma ação assim: você está criando espaço de sociabilidade, entendeu? E que é pra ele... não tem muito... No final o Vitor falou uma coisa bacana também, mas eu só quero completar com isso: de que este recorte que ela falou da coragem de falar e de ouvir é essencial, até porque quando você está sentado com a molecada você vai ouvir um monte coisas que você não quer ouvir e eles também tem essa coragem de ouvir o que você tem a dizer para eles, e sempre de uma maneira todo mundo igual, não sou eu que estou levando a política ou... ta todo mundo ali sentado no tapete conversando de igual para igual, e todo mundo tem que estar disposto a ouvir também. Acho que é mais ou menos por ai...

Ale:
-Eu queria fazer uma pergunta para Mônica e depois uma pergunta para Bia.
A minha pergunta para a Mônica é: eu acho muito interessante a idéia deste espaço e eu queria entender ele um pouco melhor, porque as pessoas vão lá pelo seu próprio interesse não estão recebendo... não sei se a maioria dos jovens. Mas vocês dois no caso estavam recebendo né? Tinham bolsa e tal... então vocês dois lá, não é que vocês estavam recebendo pelo que vocês estavam fazendo lá, mas vocês estavam podendo ficar lá; tinha lugar pra ficar, tinha o que comer, e tal... então isso foi uma ajuda que de alguma maneira chegou e que eu queria saber da posição de vocês ali se as outras pessoas também tinham algum auxílio para estar lá e eu queria saber da Mônica se tem gente que recebe para estar lá, para fazer, engajar nessas conversas, começar a pegar o menino que ficou três dias jogando no KDE e falar: “ E ai? Mas quando a sua sombra bate no fotografo, a imagem é de quem? É sua, é dele é outra imagem, né?
Enfim, eu queria entender o espaço em si, o espaço físico; ele é de quem? É um espaço público? É a casa de um brother que abriu? É um lugar que foi ocupado, ou foi comprado, ou paga aluguel, né? Ir no cybermooha? E tipo: como você chega em um investidor e diz “então, o que importa são as idéias por trás, me dá a grana” e eles dão... eu quero fazer isso também.

Mônica:
Como eu disse no começo isso foi uma colaboração com a Ankur, essa instituição que já vem há 15 anos trabalhando com educação alternativa, trabalhando nessa vizinhança por um longo período de tempo, então foi possível para nós começar com essa confiança, porque eles conheciam as pessoas que passavam muito tempo ali, confiavam nelas. A coisa mais imporatnte é a confiança.

Mônica:
Cybermohala é uma colaboração entre Sarai e Ankur, que vem trabalhado com educação nunca com tecnologia antes, não era sua párea de atuação, e sim pedagogia alternativa, então quando iniciamos essa conversa fomos a Ankur e dissemos que pesquisaríamos a possibilidade de usar a tecbologia como ponto de partida para a reflexão e a criatividade. E eles disseram, vamos tentar esse experimento, nunca fizemos antes. Então eles tinha,m nessa vizinhança, o que é uma favela acho, um busti (outra palavra para favela em hindi) no meio da cidade, onde havia um pequeno centro comunitário, eu acho a sala do cybermohalla muito pequena. É como um centro muito grande que havia naquela vizinhança por um logo período de tempo. Saibam que quando eu ando pelo Brasil eu vejo o que é chamado de periferia, até as favelas, e acho que elas parecem muito abertas e claras, porque as de Delhi são muito mais apertadas, as ruas são muito estreitas, a área é toda sucateada..

Mônica:
Então levantamos dinheiro para instalar os laboratórios e pessoas da Ankur nos deram o espaço. Nesse começo pessoas da Ankur foram à vizinhança e disseram, alguém quer se juntar a esse experimento, quer tentar usar um computador? Nós iremos falar e escrever, então no começo fizemos um mês de oficinas no Sarai, todos que trabalhávamos juntos olhávamos para fotos, então por exemplo o tema áudio. É muito fácil dizer olha aqui está um microfone, aqui está um gravador, por favor vá para a rua e grave sons. O que fizemos em um mês foi: vamos falar sobre ouvir. Vamos escrever o que ouvimos, vamos prestar atenção no que ouvimos. Gravar é a parte fácil. Todos podem gravar, mas a questão é: o que você pode ouvir numa gravação? Então foi assim que trabalhamos, gastamos um período longo conversando sobre isso, escrevendo sobre isso. Então se você olhar para os textos no primeiro livro verá que serão muito sobre os sons, porque as pessoas pensam "olha, eu posso ouvir isso, nunca tinha me tocado, a noite em minha vizinhança, eu consigo ouvir esse som, eu consigo ouvir aquele som" e quando eu ouço um som, quais são as histórias por trás daquele som, o que diz da cidade, da minha vizinhança, que aquel som está lá as duas da manhã. Então é assim que começamos, que esse som está lá as duas da manhã. Então foi assim que começamos, e no começo ninguém era pago, todos vinham voluntariamente. Mas depois de algumas pessoas gastarem um longo tempo ali e pegarem para si responsabilidades para regular o espaço ou manter o arquivo ou se certificar que as coisas corriam propriamente. Para essas pessoas é como um trabalho porque gastam tanto de seu tempo ali depois de o frequentarem por 2 ou 3 anos, que são pagos um pequeno salário, e as crianças adolescentes também, um salário que gastam para dar continuidade ali. Nem todos são pagos, apenas algumas pessoas que tomaram responsabilidade são pagas.

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